N/A: Como prometido, em uma semana...
Estou orgulhosa de mim mesma, pela primeira vez consegui postar no tempo certo...
Hope you like it!
Chapter 4
Turning Tables
"So I won't let you close enough to hurt me,
No, I won't ask, you to just desert me,
I can´t give you what you think you gave me,
It's time to say goodbye to turning tables,
To turning tables!"
Ginevra´s POV
Me vi esperando irracionalmente ansiosa pela sexta feira.
Quanto mais pensava, mais estava certa de que queria sim me vingar de Potter. Estava obstinada a não lhe causar nenhum grande mal, mas queria que ele provasse um pouco de seu próprio veneno.
Quando a sexta-feira finalmente chegou, eu estava pronta. Estava consciente de que o jogo que estava começando era perigoso, especialmente porque eu não poderia ter certeza sobre quais eram as verdadeiras intenções de Draco Malfoy.
Às duas e meia da tarde eu estava vestida. Esperei alguns minutos ainda, antes de resolver descer. Eu queria causar a impressão certa e adequada no Malfoy. Eu havia notado que ele valorizava muito a aparência e a boa educação, e para tê-lo colaborando comigo era preciso fazer com que ele se sentisse confortável ao meu lado. Não que essa fosse uma tarefa muito difícil.
Ele aparentemente se surpreendia e apreciava meu comportamento comum, o que me era estranho. Eu havia me acostumado com todos me olhando de esguelha e me repreendendo por eu não ser tão comunicativa, ou por eu ter abandonado meus antigos vestidos floridos, ou ainda por eu simplesmente me limitar a não retrucar quando era provocada. Mas o fato de eu poder agir como quisesse era libertador.
Eu não me preocupava em ser inadequada. O fato de ser eu mesma parecia suficiente para Draco Malfoy.
Draco´s POV
Eu havia passado boa parte da noite pensando a respeito da Weasley.
A verdade é que, quanto mais pensava, mais me dava conta de que ela era perfeita, e que de alguma forma eu teria de convencer meus pais a aceitá-la.
Eu a conhecia muito pouco, era verdade. Mas não tinha ilusões a respeito do meu casamento, e haveria tempo suficiente para conhecê-la depois. Ela era madura, sedutora, bonita e inteligente. Não havia como compará-la com qualquer outra garota que eu conhecesse. Pansy Parkinson, a candidata favorita da minha mãe, era totalmente espalhafatosa, dona de um mal gosto fenomenal, e desaparecia diante da força da presença da Weasley.
Minha mãe sabia disso. Pelo que eu sabia, as características negativas de Pansy a obrigavam a fazer ela mesma uma listagem. Para ela, esse assunto era primordial. E seria para mim também.
Eu queria agradá-la. Mas, enquanto refletia, cheguei à conclusão de que a esposa certa seria imprescindível se eu quisesse alcançar meu sucesso. Eu dependia inteiramente de alguém a quem pudesse ter ao meu lado para me apoiar, para realizar as tarefas que eu não teria tempo ou disposição, e para me ajudar a resolver problemas. Eu precisava de alguém que fosse forte, inteligente, perceptiva e, principalmente bonita. E no momento eu só podia ver uma pessoa nesse papel.
Se eu quisesse convencer a Weasley de realizar esse papel, entretanto, eu teria de criar nela uma necessidade. A aparente resistência dela em se vingar do Potter seria um obstáculo. Muito embora eu tivesse conseguido que ela me acompanhasse hoje por pura sorte. Então eu precisaria mostrar a ela que ela poderia ter vantagens se continuasse com uma vingança contra o Eleito.
Eu teria de mostrar a ela o quanto eu era melhor que seu ex-namorado. E isso era fácil à beça.
Às três horas da tarde em ponto eu estava postado ao pé da escadaria, e a Weasley se mostrou pontual. Mais um ponto para ela.
Eu tentei não demonstrar o quão surpreso fiquei com sua elegância. Seu cabelo estava meio preso e ligeiramente enrolado, e ela usava um elegante trench-coat azul marinho com sapatos escuros.
O castelo estava repleto de gente alvoroçada. Todos esperavam ansiosos por este passeio. Weasley desceu a escadaria com mais quatro ou cinco garotas, e a espontaneidade das outras não se comparava a cadência e elegância dos seus ombros eretos e sua postura impecável. Tentei me lembrar do porque eu não a havia notado antes. Parecia tão claro agora que ela tinha qualidades fundamentais.
É claro que todos que estavam por ali pararam para ver. Um Malfoy e uma Weasley juntos era algo impossível até mesmo em algum tipo de realidade alternativa. E eu começava a gostar da idéia de mexer com o proibido, de atravessar os limites. Era essa a minha filosofia, não?
Estendi meu braço esquerdo para ela assim que chegou ao último degrau. Ela colocou seu braço sobre o meu, e me pareceu que ela estava bem disposta hoje. O que era muito bom.
-Bom dia, Senhorita Weasley.
-Bom dia, Draco. – Ela franziu ligeira e intencionalmente as sobrancelhas. - Não acho que deva soar tão formal. Amigos não se tratam com tanta formalidade.
Como havia pensado, ela estava bem disposta.
-Desculpe minha falha grave, mas não conheço seu primeiro nome.
-Ginevra. Me chame de Ginevra.
Bom dia, então, Ginevra.
-Bom dia.
Seguimos de braços dados, e sob olhares incrédulos, até o local onde a carruagem nos esperava.
Atravessamos Hogwarts e entramos no vilarejo de Hogsmeade da forma mais agradável possível. Durante boa parte do caminho a interroguei ininterruptamente sob assuntos importantes e desinteressantes para qualquer garota comum: lhe perguntei sobre leis, esportes, moral e costumes e, é claro, sobre política. Weasley mostrava ter bom senso e dava suas opiniões com clareza e sem hesitação. Até que lhe perguntei sobre o Ministério:
-E o que acha do nosso Primeiro Ministro?
- Quim é um bom Ministro. Suas propostas para a agricultura bruxa e relações exteriores são excelentes, embora um pouco inocentes. E o último encontro dos Ministérios Bruxos na Rússia foi extremamente bem sucedido para a Inglaterra graças a ele.
Essa era uma resposta que eu de forma alguma esperaria. Eu pensava que ela defenderia o Ministério apenas porque o Velho Weasley trabalhava lá. O fato de ela estar tão informada sobre as políticas para agricultura e relações exteriores seria assustador por si só, mas ainda havia o fato de que ela havia respondido exatamente o mesmo que minha mãe, poucas semanas atrás. Se ela e minha mãe não pertencessem a mundos diversos, eu teria dito que ela havia ouvido e reproduzido sua opinião.
Depois disso, não havia mais teste algum que eu precisasse fazer. A essa altura mais da metade do trajeto já havia sido percorrido, e permanecemos em silêncio. Mais uma vez observei que ela não tagarelava nem se mostrava inquieta por não conversarmos. Ela permaneceu imóvel, o olhar preso na vegetação verde-escuro lá fora, e as mãos cobertas pelas luvas de couro apoiadas sobre os joelhos.
Quando chegamos ao Três vassouras, o frio havia se intensificado.
Desci da carruagem, e depois dei a mão para que ela também descesse. Entramos juntos no bar, e nossos braços dados foram a causa do maior congestionamento que eu já havia visto naquele local.
Logo que atravessamos a porta, todos os olhares se voltaram para nós. Weasley, sem se intimidar, retirou as luvas e sorriu gentilmente para o homem que ficava no balcão:
-Boa Tarde, George.
-Boa tarde, Senhorita Weasley. Senhor Malfoy.
-Boa Tarde- respondi.
Mesmo aquele homem parecia confuso com a situação. Eu, ao contrário, gostava cada vez mais.
-Estarei na mesa de sempre. Se importa de levar o chá para o Senhor Malfoy e para mim?
-Será um prazer.
-Muito obrigada, George.
Weasley me acompanhou até uma mesa reservada nos fundos do bar, atrás de um biombo com uma representação de uma cerejeira florida.
O local ali era mais quente e agradável, e nem todos podiam ver onde estávamos. Muito embora eu tenha percebido, lentamente, pessoas mudando de lugar para poder nos observar.
Weasley ainda permaneceu algum tempo num silêncio calmo. Só depois que George serviu o chá, ela sorriu.
-Qual a natureza do seu "encontro casual", Malfoy?
-Pensei que fossemos amigos, agora – retruquei.
-Desculpe, Draco – foi a minha vez de sorrir.
-Todos os meses a sonserina promove um encontro seleto, apenas para aqueles que são ou serão importantes.
-Então creio que seria inoportuno e deselegante de minha parte entrar sem ser convidada.
-Eu a estou convidando.
-Ora, muito obrigada. Embora não creia que ser convidada a entrar na toca de uma cobra seja um bom convite.
-Embora o encontro seja promovido pela sonserina, não se restringe apenas a alunos dessa casa. Existem alunos de todas as casas admitidos. Potter certamente estará lá.
-Quer dizer que ele também foi convidado?
-Sim,ele também freqüenta os encontros há algum tempo.
Ela permaneceu uns minutos ainda em silêncio, e não pude deduzir em que ela estaria pensando, ou se estava apenas dando um tempo enquanto tomávamos o chá.
-Quero me vingar de Harry Potter.
Sua objetividade me pegou desprevenido. Nenhuma introdução ao assunto, nenhuma justificativa de seus atos. Fiz um gesto para que ela prosseguisse.
-Creio que era isso que tinha em mente quando me convidou para tomar chá em sua companhia. Estou errada?
-Não.
E ela não estava. Eu tinha essa intenção, a princípio.
-Desta vez sou eu quem está à disposição para ouvir. – sorri, enquanto ela começava a expor suas idéias.
Ginevra´s POV
Pela primeira vez, não tive receio algum do que pensariam de mim, ou do que era certo ou errado. Eu queria me vingar, e faria isso.
Malfoy sorriu o tempo todo, enquanto eu lhe disse, de forma direta, o que pretendia. Eu pretendia fingir que namorávamos. Eu irritaria Potter aparecendo acompanhada em absolutamente todos os eventos sociais, e todos os locais em que eu sabia que ele estaria, e era só isso.
Não era tão difícil assim.
Malfoy concordou imediatamente, propondo uma única condição: que conversássemos sobre nossas intenções de maneira clara e verdadeira. Eu poderia fazer ou dizer qualquer coisa, fosse quais fossem as condições, desde que não mentisse.
Eu aceitei sem titubear.
Afinal, agora eu sabia que, por mais hediondos que pudessem parecer a mim meus próprios sentimentos, para Malfoy tudo seria justificado se fosse pelo meu próprio interesse. Para ele não havia certo ou errado. Havia seus interesses egoístas. Isso ficou bem claro.
E, agora, os interesses egoístas dele condiziam com os meus.
Embora esse momento tenha me parecido um pouco tenso, esta mesma tensão dissolveu-se quase que magicamente quando concordamos em nos ajudar mutuamente em prol deste único objetivo.
E o restante do chá se deu em um silêncio reconfortante e, para mim, muito agradável. Embora minha expressão permanecesse impassível, eu me sentia livre e satisfeita de uma forma que eu nunca havia sequer imaginado antes.
Draco´s POV
Nunca antes o tempo havia passado tão rápido em companhia de alguém.
Ginevra era divertida e inteligente. Alguém com quem eu não me importava nem me esforçava para conversar.
Alguém com quem, pela primeira vez, eu conversei em silêncio.
Demos o nosso chá por encerrado quando Potter entrou no Três Vassouras com seus lacaios, e resolvemos sair para que ele apenas cogitasse o que faríamos, sem saber ao certo.
Caminhamos pelas ruas apinhadas de gente, conversando enquanto horrorizávamos a todos.
Quando o relógio da torre de Hogsmeade bateu às oito horas, resolvi que era hora de irmos ao encontro mensal dos sonserinos.
-Me acompanha?
-Com todo prazer.
Entramos na carruagem, e pedi que o cocheiro nos deixasse em frente ao casarão mal assombrado.
Eu não tinha mais dúvidas de nada. Agora eu queria apenas me divertir um pouco.
Descemos em frente ao grande casarão, e ele parecia tão deserto quanto sempre. Weasley me olhou intrigada, com uma sobrancelha levantada. Me limitei a sorrir.
Nos aproximamos silenciosamente da porta dos fundos. Uma voz conhecida me interrogou:
-Qual é a senha?
-Eu não preciso de senha. Abra logo a porta, Crabbe.
-Draco?
-Não, Dumbledore.
Crabbe abriu a porta com um sorriso que logo apagou, quando notou quem estava ao meu lado.
-Crabbe, esta é a Senhorita Weasley. Ela me acompanhará esta noite.
-Bem vinda, Senhorita. – Cumprimentou.
A verdade é que Crabbe não queria que ela se sentisse bem vinda. Seu olhar era abertamente hostil.
E pela primeira vez vi nas feições da Weasley um olhar de desprezo que muito me agradou. Ela o olhou de cima para baixo, embora ele fosse mais alto, e tudo em seus movimentos denotava que ela era superior a ele.
-Obrigada, Senhor Crabbe.- Weasley retirou o casaco e as luvas, e os entregou a Crabbe. – Tome conta dos meus pertences, por favor.
Sem esperar pela resposta mal-criada que viria, Weasley largou o casaco nas mãos de Crabbe e deu dois passos a frente. Eu já havia tirado meu casaco também, pois lá dentro era sempre muito quente, e me coloquei ao lado dela enquanto prosseguimos.
A verdade é que eu não havia notado o que ela vestia por baixo do casaco. Enquanto adentrávamos no primeiro ambiente, onde todos estavam sentados em volta de mesas redondas servidas com bebidas e aperitivos finos, foi que percebi que havia uma pontada de inveja nos olhares que me lançavam os homens presentes ali. Então resolvi olhar.
Ela usava um vestido de noite negro, que ressaltava a cor creme da sua pele. O vestido era muito elegante, mas a verdade é que eu preferiria que ela usasse algo mais provocativo, pois a gola subia até o pescoço.
Continuamos caminhando lado a lado através das mesas, até que notei Nott e Blaise sentados próximos ao balcão, e resolvi me aproximar.
Coloquei minha mão nas costas da Weasley, para guiá-la sem precisar dizer onde queria ir. Mas no momento em que minha mão se aproximou, senti o choque provocado pela sua pele quente em contato com minha mão gélida. Não pude conter a curiosidade, e me permiti ficar meio passo atrás dela para poder olhar suas costas sem parecer indiscreto.
Não havia decote na frente do vestido, e não seria necessário. Suas costas pálidas estavam inteiramente à mostra, em um decote profundo que ia do pescoço ao cóccix. Pensei, a princípio, que aquilo teria um efeito divertido sobre mim, mas não foi bem assim que aconteceu.
A verdade é que eu fiquei extremamente excitado em ver metade de seu corpo desnudo.
Me custou algum esforço desviar os olhos do seu corpo e cumprimentar meus colegas de casa. Minha mente vagava de volta ao decote de Ginevra a cada poucos segundos. O que não era o enfoque desta noite. Ainda.
-Blaise, Nott...Essa é Ginevra Weasley.
-Boa noite, Weasley.
Blaise sorriu divertido. A verdade é que ele era um espírito infantil e aberto, e para ele pouco importava quem ela era. Importava apenas se ele se divertiria com ela.
-Boa noite, Senhor Zabini.
Nott, entretanto, era um outro caso. Um caso hostil e de respeito difícil de conquistar.
-Então a Senhorita entrou para o clube.- Ele fez um sinal abrangendo todo o ambiente. - Me diga, qual sua grande realização, além de ser ganha em uma aposta?
Weasley sorriu, o maior dos sorrisos sarcásticos, e pegou uma taça de champanhe da bandeja de um dos garçons que passavam por ali antes de responder:
-Tenho uma vaga reservada no Quartel-General dos Aurores, no Ministério da Magia, aos dezesseis anos. Que é mais do que imagino que o Senhor tenha.
Blaise caiu na gargalhada indiscretamente, e dois ou três que ouviram a conversa também sorriram. Nott fechou sua expressão numa carranca rabugenta, mas até eu tive de rir. Depois disso, senti que a noite terminaria de modo muito agradável.
O primeiro salão era composto por mesas redondas dispostas em círculo e pouca iluminação, e sentados ali se encontrava uma grande maioria de homens. Mas eu sabia que, se Potter viesse hoje, ele não permaneceria naquele ambiente, então resolvi prosseguir.
Desta vez, Nott e Blaise nos acompanharam um passo a frente, mas ainda assim coloquei minha mão nas costas de Ginevra, sem outra intenção que não fosse sentir sua pele cálida e macia.
No segundo salão predominavam as mulheres e a iluminação era abundante. O vozerio alto e indistinto era um terror para mim, e eu não toleraria estar ali se não fosse apenas de passagem. Ali, mais do que em qualquer outro lugar, ficou evidente o quanto estávamos movimentando Hogwarts. Quando adentramos o segundo recinto, o vozerio alto e estridente parou momentaneamente, para logo em seguida recomeçar no dobro do volume e entusiasmo.
Tanto Pansy quanto a Chang estavam ali e, para evitá-las, obriguei a Weasley a ir mais depressa.
O terceiro ambiente era uma festa, propriamente dita. Havia música e a bebida era mais abundante. A luz aqui era ainda mais fraca do que no primeiro ambiente, e a maioria dos presentes estava na pista, dançando.
A princípio, nos sentamos os quatro no balcão.
Por incrível que pareça, Nott foi o primeiro a conversar com a Weasley.
-O que achou da festa? A sonserina sempre foi famosa pelas festas.
-Realmente de muito bom gosto.
E, apaziguados, os dois passaram a conversar. Fiquei observando, atento, na realidade, a chegada de Harry –Eca - Potter.
-Você já foi mais exigente, Draco.
Quando me virei, Pansy estava às minhas costas, olhando com despeito para a Weasley.
-Olá, Pansy.
-Sua mãe irá a minha casa amanhã. Minha mãe e ela tem assuntos de muito interesse a discutir.
-Que bom – retruquei, apenas para dizer algo.
-Talvez eu devesse dizer a ela com que tipo de más companhias você vem andando.
Weasley, que prestara atenção desde o início da conversa e mantinha uma expressão divertida, apenas sorriu. Pansy, ao contrário, já vinha falando alto e levantou ainda mais a voz.
-O que foi Weasley? Duvida que eu conte à Narcissa?
-Não duvido, Parkinson. Acho apenas desnecessário que diga que Draco está em má companhia uma vez que a Sra. Malfoy já deve saber que você o segue como um cachorro no cio.
-Ora – Pansy começou a gritar, descontrolada – quem você pensa que é?
-Eu não penso, eu sou. – Weasley sorriu novamente, mas baixou a voz, tentando inutilmente não chamar a atenção. –E sou muito mais do que você vai ser a vida toda.
-Você é muito convencida, Weasley.
-Se dizer a verdade é ser convencida, então sim.
Pansy, que nunca havia dado o braço a torcer, não soube aceitar a derrota e partir.
Tanto pior para ela.
-Olha, weasley – ela recomeçou, colocando na voz todo o ressentimento e sua fúria infantil – você devia saber que o seu lugar não é aqui, entre a alta sociedade.
-Muito pelo contrário, Parkinson, acho que alguém aqui devia ensinar boas maneiras. Ser da "Alta Sociedade" significa ser educado, e temo que você esteja terrivelmente despreparada. Mas você deve ter faltado às aulas de etiqueta. Assim como nunca apareceu às aulas de moda.
-O que quer insinuar, Weasley?
-Não estou insinuando. Estou dizendo. Você devia saber que lantejoulas estão fora de moda ha pelo menos duas décadas.
Depois disso, não havia mais o que pudesse ser dito. Pansy se afastou, batendo os pés como a garota mimada que era.
As pessoas, que haviam parado de dançar, voltaram lentamente às atividades que faziam antes. Todos viram a discussão, embora eu não soubesse se tinham ouvido, pois Ginevra falara realmente baixo.
A julgar pela expressão da Chang, que via tudo de longe e não ousara se aproximar, deduzi que sim, eles haviam ouvido tudo.
Notei, nesse momento, que Potter havia chego, e estava no canto, tentando atrair a atenção sobre si.
Me aproximei da Weasley, mais do que seria necessário, e murmurei:
-Bela vitória.
-Não que tenha sido algo notável.
-Ainda assim.
-Não se preocupe- ela sorriu para mim, e eu retribui. - Eu já o vi.
-Vamos dançar, então.
Tomei um grande gole do firewhisky que o garçom havia me servido, e que eu não havia notado até aquele momento, e depois peguei a weasley pela mão e a conduzi até onde todos estavam dançando.
Ginevra´s POV
Harry e Hermione chagaram no meio de minha pequena contenda com a Parkinson.
Fingi não vê-los, mas tinha uma noção exata de onde estavam.
Eu não queria atrair tanta atenção sobre mim. Mas, pelo que eu vinha percebendo, esta não era uma opção. A verdade é que eu esperava que, vendo Malfoy ao meu lado, as pessoas simplesmente voltassem sua atenção para algo mais. Mesmo fazendo muito pouco tempo desde a aposta ridícula – apenas quatro dias – eu esperava que as pessoas tivessem algo mais interessante para fazer.
Pelo visto não.
Mas, aparentemente, a culpa era minha. Um Malfoy e uma Weasley era algo tão...sobrenatural, que as pessoas não podiam deixar de olhar, como não podiam deixar de olhar para um fantasma antes de gritar.
Harry falava cada vez mais alto, tentando chamar sobre si a atenção que estava sendo dirigida para mim agora. Eu podia sentir seu olhar de ódio irrefreável sobre mim, tentando me carbonizar. Mas ainda assim não lhe dirigi a atenção sequer uma vez, para que ele talvez percebesse sua insignificância.
Quando Draco me convidou para dançar, pensei que talvez não fosse uma boa idéia. Estava tocando Video Games, de uma bruxa que eu adorava, chamada Lana Del Rey, e eu não sabia se o ritmo lento da música seria uma boa idéia. Ele me guinchou até o meio da pista, então me virou para ele e com um único movimento fluído, nossos corpos estavam juntos.
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls
Honey, is that true?
It's better than I ever even knew
Começamos a nos movimentar juntos, no mesmo ritmo, e para mim pareceu que já havíamos dançado juntos outras vezes. Draco apoiou as mãos nas minhas costas, e suas mãos frias arrepiaram a minha pele.
He holds me in his big arms
Drunk and I am seeing stars
This is all I think of
Watching all our friends fall
In and out of Old Paul's
This is my idea of fun
Playing video games
Ele então se aproximou, e nossos rostos estavam tão próximos que eu podia sentir o gosto do firewhisky através de sua respiração.
E, pela primeira vez, notei que Draco Malfoy tinha olhos azuis.
It's you, it's you, it's all for you
Everything I do
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls
Honey, is that true?
It's better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby now you do
Bem, não propriamente azuis, mas cinza, de um tom cinzento que eu nunca antes havia visto. Seus olhos eram como duas placas sólidas de mercúrio. E eu tinha a impressão de que, se continuasse encarando-o nos olhos como fazia, sentiria vertigem e acabaria desfalecendo. Parecia que eu seria sugada por aqueles olhos.
When she was just a girl
She expected the world
But it flew away from her reach
So she ran away in her sleep
Tentei concentrar a minha atenção em outro lugar, como o nariz, ou os lábios. Mas com a proximidade em que estávamos, nem uma nem outra eram boas idéias. Então notei que a música havia mudado.
Life goes on
It gets so heavy
The wheel breaks the butterfly
Every tear, a waterfall
In the night
The stormy night
She closed her eyes
In the night
The stormy night
Away she flied
Eu não percebera que o ritmo era outro. Minhas mãos estavam apoiadas nos ombros dele, e eu nem sequer havia percebido quando fiz isso. Tocavam agora a banda bruxa mais famosa em Hogwarts – Coldplay – e todos estavam na pista.
Still lying underneath the stormy skies
She said oh-oh-oh-oh-oh-oh
I know the sun's set to rise
This could be para-para-paradise
Para-para-paradise
This could be para-para-paradise
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh
Notei que Harry, à minha direita, ensaiava vir ter comigo. Eu não queria ter outra discussão pública. A verdade é que, embora quisesse irritar Harry Potter, eu também estava pagando um preço alto por isso, pois as outras pessoas é que me irritavam com essas discussões ridículas e sua atenção exacerbada.
-Malfoy, Potter virá até aqui falar conosco. Acho melhor irmos.
-De forma alguma. Se formos embora agora, os comentários estarão ainda piores amanhã.
Ele tinha razão, claro. Se alguém percebesse que estávamos evitando, ou fugindo, inventariam estórias inacreditáveis e as espalhariam antes que eu tivesse acordado amanhã. Era melhor ficar.
She dreamed of para-para-paradise
Para-para-paradise
Para-para-paradise
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh
Harry, entretanto, estava mesmo disposto a atrair sobre si todos os olhares. E, como todos os olhares estavam sobre Malfoy e eu, ele se resolveu. Aproximou-se por trás de Draco e, batendo em seu ombro, falou o mais alto que pode:
-Ei, Malfoy, tire as mãos da Ginny.
-Porque eu faria isso? – Malfoy retrucou, virando-se e me mantendo às suas costas.
-Porque não era esse o trato.
-E qual era o trato? Eu nunca disse o que pretendia fazer com Ginevra.
-Mas também não disse que pretendia incomodá-la.
Malfoy se virou para mim com uma expressão quase inocente.
-Estou incomodando você, Ginevra.
-Não.
-Em algum momento eu a forcei a fazer algo.
-Não – respondi novamente- Eu vim porque quis vir.
Malfoy se virou para Harry de novo.
-Viu. Eu não a obriguei a nada. Ela está aqui por vontade própria.
-Eu não acredito em você.
-Como não. Se ela mesma atestou que escolheu estar aqui.
-Você a amaldiçoou!
Desta vez resolvi intervir:
-Não seja ridículo, Harry!
Mas era tarde. Harry tentou acertar um soco em Malfoy e, para minha surpresa, os dois começaram uma luta sem varinha. O que foi bem pior para Harry.
A cada soco que Harry acertava em Malfoy, ele retribuía com três outros, de maior intensidade. Quando Harry achou que iria acertar um soco em cheio no rosto de Malfoy, este se esquivou e o segurou por trás, apertando-o pelo pescoço. Eu mesma havia perdido muito da luta: meus olhos não estavam acostumados aos movimentos rápidos e, quando realmente entendi o que acontecia, e tudo já estava terminado com um olho roxo para Harry.
Zabini e Nott ajudaram Malfoy a se livrar de Potter, e eu permaneci estática, finalmente compreendendo o que eu estava assumindo. Se continuasse com esse teatro, eu conseguiria, sim, irritar Harry, mas as conseqüências seriam tanto maiores para mim. E isso era algo que eu precisava pesar. Se realmente valeria a pena me sacrificar tanto por uma vingança tão sutil e inofensiva.
She dreamed of para-para-paradise
Para-para-paradise
Para-para-paradise
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh
Só percebi que estava me locomovendo quando peguei meu casaco. Malfoy finalmente havia decidido voltar para o castelo. Coloquei meu casaco e entrei na carruagem, enquanto Malfoy se despedia dos amigos.
-Querem uma carona para o Castelo?- o ouvi perguntar.
-Claro que não, né cara! A festa começou agora!
Malfoy embarcou na carruagem, e o cocheiro começou o trajeto a toda velocidade. Ele sorriu para mim.
-Uma noite muito divertida, não?
Me limitei a sorrir. Eu não o entendia – quer dizer que ele também gostava de toda aquela atenção, ou no fim das contas apenas irritar Harry Potter era o suficiente para que ele considerasse o dia proveitoso?
Nos mantivemos em silêncio. A noite estava muito fria - sinal de que o inverno se aproximava. Sob a luz do luar, reparei na palidez extrema do rosto de Malfoy e no brilho suave de sua pele. Era algo que eu não havia notado antes.
When she was just a girl
She expected the world
But it flew away from her reach
And bullets catch in her teeth
Então me pus a pensar se deveria ou não levar a cabo aquela insanidade de uma aliança com Draco Malfoy.
N/A: So Guys...
Então, o que acharam?
Escrevi esse capítulo em uma semana, e estou com medo de que não tenha ficado muito bom... Afinal, não sei se consegui manter o mesmo clima do começo da FIC!
Reviews?
Kisses and see you soon!
Angel.
