A algoz
Glast Heim
Os caçadores com a ajuda dos bruxos deram conta do cavaleiro sanguinário.
Lisa correu para os braços de Rui chorando como a garota de doze anos que ela era. Cal e Kathe foram para trás de Mort e Ian se colocou na frente do irmão ofegante com uma mão em cada joelho e a cabeça baixa. Anne encarou Erik sem entender nada e ele lhe retribuiu o olhar. Os caçadores, assim como Ella, os bruxos, Edward e Raol olharam para eles pedindo uma explicação que justificasse a presença de crianças em Glast Heim. Erik estava tão chocado que só teve forças para perguntar:
- Ian?
- É irmão. – Ian disse orgulhoso. – Você disse que Glast Heim não é lugar para nós, mas conseguimos alcançar vocês. – Anne colocou a mão na boca e balançou a cabeça.
- Esse espadachim é seu irmão líder? – Edward, que foi o primeiro a se recuperar do choque, indagou apontando para Ian.
- Eu sou sim, qual o problema sacerdote? – o mais novo respondeu petulante. – Eric pegou o irmão pelos ombros.
- O que. – disse. – Por Deus... Você está fazendo aqui?
- Eu vim atrás de você. – o menino respondeu como se a pergunta não fizesse sentido. – Você prometeu que iríamos sempre estar juntos na nossa viagem, você prometeu Erik. – Erik soltou o irmão e tampou o rosto com as duas mãos. Na sua cabeça a frase começou a martelar mais forte e retumbante que o martelo de um ferreiro.
- Está tudo arruinado. – era essa a frase. – Tudo arruinado. – Fora Julia que dissera.
- É culpa do Ian. – Lisa disse aos prantos ainda abraçada à Rui. – Ele me ameaçou, disse que se eu não fosse com ele, Erik me deixaria em Geffen sozinha. – Rui a consolava fuzilando Ian com o olhar.
- Quando nós percebemos eles já estavam perto demais para voltar. – Cal falou. – Desculpe Erik, desculpe.
Erik olhava para a porta da abadia, e se eles tivessem entrado mais cedo, antes que de os mais novos aparecerem? E se Mort não tivesse ouvido nada e voltado antes? E se ele nem tivesse mandado Mort averiguar? Aquelas crianças teriam morrido por conta da estupidez de seu irmão e ninguém iria saber.
- E agora? – David perguntou. – Nós voltamos?
- Como? – Julia respondeu. – O caminho deve estar cheio de monstros dois dos nossos foram quase mortos para chegarmos aqui, quantos de nós vai morrer para proteger essas crianças?
- Nós não podemos deixá-las aqui. – Raoul falou. – Mas também não podemos levá-las.
- É melhor voltarmos. – Maka disse. – deixamos as crianças em Geffen e voltamos.
- Isso só dá tempo para o senhor das trevas se fortalecer, e desperdiça o trabalho o sacrifício dos outros dois grupos. – Edward lembrou-os. – É melhor que alguns de nós fique para proteger as crianças de um lugar seguro, enquanto os outros continuam a missão.
- É uma idéia coerente. – Ella concordou. – Mas a falta de um de nós aumenta ainda mais o risco da vida dos que foram lá dentro.
- E além do mais quem nós deixaríamos aqui? – Julia indagou. – Um dos sacerdotes aqui, seria a morte certa para os que estão lá dentro, o cavaleiro deixaria o líder sozinho para lidar com uma ilusão das trevas. Sem o ferreiro o cruzado fica sem proteção, sem um dos mercenários perdemos poder ofensivo, e sem um de nós, bruxos, arriscamos as chances diminuindo o poder de fogo no senhor das trevas...
- Em suma. – Locke resumiu as coisas. – Todos nós somos partes essenciais do plano. – pausa. – Um de nós não é o suficiente para proteger as crianças e a falta de um coloca em risco a vida de todos que vão entrar.
- Pare de chorar Lisa! Você está atrapalhando! – Ian esbravejou com a noviça que soluçava.
- Cale-se Ian! – Kathe o reprimiu.
- Você arruinou tudo! – Cal disse. – Se não fosse por você, os planos deles estariam correndo perfeitamente!
- A culpa é sua Erik! – Ian falou para o irmão que se encontrava de costas para ele. – Se você tivesse nos trago desde o começo...
O barulho sólido de o soco contra um rosto foi ouvido, Erik se virou e Ian estava no chão com a face esquerda avermelhada e com Mort à sua frente com o punho cerrado.
- Moleque estúpido.
- Bravo! – uma voz exclamou. Erik sequer tivera tempo para sentir alguma coisa em relação a aquilo.
Fora uma voz feminina, mas nenhuma das mulheres do grupo disse nada. Eles ficaram se entreolhando e olhando à sua volta idioticamente até que Lisa, soluçando, apontou para o alto, para o topo de uma das colunas de pedra que milagrosamente ainda estavam em pé.
Era a algoz, balançando as pernas no topo da coluna, sorrindo como se não corresse nenhum risco de morte ali.
- Olá. – ela disse jovialmente.
- A algoz... – Anne murmurou, mas pelo visto Locke tinha ouvidos bem afiados.
- Algoz? – ele exclamou.
- Algoz? – os outros exclamaram em uníssono e voltaram a olhar para a mulher. Mas ela já não estava mais no topo da coluna.
- Sabe. – ela disse aparecendo à frente de Erik, entre ele e Mort e Ian. – Eu pensava que lordes protegiam e cuidavam dos mais fracos, mas primeiro o esgoto e agora Glast Heim? – ela riu. – Você é bem cruel, e isso é verdadeiro se for vindo de uma algoz.
- O que faz aqui? – Erik perguntou, a presença da algoz o tirou do choque de encontrar um bando de crianças em um dos lugares mais perigosos de Midgard. Ele duvidava que o mestre da guilda dos bruxos havia mandado uma carta para ela também.
- Ah, eu só estava passando. – ela disse. – dando uma volta pelo grupo. – Estava saindo para Geffen, para... Bem vocês todos sabem o que faz um algoz, e decidi ter um pouco de emoção aqui em Glast Heim.
- Sozinha?
- Meu caro, é muito fácil para uma algoz se mover rápido quando está sozinha. – ela olhou para os dois mercenários do grupo. – Eu não sei por que vocês dois insistem em entrar lá e enfrentar a personificação do mal.
- Por que você parou se estava de passagem?
- Bem, com a presença de vocês aqui, eu pensei que poderia realizar um sonho que tenho desde garotinha. – ela se sentou na beira da fonte. A roupa de algoz deixava suas coxas completamente expostas, e ela não tinha motivos para querer escondê-las.
- Não precisamos de você aqui! – Ian foi o primeiro a falar.
- Olha só que surpresa. – ela disse sorrindo. – Um garoto estúpido falando besteiras. – Ian rangeu os dentes.
- Ele está certo líder. – surpreendentemente alguém havia dado crédito a Ian. – Algozes são imprevisíveis, ela pode nos largar para morrer no meio da batalha. – fora Raoul quem dissera.
- Olha só que surpresa, um templário duvidando da honra de um algoz. – ela falou. – Eu poderia ter largado vocês para morrer depois, ou agora, para mim não faria diferença se eu realmente tivesse a intenção de entrar.
- A força dela não deve ser desprezível. – Mort o contrariou. – Se ela parou é por que algo que ela não largaria de mão está lá dentro.
- Com ela adicionada ao grupo podemos perder alguns para proteger as crianças. – Edward ponderou, mas não estava totalmente convencido.
- Mas ela só vai nos ajudar se entrarmos. – David falou. – E se for melhor levarmos as crianças de volta?
- Isso já seria problema de vocês... – ela disse se equilibrando com uma perna na borda da fonte.
- Nós não temos certeza de que ela supriria a falta dos companheiros originais no plano. – Alain ponderou em voz alta.
- Tudo bem... – ela sumiu da borda da ponte e voltou a aparecer na frente de Erik. – Ao meu ver, você tem duas escolhas senhor lorde, arriscar entrar lá dentro com companheiros e menos, e morrer, ou, voltar para Geffen e sacrificar dois ou três do seu grupo por conta da estupidez de uma criança.
- É arriscado demais fazer um acordo com uma algoz. – Raoul disse.
- Ou... Você pode aceitar minha proposta, proteger as suas crianças e ainda conseguir uma chance de matar o senhor das trevas e se tornar um herói ainda mais famoso do que é, Erik Darrell. – Erik a encarou nos olhos, os olhos dela eram avermelhados e vivos como fogo queimando em seu rosto alvo.
- Nós só perdemos tempo ficando aqui parados. – David disse.
- Nós vamos morrer de toda forma nesse ritmo. – Rui disse por fim. – Aceite a maldita algoz, pior do que está não fica.
- O que vamos fazer Erik? – Anne perguntou. Erik estava com os olhos fechados, respirando pesadamente e desejando por tudo naquele mundo que ele estivesse em outro lugar, longe daquele amontoado de pedras cheio de mortos-vivos e demônios, que ainda estivesse viajando com seu irmão, antes de se tornar um lorde, quando os dias eram tranqüilos e nenhuma outra vida dependia dele. Ele não queria depositar sua confiança numa algoz, não queria desperdiçar todo o trabalho, mas não queria sangue dos outros nas suas mãos, não queria sangue de crianças sujando suas vestes...
- Acho que isso é um não, bem, eu se fosse vocês correria antes que o sol suma, por que as coisas vão ficar adoráveis aqui quando a noite chegar. – ela disse sorrindo desaparecendo diante dos olhos de todos.
- Espere! - Erik gritou. Ela reapareceu do outro lado da fonte pronta para virar no corredor.
- Sim? – disse se virando e sorrindo de forma maligna.
- O que você quer? – ele perguntou a ela.
- Nada além da preservação de vidas inocentes. – ela desapareceu e reapareceu na frente do lorde. – É mentira obviamente, bem, os termos são os seguintes, eu te ajudo a matar o senhor das trevas e o que ele deixar quando morrer, o que quer que seja, é meu e somente meu.
- Isso não é justo! – Ian esbravejou.
- Viajar com você não é justo. – Rui disse. – É um preço baixo por uma chance a mais de ficarmos vivos. – o ferreiro falou para Erik, e ele concordava, ele se virou para a algoz.
- Quão rápida você é?
- Você já viu o quanto. – ela respondeu.
- Você conseguiria correr livremente durante a batalha para proteger os caçadores ou os bruxos?
- O que você acha?
Perfeito.
- Edward, Rui, achem um lugar seguro para proteger as crianças. – Erik ordenou.
- Você é estúpido lorde? – a algoz protestou. – Vai deixar a vida de todos nós nas mãos de uma única sacerdotisa? É crueldade colocar todos nós nas mãos dela.
- Você e os mercenários são rápidos demais para tomar algum dano. – Erik explicou. – Os caçadores vão estar longe, Anne consegue cuidar dos bruxos e do templário estando perto deles.
- E o que você sugere então algoz? – Fora o templário quem perguntara com petulância. Ela sorriu para ele e passou os olhos por todo o grupo.
- Deixe o cavaleiro, um dos bruxos e o ferreiro cuidando das crianças. – Erik franziu o cenho para ela. – Três bruxos vão acabar nos matando, você, os mercenários e eu damos conta de proteger os sacerdotes e os dois bruxos.
- E se algo acontecer? – foi Ian quem perguntara. – Vai deixar que nossa saúde dependa de uma noviça de doze anos? – a algoz riu com aquilo. Ela não parava um segundo de sorrir.
- Ah garoto, se dependesse de mim aconteceria tantas coisas com você. – Erik estalou a língua, decidido.
- Edward, Locke, Rui e Kaio, eu conto com vocês para cuidarem das crianças. – olhares inconformados foram lançados a eles. – Ela está certa, três bruxos fazendo magias de área é arriscado de mais, e quanto mais gente aqui fora mais são as chances de alguém sobreviver caso aconteça algo lá dentro... – olhares duvidosos. - Por favor, eles são crianças...
- Eu vou cuidar deles líder. – Locke dissera decidido. – Por favor, cuide de tudo lá dentro.
- Eu farei o possível. – se virou para Anne. – Anne...
- Eu consigo. – ela respondeu antes de ele perguntar. – Eu também farei o possível Erik. – ele tocou o rosto dela e balançou a cabeça.
- Algoz... Algoz? – a Algoz tinha sumido para reaparecer arrancando a cabeça de um carinçal que entrara nos domínios do pátio da abadia.
- Sim? – disse reaparecendo com as katares sujas de pedaços apodrecidos.
- Seu nome? – Erik perguntou com o olhar sério. Ela sorriu.
- Maro, lorde. – ela respondeu. - É melhor entrarmos antes que os amigos dele apareçam. – disse apontando com o rosto para o carniçal destroçado.
X
Nome: Mort ?
Idade: 24 anos.
Profissão: Mercenário (Assassin)
Nível: 97
Meta de vida: Se tornar um algoz.
Não Gosta: De crianças e de pessoas burras.
Personalidade: Como a de qualquer mercenário.
