Antes do amanhecer

Por Yuuki ai

Capítulo IV – O céu e as estrelas

"Sabia que não podia desejá-la, no entanto, ela era o fruto proibido que eu tanto queria provar" Pain

Um clima tenso e obscuro se instalava por todos os cantos da casa sem o sorriso de Konan para incendiar com sua alegria radiante o ambiente. A mesma já não tinha vontade alguma de sorrir, ainda mais de olhar para Pain.

Quando se cruzavam pelos corredores, fazia o máximo de força possível para se espremer a parede para não chegar nem perto do mesmo. Estava com nojo dele.

Seria sempre assim? Ela se humilhando, o amando, e ele a recusando, dizendo inúmeras palavras ofensivas a ela? Não queria mais isso, não queria mais sofrer. Por mais que no fundo ainda achasse que Pain fazia isso para se auto-proteger, preferia ficar com raiva, a perdoá-lo. E ele mesmo não parecia querer perdão algum.

Inúmeras vezes Madara tentou convencê-la de pelo menos tentar mais uma vez, e perdoar, e também tentou fazer com que Pain se desculpasse, mas era totalmente inútil como todos na casa diziam.

"– Já disse que não vou pedir desculpas, eu falei a verdade. É melhor ela saber disso de uma vez.

- Pain, você não vê? Ela gosta de você como ninguém nunca gostou!

Claro que saber disso mexia constantemente com ele, mas preferia guardar suas vontades bem trancadas em seu peito para não sofrer conseqüências depois."

Por enquanto aquele clima de tensão continuaria, até que um dos dois se rendesse ao seu orgulho.


Encarava a própria imagem no espelho. Estava naquele banheiro de granito, com a porta trancada e as janelas fechadas, era ele, somente ele. O corpo que já havia usado para conquistas carnais, e para matança, agora era somente um corpo vazio. Não entendia por que se sentia tão pequeno diante da falta de dialogo com a garota, sendo que na maioria das vezes, o mesmo cortava a conversa com ela.

O celular tocou despertando-o de seu pequeno transe. Era Kakashi.

- O que quer? – Perguntou sem muita paciência.

- Não devia falar assim jovem, não mesmo. – A voz era cheia de ironia.

- Fale.

- É o seguinte Pain, eu não tomo muitas atitudes de última hora, sem pensar, mas em todo caso... Amanhã de noite, teremos um jantar aqui, quero que você venha.

- A troco de que?

- Orochimaru. – O ruivo parou e fechou os olhos com força lembrando-se dos olhos de cobra. – Parece que um de nossos investigadores, achou pistas contra ele, ao que parece, ele esta na Colômbia.

- Estarei presente. – Ia desligar o telefone quando a voz de Kakashi pediu para que não o fizesse.

- Mais uma coisa.

- ...

- Quero que Konan te acompanhe, ainda não tive a oportunidade de conhecer SUA linda jovem. – Kakashi deu risada da própria palavra sua.

- Que seja. – Falou e suspirou cansado mostrando decepção.

- Aconteceu algo?

- Não é da sua conta.

- Ótimo, fique com sua "mulher" preciso ir.

Assim que o telefone ficou mudo, jogou-o em algum canto qualquer do banheiro e apertou as têmporas, apoiando uma das mãos no espelho e abaixando a cabeça. Como Konan iria com ele até o jantar? Ela se recusaria para sempre, e não que ele quisesse levá-la, afinal, por mais que quase já admitisse que precisava dela, preferia negar. Para ele era a maneira mais fácil.

Teria que pedir ajuda para Madara, ainda que não quisesse. Talvez ele fosse o único capaz de convencer Konan a acompanhá-lo.

Saiu do banheiro sem muita vontade, e foi até o quarto de Madara. Abriu a porta sem pedir licença e o encontrou se agarrando com uma prostituta na cama.

- Você! – Apontou para ela. – Saia.

A mesma olhou para o moreno embaixo de si sem entender, e disse com desgosto:

- Nunca mais volto nessa espelunca. E você – Olhou para Madara. – Me deve dinheiro, e muito!

Na saída do quarto quase trombou com Konan que vinha com o cesto de roupa suja nas mãos andando pelo corredo.

- Olha pra onde anda sua pirralha! – Disse a loira quase cuspindo.

Konan olhou sem entender para ela, analisou a mulher semi-nua e olhou para Pain com cara de nojo.

- Devia parar de trazer suas prostitutas aqui seu idiota! – Acusou quando saia pisando duro enquanto Pain olhou furioso para Madara.

- Viu o que você fez idiota? – Apertou as têmporas, e sentou-se na cama.

- O que quer Pain? – Perguntou sem dar atenção ao insulto.

- Preciso da sua ajuda.

- Para? É estranho você pedir ajuda, normalmente quer fazer tudo sozinho!

- Eu tenho um jantar amanhã à noite na casa de Kakashi...

- E?

- Ele quer que eu leve Konan de acompanhante, por que ele ainda não a conheceu.

O moreno soltou uma risada alta o bastante para ecoar por toda a casa.

- E acha mesmo que ela vai com você, depois do que você disse pra ela?

- Por isso preciso de você, você pode convencê-la seu bastardo de merda.

- Primeiro controle seu vocabulário senão eu não ajudo em nada. – Disse apontando o dedo para o líder.

- Que seja. – Pain deu de ombros.

- Vou falar com ela Pain, isso parece ser importante para você, do que se trata o jantar?

- Orochimaru.

Madara balançou a cabeça e colocou uma das mãos no ombro de Pain.

- Farei o que puder.

O moreno saiu do quarto cantarolando o nome de Konan com uma voz infantil o bastante para deixar o líder mais irritado do que agradecido.

- Konan! – Chamou a garota assim que chegou a lavanderia.

A mesma se virou para ele e parou de colocar as roupas na máquina.

- O que quer?

- Preciso de um pequeno favor. – A garota encostou-se na máquina e secou as mãos na barra do curtíssimo short.

- Você ainda não conhece Kakashi, ele é o nosso "chefe" e amanhã ele dará um jantar na casa dele, você está convocada.

- E? – Konan ergueu uma das sobrancelhas e olhou com uma expressão desconfiada.

- Seu acompanhante será Pain.

- Esqueça! – Gritou e voltou a colocar as roupas na máquina. – Não quero falar com ele nunca mais, não vou com ele a droga nenhuma de jantar. Prefiro que dêem meus restos aos cães!

- Pare de drama menina. Só uma noite, no máximo uma ou duas horas. Só para agradar Kakashi. Você sabia que se ele quisesse poderia mandar eu, ou até mesmo Pain te matar?

A jovem engoliu em seco, e passaram por sua cabeça imagens dela sendo morta por Madara, ou pior ainda por Pain. Arrepiou-se e fechou os olhos, balançando a cabeça em negação.

- Se é assim, eu vou.

- ÓTIMO! – O irmão saiu da lavanderia correndo indo dar a notícia a Pain.

- Ótimo... - Repetiu Konan desanimada.

Sabia que acabaria brigando com Pain mais uma vez, e que novamente ficariam sem conversar.


Após se arrumar a tarde toda para o jantar, Konan estava finalmente só acabando a maquigem, e terminando de colocar os brincos de brilhante quando ouviu um ruído na porta e imaginou ser Pain.

- Está na hora de ir Konan. – Disse o mesmo abrindo a porta do quarto da moça.

- Estou terminando. Pode entrar se quiser.

Pain entrou no quarto, e sentou-se na cama observando à morena. E Konan estava realmente deslumbrante. Quando se levantou o jovem pode observá-la melhor. Estava com um vestido azul marinho colado no corpo revelando as formas juvenis e bonitas emolduradas pelo tecido. Os olhos marcados por uma maquiagem preta envolta nas pálpebras revelando os lindos olhos azuis e o sapato de salto com pedras brilhantes a deixavam ainda mais parecida com uma mulher adulta. Tão diferente de quando chegara aquela casa! (link do vestido: ./_)

- A propósito, obrigada pelo vestido Pain. – Ela havia ficado ainda mais bonita do que ele pudesse ter imaginado.

A garota olhou para o jovem, e percebeu como ele estava elegante. O terno preto risca de giz, estava o deixando tão bonito ao ponto de não conseguir desviar o olhar dele. E uma enorme vontade abraçá-lo surgiu quando se encararam bem fundo.

Ele apenas assentiu com a cabeça e se levantou indo rumo à porta.

- Só quero que saiba de uma coisa, depois de hoje à noite, as coisas voltam a ser como antes Pain. Eu ainda não quero conversar com você.

- O mesmo.

- Vamos então.

Pain estendeu o braço para que Konan se enlaçasse nele. E chegando ao fim da escada, todos os outros integrantes da Akatsuki desviaram a sua atenção do que estavam fazendo para observar Konan.

- Se eu fosse vocês, pararia de babar, por que senão Pain vai matar vocês tortuosamente. – Disse Madara.

- Não tem como parar de olhá-la, está tão diferente de quando era uma criança há uns dois anos! Está praticamente como a minha arte, um estouro! BUM BUM BUM! – Deidara fez os gestos de explosões.

- Obrigada. Mas eu não me pareço com sua arte.

- Chega! – Pain já estava incomodado por todos aqueles safados sedentos por sexo olhando-a como se Konan fosse uma mercadoria, ou uma puta de luxo. Não deixaria nenhum deles chegar perto.

- Calma Pain, ninguém tiraria Konan de você não é mesmo? – Perguntou Itachi aos companheiros.

- Vamos de uma vez!

O líder praticamente empurrou Konan para dentro o Bugatti veyron preto. A mesma nunca havia entrado naquele carro, e jamais imaginou que fosse entrar. Era espaçoso e todo seu interior era de couro. O cheiro de Pain estava espalhado por todo o carro. Fazendo com que Konan entrasse em um torpor.

O caminho foi silencioso até a mansão Hatake, hora ou outra um dos dois faziam um comentário que não rendia uma conversa. Apenas algumas palavras breves.

Quem atendeu a porta foi Rin, a esposa de Kakashi, e logo depois o mesmo apareceu na porta cumprimentando formalmente Pain, e dando um beijo na mão direita de Konan. A educação polida dele impressionou a garota. Como Pain que trabalhava para alguém tão educado poderia ser tão rude?

Sentaram-se todos os doze casais na enorme mesa de granito preto, e uma série de diálogos sobre pessoas que Konan desconhecia se iniciaram, deixando a mesma perdida, perguntando hora ou outra algo para Pain que lhe dava uma resposta mal educada.

- Mudando de assunto então, isso está me deixando muito tenso! – Disse Kakashi passando o braço pelos ombros de Rin que estava sentada ao seu lado. – Pain, há quanto tempo você e Konan estão juntos? – Perguntou fazendo questão de envergonhar Pain de um modo divertido queria vê-lo confessar que gostava de Konan.

A garota arregalou os olhos, e olhou para a expressão vazia de Pain. Queria saber a resposta, por que para ela, nunca haviam estado juntos.

- Não estamos juntos. – Respondeu apenas, tomando mais um longo gole do vinho.

- Oh, me desculpe, mas sinceramente, parece muito, o jeito como vocês se olham.

Konan olhou para baixo e colocou as mãos no colo apertando o tecido nas pernas, estava muito corada.

- É, mas não estamos juntos, volto a repetir.

- E você Konan, com quantos anos está?

- Qui-quinze. – Gaguejou um pouco, e olhou para Rin sorrindo.

- Ela é sua melhor escolha Pain, apenas quatro anos mais nova!

- Vamos parar com isso amor, Pain parece não estar gostando muito do assunto. – Advertiu Rin segurando o braço do marido.

- Tudo bem então, vamos dançar! – Balbuciou puxando Rin pela mão conduzindo todos os outros.

Todos se dirigiram para o grande salão da mansão Hatake, e uma doce melodia começou a tocar. (Lullaby - Brad White and Pierre Grill (Romantic Piano Piece))

- Pain, não sei dançar! – Konan estava com os olhos arregalados.

- Apenas acompanhe então.

O jovem segurou a fina cintura dela, e com a outra mão segurou a dela. Ele parecia saber exatamente o que fazer, e guiava Konan como se apenas existissem os dois naquele enorme salão. Por um lado Konan queria sair correndo dali, mas por outro, aquela dança estava sendo tão prazerosa.

Ainda estava brava era claro. Somente não sabia como lidar com isso quando tinha Pain tão perto, segurando-a nos braços e puxando-a para mais perto, cada vez mais...

Suspirou fundo quando seus seios quase se comprimiram contra o abdome talhado do rapaz, e olhou bem fundo em seus olhos. Eram tão profundos, e ao mesmo tempo tão claros e rasos. E por um instante, quase se esqueceu do por que de estar com raiva do mesmo.

Fechou os olhos e sentiu a respiração quente dele soprando bem perto de seu rosto. Convidando-a para chegar mais perto. Como se sussurrasse seu nome. "konan..." E com aquele pequeno momento quase se deixou levar, e tocar os lábios dele.

- Não faça nada, por favor... Creio que não resistiria, e ainda possuo alguma raiva de você dentro de mim, ainda que bem no fundo. – Sussurrou da forma mais doce que conseguiu.

- Eu queria, mas jamais faria algo que não quisesse. Não sou como Deidara ou Zetsu. E afinal, você é somente uma menina Konan. Eu gosto de mulheres. – Disse sombrio ao ouvido dela.

Quis matá-lo naquele minuto. Mas sabia que eram apenas provocações. No entanto, ele havia admitido que a desejava, e isso fez com que seu interior se iluminasse. Mas mesmo assim resolveu revidar.

- Eu também prefiro homens, mas faz tempo que não cruzo com nenhum, então eu tenho que aproveitar com o que me resta não é mesmo? – Estampou um sorriso de escárnio nos lábios carmim, e ergueu uma das sobrancelhas em desafio.

O jovem preferiu não dizer nada diante das palavras duras dela. Apenas deu continuidade a dança, fazendo-a girar em sua mão. E quando ela deu a volta completa e o encarou novamente, Pain não abaixou a mão que segurava a dela. Apenas deixou-a no alto, e ficou observando a expressão de confusão de Konan.

- Eu sei que me deseja Konan, mas tente entender. Você não serve para mim. Eu não me importaria de viver sem você.

Ás lágrimas subiram, e o choro ameaçou sair. Mas não soluçaria naquela hora. Deixou que apenas algumas pequenas e finas lágrimas escapassem de seus olhos demonstrando o tamanho do poder que as palavras de Pain tinham sobre ela.

Agora era certeza, sempre seria daquela maneira. Não entendia o que havia feito de tão ruim para que Pain a tratasse daquele modo que a fazia tanto mal. Que a deixava tão mal.

Teria chorado mais se naquele momento um alto estrondo em uma das janelas não tivesse ocorrido. Logo tinha vidro e sangue espalhado pelo chão. E em menos de um segundo, se viu ser arremessada com força na parede por Pain, que continuou segurando-a. Mas dessa vez não falou paciente nem calmo. Gritou com ela.

- Saia daqui, corra para o mais longe que você puder. VAI! –Empurrou-a em direção a porta, e nesse instante já haviam homens dentro da sala atirando contra todos.

- Pain, tome! – Kakashi jogou na direção do rapaz a submetralhadora israelense.

As mulheres corriam desesperadas, enquanto seus maridos retiravam dos paletós as armas, e disparavam contra os invasores. Konan não sabia para onde correr, não queria sair e deixar Pain para trás. E quando se virou no meio do salão para ver onde estava Pain, foi agarrada por trás.

- Me largue! – Tentava gritar, mas seu agressor tampou sua boca, e no meio de toda a agitação subiu as escadas com ela.

Esperneava sem conseguir nada, e cada vez mais era apertada com força. E chegando a última sala do enorme corredor, foi jogada bruscamente contra o frio chão, onde já jaziam alguns corpos.

- Ah – Resmungou ao colidir.

- Calada.

Ergueu a cabeça e encarou o homem que a segurara. Tinha olhos de assassino e dentes finos e pontiagudos que a lembraram de um tubarão. Lembraram-na de Kisame.

- O que quer?

- Já disse para se calar boneca.

Continuou encarando-o até o momento em que ele perdeu a paciência e abaixou-se em frente a ela.

- Se não parar de gritar, serei forçado a fazer coisas com você, que você não gostaria de sofrer. – Deu um sorriso sacana, e segurou o queixo dela com força.

- Você é muito bonita. Surpreende-me que ainda não tenha sido atacada por nenhum daqueles homens com quem convive. – Zabuza olhou para cima parecendo refletir a olhou novamente nos olhos de Konan. – Ah mas espere, existe Pain no meio não é? Esqueci que você é propriedade dele exclusivamente. Imagine o que ele faria comigo se eu tocasse você. – Deu uma risada calorosa fazendo com que Konan se arrepiasse.

Uma das mãos dele escorregou para a barriga dela, se ia subir, quando em um gesto de defesa, Konan cuspiu no rosto do homem.

- Vadia! – Esmurrou o rosto dela, provocando um corte na bochecha. – Venha cá.

Konan se levantou e foi para o outro lado da sala sendo encostada na parede. Aquele seria o fim dela. Deflorada mais uma vez, e morta. Onde estaria Pain para salvá-la? Ele não apareceria de novo para livrá-la daquele inferno?

Tentava escapar das mãos asquerosas de Zabuza com chutes e socos, mas nada parecia fazer efeito, afinal, era fraca se comparada aquele mostro a sua frente.

- Vou rasgar seu vestido, será bem mais fácil!

O agressor se aproximou dela novamente quando sem pensar duas vezes Konan lhe acertou um chute certeiro na parte mais sensível de seu corpo. Zabuza caiu no chão urrando de dor e mandando Konan para todos os lugares possíveis.

- Sua cachorra desgraçada! Quando eu me levantar você vai ver!

A mesma correu para a porta e tentou abri-la, mas a chave havia sido jogada para fora da janela assim que entraram naquele quarto. Era o fim. Virou-se para o homem e encostou-se a parede novamente olhando bem nos olhos frios.


Os tiros não cessavam e já estava suando com aquele terno. Rasgou as mangas e continuou atirando contra quem ousasse chegar perto. Precisava chegar a Konan antes que qualquer um o fizesse. Principalmente Zabuza e Gaara.

- Está procurando sua mulherzinha Pain? – Perguntou Gaara encostado a escada olhando fixamente para o líder.

- Gaara.

- Saiba que ela está com Zabuza em algum lugar, a essa altura ele deve estar dando um belo trato nela. – Uma risada maldita foi dada pelo ruivo, fazendo todos os pêlos do corpo de Pain se arrepiarem.

- Você fez um belo estrago aqui. – O ruivo olhou em volta do salão e viu muitos corpos inertes no chão com poças de sangue espalhadas a seus redores.

- Onde ela está desgraçado? – A fúria começava a ficar incontrolável, só de pensar na idéia de outro homem tocando sua pele macia e sedosa, o desejo pela morte crescia em seu peito criando uma onda de prazer.

- Ela está bem. Agora o que eu quero saber é onde está Kakashi.

- Provavelmente destruindo os seus subordinados de merda.

- Se eu fosse você não brincaria numa hora dessas, Konan está em minhas mãos Pain. Você quer perder mais alguém importante diante de seus olhos?

A imagem da morte de seus pais e de seu melhor amigo passou por sua mente como um relâmpago cortando o céu, e se instalou na parte mais vazia de seu coração.

- Você não faria.

- Talvez sim, talvez não... Quem sabe? – Sorriu maldoso para o jovem.

O barulho de tiros e os gritos ainda podiam ser ouvidos do lado de fora da mansão. Onde estaria o restante da Akatsuki agora? E as palavras de Gaara, seriam verdadeiras?

Gaara desceu os degraus finais da escada e parou diante do rapaz.

- Largue essa arma, agora. – Obediente Pain jogou a arma para o outro canto do salão e encarou Gaara.

Novamente começava aquela luta de olhares. Luta que levaria a muitas mortes, e a um inferno totalmente pior do que o real caso o ódio deles colidisse.

Mas o que Gaara não esperava, era que do lado de fora da casa, Kakashi observava juntamente com Zetsu e Madara. Nem mesmo Pain sabia que eles estavam por lá. Provavelmente Kakashi os havia chamado quando o terror estourou. Os três estavam somente esperando o melhor momento para pegá-lo. E Pain logo os entendeu, apenas com um olhar.

- Não está prestando atenção seu veado brocha? – Perguntou Gaara com rispidez.

E em menos de três segundos, Pain segurou o braço de Gaara que estava com a pistola e torceu-o levando o corpo do mesmo por cima do seu para o chão. E logo já estava Kakashi com a metralhadora Russa apontada para o meio dos olhos do ruivo.

- Cuidamos dele. Queremos obter certas informações que nos serão úteis. Vá atrás de Konan.


Olhava fixamente para Zabuza. Após tentar resistir às investidas ferozes dele, seu vestido já havia conseguido um rasgo desde a cintura a barra, e seu corpo já continha cortes e hematomas principalmente no rosto e na área dos braços.

E agora ela estava encostada a parede o mais longe possível enquanto Zabuza apontava para seu peito o fuzil.

- Já me cansei de você sua vagabunda. Gaara pediu para que não te matasse, mas a morte é o que você merece. – Cuspiu no rosto dela ao dizer essas palavras.

Onde estaria Pain agora? Quando ela mais precisava dele ele não estava. E ela morreria. Não tinha mais como escapar de Zabuza. Estava sentindo o coração bater acelerando e a respiração estar ofegante. Pela primeira vez na vida estava encarando a morte olhando nos olhos de seu assassino.

- Princesa, se você não fosse tão difícil, poderia ter aproveitado um pouco antes de deixar esse mundo não acha? – Um riso alto foi ecoado pelo quarto enquanto o homem mostrava seus dentes afiados.

- Pain... -Sussurrou e olhou para a porta.


Pegou a primeira arma que viu, e aquela altura já não raciocinava mais nada. Queria encontrar Zabuza e fazê-lo sofrer caso tivesse sequer encostado em Konan. Ela era dele. E de mais ninguém.

Subia as escadarias o mais rápido que seu corpo lhe permitia, e disparava tiros certeiros contra qualquer inimigo que ousasse entrar em sua frente impedindo passagem. O inferno já estava fazendo morada em sua mente, e nada o faria mudar de idéia.

O pulmão ardia pela falta de ar, e pela adrenalina que corria por suas veias naquele momento. Tinha que chegar até Konan antes que Zabuza fizesse dela seu brinquedinho sexual.

Procurou por todos os quartos do primeiro e do segundo andar, chutando cadáveres de mulheres, e de homens encostados em portas ou nos corredores, não olhava nem para saber quem eram.

Estava no último andar, e caso Konan não estivesse ali, ele teria que começar a procurar por um ponto cego pela cidade, e Tókio não ajudaria, sendo enorme. Vasculhou quarto por quarto até chegar a última porta, e aquela altura, a esperança de encontrá-la já havia sumido quase que por completo.

Chutou a última porta com força o bastante para derrubá-la, e encontrou uma Konan encostada a parede ofegando, enquanto Zabuza apontava a arma para ela. Não teve nem tempo de pensar. O máximo que conseguiu fazer antes de pegar Konan foi atirar na perna do canalha para que ele não se movesse.

Zabuza urrou de dor, e caiu no chão segurando o joelho que sangrava. Pain chegou até Konan e colocou os braços um de cada lado de sua cabeça encarando-a.

- Está tudo bem, nada vai te acontecer. Nada.

O choro subiu e os soluços começaram assim que ela visualizou o rosto de Pain tão perto do seu. Era novamente o paraíso, bem no meio do inferno.

Pain abraçou-a a girou seu corpo, de forma que ele se encostasse à parede enquanto ela dava as costas para o inimigo.

- Eu fiquei c-com tanto medo Pain! – segurou a camisa branca dele e deitou a cabeça em seu peito. E naquele momento, ficaram tão entretidos um com o outro, que não perceberam Zabuza se movimentar, rastejando como uma cobra.

Ele tinha ficado tão absorto nela segura ali, que se esqueceu por alguns instantes do bastardo que tentara tocar Konan. Abriu os olhos, e pode ver o sorriso nos lábios de Zabuza enquanto o mesmo apontava a arma para Konan.

"Ela vai morrer!"

- Diga adeus a ela Pain! – Gritou a voz rouca.

- Pain! – E fechou os olhos esperando que o tiro a atingisse. Mas ouviu mais de um estrondo. E não sentiu nenhuma dor.

E em alguns segundos abriu os olhos e percebeu que estava encostada a parede com Pain em sua frente na mesma posição de quando ele chegara à sala para salvá-la. Mas agora era diferente, o corpo de Pain estava caído sobre o seu, e ele escorregou lento até o chão, ficando de joelhos para ela.

- Não! – O jovem caiu no chão largando a arma aos pés de Konan.

- Ah boneca, agora que ele já foi, é hora de dar um jeito em você!

- Não se aproxime de mim! – Pegou a arma e apontou para ele.

- Acha que sabe atirar? – Deu uma risada alta quando Konan pegou desajeitada a arma nas mãos.

- Posso saber. – Puxou o gatilho desafiando.

- Espera. – O mesmo arregalou os olhos, e olhou para a arma. – Não faça isso lindinha, sabe que não consegue.

A moça estava se lembrando de como atirar, tinha visto Pain treinar uma vez, a mais de um ano atrás. Não sabia se ainda se lembrava de como fazê-lo.

"preparar"

- Não gracinha.

"apontar"

Queria muito fechar os olhos e atirar, mas poderia errar. Mirou bem na testa do homem, e foi apertando devagar.

"atirar"

Um alto barulho ensurdecedor foi ouvido, e um gemido. Sangue no chão e um corpo. Konan tinha matado pela primeira vez. Quando viu o cadáver no chão. Um enorme alívio percorreu todo seu corpo, e a única coisa que conseguiu pensar foi em Pain.

- Pain! – Ajoelhou-se ao lado do líder, e segurou seu rosto. – Eu preciso de você, por favor Pain!

- K-konan..

- Está vivo... Está vivo!

Gritou, e correu o máximo que conseguia, percorreu todos os corredores como um raio como se sua vida dependesse de chegar ao saguão. Parecia que suas pernas não conseguiam correr o suficiente para que chegasse rápido até alguém, mas não podia desistir naquela hora, a vida de Pain dependia de sua vontade de tê-lo por perto.

Tropeçou nas escadas quase caindo várias vezes, descia os degraus sem ver, dando saltos para que chegasse mais rápido. Via em todos os cantos os corpos caídos ensangüentados, que quase impediam sua passagem.

Se fosse em uma época diferente, ficaria enojada, mas naquele momento não se importava, tinha algo maior para se importar. Quando já estava ofegante, e perdida pela casa, observou que enfim estava no salão.

Olhou em volta todos os corpos, e ninguém vivo. Correu para a parte de fora da casa onde avistou Kakashi e Madara conversando perto do resto dos integrantes da Akatsuki envolta de algo.

- Madara! Kakashi! – O salto atrapalhava para que pudesse ganhar mais velocidade, então os jogou em qualquer lado, e continuou até chegar, e se jogar em Madara.

- Konan, você está viva! Está bem? Está machucada? – Perguntou o mesmo segurando seu rosto entre as mãos.

- Eu estou! P-pain, ele precisa de ajuda..! – Gritou quase sem ar nos pulmões que estavam quase explodindo de dor pela correria desajeitada.

- Onde ele esta? – Perguntou Kakashi sério.

- No último quarto, no último corredor.

Kakashi olhou para o resto da Akatsuki que segurava Gaara fazendo uma série de perguntas.

- Onde está Orochimaru? – Perguntou Zetsu dando um belo soco no nariz já quase desfigurado.

- Já disse que trabalho sozinho!

- Zetsu, leve-o para aquele canto, e se ele não responder as perguntas amigavelmente já sabe o que fazer.

- Entendido. – Zetsu olhou para o ruivo, e deu ordem para Kisame arrastá-lo. – Vamos seu bastardo.

O resto da Akatsuki se afastou para um canto mais escuro da casa, e logo os gritos agonizantes de Gaara podiam ser ouvidos.

- Precisamos salvar Pain! – Gritou Konan.

- Eu vou ligar para a ambulância improvisada, subam que eu já vou.

Konan disparou de volta a casa puxando Madara pela mão para que ele corresse mais rápido.

Voltando ao quarto, Madara encontrou Pain perdendo muito sangue, e inconsciente. Dois tiros haviam sido disparados contra ele, um no ombro direito, e o outro mais no meio das costas. Por sorte, havia sido do lado em que não fica o coração.

- Konan, se acalme. Ele vai ficar bem! – Tentava acalmar a garota em vão, por que cada vez mais os soluços se pronunciavam altos, e o nervosismo já havia tomado conta dela a muito tempo.

Pouco tempo depois, os paramédicos apareceram no quarto, e improvisaram uma sala de cirurgia, tirando Konan, Madara e Kakashi da sala para que a retirada das balas pudesse ser feita.

Após algumas horas de espera, Pain foi liberado da sala numa maca que o levou para a ambulância. Konan e Madara o acompanharam no carro, e Kakashi ficou para trás com Rin, esperando a polícia chegar para Que ele tivesse que explicar o ocorrido.

O carro chacoalhava a medida que acelerava um pouco e passava por algum buraco, o corpo de Pain se remexia e o soro que estava sendo injetado nele estava acabando. A enfermeira segurava o abdome dele a todo instante que uma chacoalhada mais brusca ocorria. E imaginou que se Pain estivesse consciente teria adorado receber aquele toque da enfermeira loira peituda, o que a irritou um pouco.

Chegando a mansão, todos menos Sasori já estavam ali. Pain foi transportado para o quarto enquanto Konan o acompanhava sozinha, pois Madara havia ficado no saguão para qualquer informação que precisasse dar para os enfermeiros.

- Onde está Sasori?

Deidara abaixou a cabeça, e fez um sinal de negação dizendo:

- Bum...

- Ele morreu? Como?

- Estava contra mais três, e foi pego por cima, um tiro disparado do segundo andar, direto no meio da cabeça.

Madara abaixou a cabeça, e terminou de resolver com os outros como seria o enterro devido para aquele grande assassino que havia sido.


Estava mais calma vendo Pain deitado naquela cama dormindo tranquilamente graças aos analgésicos. Pelo menos ele não estava sentindo dor. Mas ela sentia culpa por vê-lo machucado. Se ela não existisse, ele não teria precisado defendê-la de Zabuza, e não teria se ferido.

Sentou ao lado da cama na cadeira, e encostou a testa no colchão macio, estava exausta. Jamais imaginaria nem em seus sonhos mais loucos que de manhã estaria em segurança, e que de noite quase havia morrido. Fechou os olhos pensando e acabou caindo no sono.

Mais tarde Pain acordou, e olhou em volta. Estava em seu quarto, e viu Konan ali, segura. Agradeceu por ela não estar machucada, e suspirou por ela estar dormindo tranqüila. Mas não se lembrava de como havia chegado na casa.

Madara entrou no quarto e levou um pouco de café para Pain, afinal ele precisaria. Relatou os acontecimentos da noite para Pain, e contou sobre a morte de Sasori, Pain prometeu que fariam um enterro digno para o companheiro de equipe.

- Deidara parece ser quem mais esta sofrendo. Eu tenho certeza que ele gostava de Sasori, mas não do jeito comum.

- Ele é um sádico, logo vai passar, ele vai querer descontar a tristeza nos nossos próximos serviços, você verá.

- Fico feliz que Konan esteja bem, eu não agüentaria perder a minha irmã, devo isso a você, senão agora ela já não estaria aqui.

- Sobre isso, eu vou mandá-la embora Madara.

O moreno andou até a cama e olhou com uma expressão confusa para o líder.

- Como mandá-la embora?

- Ela sairá do país, não se pode continuar com isso, você viu hoje. Se não fosse por Konan, não teríamos sofrido aquele atentado, e não teríamos perdido um dos nossos melhores assassinos Madara.

- Você está enganado Pain, isso aconteceu por que Orochimaru sabe que você iria atrás dele caso ele fizesse algo contra Konan, pra que ficar se enganando?

- Não estou me enganando, ela vai amanhã mesmo para Londres. Vou ligar para Kakashi providenciar documentos falsos para ela poder viajar.

- Londres... Eu até gosto de Londres.

- Se você se importa tanto com a segurança dela deveria ficar feliz, existe um colégio interno em Londres que é bem mais seguro do que se ela ficar aqui. – Disse Pain frio.

- Você quem sabe, se não vai se arrepender dessa decisão mais tarde Pain.

- Não vou.

Madara se retirou do quarto deixando os dois sozinhos. Quando o rapaz olhou para Konan, a vontade de relar nela foi tanta, que não se conteve e retirou de seu rosto uma mecha de cabelo que estava perto de sua boca.

Depois com um pouco de força e dor, levantou-se e foi para o escritório ligar para Kakashi, senão seria tarde demais para qualquer coisa.


Após algumas horas, Konan acordou, percebendo que havia pegado no sono. Esfregou os olhos, e psicou algumas vezes procurado por Pain que não estava no quarto. Olhou para a porta e viu Madara entrar.

- Konan?

- Onde está Pain Madara?

- No escritório providenciando uns papéis para sua viagem. – Disse colocando uma xícara de chá nas mãos da garota.

- Viagem? Como?

- Você partirá para Londres amanhã Konan. Pain não tinha te falado ainda?

- Não! – Naquele momento, aquele não foi como um não de que não poderia sair dali, não naquele momento pelo menos. Não amando como estava.

Ainda não entendia por que a morte não a tinha levado. Preferia morrer ao ter de ver Pain se ferir por sua causa. Podia estar fingindo o tanto que fosse, mas gostava dele, e jamais iria querer uma vida longe dele, por mais que isso significasse segurança.

Não queria ter de ir embora, não queria mesmo, ainda mais agora que já havia se acostumado com a idéia de viver em constante batalha com a morte, aquela era sua casa. Não queria abdicar de tudo para se mudar de país!

Saiu do quarto em disparada deixando a xícara cair no meio do caminho, precisava ver o rosto de Pain para ter certeza que sua decisão, precisava olhá-lo nos olhos, e escutar que não queria ela por perto.

Invadiu a sala de Pain onde o mesmo analisava a extensão de seus machucados. Com sua chegada, uma leve e corriqueira brisa invadiu a sala tornando-a cálida, e dando um clima de tensão a todo o ambiente.

Seu vestido ainda estava rasgado, e todo manchado de sangue, o sangue de Pain e de mais alguns homens que preferia não se lembrar. Os cabelos estavam bagunçados, e uma das bochechas tinha um corte não muito profundo, mas o bastante para estar sangrando um pouco. Um dos ombros tinha alguns arranhões, e o rasgo de seu vestido ia desde a barra até a cintura, em uma linha reta revelando as pernas bem torneadas.

Parou diante da mesa do rapaz para encará-lo. O mesmo parou de olhar o sangue em seu ombro e analisou o rosto choroso da jovem. Ela conseguia estar parecendo um anjo até naquele momento.

- Quer mesmo me mandar embora? – Era apenas aquela pergunta. Era a única certeza que ela precisava para tirar de sua cabeça de uma vez que o jovem a queria por perto.

Não iria implorar pra ficar, se ele queria assim, seria daquele jeito. Ela não diria que o amava, e nenhuma das coisas piegas QUE JÁ tinha dito. Mostraria que era independente, que não precisava dele, por mais que a verdade ela soubesse.

Pain tragou lentamente o charuto cubano preferido e observou a moça. Ainda estava agradecendo todas as entidades divinas que conhecia pelo tiro ter pegado nele, tê-lo ferido, e não a ela. Ela estava bem, um pouco machucada, mas no todo bem.

- Sim. Há tempos venho planejando seu afastamento daqui. Isso não é pra você. Garotinhas não podem brincar de matar, isso é vida real. E como hoje, você pode morrer quando menos esperar. Afinal, não sei como não te deixei morrer. – Konan balançou a cabeça em afirmação e olhou para a janela. – Você partirá para Londres amanhã. – Completou sem expressão.

- Londres...

- Vai fazer o colegial, e fazer faculdade. Com o tempo, se acertará e esquecerá que um dia fez parte disso. Todos seus gastos serão cobertos, não se preocupe.

Então era isso, ele não se preocupava com ela. Não queria saber se ela não estava machucada, ele queria vê-la longe, bem longe, e cobriria todos os gastos para isso.

- Eu não sou nada mesmo pra você não é mesmo Pain? – Sorriu triste e olhou para ele. Mas talvez já soubesse a resposta.

Observou com cuidado a face de Konan. Aquela com certeza seria a última vez que a veria. Memorizou cautelosamente cada detalhe, cada pequeno detalhe que contava muito. Sua face de anjo estaria guardada em sua memória quando não a visse mais. Vidrou-se naqueles olhos azuis escuros. Os olhos que tantas vezes já havia visto, e que tantas vezes já havia feito derramar lágrimas, assim como o oceano. A pele aveludada e alva, que seria sempre alvo de luxúria e desejo, mas que agora estava pálida, não pertenceriam mais a seu mundo, e toda a sua plenitude, agora ficaria longe, muito além de onde pudesse alcançar.

Acabou se perdendo em sua visão celestial, e não respondeu a pergunta. A resposta não era óbvia? Jogou o charuto no cinzeiro e abaixou a cabeça apoiando o cotovelo na mesa e apertando as têmporas. Não queria encará-la chorando, e nem machucada. Iria se lembrar dela sorrindo.

- Vá arrumar suas coisas, Madara a levará para o aeroporto.

Assentiu com a cabeça e saiu encostando a porta delicadamente. Chorava, silenciosa e atormentada. Encostou-se a parede ao lado da porta e escorregou até o chão. Naquele momento não se importou em parecer uma criança, e não se importou com o sangue em seu vestido, rasgou uma parte do tecido, e enxugou as próprias lágrimas. Ele não a amava, levá-la para longe não era gostar dela. Pain a estava afastando de si mesmo em seu pensamento juvenil.

Ao ouvir passos pela escada, correu pelas sombras do corredor aproveitando para andar quando estouravam os trovões.


Madara vinha andando pelo corredor devagar, queria conversar com Pain pelo menos um última vez para tentar tirar da cabeça do mesmo a idéia de mandá-la embora. Bateu na porta e entrou antes mesmo de Pain permitir.

- Konan eu já disse! – Gritou ainda de cabeça baixa.

- Não é a Konan. – O mesmo andou até a mesa do líder e apoiou as mãos sobre a madeira. – Disse a ela?

O ruivo continuava na mesma posição desde que Konan saíra da sala. E não era possível ver seu rosto, mas pela respiração era possível ver que estava alterado.

- Pain você está bem?

- Sim. – Ergueu a cabeça e olhou para o moreno.

- Ela realmente vai? – O subordinado se afastou e encostou-se na parede observando o charuto cubano no cinzeiro. – Sabe Pain, eu estive pensando, e por um lado é melhor mesmo mandá-la embora. – Pausou para olhar para a janela. - Depois de hoje eu percebi que muitas pessoas vão usá-la para te atingir, afinal, ela é seu ponto fraco. Isso qualquer um sabe.

- Meus motivos não são esses Madara, você sabe, não me importo se ela vai viver ou morrer. O problema aqui, é que ela vai nos atrasar futuramente, se ficarmos sofrendo ataques do Orochimaru enquanto ele pensa que ela é meu ponto fraco, a Akatsuki será devastada, já perdemos Sasori hoje, quem seria o próximo? Eu, você ou sabe-se lá quem.

- Pode ser, mas no fundo, eu tenho certeza que uma parte de você quer protegê-la. Pare de enganar a si próprio! – Acusou.

- Chega.

- Sabe o que eu penso? – Madara retirou a máscara que revelou um rosto coberto por cicatrizes. – Isso foi por amor. – Apontou para si mesmo. – Isso foi por amor. – Apontou para o ombro de Pain. – Sabia que isso a mataria, e não permitiu, preferindo levar os tiros no seu lugar.

- Não foi. Já chega, saia antes que eu te mate!

- A quanto tempo não se interessa por uma mulher Pain? Quer dizer, de verdade. Por que eu me lembro de você ser um completo sedutor, e lembro de tantas vadias andando por essa casa. Onde elas estão agora?

A pergunta de Madara o surpreendera, realmente não se interessava de verdade por mulher nenhuma a muito tempo. E tinha até esquecido disso. Claro que desejava, mas desejava somente um corpo. O único que jamais poderia tocar.

- Eu já vou. Fique com seus medos e inseguranças. Tenho que ajudar Konan.

O moreno saiu da sala fazendo o mínimo de barulho possível. As palavras dele haviam deixado resquícios de dúvidas nos pensamentos do líder. Por que diabos tinha que desejar tanto Konan? O que ela havia feito para que sempre plantasse uma dúvida em sua mente?

Levantou-se da mesa e foi até seu quarto com passos leves para que ninguém percebesse. Despiu-se e jogou as roupas em um canto qualquer do quarto. Pegou a primeira bermuda que viu, e terminou de limpar qualquer resto de sangue em seu corpo.

Precisava tomar uma decisão. Uma decisão que faria bem para ele, e para Konan. Resolveu ir até o quarto da moça e parou em frente a porta analisando a maçaneta, abriria ou não? Ficou pensando nisso tanto tempo, que já estava parado diante da porta lutando contra suas duas decisões a mais de uma hora. Ele poderia se despedir decentemente dela, ou poderia deixar Konan ir machucada.

Cada lado tinha um benefício. Se ele entrasse ali, talvez provasse o sabor dela ao menos uma vez. E se ele não entrasse e ela fosse magoada, seria bem mais fácil dela esquecer depois, dela esquecer que ele um dia havia sequer existido em sua vida. Mas essa opção o incomodava um pouco, ela se esquecer dele? Não era justo, por que ele sabia que não se esqueceria.

Relou na maçaneta e girou-s devagar. Esperava que Konan não visse que era ele. Mas ao adentrar o quarto em seu primeiro passo, a garota que estava de costas para a porta disse sombria.

- Vá embora. – Por um momento a raiva dela pareceu tão real que Pain pensou em recuar e dar as coisas. Mas Madara o olhou e Pain imaginou que ele estivesse sorrindo por trás da máscara. E naquele momento o líder tomou coragem o suficiente para continuar o que tinha ido fazer ali.

- Madara, pode se retirar? – O jovem andou para a beirada da cama, longe de onde Konan estava.

O moreno saiu sem fazer nenhuma objeção. A garota se virou para Pain e encostou-se na janela.

- O que está fazendo aqui? – Perguntou tentando não parecer interessada.

O líder olhou para seu corpo tão desejado e percebeu que ela havia trocado de roupas, e arrumado os cabelos. Agora estava com um jeans escuro, e uma blusa de mangas compridas e um tênis brancos. Os cabelos estavam emoldurados por uma flor de origami.

A chuva lá fora fazia o quarto se iluminar mais ainda com os raios que passavam cortando o céu. O simples cair da chuva dava ao ambiente uma suave cantiga. E naquele momento, nada parecia real diante da visão um do outro.

- Não sei. – A voz veio carregada de frieza, Pain parecia distante dali, extremamente distante.

Konan pensou em jogar nele qualquer objeto que encontrasse, somente para ele sentir ao menos um pouco de sua dor. Suspirou cansada da silenciosa e serena face de seu mundo. Mas era ele, ele quem ela queria ter e não tinha. Quem ela desejava ter além de todo o mal, além de qualquer problema.

Aproximou-se dela sem dizer palavra nenhuma. Estava deslumbrado demais para dizer qualquer simples palavra.

Comparou-a com a noite, a noite incendiada pela luz da lua e inundada pela extensão do oceano. E ela era realmente uma irmã da noite, uma cópia perfeita. Seus cabelos negros, os olhos mais azuis que a água, e o brilho dos olhos juvenis como se fossem estrelas.

Parou a seu lado e encostou-se a janela também. Os dois olharam pela janela e ela balbuciou.

- Meu pai costumava dizer que pessoas boas quando deixam esse mundo, se transformam em estrelas. – Parou e observou a face de seu amado refletida pela luz da lua cheia. – E nos últimos tempos, as estrelas andam desaparecendo, diminuindo. – Sorriu tristonha e encarou a leve garoa que caía agora. – Você gostaria de ser uma estrela Pain?

A pergunta o calou e fez a sua expressão se retrair em uma carranca. Ainda que ele quisesse, ele jamais poderia ser uma estrela. Sua alma já era corrompida, era suja. Era manchada com o sangue de inocentes.

E talvez ele não possuísse uma parte boa. Ou talvez, a sua única parte boa fosse a parte que Konan habitava e dominava.

- Não posso ser uma estrela. – As palavras saíram frias, mas ainda sim eram tristes.

Konan olhou para o rosto de Pain e sentiu uma enorme vontade de beijá-lo. Mas não como sempre tivera. Pois agora era mais intenso. Queria senti-lo mais afundo. Não como Deidara e Zetsu haviam feito a alguns anos, contra a sua vontade. Por que com Pain, sabia que era algo diferente, que era amor!

Chegou bem perto do rapaz e o abraçou encostando a cabeça em seu ombro largo e malhado que não estava machucado. Fechou os olhos e inspirou o perfume másculo de Pain. O cheiro de álcool vindo da fragrância fazia seu nariz arder, mas não se importava.

- Sabe... Você pode não acreditar, mas eu amo você Pain, amo mesmo. E na verdade... Estou com raiva de você... – Sussurrou contra sua pele ainda de olhos fechados.

O mesmo não respondeu, estava absorto demais em seus pensamentos para responder.

- N-não quero ir... – O choro já lhe subia a garganta fazendo a voz sair entrecortada.

Sem entender sua própria atitude, passou os braços ao redor da garota e a apertou. Pelo menos naquele momento ela estava protegida, e bem ali, nos braços dele.

Não diria que a amava, ele mesmo estava confuso e não sabia o que sentia. Desconhecia o significado de amor, afinal, nunca havia sentido esse sentimento tão complicado antes. A única coisa que sabia, era que não queria o mal dela. E realmente, ele não a merecia, ela estava acima dele, era bem melhor que ele.

Jamais poderia ficar com Konan, ele não se permitiria estragar a sua alma por mais que ela quisesse. A garota de espírito juvenil não deveria ficar com o assassino de almas.

- Você tem que ir Konan, não tem escolha.

- Então me dê uma última lembrança sua. – Ela se afastou um pouco do rapaz e trancou o fundo de sua mente. Estava fechada para todos menos Pain.

Olharam-se, mas nenhum som era proferido por eles, estavam em um momento íntimo demais para compartilhar quaisquer palavras simples. Eram iguais, almas perdidas em busca de afeto, fogo em busca de uma chama, navio em busca de uma praia...

Azuis e negros, seus olhos refletiam seus retratos como espelhos, espelhos capazes de enxergar o interior. As mãos ásperas do jovem percorreram todo o rosto de Konan, as pálpebras, nariz, bochechas, lábios... Identificava cuidadosamente cada parte do rosto de seu anjo.

Não se conteve em descer ás mãos pelos ombros de Konan, relando em toda a sua pele aveludada, passando pela fina e delicada cintura e chegando até as mãos. Pequenas, macias e quentes. As mãos que adorava.

Konan observou Pain passear com suas mãos por todo seu rosto, e por seus ombros, e a sensação de finalmente ter aquelas mãos tocando as suas, não como numa dança, mas sim num gesto de afeto, fizeram seu corpo todo se arrepiar, como se pedisse por mais carinhos.

Enlaçou as mãos em sua cintura e puxou-a para mais perto. Repetindo a sensação da brisa quente em seu rosto provocada pela respiração calma de Pain.

- Eu vou sentir sua falta... – Sussurrou contra os lábios do jovem.

- Shh... – Pediu silêncio, e roçou seus lábios nos lábios da moça, como se pedisse permissão por um beijo apenas.

Konan deu um passo, colando seus corpos, e colocou as pequenas mãos em seu peito desnudo arranhando de leve.

- Apenas sinta. – Foram às últimas palavras pronunciadas pelo jovem antes de iniciar o beijo.

Tocou os lábios rosados com a maior pureza e delicadeza que conseguiu, afinal, a moça queria uma lembrança dele, então ela teria a melhor de todas. Começou com um beijo plácido que aos poucos foi se aprofundando levando suas mentes para viajar a uma distância desconhecida pelos dois.

Pain pediu passagem com a língua para que pudesse senti-la mais afundo, então era como se uma dança se iniciasse ali. Por mais que Konan nunca houvesse provado do beijo de Pain, sabia exatamente o que fazer. Suas línguas se enroscavam, e ele explorava todos os cantos da boca da garota, não deixando passar nada.

Suas mãos seguravam uma a cintura, e a outra estava segurando a nuca de Konan, enroscando seus dedos nos sedosos cabelos, trazendo-a para perto, quase que num beijo esmagador.

A sensação de uma fisgada na parte interior das pernas de Pain denunciava que ele queria algo mais, mas isso ele não faria, seria horrível para Konan provar disso, e depois nunca mais tê-lo por perto.

E a umidade nova em partes que ela jamais imaginara mostrava o quanto ela desejava Pain naquele momento, por mais que soubesse que sofreria depois. Com estes pensamentos na mente de ambos, o rapaz não se conteve em passar uma das mãos pelos seios de Konan, numa carícia leve.

E quando desceria uma das mãos lembrou-se que não deveria, e impediu-se de continuar com aquela brincadeira perigosa, que deixaria de ser delicada para virar selvagem.

Terminou o beijo sugando-lhe os lábios inferiores arrancando um gemido extasiado da mulher em seus braços. Afastou seu rosto do dela, mas não a largou dos braços, e tocou-lhe os lábios arroxeados com a ponta dos dedos, acariciando.

Konan encarou Pain, e sorria doce como um anjo, ou como uma criança que acabara de receber o presente tão esperado.

- O que foi? – Perguntou o líder frio como de costume.

- Eu queria ter ganhado essa lembrança há muito tempo. – Deu uma risada meiga, e o abraçou forte.

Tinha acabado de provar do seu fruto proibido, e tinha sido bem melhor do que esperara. Bem melhor.

Continua...


Eu sei que demorou, por favor não me matem! *desvia de uma pedra*

Foi sem querer gente, mas eu estava sem idéias, e eu não ia escrever um capítulo a toa para ele ficar muito ruim. Então eu esperei a minha inspiração, e bem hoje, eu consegui! Eu fiquei sem brincadeira, quase 7 horas revisando, escrevendo e criando só hoje!

Então desculpa de verdade, mas agora vocês tem 17 páginas do word, com 8.843 palavras para lerem, haha *-*

Eu sei que ficou bem comprido esse capítulo, mas não faria sentido se eu colocasse no próximo qualquer coisa desse. E no próximo, nós teremos a partida de Konan, uma carta inesperada para Pain, e o primeiro Hentai :OOOOOOOOOOOO

então esperem, por que eu já tenho na minha cabeça toda a cena, huhuhuhuh (6)

so, reviews por favor, por que isso me incentiva, e beijos.

Só um pedido, eu preciso que vocês me ajudem a encontrar uma música tema perfeita pra essa fic, por que eu não estou NADA satisfeita com a que eu tenho, então se vocês souberem de alguma, por favor avisem! Obrigada desde já.

Yuuki ai