ALERTA – YAOI
Se você não gosta, acha estranho e deplorável, faça uma purificação com a Renge-sama e talvez você seja aceito pelas flamas do MOE! YAY!
Okay Jaana, agora estou realmente preocupada. Se você não postar um novo capítulo de Love Lessons logo, eu vou atrás de você, e acredite, você não iria gostar.
WOOAAAA!! SASUKE'S POV!
Pois é, meus panetones cristalizados, não sei da onde que me veio essa de fazer um pov só do Sasu-chan, mas desconfio que também irei fazer um do Ita-chan. Querem encarar para ver?
Avisinhos básicos que eu não precisava botar aqui (mas gosto de fazer vocês perderem tempo).
Normal – POV do Sasuke
Itálico – Passado/Coisas que já aconteceram.
Bem bem, meus quindins açucarados (Sim, eu sei que quindim leva mesmo açúcar, obrigado), espero que o cap esteja bom. So, relax and enjoy.
(¯`v´¯) .:.
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SASUKE'S POV
Era mais um dia clássico de outono.
As nuvens eram cinzas e opacas e cobriam toda e qualquer parte do céu, sem exceção. O sol, apenas um brilho fraco vindo de algum lugar acima de minha cabeça que fazia meus olhos arderem com a claridade. Os picos nevados das montanhas eram perfeitamente visíveis de onde eu estava, enfileirados um ao lado do outro, como dominós cobertos de açúcar. Nem um farfalhar vinha dos ramos das árvores cobertas de branco.
Madara estava no fundo da caverna rochosa, que estava servindo de abrigo para o Taka. Os roncos de Suigetsu ressoavam de dentro da cavidade escura e úmida, e me perguntava se Juugo ou Karin já haviam acordado com os ecos ensurdecedores. Madara provavelmente estava repassando (de novo) a destruição definitiva de Konoha. Apesar de não demonstrar, ele claramente esta empolgadíssimo com a idéia de obliterar a Folha, o orgulho dos Hokages, pessoas, e o que mais ele encontrar lá. É uma pena que o Bairro Uchiha também será vítima da catástrofe que iremos causar, afinal, aquele fora o lugar onde passei minha infância, o lugar que já foi o meu lar.
Bem, ele foi. Não é mais.
É tudo por uma causa maior. Logo, logo este maldito buraco no meu peito irá se fechar, assim como uma costureira fecha os rasgos de uma roupa, porque vingança é assim. Fácil e simples, além de resolver todo e qualquer problema. É só acabar com a potência mais poderosa do mundo que nos negligenciou, que fez meu irmão jogar a vida fora pela "paz" da vila medíocre em que desperdicei a maior parte da minha vida, que agora está gozando de pessoazinhas alegres e iludidas, que estão desfrutando de uma existência boa paga com a de meu irmão. O mundo é cruel e não perdoa.
Tentei relaxar. Calma Sasuke, tudo vai acabar quando partirmos. Sim, sim, eu tinha que ocupar minha mente com outras coisas antes que eu me exaltasse. Manter a reputação de Chefe-mesmo-humor-todo-dia não é mole. Mas só de pensar no terror mesclado com o choque na cara dos cidadãos me faz me sentir bem melhor. Tentei imaginar a cena.
As pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro. O País do Fogo fazia jus ao seu nome agora que as labaredas lambiam o escritório da Hokage e devoravam as casas lentamente, apreciando o sabor da madeira refinada. Crateras até onde os olhos podiam alcançar, o choro de crianças vinha de todo o lugar, como se saísse das rachaduras do que um dia foram casas. Todos que se mostravam alguma resistência iam ao chão no mesmo segundo, sem dó ou compaixão. Os cadáveres pendiam dos telhados, dos postes. Empilhados por aí ou nos braços de ninjas médicos que iam dali para lá, como pequenas baratinhas prontas para serem esmagadas.
Eu sorri com esse pensamento. Um sorriso de escárnio, mostrando todos os meus dentes e minha futura satisfação.
Fiquei contemplando a cena mais alguns segundos, não tinha porque parar uma coisa que eu gostava tanto. As imagens eram surpreendentemente satisfatórias, faziam o vácuo que era meus pulmões se tornar mais suportável, mas longe de menos doloroso.
Até que eu vi uma cena que não fez meu buraco mais suportável.
É CLARO que quando você imagina uma coisa, se você for uma pessoa decente, vê os dois lados da situação. Por exemplo, se você se renegou e fugiu de sua vila, você fica livre pra treinar com uma cobra em forma de gente e aprender uma porção de jutsus secretos que depois de você obter a sua vingança não vão servir para porra nenhuma, e também imagina que você vai passar o resto de sua vida com um ninja loiro pé-no-saco que não tem nada melhor pra fazer da vida e vem te perseguir. Outro exemplo é a parte boa em que você pode finalmente matar a cobra humana que era o ser mais pedófilo que você já conheceu na vida, montar se próprio esquadrão e partir em busca da pessoa que te fez derramar tantas lágrimas, assim como a parte em que você desperdiça três preciosos minutos da sua existência (da qual você REALMENTE estava precisando) aniquilando a serpente de Adão e Eva que está te atormentando desde que o mundo surgiu, juntar um sushi mutante, uma fangirl e um pacifista que tinha um lado gerado pelo demônio que gostava de matar gente só porque dá na telha na mesma salada e procurar o seu irmão, que você não faz a mínima idéia de onde ele esteja.
Resumindo: Tudo tem um lado bom e um lado ruim, só para fazer a tua vida não ser perfeita. Mas voltando de onde eu parei, vi uma coisa que não foi muito favorável no momento presente.
Debaixo das ruínas do que um dia foi uma casa, o garotinho tremia tanto que parecia que estava tendo convulsões. Os cabelos marrom chocolate, a pele meio morena. Os braços finos que envolviam as canelas, os joelhos que escondiam seu rosto. As unhas cravadas em sua pele cor de pêssego, o sangue seco que continuava a escorrer das feridas abertas. A carne exposta.
O garotinho ergueu a face. As lágrimas formando um caminho úmido pelas laterais do rosto, a agonia prevalecia sobre os outros sentimentos.
Os olhos dele me encaravam. A dor predominava tão intensamente que era como todo o sofrimento daquele lugar viesse da aura que o menino exercia.
Negro com negro. Os olhos deles. O meu mesmo ônix, os meus mesmos olhos.
- Taskete...
Ouch.
Tá bom, PARA TUDO. Eu já havia discutido comigo mesmo milhões de vezes que o que Itachi viveu não tem nada a ver com o agora. TÁ BOM, TEM A VER SIM, mas eu procuro não pensar nisso. Itachi não estava mais vivo e ninguém iria me impedir de ter a minha vingança, que já está começando a virar o meu lema de vida.
Madara surgiu das sombras para repassar mais uma vez a viagem até Konoha. Iríamos andar até a fronteira entre a Nuvem e a Folha, um lugar que servia de reabastecimento para ninjas em missões no estrangeiro. Claro que tínhamos que dar no pé daqui o mais rápido possível, pois o Raikage deve estar arrancando tufos de cabelo, se ele tiver algum.
Seria divertido acordar Suigetsu.
END
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A palavra "comum" serve para descrever coisas que são constantes, assim como é comum para mim espancar meu irmão pentelho, é comum para viajantes serem atacados por alguma coisa (como lobos que espumam pela boca, esquilos dementes ou mafagafos) e é comum para você ler essa fanfic (ou não).
O País da Nuvem, como você já deve ter julgado, é composto por dias totalmente nublados, abaixando a temperatura do local, conseqüentemente. É muito comum você ver pessoas agasalhadas até o último fio de cabelo, expressão que aqui quer dizer "mal conseguiam andar de tanta roupa". Casas de chá e pensões eram tão comuns quanto sorvete de casquinha em dia de fritar ovo em calçada. Mas principalmente, é comum em todas as cidades que você pense em fazer uma pequena excursão particular ter algumas estátuas em homenagem à alguém, como velhos doidos que as pessoas costumam dar o nome de "filósofos" ou alguém que fez algo importante, como inventar uma sobremesa deliciosa ou redes de balanço, para serem usadas em feriados entediantes, quando você não tem nada para fazer e fica pensando "Por que os Filnstones comemoram o Natal se vivem em uma época antes de Cristo?" (OBS: Essa piada veio antes da Bíblia).
Vocês já devem ter sacado que estou me referindo à estátuas de quatro lindas divas que estavam posando elegantemente bem no meio da praça pública, invisíveis aos olhos da população que ali passeava. Graças a essa ignorância toda, discretamente elas se movimentavam em direção à alguma parede, para poderem realizar a fusão.
Você podia ter nos tele-transportado para perto de uma casa ou coisa assim pensou uma das estatuetas. Os cabelos em chamas esculpidos artisticamente apontavam para o céu, como se o fogo estivesse sendo guiado para cima. Ela vestia labaredas.
Cale a boca Eimber, ninguém pediu para você vir Samyr retrucou, irritada. É sério, qual é a sua?
Samyr era a Valquíria dos cabelos cor do sol, a armadura cinza claro, um olho verde esmeraldino e o outro num tom vermelho sangue, que a fazia ficar com ares de "CUIDADO, PERIGO!" e afastar qualquer engraçadinho que tente alguma coisa. Para ela, ficar ao lado da Valquíria do fogo era como arrancar os dentes com um alicate de borracha.
Por favor, não briguem. Ninguém aqui é proibido de nada. Quem falou isso foi Dallas, uma Valquíria de porte pequeno com os cabelos esfiapados e comportamento de uma criança do primário. Ela era a única coisa que impedia de Samyr partir para cima de Eimber e arrancar cada órgão do corpo daquela musa.
É Samyr, porque era a gente levar ela conosco ou ela tacava fogo em todo o santuário Venesis respondeu, indiferente, mas recebeu um olhar torto de Eimber. A diva morena tinha os cabelos brancos que caíam em ondas pela suas costas nuas, assim como o resto de seu corpo que estava coberto de tatuagens. Tinha uma expressão matreira e sempre estava tramando alguma coisa, como roubar dentes de leite que aguardavam em baixo de travesseiros, vandalizar monumentos humanos ou mover a lua até o satélite ficar entre o sol e a terra.
As quatro deidades moviam-se sutilmente até conseguir chegar perto de um bar do subúrbio da cidade. Venesis foi a primeira a se fundir. Ela foi se integrando à casinha como tinta se integra ao papel, ou como uma colher de açúcar se integra quando despejada numa boa xícara de chá. Ela foi se tornando parte do relevo aos poucos, até parecer um desenho esculpido em mármore. Não demorou muito para todas as musas fazerem parte da pequena cabana. Agora elas não estavam maiores do que um vaso da oitava dinastia cheio de caranguejos.
Calmamente, elas começaram a andar, passando de parede a parede, de vez em quando unindo-se ao chão, caso não haja ligadura entre uma casa à outra.
Então, começou Eimber vocês ressuscitaram um maior gato que era muito parecido com Azura, ela deu pausa, vendo como Samyr estremeceu ao nome de sua antiga tutora e agora vamos ter de achá-lo. Aonde vocês acham que ele pode estar?
A ultima vez o vimos foi naquela colina Dallas apontou para a forma ondulada coberta de árvores, como se a enorme curva tivesse um cabelo todo cheio de covinhas.
Eimber ficou em silêncio. A brincadeira estava meio séria. Venesis não fazia uma piada a umas boas horas e Dallas não sorria. Samyr estava serena, como sempre, mas a colega a conhecia bem demais para perceber a perturbação em seu interior. Normalmente, ressuscitar humanos era como uma brincadeira travessa que você fez na escolinha, como grudar chiclete no longo cabelo da menina que você mais gosta, amarrar os cadarços da tia da cantina ou escalar uma prateleira. Mas a Valquíria do fogo sabia que estavam mexendo com alguma coisa séria.
Ouviu-se um grito. Um menino passou correndo a toda velocidade, alguma coisa brilhando na sua mão. Logo atrás vinha um homem maltrapilho, o bigode tapava toda a sua boca, quase abafava por completo os gritos e estava precisando duma escovada. O homem tinha apenas um chinelo nos pés. Um pega-ladrão digno dum lugar como aquele, o que assustou Eimber foi o fato do menininho dos cabelos ruivos estar muito bem vestido. Um colete verde, os cabelos arrepiados e escovados, a gravata borboleta vermelha com bolhinhas amarelas e os sapatos de grife. Filhinho de madame.
Que lugar... ela não pode deixar de comentar. Quero encontrar esse cara o mais rápido possível. Como ele é? Eimber perguntou à Venesis em uma curiosidade transparente.
Imagine o lado masculino de Azura a morena cutucou Samyr nas costelas, que soltou um gemido baixinho de frustração. De repente todas congelaram.
Estavam agora na periferia da cidade. O cheiro de peixe fresco invadiu suas narinas, causando uma pequena vertigem em Dallas. Elas haviam caminhado tanto que acabaram por se distrair e atrair a atenção de alguém. Uma velha senhora tinha seus olhos pretos e encobertos de pés-de-galinha fixos nas deidades. Um pano xadrez impedia que seu cabelo grisalho lhe caísse aos olhos, o avental engomado lhe ia até os joelhos e o nariz comprido e curvo se assemelhava de forma assustadora a uma bico de tucano.
Não houve diálogo por muito tempo. Dallas tinha as mãos em punhos na frente do rosto, como se quisesse esconder sua face. Samyr comprimia os lábios como se finalmente tivesse arrancado todos os dentes com um alicate de borracha. Venesis estava congelada em uma posição de sentido, como se esperasse por uma ordem para poder relaxar a musculatura, e Eimber estava a frente de todas, os olhos meio arregalados e a boca entreaberta, como se estivesse vendo um espécime raro de um papagaio raro em um lugar onde você acharia raro o caso de você encontrar um espécime raro de um papagaio raro. Ninguém respirava.
A velha continuou a olhá-las longamente, os olhos velhos brilhando intensamente. Para a surpresa de todas, ela virou a cara para o dono da barraca de peixes e começou a puxar papo.
- Bonito o dia de hoje, não? As nuvens não estão tão cinzas, não chegou a chover afinal...
As Valquírias continuaram congeladas no mesmo lugar, como se seus pés estivessem presos ao chão com cimento, ou pelo menos com um tipo de mistura entre chiclete, cola, pasta de amendoim e as meias do meu irmão.
- Hã? Ah, sim, lindo o dia – o vendedor estava descontraído, observando as cristas brancas do mar.
- Você sabe, parece que tem pessoas desaparecendo por aí por causa dos ursos... – a senhora de idade continuou, mesmo sem a devida atenção do vendedor de peixe, que agora olhava para as moças que davam risinhos banais enquanto rebolavam pela névoa que encobria o chão – Poucos estão conseguindo escapar, a cadeia alimentar está desequilibrada.
- É, é, saiu nos jornais - agora o homem começava a pegar o fio da conversa após receber um gesto obsceno de uma loiraça de coxas grandes.
- Os que mais são atacados são os aventureiros e vagabundos, enquanto rondavam por aí, em busca do pão de cada dia. Achei um bem no meu rio, sabia? Sem roupas, morrendo de frio, coitadinho. Mas se ele tinha cara desses eremitas que ficam vagabundeando por aí, ah, isso ele não tinha. Aliás, quantos anos ele tinha? Dezenove, acho eu, muito novo para sair para o mundo, se quer minha opinião. Acho que fugiu de casa... – a voz dela foi sumindo, exatamente o contrário do estado das Valquírias, que estavam com o sangue latejando na cabeça – Aqui está, obrigada pela atenção - a velha entregou o dinheiro para o cara do peixe, apesar dela estar agradecendo pela atenção que não lhe foi concedida. Com um último olhar penetrante para Samyr e o resto, ela deu meia volta e começou a caminhar em direção à floresta. As musas precisaram de alguns segundos para seus cérebros imortais digerirem toda a informação.
O gato está com ela pensou Eimber, quase como incerta se era aquilo mesmo que deveria ter dito.
É Dallas concordou num tom vazio.
Ela está indo embora Venesis comentou, enquanto todas seguiam com o olhar a senhora desaparecendo no meio da multidão que geralmente habitam a periferia do País da Névoa em dias de feira.
Meio segundo depois, elas começaram a correr.
Droga, mais rápido! Venesis incentivava mais a si mesma do que às companheiras.
Eu estou... indo... Dallas fazia um esforço imenso para alcançar as outras, mas suas perninhas não muito maiores do que um lápis não eram páreas para as canelas delgadas e longas das companheiras, muito menos ajudavam na situação. Samyr notou o atraso da pequena e puxou-a pela mão, fazendo Dallas literalmente voar, pois seus pés nem encostavam mais no chão.
Pega, pega! Eimber corria igual à mim, quando estava na creche. Geralmente eu tropeçava em alguma coisa ou, mais provável ainda, alguém enquanto botava sebo nas canelas para fugir de uma professora de artes que poderia ser comparada ou confundida com ferro muito, muito quente, pois a cara dela geralmente era de um vermelho vivo e ela soltava fumaça pelas orelhas.
A expressão "veloz como um raio", ao contrário de que muitos pensam, não surgiu quando Benjamin Franklin foi eletrocutado através de uma pipa quando estava brincando no jardim, o que eu, de coração, não recomendo fazê-lo em um dia de chuva, principalmente se você amarrar uma chave na corda. Essa expressão foi criada por alguém inteligente, o oposto exato de algumas pessoas que conheço, quando resolveu comparar a velocidade de um relâmpago, que atinge o solo em um milissegundo, com uma bola de titânio forrada em um pano de prato que provavelmente sua avó costurava. Como eu presumo que vocês já saibam o resultado, essa astuta expressão ganhou tão forte eloqüência que até eu mesma a uso.
E nossa amada Valquíria, Samyr, era veloz como um raio. Em um movimento realmente rápido, Dallas estava em suas costas e a guerreira dos cabelos de sol deu um pulo de grandes proporções e mergulhou com tudo (Com suas roupas, com Dallas e sua caixinha de biscoitos sortidos) dentro da bolsa de pano da mulher.
Eimber saltou para uma varanda de cimento enquanto Venesis já estava num telhado. Venesis tinha uma velocidade aceitável para dar a volta ao mundo em algumas horas, e não demorou a penetrar o buraco escuro (No bom sentido) que era a entrada da bolsa (E pare da maliciar com a minha história).
Porém, Eimber não tinha toda essa rapidez. Apesar de ser bem mais rápida do que Michael Jordan em seu corpo normal, ela havia escolhido um caminho muito complicado, com vários obstáculos surgindo um atrás do outro. Ela quase havia dado com o nariz em um vazinho de margaridas cuti-cutis, atropelou um gato, derrubou um varal com roupas que estavam quase secas (E que agora estavam quase molhadas de novo) e estava quase perdendo o foco de onde as companheiras estavam. Forçando suas pernas fora de proporção a lançarem-na a frente, a Valquíria dos cabelos de labaredas ultrapassou um vendedor de peixe, loiraças de coxas grandes e um filhinho-de-madame ofegante para conseguir chegar bem perto das colegas.
- Pegue alguma coisa que sirva como corda – Samyr sussurrou para as outras, que começaram a vasculhar o interior da bolsa a procura de algo favorável a situação presente e confiscando alguns itens que foram encontrados (dinheiro, jóias e balas de mel). Dallas por fim achou uma fita de cabelo e uma gravata. Amarrou os dois longos objetos um no outro de qualquer jeito, até que parecesse firme o suficiente para agüentar o quilo de Eimber. Em seguida, passou a corda improvisada a Samyr.
Estar com pressa nunca – e eu repito, NUNCA – é uma situação agradável, pois gera estresse e rugas, além de te deixar em um estado próximo à insanidade. Eu já estive com pressa muitas vezes no decorrer de minha, e já encontrei a minha turminha do barulho na delegacia muitas vezes também. Estar com pressa faz com que você faça tudo de um jeito pouco eficiente, como a corda de Dallas. Quando Samyr colocou-a para fora da bolsa, Eimber imediatamente agarrou a ponta da gravata. Com um impulso, ela foi puxada para cima. Era incrível como uma pessoa que anda calmamente pela periferia de uma cidade calma após uma calma ida à feira poderia ser adrenalina pura para pequenas estátuas que não pesavam mais de um quilo.
- Rápido Eimber! – Venesis sussurrou, alarmada. Eimber começou a escalar a corda falsete que Dallas havia armado, mas mal chegou nó que prendia a fita de cabelo com a gravata, a habilidade de Dallas em relação à prender coisas começou a se revelar. Uma vez, quando eu tinha sete anos, vi a foto de uma escritora famosa com tranças no seu longo e castanho cabelo. Com a influência da mídia (ou não), comandei que minha mãe fizesse tranças em meu longo e liso cabelo. Mas assim como a corda de Dallas, minha trança foi se desmanchando logo depois que minha mãe soltou-a de seus hábeis dedos, fundindo-se com meu cabelo cor de mel novamente.
Eimber, horrorizada com a visão, nem percebeu o que fazia. Quando a Valquíria do fogo fica ansiosa, nervosa, com raiva, medo ou quando Venesis se recusa a dar a ela um pedaço do seu bolinho de arroz, Eimber começa a queimar as coisas. Não preciso contar para vocês (A não ser que você seja meu irmão pentelho, e eu realmente espero que não) que a fita de cabelo rosa começou a ser engolida por pequenas chamas que saltavam da mão da musa do fogo.
Para a sorte delas (E elas já podem ser consideradas sortudas apenas por terem sorte) a fita de cabelo rosa era de veludo, que não queima tão rápido como palha ou a minha cozinha. A Valquíria do fogo, a todo custo lutando contra o instinto de pôr o mundo para cozinhar agarrou a ponta da gravata vermelha e brilhante, enquanto a fita de cabelo rosa ia ao chão, meio devorada pelas gulosas labaredas. As Valquírias ajudaram Eimber a adentrar a bolsa, com muito cuidado para seu cabelo não encostar em nada.
As musas suspiraram, aliviadas por conseguirem alcançar a misteriosa mulher que as havia invitado com apenas um penetrante olhar. Elas mal falaram durante todo o percurso, apenas comentavam uma coisa ou outra. Todas sabiam que estavam se metendo em coisa grande.
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Quando chegaram à humilde casa da velha mulher (Um baita dum cabaré, Venesis não pode deixar de comentar), a primeira coisa que as Valquírias presenciaram foi um cheiro maravilhoso de algumas coisas cozinhando, talvez frango e peixe. Havia um homem velho sentado numa cadeira de balanço que rangia baixinho e sem parar, localizada ao lado do que parecia um recanto fofo, com um cobertor e várias almofadas.
- Como você demorou, mulher! – o velho começou a reclamar, como velhos costumam fazer nessa idade tão avançada – Eu tive de me virar sozinho com a comida, sabia?! Demora tanto assim apenas para comprar mais alguns peixes?! Aliás, nem sei por que você foi, aquele rapaz não vai acordar tão cedo. Hoje à tarde irá fazer três dias que ele só vive de chá! – ele gesticulou para uma porta aos fundos da casa, e as Valquírias já sabiam exatamente aonde teriam de ir.
- Ai, homem, você só sabe reclamar da vida! E você também não prevê o futuro, então fica na sua, porque eu tenho um rolo de massa e não tenho medo de usá-lo!
As divas não ficaram para ouvir o resto da discussão, pois logo depois que a senhora jogou a bolsa em cima de um balcão (Não tem outro jeito de descrever seu movimento) elas saíram sorrateiramente do seu veículo de transporte feito de pano, passaram por debaixo de uma mesa e fundiram-se à madeira bege da sala.
Aaahh, maravilha Venesis gemeu de satisfação Me sinto "bem mais leve" agora.
Por aqui Dallas guiou desnecessariamente as colegas ao quarto que elas já sabiam a localização. Após atravessarem o longo e escuro corredor, elas passaram por debaixo da frestinha luminosa da porta de madeira impossivelmente escura.
O quarto amplo e claro era iluminado por uma única janela, com cortinas finas que não conseguiam atenuar a luz ofuscante de um dia nublado. Embaixo da grande janela, Itachi estava coberto por um cobertor cor creme, uma vela quase totalmente derretida produzia sua última e fraca chama, que um segundo depois, apagou-se rapidamente, deixando um desenho de fumaça no ar.
Quando você era criança, provavelmente você já falou a frase "mais melhor", que é o modo errôneo de dizer que alguma deve ser melhorada. "Mais melhor" é a mesma coisa que falar subir para cima, descer para baixo, goteira no teto ou poça no chão, que estão entre as dez mais do vocabulário de uma criancinha infantil e inocente (Nem sempre, acredite).
Mas no momento presente, nenhuma das deidades estavam "mais melhores" quando encontraram Itachi. Todas estavam congeladas no mesmo lugar, incapazes de se mover, pois tinham a sensação de que algum movimento em falso e tudo acabaria, não se sabe como.
Quando seu corpo é pequeno, é bem possível que seus órgãos sejam menores também, para terem um espaço compacto dentro de seu organismo. Dallas, como eu já disse à vocês, tinha o porte bem abaixo do normal, então não conseguiu ficar segurando sua respiração por muito tempo, como suas colegas conseguiam. O som do ar escapando pelo seus lábios soou como alguma coisa relativamente alta no cômodo silencioso, e ficou pairando no ar. Itachi se remexeu um pouco, mas continuou num sono profundo, isento de sonhos. Isso não fez as Valquírias relaxarem, no entanto, Samyr não queria mais ficar parada.
Com um pouco de esforço, ela conseguiu manter sua forma pequena e amadeirada quando se esgueirou para fora do material da porta.
Samyr... Dallas a chamou baixinho, mas a Valquíria dos cabelos de sol nem sequer virou para olhar a menor. A visão de Itachi, tão próximo dela a hipnotizava. Ela precisa olhá-lo, vê-lo, ter certeza de que ele estava ali...
Em uma batida de coração as outras estavam escalando o cobertor junto dela. Não importa se Samyr estava se arriscando ou não (O que geralmente não acontece), mas elas iriam permanecer unidas, como amigas, como irmãs, como Valquírias.
A expressão estampada no rosto de Itachi era de dor, como se ele estivesse sonhando em ser espetado por um alfinete. Os lábios carnudos e vermelhos estavam desidratados, assim como o longo e escuro cabelo que lhe caía sobre a face estava precisando de uma boa penteada.
Samyr percebeu que poderia ficar horas ali, apenas observando-o, lembrando-se da face de sua antiga tutora, tão parecida com aquela que estavam apenas a poucos centímetros de suas mãos. Mas Samyr controlou o impulso de tocá-lo, assim como um alcoólatra controla o impulso de beber um conhaque com mais de cem anos, ou eu controlo meu impulso de ficar mais de duas horas embaixo do meu chuveiro, pensando em uma maneira explicar para minha mãe como o secador de cabelo dela foi parar no meio de uma matilha irada de lobos selvagens que espumam pela boca em 15 minutos.
A semelhança é realmente incrível, mas a pele de Azura era um pouco mais morena... Esse aqui é pálido feito papel E Eimber estava certa. Durante quase metade de sua vida Itachi escondera seu corpo do sol embaixo da excêntrica veste que a organização criminosa Akatsuki obrigava a ele e a todo mundo a vestir. Sua pele, antes queimada pelo sol, fora ficando esbranquiçada ao longo de sua curta e solitária vida (Se bem que sua vida não foi assim tão curta, tampouco solitária, quando você tem um parceiro azul com uma risada contagiosa, palavra que aqui quer dizer "Itachi teve que se controlar muito para manter sua pose de assassino mortífero e não rir junto com o companheiro").
Itachi se remexeu desconfortavelmente de novo, como se não estivesse gostando de permanecer dormindo e estivesse lutando para acordar. Aquela cena congelou o sangue das Valquírias, que ficaram paradas no mesmo lugar. As pálpebras de Itachi tremeram e Venesis atirou as companheiras à parede mais próxima (Estou me referindo a que a cama estava encostada lateralmente). Dois segundos depois, Itachi abriu os olhos para encarar o teto do quarto, que nada dizia.
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SASUKE'S POV
Não foi divertido acordar Suigetsu.
É sério, qual é a desse cara? Karin já ia chutar a cabeça dele, quando ele se levantou. Ele tava com uma cara meio demente, como se tivesse matado milhares de pessoas (Mas eu não disse que ele não fez isso).
Claro, eu não posso culpar ele por isso. Estamos caminhando a dias vagando por aí, e nunca realmente mantínhamos uma conversa. Era estranho como sempre estávamos todos distantes uns dos outros (Exceto por Karin, que sempre estava bem próxima de mim. Próxima demais).
Bem, devo admitir que a minha cara não estava melhor do que a dele. Depois que eu soube o que aconteceu com o meu irmão, tenho tido vontade de destruir países inteiros. Mas claro, chefe-mesmo-humor-todo-dia = controle. É a mais simples das equações.
Tenho mantido as lembranças ruins longe de minha mente. Apenas me lembro dele quando tinha treze anos, quando ele sorria, quando ele dizia que não tinha tempo para treinar comigo, quando ele revirava os olhos quando papai não estava olhando...
Sim, essas sim eram lembranças boas, das quais eu queria me lembrar. Aliás, mesmo se eu quisesse me lembrar do dia em que ele tinha dito toda aquela coisa de vida miserável, fugir e etc., eu não iria conseguir. Não sei como, mas era como se todas as coisas ruins de Itachi tivessem sido removidas da minha memória. O que era engraçado, porque quando eu removi as coisas boas da minha cabeça, elas voltaram com facilidade a minha mente, como se eu repensasse nelas todos os dias. Portanto, elas não foram difíceis de lembrar, como quando foi difícil tirá-las no tempo em que eu era criança.
O que realmente me deixava um pouco irritado, pois eu queria me lembrar como era o rosto de Itachi quando ele tinha vinte anos. Como eu não conseguia, tive de me contentar em imaginar. Sempre imaginei o rosto dele mais comprido, assim como os cabelos. Itachi já era um garoto bem alto para a sua idade quando jovem, então provavelmente...
- Cara, eu já disse que eu detesto caminhadas? – Karin havia feito uma careta para a pergunta de Suigetsu – Pois bem, eu vou dizer de novo. EU. DETESTO. CAMINHADAS.
- Levanta logo essa bunda mole daí! – Karin gritou para o sushi mutante, que deu de ombros. Eu considerei a frase dela, porque Suigetsu tinha mesmo uma bunda mole. Não que alguém tenha comprovado, mas com o fato dele poder se transformar em água...
- Para de reclamar, você ainda vai estourar meus tímpanos com essa sua voz soprano duas oitavas mais alta do que uma voz normal.
- QUEM ESTÁ GRITANDO É VOCÊ! – Karin apontou uma unha acusatória para Suigetsu, o que, francamente, não era verdade. Suigetsu estava calmo como o mar fica calmo depois que um furacão passa por suas águas.
- Parem com isso, vocês dois. Temos de poupar energia, verdade, mas nós saímos do esconderijo à quinze minutos, Suigetsu. Você ainda pode agüentar mais.
- E eu que achei que depois de jogar fora aquela tralha enferrujada você iria começar a ser um pouco mais forte – Karin suspirou – Você continua o mesmo palerma de sempre.
- QUEM VOCÊ ESTÁ CHAMANDO DE PALARMA, SUA VADIA?! – Agora Suigetsu estava gritando também. Parece que Karin assumiu o papel de tufão no grupo.
- AH, É VADIA, É?! – Agora ela socou a cara dele, que respingou por todo o lugar, até mesmo na minha capa.
Ninguém molha as minhas roupas e continua vivo.
- Parem imediatamente com isso – Eu interrompi a discussão com meu tão conhecido modo frio e calculista – Não poderemos chegar ao restabelecimento do entre a Nuvem e a Folha enquanto vocês continuarem a brigarem por assuntos banais – Apesar desta frase parecer mais de um garoto mimado que acha que manda em todo mundo, minhas palavras – afiadas como adagas – eram de fazer qualquer bebê fechar o bico.
E como dois bebezões que eram, Karin e Suigetsu calaram a boca. Mas então, uma coisa relativamente inesperada aconteceu.
Eu abri um sorriso enorme. Mas não era um sorriso de escárnio, ou vingativo, ou presunçoso. Era um sorriso verdadeiro, um daqueles que eu não experimentava havia muito, muito tempo.
Mas mais que um sorriso, eu de repente me senti vazio. Como se alguma coisa muito, muito importante estivesse faltando em mim. Alguma coisa como um dente, ou meu pé.
Ou meu coração.
Um enjôo acertou meu âmago como se eu caísse de barriga em cima de uma espada, ou uma espada caísse em cima da minha barriga. A vontade de procurar pela minha parte mais importante era alguma coisa que eu quase não consegui controlar. Aquilo era o que me mantinha vivo.
- Olha só, estamos quase chegando! – Karin apontou para uma ponte gigantesca que estendia pelo horizonte – Aquilo ali é uma Ponte de Ligação. Existem apenas seis em todo o mundo, que ligam as Vilas Ocultas umas com as outras. As duas Pontes de Ligação que ligam a Névoa com a Nuvem e a Névoa com a Folha são as maiores do mundo! E essa aqui é a que liga Konoha com...
- Tá tá, pare de encher o saco, não quero levar aula de história com você, principalmente porque você seria uma péssima professora.
- AAAHH, O QUE VOCÊ ESTÁ ENSINUANDO?! – Karin chuta os países baixos de Suigetsus, pelo menos bem a tempo de eu desviar a cara. Não queria imaginar a sensação de ter a parte que te faz homem infligida por um golpe certeiro e feminino. Mas, antes de tudo, eu queria achar o que estava tendo tanta falta. A destruição de Konoha? Sim, sim, bem que podia ser isso mesmo. Talvez isso nem fosse uma dor nova, talvez fosse a ferida no meu peito que tivesse se extinguido subitamente.
No fundo, eu sabia que não era isso.
Mas eu queria me iludir, como eu me iludi por tanto tempo. De vez em quando, a imaginação faz bem para o meu ego, como beber um chá quente faz bem para uma pessoa com frio, ou ter a pessoa que você ama bem ao seu lado em um momento de dor.
A pessoa que você ama...
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Nooooooossa Viic, por que cê demorou tanto?
Sim sim, provavelmente vocês devem estar se perguntando isso. Pois bem, como você já devem ter presenciado o glorioso e longo capítulo, eu me demorei muito escrevendo assim. E minhas sinceras desculpas se você estão sem cabelo, sem sanidade ou sem as unhas dos pés.
Respostas das Reviews:
Leo-Shaka: QUE BOM que você gostou da fic. Sim, aqui está a tão esperada continuação, e continuo contando com o apoio da primeira pessoa que comentou nessa bagaça aqui. Você não sabe o quanto eu fiquei feliz em ver que a minha fic tinha uma review. Muitíssimo obrigada!
E é isso. Se você está lendo isso agora, eu acho bom que você deixe uma review, nem que seja para dizer que fic está ruim, pois a prática leva a perfeição.
OBS: Peguei o estilo de Lemony Snicket, autor de Desventuras em Série (A Serie of Unfortunate Events) e provavelmente eu o use até o final da fic, então... YAY !
