Capítulo 3

A mais doce de todas as criaturas

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só um aviso. o texto beta do cap anterior já está on line. se preferir, releia-o para prosseguir. Obrigada.

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O jantar estava sendo um tanto desconfortável para o jovem Mansen naquela noite.

O rapaz comia constrangido e empertigado ao notar que seu acompanhante o encarava curiosamente a cada movimento que fazia.

Carlisle apenas ignorava o desconforto do rapaz continuando a observa-lo.

Edward lhe parecia cada vez mais próximo de deixar o menino que era para trás e, ao mesmo tempo que isso deixava o médico estranhamente orgulhoso, também o deprimia muito. Passava em sua cabeça, por mil vezes e mais uma, como seria dali a alguns dias quando tivesse de dar a triste notícia ao menino. Perguntava-se quais seriam suas reações e como lidaria com o fato de que jamais veria sua mãe novamente.

Sentia necessidade de alerta-lo e prepara-lo para o que viria, mas como ir contra aquela mãe que de tudo fazia para poupar-lhe a vida toda? Como trair sua confiança mesmo que em benefício do rapaz?

Pelo pouco que avaliara de Edward até então, provavelmente o garoto acabaria mudando-se para o hospital para velar sua querida mãe e assim todo o esforço que ele fazia até então junto com a Srta seriam em vão. Tudo que haviam feito para mantê-lo alheio ao inevitável seria desperdiçado e tornar-se-ia sem sentido

.

Por outro lado, Edward provavelmente jamais o perdoaria se não lhe deixasse a par da real situação de sua mãe...o que fazer então ?

-tão pensativo hoje doutor... algo lhe incomoda?

Perdido em seus pensamentos, levou algum tempo para absorver as palavras do jovem e então formular alguma resposta convincente.

- Já disse-lhe para chamar-me pelo nome, Edward. Somos amigos, não? – respondeu por fim atendo-se a chamar-lhe a atenção para assuntos mais amenos. Não podia ser sincero com o garoto nesse momento.

-Perdão, Carlisle - o jovem de pronto corrigiu-se – mas diga-me: o que lhe incomoda? Algo em que possa ajudar?

Deus! O garoto era insistente! Tinha de achar algum jeito de sair desta situação.

- Nada me incomoda Edward, -começou ainda pensativo- pelo contrário...

- Não entendo o que quer dizer Carlisle...

- Ora Edward... você não é um pouco jovem para preocupar-se assim com o que me passa pela cabeça?

O jovem apenas o olhou constrangido por alguns instantes concentrando-se em levar uma nova garfada à boca e aguardou até que o doutor continuasse. Para sua surpresa um sorriso tímido lhe encarou através da mesa emoldurado pelos finos lábios do doutor.

- Edward, você se preocupa demais para alguém da sua idade. – percebendo a discreta repreensão do jovem à sua constatação ele apenas prosseguiu. – Apenas estava pensado o quanto é bom te-lo por perto mesmo nessas circunstâncias. Veja, eu sempre estive sozinho sem qualquer pessoa por perto, e conviver com você é muito agradável... -divagou- acho que só estou pensando em como ficarei triste quando você não quiser mais permanecer aqui comigo. Talvez seja apenas eu ficando velho e querendo a companhia de outras pessoas por perto... É, será realmente estranho ficar sozinho novamente.

Se tinha algo que sabia, era que o rapaz à sua frente se sensibilizaria com este discurso o suficiente para encerrar esta conversa, contudo, não podia deixar de perguntar-se até que ponto isso realmente era verdade ou não.

Os dois aguardaram silenciosos enquanto a empregada recolhia a louça. Em seguida , educadamente os dois se retiraram e direcionaram-se para a sala de estar.

Carlisle teve a delicadeza de acender a lareira para Edward. Fazia muito frio. Isto havia se tornado um hábito nas últimas noites. Era comum e compreensível o jovem retornar abatido e melancólico de sua visita ao hospital. Em seu entender, talvez o rapaz já estivesse se dando conta de sua nova realidade, por isso agia assim.

A visão do que era Edward nesse momento, é claro, não lembrava nem de longe o menino que lhe pedira socorro há alguns dias em sua casa. Estava mais alimentado e as feridas provocadas pelo frio já estavam quase cicatrizadas . Em contrapartida, o rapaz não tinha mais o mesmo brilho infantil e esperançoso nos olhos e, mesmo quando concentrado, a fragilidade era evidente no rapaz. A sensação que tinha era a de que Edward estava chegando ao seu limite, mas que ainda assim mantinha-se firme mesmo que seu corpo denunciasse o contrário.

-você não pode ficar assim sempre que visita sua mãe Edward – começou apenas para tentar preencher um pouco do vazio silencioso que se apossava dos dois – Estou certo de que não é do agrado dela que você permaneça desse jeito.

-Você sempre cuidou muito de nós, não é Carlisle? – o jovem apenas o seguiu.

- Edward... sempre tive grande apreço pela sua mãe e por sua família. Mesmo que não fosse a pedido dela, aqui eu estaria pronto para cuidar de você se fosse necessário.

- E agora? faz-se necessário? - o jovem com a voz discretamente embargada perguntou firme.

O jovem loiro levantou-se da poltrona em que estava e devagar aproximou-se do rapaz que o olhava . A fragilidade de Edward era ainda mais evidente sob essas circunstâncias. A voz rouca do monstro em sua mente era devidamente ignorada enquanto aproximava-se perigosamente do rapaz. Ouvia o coração acelerado do rapaz e agradecia por ter tido a sanidade de ter ido caçar naquela manhã, caso contrário não seria capaz de confortar o jovem nesse momento.

Mesmo saciado, o veneno lhe subia à boca ao aproximar-se de Edward tão frágil e indefeso à sua frente.

Respirou fundo e lentamente permitindo que toda a essência humana do rapaz adentrasse em seus pulmões e com uma mão delicadamente em seu ombro prosseguiu buscando os seus olhos úmidos e temerosos:

- Não fique assim criança. Tudo que estiver ao meu alcance será feito para que logo você se reúna novamente com sua mãe.

Duas lágrimas rolaram solitárias pelo rosto alvo do rapaz que só então permitiu-se ser envolvido no abraço suave e gélido que lhe oferecia.

Ali, de pé ante a lareira os dois permaneceram um longo período.

Edward silenciosamente chorando de encontro ao seu peito enquanto afagava-lhe os cabelos eternamente rebeldes e ruivos sentindo mais uma suave nuance de inocência do rapaz escorrendo-lhe por aquele abraço.

Agora a melancolia de Edward também abatia-se sobre ele, e só o que podiam fazer era confortar um ao outro na esperança de que ela, uma hora, os deixasse.

O garoto foi vencido aos poucos pelo cansaço e ali mesmo, envolvido pelo abraço que ainda lhe envolvia quando sentaram-se no chão, adormeceu.

Levando-o no colo, através das escadas e do longo corredor até o quarto do rapaz, Carlisle o pôs suavemente entre os lençóis para que então repousasse.

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Mesmo que fosse capaz de dormir como um humano, tinha certeza de que não poderia pregar o olho aquela noite. A noite toda de produção havia sido perdida enquanto ele reavaliava o que podia ser feito em relação ao rapaz.

Todas as possibilidades iam e vinham de sua mente enquanto observava, imóvel, o rapaz dormindo profundamente.

A essência humana de Edward ainda queimava em suas narinas e sentia aos poucos o calor do corpo do rapaz deixando seus braços através da noite.

A verdade era que ele se sentia bem em ter o rapaz sob seus cuidados. Estar perto de um humano frágil, doce e inocente como Edward inspiraria os cuidados de qualquer um a sua volta, mesmo um vampiro.

Um calafrio rompeu-lhe a espinha ao dar-se conta de que por mais tempo que fosse, Edward uma hora não estaria mais ali a acompanha-lo. Fato triste que o acompanharia através da eternidade era que todas as pessoas que conheceria e por quem teria apreço, logo o deixariam tornando-se apenas vultos de fantasmas assombrando-o até o fim dos tempos.

"Sozinho para todo sempre..." –a voz do monstro e a sua mente concordavam numa só voz afinal.-

A luz da manhã começava a entrar pelo quarto, mas a sua concentração só foi quebrada quando o espreguiçar felino de Edward revirando-se na cama o interrompeu. Os cristais refletiam pequenos arco-íris no rosto do rapaz que, irritado, se revirava buscando o sono perturbado.

Retirando-se então, permitiu que o jovem descansasse um pouco mais... o dia seria cheio quando acordasse.

Caminhando pelo vazio da casa durante a manhã, Carlisle deixava-se levar pelo rufar constante em seus ouvidos. Não prestava atenção às empregadas, apenas Edward requeria sua atenção. A respiração acelerava discretamente a medida que os rangidos da cama aumentavam aos poucos enquanto o rapaz se revirava.

Não demorou a escapar-lhe um sorriso ao constatar a semelhança entre Edward e um filhotinho de gato acordando pela manhã. A fragilidade do corpo esguio que revirava-se e estalava a medida que espreguiçava-se, o rufar sempre constante do coraçãozinho que batia calmo e tranqüilo pela manha, o farfalhar das cobertas a medida que se aninhava ainda mais recusando o dia que o convidava a despertar.

Ouvia com clareza enquanto o rapaz espreguiçava-se novamente revirando os cabelos fazendo-os arrepiar. A vontade de subir e aninha-lo até que voltasse a repousar conflitava diretamente com as funções que desempenhariam ao longo do dia mas enfim, Edward já estava acordado e assim o café começou a ser preparado e aos poucos colocado sobre a mesa para aguardar o jovem que já começava a se arrumar no andar de cima.

Mais alguns instantes se passaram até que os passos tímidos começaram a descer pelas escadarias. Passo a passo, o garoto se aproximava da sala para o desjejum. Estranhamente, os passos cessaram próximo à entrada do cômodo. O reflexo na cristaleira mostrava um menino confuso e tenso do outro lado da coluna. Aguardou educadamente até que ele por fim viesse ao seu encontro.

Olhando para o chão sem desvios, o garoto o cumprimentou e então sentaram-se para o café.

Um pesado silêncio abatia-se sobre eles enquanto somente Edward comia o pequeno banquete que havia sido preparado para ele. Carlisle apenas o observava aguardando enquanto o analisava.

-Doutor Cullen... –por fim o garoto começou levantando-se e dirigindo-se até ele-

-Carlisle . –corrigiu-o novamente-

-Doutor... –o tom na voz do jovem deixava claro que neste momento não corrigiria suas palavras- por favor aceite minhas desculpas sobre meu comportamento de ontem a noite e pelo trabalho que venho causando ao senhor desde que vim para cá.

- Edward, não se preocupe com isto...

- Por favor doutor. Peço formalmente que aceite minhas desculpas e lhe asseguro que isto não mais voltará a acontecer. A partir de hoje estou retornando à minha casa e lhe agradeço por tudo que o senhor fez por mim e minha família.

O som gélido e formal das palavras de Edward o confundia e atordoava.

Da onde vinha aquilo tudo? O que havia mudado durante a noite que o fizesse agir desta forma? Ainda ontem não conversavam sobre como era bom para ele ter Edward sempre por perto? O que havia de diferente ? e tudo que havia eito até então? Ele havia descoberto o que lhe escondia??

- E-Edward! O que houve? Não tem que ir... achei que gostasse de estar aqui e...

-Por favor doutor! Eu só...

- Edward, tenha calma... vamos pensar um pouco sobre isso. Se ainda quiser, ao final do dia conversamos melhor e se for essa realmente sua decisão, eu mesmo o ajudo a retornar para sua casa está bem ? –Carlisle disse por fim tentando acalmar-se um pouco-

Em sua mente o monstro rosava-lhe impropérios e reclamações, mas precisava ignorá-lo se quisesse manter essa conversa longe da decisão de Edward em partir.

Ainda desconcertado, ele levantou ficando de pé em frente ao garoto que fazia de tudo para evitar seu olhar.

-Edward... - a mão voltou a repousar-lhe sobre o ombro esguio tentando dissuadi-lo.

O garoto que fazia de tudo para conter-se, o encarou inocente e dócil mais uma vez. A respiração levemente entrecortada e coração discretamente acelerado eram as únicas coisas que entregavam seu estado real.

Em silêncio o rapaz apenas deixou que continuasse:

- Não sei o que o levou a esta decisão. Mas asseguro-lhe que ter você aqui comigo é uma das melhores coisas que já vivi e gostaria muito que isso perdurasse. Tenho você com grade apreço Edward e faço muito gosto de que você continue comigo nesta casa se este for o seu desejo.

O garoto o encarava confuso. Mesmo contra sua própria vontade, Carlisle desvencilhou-se dele para dar-lhe algum espaço para pensar e refletir. Em seu peito, as palavras de Edward ainda refletiam e ecoavam no vazio que havia dentro de si nesse momento.

-sobre isto, conversamos novamente à noite, certo? –forçou-lhe um delicado sorriso. Tendo o silêncio como resposta prosseguiu. - Vamos. Vá aprontar-se que estamos na hora de ir ao hospital, certo? Quando estiver pronto, me chame que estarei aguardando.

E então o médico educadamente retirou-se acenando à governanta que retirasse a mesa do café.

Em seu quarto, ouviu atentamente os passos leves do rapaz dirigindo-se vagarosamente até o quarto ao lado para aprontar-se.

Em seu peito, a dor e a tristeza pelas palavras do menino ainda lhe cortavam e a agonia apenas aumentou ao perceber o choro contido do menino que soluçava sobre a cama ao outro lado da parede. Precisou conter o impulso de correr até ele e exigir que lhe participasse sobre o que acontecia.

Aguardou silencioso e irrequieto até que o menino lhe batesse à porta para direcionarem-se ao hospital.

Fazia muito frio naquela manhã. E apenas alguns poucos raios de sol conseguiam transpor as nuvens invernais espessas e carregadas. Um silencio constrangedor estava entre os dois e continuou até a chegada ao hospital.

Edward, é claro, dirigiu-se rapidamente ao leito de sua mãe. Fora ele, apenas mais algumas pessoas visitavam seus parentes. Todos eram tementes à doença e os pacientes assim, permaneciam jogados e sempre solitários nas salas de visita.

Recostado à cabine da enfermagem, o doutor escrevia anotações nos prontuários e atentamente escutava a conversa entre mãe e filho:

-mas meu querido... você está tão abatido... o que há com você"

- nada mãe... só uma dor-de-cabeça. Nada de mais.

- você está comportando-se na casa do doutor não está Edward?

-Claro mamãe... é só...

- oh querido... o que há com você... diga?

- na verdade mãe, estou pensando em voltar pra casa...

-Edward! –a mãe o repreendia mesmo em seu estado- Você não está incomodando o doutor não é ?

-não mãe... não é nada disso! Eu só... sei lá. Estou preocupado em ficar lá esse tempo todo. Sinto que sou um trabalho a mais para Carlisle e isso me incomoda muito!

-Edward! Onde estão os seus modos menino! Ele é um MÉDICO. Não o trate pelo nome! Será que não aprendeu nada do que lhe ensinei!?

-mas mãe... é o doutor quem...

-SEM MAIS MENINO! O que o doutor vai pensar? Que eu não o criei como devia, não é? Edward filho... seja bonzinho sim. Fique com o doutor enquanto eu estou aqui... ele sempre cuidou muito de nós e me deixa mais tranqüila saber que alguém bom como ele está olhando por você, sim ?

-certo mãe... farei como desejar...

.

.

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-mas me diga mãe... como se sente hoje? Bem melhor pelo visto! Já está até me dando sermões!- os dois riram-se um pouco –

-meu querido... eu já não sinto mais dor, mas estou muito cansada o dia todo...

-tenha calma mãe...logo isso vai passar. O doutor e eu estamos trabalhando muito para ajudar você e aos outros e além disso toda a equipe do hospital tem ordens para cuidar especialmente de você. Tenha calma, certo? Preocupe-se apenas em melhorara a cada dia.

A conversa então foi interrompida por uma série de tosses profundas e sonoras da jovem Srtª. De imediato Carlisle aproximou-se com os exames em mãos.

De pronto, Edward retirou-se, ainda preocupado, para o corredor. Assim que não havia mais sinais do rapaz e a tosse cessou, o médico então pô-se a falar sobre os exames.

Carlisle participou a Srtª de sua situação. A doença se agravara e agora uma pneumonia extensa tomava grande parte dos pulmões o que provocava o cansaço. Carlisle sabia pelos exames que a mãe mais uma vez mentira ao filho. Era fato de que sentia muitas dores ao longo do dia e que isto a deixava ainda mais debilitada.

A Srtª assim como o filho, inspirava todos os cuidados. Se Edward lhe parecia frágil, a jovem lhe parecia ainda mais com as feições fundas e o corpo franzido e pequeno deitado ao leito de repouso. Já não havia mais o que fazer quanto à jovem. Estava-lhe apenas preparar o garoto para o que estava por vir. Talvez aquela noite ela já tivesse partido... não demoraria mais agora.

-...e quanto ao rapaz senhorita? Não posso dizer-lhe a esta altura que a senhorita ficará bem, por mais que esse seja o meu desejo.

-Doutor, o senhor é uma pessoa iluminada. É o meu desejo que meu filho continue com o senhor mesmo quando eu me for...entenda que eu não confiaria meu menino a mais ninguém doutor, peço que me perdoe por isto.

-não se desculpe Srtª. Edward é um bom menino e me agrada muito a companhia dele. Sei que jamais poderei ser para ele o que a Srtª é, mas farei todo o possível.

-muito obrigada Doutor por tudo... quanto ao meu filho Doutor, não quero mais que ele venha até aqui me acompanhar. Temo pela saúde dele se ficar aqui e não quero que a última imagem que ele tenha de mim seja esta.

-temo que Edward não aceitaria isto Srtª., mesmo sendo este o seu desejo.

-Ainda sou a mãe dele. O meu desejo será acatado por meu filho.

-como a Srtª preferir, Srtª Mansen.

- Muito brigada Doutor Cullen. Agora traga meu filho aqui para que eu o abrace uma última vez.

Com lágrimas nos olhos, o Doutor despediu-se da Srtª. Seu coração doía por saber o que se seguiria com o rapaz. Edward ficaria arrasado. Inconsolá sua cabeça perguntava-se o que seria daquele menino frágil que esperava ansioso a melhora de sua mãe nos corredores daquele hospital.

Com passos lentos e firmes ele chegaria até ele para convidá-lo a ouvir a pior sentença de sua vida. Seria seu carrasco, e à pedido da Srtª em seu leito mórbido, seria, ainda assim, seu amigo e companheiro por toda sua vida mortal.

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Os dois chegaram em silêncio à casa que hoje tinha um ar pesado e sombrio sobre ela. Edward não chorava realmente, mas as lágrimas apenas desciam dos olhos vermelhos e inchados em silêncio por todo o percurso de volta. Edward agora era o puro retrato do vazio e da desolação inconsolável.

Calmamente ao entrar, Carlisle dispensou as empregadas de preparar o jantar e preparou uma solução calmante para o menino.

Quase uma hora se passou sem que os dois dissessem uma só palavra. Próximo à lareira a morbidez de Edward daria calafrios em qualquer um. A luz crepitando em sua pele normalmente branca e lívida tilintando na umidade de seus olhos fundos e inchados, era a própria personificação de um moribundo e não estava em seu poder privá-lo deste sentimento.

Seus olhos já não conseguiam mais produzir lágrimas quando a voz rouca e embargada ressoou em todo o ambiente chamando-lhe a atenção:

- foi um pedido dela não foi ? –disse-lhe em um tom vazio e constante-

-Como? –respondeu sem entender ao que o jovem se referia-

-foi ela quem lhe pediu para me esconder tudo isto, não foi Carlisle?

-sim.

-E você? Também achava que eu não deveria saber de nada Carlisle?

-não Edward. Mas não poderia ir de contra a vontade da Srtª.

Um longo e pesado silêncio se seguiu então.o garoto digeria todas as informações daquele dia e o vampiro permanecia imóvel aguardando sua posição.

-Edward, como prometi, estou disposto a conversar com você sobre nosso assunto de mais cedo. Só quero que saiba que não é apenas pelo desejo de sua mãe que estou disposto a mantê-lo aqui. Mesmo sem o pedido dela, eu estaria aqui para cuidar de você se achasse necessário. Não sei se ela lhe disse isso, mas hoje , mais uma vez ela me pediu para que cuidasse pessoalmente de você depois que...

-eu sei doutor. –interrompeu-o- eu sei e lhe sou grato por isso. Sendo este o desejo dela, farei como ela me pediu enquanto for do seu agrado que e permaneça aqui.

Levantando-se do sofá de couro, Carlisle caminhou até o jovem parando próximo às costas dele .

-Fique o tempo que desejar Edward. O tempo que desejar.

O garoto, então, encolheu os ombros como faria uma criança. As lágrima e o choro o tomavam por completo enquanto soluçava forçando-se a permanecer de pé.

O médico o abraçou ternamente enquanto o consolava. Edward novamente adormeceu em seus braços agarrado ao seu jaleco encharcado pelas lágrimas que gradualmente cessavam. Dentre os soluços e seus primeiros momentos de sono o jovem doutor podia ouvir os sussurros agoniados e ansiosos do menino que se debatia:

-não vá...não me deixe sozinho...fique comigo...

O doutor apenas respondeu em um discreto sussurro em seus ouvidos:

-Você não está sozinho Edward. Você nunca ficará sozinho. Eu estou aqui com você.

Aos poucos as lágrimas e os gemidos pararam.

Ao colocá-lo na cama, o menino agarrado em sua roupa e abraçado à ele não o deixava ir embora.

Carlisle então se deitou ao lado do rapaz afagando-lhe as mechas ruivas acalmando-o em seu sono.

Agarrado à ele, Edward dormiu por toda a noite abrindo os olhos de vez em quando durante o sono e ao constatar que ele ainda permanecia lá, o garoto apenas voltava a fechar os olhos caindo novamente adormecido.

Carlisle podia sentir o coração assustado batendo o contra seu corpo. A respiração do menino lhe fazia cócegas ao pescoço. Mesmo sem ser capaz de dormir, fechou seus olhos azuis e permitiu-se concentrar-se no que sentia agora. Um misto de carinho e dedicação para com o menino que dormia em seus braços. Edward era quente e vivo! Esperava que mesmo com tudo isso o garoto pudesse encontrar forças seguir adiante e rogava a Deus para que ele encontrasse esta força logo.

Era tudo o que desejava.

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Pela manhã, o garoto ainda dormia aninhado sem seus braços quando despertou. Perplexo e acanhado o encarou por alguns segundos como que testando para ver se realmente aquilo era parte do sonho que deixara para trás.

Ao perceber a movimentação do jovem o médico vagarosamente também abriu os olhos como estivesse acordando também e virando-se para abraça-lo delicadamente.

Edward se aninhou de tal forma que quase voltou a dormir novamente. Carlisle sabia que aquilo era apenas o seu processo normal de acordar e não deixou de escapar um sorriso furtivo ao constatar que aquele pequeno felino começava a despertar afinal.

O felino em seus braços, ainda se virou algumas vezes e para fugir da claridade até que, com um espreguiçar completo, respirou fundo e apoiou-se sobre os cotovelos encarando-o.

Carlisle ainda lhe fazia um suave cafuné olhando-o ternamente e como o garoto permanecia em silêncio resolveu testa-lo para ver como estava.

-bom dia Edward. –disse num tom de voz tranqüilo e terno.

O garoto precisou piscar algumas vezes e esfregar os olhos antes de responder. Ainda não parecia acreditar que havia passado toda a noite ali com ele ao seu lado.

-bo-bom dia Carlisle... você...você passou toda a noite aqui comigo? –perguntou ainda sonolento-

-não. Não a noite toda. Só quando eu te trouxe pra cá e você não me deixou ir.

-e-eu o que? Er... me –me desculpe por isso. Eu...

-Shh... tudo bem criança. Mesmo sem você me prender eu teria ficado aqui com você.

Carlisle não deixou de notar o rubor na face do menino que se espreguiçava mais uma vez acomodando-se novamente entre os lençóis.

-obrigado por isso Carlisle.

O médico apenas sorriu-lhe de forma carinhosa depositando um beijo terno em sua testa.

-Está tudo bem. Não se preocupe com isto...Você está bem agora Edward?

O garoto apenas refletiu por alguns instantes antes de responder.

-se eu estou bem? Não. Não estou. Mas graças a você, me sinto melhor. Obrigado por isso também. –e então o rapaz lhe deu um sorriso tímido e lindamente sincero/melancólico –

Inesperadamente menino o abraçou novamente afundando o rosto contra o seu pescoço. O toque inusitado arrepiou o vampiro que não se moveu. Carlisle podia sentir, como durante a noite, a respiração delicada do menino próximo à sua orelha.

Estranhamente, o vulto em sua mente permanecia quieto e apaziguado. Isso o acalmava o suficiente para permitir-se continuar ali.

Escondido em seu pescoço o menino levou uma das mãos aos seus cabelos retribuindo-lhe o carinho enlaçando uma das mechas douradas entre os dedos finos. Carlisle pôde senti-lo respirar profundamente quando disse:

-poderíamos esquecer o que eu disse ontem? Queria ficar aqui com você... se ainda quiser.

- claro Edward. Fico feliz que tenha mudado de idéia.

Acanhado Edward se levantou vagarosamente de volta sobre os cotovelos.

- Sabe? Fico feliz que finalmente tenha te visto dormir. Por alguns dias comecei a pensar que você nunca fazia isso. – disse um tanto divertido se levantando da cama. Apenas um grunhido de desânimo veio quando deixou por fim, o calor das colchas e lençóis que o envolviam. Fora isso, o garoto estava estranhamente bem. – será que hoje vou ver você comer alguma coisa também ? –riu-se divertido, mas com a mesma melancolia na voz doce. Edward olhou para Carlisle esperando alguma resposta e antes que se desapontasse com o silêncio completou: - é... acho que não. –espreguiçando-se novamente com os braços arqueados, dirigiu-se à cômoda de roupas e apanhou algumas. Em seguida caminhou até o banheiro para trocar-se.-

Rapidamente Carlisle foi até seu próprio quarto, tomou seu banho e trocou-se também. Ao voltar , encontrou um Edward confuso e atordoado vendo-o em instantes pronto para um novo dia.

-quanto tempo e fiquei lá dentro?-o menino perguntou curioso-

- só o suficiente. – brincou o loiro.

-desculpe, ... Nunca funcionei muito bem pela manhã, eu acho. Ela sempre me dizia que isso não tinha vindo dela. Minha mãe sempre foi muito ativa. Adorava o sol da manhã e sempre brigou muito comigo por eu não aproveita-lo como devia. – divagou novamente, mas para sua surpresa o vazio não voltou a se apossar do rapaz. -

-Vamos Edward, você deve estar com fome. Não comeu nada desde ontem de manhã.

-Não tenho fome Carlisle. Desculpe-me.

- Não pode ficar sem comer nada Edward...

-só estou um pouco enjoado. Minha cabeça ainda dói um pouco por ontem... não sei...

-tudo bem então. –Carlisle olhou rapidamente para o céu lá fora. Mais nuvens pesadas juntavam-se filtrando o sol da manhã.- Por que não seguimos o conselho da srtª e aproveitamos um pouco esta manhã então? – o rapaz o olhou curioso até que prosseguisse. - diga Edward, eu já te levei para passear nas redondezas da propriedade? Há um belo jardim atrás da casa que margeia o bosque. Há um riacho também. – percebendo a melancolia voltar à face do menino ele rapidamente completou- ou... podemos nos enfurnar de volta ao laboratório e mofar junto com os cultivos –sorriu-lhe divertido.-

-Acho que vou ficar com o mofo hoje Carlisle... se importa?

- de forma alguma .

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O dia passou estranho.

Para a preocupação de Carlisle, Edward não havia comido mais do que uma maçã.

Apesar de não estar amuado como na noite anterior, Edward também estava diferente. Era difícil de explicar, mas estava tudo muito estranho. Provavelmente após algum tempo ele estaria bem de novo, afinal ele estava perdendo a mãe e ela nem o queria por perto.

Ao passo que ele agradecia a Deus por aparentemente responder as suas preces, ele se preocupava cada vez mais com a fragilidade interna do garoto.

Por outro lado, era claro que Edward já havia percebido seus joguetes e sabia que havia algo de estranho com ele. Não sabia até onde isso assustava o garoto ou o aproximava mais de si. O silêncio em sua mente também o perturbava muito. Nunca o monstro havia ficado tão recluso. Teria ele finalmente vencido a batalha após todos esses anos?

Não dava pra dizer que aquele era o melhor dia que passara com o garoto, mas de fato Edward nunca havia falado tanto em todos esses dias em sua casa. O saudosismo de sua mãe, ajudava muito já que quase todas as suas frases eram seguidas de lembranças carinhosas do tempo em que passaram juntos.

De qualquer forma, não demoraria agora para que ela partisse. A qualquer momento a notícia chegaria. Era só uma questão de tempo. Restava somente a questão de como preparar o garoto para a notícia. Já havia sido difícil na noite anterior para ele absorver a informações de eles se separariam em definitivo, mas efetivamente saber que ela não estava mais lá, seria ainda mais complicado.

Quando tentou conversar com o garoto sobre isso num momento em que lhe pareceu oportuno, Edward apenas respondeu que sua mãe o havia preparado para sua partida e que uma vez que ele sabia a verdade e que nada mais podia ser feito por ela, tudo que ele podia fazer era seguir o seu desejo e tentar, de algum jeito, sentir-se melhor pelo sofrimento dela estar no fim. Questionado sobre como ele reagiria ao saber da passagem dela, ele apenas respondeu que a Srtª sabia muito bem o que era melhor para ele e que se preferiu mantê-lo afastado, era isso que faria pela tranqüilidade dela.

Durante esta conversa, Edward lhe pareceu um tanto mais maduro do que na noite anterior. Aquela pontada de tristeza caiu novamente sobre ele ao dar-se contava mais uma vez de que aquele Edward da noite anterior estava cada vez mais distante e que agora dava , aos poucos, lugar à um homem mais sério e decidido.

Mal a criança havia dado lugar ao adulto e Carlisle já sentia falta dos olhos arredondados e da figura frágil que lhe inspirava cuidados. Queria chegar até ele e abraça-lo, torna-lo criança novamente e acarinha-lo por toda a eternidade se fosse possível. Sim... ele não queria mais deixar que o garoto partisse mesmo que fosse o desejo dele.

Com a noite, a melancolia voltou. Edward calou-se novamente e apenas olhava o crepitar das chamas da lareira pensativo. Logo os dois se recolheram.

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Naquela noite, o médico ouvia o garoto se revirar entre os lençóis irrequieto. O ressonar tranqüilo e usual custava a aparecer. Demorou algumas horas até que a madrugada lhe trouxesse os passos tímidos ao corredor em direção à sua porta.

Rapidamente deitou-se sobre a cama aguardando até que os dedos finos abriram silenciosamente a maçaneta e o corpo se esgueirou pela fresta para dentro do quarto.

Sem que o garoto percebesse, Carlisle pôde vislumbrar a silhueta de cabelos arrepiados que trazia consigo uma colcha e um travesseiro em uma das mãos.

O corpo franzino e quente subiu delicado como um gato em sua cama e aninhou-se ao seu lado. Fingindo revirar-se o médico então o abraçou e logo o ressoar suave se apoderou do quarto.

Novamente sentia o perfume de Edward invadindo-lhe os pulmões e o seu calor adentrando por sua pele fria de mármore através da roupa.

O jovem moldava seus contornos com seu corpo por completo apropriando-se dele.

A mão quente e esguia acariciava lentamente o seu peito enquanto o rosto afundava mais e mais em seu pescoço. Edward não parecia estranhar a frieza de sua pele. Parecia gostar dela mesmo com toque de pedra.

Alguns minutos depois, apenas a sua respiração acusava que o seu sono não era mais presente. Edward se mantinha estranhamente quieto e parado inspirando suavemente junto ao seu pescoço. Abriu então os olhos e mexeu-se um pouco para que o garoto percebesse que ele econtrava-se também acordado.

O rapaz ficou quieto mais alguns instantes até que finalmente disse algo:

- acho que não sei mais dormir sozinho. Me desculpe. –sussurrou.-

Quando sentiu que o menino começava a deixar seu leito, de pronto, Carlisle voltou a abraça-lo. Sussurrou-lhe em retorno:

-shhh... Está tudo bem. Acho que também não sei mais passar a noite sem você. – brincou e inspirou profundamente dando-lhe aquele mesmo beijo terno em sua testa como na noite anterior.-

Antes que pudesse perceber, a mão quente em seu rosto lhe trouxe um beijo delicado na bochecha exposta. Sentia o copo esguio erguer-se suavemente sobre seu rosto quando enfim, para sua surpresa, as carnes macias e adocicadas de seus lábios pressionando os seus de forma suave.

O movimento o assustou, mas permitiu-se retribuir com a mesma delicadeza. Era um movimento estranho para o garoto. Temia por sua fragilidade aparente e procurava não contrariá-lo.

Afastaram-se por alguns instantes até que sentiu novamente o gosto adocicado em seus lábios movendo-se de forma um pouco mais persistente. O que antes não havia sido mais do que um roçar de lábios como em um delicado beijo de boa noite, agora era uma busca gradativamente mais intensa e ávida. Movia os seus próprios lábios instintivamente contra os do menino acompanhando-o com cautela.

O monstro estava acuado em algum canto de sua mente, mas não deixava de trazer-lhe o veneno abundante que lhe invadia a garganta ante àquele suave contato. Tentou desvencilhar-se sem sucesso. Quando se deu conta, o peso discreto do rapaz sobre seu corpo tornou seus contornos ainda mais evidentes deixando-o assustado.

Delicadamente moveu-se rompendo de vez aquele contato. Sentia o corpo estremecer com o calor intenso que lhe deixava. O veneno lhe descia em fartos goles queimando a garganta enquanto passava. A respiração alterada era a única coisa que realmente denunciava que ainda estava ali.

Pôde ouvir o discreto soluçar que acusava o choro silencioso do menino ao seu lado.

Receoso, teve medo de tocá-lo e reiniciar aquele frenesi. Firmemente e delicado, abraçou com cuidado o corpo trêmulo do rapaz que o abraçou de volta com toda a força que tinha. Edward o abraçava com tanta força que podia ouvir o estalar das fibras dos lençóis se rasgando enquanto o menino as apertava. O vampiro tinha calafrios com o calor que lhe voltava aos poucos.

- eu não tenho mais... Força... Para estar longe de você. [*1] você agora é tudo que eu tenho Carlisle.

-shhh... Apenas durma criança. Logo tudo ficará bem.

Aos poucos o corpo tenso que envolvia, amoleceu e ele pôde ouvir claramente quando o último soluço lhe escapou. Edward dormia profundamente em seus braços, mas ele permaneceria acordado eternamente repassando todas aquelas sensações de novo e de novo.

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A manhã veio e com ela, Carlisle decidiu por bem que seria melhor deixar que o menino despertasse sozinho para não constrangê-lo. A verdade era que ele também não sabia bem com lidar com o que havia ocorrido.

O que Edward faria? Por que agira dessa forma? Isso sempre esteve lá e não viu? Era por isso que ele andava estranho? E agora? Como seria seu tutor durante o dia se se aproveitava dele durante a noite?! Ele havia se aproveitado dele? Edward foi quem o instigou, não foi?! Mas ele poderia ter tomado qualquer atitude, certo? Por que ele não o expulsara?! Por que não agira com a decência que a situação pedira? Edward além de um homem era apenas um menino! Que raios ele tinha na cabeça!? Uma criança! Um menino! Ele deveria cuidar de Edward! Nunca agir dessa forma! Por Deus! Poderia tê-lo matado na última noite! Edward não tinha noção do perigo que corria estando ao seu lado!!

Sutilmente retirou-se do quarto sem acordar o menino. Abaixou a cabeça ao topo da escadaria. Sentia todo o peso daquele enorme crucifixo como se ele o sufocasse. À sua sombra ele se escondeu. A vergonha pelo que havia feito o preenchia de culpa e remorso. Mesmo que acreditasse não ter feito alguma coisa, havia sido conivente com tudo aquilo e isso bastava para martirizar-se . O garoto estava confuso e cabia à ele trazê-lo a realidade!

Aturdido desceu as escadas sem dar atenção ao vulto que lhe saltava pelo espelho. Não conseguiria encara-lo. Não conseguia encarar os orbes azuis inundados na culpa. Tinha vergonha do que era, do que havia feito e do que tinha permitido. O rosto sorridente da Srtª lhe recordava qual devia ser a sua função e mentalmente lhe pedia perdão por não ser mais capaz de cumpri-la como ela lhe pedira.

A governanta precisou perguntar-lhe por três vezes antes que pudesse ordenar-lhe o desjejum. Sua cabeça voava alto e longe inundado em uma culpa solitária e constante.

O ensurdecer estampido dos passos apressados na neve aproximando-se da porta o trouxe de volta do limbo em que estava.

Ao abrir a fresta, um dos enfermeiros de nome que não se recordava aguardava ansioso por ele enquanto a condução o esperava próximo ao portão.

Mal abriu completamente a porta e o homem alto e corpulento adentrou pela casa temeroso.

-o-o rapaz está aqui, não está doutor? –o homem lhe perguntava espiando por sobre os ombros- é a mãe dele doutor, ... a Senhora Mansen finalmente descansou. Foi há pouco mais de uma hora.

Carlisle sentou-se abatido sobre a poltrona da sala de estar. Conforme ficava quieto, o enfermeiro que ainda respirava ruidosamente pela corrida, continuou.

- O Doutor havia deixado ordens para que o avisasse assim que ocorresse.

Carlisle permaneceu sem reação. Depois de tudo, não poderia mais pedir que Srtª reconsiderasse sua decisão de deixar Edward em real segurança longe dele. Edward por sua vez, nunca mais a veria novamente!

Acanhado e meio desengonçado, o enfermeiro aproximou-se.

-tem mais Doutor. –ele disse um pouco espantado com a reação do médico- A senhora esta madrugada ditou-me uma carta que deveria entregar-lhe. Aqui está.

O enfermeiro lhe entregou o papel amassado que retirou dos bolsos de seu volumoso casaco. Rapidamente guardou a carta em seu jaleco e, ainda atordoado, virou-se para o homem que aguardava sua resposta.

- ela sofreu? – teve o ímpeto de perguntar

-Não senhor! Passou enquanto dormia doutor. De fato, parecia muito tranqüila no leito esta manhã. Ela foi-se em paz com Deus ao seu lado Doutor.

- Muito obrigado por sua atenção ao caso. Agradeça à equipe do hospital por mim. Eu ficarei agora para dar a notícia ao rapaz. Juntos iremos até lá assim que possível. Obrigado.

Carlisle então conduziu o homem até a porta e fechou-a com enorme pesar.

Edward ainda ressonava no andar de cima. Agora, mais uma vez, seria seu carrasco e por mais uma vez teria de achar uma solução para tranqüilizar suas perturbações e ajudar o menino.

Caberia a ele dar-lhe a notícia e posteriormente caberia a Edward decidir seu futuro quando lhe apresentasse a real impossibilidade de estar com ele dali para frente.

Aquele seria o mais longo dia de sua eternidade.

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Continua...

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[*1] waaaaaaaaaa eu tinha que fazer alguma referência ao livro ... ficou piegas, mas eu achei tão fofo!!!

Gente , queria agradecer ao Paulo Henrique e à Tharine- Soul hunter por me ajudarem na produção desse capítulo e na betagem dos anteriores...sem vocês eu não poderia.

Agradeço de coração às reviews e a todas as visitas.

Sei que a fic andava meio parada então espero que esse capítulo que ficou enorme, tenha ajudado a matar as saudades dos meninos!

Nosso yaoi finalmente comçou agora... sei que tah mto de leve por hora, mas tadinho do Carlisle com o Edward desse jeito... e tadinho tb do Ed que agora perdeu de vez a mamãe!

Anyway, espero encontrar muitos comentários de voc~es neste capítulo que deu mto trabalho de produzir... toh há quase 4 dias escrevendo sem parar!

Espero que todos gosteme aguardo voc~es na próxima parte!

Já estamos nos aproximando do final! Pelas minahs contas apenas mais 2 ou 3 caps será feitos, então espero que gostem do que eu escrever de agora em diante.

Um beijo enorme à todos.

Até a próxima.

13/08/2009