Capítulo 4 – Beco Diagonal.

Era o último fim de semana que teria que passar no orfanato. Segunda-feira ele embarcaria no Expresso Hogwarts e estaria no seu verdadeiro lar.

Lembrou-se que ainda não havia ido comprar o material desse ano e que precisava, urgentemente, ir para o Beco Diagonal.

Decidiu então, juntar suas coisas, apanhar Hel e ir embora mais cedo. Ficaria na hospedaria do Caldeirão Furado. Era mais próximo do Beco e da estação.

Guardou todos os seus pertences no malão e foi até a diretora Candle. Bateu a porta e entrou na sala.

- Tom? Por que está de mala feita?

- Porque daqui a dois dias eu vou para a escola.

- Mas é só daqui a dois dias...

- Porém tenho que ir comprar meu material e irei logo ficar por lá. É mais próximo.

- Sinto muito, Tom, mas não tem ninguém para te acompanhar. E vai ficar onde?

- Não preciso de companhia. No ano passado eu fui sozinho. E ficarei em uma hospedaria que eu conheço.

- Tom, você tem 12 anos. Não vou te deixar ir para Londres sozinho e ainda ficar dormindo em um lugar desconhecido.

- Eu já disse que não preciso de ninguém e não é desconhecido. Eu conheço.

- Como se fosse grande referência. – revirou os olhos. Ela já estava ficando cansada do ar superior daquele menino. – Bom, eu vou ser sincera. Não gosto de você.

- Ótimo. O sentimento é recíproco. – ela trincou os dentes e segurou uma resposta. Garoto abusado.

- Mas ainda que eu não goste de você, é um morador do nosso orfanato onde eu sou responsável. E ninguém que está sob minha responsabilidade correrá qualquer risco. Mandarei alguém ir com você.

- Ninguém irá querer. – Tom disse simplesmente. Ela pareceu refletir e concordar. Nem mesmo ela queria.

- Então eu irei. – levantou-se.

- Não sou um cego que precisa de cão guia. Irei sozinho. – se virou.

- Ora seu pirralho mal-educado, você querendo ou não, eu vou!

- Ótimo. – repetiu e saiu da sala.

Virginia Candle o seguiu e foi até seu carro.

- Entre, Riddle. – voltou a chamá-lo pelo sobrenome, indicando que não estava mais querendo ser agradável.

Tom entrou e colocou Hel do seu lado na gaiola, enquanto Virginia guardava o restante de suas coisas na mala. Depois de muito sacrifício, voltou e sentou no banco do motorista.

Quando o motor do carro ligou, a coruja se assustou e começou a bater as asas fazendo escândalo.

- Quieta Hel! Você já andou no trem que é muito mais barulhento.

- Hell? Mas que diabos de nome é esse? – Virginia olhou pelo retrovisor. O menino parecia cada vez mais estranho.

- Não é Hell, é Hel.

- Para mim parece a mesma coisa.

- Mas não é. Hel é a deusa do submundo da mitologia nórdica e que deu origem à palavra inglesa "hell".

- Ainda assim é um nome estranho para uma ave.

- Queria que fosse o que? Flufy? – ele perguntou debochado.

- Hunf...não, mas um nome normal. – murmurou e dirigiu em direção a Londres.


A viagem foi longa e quase toda ela foi feita no mais absoluto silêncio, que era quebrado apenas quando Hel se agitava e piava alto, incomodada com o calor.

Finalmente chegaram a uma rua deserta onde tinha um beco.

- É aqui.

- Aqui onde? Não tem nada aqui.

- Você não pode ver porque é uma trouxa.

- Olha aqui seu moleque...

- Trouxas são pessoas que não têm magia. – falou impaciente. Pegou as malas e se dirigiu para a placa que dizia "Caldeirão Furado".

- Então...hum...até o verão que vem. Escreva se precisar de... – antes que completasse a fala, Tom entrou no lugar carregando as malas e a gaiola, sem nem mesmo dizer um "até logo".

Foi até o balcão e olhou meio enojado com o aspecto decadente do bar. Sentou-se em um banco para poder ficar visível. O dono do bar virou-se e sorriu para ele.

- Olá meu jovem. Eu me lembro de você. – Tom continuou impassível. – Você é...ah! Tom não é? Meu xará. – sorriu amigável. O Tom menino fez um esgar de desprezo.

- Chame-me de Riddle.

- Oh, sim senhor. – Tom barmen, ficou desconsertado e mudou sua postura para mais sério. – O que deseja senhor Riddle?

- Um quarto decente, se isso for possível aqui. – olhou em volta sem acreditar que qualquer palavra seguida de "decente" pudesse estar ali dentro.

- Claro, senhor Riddle. – a voz agora já era fria. – Por aqui. – Tom-homem, pegou sua varinha e fez os pertences do menino levitar escada acima até uma porta. – Espero que seja do seu agrado, "senhor". – falou debochado.

- Eu duvido muito. – entrou em um cômodo espaçoso com uma cama grande de dossel. Uma janela ampla dava a visão direcionada para a estação de trem e a lareira, apagada evidentemente, ficava no lado oposto da cama. Existia também um armário, mesa e cadeira a um canto. Tudo tinha um ar rústico.

As malas foram depositadas ao lado da cama e Hel foi posta em cima de uma poltrona.

- A qualquer hora que quiser comer é só descer e pedir. – falou secamente e fechou a porta.

Tom notou que tinha um banheiro e rapidamente o usou para um relaxante banho. Mudou de roupa, arrumou o cabelo para trás, apanhou o saco de galeões que Dumbledore havia mandado novamente e desceu para o bar.

Passou sem olhar para ninguém e andou até a parede oposta do salão. Pegou a varinha e apontou para os tijolos. Não iria usá-la, era apenas para bater nas pedras como uma senha.

Um grande arco se formou e em vez da parede, uma pequena cidade apareceu.

O Beco Diagonal.

Tom, mesmo já tendo visitado aquele lugar no ano anterior, ainda achava fascinante. Começou a andar olhando para todos os lados, admirado. Apanhou a lista do bolso da calça e se dirigiu ao "Floreios e Borrões", a livraria dos bruxos.

A sineta tocou e Tom foi invadido por diversas vozes ao mesmo tempo. Pessoas corriam de lá para cá e um homem de cabelos grisalhos tentava atender a todos. Uma mulher surgiu ao lado de Tom e sorriu meio sem graça e com os cabelos bagunçados. Seu rosto estava rosado e suado da correria, mas ela disse calmamente:

- Sou Giselda Borrões, posso ajudar?

- Gostaria de comprar esses livros. – Tom mostrou a ela a lista.

- Primeira ou segunda mão?

- Segunda. – a mulher começou a andar para as estantes procurando cada livro do pergaminho.

- Está sozinho aqui? – perguntou enquanto olhava uma capa. – Não é esse...

- Sim. Por que há tantas pessoas hoje? No ano passado não estava assim.

- Ah! São os que deixaram tudo para a última hora, como você, querido. – ela sorriu e entregou um grosso exemplar. – Aqui está um. Estou dizendo...precisamos contratar mais pessoas!

Correu de um lado para o outro, até que finalmente, Tom estava com uma pilha de livros nos braços. Colocou em cima do balcão e pegou sua sacola de galeões. Pagou Giselda e colocou as compras em sacolas mágicas, que pareciam pequenas, mas eram incrivelmente pesadas, por causa de seu conteúdo.

Comprou penas e vidros de tinta novos. Não sabia se devia comprar novas vestes, não havia pensado em experimentar para saber. Decidiu deixar os livros no quarto, provar a roupa e caso necessário, voltaria e iria para Madame Malkins. Se não, ficaria passeando pelo Beco.

Logo estava de volta às ruas do local. As vestes ainda cabiam, se estavam curtas era pouca coisa e esperava que continuasse assim até o próximo verão.

Entrou em lojas de doces, mas não comprou nada, parou em frente a uma de artigos para quadribol.

Havia esquecido que tinha sido chamado para fazer parte da equipe. Precisaria de uma vassoura, mas não tinha dinheiro o suficiente. E mesmo que tivesse, não poderia gastar.

Teria que dar um jeito quando chegasse lá.

Caminhou toda a extensão do local, até que chegou ao fim. Olhou no relógio. Eram quatro da tarde. Não estava com vontade de voltar e ficar sem fazer nada. Começou a andar de volta, quando viu uma rua transversal. Em cima havia uma placa que indicava "Travessa do Tranco". Não tinha notado antes naquele lugar.

Entrou e seguiu a rua apertada. As pessoas que andavam ali eram diferentes das do Beco. Pareciam estar escondendo alguma coisa e tinham um olhar cruel.

Virou a esquerda e notou a loja "Burgin and Burks". Artigos das Trevas.

Tom arregalou os olhos interessado e entrou. Viu diversos objetos interessantes e esquisitos.

- Olá? – um velho com uma péssima aparência, surgiu de trás de uma cortina que ficava atrás do balcão. – Olá menino. Deseja algo?

- Não. Estou apenas olhando.

- Ah. – ele fez um olhar de desdém e virou-se para fazer outra coisa.

Tom encontrou livros de Magia das Trevas que nem mesmo na sessão restrita era encontrado. Seus olhos brilharam e ele se virou para o homem no balcão.

- Senhor, estes livros...quanto estão?

- Mil galeões cada.

- O que? – Tom engasgou-se. – São muito caros!

- Isso porque são raros e artigos proibidos e contrabandeados. Nada das Artes das Trevas é fácil de achar e por isso custam muito. Se for barato é porque não presta. Agora, se não tem dinheiro, por favor, queira se retirar.

Tom o olhou irritado.

- Ora, você sabe com quem está falando? – o homem o analisou de cima a baixo.

- Qual seu sobrenome?

- Riddle.

- Não. Não sei com quem estou falando. Por favor. – abriu a porta da loja e Tom saiu furioso.

Um dia todos eles iriam pagar.

Voltou para seu quarto e se jogou na cama, ignorando os pios de Hel pedindo para sair da gaiola.

Tentou ignorar a raiva por ser um ninguém no mundo bruxo e fechou os olhos. Faltava apenas um dia para voltar para casa.


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Até semana que vem, ingratos U.U