Título:Segunda Chance

Beta: Scheila Potter Malfoy


Parte 4

Capitão Black estava apoiado na popa de seu navio e observava as velas negras sacudirem com o vento.

- A sorte sempre a nosso favor. – Sorriu de canto. Fazia cinco dias que viajavam numa velocidade considerável graças ao vento sul, que soprava forte nessa época do ano e talvez se não estava enganado, o que era difícil de estar, pois conhecia esse oceano como ninguém, já estava perto.

O guri veio correndo se chocando contra sua perna antes de parar a seu lado, o que nem pareceu sentir.

- Aqui capitão. – Estendeu-lhe a luneta.

Black a pegou, agora mirando ao lado leste. Ajeitou o foco da lente e abriu um amplo sorriso desdentado assim que a costa de uma ilha se assomou em seu campo de visão, com uma grande cruz de madeira no alto de uma encosta na praia.

- Maravilha Dok. Finalmente o encontramos.

- Capitão! Não poderemos avançar muito! –Berrou o anão do alto do mastro. O homem também observava com uma luneta e indicou com a mão o motivo.

Black acompanhou a extensão da ilha seguindo o vento e viu que rochedos invadiam cerca de meio quilômetro mar adentro, cortando as ondas como barreiras sólidas e perigosas.

Sem dúvida danificaria o casco do navio caso a maré os jogassem para lá e naufragariam em questão de minutos.

Abaixou a luneta e apoiou na borda, pensativo.

Não poderiam chegar atacando de uma distância dessas, não daria resultado. Ergueu a mão e acenou para o lado. Logo o piloto girou o leme e outros se desdobravam em virar os mastros na direção ordenada indo contra a parte da ilha de mata fechada, as velas das laterais e a maior, do centro, foram suspensas para diminuir a velocidade e ajudar na manobra.

Um dos piratas media a fundura da água para não encalharem, e quando sentiu que era hora de parar, gritou a outro que imediatamente afundou a cabeça por um alçapão e berrou.

- Ancorar!

O velho pirata responsável puxou a alavanca que soltava a âncora e depois de alguns segundos, o grande navio parou.

Enquanto metade da tripulação recolhia as velas e aprontava os botes e os armamentos, Black ainda se mantinha apoiado na beira do navio, pensativo.

Fungou repetidas vezes e coçou a cabeça.

- Dok.

- Sim capitão! – O guri berrou se pondo em posição de "sentido".

- Traga o Feiticeiro, preciso de um cérebro aqui.

oxo

Draco estava atrás do biombo se vestindo, quando sentiu que o navio virava de repente, fazendo suas coisas deslizarem para um lado incluindo ele próprio.

Tentou se segurar em alguma coisa, mas não teve tempo, apenas conseguindo cair sobre a cama e se agarrar firme no colchão.

Poções, espelhos e cristais se perderam ao caírem no chão e quebrar.

Até sua penseira quase tombou, se não fosse por Harry, quem a segurou e a empurrou cuidadosamente contra a parede.

Depois de alguns minutos que pareceram horas, o navio voltou a se estabilizar e finalmente parar.

- Odeio essa banheira ambulante... Odeio o mar... Odeio sentir enjôo... Odeio os piratas... – O loiro reclamou arrastando as palavras e grunhindo por baixo.

Harry riu, pois agora ele realmente estava parecendo com Malfoy e nessa sua frase só faltava o "odeio ao Potter", mas quando seus olhos pousaram sobre o Feiticeiro, não soube o que sentiu.

Draco estava sentado na cama, os braços entre as pernas levemente afastadas e as mãos apoiadas no colchão. Sua túnica caía em volta de seu corpo mostrando a pele pálida de seu dorso nu, apenas sendo manchado pelos longos e platinados fios.

Era um corpo bonito, com musculatura levemente trabalhada e forma esguia, mas sua contemplação durou pouco, logo virou o rosto para outro lado quando o Feiticeiro se cobriu com a túnica, tampando esse pedaço de carne que lhe fascinava.

Ficou olhando para a penseira e se achando estranho. Nunca reparou no corpo de Malfoy, nem chegou a pensar em fazer isso, mas agora, lá no fundo sua mente perguntava se debaixo do uniforme de Slytherin também encontraria essa perfeição tão atraente.

- ...você acha Harry?

O moreno só ouviu o final da frase e assustado focou a Draco, que já devidamente vestido o olhava, esperando uma resposta.

- Desculpe, não ouvi o que disse... – Ficou constrangido por ter se distraído pensando em um corpo masculino.

Draco franziu o cenho e se aproximou de si, para se ver mais tenso que antes, com a proximidade do corpo que acabara de cobiçar.

- Você está bem?

A pálida mão se alçou no ar, e se aproximou de seu rosto com gentileza, para tocar-lhe a face. Harry reteve a respiração, perdido no olhar azulado e aguardou sentir o toque, quando uma batida rude na porta os interrompeu.

- Feiticeiro Draco, o capitão Black quer vê-lo agora! –A voz de criança se ouviu alta.

O loiro derrubou o braço e fechou os olhos suspirando com enfado.

- Estava demorando... –Resmungou, seguindo em direção da porta. Antes de abri-la, voltou a olhar a Harry, que não desviava os olhos de si. Sorriu um pouco. – Vamos, não quero enfrentar sozinho àquelas criaturas.

- Como se eu fosse de grande ajuda caso eles tentem fazer algo. – O moreno sorriu de volta, tentando afastar esses sentimentos para um canto escuro de seu interior.

- Acredite. Sua presença já me dá forças para enfrentar o dia.

Harry ficou um pouco surpreso por ouvir isso, mas se lembrou que ali não era seu tempo, então disse a si mesmo que este a sua frente não era Malfoy, pois o verdadeiro Malfoy que conhecia nunca preocuparia consigo, nem sorriria dessa forma e muito menos apreciaria sua companhia.

E sentiu uma decepção bem lá no fundo, quase imperceptivelmente que não chegou a se dar conta.

Quando Draco e Harry se assomaram à proa, ficaram surpresos em verem terra, árvores e plantas ao invés de água por todos os lados que olhassem.

- É uma pena que é só uma ilha... – Draco se lamentou baixo, mas o suficiente para Harry ouvi-lo – Ou poderíamos tentar escapar.

O Feiticeiro logo estava ao lado do capitão.

- Finalmente. Ande, pense em como resgatá-lo. – Black ordenou simplesmente, rodando a mão no ar como se o apreçasse a pensar rápido.

- Quê? – Ficou indignado. – Sou apenas seu Feiticeiro, e não seu conselheiro de guerra!

- Sou um pirata... – Disse lentamente, girando para ficar frente ao loiro e mostrando seu porte. – Aqui não é um castelo, e a tripulação não é uma corte real. – Deu mais um passo, prensando o pobre e enojado Feiticeiro contra a beira do navio. – Você me pertence, então é meu feiticeiro, meu marujo, meu cérebro, meu conselheiro de guerra e se não fosse tão bebê, seria meu amante também. Entendido?

Draco confirmou rapidamente. Já estava curvado para fora do navio que se o nojento pirata se aproximasse mais um centímetro, cairia de costas ao mar e estaria grato por isso, contando que não ficasse tão perto de uma criatura como aquela.

Harry via a tudo com diversão. No fundo, o Capitão Black não estava sendo tão mau assim, mas começou a mudar de idéia quando viu que o pirata se inclinava ainda mais contra o rosto de Draco e estava muito perto de beijá-lo.

- Ei! –Gritou, pronto para empurrar seu padrinho, quando o Feiticeiro reagiu ao ouvi-lo gritar.

Draco ergueu um dedo no meio de suas bocas, logrando assim uma distância maior entre eles.

- Então, capitão Black... – Começou, com um sorriso forçado. – Preciso consultar minha penseira para saber onde exatamente essa pessoa está para chegarmos até ele sem suspeitas, o retiramos de lá e causamos um alarde no povo para que se confundam e não tomem conhecimento que ele escapou. O que acha de minha idéia?

- Ótimo... – Black se afastou para olhar em direção à ilha enquanto alisava o cavanhaque, totalmente esquecido de tudo, só pensando em resgatá-lo.

O loiro saiu dali às pressas e se enfiou apavorado em sua cabine, seguido de perto por Harry.

- Fugindo? – O moreno não evitou zombar.

- Mais é lógico! – Estava horrorizado. – Viu o que aquele maníaco ia me fazer? Por sorte ele não é muito chegado em alguém muito mais novo, mesmo assim ia... ia... – Apertou as mãos e fez gestos em direção da boca. – Isso foi completamente repugnante! Por Merlim, nosso sábio e poderoso mestre... Preciso escapar dessa prisão de degenerados e estupradores!

- Acalme-se, ele não te fez nada. –O moreno ainda ria, vendo como o loiro buscava suas coisas mais importantes, ciente em escapar dali de qualquer jeito.

- Ele não, mas e os outros? – Olhos azuis-prateados se firmaram aos seus. – Venho trancando qualquer tipo de passagem que eles possam usar para invadir minha cabine enquanto durmo, ou até mesmo quando estou acordado. Eu os vejo me observando, por isso não gosto de deixar esse cubículo e sair lá fora.

- Nunca reparei que usa feitiços para tranca... – Harry ficou surpreso, então se lembrou que o outro não precisava usar varinha nem conjuro para fazer feitiços simples.

- Conde Lancaster pelo menos me colocava em um pedestal e não permitia que ninguém se aproximasse de mim, com medo que me roubariam, mas aqui, aquele capitão disse claramente que sou qualquer coisa que ele ordenar incluindo um marujo como esse bando de porcos imundos.

Draco teve um forte calafrio ao se imaginar fedendo, ajoelhado no chão e esfregando o convés junto aos outros, o encarando e prontos para atacá-lo.

Harry ficou com pena, vendo que ele era fresco demais para agüentar aquela vida por muito tempo, se aproximou do feiticeiro e o envolveu num abraço confortante e se pegou desejando livrá-lo de tudo isso.

Ia dizer algo, mas não teve tempo, pois a porta se abriu para dar passagem a Black.

- Então, onde ele está exatamente?

Draco se assustou e ficou na defensiva. Com cuidado, puxou através de magia sua penseira de volta ao meio do cômodo e retirou do pescoço o medalhão que o capitão havia lhe dado.

Derramou uma poção dentro da penseira e murmurando algo, colocou o adorno na água. Seus olhos se obscureceram e pôde ver uma construção de pedra. Forçou seu poder a ultrapassar as paredes vendo agora inúmeros cárceres, todos repletos de prisioneiros.

Ficou um pouco surpreso quando sua magia foi puxada por outra, apoiou na borda da penseira, sentindo-se tragado por alguém.

Harry se preocupou, mas não se atreveu a tocar no Feiticeiro quando ele estava usando sua magia, deveria ser perigoso. Via tudo junto com o loiro e assustado, viu que a imagem na água corria rapidamente, passando por um corredor longo, descendo uma escadaria de pedra e por fim, dando exatamente sobre uma pessoa, que preso por grilhões de ferro nos pulsos e tornozelos, incluindo um em seu pescoço, levantou a cabeça e abriu os olhos mostrando um lampejo de verde que fitava exatamente aos olhos de Draco, como o enxergasse de dentro da penseira.

- Tire-me daqui – O rapaz pediu diretamente na mente de Draco, o que o fez gritar e romper o feitiço para desmaiar em seguida.

Era como se o outro havia entrado em seu corpo, o sentiu vasculhar sua mente e desnudá-lo por completo, cada momento que viveu, cada emoção que sentiu e cada pensamento que tinha era como se o outro estava se inteirando completamente.

Black havia segurado o corpo do loiro antes que este alcançasse o chão. O jogou na cama de qualquer jeito e sorriu vitorioso.

Por ser bruxo havia visto tudo junto com o Feiticeiro e agora sabia onde ele estava e como faria para tirá-lo dali.

- Quem é ele? – Harry mirava seu padrinho, desconfiado.

Black, que ia deixar a cabine, parou de andar e olhou na direção de Harry, erguendo uma sobrancelha. Passou os olhos por essa parte e não viu nada.

O moreno se surpreendeu que o outro conseguiu ouvi-lo, isso significava que estava mais presente nesse tempo do que quando havia sido lançado para lá.

- Pode me ouvir? – Tentou de novo.

- Quem está aí? – Black levou sua mão à espada.

- Isso não importa agora. Você é bruxo, por isso pode ver através da penseira. Se é assim, por que não conseguia achá-lo?

- Oh... Você é a entidade que fala com o Feiticeiro certo? – Black riu, voltando a relaxar o corpo. – Sou bruxo, mas de magia rústica, não tenho tanto poder além do que a natureza me permite.

- Mas pelo jeito ele tem muita magia. – Harry olhou a penseira. – Quem é ele?

- Agora ele é meu filho. – O capitão sorriu com um pouco de tristeza. – Ele era filho de meu grande amigo e companheiro de aventura... Foi preso quando os malditos fiéis ao rei da Inglaterra nos atacaram. Seu pai morreu nesse ataque, perdemos parte da embarcação e ele foi preso, esgotado por ter usado mais poder do que se deve. – Harry viu como havia se entristecido pela perda de um companheiro tão importante na vida, Black passava a determinação e divertimento. – Amanhã ele vai à fogueira, por bruxaria, mas não se depender de mim.

Dizendo isso, deixou a cabine para pôr em prática seu plano.

Harry finalmente se deu conta que tremia. Ergueu a mão direita e a viu se sacudir quase imperceptivelmente. Apertou o punho e olhou dessa vez ao Feiticeiro, largado de qualquer jeito sobre a cama. Um braço estava pendendo igual que o cabelo.

Suspirou, indo acomodá-lo melhor. Não sabia o porquê, mas estava com um pressentimento estranho em relação àquele rapaz.

oxo

- Seu querido padrinho não vai tirá-lo daqui Wolf? Pensei que ele viria correndo buscar a menininha! – Caçoou um dos prisioneiros da cela ao lado, levando aos demais rirem também.

- Amanhã daremos adeus ao suposto herdeiro do título de Capitão do grande Zeus. Que pena! – Riu um outro, fazendo drama. Novas gargalhadas foram ouvidas.

O mencionado nem prestava atenção, ainda mirando a direção em que sentiu a magia de um bruxo quase tão poderoso como o era.

Não havia como se confundir era um poder ancestral, não provindo dos bruxos do clã de seu povo, adeptos à natureza e aos elementos, mas um bruxo que provinha do clã do norte, das altas montanhas de neve. Era um povo bruxo que se isolaram dos humanos por acharem que se contaminariam com a desgraça desse povo fraco. Sua magia era adepta ao ocultismo e rituais, um poder mais voltado às emoções que à natureza.

O que um mago de gelo fazia por esses lados, em pleno mar?

Black?

Estreitou os olhos ao lembrar dele. Ele não tinha magia de rituais, não sabia usá-la para ver através das distâncias, mas talvez ele descobriu a forma de encontrá-lo através de um bruxo que sim, poderia fazer isso.

E esse bruxo era alguém jovem, talvez mais jovem do que si... Conseguiu entrar na mente dele através da ligação de suas magias. Não havia vivido muito, mas havia ficado um bom tempo sozinho, foi o que percebeu, talvez praticamente a vida inteira. E era um bruxo triste... Quando sentiu essa tristeza e melancolia vinda de dentro desse ser, buscou com mais afinco a causa, e descobriu que havia pensamentos de morte também.

Muitas vezes havia pensado em morrer...

Mas não pôde ver muito, pois foi forçado a se apartar dessa mente. A magia que o golpeou para tentar expulsá-lo foi grande, e mantendo a ligação entre si o máximo que conseguiu, pediu que o livrasse dali.

Foi expulso e sentiu o efeito desse golpe repercutir em seu corpo. Sua cabeça estava doendo e quase vomitara.

- Está rezando Wolf? Pedindo um milagre para se salvar da fogueira?

O rapaz girou a cabeça com lentidão, lançando um olhar estreito ao homem que caçoava.

Olhar ferino, carregado de raiva e poder. Apenas precisou estreitar levemente os olhos para golpear o imundo e fraco humano.

Quando o nariz do pirata começou a sangrar, todos se afastaram apavorados, xingando-o de demônio, bruxo e outros nomes pejorativos.

Todos eles eram da tripulação do Capitão Black, mas como sempre, ninguém era a favor de ninguém, apenas se mantinham unidos por benefício próprio e ganância. O único que fizera a diferença foi seu pai e por isso Black o nomeou em segundo no comando e àquele em quem confiaria e daria a vida, como irmãos de sangue. Também não havia se importado cuidar de si, ainda criança.

Ao se lembrar do pai, se entristeceu por dentro, mesmo por fora aparentando frieza. Fizera o que pôde para salvá-lo, mas falhara.

O som alto das cornetas dando alarme, o arrancou dos pensamentos. Ergueu a cabeça para fitar a estreita janela rente ao teto e sorriu, voltando a desviar os olhos à grade.

Os piratas da cela ao lado ficaram assustados e alvoroçados, querendo saber o que acontecia.

- Será o Capitão Black?

- Impossível! Estamos presos aqui faz mais de seis meses e ele nunca apareceu!

Todos olharam ao prisioneiro solitário, que mirava como o guarda do calabouço corria para fora. Seus olhos então pousaram no molho de chaves pendurado na parede do fim do estreito corredor, bem longe de onde estava.

Ergueu-se e se encostou à grade o máximo que as correntes lhe permitiam. Estendeu a mão direita até que esta lhe doesse, sendo machucada pelo grilhão e se concentrou.

No instante seguinte a argola de chaves voara em sua direção. Apanhou com precisão e voltou a cair sentado, respiração difícil por ter uma costela quebrada.

- Ei Wolf! – Os homens ficaram em expectativa, vendo como o rapaz se livrava pouco a pouco das algemas e correntes.

Não tinha tempo por perder. Só não usou a magia antes, pois não tinha como vencer todos os soldados e armas sozinho, nem com toda magia que possuía, seria muito arriscado e certamente acabaria morto.

Quando a última corrente caiu por terra e se viu livre, buscou a chave da cela.

Gritos e estrondos eram ouvidos. O tempo estava correndo.

Finalmente o grosso cadeado caiu e a grade se abriu. Olhou aos demais prisioneiros, que estendiam as mãos para que lhes dessem as chaves para que pudessem sair dali também.

- Por favor, Wolf! – Implorou um deles.

- Conhece a gente desde guri, não nos largaria aqui, não é? –Suplicou um outro, justamente aquele que lhe xingava.

- É claro que não... Peguem... –Sorriu com simpatia. Então derrubou a argola de chaves onde estava e correu o máximo que suas pernas e seu estado lhe permitiam, deixando para trás os berros e o desespero dos piratas.

Os prisioneiros se esforçavam contra as grades, esticando os braços e se pisoteando para tentar alcançar o molho de chaves, a meros cinco centímetros de seus dedos, mas que nunca conseguiriam ter em mãos.

- Desgraçado!

Wolf sorriu maroto. Os olhos brilhando por estar livre novamente.

Quando se assomou fora da prisão, viu vários piratas combatendo com soldados reais. Seus olhos logo avistaram quem queria.

Agachou-se de uma chuva de flechas, correndo para se proteger atrás de uma carroça de feno e dali, foi fácil derrubar um dos inimigos e lhe tomar as armas. Muniu a besta com três curtas flechas e mirou ao que atacava ao Capitão.

De um olho fechado e outro aberto, firmemente cravado ao soldado que duelava com Black e que se encontrava a mais de cinco metros, desferiu as flechas.

Uma cravou contra a parede de uma casa, a outra atingiu as costas do soldado e a terceira, precisamente no pescoço.

Correu o risco de alguma delas acertar o padrinho, mas tinha plena confiança em sua precisão.

O capitão, que sendo salvo olhou em sua direção e lhe sorriu divertido, acenando um polegar de agradecimento.

Quando se uniram em meio à batalha, abraçando-se num pequeno gesto de afeto, foi como se suas forças redobrassem.

Assim que tiveram oportunidade de se safarem dali, correram para a mata para despistar os soldados. Depois de um tempo, chegaram à beira da praia e tomaram um dos botes. Alguns piratas estavam ali na espera e foi apenas saltarem dentro da embarcação, que começaram a remar em direção ao grande navio.

Black se acomodou ao lado do rapaz, passando a analisá-lo com rudeza, agarrando seu cabelo negro e girando sua cabeça em todas as direções.

- Você ficou podre! – Foi seu veredicto final.

- Sério? Nem reparei. –Sorriu um pouco, apertando um lado das costelas, para tentar segurar a dor.

- Desculpe a demora filho. – Dessa vez o capitão diminuiu a voz e lhe esfregou a cabeça com carinho.

- Sabia que viria. Cedo ou tarde, eu sabia que você estaria aqui.

Trocaram um sorriso cúmplice e fraternal, e no fundo, ambos lamentaram a perda do pai do rapaz. Era para estarem os três, juntos e curtindo a liberdade.

Embarcaram ao Zeus e Wolf foi levado direto à sua cabine.

- Deite-se e descanse. Rumaremos para nossas terras, você precisa de um alquimista para curar os ossos fraturados. – Antes de sair, avisou. – Mandarei Dok trazer comida e depois, o Feiticeiro cuidará de seus machucados superficiais.

- Feiticeiro? – O rapaz havia se acomodado em um colchão, mas ao ouvir isso abriu um olho para fitar seu padrinho. Agora estava esclarecido. Então era realmente um mago de gelo a quem havia sentido.

- Eu peguei o Feiticeiro do Conde Lancaster – Riu convencido. – Ele quem te encontrou. Serve para várias coisas também além de achar pessoas desaparecidas, como, por exemplo, tratar das feridas, conversar, pensar, limpar o convés e quem sabe, se você quiser, te dar prazer... – Fez um gesto obsceno e gargalhou saindo dali e deixando o rapaz em paz.

Wolf ainda ria, negando com a cabeça, mas pensando bem, tinha suas necessidades e viver em alto mar, com tripulantes um mais asqueroso que o outro, dava ânsias de se afogar num corpo quente, perfumado e apetitoso. Veria como era esse tal Feiticeiro, e se valesse a pena, não pensaria duas vezes em usá-lo para o que o padrinho acabou de insinuar.


Nota: Estou me divertindo escrevendo essa fic, pois é aventura e slash/lemon e espero que vocês estejam também se divertindo lendo. Talvez eu a pegue com afinco depois que encerrar Caminho do Coração, que já está terminando. Essa fic não é tão longa, mas quem sabe eu não mude de idéia e a faça maior que o planejado? Bem, fico por aqui, até o próximo capítulo.

Obrigada a Scheila por betar.

Agradecimentos a: Isabella Malfoy - olá, se o Harry for tragado inteiro parao passado, ele morreria no presente e viveria no passado. Acho que o Harry já está mudando o modo de ver o Malfoy, graças ao Draco do passado :) Bjm; Simca-chan; Condessa Oluha; Felton Blackthorn; Fabi - olá, finalmente estou me dedicando um pouco mais nessa fic, espero que tenha gostado desse capítulo. Agradeço seu comentário em O Espelho, muito obrigada de coração! Bjs; DarkAngelSly; Sy.P; milinha-potter; Hatake Damy; Estrela Polar e Nanda Lilo.

Obrigada a todos que comentaram e até o próximo capítulo! Beijos a todos!