Ele reviu aquele vídeo diversas vezes, sobretudo na parte em que Loki começava a se debater, dizendo algumas frases em outro idioma. Tony pediu imediatamente que Jarvis traduzisse para ele.
-Senhor, eis a transcrição do discurso: "Você está me machucando, pare, eu vou contar tudo a eles". Em outra parte: "Eu vou mata-lo, eu juro que vou".
-Obrigado, Jarvis. Já dá para imaginarmos muita coisa.
Tony estava com uma imensa dor de cabeça e andava de um lado para o outro em seu escritório vestindo seu roupão e um copo de uísque na mão. Para ele, só a bebida tinha o poder de curar sua grande enxaqueca. – Merda de dor! – E nem tinha tomado ainda seu café naquela manhã.
Ele pôs novamente o vídeo e a imagem de Loki começando a se debater passou pela tela. O rapaz ergueu as mãos e tentava empurrar algum ser invisível, alguém de seu pesadelo. Esse alguém devia estar muito próximo a ele, ou querendo estar próximo... Tony arregalou os olhos e ficou pensativo. Esse tipo de coisa existia em Asgard? Ele riu para si mesmo, não, Thor sempre exaltava seu reino, um lugar muito mais avançado que qualquer outro. Parecia um paraíso distante.
-O grande Thor... Aposto que fode cabritos.
E se alguém estava assediando o irmão dele? Tony riu para si mesmo, Loki era meio que fodão, perdeu na batalha com os chitauri por pouco. Ah, perdeu porque tínhamos o Hulk! O engenheiro deu um sorriso satisfeito. Era sempre bom contar com o monstrão verde.
A imagem na tela estava parada em Loki e suas mãos erguidas. Tony bebeu mais um gole antes de decidir mostrar o vídeo ao resto dos vingadores.
~o ~
-Dr. Banner, temos o resultado parcial do experimento 57, - disse um técnico enquanto anotava algo em seu tablet.
-Ótimo, Price. Reúna todos os dados e logo faremos uma reunião. Srta. Bell, como está a infusão?
A biomédica olhou em seu microscópico antes de responder. – Não foi satisfatório, doutor. Houve morte celular no espécime.
Ele suspirou frustrado. – Tudo bem, faça o relatório e passemos para o experimento 44-B. Será pauta da reunião também para nos atermos aos detalhes técnicos, precisamos de outras estratégias.
Outro cientista se aproximou de Bruce com temor no olhar. – Banner... Talvez precisemos rever as expectativas. Sabemos que o ideal seria conseguir desfazer uma fusão de DNAs, para separar indivíduos e ambos viverem uma vida independente, mas... há outras coisas a observar. Precisamos entender a dinâmica de alguns passos, pesquisa básica mesmo. A sociedade científica tem precisado muito de relatos mais apurados nessa área. Simplesmente nós estamos querendo pular essa etapa e chegarmos ao resultado! E isso é impossível!
Bruce ficou olhando para seu colega em silêncio perigoso, suas mãos se fecharam em controle frágil. O outro deu um passo para trás aguardando o que viria. Droga, vai demorar pelo menos mais uma geração para descobrirem algo, ele morrerá e ainda não terão descoberto quase nada. Todo dinheiro do mundo não resolveria a questão.
-Entendo, Carter. Obrigado pela sinceridade.
O colega sorriu triste. – Eu sinto muito, Banner.
Bruce assentiu e se retirou do laboratório, dirigindo-se ao banheiro do outro lado do andar. Ele se encostou à pia e respirou profundamente. Sua adrenalina ainda estava alta e ele repetiu o exercício de respiração até que a calma forçada veio sobre ele. Ok, está tudo bem. Eu posso lidar com isso, dizia para si mesmo. Eu posso.
Ou... Ele poderia fugir. Voltar pros confins da Índia, viver incógnito como estava antes de Romanov o localizar. Bruce pôs as mãos na cabeça, sentindo todo peso de uma decisão. Não, ele precisava realmente relaxar.
Bruce subiu até o andar da oficina de Tony e o achou mexendo em outra armadura do Homem de Ferro ao som de AC/DC. Ele conseguiu rir.
-Se estivéssemos em um filme, ou descritos em alguma fanfic decente, a música seria do Black Sabbath.
Tony abaixou o som também sorrindo. – Está no meu playlist, caro Bruce. Iron Man sempre!
O outro sorriu. – E aí, como estão as coisas hoje com o seu novo hóspede? Ele deu trabalho? Tentou esquarteja-lo?
-Ele teve pesadelos, Bruce, - informou em tom sério. - Jarvis me alertou e fui lá. Claro que ele praticamente me escorraçou do quarto. Veja só, já é dono do lugar.
-É o quarto dele, Tony, já que ele é seu convidado e não prisioneiro.
-Parecia que tinha um pesadelo bem horrível ou realista. Estava apavorado.
-Posso ver a gravação depois?
-Claro, eu já chamei a Nat e o Capicolé para analisarem. Só ir a sala de vídeo e pedir para Jarvis. Depois vou querer fazer uma reunião com todos.
-Bom, e hoje? Ele está melhor?
Tony deu de ombros. – Não subiu para tomar café. Acho que está de regime.
Bruce franziu a testa. – E você nem foi vê-lo? Ele precisa comer!
-Olhei pelo monitor, babá Banner, e ele estava sentado e quieto. Como um bom menino.
O cientista bufou. - Eu vou até lá e vejo se ele precisa de algo.
-Ele está impedido de ir à cozinha por causa da tornozeleira. Eu libero somente quando necessário.
-Então... Poderia liberar agora? – O engenheiro fez uma cara de dúvida. - Tony, ele pode morrer de fome! Ele não é onipotente!
-Mas deuses não costumam ser? – E ele deu um sorriso sarcástico. – Ok, ok. Jarvis, autorizo Bruce Banner a efetuar liberações de restrições do convidado Loki Odinson. –E se dirigiu ao cientista. - Você mesmo poderá decidir as andanças de nosso amigo rabugento.
Banner agradeceu com ironia e se dirigiu ao andar de Loki. Chegando lá, ele não o encontrou em seu quarto. Foi andando para outros cômodos e o achou na biblioteca da Torre lendo com atenção um grande livro empoeirado. Pelos seus cabelos úmidos, o cientista deduziu que ele havia tomado banho.
-Loki?
O rapaz fechou o livro rapidamente e ficou em posição defensiva enquanto observava Banner se aproximar.
-Tudo bem com você? – Ele ergueu as mãos em sinal de rendição. Deveria ter adivinhado o efeito que o Hulk teria nele. – Não vim lhe fazer mal. Você já comeu?
Ele balançou a cabeça em sinal negativo. – Não? Aposto que está com fome. Vamos até a cozinha, sei preparar panquecas. Você sabe o que são?
Loki assentiu com a cabeça. – Eu sei o que são, Banner. Não sou ignorante dos hábitos de Midgard.
-Que bom. Então venha comer, não temos o dia todo. Jarvis, liberar ida de Loki à cozinha.
-Sim, senhor.
Loki estreitou os olhos em desconfiança, mas não conseguiu mais ignorar a sua fome de vários dias, seu corpo já começava a dar sinais de exaustão. Seguiu Bruce em uma distância segura até o 92º. andar. O cientista fez algumas panquecas e depositou o prato com a pilha perto do convidado. Também pegou geléia, chocolate, entre outros, e colocou tudo a frente dele. – São gostosos com essas coberturas. Experimente.
Ele fez uma careta. -Parece-me tão tóxico quanto o da noite passada. – Mas ele foi em frente: pegou e mordiscou um pedaço de panqueca com um pouco de chocolate. Foi difícil para Loki disfarçar a satisfação, e ele tentou duramente. – Aceitável.
Bruce sorriu. – Coma mais, é tudo seu. Quer usar talheres?
-Não é necessário, Banner. – E ele arrancou mais um pedaço com elegância.
O cientista esperou um tempo até que Loki tivesse terminado sua refeição lambendo os dedos. – Quer leite? Gelado ou quente? Com chocolate?
Loki ficou olhando para ele com hesitação. Aceitar seria admitir que estava gostando. Recusar significava ficar ainda com fome. E nunca se sabe quando ofertariam comida novamente. Droga. – Aceito um leite morno com chocolate.
Bruce preparou em tempo recorde e entregou para o rapaz. Este bebeu com satisfação e seu estômago avisou de seu limite. – Agradeço, Banner.
-Não foi nada, Loki. Você estava lendo quando o encontrei. Você entende bem nosso idioma, quer dizer, para ler? Percebo que tem um leve sotaque, mas de resto é perfeito.
-Sou versado em mais de cinquenta idiomas e dialetos, - disse o rapaz com satisfação. - É necessário para termos entendimentos com outros povos. Também existe o Allspeak, um dialeto mágico em que todos devem adquirir para se comunicar adequadamente. Mas, para agradar algum povo, falar na língua deles é ganhar alguns bônus.
-Como aqui.
–Sim.
Bruce olhava fixamente para ele, e Loki se sentiu constrangido. – Olha, eu sei que não queria estar aqui, Loki. Está contra sua vontade. Mas não tivemos alternativas. Gostaria que entendesse isso.
O mago ficou em silêncio e aguardou o cientista continuar. – Sabemos que não foi culpado pela invasão da cidade, que estava dominado por Thanos. Se não fosse o exemplo de Barton, seria difícil acreditarmos nisso, nessas magias. Mas o caso é que acreditamos em sua inocência e que, na Terra, não há nada pendente contra você. Agora temos as curas milagrosas. Você curou muita gente. A princípio, Fury acreditou que fosse algum ato terrorista. E ele ainda tem suas dúvidas.
Loki ergueu a cabeça em desafio e rosnou. – Eu não me importo com o que vocês pensam.
Banner ergueu as mãos novamente. – Ok, Loki, tudo bem. Só queremos entender! Qual é a causa de tudo isso? Você se sente culpado? Por isso salva essas pessoas? Elas são muito gratas, pois estão saudáveis! Eu estou grato por elas.
-E-eu quis fazer. – A voz dele saiu falha. Tsc. - Só isso.
-Eu estive olhando a papelada de todas as pessoas que curou. Algumas não estavam aqui, na época da invasão dos chitauri. Você sabia disso?
Loki deu de ombros incomodado e respondeu em voz baixa: – É tão fácil curar, elas estavam no mesmo quarto, seria tolice curar uma e a outra permanecer doente só porque não foi atingida pela batalha.
-Por que resiste ao fato que fez uma coisa muito boa? Isso é ruim, para sua reputação? – E sorriu.
-Não brinque comigo! – Loki se afastou dele, indo olhar pela janela. Ele fez uma pausa como se refletisse sobre algo. Quando Bruce pensou que o rapaz não falaria mais, Loki disse: – Vocês não percebem, mas o ar daqui é totalmente sujo... Eu posso ver as partículas venenosas flutuando nesse ar, e todos vocês aspiram e se contaminam. – E colocou desprezo nas últimas palavras.
O cientista olhava para ele com espanto. – Incrível! Pode ver mesmo as partículas?
O rapaz assentiu. – Claro que sim. Em Asgard o ar lá é muito límpido. O seu reino está condenado, Banner. Talvez não nessa geração, ou na outra, mas acontecerá. – O olhar dele era melancólico.
Bruce balançou a cabeça. – Sabemos, mas é complicado. Por não acontecer nessa geração ou na outra, como disse, por não chegarmos a ver o que acontecerá, é que é difícil se desesperar.
-Talvez eu chegue a ver, - afirmou Loki. - Nós vivemos cerca de cinco, seis mil anos. Asgard acompanhará o destino de Midgard.
O cientista soltou um assobio de espanto. – Quantos anos você tem? Mesmo?
-Um pouco mais de mil anos.
O outro riu. – Parece um garoto ainda, sabia? Poderia se passar por um adolescente muito fácil. Um que estaria escolhendo uma faculdade.
Loki ergueu a sobrancelha com irritação. -Isso não é lisonjeiro. Em Asgard, só temos valor após completarmos maioridade.
-Você já tem maioridade?
Ele não respondeu de imediato e, após algum tempo, respondeu com cuidado: - Em Asgard, sim.
O ruído metálico soou no ambiente. – Senhor Banner, requisitam o senhor no laboratório. Creio que tem uma reunião.
O cientista se ergueu, em dúvida se saía ou não. –Eu posso dizer a eles para adiar. Eu não gostaria de deixa-lo sozinho.
Loki ficou observando o homem a sua frente com espanto. – Eu estou acostumado. Não se preocupe comigo.
Bruce suspirou e foi até o elevador. – Poderá andar por aqui e pelo seu andar. É onde sua tornozeleira permite. Eu sinto muito.
O rapaz assentiu e Bruce viu, como última imagem, a bela figura olhando para o lado com expressão pensativa.
~o ~
Mais tarde, em seu quarto, Loki estava deitado e olhava para o teto com expressão compenetrada. Ele podia. Ele deveria fazer isso. O tolo queria ser seu amigo. Ele tinha compaixão dele. Loki deu uma risadinha, que logo se transformou em um suspiro triste. Não, não haveria amizades. Ele só tinha que obter o que necessitava e fugir. Ele precisava voltar para ela com urgência.
Bastava quebrar aquelas malditas pulseiras. Com sua magia, ele poderia voltar. Ele sentia saudades de suas feras. Dela. Do lago que tinha após o bosque. Das cerejeiras. E era um ótimo esconderijo.
Loki esfregou seus pulsos com ódio. Já havia marcas vermelhas em volta deles, das várias tentativas de ativar sua magia. Ele tinha dúvidas se as tentativas alertavam Asgard, mas se assim fosse, já teria um batalhão acampado na Torre.
Ele sabia que precisará contar algumas mentiras. A verdade era impossível. E eram tantas, e cada uma pior do que a outra. Asgard não poderia sofrer manchas em sua reputação. Asgard sempre viria em primeiro.
O asgardiano esperou que o chamassem para a refeição da tarde, mas a voz não tinha anunciado nada. Ele andou de um lado para o outro, impaciente. Acabou indo para a biblioteca e retomou o livro que estava lendo e, quando deu por si, já estava escuro lá fora. Um relógio na parede marcava 8h. Seu estômago protestou e seu coração também: ele havia sido esquecido. Mas qual era a novidade?
Com sua ansiedade ao máximo, ele foi tomar um banho para relaxar e tirar as sujeiras depositadas em sua pele. Loki esfregava com força cada pedaço seu, até sua pele alva tornar-se vermelha. A cor vermelha o deixava satisfeito, então era hora de se secar, de se vestir e de voltar ao quarto vazio.
Ele notou que a voz não tinha mais se manifestado para ele. De onde ela vinha? Observou cada canto nas paredes, no teto, e não encontrou nenhum item estranho. E se ele fosse até a cozinha? O que aconteceria, levaria choques? Loki olhou o dispositivo e riu. Ele bem que podia esmaga-lo com as mãos, não deve ser muito resistente.
Então, ele se dirigiu até o elevador e foi até o andar da cozinha. Chegando lá, tudo estava silencioso e deserto. Onde todos estavam? Ele foi até uma cesta de frutas e pegou uma maçã. O cheiro não era tão maravilhoso quanto dos pomares de Asgard, mas era aceitável. Ele viu também pacotes de salgados, mas não os abriu. Os armários estavam cheios de potes e caixas coloridas, mas não tocou em nada. Droga. Onde estava a comida? Ele viu um aparelho que, segundo se lembrava, se chamava geladeira. Tentou abri-la sem sucesso. Teve que se contentar com as maçãs no cesto.
Sem fazer nada, resolveu inspecionar o resto do andar. Tinham mais salas com mesas grandes, talvez para refeições elaboradas. Um cômodo continha diversos conjuntos de pratos, copos, talheres, de todos os tipos. Isso lhe lembrou das coleções do palácio, aquelas um pouco inferiores, é claro. Discretamente ele pegou uma das facas e escondeu dentro do bolso.
-Senhor Loki, - disse a voz. – Senhor Rogers o procura em seu quarto.
-Jarvis?
-Sim, senhor.
-Onde está?
-Eu sempre estou, senhor.
-Se eu o chamasse, atenderia?
-É claro, senhor. Estou aqui para servi-lo no limite de suas restrições.
Quando o rapaz se dirigiu para o elevador, este se abriu e Steve saiu apressado dele. – Loki!
-Capitão.
-Por que está aqui sozinho?
Ele abaixou a cabeça, irritado, e resolveu não mentir. – Estava com fome.
-Não jantou ainda?
-Não jantei nem almocei. – E ficou vermelho com o constrangimento.
O capitão suspirou. – Estávamos todos na S.H.I.E.L.D. Reunião de emergência, não houve tempo para muita coisa. Eu sinto muito.
Loki deu de ombros. – Tanto faz.
-Em breve todos estarão aqui. Farei um belo jantar para gente. - Steve sorriu e abriu a geladeira, e a forma como foi feita teve a observância do asgardiano. O capitão retirou vários itens e começou a pegar algumas panelas nos armários inferiores. Logo um bom cheiro começou a exalar no ambiente. – Gosta de bacon? Estou fritando alguns para nós. Tem uma bela carne aqui, vou prepara-la. Algumas batatas serão ótimos acompanhamentos. Tony gosta muito.
O rapaz balançou a cabeça e começou a andar em direção a uma janela, ficando de costas para o capitão. Sutilmente retirou a faca de seu bolso e a colocou no parapeito da janela. Noutra hora pegarei de volta, pensou ele.
Steve resolveu não empurrar demais e terminou rapidamente o jantar. – Vou colocar tudo na mesa, para comermos lá. Nunca vi Tony usar, é provável que vamos inaugurá-la hoje, finalmente.
Ele deixou tudo muito arrumado, e o cheiro estava muito convidativo. O capitão também colocou uma garrafa de vinho para beberem. Naquele momento o sinal do elevador soou e ele se abriu, trazendo Natasha, Bruce e Tony.
-É o que eu digo, caro Bruce, - disse Tony de bom humor, - as francesas são as melhores. E caso algo se encrenque, basta dizer: Eu não entendo!, em inglês mesmo, e elas realmente acreditam que você não sabe francês. Bom, eu custo a fazer biquinho...
-Fascinante, - disse Natasha rolando os olhos. – Capitão, vejo que temos um belo jantar.
Steve sorriu. – Fiz algumas coisinhas. Espero que todos gostem.
-Parece maravilhoso, Steve, - disse Bruce analisando os pratos.
-Bom, os bacons são todos meus! – avisou Tony.
-Não, Tony, devemos dividir, - protestou Steve com cara feia.
Todos se sentaram à mesa e Loki procurou ficar afastado de todos. Steve fez o prato dele e foi até ele entregar. – Está bom assim?
-Obrigado. – Loki inspecionou a comida com cuidado, observando quais substâncias continham nela.
Natasha vez ou outra olhava para ele e sorria. Loki odiava aquele sorriso e procurou não olhar mais para ela. Ele se concentrou em sua comida e logo terminou sua refeição. – Obrigado a todos, mas irei me retirar.
-Fique, Lokes, - pediu Tony, - teremos uma sessão cinema noutro andar. Instinto Selvagem, conhece?
Bruce engasgou com sua comida e Natasha ofertou um copo d'água para ele. Steve olhou com dúvida para o engenheiro. – Que filme é esse?
-Um filme de suspense, - informou Natasha. – Acho que vai gostar.
-Prefiro não adquirir esse hábito de Midgard, - disse Loki com enfado, - visto que em breve estarei longe daqui. Com licença. – E ele se retirou para seu quarto.
-Rapaz difícil, - comentou Tony tomando seu cálice de vinho. – Ele precisa relaxar, senão terá outra noite de pesadelo.
Natasha balançou a cabeça. – Eu vi o vídeo. Tony, você estava com uma ereção!
Steve coloca a mão no rosto. – Deus!
Bruce segurou uma risada, ainda tentando se recuperar do engasgo.
-Eu estava ocupado quando Jarvis me chamou. Teria sido uma boa noite.
-Chamou alguém para Torre? – perguntou Bruce.
Tony se calou, olhando para seu cálice. Como explicar? – Alguém quer mais vinho?
Natasha ergueu uma sobrancelha. -Quero lembrar, Tony, que se chamar alguém para Torre, tenha cuidado com sua circulação. Ninguém sabe que Loki está aqui. Teríamos problemas com a opinião pública.
-Isso é verdade, - disse o capitão. – Nem a equipe do laboratório. Nem a equipe de limpeza. Ninguém.
-São bem pagos, capitão, para serem discretos, - informou Tony sério. – Há diversas cláusulas de silêncio em todos os contratos de trabalho. Todas com indenizações altíssimas.
-Bom, sobre o vídeo, - cortou Natasha, - o que acharam? Como eu suspeitei, há algo muito sério acontecendo com Loki. Thor esconde algo.
-Ele deveria ter voltado, - disse Bruce. - Demora tanto informar ao pai e ter uma resposta para gente?
-Pode ser que esteja arregimentando um exército contra nós, - disse Tony, - todo castelo de Grayskull.
-Isso é preocupante, - disse ela, - eles podem realmente retornar com alguma força para recuperar o príncipe perdido. Estaremos preparados?
-Hulk estará, - afirmou Tony procurando o olhar do cientista.
-Sim, - confirmou Bruce. – Estarei.
Steve suspirou. – Seria melhor se escondêssemos ele. O levássemos a outro esconderijo, o que acham? Loki estaria mais protegido.
-Para sua casa, - sugeriu a espiã com um discreto sorriso. – Vocês poderão ficar vendo desenhos juntos.
O capitão sorriu confuso. - O que teria de mal nisso?
Tony rolou os olhos. – Ok, ok, eu tenho minhas outras casas. O problema é que eles têm um vigilante que vê tudo e dedura tudo. Não lembro mais o nome dele. Aliás, ele deve estar vendo isso agora. Nossos planos.
-Merd... – sussurrou Bruce.
Steve bufou. – Bom, se estiver ouvindo, eu tenho um recado: - e olhou para o alto - Thor, volte logo e sem exército! Sempre fomos aliados e queremos negociar com você. Seja íntegro.
-Ah, agora resolve tudo! – falou Tony. – E é tão bizarro... Parece que estamos realmente falando com Deus!
-Eu confio em Thor, - disse o capitão com melancolia, - apesar de tudo. Ele sempre foi leal a gente. Isso que acontece com o irmão dele... Simplesmente não temos informações suficientes. Ele deve ter um motivo.
Nat balançou a cabeça. – Se ele tiver, estamos abrigando um fugitivo culpado. O que acha? Culpado, para mim, significa perigoso. Perigoso aqui na Torre.
-Está vendo? – disse o engenheiro. – Ainda corro risco de morrer.
Ela ainda pensava. Se não conseguia arrancar nada do príncipe exilado, talvez tivesse mais sorte com o guerreiro. – Realmente, Thor precisa voltar. Temos dúvidas e sei que conseguirei algumas respostas somente com ele.
-Com o apelo de Steve, - disse Bruce, - duvido que ele não apareça.
Ela sorriu. – Sugiro, então, que todos durmam hoje na Torre. Eu acho que teremos visitas.
E ela tinha razão. Logo mais, de madrugada, um barulho alto e estranho soou pela Torre e logo Jarvis informou ao seu senhor: - Thor está na torre, senhor, com mais três de Asgard.
-Ótimo, sem exércitos. Jarvis, diga que irei recepcioná-los.
-Sim, senhor.
Ele riu nervosamente colocando uma roupa decente. – Vamos ver as novidades.
