Notas Iniciais:

Esta história se passa alguns meses após o término de Trials & Tribulations e do primeiro jogo do Miles. Contém ainda alguns spoilers de Apollo Justice, mas nada muito sério, apenas temas do pano de fundo do jogo como a atual situação do Phoenix e a Trucy. Eu não usei nada do segundo jogo do Miles, pois nunca o joguei. O que usei do primeiro é apenas a Kay, ou seja, vocês não precisam conhecê-lo, não há spoilers de lá. Se você nunca leu Phoenix Wright, mas não se importa com spoilers, imagino que não terão problemas para seguir esta história.

Por fim, agradecimentos à Vane por revisar a fic para mim e à Nemui pelo prompt.


Olho Azul Apresenta:

Refrescante

História escrita como presente aos participantes do Coculto 3, uma troca de fics realizada pela comunidade Saint Seiya Superfics Journal.


Capítulo 4 – Pedidos de um Ente Querido

Não fazia muito tempo que Nick trabalhara em seu último caso, mas fora o bastante para fazê-lo se esquecer de como era complicado lutar contra o tempo.

De acordo com as leis, um julgamento só poderia durar três dias e ele deveria ser iniciado o mais rápido possível. Mary White havia sido detida no meio daquele dia em que ele reencontrara o amigo de infância, Miles Edgeworth. Portanto, seu julgamento começaria no dia seguinte e, a julgar pelos poucos papéis que o promotor compartilhara, provavelmente também seria condenada em tempo recorde.

- Então, o promotor é aquele careca? – perguntou ele, sentado em uma das cadeiras do gabinete de Edgeworth, ainda com a última das folhas em mãos.

- Eu não subestimaria Payne, Wright.

- Eu só disse que ele não tem cabelos.

Edgeworth deu seu suspiro típico, o que significava que ele não desceria àquele nível de argumento. Logo, voltou ao papel que tinha em mãos, não relacionado ao caso da mulher invisível. Ele realmente não o ajudaria naquilo?

- Acho que eu poderia visitá-la no centro de detenção... – comentou Nick, sentindo-se entediado. Não conseguia sentir a urgência que normalmente os estaria devorando por dentro.

- Seria uma boa ideia. Não se esqueça de passar na polícia, ver se não descobre alguma coisa por lá.

- Sabe, eu não sou detetive particular. Sem o detetive Gumshoe por lá, eu não saberia dizer que homem teria a língua frouxa o bastante.

Edgeworth assentiu, murmurando "hum-hum". Ele já estava rubricando o documento seguinte.

- Acho que é melhor parar de atrapalhar seu trabalho. Você ainda tem muito a fazer, né?

E Nick saiu pela porta a tempo de ainda ouvir o promotor dizer outro "hum".


Miles levantou a cabeça para notar que Wright já não estava mais lá. Olhou para o relógio, e quase uma hora havia se passado desde a última vez que falara com o ex-advogado. O que significava que Mary possuía uma hora a menos a seu favor.

Normalmente, Miles ainda acharia que a situação poderia ser revertida no tribunal caso a investigação fosse infrutífera. Desde que a promotoria não apresentasse provas falsas - e este nunca fora o estilo de Payne -, aqueles objetos, que aparentemente incriminavam a ré, também haviam testemunhas da verdade. Eram peças que precisavam apenas ser logicamente ordenadas para formar o quadro completo. Contudo, nem Miles nem Wright estariam no palco do tribunal no dia seguinte.

O telefone tocou.

- Edgeworth - respondeu o promotor após pôr na mesa a pasta que estava analisando.

- Irmãozinho, pode comprar um livro e me mandar hoje pelo correio? – Era Franziska, a filha do homem que o criara e treinara para ser promotor muitos anos antes. Ela disse o título e o nome do autor rapidamente, antes que ele pudesse responder.

- Um livro? Não pode encomendar pela internet? – Ele não se espantava muito com os caprichos dela, mas aquele era um dia especialmente cheio para ele.

- Não posso, não. E não se esqueça de escolher o método mais rápido. Estou precisando dele para...

- Franziska! Não tenho tempo para ser seu garoto de entregas.

- Miles... Você vai negar um pedido da sua irmã?

Ele baixou a cabeça. Franziska era uma menina mimada cheia de defeitos, mas que sempre o ajudara quando necessário.

- Sendo só um livro...

- Vou te mandar agora por e-mail o endereço da loja então!

- Da loja? – Ele se reajustou na cadeira. – Algum problema com a loja da promotoria, Franziska?

- Se o encontrar aí... Boa sorte. Por via das dúvidas, envio o endereço. Não demore, irmãozinho! É para amanhã, hein?

- Certo... Estou aguardando os dados... – Ele desligou antes que sua situação piorasse.

A cada toque do telefone, sua lista de afazeres do dia aumentava.

Miles imprimiu o e-mail da irmã e ligou para a livraria no térreo do prédio. Eles sequer sabiam daquele autor. Procurou na internet. Nada. O livro não parecia existir.

- Franziska!... – ele exclamou, pegando a chave do carro. O maldito endereço era na outra parte da cidade, como mandava o roteiro.


Nick saiu do centro de detenção literalmente com as mãos abanando. Estava bastante quente lá dentro, e o lado de fora ainda pior. Mas o ruim mesmo era ter ido até lá apenas para bater com a cara na porta. Mary indagara se Nick seria um promotor, pois foi com essa pergunta que um dos guardas voltara. Ao negar, o guarda imediatamente disse que ele não poderia vê-la, já que também não era seu advogado.

Mas ele descobrira algo importante também: Mary White não possuía um advogado ainda. Um profissional seria nomeado até o dia seguinte para que a defendesse perante a corte caso ela não contratasse um particular.

Advogados nomeados pela corte eram recém-formados precisando do dinheiro, que não era ruim, e da experiência. Contudo, eles viam aquilo como apenas mais um trabalho, em que poderiam perder ou ganhar. Não precisavam garantir o cliente, já que muitas vezes tratava-se de pessoas sem condições de pagar um advogado particular.

Mary White não tinha um futuro muito promissor. Ou longo, a menos que sua execução demorasse a ocorrer, porque seu julgamento seria veloz.

Nick parou para ligar para sua filha, que ficara em casa, desapontada por não poder acompanhá-lo. Ele conseguiu perceber seu desânimo no primeiro "alô". E este só cresceu quando ele anunciou que sequer fora recebido pela cliente, e que por isso não pudera perguntar a ela sobre seu truque.

- Você vai tentar de novo, né, papai? – perguntou a menina.

Ele não queria dizer que sim. De que adiantava? Teria que prosseguir com a investigação para ganhar o dinheiro oferecido por Edgeworth, mas Mary White só receberia no centro de detenção alguém da promotoria.

- Diga que irá tentar, pai! – insistiu Trucy ante aquela demora.

- Certo, eu vou tentar.

- É isso, não podemos desistir! Eu sinto que estamos perto, sabia?

- É mesmo? Então, vou dar meu melhor – ele prometeu antes de desligar.

Agora tudo estava pior. Além de não conseguir fazer seu pagamento valer a pena, Nick havia prometido à filha algo que não poderia cumprir.

Continuará!

Anita


Notas da Autora:

Ai, ai... E a história vai progredindo. O que vocês estão achando? ... Silêncio, é? T_T O comentário que tenho que fazer neste capítulo é sobre a Franziska, claro! Aaaaaamo! :D Aliás, dependendo de como vai a campanha de vocês, eu publicarei uma história Phoenix/Franziska! Opa, entreguei um casal de que gosto. :x Vou cair fora antes que eu leve pedradas, rsrs.