CAPÍTULO TRÊS
A mensagem de texto era para Jasper, o mais novo paquera de Alice. Ele era o outro co-capitão do time e, Alice que me perdoe, era bonito até dizer chega. E um pouco mais além disso. Ele era loiro, alto, de olhos claros, e tinha uns braços, tipo... Tipo que nem os do Edward. Só que o tórax do Edward parecia mais forte, e dava vontade de ter ele te abraçando enquanto você dorme, que nem em uma cena especial de um romance um tanto clichê. Claro que eu jamais admitiria isso para alguém.
Foco, história, foco.
Claro! História! Peço perdão. Eu sou uma adolescente cheia de hormônios!
A mensagem era para Jasper marcar um encontro com Edward, no parque perto da minha casa, depois do treino de futebol, que era depois da aula. Eu teria tempo de ir para casa, ficar mais apresentável - não que a roupa fosse ajudar, enfim -, e então pensar com Alice sobre como eu iria fazer a proposta. Felizmente Edward aceitou ir até o parque.
- Aaaaai, Al! - reclamei quando ela enfiou o pincel do rímel dentro do meu olho.
- Se você ficasse quieta...! - ela rebateu. - E não reclama, estou te deixando linda!
- Como se a roupa fosse ajudar...
- Claro que ajuda! Ele tem que olhar para você e pensar: "Nossa, ela é linda, eu realmente vou aceitar fingir ser namorado dela". Quem não namoraria uma garota linda?
- Acontece, Al, que o Edward me conhece desde sempre, pelo menos de vista, e ele sabe que eu não sou essa piriguete arrumada.
- Mas hoje tem que achar que é. Agora espera só mais um pouquinho e... Voilá! - ela declarou.
Olhei meu reflexo no espelho. Eu jamais admitiria o quanto eu adorava quando Alice me arrumava porque isso daria a ela mais liberdade para me usar de cobaia, mas eu adorava como ela me deixava linda. Eu olhei meu reflexo no espelho aquela tarde, e me senti linda.
Tá olha só. Eu não sou exatamente o tipo de garota que seduz garotos por aí, mas não é como se eu fosse feia. As pessoas me diziam que eu era bonita, então eu acho que era, mas eu não sou exatamente o tipo de garota que sabe se arrumar e ressaltar os próprios atributos. No meu caso, meus melhores atributos eram o meu longo cabelo castanho ondulado e meu sorriso - que, aliás, paguei caríssimo (sete anos de aparelho, e idas regulares ao dentista). Então é por isso que eu adorava quando Alice ressaltava as outras coisas que eu tinha de bom, e escondia as ruins. Ela sabia fazer essas coisas.
- Bells, está no horário... - ela informou.
Respirei fundo, pegando a bolsa que ela me estendeu. Alisei uma última vez o meu vestido e, bravamente, saí de casa, caminhando até o parque, deixando uma Alice curiosa em casa.
O parque ficava muito perto de minha casa, então eu não tive que andar muito. E o encontrei logo na entrada do parque.
- Oi. - arrisquei.
Edward abriu um enorme sorriso ao me ver, e seu olhar passeou por todo o meu corpo.
- Oi, Isabella!
- Bella. - corrigi.
- Oi?
- Isabella é muito grande, faz parecer que você está bravo comigo... Eu gosto mais de Bella.
Ele riu.
- Ok, Bella. Você está, hm, bonita.
- Obrigada. - sorri.
Ele caminhou um pouco adiante e se sentou em um banco que estava vazio - aliás, todo o parque estava bastante vazio. Deu palmadinhas ao seu lado, me chamando. Engoli em seco e sentei-me.
- Então... - ele começou. - Jasper disse que você queria falar comigo. Pensou a respeito de me ajudar?
- Não exatamente...
Ele esperou. Eu demorei um pouco, tentando achar as palavras certas. Se é que existiam as palavras certas.
- Na verdade, eu estava pensando se você não poderia me ajudar. - arrisquei.
- Se estiver ao meu alcance...
Respirei fundo, fixando meu olhar no chão.
- Eu queria saber se você não... Gostaria de... Namorar comigo? - perguntei, bastante hesitante.
Edward ficou em silêncio. Arrisquei olhar para ele, e ele parecia congelado. E um tanto chocado. Apressei-me para tentar corrigir o engano que a falta de apelo forneceu.
- Eu vou pagar, é claro! Pode ser em dinheiro, se você quiser, ou pode ser naquelas aulas que você me pediu... Ou os dois. Eu só realmente preciso de você, e...
- Espera, você quer comprar um namorado? Tipo, pagar mesmo alguém para amar você? - ele perguntou, a voz completamente chocada.
- Amar? Mas o que...
Então eu me toquei. Eu me esqueci de mencionar a palavra fingir. E essa palavra fazia toda a diferença.
- Não! Não! - exclamei, exaltada. - É só para fingir! Fingir ser meu namorado! Sem amor, só atuação!
Ele tentou falar algo, mas pareceu desistir. Só olhou para mim como se eu fosse louca. Então resolvi apelar para o lado humano dele.
- A minha mãe tem feito da minha vida um inferno, porque ela acha realmente importante que eu tenha um namorado. Mas eu não quero um namorado. Eu já tentei explicar a ela, mas não adianta. - tentei, na voz mais doce que consegui fazer.
- E você achou supernormal comprar um namorado?
- Ela nunca vai descobrir! E vai deixá-la feliz e longe de mim, e eu vou poder ficar tranquila.
- Isso tudo é muito estranho, eu só queria aulas... - Edward foi me cortando.
Respirei fundo, resolvendo assumir, como última chance, uma postura mais poderosa.
- Certo, eu sei, mas veja só: você só precisaria fingir. E na minha casa. Fora da minha casa, em qualquer lugar, que não seja com a minha mãe, podemos voltar a ser estranhos.
Ele continuou me olhando.
- Eu pago. Muito bem. Dinheiro não é problema para mim. E eu posso te ajudar com as matérias mais difíceis. Desse jeito você pode ir até a minha casa como se fosse meu namorado, mas nós só iremos estudar.
Ele abriu a boca, e eu tinha certeza de que ele iria protestar. Então usei uma arma que eu jurei nunca usar, desde que Alice me "ensinou". Abaixei o olhar, e depois olhei de volta para Edward, por baixo dos cílios - que estavam enormes por causa do rímel -, mordi o lábio inferior e toquei os dedos dele com a ponta de meus dedos.
- Por favor? - pedi, numa voz extremamente derretida.
Tive nojo de mim mesma. Tive vontade de me jogar na frente de um caminhão. Como eu podia ser ridícula! Pelo menos eu acho que funcionou. Edward recolheu a mão rapidamente e desviou o olhar. Sinal de que o deixei um pouco desconcertado, o que era ótimo.
- Está bem. - ele disse após algum tempo.
Senti vontade de dar pulinhos de alegria.
- Mas... Eu tenho algumas condições. - ele disse, o que praticamente acabou com a minha alegria.
- P-pode falar. - eu disse.
- Ninguém, absolutamente ninguém pode saber disso, ok?
- É que... A Alice meio que já sabe disso... Mas só ela, eu juro, e ela é de confiança!
- Certo. Então apenas a Alice.
- Ok. Mais alguma coisa? - perguntei.
- Eu não estou muito interessado no dinheiro. Na verdade, eu só quero as aulas. E... Eu estou tendo alguns problemas com algumas garotas no colégio, então, para mim, seria melhor se isso funcionasse em todos os lugares.
- Ah, espera aí! Na escola? Eu não...
- Eu só quero me livrar delas! Você quer se livrar da sua mãe, eu quero me livrar dessas garotas. E não quero falar sobre isso.
Assenti.
- Mais alguma coisa? - perguntei novamente.
- Não é que você não seja bonita todos os dias, vai por mim, você é linda, mas... Será que você conseguiria se vestir como agora todos os dias? É que eu sou co-capitão do time, e não pega bem...
- O quê?! - respondi alto demais, fingindo indignação. - Você está dizendo que os meus jeans e camisetas não estão bons para o rei da escola?!
- Não, não é isso! É que... - Edward começou, desesperado.
Eu comecei a gargalhar. Edward me olhou confuso.
- Relaxa! - tranquilizei-o. - Eu faço brincadeirinhas o tempo todo.
Ele ficou em silêncio. Eu fiquei em silêncio. Aquilo tudo era tão estranho que nem parecia real.
- Eu quero usar alianças. - Edward declarou.
- Você sabe que isso é de mentira, né? - questionei.
- Mas é claro que sim! - ele respondeu, um tanto ofendido.
- Ok, então. Não quero mais exigências. Mas eu tenho direito a algumas, e ainda vou pensar nelas. Então deixo em aberto. Mas tenho uma agora mesmo.
- Fale.
- Não se apaixone por mim. - eu disse, olhando no fundo dos olhos dele.
Ele abriu um sorriso, mas pelo menos não caçoou de mim, como eu achei que faria.
- Transformando isso em Um Amor Para Recordar? - ele quis saber.
- Só um aviso. Não estou "me achando", nem nada disso, e nem estou afirmando que isso vai acontecer. É só um aviso para você se manter seguro.
- Seguro? - ele perguntou, confuso. Esse garoto ficava bastante confuso.
- Nem vai querer saber. - eu disse, levantando do banco. - Tenho que voltar para casa.
Ele se levantou em seguida.
- Eu também.
Olhei para ele, bastante desconfiada.
- O que foi? - ele perguntou.
- Isso foi fácil demais. Estou me perguntando se posso mesmo confiar em você. - assumi.
- Você vai ter que confiar, porque eu também estou confiando em você. E só foi "fácil demais" porque também me favorece. Mas se você quiser acabar com tudo agora...
- Não... Vou te dar um voto de confiança. Tentamos essa semana na escola, e, se tudo der certo... Semana que vem, terça-feira, às seis horas você vai à minha casa jantar e conhecer os meus pais.
- Nossa, que sério. - ele brincou.
Sorri para ele. Despedimos-nos e cada um tomou o seu caminho. Apesar de uma pequena sirene no meu peito me avisando que essa era uma péssima ideia, eu me senti mais tranquila.
N.A.: Aqui está o capítulo, como prometido! :D E só faltaram duas reviews, hein?
Eu ia responder todas as reviews, mas estou passando um pouco mal... Então fica pro próximo capítulo. Beijos, aproveitem! E comentem, porque eu sou super insegura com esse capítulo. Ficou bastante idiota? ;x
