CAPÍTULO TRÊS

— Onde você esteve? — perguntou Edward, na manhã seguinte, quando Isabella entrou em casa pela porta dos fundos e entrou na cozinha acompanhada de uma lufada de vento gelado, cheia de sacolas.

A ducha fria que Edward havia tomado na noite anterior mal conseguira conter parte de sua excitação, que havia retornado a todo vapor assim que ele a ouvira subir as escadas para usar um dos banheiros, à noite.

Como Edward não conseguia mais subir a escada, Jasper havia transformado a sala de jantar em um quarto, antes de ele se mudar, de modo que ele ficou deitado na cama, olhando para o teto, ciente apenas do latejar de sua própria ereção, imaginando Isabella Swan tirando a roupa no quarto acima.

Edward levantara, impaciente, para recolocar a sua roupa antes de voltar para a cozinha, em busca do que restara da garrafa de vinho tinto!

Na manhã seguinte, no entanto, Edward mais parecia um urso com dor de cabeça por causa da ressaca.

Edward já havia preparado um bule de café bem forte e bebido metade dele quando se dera conta do silêncio reinante na casa. Incapaz de subir a escada para checar se Isabella havia partido ou não, ele, em vez disso, olhara pela janela da cozinha e visto que o carro dela não estava mais estacionado à sua porta. Ele acreditou que ela havia seguido o seu conselho, e partido, afinal.

Por mais estranho que parecesse, aquilo não o deixou tão satisfeito como ele havia esperado. Ao perceber que estava feliz com a volta da fisioterapeuta que seu irmão intrometido havia contratado para tratar dele sem nem sequer consultá-lo, ele chegou a pensar que Jasper talvez estivesse certo ao dizer que ele já estava há tempo demais sozinho!

— O que lhe parece? — disse Isabella, sarcasticamente.

Uma pergunta não necessitava de resposta diante das pesadas sacolas de compras que ela depositou sobre a mesa antes de tirar a jaqueta que estava usando sobre uma camiseta amarela justa, com aquele jeans surrado.

Mais uma camiseta curta que revelava uma tentadora visão da barriga lisa dela e aderia aos seios livres, Edward tinha certeza, por baixo dela...

— Por que não me serve um pouco desse café cheiroso enquanto eu procuro os croissants que comprei para o nosso desjejum? — sugeriu ela.

— Sim, senhora — murmurou ele secamente, antes de fazer o que ela dissera.

— Foi um pedido, não uma ordem — suspirou ela. Edward arqueou as sobrancelhas ao passar a xícara a ela, irritado por perceber que estava feliz com a volta de sua parceira de duelos verbais.

— Eu liguei para Jasper ontem — informou ele, friamente.

Ela continuou a procurar os croissants.

— Eu sei.

Edward olhou desconfiado para ela.

Sabe?

— Sim — disse Isabella, com um sorriso de satisfação ao finalmente encontrar os croissants junto com a manteiga e o mel. — Eu falei com ele antes de sair. Ele não parecia muito feliz com o fato de você tê-lo acordado às 2h da manhã para lhe dizer o quanto havia ficado aborrecido por ele me ter enviado para cá.

O temperamento já arredio de Edward não havia melhorado em nada depois de ele ter consumido dois terços de uma garrafa de vinho, de modo que ele nem se dera conta das horas quando decidira ligar para Jasper a fim de descontar o seu mau humor.

— Ele devia ter pensado nisso antes de mandar você para cá sem me consultar!

Isabella deu de ombros ao se servir.

— É óbvio que ele subestimou a sua capacidade de ser rude e irracional.

— Mas você parece ter tido um enorme prazer de esclarecê-lo quanto a isso.

— Eu não precisei fazê-lo depois da sua ligação — disse Isabella, dando uma mordida em seu croissant, quase ronronando de prazer. — Experimente um, Edward. Talvez ajude a curar a sua ressaca — lembrando da garrafa vazia que encontrara mais cedo, na cozinha.

A julgar pelas olheiras dele e a palidez de suas bochechas, o vinho não ajudara muito a diminuir a dor que o havia mantido acordado durante a noite.

Apesar disso, ele havia se penteado e barbeado naquela manhã, revelando o seu queixo quadrado perfeito e a atraente covinha em seu centro. Uma atração a que Isabella resistia a reagir, concentrando-se no fato de que ele também estava usando uma camiseta branca e jeans limpos, o que, com sorte, deveria significar que ele ainda mantinha um mínimo de etiqueta social, embora ela não quisesse apostar todas as suas fichas naquilo!

A própria Isabella não havia dormido muito bem, ciente da presença de Edward naquela casa. Ao despertar, ela descobrira que não havia nada em casa para o café, nem mesmo pão.

Um breve telefonema para Jasper Cullen, a fim de confirmar que ela estava sã e salva, a havia colocado a par da ligação noturna de Edward para reclamar dela, o que, apesar de tudo, não pareceu preocupar especialmente o mais velho dos irmãos Cullen. Qualquer coisa lhe parecia melhor do que o desinteresse que Edward vinha demonstrando em relação a tudo, nos últimos tempos.

Isabella esperou Edward se servir.

— Eu decidi não contar ao seu irmão a respeito das suas investidas sexuais.

Ele continuou a mastigar lentamente a primeira refeição de verdade que fazia há dias, engolindo antes de responder.

— Só porque sabia que Jasper não se interessaria nem um pouco por isso.

Ela deu de ombros.

— Talvez eu só esteja guardando essa reclamação para outro dia.

Edward chegou à conclusão de que havia muito mais coisas interessantes em Isabella Swan do que o seu cabelo de cor tão rara e o seu belo corpo, e ficou surpreso em ver o quão curioso estava por saber do que se tratava.

Ele se recostou em sua cadeira.

— Eu deveria ter lhe perguntado se havia algum sr. Swan à sua espera.

Isabella olhou para a sua mão esquerda.

— Eu não tenho aliança.

— Nem todas as mulheres casadas que eu conheço usam uma —disse Edward.

— Provavelmente porque as mulheres casadas que você conheceu não queriam que você soubesse que elas tinham um marido — pontuou Isabella.

Edward estreitou os olhos.

— Eu não me envolvo com mulheres casadas.

— Não?

Ele franziu os lábios.

— Não.

— Por causa do divórcio dos seus pais?

— O que você sabe a esse respeito?

Ela deu de ombros ao se levantar para recolher o seu prato.

— Somente que você o usa em suas entrevistas como uma desculpa por nunca ter pensado em se casar.

— É um fato, não uma desculpa — disse ele, afastando o seu prato para se levantar abruptamente.

Isabella sabia que o havia aborrecido ao fazer menção ao divórcio dos seus pais. Aquela não era exatamente a reação que ela esperava obter dele, mas ainda era melhor que nenhuma!

Ela lhe lançou um sorriso irônico.

— Não posso imaginar mulher alguma ousando ser infiel ao famoso Edward Masen.

Os olhos dele brilharam.

— Meu pai era o infiel, não minha mãe.

Aquilo era razão suficiente, pensou Isabella, para que Edward jamais soubesse que ela havia sido acusada, ainda que injustamente, como "a outra" no processo de divórcio de um ex-paciente!

— Eu vou passar o restante da manhã em meu escritório.

— Fazendo o quê? — perguntou ela, em frente à porta que conduzia ao corredor.

Edward franziu a testa.

— Não é da sua conta!

— Talvez eu possa ajudar.

— Talvez pudesse sair da minha frente, isso sim!

Barrar o seu caminho talvez não tivesse, realmente, sido uma boa ideia, reconheceu Isabella, ao se dar conta do calor do corpo de Edward e da intensidade daqueles olhos encantadores sobre ela.

— Jasper mencionou que havia uma piscina aquecida interna em Mulberry Hall quando falei com ele, esta manhã...

Edward arqueou uma sobrancelha.

— E?

— Poderia ser divertido nadar um pouco. Aqueles olhos verdes ficaram duros.

— Estou certo de que você também achou que isso poderia ser um ótimo exercício para fortalecer os músculos da minha perna.

Isabella sentiu a culpa tingir o seu rosto e assumiu uma posição defensiva.

— O que há de errado com isso? Ele deu de ombros.

—Absolutamente nada, se eu quisesse exercitar os músculos da minha perna, o que, definitivamente, não é o caso. Ela suspirou.

— Por quê?

Um nervo pulsou no maxilar cerrado dele.

— Saia do meu caminho, Isabella.

Ela balançou a cabeça e ergueu o queixo, recusando-se a se mexer.

— Não até você me explicar por que não quer nem mesmo tentar recuperar a completa mobilidade da sua perna.

Edward viu tudo vermelho diante de seus olhos quando as perguntas persistentes daquela mulher conseguiram atravessar as suas barreiras, mais uma vez.

— Não seja tão estúpida!

— Quer dizer que você quer recuperar a sua perna?

— O que eu quero e o que eu posso são coisas bem diferentes — ressaltou ele.

Isabella colocou uma mão em seu braço.

— Então prove que eu estou errada e venha nadar comigo esta manhã.

— Quem está jogando agora?

— Vamos, Edward, vai ser divertido.

— Não me obrigue a tirá-la da minha frente, Isabella — disse ele por entre os dentes.

—Acha realmente que está em condições, no momento, de obrigar a mim, ou a quem quer que seja, a fazer alguma coisa? Os dedos de Edward apertaram a bengala.

— Sua...!

Ela deu de ombros.

— Ninguém disse que você precisava gostar de mim para que eu pudesse ajudá-lo.

— Eu não me lembro de ter pedido a sua ajuda — disse ele, fulminando-a com o olhar.

— Pedindo ou não, é evidente que você precisa dela. Edward respirou fundo, e olhou para ela de cima a baixo, demorando-se deliberadamente no ponto em que os seios dela pressionavam a sua camiseta.

Aquilo não a ajudou em nada a manter o controle da situação, reconheceu Isabella, e ela havia decidido, depois de passar a noite em claro, que precisaria mantê-lo, caso quisesse fazer algum progresso rumo à recuperação daquele homem.

Ainda mais quando o simples olhar dele já era o suficiente para fazer os seus mamilos enrijecerem visivelmente sob o tecido fino de sua camiseta, despontando como frutos maduros, ávidos por serem degustados!

Isabella não se lembrava de ter sentido tamanha excitação com qualquer outro homem com quem havia se relacionado, nem a verdadeira corrente elétrica que parecia centelhar entre eles toda vez que se encontravam, ou o impulso de proteger os seus seios traiçoeiros daquele olhar!

Ela respirou fundo, irritada.

— Eu estou aqui para lhe oferecer uma ajuda profissional, sr. Masen, ou sr. Cullen, e não para diverti-lo!

Edward não estava tão certo daquilo. Dezenas das mulheres com quem ele havia se envolvido no passado, ou que ficariam felizes em ter algo com ele no futuro, o haviam visitado no hospital após o acidente. Nenhuma delas, no entanto, havia conseguido despertar aquela reação acalorada que Isabella Swan lhe havia provocado praticamente desde a primeira vez em que ele havia colocado os olhos nela, nem lhe proporcionado o prazer que ele sentia durante os seus duelos verbais com ela...

É verdade que ele estava sentindo ainda mais dor naquela época, imediatamente após o acidente, de modo que seria mesmo muito difícil ele se excitar.

Apesar de ainda estar sentindo muita dor, atualmente, bastava ele olhar para Isabella para querer arrancar as roupas dela e atirá-la na cama mais próxima, antes de beijar e acariciar cada centímetro sardento do seu corpo...

Ele pousou o seu olhar nos lábios provocantemente carnudos dela. Lábios que Edward podia muito facilmente imaginar conduzindo-o aos píncaros do prazer...

— Algumas partes do seu corpo parecem não concordar com esta afirmação — provocou ele, com um olhar irônico em direção aos seus seios evidentemente excitados.

Isabella enrubesceu desconfortavelmente ao sentir a tensão sexual aumentar tão subitamente entre eles.

— Está frio aqui — disse ela, tentando disfarçar. Edward riu levemente.

— Estranho... para mim parece justamente o oposto. Para Isabella também.

— Eu não o deterei mais — resmungou ela, ao finalmente lhe dar passagem, desejando que ele se afastasse para que ela pudesse se refazer.

Edward se apoiou sobre a sua bengala e caminhou lentamente até a porta.

— Avise-me se decidir partir, afinal.

— Por quê? Por acaso pretende me acenar um último adeus? — retrucou ela, secamente.

— Não, apenas gostaria de reaver a chave — respondeu ele, com um último olhar desafiador antes de deixar a cozinha.

Isabella afundou na cadeira assim que se viu sozinha, e se serviu um pouco mais de café, agora já frio.

O que estava acontecendo com os pacientes que ela vinha atendendo ultimamente? Qualquer que fosse a resposta, Isabella sabia que teria muito mais dificuldade em resistir aos avanços de Edward do que jamais tivera em deter os de Mike Newton!


Humm pelo final parece que a Bella nao vai resistir por muito tempo... Será?

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