Capitulo 4 - O Segredo de Tsuna
Na manhã seguinte, Tsuna desceu as escadas, sendo seguido de perto por Hibari. Ao aperceber-se de que este parecia muito atento a tudo o que fazia, Tsuna decidiu testar a sua teoria e observar as ações da criança.
Tsuna ia ao quarto de banho e Hibari seguia-o, Tsuna ia tomar o pequeno-almoço e Hibari continuava sempre atrás dele, quando se estava a preparar para ir para as aulas, Tsuna constatando que o menino parecia decidido a não abandoná-lo, resolveu perguntar-lhe a razão pela qual o estava a seguir.
― Devo descobrir qual é o teu maior segredo. Só assim poderei lutar com Reborn ― respondeu Hibari com uma expressão muito séria.
Enquanto isso, Reborn falava, melhor dizendo ameaçava Giannini.
― A bazooka tem de estar consertada no prazo de um mês.
― Mas isso é praticamente impossível! ― Choramingava Giannini.
― Ou arranjas a gerigonça da vaca, no prazo de um mês, ou passas um mês nos cuidados intensivos por cada dia que utilizares para além do prazo que estabeleci ― disse Reborn com um sorriso arrepiante, que te gelava o sangue à mera visão do mesmo.
― Farei o meu melhor ― Giannini falou atropeladamente, correndo pela sua vida.
Sem imaginar a casa de horrores que fora o seu quarto por breves instantes, Tsuna saiu para ir para a escola, ainda que não obtendo sucesso em conseguir que Hibari o abandonasse. No entanto, a meio do caminho deu pela falta do morenito e regressou atrás, vendo-o apoiado numa parede a poucos passos de onde ele mesmo se encontrava.
Hibari ofegava, tentando arduamente pacificar a sua respiração. Sendo ele uma criança, as suas pernas eram mais curtas e como tal, também os seus passos, pelo que tinha estado a correr quase o caminho todo, tentando em vão alcançar Tsuna e agora estava extremamente cansado.
Tsuna chegou por fim à escola, com a criança ao colo, sendo de seguida abordado pela Décima Geração, bem como por algumas meninas.
Hibari avaliava atentamente tudo o que passava à sua volta, mais propriamente o que passava a Tsuna, na esperança de poder averiguar o segredo deste. Dessa forma, pôde constatar que Tsuna parecia gostar de uma menina de cabelos e olhos de mel chamada Kyoko, mas ainda assim, isso não parecia ser um segredo.
O tempo foi passando e a aula de Educação Física chegou, qual sentença de execução para Tsuna.
Tendo de trocar de roupas, a Décima Geração deixou Hibari sozinho e Tsuna acabou por se esquecer que devia ter cuidado com o menino ou este poderia averiguar algo verdadeiramente vergonhoso para ele.
Ao estarem distraídos, os adolescentes não se aperceberam de uma cabecita a espreitar por uma esquina durante o decorrer da aula, fazendo possível para Hibari presenciar o que ele pensava ser um grande segredo.
Já em casa, Hibari muito orgulho, virou-se para Reborn e afirmou que havia descoberto o segredo de Tsuna. A Décima Geração prestou atenção e Tsuna entrou em pânico.
Reborn disse, então, que esta era uma atividade que visava aproximar os guardiões e fazê-los conhecer-se melhor, pelo que iria chamar os membros em falta e assim poder apresentá-los a Hibari.
Passada meia-hora de tortura para o pobre Tsuna, os Guardiões em falta foram chegando um a um. Primeiro Ryohei, seguido por Chrome e Mukuro, escoltados por Ken e Chikusa. Reborn fez as devidas introduções e finalizou dizendo a Hibari que podia contar o que havia descoberto.
O menino sentou-se com as costas retas e inspirou fundo.
― Tsuna tem um fe… feti… fetite com roupa interior ― afirmou com dificuldade em pronunciar corretamente, mas com um olhar de seriedade.
Mukuro tentou manter-se sério, mas não conseguindo conter mais gargalhadas, segurava fortemente o estômago, perante a dor aguda que o esforço de tanto rir lhe causara.
Yamamoto acompanhava as gargalhadas de Mukuro.
Tsuna colapsou do choque e da gigantesca vergonha que sentia nesse momento.
― Fetiche com roupa interior… não esperava essa. Simplesmente genial. Esse fedelho é demais ― concluiu Mukuro para confusão de Hibari.
Gokudera nem se apercebia do que passava à sua volta, tal era a sua concentração, enquanto tentava averiguar se seria realmente verdade e o Décimo padecia de um fetiche com roupa íntima.
― Kyoya-chan, onde é que ouviste essa palavra? ― questionou Yamamoto após acalmar-se um pouco.
― O meu papá levou-me uma vez com ele para o trabalho e começou a falar com o doutor Sakamoto sobre um dos seus pacientes, que tinha o hábito de estar só de roupa interior, sem mais nada em cima. Até mesmo quando andava pelos corredores do Hospital ou ia à receção. E Sakamoto-sensei disse que seguramente sofria de um fetiche por roupas íntimas. ― Hibari olhava atentamente para os adolescentes, tentando averiguar porque se havia criado uma atmosfera tão pesada na sala da Residência Sawada.
Reborn querendo envergonhar ainda mais o seu pupilo que recém despertava, perguntou a Hibari qual era razão pela qual pensava que Tsuna tinha esse tipo de fetiche.
― Tsuna estava na aula de Educação Física, quando de repente ardeu em chamas e ficou só de boxers… ― Tsuna conteve a respiração e recordou o momento que Reborn lhe dera com uma bala da Chama da Última Vontade. ― E depois começou a correr pela escola só com os boxers postos e a gritar que devia unir-se à equipa de rai… rug, aquele jogo onde usam uma bola e os jogadores se apalpam uns aos outros.
― Apalpam uns aos outros? ― perguntou Chrome traumatizada.
― Quem te disse isso, Kyo-chan? ― perguntou a mãe de Tsuna entrando na sala.
― A minha mamã diz que o ru…
― Rugby?
― Isso, é um jogo onde homens que se acham machos correm como meninas atrás de uma bola e aproveitam cada instante para se apalparem uns aos outros.
― A tua mamã sabe que tu ouviste isso?
Hibari negou com a cabeça e disse que o seu pai o tinha feito prometer que a sua mamã nunca descobriria que ele a tinha escutado dizer esse tipo de coisas.
Reborn, ainda tentando conter o riso, aceitou a descoberta de Hibari, como sendo o maior segredo de Sawada Tsunayoshi.
