Capítulo 3
Anne estava tão decida a ir atrás de Carlisle que vendeu a única coisa de valor que tinha, um camafeu de ouro que pertenceu a sua mãe. Ela conseguiu um bom dinheiro e partiu, não sabia para que lugar da Itália ir, por onde procurar, mas não tinha medo, ela o encontraria de qualquer forma.
Quando Anne finalmente chegou a Itália, ela se instalou em uma cidadezinha muito pequena e resolveu começar suas buscas. Ela procurou pelas cidades que ficavam mais perto da França, pois achava que Carlisle ainda não estava muito longe. Primeiro Anne ficou em Turin, na província de Piemonte, depois foi para Genova em Ligúria e finalmente, chegou em Toscana. Anne ficou em Massa-Carrara por poucos dias, depois foi para Lucca e, quando estava quase desistindo, chegou em Pisa.
Foram viagens longas, Anne estava cansada, exausta. Ela queria encontrar Carlisle, mas depois de tanto procurar sem resultados, estava pensando em desistir. Ela gostava da Itália, gostava de Pisa, então resolveu que iria morar lá.
Um mês passou desde a chega de Anne a Pisa, um dia ela resolveu conhecer uma comuna vizinha, Volterra. Era um lugar muito lindo, Anne ficou encantada, passou o dia conhecendo o lugar, mas quando foi anoitecendo Anne se perdeu. Uma moça de cabelos cor de mogno e olhos violeta pareceu perceber o desespero de Anne por não saber onde estava e aproximou-se:
- Olá, está tudo bem? Você parece meio perdida. - A moça lhe disse, num tom agradável.
- Ah, sim. Eu esqueci o meu caminho, você poderia me ajudar? - Anne falou.
A moça riu.
- Posso, é claro. Você não é da Itália, não é mesmo?
- É, não sou. Eu vim da França, moro aqui há pouco mais de um mês.
- Ah, que ótimo. Sua família é daqui?
- Não. Na verdade eu vim procurar uma pessoa, mas acabei desistindo.
- Sei. Mas você deveria ficar mais tempo, Volterra é um lugar tão lindo.
- Eu adoraria, mas não posso.
- Que pena. Mas para onde você quer ir?
Anne explicou onde estava e a moça se mostrou muito solícita.
- Ah, eu conheço o caminho perfeitamente, eu te levo, me acompanhe. - Disse a moça.
- Muito obrigada...
- Heidi.
- Muito obrigada, Heidi. Meu nome é Anne.
Elas foram caminhando, conversaram. Anne falava muito e nem percebeu que Heidi não falava nada sobre ela, apenas escutava. Depois de um tempo, elas pararam na frente de um castelo.
- Eu moro aqui. Vamos fazer uma parada rápida. Vou pedir para meu irmão nos acompanhar, não gosto de andar sozinha quando está muito tarde. - Disse Heidi.
- Nossa! Você mora em um castelo? - Anne falou, impressionada.
- Moro. Venha, entre.
Elas entraram no lugar. Anne estava encantada, era lindo. Ela seguiu Heidi até uma sala, quando chegou lá, haviam três homens. Heidi apresentou-os.
- Anne, estes são Aro, Caius e Marcus.
Anne começou a ficar assustada, começou a achar que talvez não tivesse sido uma boa idéia ter entrado no castelo.
- Olá. Heidi, eu vou esperar lá fora. - Anne disse e andou apressada em direção a saída, mas Heidi a impediu.
- Não, não vai.
Do lado de fora, um homem loiro e alto havia acabado de chegar. Ele estava subindo as escadas quando começou a ouvir gritos e súplicas.
"... por favor, eu imploro! Não. NÃO!"
De repende ele parou. "Não, não é possível!", pensou ele.
Os gritos continuaram. Era ela, ele tinha certeza, era a voz dela.
- ANNE! - Ele gritou enquanto corria em direção à sala.
