4
A tarde ia caindo, eu ouvia longe os carros contornando a praça, mas na rua ao meu lado não havia ninguém. Isso só aumentava a sensação de abandono que me assolava, o único consolo era que eu estava chegando em casa, e por mais que tivesse de agüentar sermões sem fim, era melhor que estar perdida e jogada para lá e para cá. Eu levei uma mão à testa enquanto andava com os olhos no chão, meditando, e de repente senti alguém se aproximar de mim. Meu coração idiota, mal tinha resolvido que não ia se entregar àquele sentimento, disparou, achando que era Heero, mas quando me virei vi um rapaz estranho com um sorriso brilhante que me assustou.
–Moça, que horas são? –ele me perguntou. Eu o olhei sobressaltada e segui adiante. Mais na frente havia outro me esperando. Quando vi o segundo homem, engoli seco.
Pensei: Não acredito que vou ser assaltada do lado do palácio! Onde estão os guardas?
O rapaz veio falando comigo e eu resolvi ir recuando devagar, voltando o passo, nem prestava atenção no que ele falava. Não gostava dos modos dele. E por mais que eu me afastasse, eles me seguiam, eu não desenhava nenhum movimento brusco e me mantinha calada, os olhos parados nos dois, sem exprimir meu medo.
–Essa daí é frígida. –um disse para o outro. Os dois trocaram sorrisos maliciosos.
–Eu gosto assim. –surgiu uma resposta e eu começava a ofegar.
–Moça bonita, me deixa ver o que tem na bolsa, por favor. –um deles me pediu com uma gentileza ameaçadora, e vi que escondia algo no bolso.
Eu estava quase me esfolando no muro de tanto que tentava me manter longe deles, e ia andando para trás bem devagar, olhando-os fixamente para não ser surpreendida. Fiquei em dúvida. Será que se entregasse a bolsa ele me deixaria em paz? Eu não tinha essa impressão, porém...
–A moça escutou? –o outro veio mais perto, e eu estava praticamente cercada, e ele falou mais ríspido que o outro. –A bolsa. Eu quero a bolsa.
Eu engoli seco e franzi as sobrancelhas. O que fazer? Eu nunca tinha enfrentado nada assim, o pior que conheci foram os príncipes abusados que encontrava em festas... Encolhida contra o muro naquele momento eu me sentia sem saída, eu não sabia o que fazer. Então eu entreabri os lábios, tentando articular uma palavra.
–E então, moça? Vamos com isso ou vai ter de ser do jeito mais difícil? –o primeiro me ameaçou então, chegando bem perto de mim, e assim eu olhei para ele e soltei um grito alto e chamei:
–Heero!
Com isso os moços vieram para cima irritados, e agarram a minha bolsa e agarram também a mim. Eu gritava com mais força e me debatia, o homem me jogou no chão enquanto o outro abria minha bolsa e jogava as coisas no chão. Com a queda eu fiquei desorientada e só vi o moço avançando em cima de mim enquanto o outro analisava minhas coisas no chão. Se eles descobrissem que eu era a princesa, eu estaria mesmo perdida.
–Heero! Socorro! Socorro! –eu gritei com força e lágrimas de esforço e desespero desciam meu rosto sem consentimento, tentava escapar do moço, mas não conseguia. –Socorro! Socorro! Heero! –e eu insistia, era impossível que ele estivesse tão longe que não me pudesse ouvir.
Mas ninguém vinha, ele não vinha e o homem tinha as mãos nos botões do meu blazer e o outro olhava minha carteira e eu perdia a esperança de ser socorrida. Debatia-me, me esforçava, protestava e gritava sem parar, lutando por mim, cheia da energia que ganhei do medo. O homem se mostrava bravo e tentava me bater, mas eu ainda assim me esgueirava pelo chão e escapava.
–Por que você não ficou quieta, moça? Devia ter obedecido! –ele me disse bravo e queria me punir com tapas, mas como eu não parava quieta, ele não conseguia acertar...
De repente, o moço que olhava minhas coisas pareceu assustado e olhou o outro:
–Olhe isso! Vamos, vamos... Não adianta mais! –ele se acovardou e jogou minha carteira no chão e saiu correndo e o outro olhou para o companheiro desagradado e não disposto a desistir. Eu não conseguia saber o que estava acontecendo. Era a polícia?
Eu ouvi um tiro. O rapaz se levantou de cima de mim e sacou seu revólver. Quando eu virei de lado vi Heero vindo. Levantei-me rápido e apanhei minhas coisas do chão. Heero veio correndo em direção do homem, que errou um segundo tiro. Com um impulso, Heero foi para cima do bandido e, por pouco se desviando de uma terceira bala, tirou o revólver da mão dele e o derrubou. O homem caiu tão rápido, nem acreditei no que vi! Heero apontou a arma contra o seu dono e com seus olhos glaciais disse muito baixo:
–Peça desculpas a ela e vá embora. –e mirava a arma no meio dos olhos dele, com a agressividade que eu temia existir debaixo daqueles modos ariscos de Heero. Eu fiquei ainda mais assustada e queria ir embora, não queria ficar ali e olhar aquele homem asqueroso. Tinha tanto medo!
Sob a mira da arma o homem se levantou e pediu desculpa. Heero mandou-o correr enquanto ele o seguia com o revólver. Por fim o homem foi embora. Eu segurava a bolsa, olhando Heero chocada e desolada, sem saber o que pensar.
–O que você vai fazer com isso agora? –eu disse, apontando o revólver, horrorizada. Heero descarregou a arma e guardou o resto da munição no bolso da calça enquanto o revólver enfiou dentro da jaqueta.
–Depois eu me livro disso.
Eu não o entendia mais... Que tipo de pessoa era ele? Será que eu estava mesmo segura com ele? Ainda assim, precisava agradecer:
–Obrigada. Eu estava com tanto medo de não conseguir escapar. Muito obrigada... Eu preciso saber o que fazer para recompensá-lo... –e disse, enxugando o rosto com a manga mesmo. Sabia que as costas do meu taileur estavam sujas do chão da calçada e sentia meu braço dolorido.
Heero sorriu, eu não soube por quê.
–É melhor eu te acompanhar até o portão antes que você atraía mais problemas... Que capacidade você tem, não? Acho que é por isso que seu pai não te deixa sair de casa. –ele ia falando com um jeito divertido e cruel enquanto andando do meu lado e eu baixei a cabeça.
–Se não fosse eu poderia ter sido outra moça... Como o mundo é cruel aqui fora. –comentei preocupada.
–Você não imaginava, não é? –ele me perguntou, em achando inocente com certeza.
–Imaginava sim, mas não achava que ia ter uma amostra... Isso foi para que eu aprendesse a me conformar. Bem, pelo menos acho que é isso que papai vai dizer antes de mandar policiarem melhor nossas ruas... –e eu disse, de repente com bom-humor para brincar um pouquinho. –Obrigada, Heero. –olhei-o no rosto e repeti, sem saber como expressar minha enorme gratidão. Ele não demonstrou reação e me mantive em silêncio, um pouco amoada por causa da presença dele. Fique tímida de repente, agora que ele sabia o que eu sentia por ele e não sabia o que ele pensava sobre isso.
Suspirei aliviada ao chegar a Praça Real, que estava toda iluminada, pois era noite então. Surpreendi-me com o modo do tempo ter passado tão rápido naquele dia. Heero do meu lado parecia só esperar o que eu ia fazer em seguida e me olhava. Da minha parte, eu apreciava a amplidão da praça. Era diferente do que eu via da sacada, era tão bonita e alegre, parecia outro lugar. Olhei as pessoas que iam para lá e para cá, ocupadas ou aproveitando um passeio, e fiquei meditando na vida como um todo. Depois do que passei minutos atrás, percebi que em meio a tantos que passavam pela praça eu era só mais alguém. Eu era só Relena, sem coroa, sem nada demais.
–Tudo bem? –ouvi Heero dizer quase no meu ouvido e de certa forma meu encanto por ele aumentou quando senti a voz dele tão perto de mim e tão quente. Eu só prossegui caminhando e não respondi. Heero me seguia. Faltava pouco até a guarita.
Preferia ficar em silêncio a desperdiçar minhas palavras com ele. Havia algo nele que ao mesmo tempo em que me atraía, me repelia também e nunca havia imaginado que isso fosse possível. Jamais entendi que sensação era esta e não me preocupava com isso. Por mais que me sentisse esgotada por causa de minhas emoções, eu ainda confiava naquele rapaz.
–Agora não deve ter mais perigo... Fico esperando você entrar daqui. –então ele parou e me disse com seriedade. Olhei, assenti e fiquei parada um instante olhando para ele. –O que está esperando? –ele me perguntou, intrigado, e eu sorri contidamente.
–Foi um prazer te conhecer. –disse de modo que só ele ouviu e fui me afastando, indo na direção da guarita aos poucos sem olhar para qualquer outro lugar, só para frente. Encarei a guarita intimidadora e falei no interfone:
–Me deixe entrar, Rostalf. –pedi, esgotada.
Rostalf abriu o vidro e olhou para minha cara, incrédulo, como se eu fosse um fantasma.
–Vamos, Rostalf, por favor. –eu repeti, pouco preocupada com o que ele estaria pensando e com o modo que ele me encarava.
Rostalf abriu o portão da guarita e eu entrei por ali. Olhei-o:
–Entregue para Pargan. Amanhã eu vou pessoalmente pedir-lhe desculpas... A limusine está estacionada no muro de trás. –entreguei a chave do carro e fui dizendo, sem dar detalhes, e Rostalf me assistia.
–Estão procurando vossa alteza...
–Eu sei, Rostalf, eu sei... Obrigada. –e saí, caminhando pelo pátio até o pórtico. Não me lembrava de algum dia já ter atravessado aquele lugar com meus próprios pés. Ia prestando atenção no jardim e olhando a fachada magnífica do nosso palácio Art Noveau e sorri. Parei e me voltei para trás. Entre as grades do enorme portão eu olhava as pessoas lá fora e procurei-o, mas Heero não estava mais lá. Continuei até a porta do palácio.
Até aquele momento, Rostalf já devia ter avisado a segurança e alguém me viria receber, e antes de subir o último degrau, a porta se abriu para mim e vi papai parado atrás de dois seguranças. Ele me fitava severamente e eu não podia tirar-lhe a razão. Entrei vagarosamente no palácio e ouvi as portas se fecharem. Olhei o rosto de papai que me olhava de volta:
–Venha, Relena. Temos de conversar.
Devo confessar que tremi ao ouvi-lo dizer aquilo com uma voz controlada e séria. Segui-o até o gabinete e ele me fez sentar. Depois chegou mamãe:
–Querida! Ah! Que alívio! Você está bem? Ficamos tão preocupados! Ainda bem que você voltou! –mamãe se aproximou e me beijou a testa e papai olhava pela janela enquanto isso.
Então mamãe olhou papai e suspirou. Ela tomou assento num sofá em minha frente e olhou o chão. Papai virou-se para nós e sentou-se ao lado de mamãe. Eu estremeci por dentro sem saber o que fazer.
–O que você estava pensando essa manhã, Relena? Por que você fez isso conosco? –e começando com essas duas frases, papai deu um discurso me repreendendo, advertindo e disciplinado por pelo menos meia hora. Eu apenas escutava, olhando para ele e mamãe olhava baixo ainda. Eu nem respirava enquanto ouvia. Quando ele terminou, me perguntou: –O que você tem a dizer sobre isso?
–Eu espero não ter prejudicado seus tratados diplomáticos com o rei da Holanda. –murmurei olhando baixo e meu pai suspirou fundo.
–Não, Hagard já está acostumado com essas coisas por causa daquele filho dele... Mas uma única coisa eu decidi: você não vai se casar com aquele irresponsável do Noël!
–Onde eles estão? –perguntei.
–Voltaram para o hotel. Noël chegou aqui branco como um papel e Hagard teve de fazê-lo falar o que aconteceu. Ele contou aos poucos e nós mandamos procurar você, assustados, enquanto Hagard fazia um discurso contra o filho que olhava o pai em silêncio. Acho que ele vai dar sossego para o pai por um tempo. –papai foi dizendo um pouco alterado, eu não sabia se ele estava bravo comigo, com Noël ou com a situação, mas ele estava definitivamente bravo. –Espero que amanhã eles nos mandem alguma correspondência sobre este ocorrido, pelo menos perguntando sobre você...
–Oh, papai. Perdoe-me. Eu sei que o que fiz não foi certo, mas... Eu precisava muito sair. Não agüento mais ser super protegida e ficar presa aqui dentro... Eu sei que isso não é desculpa, mas quando Noël propôs sairmos escondidos daqui eu não pensei duas vezes... –expliquei, dizendo sinceramente o que sentia e meus pais me escutavam sem expressar nada. Contei tudo o que aconteceu, falei sobre Heero que me ajudou e sobre o acontecido com os criminosos e mamãe quase chorou escutando.
–Mas este rapaz, que eu conheci hoje, me socorreu e não aconteceu nada mais. –terminei, afirmando.
–Que coisa terrível. –papai disse pensando alto, e suspirou. Parecia que por um instante ele não estava mais bravo comigo.
–Eu gostaria de recompensar o que ele fez por mim, mas não sei como... –murmurei, então, refletindo na ajuda que ele me prestou.
–Como é mesmo o nome dele? –mamãe pediu, se recuperando do choque.
–Heero Yuy. –eu disse pensativa, me lembrando do rosto dele. Pareceu que só então notei que ele era bonito.
De repente a porta abriu e Zechs entrou com o uniforme da academia desalinhado, olhando para nós no gabinete, cheio de uma pressa muito grande. Ele não sorriu, como costumava fazer e eu não entendia por que ele estava ali.
–Finalmente consegui chegar. –ele reclamou, arrumando a gola da roupa. –Está tudo bem?
–Agora sim. –papai respondeu olhando-o. Achei que Zechs não tinha me visto ali ainda.
–Puxa, Relena! Que susto que você nos deu! –ele exclamou me olhando e eu me encolhi onde estava sentada. –Os irmãos mais novos são sempre mais atentados! –e ele me provocou, de repente despreocupado e mamãe suspirou ao lado dele.
–Zechs, não é hora para isso... –ela disse baixo e suavemente, olhando-o incrédula e ele deu de ombros.
–Eu posso me retirar? –então pedi, me sentindo cansada, faminta e desconfortável. Papai me olhou feio:
–Ainda não. Diante de todo seu relato, levando em conta que você foi levada por influência de Noël, eu vou lhe dar uma semana de castigo. Lembra-se do baile beneficente no museu? Você não vai. Também não irá às regatas sábado. Amanhã quero que você peça desculpas a Pargan por causa do carro antes de ir para escola.
–Está bem. –concordei submissa. Eu não podia contestar papai e já estava tão acostumada com minha "clausura" que nem me importei em perder os eventos que estive ansiando...
–E enquanto isso, irei pensar na sua situação. Está dispensada. –papai terminou duramente e eu me levantei. Mamãe saiu junto comigo, ainda preocupada, e fomos para meu quarto. Enquanto isso, com certeza, papai deve ter contado a Zechs toda a parte que ele perdeu.
–Zechs veio da academia só por minha causa? –perguntei á mamãe e ela sorriu e assentiu. Fiquei envergonhada por causa do transtorno que causei. –Eu prometo não fazer mais isso, mamãe, eu prometo... –e disse chateada.
–Oh, querida, está tudo bem. Seu pai estava muito preocupado com o que poderia ter acontecido, foi por isso que ele ficou tão bravo. Você devia ter dito como se sentia antes e não dar esse susto em nós. –mamãe me disse, alisando meus cabelos e eu nem sabia mais o que responder. –Mas você teve um dia cheio hoje, certo? Deve estar com fome e precisando dormir. Amanhã, veremos como as coisas vão estar, o pior já passou. –e mamãe me sorriu amável e eu me senti reconfortada. Sorri em resposta e mamãe saiu do meu quarto e me deixou sozinha com a empregada, que trouxe meu jantar enquanto eu tomava banho.
Ao deitar a cabeça no travesseiro aquela noite meus olhos não obedeciam minha vontade de dormir. Eu pensava nele, em Heero, e olhava o nada. Dava vazão para meditar: será que eu deixei com ele algum vestígio? Será que quando ele sentisse o meu perfume em algum lugar ia se lembrar de mim? Será que quando ouvisse meu nome, pensaria no dia de hoje? Afinal, o amor era aquilo? Era a emoção no meu peito, era real, era recíproco? Não havia respostas ou quietude. Só sabia que encontrar Heero mudara minha vida de forma completa.
De manhã, enquanto me arrumava para a aula, Noël me telefonou. Quis saber como eu estava e de um jeito descontraído pediu desculpas. Ele era um delinqüente disfarçado de príncipe e eu só sorri ao telefone, incapaz de brigar com ele.
–Eu marquei muito, né? Puxa, desculpa aí, foi mal... Culpa minha mesmo! –ele disse, a voz era tão bem-humorada.
–Tudo bem, Noël, eu te desculpo. –falei despreocupadamente.
–Vamos repetir isso uma outra vez e aí fazemos tudo direito... Descobri uns lugares muito bons por aqui! –ele adicionou faceiro, e eu ri diante do absurdo. –Beijos, tchau. –e despediu-se. Desliguei.
Saiu alguma nota sobre o caso, nada muito grave, em um ou dois tablóides. Pargan sorriu bondosamente depois que lhe pedi desculpas, momentos antes de chegar à escola. Ele sempre me é tão bondoso.
–Só você para fazer isso, alteza: pedir-me desculpas!
–Bem, acho que Noël nunca faria isso, certo? –comentei, sorrindo e Pargan riu calmo, assentindo.
–Não dê importância para isso, o importante é sua segurança, princesa. –ele me disse mais, tão tranqüilo, antes que eu descesse. Fiquei comovida.
Na escola, minhas amigas queriam saber detalhes, mas eu preferi não falar muito. Até parecia que eu estava tentando esquecer o que tinha se passado, e talvez, de certa forma, estava mesmo. Fiquei o resto do dia quieta e concentrada nas minhas lições. Ao meu redor, as pessoas ainda cochichavam inevitavelmente, foi assim praticamente toda a semana. Os professores me olhavam com ainda mais rigidez, se é que fosse possível, entretanto eu não dava atenção.
Zechs foi conversar comigo antes do baile, querendo saber como eu suportara a semana. Só ele sabia levantar meu ânimo. Graças a ele, meu fim-de-semana, mesmo sem as regatas, começou bem. Antes de anoitecer, fomos cavalgar no sábado, e eu me sentia bem disposta. Foi papai quem contou minha aventura para ele, mas como um bom irmão, ele queria mais detalhes e eu lhe revelei uma ou outra coisinha e quando anoiteceu, eu fui até a sacada e fiquei observando as luzes acenderem na Praça Real. O mundo lá fora parecia ainda mais interessante apesar de seus perigos e eu não tinha traumas, ao contrário, queria mais (no bom sentido, lógico).
Estava lá, me sentindo bastante só, não ouvia nada ao meu redor, com a atenção posta numa outra dimensão. Olhei meu lado e me surpreendi vendo papai parado ali. Eu o olhei e sorri, e me senti mais tranqüila quando ele me sorriu de volta.
–Você é uma boa filha, Relena. –ele disse amorosamente e eu abaixei os olhos. Era bom ouvir isso e acredito que ele também gostou de falar aquela frase. Continuava a me sorrir. –Eu cheguei a uma decisão quanto ao seu pedido. Eu e sua mãe conversamos sobre isso e concordamos em deixá-la sair, mas com um guarda-costas disfarçado. É o máximo que posso fazer por você.
–É o suficiente! –exclamei e abracei-o, me sentindo muito feliz. –Obrigada por me entender, papai, obrigada!
Ele me apertou nos seus braços me envolvendo com seu aconchegante calor paterno e eu me lembrava de quando era pequena e ele me pegava no colo. Acho que ele também pensava nisso e por esse motivo era tão difícil me ceder a liberdade que eu pedia, porque talvez tivesse se esquecido que eu crescera. Quando nos olhamos outra vez, ele me sorriu, mas avisou:
–Mas só a partir da quarta-feira, por que terça tem a inauguração da biblioteca. E quero que não perca suas responsabilidades quanto a deveres escolares e não pode deixar de ajudar sua mãe nos órgãos beneficentes.
–Certo, certo! –eu lhe sorri e concordei, para mim não era nada difícil. Eu tinha conseguido enfim o que eu sempre desejei.
Olá, como vão vocês? Gostaram do novo capítulo? Espero que sim!
Andei achando meio chato os comentários que fiz nos outros capítulos, então vou mudar a fórmula. Antes, quando eu escrevia, sempre fazia notas tão divertidas... sei lá porque não fiz o mesmo aqui antes!
Esse capítulo é um grande risco... muitas pessoas podem não gostar, ficou meio dramático demais, acho. Sei lá porque me veio essa idéia boba de fazer a Relena passar um periguinho... talvez tenha sido minha mania de tentar matar as personagens principais XD! Mas não se preocupe, na maioria das vezes eu fico só na tentativa...
E eu não podia perder a oportunidade de criar mais mistério em volta do Heero e fazê-lo mostrar suas habilidades viris . Heero bonitão! Ai, ai, ai... suspira
Bem, voltando ao assunto... enfim, Relena está livre! Agora que a coisa começa a esquentar! Ehehehehehe...
Bem, agora, só vos resta esperar pelo novo capítulo! ;)
Muito obrigada, Suss e winryy por deixarem seus post! Isso sempre me motiva!
Por favor, continuem me fazendo saber suas opiniões, críticas, sugestões! Tudo isso é muito importante!
Nada relacionado a Gundam Wing me pertence.
Por favor, não usem a Fic sem minha permissão.
Até mais!
XOXO
10/06/2007
