Sakura sorria despreocupadamente, com Kaoru andando ao seu lado, também sorrindo. Eles conversavam normalmente, mesmo que os vários agradecimentos da jovem pudessem parar o assunto por um momento. Caminhavam em direção a Haruhi e Hikaru, no jardim, onde estes dois também conversavam animadamente.

Sakura então parou de repente e fez Kaoru parar também.

-- O que houve, Sakura-san? – ele não entendia o que ela queria com aquilo.

-- Fale baixo! Assim eu não consigo me concentrar! – Sakura o segurava pela manga da roupa e falava baixo, olhando fixamente para onde os outros estavam.

-- Concentrar…? – Kaoru agora estava mais confuso – Concentrar no que…?

-- Que droga! Fale baixo! – Sakura olhou para ele, repreendendo-o.

-- De-desculpe! – Kaoru começou a falar no mesmo tom que a amiga – Mas… O que você resolveu parar e olhar…?

Ela apontou para frente, exatamente para onde olhava. Para Hikaru e Haruhi.

-- Você quer descobrir o que eles estão falando? – Kaoru se assustou – Mas não foi você mesma quem disse que… – ele teve a fala interrompida pela jovem, que completou a frase.

-- Que escutar a conversa alheia é feio, eu sei! Mas não dá para ouvir! Que droga! Fique quieto!

-- A conversa deles é tão interessante assim…?

-- É sobre nós…

-- Nós?! – Kaoru caiu para trás. Felizmente, pensaram os dois, não fez barulho o suficiente para chamar a atenção dos outros.

-- Cuidado! – ela o olhou de forma repreendora de novo, mas logo voltou à atenção para os amigos.

-- An, Sakura-san… – Kaoru parecia estar com medo de falar.

-- Diga… – Sakura respondeu de forma pouco educada e sem se virar para olhá-lo.

-- Bem… O que eles estão falando sobre nós…? – Kaoru estava sentado quando perguntou e agora olhava curioso de Sakura para o irmão e então para Haruhi.

-- Quer saber tudo ou só sobre você? – ela se sentou ao lado dele.

-- O que você achar que deve me dizer…

-- Estão falando que não deve ser com antes… Lógico que é sobre você, já que eles não sabem muito sobre mim… Imagino que seja referente a metade anterior do ano…

Enquanto Sakura falava, ele acompanhava com os olhos os movimentos de Haruhi e Hikaru.

-- "Ela poderia dar alguma pista sobre isso… Seria menos doloroso para todos, não?" – Sakura continuava passando para Kaoru o que os outros dois falavam – "Muito menos… Mas já deu para perceber que não vai ser tão fácil… E o Kaoru parece não estar incomodado ainda… Pelo menos sei que ele não vai causar problemas como eu causei para você, Haruhi-san…"

Sakura parou de falar, uma vez que Haruhi e Hikaru estavam rindo.

Kaoru baixou os olhos para o chão, lembrando de como seu irmão ficava constantemente com o humor instável na presença de Haruhi. "Felizmente as coisas mudaram…" pensou.

-- Oeoe, Kaoru-senpai… Por que você estaria incomodado com algo relacionado a mim? – Sakura estava curiosa, pois não havia entendido do que se tratava.

-- Nada…! Não sei porque eles falaram isso…! An, por que não vamos nos juntar a eles? – Kaoru se assustara com a pergunta da amiga e logo tentou contorná-la.

-- Nada mesmo, né…? – ela não estava muito convencida.

-- É, não é nada! – Kaoru apressou-se em responder.

Sakura suspirou, Sabia que não conseguiria fazê-lo falar mais do que aquilo. Então sorriu e se levantou.

-- Bom, vamos então.

-- Claro, claro! – ele se levantou apressadamente. Logo eles já estavam com os outros dois.


Nenhum dos quatro percebeu que passaram a noite toda conversando até que o Sol nascesse.

-- Nossa… Já é de manhã? – Sakura falava como quem não crê no que diz.

-- Pois é… – Haruhi se deitou na grama e fechou os olhos – A gente deveria dormir um pouco…

-- Também acho… – Sakura se levantou.

-- Então vamos! – os gêmeos também se levantaram e então ajudaram Haruhi.

Subiram juntos e em silêncio, tomando cuidado para não acordar ninguém na casa. O quarto das meninas era em frente do quarto dos gêmeos, o que era bastante prático.

Enquanto se preparava para dormir, Sakura se lembrou de algo que se esquecera de perguntar antes.

-- Haruhi-san, quando íamos comer bolo, por que você estava daquele jeito?

-- Hm? Ah sim. – Haruhi sorriu e começou a rir – Só queira ver a reação de vocês.

-- Ah… Entendo. – Sakura fez cara de quem não acreditava naquilo. Então se preocupara por nada…?

Haruhi bocejou. Eram quase sete horas da manhã e ainda não haviam dormido.


No quarto em frente o sono era bem menor.

-- Hikaru… Sobre o que você discutia com Kyouya-senpai enquanto eu mostrava a casa a Sakura-san…? – Kaoru estava sentado na cama, só com a calça do pijama, virado para o irmão.

Hikaru se trocava, de costas para o outro, quando a pergunta foi feita.

-- Sobre você gostar dela e… Ainda não ter dito nada…

-- É… Mas ainda não é a hora, não acha?

-- Acho. Você tem todo o resto do ano ainda. – Hikaru se virou para o irmão e sorriu, mostrando que o apoiava nisso tudo.


Quando Sakura acordou, às 15h30, Haruhi já estava em pé e saindo do quarto. Sakura sentiu então o cheiro de algo que parecia ter acabado de sair do forno. Resolveu que iria até a cozinha vestindo sua camisola mesmo, sentia preguiça demais para se trocar.

A casa estava silenciosa. Estaria vazia? Ou estariam todos dormindo? Procurando não fazer barulho, foi até a cozinha.

O Sol entrava pela janela e em cima da mesa, em uma bela bandeja de prata, perfeitamente arrumado, estava um bolo de banana tentador. Sakura simplesmente adorava bolo de banana.

O cheiro que sentiu no quarto então vinha dali. Aproximou-se devagar, como se a aproximação fosse perigosa, e pôs a mão sobre o cabo da faca. Queria tanto um pedaço que chegou a quase encostar a lâmina da faca no bolo.

Alguém então apareceu na porta, silenciosamente. Sakura não pareceu notar. Ninguém se movia. Para a pessoa parada à porta, aquela cena era encantadora, como se tivesse algo de mágico. A pessoa que observava era Kaoru.

Ele se aproximava devagar. Queria abraçá-la, passar a mão nos cabelos morenos da garota, sentir seus lábios nos dela. Foi pensando nisso que continuou a se aproximar.

Por impulso, tocou sua mão e calmamente tomou-lhe a faca. Sakura se assustou. Não percebera que Kaoru estava ali até aquele momento.

-- Ka-Kaoru-senpai…? – ela se afastou por impulso.

-- Boa tarde, Sakura-san. – ele apenas sorriu. A mão que segurava a faca estava apoiada na mesa – Está com fome?

-- S-sim… - ela sorriu de volta, meio sem jeito. Queria saber por quanto tempo ele a observara.

Kaoru então pegou dois pratos em um armário próximo, pegando os talheres em seguida. Cortou dois pedaços de bolo, entregando um a Sakura.

-- Obrigada. – Sakura pegou o prato que Kaoru a entregou – An… Há quanto tempo você está aqui…? Digo… Quanto ficou me observando?

-- O suficiente para perceber que você estava com fome. – ele sorriu e começou a comer.

Sakura fez o mesmo.


Haruhi voltou para o quarto, encontrando-o vazio. Resolveu ir comer então, mas antes bateu no quarto em frente.

Hikaru acordou com as batidas na porta. Estava sem a blusa do pijama, o cabelo totalmente despenteado, uma terrível cara de sono. Abriu a porta bocejando.

-- Ah… Haruhi-san… – ele esfregou o rosto, tentando ficar mais acordado.

-- An… – Haruhi sentiu-se desconfortável com a situação – Kaoru-senpai está aí…?

-- Não… Ele saiu… – Hikaru bocejou.

-- Será que está com a Higuchi-san? o3õ

-- Pode ser… Se não se incomoda, eu vou voltar a dormir… z.z

-- Você quer dormir mais? O.o – Haruhi não se conformou com aquilo. Afinal, dormira tanto já.

-- Sim… – Hikaru começou a andar de volta para a cama – Feche a porta, por favor…

Haruhi o fez e foi para a cozinha.


Kaoru e Sakura conversavam animadamente e já tinham comido meio bolo quando Haruhi apareceu.

-- Haruhi-san! Boa tarde – Sakura e Kaoru acabaram falando juntos sem perceber.

Sakura sorriu. E dava para ver que Kaoru, mesmo não tendo um sorriso aparente no rosto, também estava feliz. Seus olhos sorriam como nunca.

-- Boa tarde! – Haruhi sorriu de volta.

-- Está com fome? – Kaoru mostrou o bolo.

-- Não, obrigada. Eu já comi Só queria perguntar o que vamos fazer hoje. – ela se apoiou na pia.

-- Ah, nós podemos… – Sakura, que observava até então, começou a pensar, enquanto se servia de mais um pedaço de bolo – Nadar, dar uma volta por aí… Qualquer coisa.

-- Haruhi-san… Onde está meu irmão? oõ Eu achei que ele estaria com você. – Kaoru só então notou a ausência do irmão.

-- Hikaru-senpai ainda está dormindo. Ele me parecia bastante cansado. – Haruhi olhava de Sakura para Kaoru, tranqüila.

Kaoru suspirou.

-- Certo, então é melhor o acordar. – Kaoru levantou e saiu.

Haruhi se sentou onde ele estava e se virou para Sakura.

-- Vocês comeram tudo isso sozinhos?

-- Bem… É… Mas a gente ficou conversando, nem notamos. – ela sorriu meio sem jeito.

-- E sobre o que vocês tanto conversavam? – Haruhi também comia bolo agora.


Kaoru entrou em silêncio no quarto. Hikaru estava esparramado de qualquer jeito na cama e parecia resmungar algo ininteligível. Kaoru parou do lado direito da cama, em frente à janela.

O dia estava quente lá fora e um mísero raio de luz passava para dentro do quarto. Mas não por muito tempo. Kaoru escancarou a cortina e pôs o despertador para tocar dentro de dois minutos.

Assim que a luz chegou ao rosto de Hikaru e o alarme tocou, ele levantou, assustado. Mas logo se deitou e cobriu o rosto com o travesseiro. Kaoru simplesmente ria da situação. Então alguém bateu à porta.

-- Hikaru-sama? Kaoru-sama? Já acordaram? – era uma das criadas mais antigas da casa. Ela não era japonesa, mas fora criada no Japão.

-- Já estamos indo, senhorita Vivian! – Kaoru tratou de responder logo – Ande, Hikaru. As meninas estão nos esperando na cozinha.

Hikaru apenas resmungou algo de volta.

-- Vou mandar a Vivian te acordar. – Kaoru sorria satisfeito. Aquilo sempre funcionava.

Hikaru sentou-se imediatamente. Odiava o jeito de Vivian de acordar as pessoas.

-- Vamos, vista isso. – Kaoru estendeu uma blusa ao irmão – E rápido, caso contrário, elas vão acabar com o bolo de banana.

Hikaru se vestiu e foi com o irmão para a cozinha, dando "boa tarde" à Vivian quando saiu do quarto. Quando eles chegaram, encontraram pouco mais de ¼ do bolo e Sakura e Haruhi rindo.

-- É… Kaoru… Esse bolo estava inteiro quando você acordou…? – Hikaru se espantou com a quantidade de bolo restante.

Kaoru também não acreditava.

-- É… Estava… Mas eu e Sakura-san comemos praticamente metade…

-- Sakura-san… Então ela comeu… Tanto assim…?

-- Oe! Que tal se vocês pararem de me chamar de gulosa? XD – Sakura achava graça na situação e falou em tom de brincadeira.

-- Hikaru-senpai, você não está com fome? – Haruhi estendeu um pedaço de bolo a ele.

-- Ah, certo. Sim, obrigado. – ele o pegou e começou a comer.

Os gêmeos então se sentaram e ficaram a conversar com elas.

Em poucos minutos o bolo havia terminado, mas ninguém pareceu ligar. Uma das criadas então apareceu na porta.

-- Hitachiin-san. – ela não sabia como diferenciar os gêmeos ainda. Havia sido contratada há pouco tempo – Eu aconselharia a aproveitarem o dia…

-- Nós já vamos, só estávamos terminando de comer. Obrigado, Hana. E você poderia cuidar da mesa para nós? – foi Kaoru quem respondeu.

-- Sim, senhor.

Os quatro se levantaram e começaram a subir. Sakura ia na frente com Haruhi, o que dava a chance a Kaoru de ficar observando-a.

O contorno de seu corpo era perfeito, seus cabelos eram brilhantes e lindos, seus movimentos eram suaves, seu sorriso era encantador, tudo nela era fantástico. Kaoru pensava tanto nisso que não ouvia os outros. Foi preciso que Hikaru lhe desse uma cotovelada para que voltasse à realidade.

Entrou no quarto lembrando-se do que ocorrera na cozinha antes dele e Sakura começarem a comer. Estava tão distraído que nem escutou o irmão falando.


As garotas, por outro lado, conversavam sem problemas.

-- Sakura-san, eu posso lhe perguntar algo? – Haruhi sentia que devia fazer isso, mesmo que Kaoru não gostasse.

-- Claro. – Sakura olhava pela janela, sem vontade de se trocar.

Antes que Haruhi falasse, porém, alguém bateu na porta. Sakura foi abrir.

-- Higuchi-san? – era uma das empregadas e ela estava com uma mala ao lado.

-- Pois não? – Sakura sorriu. Finalmente suas coisas haviam chegado.

-- Onde posso deixar essa mala para a senhorita?

Sakura mostrou um ponto à esquerda da cama e logo a empregada havia se retirado, deixando a mala no local indicado. Sakura fechou a porta e se virou para pegar uma roupa. Haruhi estranhou.

-- Suas coisas ainda não estavam aqui? o.õ

-- Ah, não! Essas são peças extras. Minha mãe quem as escolheu. Meu pai me mandou peças que não combinam umas com as outras. – Sakura sorriu e tirou um conjunto da mala. Logo as duas estavam prontas.

Antes de saírem, no entanto, Haruhi pediu para conversar. Era um assunto que não queria que os gêmeos escutassem.

-- Sakura-san… Se me permite a pergunta… O que você diria que tanto Kaoru como Kyouya-senpai sentem por você? – ela estava sentada em sua cama, virada para Sakura.

Esta, por sua vez, penteava os cabelos, sentada no sofá que havia sob a janela.

-- Pelo modo como têm agido até agora, diria que é o mesmo que você sente por Tamaki-senpai.

-- Haruhi corou por um momento, mas logo se recompôs.

-- É… Eu também diria… Pelo menos sei que não sou a única a pensar assim, né? "Mas por que eu fui posta nisso?" – Haruhi sorriu.

-- Só há um problema nessa história toda.

-- E o que seria?

-- Não me vejo capaz de corresponder a um deles… - quando Sakura terminou de falar, seu celular tocou.

-- Pode atender – Haruhi ainda sorria para a amiga – Eu espero.

Sakura se levantou e pegou o telefone que estava largado na cama. No visor aparecia o nome de um velho amigo.

Kensuke.

Não queria atender, Ela sabia que o que iria escutar era o que não queria. Deixou o telefone tocar algumas vezes, olhando para Haruhi como se pedisse para ela atender. A amiga recusou.

-- Não sei quem é e porque está ligando, mas você tem que enfrentar.

Sakura resmungou e atendeu. Nem teve tempo de dizer "alô" (comentário paralelo: porque eu não sei escrever o cumprimento japonês ;D)

-- Finalmente! O que você faz que a impede de atender? Quase desisti… Liguei há duas horas também e nada. – Kensuke, um amigo de infância, parecia irritado e, quem sabe, chateado.

-- Eu ainda dormia duas horas atrás. – Sakura, porém, parecia tranqüila.

-- Não mudou nada! Essa é a Sa-chan que eu conheço! – o rapaz agora parecia alegre.

Sakura sorriu. O amigo também não mudara.

-- Quer saber por que liguei, né? – ele falava como se pudesse ler a mente dela.

-- Adoraria. – Sakura respondeu como quem pergunta se não era óbvio.

-- Deu vontade de pegar um cinema… Topa? Tem coisa legal passando por aí.

-- Não dá. Eu não estou em casa…

-- Foi parar onde?

-- Casa de uns amigos.

-- Você fica cada vez mais distante desde que saiu do condomínio… Sabia disso? – ele agora parecia meio triste.

-- Eu sei que a gente se vê cada vez menos. – ela estava cansada de ouvi-lo reclamar daquilo – Mas acontece.

-- Com quem você está agora?

Nesse momento, batidas na porta puderam ser ouvidas. Haruhi abriu e logo os gêmeos estavam dentro do quarto.

-- Com três amigos. – Sakura respondeu, indiferente.

-- Do novo colégio?

-- É. São Haruhi, Kaoru e Hikaru.

-- Haruhi… Isso parece nome de menina, não?

-- Por que é uma menina.

-- Opa! Vocês já estão saindo em casal?! – ele pareceu inconformado.

-- Calma aí, Ken! Ninguém aqui falou em sair!

-- Então você dormiu na casa de dois moleques?! – ele não acreditava.

-- An… Sim? – Sakura temia a reação que aquilo poderia causar.

-- Preciso desligar. Tenha um bom dia, Sakura-san. – ele deixou o ciúme que sentiu escorrer por suas palavras.

-- Ken, espe… - Sakura não conseguiu terminar. Ele já havia desligado.

Ela foi até a janela e ficou observando, enquanto montava um raciocínio lógico.

"Por que ele começou a agir assim agora? Sempre fomos tão próximos… Será que…" Sakura não teve muito tempo para pensar, pois Hikaru viu uma foto dela sobre a cama. Era dela com um rapaz, em um campo verde e florido, em um lindo dia claro de primavera.

-- Quem está aqui com você, Sakura-san?

Sakura se virou, pega de surpresa.

-- Onde? Ah, nessa foto? É… Um amigo de infância… Morávamos no mesmo condomínio.

Haruhi tomou a foto de Hikaru e ficou olhando.

-- Ele até que é bonitinho… Tinham quantos anos?

Sakura parou para pensar.

-- Talvez… Não sei, mas acho que por volta de treze.

Kaoru, quanto mais olhava para aquela foto, mais sentia certo ciúme. O garoto da foto era alto, de olhos verdes e cabelos negros. Era realmente bonito.

-- Bom, por que não vamos fazer algo? – Sakura guardou a foto e o celular. Ela sorria como se nada tivesse acontecido, mas a verdade era que a conversa com Kensuke a perturbara.

O dia já estava acabando, mas ainda podiam aproveitar. Só por que dali a pouco o Sol iria se pôr eles iriam ficar fazendo absolutamente nada? Nem pensar. O problema era que tanto Sakura como Kaoru não conseguiam se concentrar em nada. Ela só pensava na conversa ao telefonem enquanto ele se remoia de ciúmes.

Hikaru e Haruhi, notando a estranha falta de atenção, principalmente de Sakura, aproveitaram para conversar sobre Kaoru e Sakura, do que um dia poderia haver entre eles.

-- Com quem Sakura-san falava quando entramos? – Hikaru olhava para o céu, sério.

-- Com um tal de Kensuke – Haruhi suspirou – Mas eles não pareciam se entender muito…

-- Entendo. Isso significa que ainda há esperanças para Kaoru. – Hikaru sorriu, mas sem tirar os olhos do céu.

-- Não se esqueça de que há o Kyouya-senpai também. – Haruhi, que até então olhava para frente, desviou o olhar para Hikaru.

-- Kyouya-senpai? – Hikaru só então desviou o olhar para a amiga. Sua expressão era de quem não acreditava.

-- Não acredita, né? Mas passe a prestar atenção nele quando se trata de Sakura-san. Foi o que fiz nesses últimos dias. – Haruhi voltou a olhar para frente.

O Sol começou a se pôr e logo mais nuvens estavam se formando. Haruhi não pensou duas vezes ao notar isso. Puxou os outros para dentro da casa e subiu para o quarto.

Ela estava olhando pela janela, sozinha. Deixara os outros três na sala assim que conseguiu arrastá-los para dentro. Então seu celular tocou.

-- Olá, Tamaki-senpai! – Haruhi, apesar do medo que trovoasse, parecia bastante alegre.

-- Haruhi-san! Está tudo bem com você, né? Começou a chover e eu fiquei preocupado! – Tamaki parecia meio desesperado do outro lado da linha.

-- Estou sim! Obrigada por se preocupar – Haruhi sorriu, mas o fez por reflexo.

-- E como os gêmeos estão tratando nossas donzelas? Não fizeram nenhum mal a você ou a Higuchi-san, né?

-- Nos tratam bem, principalmente quando é a Sakura-san. Kaoru é bem atencioso com relação a ela. – Haruhi deu uma risadinha.

-- Agora estou mais aliviado. Vou desligar, querida! Meu pai me chama! – dito isso, Tamaki desligou.

Haruhi também o fez e continuou olhando a chuva pela janela. Alguns minutos depois, o celular de Sakura começou a tocar. Pelo número que apareceu no visor, haruhi pôde identificar quem era.

Kyouya.

Haruhi quis atender, mas achou melhor deixar tocar. Ela ficou olhando o celular vibrando em cima da cômoda. Ela estava tão presa aos seus pensamentos que não percebeu que o telefone já havia parado. Ficou o tempo todo se perguntando o que Kyouya queria.

Sakura entrou no quarto pouco depois disso. Estava desconfortável o silêncio que ficara na sala.

-- Haruhi-san? Está tudo bem? – Sakura estranhou a expressão pensativa da amiga ligada ao seu olhar constante ao celular.

Foi a aparição de Sakura que fez Haruhi voltar à realidade.

-- Hm? Ah, sim. Estou bem. – Haruhi virou o rosto para a outra e sorriu.

Sakura foi até a cômoda e pegou o celular. Na tela aparecia a chamada perdida.

-- Foi Kyouya quem ligou. – Haruhi falou, adivinhando o que se passava na cabeça da amiga.

-- Certo… Não sei o que ele quer, mas pode ligar de novo. – Sakura estranhou. Por que lhe ligaria? – Por que não nos juntamos aos gêmeos?

Haruhi concordou com a cabeça e saíram. Sakura segurava o celular.


Quando Sakura saiu, Hikaru aproveitou para conversar com Kaoru sobre como iam as coisas entre ele e Sakura. Não conseguiu terminar a primeira frase, pois o telefone tocou.

-- Casa dos Hitachiin, pois não? – Hikaru mesmo atendeu, uma vez que estava mais perto.

-- Por favor, a Sakura-san está? – uma voz masculina e séria falava do outro lado.

-- Kyouya-senpai? – Hikaru estranhou – O que quer com a Sakura-san?

Kaoru se assustou. Kyouya e Sakura? Era impossível isso, tinha certeza.

-- Eu mesmo. Poderia chamá-la, por favor? É importante. – Kyouya permanecia sério.

-- Só um instante. – nesse momento, Sakura e Haruhi apareceram na sala – Ah, Sakura-san! Kyouya-senpai quer falar com você.

-- Comigo? – Sakura estranhou, mas atendeu – Kyouya-senpai?

-- Que bom que consegui falar com você. Eu queria lhe fazer um convite. – Kyouya parecia calmo.

-- Um convite?

-- Exatamente. Você gostaria de ser integrante do Host Club?

-- Como… Como assim?

-- Você quer ser uma anfitriã?

-- Um… Uma… Claro! Eu vou adorar! – Sakura se recompôs de imediato do choque inicial – Eu adoraria, Kyouya-senpai! – ela sorriu.

"É um encontro" Essas foram as primeiras palavras a passarem pela cabeça de Kaoru quando Sakura desligou o telefone, sorridente. Hikaru se limitou a olhar para Haruhi, preocupado. Ele não acreditara quando ela disse que Kyouya também parecia gostar de Sakura, mas convenceu-se disso quando Sakura desligou.

Foi Haruhi quem perguntou o motivo do telefonema, o que impediu Kaoru de ter um ataque antes da hora.

-- Agora faço parte do Host! – Sakura ainda sorria.

-- Que?! Co-como assim?! De quem… Quem deu essa idéia? – Kaoru se levantou tão rápido de onde estava que os outros se assustaram.

-- Foi… Kyouya-senpai… Agora mesmo… No telefone… - Sakura se recompunha do susto.

Kaoru suspirou aliviado. Então ele não a chamara para sair. Sakura completou sua fala.

-- Eu também pude ouvir Tamaki-senpai perguntando minha resposta a Kyouya-senpai antes de desligar.

Haruhi e Hikaru se entreolharam, preocupados. Seria aquilo tudo um plano do rei? Então Vivian, a empregada, apareceu na sala.

-- Por que não vão descansar? Caso contrário não vão aproveitar o dia de amanhã também. Sei que enquanto não forem dez, vai ser cedo, mas ouçam o que digo dessa vez.

Por mais estranho que fosse, todos concordaram e se dirigiram a seus quartos.