Capítulo 3
Segunda-feira
Dormir nunca fora tão difícil como ontem à noite.
Quando Edward me deixou em meu quarto, eu percebi o que estava acontecendo. DIO MIO! Eu tinha acabado de passar o dia com o homem mais lindo da face da Terra e super estrela de cinema! Quão surreal isso era? Ah, e eu também transei com ele, só pra constar. E esqueci disso também. Eu também era virgem até então.
É, pensando assim, eu sou realmente patética.
Acordei na segunda de manhã com um telefonema dele. Desculpou-se meio milhão de vezes por ter me acordado e disse que compensaria com um almoço.
- O que tem em mente? – perguntei com a voz quase normal, mas com os olhos ainda fechados do sono. Nem essa surpresa foi suficiente para desgrudar minhas pálpebras.
- Não faço ideia, mas vou pensar em alguma coisa. Que horas passo aí?
- Não sei. Que horas são? – eu devia me matar por usar uma voz tão nojenta com ele, mas era mais forte do que eu!
- Onze e vinte e cinco.
- DIO MIO! COMO DORMI TANTO? – berrei no telefone, pulando da cama. Ouvi uma risadinha de Edward do outro lado – Pode vir às doze!
- Tem certeza que estará pronta? – perguntou, divertido.
- Absoluta! – e nos despedimos e desligamos.
Tomei um rápido banho e logo me vi de pé em frente ao guarda-roupas, enrolada na toalha, pensando no que deveria vestir. Edward não sabia para onde me levaria – ou simplesmente não queria dizer, nunca se sabe – e eu não sabia para onde iria. Dei uma olhada de longe para a janela para ver uns poucos raios do sol atravessar as frestas da cortina, constatando que era mais um dia ensolarado. Olhei mais uma vez para o armário e resolvi vestir uma calça jeans com uma camisa de estampa divertida. Achava pouco provável que Edward me levasse a algum lugar que precisasse mais do que isso e um tênis nos pés.
Passei uma maquiagem leve no rosto e, no momento que encostei a bunda no sofá, a campanhia tocou. Levantei bufando comigo mesma por ter sido tão lerda que nem um tempo para sentar um pouco tive. Abri a porta e não vi Edward. Dei um passo para fora e levei um susto quando ele me disse oi enquanto eu olhava para o lado oposto ao que ele tava.
- Não faz isso! – disse após o pulinho de susto.
- Não fiz nada! – respondeu-me com um sorriso divertido.
- Você me assustou!
- Eu só te dei oi. – e o sorriso continuava.
- Para de se divertir às minhas custas!
Ele riu mais um pouco e me chamou para irmos. Peguei a bolsa na bancada e fechei o quarto. Seguimos para o elevador lado a lado. Eu com um ridículo bico infantil e ele ainda com seu sorriso divertido. Estava começando a mudar minha opinião sobre "o homem mais lindo do mundo". É, ele é bonito, mas está rindo da minha cara! É irritante! E constrangedor...
- Onde iremos? – perguntei quando chegamos à recepção, indo para a saída dos fundos.
- Você gosta de comida chinesa? – assenti – Então estamos indo a um restaurante chinês.
Quando chegamos ao local, Edward fez questão de escolher o que comeríamos. Falou com o garçom e fez o pedido.
- É um macarrão com alho, molho de soja, curry, camarão e mais um monte de coisas – explicou-me quando perguntei se gostaria do que pediu para nós.
- Já pensou no que faremos no resto do dia?
- Pensei, sim. – e eu fiquei olhando-o, esperando que dissesse o que era. Ele riu – Iremos ao cinema. Já que você conhece tão pouco sobre essa parte de mim, assistiremos a um filme meu.
- Oh! E sobre o que ele é? Porque se for filme de guerra, não tem você no mundo que me mantenha acordada!
- É um sobre um psicopata que se apaixona. Meu personagem é daquele tipo superinteligente que faz planos geniais para acabar com a vida de pessoas que escolhe aleatoriamente. Então ele conhece essa menina e se apaixona. – respondeu-me depois de uma risada – Não vou contar mais para não perder a graça, mas acho que você vai gostar. É meio clichê por ter essa parte de "o cara mau se apaixonar pela mocinha", mas eu gostei de fazer.
- Veremos, então! Se diz que é bom, deve ser mesmo.
- Nossa, confia tanto assim em mim?
- Não vejo motivo para não fazê-lo. Aliás, se fizer qualquer coisa comigo, é uma celebridade. É fácil te encontrar. – ele riu e nossa comida chegou.
Comemos rápido, pois descobrimos estar com muita fome. Eu realmente não tinha pensado que precisava tanto comer, mas o cheirinho do macarrão fez meu estômago roncar quase tão alto quanto o de Edward. Morreria de vergonha se fosse a única com uma demonstração tão clara de fome, mas acabei apenas rindo da situação junto com ele.
Saímos do restaurante rindo da nossa falta de modos. Edward dizia entre risos que provavelmente receberia uma bronca terrível da mãe apenas por ter deixado a barrica roncar tão alto e não queria nem imaginar o que ouviria se ela estivesse presente no nosso almoço.
- Sua mãe pega tanto assim no seu pé? – perguntei, rindo um pouco.
- Não, minha mãe é ótima, mas quando se fala em educação, ela quer tudo impecável.
Edward passou a o braço pelos meus ombros e me puxou para dentro de um táxi que nem o vi chamar. Disse ao motorista para onde iríamos e, em momento nenhum, tirou o braço dos meus ombros. Seu movimento mais brusco foi se mexer no carro para tirar o óculos escuro do bolso da calça e colocar no rosto.
- Não sei se já sabem onde eu estou, mas é sempre bom evitar ser reconhecido. – justificou o "disfarce".
Chegamos, brigamos porque eu quis pagar o táxi, ele pagou e saímos do carro comigo resmungando que iria pagar, pelo menos as entradas do cinema. Sei que não sou nenhuma milionária pra estar insistindo em pagar tudo, mas só o que Edward tem pago de almoço,jantar e táxi já me economizou uns bons duzentos dólares.
Seguimos para o cinema e após dez minutos de discussões consegui fazê-lo me deixar pagar as entradas. Edward comprou um imenso pacote de pipoca com refrigerante e uns chocolates.
- Sou um homem grande, Bella. Eu preciso comer! – respondeu-me quando perguntei o porquê daquilo tudo se tínhamos acabado de almoçar.
Chegamos na sala e sentamos lado a lado. Ou melhor, eu sentei e Edward despencou. O incrível foi não ter derrubado uma pipoca sequer.
Ficamos ali sentados esperando o filme começar e, além dos cochichos das outras pessoas, eu só ouvia Edward mastigando. Era engraçado vê-lo comer pipoca porque parecia uma criancinha: enchia a boca e depois tinha dificuldade de mastigar, mas quando o conseguia, fazia-o bem rápido. Eu ri.
- O qufê? – perguntou-me de boca cheia. Ri mais.
- Você parece uma criancinha comendo pipoca. Além de encher demais a boca, mastiga bem rápido.
- É? – balancei a cabeça positivamente – E isso é ruim? – tive que rir ainda mais.
Logo depois as luzes da sala se apagaram e as imagens começaram a ser projetadas na tela a nossa frente. Demos a conversa por encerrada e viramos para assistir ao filme.
O filme era incrível! Era algo como A Clockwork Orange, Law Abiding Citizen PS I Love you. Era sádico, inteligente e romântico ao mesmo tempo. Saí da sala encantada com isso, mesmo tendo crises nervosas vendo o personagem de Edward cometer atrocidades com suas vítimas. Saí da sala com o típico brilho no olhar de menininha apaixonada e Edward só tinha seu risinho debochado no rosto. Ele era tão metido, que se não tivesse motivo para isso eu o odiaria!
Depois do filme fomos para um McDonalds porque Edward resolveu que deveríamos! Fomos e fizemos nossos pedidos. Pedi um sanduíche bem pequeno e bobo, só pra não dizer que não comi e ele pediu o maior que tinha. Pergunto-me pra onde vai tanta coisa, porque gordura aquilo não virava!
- Percebeu que a única coisa que fazemos é comer? – disse distraidamente, brincando com as batatinhas na minha bandeja.
- É? O que mais você gostaria de fazer? – perguntou-me com um meio-sorriso e uma sobrancelha levantada.
- Honestamente, não sei. Cidade grande tem de tudo, mas eu não sei o que possa ser esse tudo. – respondi, pouco importando para a malícia dele – Você é o guia turístico aqui, você que tem que dar as ideias!
- Ok... – ele apoiou o queixo na mão com os dedos indicador e polegar retos, pensando – Faremos assim: voltamos para o hotel e amanhã eu faço um programa digno de um city tour, ok?
- Mas ta tão cedo pra irmos embora!
- Shopping me suga as energias – disse com um suspiro – Nunca me sinto bem em lugares assim.
- Ok...
Voltamos então para o hotel e, diferente do que eu pensava, Edward não em deixou na porta do meu quarto e seguiu para o dele, ele entrou comigo e ficou no sofá da salinha. Fui no quarto e arranquei os tênis dos pés dando aquele delicioso suspiro de alívio ao senti-los livres e frescos. Voltei para a sala e sentei ao lado de Edward, colocando meus pés em cima da mesinha de centro e deixando os dedos bem abertos e mexendo-os. Era uma sensação tão boa!
- Depois eu sou a criança! – ele disse, rindo.
- Que foi?
- Você! Se visse a sua cara de alívio-pós-retorno-retorno-da-escola, nunca mais ousaria me chamar de criança!
- Mas você parece uma criança mesmo! – ri.
- Ah, é? – ele disse aproximando-se de mim. Seu testa estava quase colada com a minha quando senti seus dedos na minha cintura.
- NÃO! – berrei.
Cócegas! Que infantil!
Edward mexia os dedos na minha cintura e pescoço, fazendo-me rir descontroladamente e rindo da minha cara. Eu ria tanto que já sentia minha barriga doer, mas ele não parava!
- Para! Para! – disse entre risos.
- Não!
- Paaara! – continuei rindo e senti que, se continuasse daquele jeito, minha bexiga iria afrouxar em questão de segundos – Eu vou fazer xixi!
- Claro, claro...
- É sério!
E ele parou. Mas continuou rindo de mim.
- Bobo! – disse, ajeitando-me no sofá. Edward riu mais um pouco de mim e deu-me um beijo na testa que me fez corar. Peguei o controle da televisão e a liguei, sem prestar atenção na posição dela.
- Bella...
- Huh?
- A televisão ta virada pro seu quarto?
- É? – levantei a cabeça para olhar e, de fato, ela estava de costas para a gente – Err... Vira lá.
Edward levantou preguiçosamente e, sem tirar os pés do lugar, se esticou todo para virar a tc, com pura preguiça de dar dois passos e fazê-lo corretamente.
- Preguiçoso! – disse quando jogou-se de volta ao meu lado no sofá. Ele cutucou-me com o cotovelo mandando-me deixar de ser chata.
Assistimos programas aleatórios. Comédias sem graça, romances clichê, terror trash e noticiários de novidades velhas. Estávamos tão distraídos rindo do que não era para ser engraçado e fazendo careta para o que deveria ser, que não notamos que já eram quase onze da noite.
Edward levantou espreguiçando-se e disse que era melhor ir embora porque ainda tinha que pensar no que faríamos amanhã.
- Ou deixo para fazer isso quando acordar mesmo. – completou.
Levei-o até a porta e pensei que me daria outro beijo na testa quando se inclinou em minha direção, mas ele abaixou-se mais um pouco e colou os lábios nos meus. Fiquei sem reação, apenas olhando para ele.
- Boa noite, Bella. – e ele seguiu com as mãos no bolso e um meio sorriso no rosto.
E eu fiquei ali, parada, com cara de idiota.
Ai, Bella, você é tão lenta!
Então, né...
Capítulo novo, êê. Demorou, mas chegou. Podem me xingar porque eu mereço rs. Pra variar demorei por falta de tempo mesmo. To com esse capítulo há um tempão prontinho na cabeça, mas kdkd tempo?
Aqui está o prato que o Edward pediu no restaurante, só pras curiosas:
HTTP :/ / WWW .receitasdecomidas ./ macarrao-singapura. html
Perceberam as dicas de filme, não foi? Vocês são espertas, sei que perceberam. São filmes bons, acreditem. O filme do Edward não existe - que eu saiba. Inventei tudo. Ou melhor, misturei tudo.
Só pra lembrar, qualquer errinho, perdoem. Sou preguiçosa demais pra corrigir meus caps rs.
Espero que tenham gostado do capítulo e não me abandonem! Reviews são sempre bem-vindas, ok?
Até a próxima! :*
