Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens originais não me pertencem e esta fanfic não possui fins lucrativos.

N/A: Fanfic de conteúdo Yaoi. Universo Alternativo.


CAPÍTULO III - DIPLOMACIA


Agios Nikolaos, Grécia; Edifício Karvounas. 18:13 pm.

Foi com certa dificuldade que Shura livrou-se dos braços de ferro do geminiano e virou-se para enxergar o relógio, constatando que já passavam das seis. Voltou a afundar-se no travesseiro, encarando firmemente o teto. Em breve teria trabalho a fazer e não se sentia nada animado com isso.

— Pensando em que, Shura? — o grego indagou, olhando-o curioso.

— Em nada importante. Só estou preocupado, não queria arriscar um trabalho assim, tão cedo. E me aparecem logo dois... — o espanhol deu um suspiro desanimado e forçou-se a sentar na cama, olhando o geminiano — E você, o que tem?

— Nada. Por que?

— Você está quieto demais. Suas frases estão tão curtas quanto as minhas, e mesmo os teus gemidos estavam contidos — Shura sorriu maliciosamente, empurrando os lençóis para o lado.

— Muito observador. Mas não é nada, eu também estou só preocupado — Saga tinha uma expressão de ligeiro divertimento — Escuta, você tem um cigarro?

O espanhol se ergueu da cama vagarosamente, apanhando a boxer no chão e vestindo-a novamente. Esfregou os olhos um bocado antes de inclinar-se na direção do criado-mudo, abrindo-o e pegando um maço de cigarros e um isqueiro, atirando-os para Saga.

— Diga logo o que é, Saga. Eu sei que você está se segurando para não falar o que está te incomodando... — o moreno abriu o guarda-roupa, vestindo-se com uma calça jeans escura — Estou todo a ouvidos.

— Certo. Ouça, só vou lhe dizer o que estou sentindo porque... Bem, não sei exatamente o motivo. Eu apenas confio em você e ainda o cativo muito, Shura.

Shura acenou com as mãos, como se dissesse para Saga prosseguir, e que não precisava daquilo. O grego suspirou longamente, prendeu um cigarro entre os lábios e acendeu-o antes de começar a falar.

"É que meu irmão também está envolvido nessa história toda do golpe, mas eu não sei se gosto dessa idéia, quero dizer... Eu gosto de trabalhar com o Kanon, mas ele vai fazer toda a parte arriscada do trabalho e isso me preocupa. Solo não é nenhum idiota, você sabe disso... Se ele descobrir que Kanon está agindo como informante nós seríamos os últimos a ficar sabendo, e meu irmão pagaria caro pela traição. Ele já deve ter começado a cumprir as ordens do Shion e eu, sincera..."

— Saga, você fala demais — o espanhol cortou-o, deixando-o com uma expressão um tanto que confusa — Você nem sabe se eu vou aceitar ou não a tal proposta e já me contou vários detalhes comprometedores...

— Pois é, agora você tem que aceitar a proposta ou eu vou ter que te matar... — Saga lançou-lhe um olhar perigoso seguido por um riso cristalino antes de continuar — Mas enfim, você disse que estava disposto a me ouvir, agora cale a boca e ouça.

— Sua capacidade de fazer com que eu me arrependa das coisas é invejável.

Um sorriso enviesado e um tanto que misterioso formou-se nos lábios de Saga pouco antes dele levar o cigarro aos lábios, tragando-o vagarosamente. Colocou o maço e o isqueiro no chão ao lado da cama para então se livrar dos lençóis que cobriam sua nudez e começar a procurar suas roupas espalhadas pelo chão.

— Agora eu não quero mais falar. Escute, apareça no Santuário amanhã... Eu garanto que a proposta vai te interessar — o grego já fechava o cinto em volta da calça de linho grafite.

— Estou interessado — Shura disse, encostando-se à janela e cruzando os braços sobre o tórax desnudo, olhando o outro vestir a camisa — Só acho que eu e Afrodite correríamos riscos demais... Aquele Sorento já está me tirando do sério com ameaças e está mais do que claro que Solo está de olho em nossos movimentos.

— Então é Sorento quem está encarregado em extorquir vocês? — a pergunta saiu com certo ar de desdém — É um caso complicado, aquele rapaz é o braço direito de Julian juntamente com meu irmão. Difícil de ser eliminado.

— Acha que eu não sei? Por isso essa história toda me preocupa.

— Mas é provável que Shion saiba disso e ainda assim achou que você e Afrodite poderiam ser úteis. Ele está disposto a comprar a briga de vocês... Isso não pode ser ruim — Saga sorriu, terminando de vestir o paletó — Amanhã, às nove. Não me decepcione.

Shura revirou os olhos, passando a mão pelos cabelos negros enquanto seguia Saga para fora do quarto. Já estava mais do que atrasado para encontrar Afrodite e não estava nem um pouco preocupado em se apressar, já que ouviria reclamações de um sueco enfurecido de qualquer forma.

— Vou indo — Saga disse, parando frente à porta — Você podia me arranjar umas garrafas de vinho espanhol, hm?

— Podia — Shura sorriu, encarando os orbes verde-azulados do grego — Quem sabe eu não leve qualquer dia desses.

— Você podia levar amanhã, quando aparecer no Santuário... — Saga lançou-lhe o sorriso mais cínico que conseguiu fazer antes de abrir a porta — Adilo, Shura.

— Até amanhã... Saga.


Atenas, Grécia; Santuário. 18:41 pm.

Ele cruzou o jardim sem vida com velocidade, tentando fugir da chuva. Empurrou a pesada porta de mogno que estava entreaberta e esgueirou-se para dentro do Santuário. Rapidamente uma serva apareceu para tirar-lhe o sobretudo e o blazer, indicando-lhe a biblioteca ao fim do Hall, de onde uma fraca iluminação escapava por entre a pequena fresta que a porta mal fechada deixava.

Arrumou o colete cinza que usava sobre a camisa branca e ergueu as mangas da camisa até os cotovelos, permanecendo elegante como lhe era habitual. A discreta gravata escura combinava estrategicamente com a calça e o colete, enquanto os longos cabelos ruivos caíam-lhe sinuosamente pelas costas contrastando com a tez pálida e as roupas escuras.

Bateu uma vez à porta antes de empurrá-la, encontrando as duas figuras sentadas em poltronas próximas à lareira.

— Boa noite — fechou a porta atrás de si — Espero que eu não os tenha feito esperar demais. A chuva fez meu vôo atrasar um tanto.

— De forma alguma, estávamos entretidos em uma animada conversa, embalados pelos prazeres do vinho — Shion indicou a garrafa sobre a mesa de centro com a cabeça — Vinho francês, em sua homenagem.

O ruivo sorriu, andando até o espaçoso divã próximo às poltronas onde Dohko e Shion estavam acomodados. Apanhou uma taça na mesa de centro antes de sentar-se, inclinando-se na direção da garrafa.

Merci — pegou a garrafa com cuidado para ler o rótulo, arqueando as sobrancelhas ao terminar — Hm, Malbec de France, "Le Plant du Roy". Parece-me bom, boa safra...

Despejou dois dedos de vinho na taça e apanhou um guardanapo de papel, a fim de ajudar na visualização do vinho. A cor de rubi confirmava a safra não tão antiga do exemplar. Sorriu, deixando o guardanapo de lado e passando a mover o vinho em leves movimentos circulares, para desprender o álcool do vinho e assim poder sentir seu aroma. Frutas vermelhas à primeira impressão, levemente amadeirado depois. Provavelmente envelhecido em barris de carvalho.

Levou a taça aos lábios, finalmente, sorvendo um gole da bebida. Vinho encorpado, não demorou a perceber. Levemente mentolado, de acidez leve. De fato, um belo exemplar de vinho francês.

— Não me admira que meu atraso tenha sido compensado por uma garrafa de vinho — o ruivo ainda agitava a taça levemente, olhando para os dois homens — Então, vamos tratar de negócios?


Katerini, Grécia; Escritório L'Heureux. 18:56 pm.

— Nós gostaríamos de falar com o doutor Bian L'Heureux — Aldebaran falou, cheio de uma polidez que não sabia ter.

— Vocês não têm hora marcada, vou ter que pedir para que marquem um horário e voltem amanhã... — a moça continuaria falando, mas um italiano irritado interrompeu-a.

— Escuta aqui, ragazzaDeath Mask apoiou-se sobre a mesa e encarou a secretária com um sorriso de escárnio nos lábios — Avisa o suo capo que é o Death Mask quem está aqui. Ele vai te dizer que eu não preciso marcar horário para conversar com ele, capisci?

A moça, um tanto que desconfiada, pegou o telefone e ligou para o chefe na sala ao lado. Virou-se de costas e andou até um canto reservado enquanto praticamente murmurava as palavras ao telefone. Voltou a olhar para os dois um tanto que constrangida e pediu para que eles entrassem, indicando a porta ao lado.

Death Mask lançou um olhar cínico à secretária antes de seguir Aldebaran para dentro do escritório. Adentraram o elegante aposento sendo, logo de início, questionados por um irritado Bian.

— Que diabos vocês querem aqui outra vez? — perguntou, levantando-se da cadeira onde estava atrás da escrivaninha.

— Hm, não é um pouco óbvio? — Mask sorriu, sentando-se em uma das cadeiras frente à escrivaninha — Andiamo, não tenho todo o tempo do mundo. Pode ir desembolsando uma boa quantia aí para nós, Cavalo Marinho.

— Não vou dar mais nada a vocês. Chega! — estava visivelmente exasperado, andando de um lado para outro atrás da escrivaninha.

— Podíamos pular a parte do drama, Bian. Toda vez que nós chegamos aqui é a mesma coisa... Vamos fazer diferente desta vez, hm? — Aldebaran fez cara de tédio enquanto encarava-o firmemente, ainda em pé, com os braços cruzados — Você podia dizer "eu sei que vocês têm muitas evidências contra mim e por isso não vou fazer objeção nenhuma em lhes dar um pouco do meu dinheiro", que tal?

Bian fuzilou o moreno com o olhar antes de suspirar, resignado, e voltar a sentar-se na cadeira onde estava antes deles chegarem. Abaixou-se para abrir uma das gavetas da escrivaninha enquanto Mask lançava um olhar cúmplice para Aldebaran. Voltou a olhar Bian quando ouviu um ruído similar ao "clique" de uma arma sendo destravada.

Mask ficou estático ao ver a pistola semi-automática prateada reluzindo, bem apontada para o seu rosto. Deu um sorriso nervoso enquanto Bian abria um largo sorriso vitorioso nos lábios. Permaneceu sentado, com a arma apontada para o italiano, encarando Aldebaran firmemente.

— Vamos fazer diferente, Touro.


Ormos Panagias, Grécia; Residencial Koufos Nikiou. 19:03 pm.

Estacionou o Mustang na esquina do residencial, se perguntando onde estaria Afrodite. Tudo bem que estava atrasado em mais de uma hora, mas ele deveria estar o esperando ali, conforme o combinado. Então se lembrou de que ainda não havia ligado o celular, e procurou-o em um dos bolsos da calça, ligando-o assim que o encontrou. Não demorou a receber uma mensagem da operadora que dizia "Você recebeu 18 ligações de Afrodite". Suspirou, pensando no sermão que com certeza levaria.

Discou o número de Afrodite enquanto passava a mão livre pelos cabelos negros em um ato de nervosismo. O sueco não tardou em atender, já despejando todos os impropérios que conseguia lembrar contra o espanhol:

Skitstövel!¹ Onde diabos você estava? EU TE MATO, SHURA!

— Relaxa, Afrodite. Estou te esperando no lugar combinado, onde você está? — Shura abaixou a cabeça enquanto apoiava a testa na mão, ouvindo o ataque histérico do sueco.

Onde eu estou? ONDE EU ESTOU? — ouviu a respiração pesada de Afrodite antes dele continuar com o ataque — Min Gud!² Você está brincando comigo, espanhol? EU JÁ ESTOU CHEGANDO, maldito.

Bueno, estou te esperando... — desligou o celular e enfiou-o no bolso, em um misto de irritação e pesar.

Decididamente não era a pessoa mais indicada para agüentar os surtos de um sueco irritado, mas já que era o culpado não lhe restava alternativa senão ouvir reclamações pelo resto da noite. E o pior seria justificar o que estava fazendo para ter se atrasado. Definitivamente, pior que um sueco nervoso era um pisciano curioso. Não tinha dúvidas de que estava com problemas.

Saiu do carro e ficou encostado na porta, de braços cruzados, enquanto pensava em uma boa desculpa para dar a Afrodite. Para a sua surpresa, porém, o sueco apareceu em menos de dois minutos depois, com os olhos azuis faiscantes e as bochechas coradas. Parou frente ao espanhol, encarando-o com ódio.

— Explique-se — Afrodite ainda estava ofegante, mas a curta sentença saiu decidida como uma ordem.

— Pensei que estivéssemos atrasados o bastante para ouvir minhas explicações...

O sueco prendeu a respiração e fechou uma das mãos com força, controlando-se para não dar um soco nas fuças daquele homem. Soltou todo o ar que prendeu de uma vez e lançou um olhar assassino a Shura antes de voltar a falar.

— Não pense que você não me deve uma explicação, Shura — Afrodite mordeu o lábio inferior e mostrou a pasta que trazia na mão esquerda — Vou enrolar o porteiro, aí nós entramos lá. Eu não tenho nem idéia de onde ele guarda o diamante e você precisa abrir o cofre.

O diamante? — Shura repetiu, arqueando uma sobrancelha com um certo ar de incredulidade — Você está me dizendo que estamos correndo este risco todo por causa de uma gema?

— Eu não te contei...? Ah é, talvez seja porque o seu celular tenha passado a droga da tarde inteira INDISPONÍVEL! — bufou de raiva antes de se lembrar que, de fato, eles já estavam atrasados o suficiente — Aquele diamante é o Florentine.

Florentine? — o espanhol perguntou, ignorando todo o acesso de raiva do pisciano — Antes que você comece, não quero ter uma aula de história. Quero saber o que interessa: quanto ele vale?

— Uns bons euros, eu garanto — arqueou uma sobrancelha e bateu com a pasta no espanhol, sem perder o ar de irritação — Você trouxe as suas ferramentas, não é? Quero dizer... Se você esqueceu das suas obrigações, Shura, eu vou usar seus dentes pra abrir o maldito cofre.

— Quanto estresse, hm? Acho que você precisa liberar testosterona — sorriu, ácido, enquanto batia a porta do carro e acionava o alarme — Vamos logo.

— Eu acabo de notar que você está calmo demais. Devo ligar isso à testosterona? — perguntou, com pitadas de ironia na frase. Recebeu um sorriso enviesado misterioso em resposta — É, vejo que sim... Eu falo com o porteiro.

Aproximaram-se da cabine onde o porteiro se encontrava. O homem afastou o vidro da janela para poder falar com Afrodite, que o enrolava com uma conversa sobre uma viagem que teria que fazer às pressas por conta de uma irmã doente e precisava entregar alguns documentos para o senhor Capella. Shura nunca deixava de se impressionar com a incrível lábia do sueco, que raramente deixava de conseguir o que queria.

Alguns minutos depois, se viam andando na direção do bloco D, onde Capella morava. Afrodite havia convencido o porteiro de que poderia entregar a documentação ao vizinho do grego uma vez que ele não se encontrava em casa, mas precisaria explicar alguns procedimentos um tanto que complicados e achava melhor que ele mesmo o fizesse, para evitar problemas para Capella. Ao entrar no edifício, acionaram o elevador sem demora e logo estavam no andar onde Capella e seu vizinho moravam.

— Shura, você entra — entregou o cartão para o espanhol, que o olhou com uma expressão confusa — Eu vou até o apartamento do vizinho dele, vai ser rápido.

— Para que? — perguntou, pegando o cartão que dava acesso à porta de Capella — Ei, como foi que você conseguiu isso?

— Álibi. E você não tem idéia do que eu passei para conseguir isso... — suspirou, andando na direção oposta à porta do apartamento de Capella — Volto em dois minutos.


Iráklio, Grécia; Escritório Improvisado Madwitt. 19:05 pm.

Andavam lado a lado em passos apressados na direção do pequeno casebre isolado que mais parecia uma casa de praia do que um escritório. Os cabelos loiros bem presos em um rabo de cavalo baixo, enquanto o os fios do moicano bem cortado e moderno do outro ondeavam pelas costas largas e destacavam-se na jaqueta preta de couro.

O loiro empurrou a pequena cerca que rodeava o casebre para o lado, cedendo assim passagem para o companheiro. Mais alguns passos e já estavam frente à porta de madeira, na qual bateu antes de entrarem. Encontraram um homem baixo e calvo encostado a uma escrivaninha, que junto com outras três cadeiras eram os únicos móveis do casebre.

— Boa noite, Jamian! — encarou o homem firmemente enquanto se aproximava de uma das cadeiras. O outro permaneceu imóvel à porta.

— Kanon, Krishna — recebeu um aceno seco do outro e acomodou-se na cadeira atrás da escrivaninha ao mesmo tempo em que Kanon — Então, agora Solo está interessado em meus produtos?

— Muito interessado — Kanon ficou sério antes de prosseguir — Mas ele estranhou o aumento repentino do preço.

— Digamos que a minha mercadoria tenha sofrido uma... — o homem alargou ainda mais o sorriso cínico enquanto procurava as palavras — Modesta valorização.

— Interessante. Valorização baseada em...?

— Não sou nenhum idiota, Kanon. Desde que vim da Inglaterra vocês nunca precisaram comprar nada de mim, o que significa que vocês não conseguem comprar de Shaka agora que derrubaram Ágora — Jamian não parou de encarar o grego por um momento sequer, o sorriso cínico ainda brincando nos lábios finos — Vocês não têm escolha senão aceitar o que eu oferecer.

— Nós podemos importar mercadoria de outros países. Temos contatos em toda a Escandinávia.

— E por que não o fazem? — Perguntou, cheio de desdém.

— Comodidade, meu amigo. Para que tanto trabalho se você vai baixar o preço de boa vontade? — o tom de Kanon era de puro cinismo e o olhar verde brilhava perigosamente.

— De forma alguma.

Kanon suspirou. Era estranho defender uma causa de Solo quando estava, na verdade, contra ele, mas não tinha escolha. Krishna decididamente não podia desconfiar de nada ou ele teria problemas com o restante da organização.

— Jamian, você entende que pode ser considerado inútil para Solo, certo? — perguntou pausadamente, fingindo pesar enquanto desviava o olhar para uma parede qualquer.

— É uma ameaça, Kanon? — Jamian perguntou em tom de desafio, sustentando o olhar de Kanon.

— Tenha certeza que sim.

Kanon levantou-se, deixando Jamian com uma expressão um tanto que aparvalhada. Krishna, por sua vez, cruzou os braços e acomodou-se melhor à parede, permanecendo calado. O homem tornou a falar em tom de desafio:

— Julian não ousaria me atacar. Tenho meus homens também, e eles não são lixo como os soldadinhos de Solo!

O sorriso de escárnio tornou a brincar nos lábios do grego enquanto seu parceiro descruzava os braços e desencostava-se da parede, olhando fixamente para o inglês. O olhar negro de Krishna brilhava de forma ameaçadora.

— Eu sei. Mas você está sozinho agora, Jamian.


¹ Skitstövel – Filho da mãe, em sueco.

² Min Gud – Meu Deus, em sueco.


30/09/08 --