Obscuridade Púrpura
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Numa festa dada por Edward Cullen, Bella, a nerd da escola, é estuprada e isso desencadeia muitos mistérios de seu passado. Na corrida mortal para descobrir quem é seu agressor, Bella e Edward acabam dividindo mais do que sua sede por justiça.
Capitulo 2
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Bella estava remexendo os dedos inquietamente no colo. Assim que Edward tinha saído do campo visual e auditivo, Alice tinha deixado claro que elas não estavam indo a festa.
Aparentemente o Sr. Cullen era esnobe demais, nojento demais e metido demais para Alice sequer cogitar a hipótese de respirar o mesmo ar que ele além do estritamente necessário. Ou seja, Bella podia esquecer a ideia de todos eles virando amigos.
Isso era ridículo, pensou. Edward podia sim ser um esnobe, mas ele não tinha feito nada demais a Allie. Ou tinha?
A garota bufou. Deveria perguntar?
- Bella, não. Eu sei que não tenho motivos para não gostar dele, mas eu simplesmente não gosto. Vai por mim, ele não é boa coisa.
Ela e Alice estavam sentadas lado a lado no banco do ônibus. Como Emmett estava trabalhando, não poderia ir buscá-la, alem do mais Bella jamais deixaria que ele ficasse sem o carro.
Charlotte podia ser uma chevy velha e em mau funcionamento, mas não tinha deixado nenhum deles na mão. E ela não se sentia particularmente feliz de saber que Emmett saia do restaurante tarde e ainda tinha que ir a faculdade. O pensamento dele voltando para casa meia noite, sozinho e talvez a pé ou de ônibus, lhe dava arrepios. Por isso, a chevy ficava com ele e não com ela.
Não que as ruas de Seattle fossem muito perigosas, mas na situação deles era sempre melhor se precaver.
Emmett não gostava desse pensamento e sempre insistia para Bella ficar com o carro, mas ela sabia que isso era ridículo. Seu trabalho era de meio período, ela pegava as 03:30pm por causa da escola e saia as 09:00pm. Poderia ser perigoso se sua casa não ficasse a 4 quarteirões da loja de Cafeteria dos Newton's.
Ela odiava a ideia de ter que ver Michael Newton todos os dias, dentro e fora da escola, mas depois de ser demitida por corte de verbas do seu ultimo emprego, não tinha sobrado muitas opções.
Ela suspirou e olhou pela janela percebendo que seu ponto era o próximo.
- Allie, eu desço no próximo. – ela resmungou e a amiga fez uma careta.
- Mas pensei que fosse para minha casa comigo. – o biquinho que Alice fazia era tão infantil que fez Bella rir.
- Lamento, mas não posso. Preciso ir trabalhar. – disse se levantando e dando sinal. Alice a acompanhou.
- Trabalha onde?
- Na Cafeteria Newton's. É logo ali na esquina. – quando o ônibus parou, Bella sorriu para Alice.
- Tchau, Allie, até amanha. – mas a pequena fada desceu junto com ela.
- Oras Bella, preciso ver onde minha melhor amiga trabalha.
Bella revirou os olhos com o jeito entusiasmado de Alice e a arrastou ate a porta pequena e vermelha de madeira. Um sininho soou quando elas entraram e Alice achou aquilo tudo muito acolhedor.
- Uh, o lugar é bem charmoso. – ela disse com um sorriso.
- Fico feliz de ouvir isso. – uma mulher loira, baixa e com um sorriso brilhante disse de trás do balcão. – Olá, Bella.
- Oi, Sra. Debra. Essa é Alice, minha amiga. – quando Alice pigarreou, Bella se corrigiu. – Minha melhor amiga. Alice, essa é a Sra. Debra, dona da cafeteria.
- Olá. Sua cafeteira é um achado. – Alice disse estendendo a mão e apertando a da mulher mais velha.
- Obrigada, querida. Mas meu nome é Debra. Já disse isso a Bella, mas ela insiste em me chamar de senhora me tornando mais velha do que já sou.
Bella soltou um risinho e Alice olhou de forma carinhosa para a mulher. É verdade, Debra já tinha alguns pés de galinha ao redor do rosto, mas conservava a beleza e a elegância da mocidade.
- Imagine, a senhora... ops, você ainda está na flor da idade. – Debra soltou um risinho para Alice e abraçou Bella pelos ombros quando a menina rodeou o balcão.
- Querida, eu a adorei! Você definitivamente precisa trazê-la mais vezes.
Bella tinha certeza que depois desse comentário Alice seria uma frequentadora assídua da cafeteria.
- Garçonete... – um rapaz chamou e rapidamente Bella pôs a mochila num canto no chão atrás do balcão, vestiu o avental e foi atendê-lo.
Alice se empertigou numa das cadeiras giratórias do balcão e olhou Bella por sobre o ombro.
- Você parece gostar muito dela. – Debra observou com simpatia.
- Bem, eu sou relativamente nova na cidade e Bella é minha única amiga. Mas acho que estou pressionando um pouco ela. – a morena deu uma risadinha.
- Imagina. – a mulher a sua frente esticou a mão e tocou a dela. – Fico contente de Bella ter uma amiga agora. Ela sempre foi muito sozinha. Conheço essa menina desde que se mudou para cá, mas nunca a vi com ninguém fora o irmão ou a prima.
- Jura? Eu sabia que Bella era fechada, mas achei que tinha alguns amigos. Mas bem, não tem como eu saber de tudo, eu a conheci hoje. Nem sabia que ela tem uma prima.
- Angela... – Debra disse com o tom desolado e sacudindo a cabeça. – Boa menina, porém cabeça fraca. Bem, quem sou eu para falar da vida dos outros, certo? Mas ela não mora mais aqui, mudou-se com a mãe.
- Ah, entendo. – Alice disse introspectivamente.
- Me desculpe, mas não sei porque seu rosto me parece familiar...
- Talvez conheça meu irmão. Disse que sou relativamente nova na cidade. Na verdade, passei alguns anos estudando num colégio interno feminino. – Debra arregalou os olhos e depois soltou uma risadinha com a careta de Alice. – Bem, meu pai tem ideias... peculiar sobre a educação. Pois bem, falava de meu irmão. Jacob Black. Conhece?
- O namorado de Bella? – Debra perguntou inocentemente, mas a menina estava passando com uma pequena bandeja de café naquele momento e acabou se distraindo. Resultado: tropeçou e o café veio ao chão.
- Bella, querida! Você está bem? – Debra se debruçou sobre o balcão para olhá-la.
- Eu te ajudo. – Alice se ofereceu, mas Bella recusou com uma mão.
- Não tem necessidade. – depois de secar o chão com um pano que carregava no avental, recolheu a xícara e se levantou. – E para deixar claro, Jacob Black não é meu namorado. É apenas um amigo.
Nervosa, ignorou o olhar sagaz de Debra, a cara confusa de Alice, se virou para entrar na cozinha e pegar uma nova xícara de café.
- Que história é essa de namorado? – Alice perguntou com curiosidade.
Debra riu.
- Já percebi que você é das minhas... – se inclinou em direção a garota e pediu que ela abaixasse a cabeça. Quem olhava de longe achava que as duas eram amigas de longa data. Sussurravam e conspiravam através de sorrisos e no momento que Bella viu aquela cena, soube que teria dores de cabeça com as duas representantes do sexo feminino.
- Você está me dizendo que ele afirmou ser namorado dela? – uma Alice chocada fazia muita força para não gritar.
- Não, ele não afirmou. Mas não negou quando eu afirmei. Ele só sorriu. Desde então digo que ele é namorado dela. – apontou em direção a Bella que servia uma das mesas com um sorriso típico. – Sei que isso a irrita um pouquinho, mas sei lá, talvez espero que um dia ela confesse.
- Bella não namora Jacob. – Alice franziu a testa.
- Não? Mas ué, ele disse...
- Eu sei o que ele disse, ou o que não disse. Talvez ele queira muito isso, mas acho que Bella é indiferente aos sentimentos dele. Não sei nem se ela o nota.
- Oh, isso é tão triste. Amor não correspondido... – as duas suspiraram e encararam tanto a garota que ela veio até elas.
- Porque me olham tanto? Estou suja, estou com alguma coisa no rosto?
- Uhum. – respondeu Debra. – Na vista.
- O que? – Bella disse confusa. Alice abanou a mão.
- Esqueça. Hey, Bella, eu quero saber... o que acha do meu irmão?
A morena olhou de uma forma confusa para a pequena fada.
- Jake? Bem, ele é ótimo. Acho que é um bom amigo, porque? – Alice balançou a cabeça com descrença. Isso seria mais difícil do que ela imaginou, se Bella nem sequer descrevia ele de uma maneira diferente, seu irmão podia desistir.
- Não assim, Bella boba. Quero saber o que acha dele como um cara. Tipo, ele é bonito? Você acha ele charmoso? Você o namoraria?
Bella corou num tom absurdo. Era quase rosa, mas ainda num tom vermelho. Talvez a cor exata seria beterraba?
Alice quis rir. Se a menina corava assim, talvez não fosse tão indiferente a Jake quanto ela e Debra pensaram.
- Ele... hum, ele é bonito sim. – Bella disse com uma voz minúscula. – Olha, você não devia me distrair. Eu tenho trabalho a fazer. Vá embora, vá embora. – disse enxotando a pequena garota com a mão, tomando o bloquinho de notas e indo em direção a um cliente que a chamava.
- Ah meu Deus! Ela o acha quente! – Alice vibrou para Debra. A loira apenas riu.
- Bem, querida, não quero jogar areia na sua empolgação, mas Bella acha alguns garotos quentes.
- Jura? – Alice estava surpresa. – Quais especificamente? – disse com olhos de águia. Num segundo, sua mente tinha seguido um fio de raciocínio e ela não gostou nada nada do que a esperava no fim.
- Bom, eu gostaria muito de dizer que ela olha de uma forma diferente para o meu Mike, ela faria bem a ele, mas não acho que ele faça o estilo de Bella.
Alice não conhecia Mike, ainda, mas tinha ouvido histórias sobre o loiro festeiro. Definitivamente não servia para Bella.
Alguma coisa no discurso de Debra fez Alice ter certeza que ela estava mudando de assunto.
- Se não é seu filho, quem mais?
- Tudo bem, eu falo. Não consigo resistir, mas se Bella souber que te contei, te proíbo de entrar aqui. – apesar do tom, Alice pode ver nos olhos da mulher que estava apenas brincando. – Talvez, isso é uma impressão minha, mas talvez Bella goste de... – ela baixou mais ainda o tom de voz como se fosse confessar um crime. – Edward Cullen.
E que crime! Alice por pouco não imitou a Samara do Chamado e deu um giro de 360° com a cabeça para encarar a amiga. Porque Bella gostava daquele idiota? Ela se perguntava.
E pra piorar tudo, Edward tinha jogado toda aquela lábia e sorrisinho matador pra cima das duas convidando-as para a festa no sábado. O que será que Bella achava disso?
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Bella estava ansiosa para chegar em casa. As noites de segunda feira eram um ritual. Eram a noite dela e de Emmett. Os dois ficavam largados a madrugada inteira no sofá e assistiam reprises de seriados ruins dos anos 80. Metade do tempo eles repetiam as falas por cima da voz dos personagens, e no restante do tempo, criticavam o enredo.
Era algo monótono, mas também era legal e era algo que ela e o irmão compartilhavam desde a infância.
Não importava o quão louca a vida deles tinha se tornado, nenhum dos dois faltava aquele compromisso.
Mas naquele dia, Emmett faltou...
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Bella estava prestes a fechar a cafeteria. Debra tinha ido para casa mais cedo porque precisava resolver uns problemas e Mike viria buscar as chaves da loja. A morena não estava ansiosa para isso.
Ela tinha acabado de fechar o caixa quando o sininho da porta da frente da loja soou. Ela tinha certeza que tinha colocado a placa de fechado na porta, mas quando se virou, deu de cara com os olhos azuis tipo sujos de Michael Newton.
- Oh meu Deus! – resmungou levando a mão ao coração. – Você quase me deu um ataque cardíaco.
Mike riu e se sentou num dos banquinhos do balcão.
- Que pena, talvez numa próxima. – Bella fez uma careta azeda para ele.
Mike era naturalmente insuportável, mas quando bebia, como hoje, se tornava muito pior. Ela pensou que esse devia ser seu dia de sorte.
- Olha, eu sei que não sou sua pessoa preferida...
- Jura, gênio? – ele resmungou fechando os olhos.
Bella remexeu suas mãos nervosamente. Ela sabia que Mike a odiava, mas não se sentia confortável estando sozinha no mesmo ambiente que ele. E para piorar, seu turno tinha acabado há uma hora, portanto a rua já estava vazia e escura. Isso causava calafrios a ela.
- Hey, garota, anda logo com isso que eu tenho uma festa irada pra ir.
Bella quis revirar os olhos, mas apenas ajeitou os grandes óculos que escorregavam pela ponta do nariz.
- Eu só vou checar se guardei tudo na cozinha. – ela deu as costas a Mike e praticamente correu até o outro cômodo.
Tudo certo. Panelas guardadas, pia limpa, talheres, copos e pratos limpos e secos. Ela podia encerrar por hoje.
Voltou para o balcão bem no momento que Mike abria o caixa da loja.
- O que você está fazendo? – ela perguntou com surpresa.
- O que acha? Estou pegando um dinheiro emprestado. – o loiro disse com ironia.
- Não posso deixar que faça isso. Dona Debra já lhe disse para não pegar dinheiro aqui. – Bella tentou segurou o pulso do garoto, mas ele a empurrou para longe. Ela cambaleou em seus pés, mas voltou a se aproximar dele. – Mike, pare. Você quer levar 400 dólares. Não posso deixar.
O garoto se virou rapidamente e a prensou contra o balcão. Bella ficou tão surpresa que simplesmente piscou seus grandes e profundos olhos chocolates.
- O que-o que-vo-você está fazendo-do? – gaguejou debilmente. – Me-me deixa ir... – Mike apertou mais ainda os braços da menina e ela gemeu de dor.
De repente, Bella estava sendo tragada pelas lembranças.
Fogo... tinha tanto fogo. Parecia que o próprio olhar dela queimava e ela não tinha ideia do que fazer. Talvez gritar?! Mas quem a ouviria? Emmett ouviria. Emmett sempre ouvia...
- O que foi, Isabellinha? – Mike sussurrou no seu ouvido trazendo-a de volta a realidade. – Entrou em estado de choque? Que peninha... talvez agora eu possa ver o que você tanto esconde dentro dessas roupas.
Ele soltou um de seus pulsos e agarrou a barra da camiseta larga dela. Bella se recuperou do choque e bateu a mão dele para longe.
- Não! – disse decidida.
- Tudo bem. – Mike deu um sorriso cruel. – Você não faz meu tipo. Eu só quero te assustar um pouquinho. – então quando ele tentou puxar a roupa dela mais uma vez, algo se quebrou dentro de Bella e sua reação imediata foi empurrá-lo e gritar com toda a força que tinha.
- Não se aproxime de mim! – ela disse enquanto Mike era jogado no chão e caía sentado em sua própria bunda.
Ela estava em pânico, ele podia ver, mas ao invés de ficar puto pela reação da garota, achou muito graça. Bella realmente era uma virgenzinha puritana. Sequer sabia quando um garoto a desejava ou não. Mike definitivamente não a desejava, ele só queria assustá-la. E tinha conseguido.
Mas antes que pudesse se divertir um pouco mais, o sininho da loja soou mais uma vez e Edward passou pela porta.
O filho da puta consciente! Por mais que tentasse durante anos, Mike sabia que seu melhor amigo ainda conservava um pouco de consciência e sensibilidade, o que era uma lástima. Eles poderiam se divertir muito mais com a garota Naked se os dois estivessem nisso.
Mas Edward não o decepcionou quando lhe dirigiu um olhar acusador.
Isabella ainda estava encolhida no canto do balcão e tinha um olhar aterrorizador em seu rosto.
- Você está bem? – Edward disse tocando-a no braço. Mas a menina não reagiu como ele previra. Ela deu um pulo para longe do seu toque e se encolheu mais ainda.
- Mike, o que diabos você fez? – ele disse encarando o amigo. O loiro riu, espanou as roupas e levantou enquanto cambaleava um pouco.
- Só dei um pequeno susto nela. A Srta. Sabe-tudo aqui queria me impedir de pegar um pouco de grana da loja da minha própria mãe, acredita nisso?! Mas eu já resolvi o problema, certo Bella?
Edward odiou o tom nojento que Mike estava usando, principalmente o olhar distante da morena, mas não conseguiu dizer nada. Ele sabia que o amigo jogaria sua boa ação em sua cara, não queria piorar a situação.
- Já chega, Mike. Só deixe a garota trancar a loja e vamos embora.
- Você é um viadinho mesmo, Edward. Nem implicar mais com a sem sal da Naked eu posso? – Mike resmungou mais se afastou de Bella e começou a andar na direção da porta. Mas a menina o parou com uma frase.
- Vou ligar para a polícia se não devolver o dinheiro. – Edward e Mike a encararam em choque.
- Você o que? – Edward foi o primeiro a perguntar.
- Vou ligar para a policia e dizer que além de roubar sua própria mãe, ainda tentou me bater. Não me interessa se você é dono da cidade, se pegou 20 cents ou 1000 dólares. Você vai devolver, Michael.
Edward tinha de admitir, ela tinha coragem. Isabella Naked estava desafiando Michael Newton. Naquele instante, Edward odiou aquela garota. Quem ela achava que era?
- Olha aqui, garota... – Edward começou. E só Deus sabe porque ele estava defendendo Michael, mas seu amigo tinha outros planos.
Ele circundou o balcão novamente e encurralou Bella, que dessa vez tinha a mochila agarrada nas mãos como escudo de defesa.
- Eu quebro todos os seus dentes se fizer isso. – os dois viram a garota engolir em seco, mas ela se inclinou e tentou puxar o dinheiro do bolso da calça jeans do loiro. Então Michael fez algo que chocou os três...
Ele deu um tapa em Bella. O barulho da sua mão contra a face rosada da garota ressoou na cafeteria vazia.
- Mike! – Edward resmungou e arrastou o garoto para longe. – O que você está fazendo? Ela pode te colocar na cadeia depois disso, seu imbecil.
- Eu... mas a culpa é dela. Ela que... Mas foi ela que... Ela ia ligar pra polícia! – o loiro disse em desespero.
- E agora mesmo que ela vai ligar. Será que você não pensa? – o ruivo sabia que o amigo estava mais do que um pouco alcoolizado, mas bater em Bella tinha sido... demais. Mais do que chocante. Tinha algo de perverso nisso.
- Edward, convença-a a não ligar pra polícia. – Mike resmungou agarrando a jaqueta dele.
- Como farei isso, caralho? Você fodeu com tudo, assim que ela sair daquele estado de morta viva vai te denunciar.
- Não seja imbecil. Se você pedir, ela não vai fazer. Todo mundo sabe que ela é pateticamente a fim de você.
Edward gemeu e então empurrou Mike para fora. Precisava se livrar daquele idiota e então decidir o que fazer com a morena atrás dele.
- Vá embora. Cai fora daqui. Eu te encontro na festa. – Mike abriu a boca para reclamar, mas Edward olhou pra trás. – Vou limpar sua bagunça.
O loiro acenou, soprou um beijo para uma Bella ainda em choque e saiu.
Edward suspirou e se aproximou dela.
- Isabella? – chamou devagar e os olhos escuros se focaram nele. – Não faça nenhuma estupidez, okay? Se você denunciá-lo, ele vai transformar sua vida num inferno.
Tarde demais, Edward, Bella pensou.
- Ele me bateu. Ele me bateu e levou o dinheiro, Anthony. O que você quer que eu faça?
- Toma. Ta aqui. – Edward abriu a carteira. – Quanto ele levou? 500? 600?
- 400 dólares. Mas não quero seu dinheiro. Eu queria que ele parasse de roubar a mãe dele. Ela... ela se sente mal com isso.
Edward assentiu, mas não pegou as notas de cima do balcão.
- Não quero seu dinheiro. – Bella repetiu.
- Olha, devolva os 400 dólares para o caixa e fique com o resto, okay? Como um pedido de desculpas por hoje.
Bella sabia que ele queria ajudá-la e livrar a cara do amigo, tudo junto. Mas se sentiu frustrada e com raiva e estranhamente acuada. Edward Cullen era o cara de quem gostava e mesmo que ele nunca tenha retribuído o sentimento, ela estava magoada. O melhor amigo dele tinha gritado com ela, a intimidado, até lhe deu um tapa e tudo que Edward podia oferecer era dinheiro? Ela não queria o dinheiro dele!
- Eu não quero o seu fodido dinheiro, Edward! – mas apesar disso, recolheu os 400 dólares e colocou de volta no caixa. – Agradeço que tenha reposto o dinheiro que o imbecil do seu amigo pegou, mas não quero um centavo a mais.
- Mas Isabella...
- Não se preocupe. Não vou denunciá-lo. A Sra. Debra morreria se isso acontecesse. – ela tinha motivos muito maiores que esse, mas sabia que isso seria o suficiente para calar Edward. E tinha razão.
Explodir com ele tinha sido... bom, em muitos sentidos diferentes. Edward não era totalmente culpado, mas conivência também é crime, certo? Seja como for, não aguentava mais ficar segurando tudo aquilo.
O ruivo ficou calado e a seguiu de perto enquanto ela fechava tudo e trancava a loja. Depois, os dois ficaram lá, no friozinho da noite de Seattle, em pé lado a lado no meio da calçada.
- Isabella...
- Toma, pode devolver a chave para o Mike, por favor, Anthony? A Sra. Debra pediu que eu entregasse a ele, mas acho que no atual estado dele, vai acabar perdendo. - ela esticou o chaveiro na direção dele e ele pegou o metal gelado entre os dedos.
- Tudo bem. – Edward resmungou. Ele nunca poderia imaginar que sua noite seria daquele jeito. Mike atacando Bella e ela se mostrando tão arisca. Quase conseguia sorrir quando se lembrava do jeito que ela tinha gritado com ele. No começo tinha sido um pouco frustrante e confuso, mas depois ele achou divertido. Bella era sempre tão na dela, mas no fundo, tinha algo de diferente na garota que se escondia atrás de moletons largos.
Sabia que Mike tinha sido um imbecil, mas não queria que o amigo fosse pra cadeia, principalmente se ele podia ajudar. Tinha achado que Bella cederia de cara, mas nem parecia que ela era a mesma garota que suspirava por ele hoje de manha.
Talvez ela fosse um pouco bipolar. O fato é que ele estava com raiva dessa atitude indiferente dela. Só ele tinha permissão de ser assim. Edward Cullen, o rei da indiferença.
E então... no meio daquela confusão toda, ela ficou com tanta raiva que o tinha chamado pelo primeiro nome. Ele tinha notado automaticamente, mas parecia que a menina nem tinha consciência do que falou.
Tinha sido estranho. Bella era esquisita, muito esquisita, mas aquela voz dela, sempre doce e baixa, e agora forte e grave, pronunciando seu nome tinha causado uma reação diferente da esperada.
Edward gostou. Tinha desejado por um minuto que ela o chamasse de novo pelo primeiro nome, nem ele sabia bem porque. Mas aqui estavam de volta ao maldito nome do meio.
Mas talvez isso fosse bom. Não queria que depois do incidente dessa noite, Isabella Naked achasse que podia se referir a ele informalmente, talvez até ser sua amiga, certo? Ela ainda era a esquisita da escola, ainda era a garota socialmente excluída e sempre seria o patinho feio deslocado.
Apesar de ser engraçada, inteligente e realmente não ter só vento na cabeça, começar uma amizade com ela seria... idiotice, não é? Os garotos o matariam. Fora de cogitação.
- Bom, diga a Michael que fingirei que isso não aconteceu. Tenha uma boa noite, Anthony. – Bella falou cortando seus pensamentos.
Ela ainda tremia um pouco e Edward sabia que não era por causa do frio. Ele a viu apertar a alça da mochila, atravessar a rua e caminhar até sair do seu campo de visão. Achou muito estranho ela não se incomodar em andar sozinha pelas ruas desertas de Seattle, mas quase surtar por ser cercada por Mike. Bella era uma garota estranha.
Mas depois Edward sorriu. "Não quero seu fodido dinheiro, Edward!" A voz dela ainda ressoava em sua mente.
Era a primeira pessoa em anos que admitia abertamente que não queria o dinheiro dele. Balançou a cabeça.
- Você não pode ser amigo dela, Edward. Ela é esquisita.
Mas então porque ele se sentia tão tentado com isso?
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Eram 22:45h quando Bella conseguiu por os pés em casa. Normalmente seu turno acabava as 21:00h, mas porque teve que fechar a cafeteria e depois ainda teve todo aquele incidente com Mike, só tinha conseguido chegar agora. Emmett ainda não tinha chego, o que ela agradeceu. Suas mãos ainda tremiam e seria difícil explicar isso ao irmão. Mas independentemente da confusão que Emm podia fazer, ela queria desesperadamente ele ali.
Tomou um bom banho, trocou de roupa e comeu um sanduiche. Não estava com sono, e mesmo que estivesse, essa era a noite dos irmãos. Tinha que esperar por Emmett.
Sua cabeça estava uma confusão e não conseguia calar seus pensamentos. Aquela parte obscura do seu passado estava ameaçando emergir a superfície, por isso ligou a TV para se distrair com o som.
Pensou novamente na atitude mesquinha de Edward. Ela não esperava sinceramente que a defendesse, certo? Ele nunca ficaria contra os amigos. Mas bem, uma coisa era ela saber do quão cruel ele poderia ser, outra bem diferente era ver.
E bom Jesus! O que ela estava pensando ao deixar escapar tão displicentemente o nome dele? Edward... ela nunca o tinha chamado assim a não ser em seus pensamentos. Eles não eram amigos, não eram próximos. Ele nem sequer a chamava de Bella.
Tinha sido um deslize, um deslize que ela tentou conter e esconder assim que se deu conta daquilo. Ia fingir que nunca tinha acontecido. Edward jamais aceitaria que ela o cumprimentasse assim. Afinal, tinha sido ele mesmo que a tinha orientado a chamá-lo de Anthony.
- Eu sou uma idiota! – ela gemeu e enfiou o rosto na almofada do sofá. Quando levantou depois de uns minutos se deu conta de que encarava o pequeno relógio que ficava na mesinha de centro.
01:00h da manha? Onde Emmett tinha se enfiado?
Ela levantou e espreitou através da cortina da janela da sala, mas nem sinal da velha Chevy. O que era ridículo. Bella sabia que se Emmett estivesse a caminho, poderia ouvir o ronco da Charlotte a dois quarteirões.
Emmett tinha esquecido, ela percebeu quando o relógio bateu as duas da manha. Pela primeira vez na vida ele tinha esquecido as noites de filmes na segunda feira. Emmett não estava vindo pra casa.
E justamente no dia que Bella mais precisava.
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- Que cara é essa? Parece que um cachorro te mordeu. – Alice resmungou assim que Bella entrou no carro.
- Bom dia pra você também, Alice. – ignorando a baixinha, Bella se inclinou e tocou o ombro de Jake. – Hey, obrigada por ter vindo me buscar. E desculpe pelo incômodo.
- Que isso, Bella. Desde quando você é um incômodo? Eu só fiquei surpreso. Pra mim Emmett te levaria.
Bella emburrou a cara e Alice a olhou pelo espelho retrovisor.
Para a morena o irmão também a levaria, mas quando acordou de manha e percebeu que ele não tinha dormido em casa, se deu conta de que teria que andar até a esquina e ligar do orelhão para Jacob. Ela até poderia pegar um ônibus, mas como contava com a carona de Emmett, não tinha acordado cedo o suficiente para fazer isso e chegar a tempo na aula.
- Belly, Belly, o que foi? – Alice interrompeu seus pensamentos.
- Emm não voltou pra casa ontem. – a garota disse fazendo pouco caso e olhando para fora pela janela.
Jake ligou o carro e acelerou, e naqueles segundos de silêncio trocou um longo olhar com a irmã. Por mais que Alice tivesse passado alguns anos fora, ele sabia que ela entenderia a clara mensagem: "Faça alguma coisa".
- Belly, não se preocupe. Seu irmão deve estar bem.
- Uhum. – Bella resmungou e afundou mais ainda no banco traseiro. Ela não estava literalmente preocupada com Emmett. Tudo bem, talvez um pouquinho. Mas ela estava chateada que ele não tinha voltado pra casa, que ele não tinha sequer se preocupado com ela.
Podia ser um pensamento egoísta, afinal Emmett estava sempre preocupado. Mas bem, eles eram a família um do outro e se ela não podia contar com ele, com quem contaria?
- Odeio segunda-feira. – ela resmungou baixinho e Jacob franziu a testa.
- Bella, você está bem?
- Eu... hum, estou. Desculpe. Eu fiquei chateada. Ele podia ter avisado que não voltaria pra casa. Ele me fez ficar com raiva e preocupada.
- Bella, estamos falando do Emmett. Ele está sempre enroscado em alguma garota. – nesse ponto, Jake viu as sobrancelhas de sua irmã se levantarem e sorriu. – Ele deve ter perdido a hora ou dormido sem querer.
- Eu sei. – Bella disse fazendo um bico. – Mas era segunda... – disse mais para ela mesma.
- O que tem segunda? – Jake perguntou gentilmente enquanto parava o carro em frente a escola. Bella estava tão distraída que ele aproveitou esse fato para acelerar ao máximo. Num dia comum, a morena já teria reclamado do excesso de velocidade. Mas hoje ela nem tinha notado. Ao mesmo tempo que era bom fazer o trajeto que cumpria em 20 minutos em 5, também era muito ruim ter Bella tão chateada.
- Nada. – a morena disse sem graça, mas depois suspirou. – Bem, era uma coisa nossa. Mas ele obviamente esqueceu.
- Hey, Bella, - Jake se inclinou e segurou a mão da garota. Ela ainda ficava incomodada com o contato, mas sabia que Jacob jamais faria mal a ela ou a qualquer outra pessoa, por isso se obrigada a relaxar. – não fique chateada, okay? Emmett tem passado maus momentos na faculdade. Talvez devesse conversar com ele.
Ela assentiu, se sentindo mesquinha por ficar com raiva do irmão e sorriu para aquele rapaz tão gentil a sua frente.
- Obrigada, Jake. Eu... eu prometo que tentarei falar com ele. – então timidamente ela se inclinou, deu um beijo rápido na bochecha dele e saiu do carro.
Jake ficou tão surpreso que apenas arregalou os olhos, ele nem sequer tinha notado que sua irmã ainda estava ali até que ela riu.
- Você está perdido.
- O que é, pequena anã? – perguntou irritado e ela lhe estirou a língua.
- Não sou anã, seu imbecil. – mas então ela riu mais uma vez.
- Alice, porque está rindo? Diga de uma vez.
- Tudo bem, tudo bem. – levantou as mãos em rendição. – Eu só estava observando como vocês dois interagem...
- Nem comece, Alice! – ele tentou cortá-la.
- Ah, Jacob, por favor! – ela revirou os olhos. – Está tão na cara que você está afim dela. – quando ele não negou, Alice soltou um gritinho. – AHH! Não acredito, é verdade. É verdade. – saltitou sentada ao banco do carro.
- Cala a boca Alice! – ela bradou. – Bella é... Bella é como uma irmã menor pra mim, pequeno mosquito. Ela só não é tão irritante quanto você.
Alice deu um sorrisinho irônico para ele, o que não ajudou no nervosismo do garoto.
- Tudo bem, Jacob. Fale isso por tempo o suficiente para convencer a si mesmo e quem sabe... – Alice foi interrompida com Bella batendo no vidro da janela do lado de Jacob e os dois irmãos quase enfartaram.
Jacob abaixou o vidro e deu um olhar nervoso para Bella.
- Está aí há muito tempo? – ela franziu a testa.
- Do que você está falando? Eu estava andando para aula até que percebi que Alice não estava atrás de mim.
- Oh Bella, me desculpe. Eu estava falando de algo muito importante com meu irmão. – Jake quase fuzilou Alice com o olhar. – Na verdade, Bella...
- Alice estava me dizendo que tinha que ir para não se atrasar. Não se preocupe, irmã querida. Nos falamos mais tarde, okay? Um bom dia para vocês, garotas. – então Jake se inclinou, abriu a porta de Alice e empurrou-a para fora.
A pequena ainda gargalhava quando se afastou do carro e ele pode dar a partida.
Se Alice continuasse assim, logo Bella descobriria que Jake tinha uma quedinha por ela. Ele não sabia quando tinha começado, mas em algum ponto, ele começou a imaginar o que a irmã do seu melhor amigo tanto escondia debaixo das roupas largas e sorriso tímido.
Bella não fazia ideia de quantas noites em claro ele tinha passado pensando nisso. Talvez ele fosse mais tarado do que quisesse admitir.
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Bella estava tão distraída com Alice que quase não notou em quem ela estava esbarrando.
- Oh, me desculpe. – disse se abaixando para pegar seus livros e tentando fazer com que o óculos não escorregasse por cima do nariz.
- Isabella? – aquela voz de veludo chamou. E apesar de estar muito decepcionada com ele, a garota automaticamente levantou o rosto para dar de cara com os olhos verdes de Edward Cullen.
Por um momento ela ficou bem impressionada com o sorriso gentil dele, mas depois percebeu o que podia estar acontecendo ali.
- Allie, pode ir na frente que eu te encontro na sala. – disse se levantando e dando um sorriso gentil para a amiga. Alice arqueou a sobrancelha numa resposta muda de que não caía naquele jogo.
- Belly...
- Pode ir, Allie. Já já eu estou chegando lá. Prometo.
Edward observava a troca de olhares entre as duas, mas em algum momento seus olhos se focaram na bunda de Alice Black. E santo Deus, que bundinha empinadinha linda!
Mas então os olhos negros e faiscantes da pequena garota se voltaram para ele e o pegaram no flagra.
- Porco! – ela sussurrou enquanto passava. Edward sorriu sabendo que em poucos dias esse porco estaria pegando a baixinha atrevida.
- Olha, Anthony, - Bella começou e desviou-o da figura pequena de Alice que seguia pelo corredor. – já te disse que não vou denunciar o Mike. Não precisa ficar andando atrás de mim, okay? – ela disse nervosamente e então colocou uma mecha de cabelo que teimava em se soltar do coque frouxo atrás da orelha.
Aquela mecha prendeu a atenção de Edward e ele ficou irritado.
- Prenda seu cabelo direito, não ande tão desleixada. – Bella o encarou por um minuto e quando fez menção de ir embora, ele quis praguejar. – Não foi minha intenção dizer isso. – era o mais próximo de um pedido de desculpas que ela conseguiria. – Na verdade, Isabella, eu não vim te pressionar. Só queria saber se você está bem. Se chegou bem em casa. Não ficou marcada, pelo que posso ver.
Ela automaticamente levou a mão à bochecha.
- É. Eu... eu estou bem. – deu um olhar desconfiado ao garoto. – O que você realmente quer, Anthony? Se for algum trabalho, quero que saiba que estou muito ocupada essa...
- Não quero nada, Isabella. – então ele viu Mike e Tyler surgirem com as garotas pelo corredor. – Bem, a gente se vê na aula. Literatura, certo?
- Certo. – ela disse com aquele ar de desconfiada e então seguiu pela mesma direção que Alice no corredor.
Só foi o tempo de Bella dobrar a esquina para Mike alcançá-lo.
- O que você queria com a Naked? – perguntou irritado fazendo com que todos encarassem o ruivo. Edward revirou os olhos.
- Nada demais, só queria me certificar que tinha limpado direito sua bagunça. – Mike estreitou os olhos.
- Você conseguiu? – Tyler e as garotas estavam virando a cabeça de um para o outro com expressões bem confusas.
- Se eu consegui? Cara, eu sou o melhor. Um sorriso e ela estava no chão.
Mike circulou o pescoço de Edward com um braço e bagunçou o cabelo dele com a mão livre.
- Seu filho da puta! Você é o melhor. – então todo mundo começou a rir como se soubessem exatamente do que os dois estavam falando.
- Para com isso, ta bagunçando meu cabelo. – ele se desvencilhou.
- Essa merda já é toda bagunçada. – Tyler disse enquanto agarrava Lauren, que tinha os olhos grudados em Edward.
Quando Lauren estava por perto, ele se sentia andando com um lobo faminto prestes a atacar. Era simplesmente... bizarro.
- Bom, eu adoraria fofocar mais com as duas mocinhas, mas tenho aula de Literatura agora. – Edward informou já se afastando pelo corredor.
- Qualé, irmão. Desde quando você gosta de Literatura? – Tyler perguntou com aquele jeito de malandro dele. O ruivo odiava quando o garoto tentava parecer aqueles rappers bandidões.
- Para de falar assim. – Edward disse varejando um caderno de um garoto que passava com uma pilha de livros em cima dele. – Faz você parecer um imbecil. Não é que eu goste de Literatura exatamente, mas tem uma aluna nova na sala que... – então Edward imitou a bunda de Alice e os garotos riram. Lauren fechou a cara, mas ele a ignorou.
- Depois passa o relatório completo. Se ela for boa, eu e Mike vamos conferir depois. – o garoto riu.
- Pode deixar. – mas na verdade ele achava aquilo ridículo, não entendia porque Tyler e Mike tinham que pegar todas as garotas que ele já tinha pegado. E mais, não entendia porque ele não podia simplesmente admitir que era bom e que gostava de Literatura.
Foi só quando entrou na sala que se lembrou que Bella fazia aquela aula com ele. Sorriu para a menina, mas ela continuou totalmente distraída conversando com Alice.
Ótimo! Se ela contasse a baixinha sobre a confusão de ontem, ele podia esquecer qualquer chance delas irem à festa. Precisava arrumar um jeito de convencer Bella a ir.
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- Hey Bella, o que Edward queria com você? – Alice encurralou a menina assim que ela entrou na sala.
Bella ainda achava estranho que Alice, que conhecia Edward há dois dias, o chamava pelo primeiro nome, enquanto ela que o conhecia há 4 anos ainda o chamava de Anthony. Mas bem, apesar de Edward a tratar bem quando estavam a sós, Bella sabia que ele não queria ser amigo dela. Pelo menos não quando todos estavam olhando. Isso a fazia ficar triste e às vezes, ela quase, quase, conseguia odiá-lo.
Mas então ele agia de uma forma estranha e ainda sim um pouco atenciosa como há poucos minutos, e isso fazia ela se sentir confusa.
- Bella, Bella! – Alice estalou os dedos em frente ao seu rosto. – Terra chamando Bella.
- O que? O que é? – perguntou afastando os dedos de Alice.
- O que o Cullen te falou?
- Ahn... nada demais. É que ele e o Mike passaram na Cafeteria na hora que eu estava fechando. Dona Debra teve que ir embora mais cedo e pediu para eu entregar a chave para o Michael.
- Ai, que merda. Eu cruzei com ele pela rua ontem à tarde. Ele é um babaca. O que é uma pena, não me incomodaria de ter a Debra como sogra. – Bella riu com gosto.
- Bem, eles passaram lá e o Edward ficou meio incomodado, eu acho, pelo fato de eu ter que ir embora a pé. Já estava de noite. Mas eu disse que morava perto.
- Está querendo me dizer que o Sr. Não-ligo-pra-ninguém-Cullen estava preocupado com você? – Alice perguntou incrédula.
- Não preocupado. Só... incomodado talvez. Talvez ele achasse que se acontecesse alguma coisa comigo, ele e Michael seriam culpados.
Bella sabia que a amiga não cairia no truque de "bom moço" do Edward. A fadinha tinha uma implicância gratuita com ele, mas ela também não podia revelar a verdade. Alice a faria ir à primeira delegacia que encontrassem.
- Bom, isso já é mais plausível. – Alice riu e nesse momento seus olhos se focaram bem atrás de Bella. A morena se virou e deu de cara com Edward Cullen.
- Oi Anthony. Você precisa de alguma coisa?
- Bella você já tem dupla para essa aula? – Edward perguntou com um sorriso brilhante. A garota sabia que as pessoas pensariam que ele só queria fazer dupla com ela para não ter trabalho nenhum na matéria. Mas Bella sabia a verdade, fazendo dupla com ela, ele podia se dedicar aos trabalhos e realmente fazer as coisas sem que as pessoas o perturbassem. No final, todos pensariam que Edward Cullen odiava literatura e que Bella é que fazia tudo. Bella não conseguia entender o porque dessa atitude tão idiota, mas sempre o tinha ajudado. Mas dessa vez era diferente.
- Desculpe, Anthony. Vou fazer dupla com a Allie. Ela faz essa aula com a gente e como não conhece ninguém, eu me ofereci. Quem sabe no outro ano. – ela deu um sorriso tímido e seus óculos escorregaram por cima do nariz.
Edward quis gritar com ela. Quis colocar a maldita mecha que escapava do coque dela no lugar, quis pedir que o chamasse de Edward novamente, quis que ela parasse de olhá-lo de forma superior – mesmo que ele estivesse de pé e ela, sentada – quis tirar do rosto dela aquele maldito óculos que escorregava pelo nariz pequeno e afilado. Quis tanta coisa, mas não fez nada. Apenas bufou e se sentou no fundo da classe.
Esse ia ser um longo ano...
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Bella teve que aguentar as piadinhas de Alice durante a aula de Literatura e depois os resmungos de Edward na aula de Geografia. Para azar dela ou sorte dele, essa aula eles tinham juntos, mas sem a presença da fadinha. O que significava que Edward poderia fazer dupla com ela. Infelizmente para Bella, o garoto realmente não estudava para essa matéria.
Consequência: os dois já tinham que apresentar um trabalho na próxima semana e é claro, ela teria que fazer tudo sozinha.
Mas o mais estranho não foi o encontro com ele logo pela manha, nem mesmo o pedido na aula de literatura, mas sim Edward Cullen tentando puxar assunto enquanto a professora de Geo – como Bella chamava a disciplina - explicava algum ponto aleatório do livro.
- Então, você sempre sai aquele horário do trabalho?
Bella, que até então estava escrevendo, levantou os olhos na direção dele e quando percebeu que Edward a encarava, corou.
- Hum, não. – disse depois de um tempo. – Eu saí mais tarde porque tive que fechar a cafeteria para a Sra. Debra.
- Porque a chama de senhora? Que eu saiba Debra é contra qualquer coisa que a faça parecer mais velha. – ela riu e por um momento Edward pensou que ficava bonita assim.
- É verdade, mas peguei costume. Como ela é minha chefa não consigo chamá-la pelo nome.
- Não só ela. – ele resmungou baixinho, mas a garota pode ouvir.
- O que? – perguntou confusa.
- Ahn, nada. Então quer dizer que você trabalha na Cafeteria Newton's agora? – ela franziu a testa.
- Anthony, você já esteve lá várias vezes depois que comecei. Eu até servi sua mesa uma vez. – Edward se sentiu meio sem graça.
- Ah, me desculpe. Eu devia estar distraído com o pessoal.
- Tudo bem. Não é como se eu esperasse que me notasse mesmo. – Bella não soube porque disse aquilo de maneira tão ferida e Edward não conseguiu entender porque aquilo o incomodava.
- Prometo que se passar lá hoje te darei um oi.
- Não precisa. Sei que não gosta que seus amigos te vejam perto de mim, Anthony. Não precisa fingir que é meu amigo para eu fazer os trabalhos. Eu os farei do mesmo jeito já que não quero repetir. Além do mais, não estarei trabalhando hoje. É minha folga.
Em nenhum momento ela levantou os olhos para encará-lo, mas apertava com tanta força o lápis que os nós dos seus dedos estavam brancos.
Apesar de ser verdade tudo que ela disse, Edward se sentiu incomodado por ser tão transparente. E bem, apesar de Bella ser bem fechada e esquisita às vezes, ser um completo idiota com ela era apenas uma maldade. Por isso, ele rapidamente seguiu com a conversa.
- Sua folga? Você está doente? Pegou a chuva de ontem?
Ela arqueou uma sobrancelha. Tinha chovido ontem? Nem tinha reparado.
- Não. Eu não peguei chuva. Eu só vou precisar sair para comprar alguns livros e a Sra. Debra gentilmente me dispensou hoje.
- Entendo.
E então o diálogo morreu ali. Bella ficou esperando que ele dissesse alguma coisa a mais, mas Edward se manteve calado a aula inteira. Ele se recostou na parede, já que estavam sentados no canto direito da sala, e praticamente dormiu.
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Depois de passar o almoço ouvindo Alice tagarelar sem parar, ela ainda teve que aturar as piadinhas de Michael Newton e Tyler Crowley na aula de M&E, ou Moral e Ética como todos chamavam. Eles usaram Bella a aula inteira como um exemplo de Moral e bons costumes. E ainda que todos estivessem rindo, ela já estava achando a piadinha velha quando eles disseram pela segunda vez.
Se ainda fosse a Bella de 5 anos atrás teria feito com que cada um deles engolisse suas palavras duras. Mas agora ela era diferente. Tinha medos diferentes e por mais que as piadas a irritassem, também a mantinham escondida do mundo. No final, ainda que tivesse raiva, também era grata a tudo isso.
Pela segunda vez no dia desejou que tivesse passado a noite de irmãos com Emmett. Se isso tivesse acontecido, estaria num humor melhor.
Agora ela estava presa em seus pensamentos enquanto andava até a livraria. Seguia tão distraída pela rua que mal notou quando um carro praticamente parou e passou a andar lentamente ao lado dela. Por isso, levou um susto com a buzina.
Deu um pulo e virou para o lado encarando a carroceria prateada. Não precisava nem olhar duas vezes para saber. Aquele era um Volvo. Não qualquer Volvo, mas o Volvo de Edward.
Quando ela se inclinou da direção dos vidros fumês, pensou que talvez Michael estivesse ali dentro e tentaria ameaça-la para que ficasse calada, mas se surpreendeu quando o vidro baixou e um Edward sorridente a encarava.
- Olá, garota Naked. – tinha um tempo que ela não ouvia aquele apelido, mais precisamente 4 anos. Era daquele jeito que Edward a chamava assim que chegou a escola. Primeiro porque não queria uma proximidade muito grande chamando-a pelo primeiro nome, segundo porque ele tinha achado simplesmente irônico demais uma garota tão certinha ter o sobrenome Naked*. Bella nunca conseguiu entender porque tanta graça.
- Tem anos que não me chama assim, Cullen. – ela revidou fazendo uma careta. Nem tinha notado, mas tinha parado de andar e se inclinava na janela do carro.
Edward riu.
- Eu paro de chamá-la assim se me deixar lhe dar uma carona.
- Não estou indo para o trabalho. – disse franzindo a testa. Achava que tinha lhe dito que hoje era sua folga. – Vou à livraria do outro lado da cidade.
- Eu sei. Convenientemente estou indo pra lá. Vamos lá, Isabella. Não vou te morder. – Bella corou com o comentário, o que não passou despercebido pelo garoto.
O que será que Edward queria? Ela pensava com desgosto. Tinha alguns anos que se conheciam e ele jamais falou tão amigavelmente com ela, que dirá lhe dar carona. Simplesmente estranho.
Ela mediu suas opções.
Ela gostava de Edward, claro. Mas jamais aceitaria uma carona dele em circunstâncias normais. Mas bem, Edward Cullen jamais se interessaria por ela dessa forma, nem mesmo se fosse uma piada. Então talvez ela estivesse a salvo.
- Isabella?
- Certo. – respondeu finalmente. – Mas você não pode correr e os vidros das janelas ficarão abertos. Não me interessa que seus amigos poderão ver, Anthony. Dê a desculpa que quiser.
Edward achou que isso era um pedido estranho, mas bem, tratava-se de Bella Naked. Tudo nela era esquisito. Ele acenou com a cabeça e destravou a porta para que ela entrasse no carro.
Quando a menina já tinha o cinto de segurança no lugar, ele acelerou se lembrando de que não poderia correr muito e sorriu sabendo que seu plano estava em execução.
[N/A]: Olá gatinhos e gatinhas. Eu sei, eu sei. Estou em MEGA falta com vocês. Em minha defesa digo que as coisas na faculdade estão uma loucura, bem, escrevi esse capítulo em dois dias. Não que seja algo fácil, mas tive um tempo livre - coisa rara ultimamente - e tinha praticamente a ideia toda na cabeça. Apesar de ter sofrido e "empacado" numa cena. ¬¬'
Bem, voltando ao ponto. Espero que vocês tenham gostado desse capitulo e volto a repetir o que disse no capítulo passado. Deixem pelo menos uma review com "odiei" ou "gostei" para eu saber como a história está(ou se está) atingindo vocês, okay?
Bem, essa semana tenho uma pergunta aos leitores de plantão: O que vocês fariam se fossem colocados numa situação que nem a de Bella com Mike?
Bem, por último e não menos importante dois avisos: Um, estou temporariamente sem beta. Lari Berttz está mega ocupadíssima com a faculdade dela. E como uma inspiração tem horários bizarros para funcionar, tipo 3 da manhã, fica mega difícil para ela betar os capítulos. Portanto, SE VIREM ALGUM ERRO, ME AVISEM. E peço de antemão que me desculpem. Quem quiser ser meu/minha beta, deixem o email na review que eu entrarei em contato. Desse jeito: fulaninhadetal (espaço) (espaço) nome do . Okay?
E Dois, não respondo as reviews porque tenho algumas fics, uma delas com muuuuitos leitores, pouco tempo e várias coisas para fazer. Mas leio cada uma delas e fico muitíssimo feliz de receber nem que seja uma carinha sorridente. Tipo essa, :)
Bem, agradeço as gatinhas que deixaram reviews.
Sweety Kisses and Bloody Bites!
Ina
