CAPÍTULO QUATRO

Ao sair no frio da noite, Sakuraa sentiu-se tonta. Havia um grupo de fotógrafos na porta da saída que os seguranças de Sasuke conseguiram manter à distância com maestria, até que os dois estivessem dentro da limusine.

Sentada no banco de trás ao lado de Sasuke, Sakura admirava o perfil belo e imponente dele. Como era bonito! Sentiu um nó na garganta, como se ainda fosse uma adolescente apaixonada por uma foto. Talvez em função da bebida, estava mais sensível do que o normal.

— Desculpe por hoje à noite... Foi um fracasso, socialmente — suspirou ele com um sorriso nos lábios antes de olhá-la de frente. — Mas, em compensação, agora tenho o controle acionário da IFS e estou a fim de comemorar.

— IFS! Que incrível. — ela comentou, sem ter a menor ideia do que fosse IFS.

— Você é muito mais incrível. — A íris negra e brilhante de Sasuke faiscava, como se dentro houvesse fogos de artifício.

A excitação que a havia tomado na pista de dança voltou com grande intensidade. Ele tomou as mãos dela e as envolveu, trazendo-a para mais perto e virando-a bem de frente para ele. O coração de Sakura quase saiu pela garganta, de tão agitado que estava.

— Te desejo demais, cara mia — ele murmurou com uma voz rouca e intimista. — Mas você já sabe disso. Sempre soube.

Ela conseguiu se manter inalterada. Estava acostumada a guardar os sentimentos como forma de se proteger. Uma vez, havia acreditado, por ingenuidade, que ela era especial para ele. Mas logo descobriu que estava muito equivocada.

— Tão misteriosa... — a fala arrastada era macia, porém de censura.

Sakura estava com dificuldades de respirar, o corpo se recusava a obedecer à razão e a proximidade causava toda a espécie de sensações pecaminosas. Com uma das mãos, ele a pegou no queixo, enquanto provava o gosto doce dos lábios dela. Era puro tesão o que ela sentia, algo primitivo e indescritível.

Apoiou as mãos nos ombros de Sasuke para não perder o equilíbrio. Um segundo depois, ele a colocou em seu colo e continuou beijando-a. Os olhos começaram a pesar e ela os fechou.

— Estou morrendo de sono — ela disse, quando ele a colocou de volta no banco, depois que o carro parou.

Sasuke soltou uma risada rouca.

— Hoje, nem pensar em dormir.

Quando a porta se abriu e ela saiu do carro, o movimento brusco e o ar frio de fora a deixaram completamente zonza. Teve que se segurar na porta do carro para não cair.

— Opa!

Quando tentou andar, notou que um dos saltos do sapato havia caído, pois quase levou um tombo.

— Sorte não ter torcido o tornozelo — disse com a língua um pouco enrolada.

Sasuke foi acudi-la.

— Você se machucou?

— Vou sobreviver — respondeu sem aceitar a ajuda dele, rumo ao elevador do edifício.

— Ai, me desculpa. Por um momento, achei que você estivesse bêbada — disse ele, sarcástico. — Não suporto gente bêbada.

Sakura não disse nada, mas achava o mesmo. Apesar de não ter exagerado no champanhe, quase nunca bebia e, quando o fazia, era sempre com parcimônia. Mas ele não tinha como saber disso.

— Vem cá — ele disse trazendo-a para seus braços, ao entrarem no amplo hall do apartamento.

Sakura quase descansou a cabeça nos ombros dele, mas resistiu.

— Preciso ir ao banheiro — ele a soltou com um ar de frustração.

Já no banheiro, ela retirou o vestido e foi até o espelho limpar a maquiagem. Cada movimento pedia um esforço incrível. Apanhou o roupão que estava pendurado atrás da porta e, com dificuldade, o vestiu. Estava tão mareada que temia desmaiar. Envergonhada por aquela situação, se agachou, deitando-se no chão. Precisava recuperar as forças. Fechou os olhos — só por alguns minutos, prometeu a si mesma.

Ao ouvir uma voz falando uma língua estrangeira, Sakura franziu a testa, relutante em acordar do sono em que se encontrava. O dono daquela voz, por acaso, também a havia sacudido? Ou era parte do sonho? A cabeça doía. Abriu os olhos com dificuldade e a luz que iluminava todo o ambiente a fez piscarvárias vezes. As pupilas, aos poucos, foram se acostumando com a claridade, mas, ainda assim, não conseguia reconhecer aquele quarto enorme e moderno.

Ficou assustada. Virou a cabeça para o outro lado da cama e viu uma silhueta masculina de frente para a janela. Ombros largos, cintura estreita, longas e musculosas pernas, entreabertas, numa posição tipicamente masculina. Numa roupa elegante, Sasuke se virou e foi andando até a cama, onde estava Sakura. Falava ao celular, em italiano, com tranquilidade e confiança. E, também com confiança, retirou um fio que caía sobre o rosto dela. A respiração e o coração pararam, quando, de repente, ela descobriu que estava completamente nua, por debaixo das cobertas.

Aquele devia ser o quarto dele. O único cômodo da casa que não lhe foi apresentado no tour que o mordomo havia feito com ela, no dia anterior. Tinha dormido com Sasuke e não se lembrava de nada! Sakura era só confusão e constrangimento.

Ao desligar o celular, Sasuke se deteve, demoradamente, em examiná-la com aqueles olhos flamejantes de sempre.

Buongiorno, gioia mia — disse, finalmente.

Sakura fez um esforço para retribuir a saudação em italiano.

— Não... — ele a corrigiu até que conseguisse pronunciar as palavras corretamente. — Excelente — aprovou ele. — Quero que você aprenda pelo menos o básico de italiano. Por isso, marquei algumas aulas com um dos melhores professores de Londres.

Surpresa com a notícia, continuou calada. Olhou para o travesseiro amassado ao lado do seu e confirmou suas desconfianças. Havia passado a noite toda com ele e não lembrava ao menos como tinha chegado naquela cama, sem contar o que tinham feito depois! Estava revoltada com a amnésia alcoólica que teve.

— Mesmo a essa hora da manhã, você consegue se manter encantadora. — Indiferente ao estado de tensão no rosto de Sakura, Sasuke percorreu com os dedos os lábios rosados dela, de um jeito doce e que expressava intimidade.

— Adoraria poder voltar para cama com você, mas, infelizmente, tenho uma reunião importantíssima.

Sakura apenas acenou com a cabeça mecanicamente. Não conseguia encará-lo de jeito nenhum. Sasuke apertou com delicadeza o queixo dela, forçando o contato visual.

— Você estava especialmente carinhosa ontem à noite.

Atemorizada, esforçou-se para lembrar o que teria feito na noite passada. Será que tinha dito que o amava? Com tanto álcool na cabeça, teria sido capaz de dizer qualquer coisa. Até isso. Queria cavar um buraco e nunca mais sair de dentro dele.

— Gostei muito... demais, caríssima. Principalmente a parte da dança erótica.

— Dança erótica?

Sasuke balançou a cabeça e soltou um suspiro frustrado.

— Não se lembra de nada, não é?

Ela fez que sim com a cabeça, embaraçada.

— Então quer dizer que posso inventar qualquer coisa que você vai acreditar. É por isso que uma mulher nunca deve perder o controle com a bebida.

Sakura fechou os punhos, sentindo o orgulho ferido. Mas não podia argumentar, pois ele estava certíssimo.

— Fiquei preocupado com você ontem à noite. Tive que arrombar a porta do banheiro do seu quarto. Encontrei você desmaiada no chão — revelou ele, secamente. — Trouxe você para o meu quarto, para ter certeza de que ficaria bem durante a noite. Não rolou nada entre nós, se é isso o que está causando essas rugas na sua testa. E me ofende que você tenha achado isso. Gosto de ter uma mulher totalmente sóbria e consciente durante o sexo.

Pálida como um fantasma, ela mordeu os lábios e ficou olhando fixamente para o lençol.

— Tudo bem, sei que fiz besteira — por fim, falou. — Mas não costumo fazer esse tipo de coisa.

— E perigoso. Outro homem podia ter se aproveitado da situação.

— Já aprendi a lição — ela respondeu, sem graça.

— Sua teimosia me deixa furioso — ele continuou. — Mas, ao mesmo tempo, me excita.

Ao perceber que ele a olhava com lascívia, subiu mais o lençol, pois se lembrou de que estava nua.

— Você não tinha uma reunião? — perguntou, disfarçando o nervosismo.

Checando o caro relógio de ouro, Sasuke franziu a testa e se levantou rapidamente.

— Você também tem um dia cheio.

— Tenho?

— Não se preocupe, sua equipe a manterá informada dos compromissos.

— Minha equipe?

— Juugo, Ino a estilista... Esses são alguns dos integrantes. E também uma secretária muito eficiente que vai cuidar da sua agenda. Não quero você ocupada demais, para ter tempo para mim — ele disse com um tom sensual.

— Às dez, você voa para Toscana. Vamos passar uns dias no Palazzo. Encontro você lá.

Toda aquela informação não fazia sentido algum para ela. Aulas de italiano, equipe, secretária?

— Tenho uma pequena lembrança para você... — disse ele, antes de deixar uma caixinha de jóia sobre o colo de Sakura.

Com a boca seca, abriu a caixinha e encontrou um colar de esmeralda com diamante que a fez suspirar de tão lindo que era.

— Não posso aceitar...

— Claro que pode. — Sasuke retirou o colar da caixa e colocou-o no pescoço de Sakura.

Ela pôde ver o olhar de satisfação dele.

— Gosto muito... não tire, gioia mia. Combina com seus olhos.— Com um beijo voraz e sexy, ele se despediu e saiu do quarto.

O rosto estava vermelho pelo calor que os lábios dele provocaram.

Ele voltou ao quarto e parou à soleira da porta.

— Antes que me esqueça, quero que você marque uma consulta com uma nutricionista, quando chegarmos à Itália.

Ela o olhou, impressionada, e disse irritada:

— Quer parar de me dar ordens?

— Vá se acostumando. Sou um cara mandão — ele achou graça da cara zangada dela. — Disse que cuidaria de voc que vou fazer. Você está magra e pálida demais. Precisa de um acompanhamento médico.

Dez minutos depois, Sakura foi até o espelho do banheiro e olhou seu reflexo. Magra e pálida demais?, perguntou-se, com uma pontada de raiva pela observação de Sasuke. Sempre fora magra como uma vara-pau, pensou. Tocou os seios pequeninos e se virou para estudar as nádegas, que eram do tamanho certo para o corpo que tinha. Será que ele queria engordá-la, como um peru de Natal?, pensou preocupada. Então, tocou o colar de esmeralda, cravejado de brilhantes, com as mãos hesitantes. Era tão lindo! Porém, ele havia feito parecer que a estava presenteando com uma coleira de luxo. Já não tinha sido suficientemente humilhante tê-la feito assinar aquele contrato? Talvez temesse que ela esquecesse do fato de que era propriedade dele até que ele decidisse o contrário. Tinha que mostrar a Sasuke que tudo tinha um limite.

Mais tarde, antes do almoço, Sakura embarcava no jatinho particular de Sasuke. Para a infelicidade de Juugo, todas as atenções se voltaram para a sua cliente, quando entrou no aeroporto, rumo ao avião. Sakura vestia um par de botas vermelhas, de bico fino, fora de moda, uma minissaia jeans super justa e uma blusa verde-limão, cujo decote deixava à mostra o abdômen reto e uma tatuagem falsa na altura do umbigo. O maquiador havia feito um belo trabalho, a pedido dela.

Durante o vôo, tentou comer e assistir a um filme, porém não conseguia se concentrar. Estava ansiosa para que Sasuke a visse. Na verdade, não podia esperar para encontrar com ele. Apesar de já ter estado em Roma a trabalho, por duas vezes, nunca havia saído dos limites da cidade ou saído para fazer turismo. De carro, ficou impressionada com a vista da estrada até Toscana. O calor da tarde, a paisagem campestre de morros verdejantes salpicados de casas com arquitetura antiquíssima e plantações de oliva a deixaram arrebatada.

A limusine entrou numa pequena estrada, cercada por árvores que formavam sombras no caminho. Inclinou a cabeça para fora da janela para ver melhor a casa que aparecia adiante. O Palazzo era absurdamente grande e imponente, e a entrada tinha um jardim magnífico com fontes de diversostamanhos e formatos. O edifício parecia ter sido construído séculos atrás. Voltou a ficar nervosa ao sair do carro e o estômago remexeu-se ao chegar à suntuosa entrada do palácio. Avistou Sasuke andando de um lado para o outro pelo hall e sorriu naturalmente. Então percebeu que ele estava ao celular e sentiu uma pontada de irritação. Teve vontade de sair correndo até ele, tomar o celular e esmagá-lo em mil pedaços com os pés. Aquele ímpeto a surpreendeu e Sakura diminuiu o passo.

Ao vê-la se aproximar, Sasuke suavizou as rugas na testa, provocadas pela discussão ao telefone. Olhou-a de cima a baixo, apreciando as longas e sensuais pernas à mostra pela saia exageradamente curta. As botas vermelhas e cafonas não chegaram a decepcioná-lo, afinal, o que ela vestia não tinha a menor importância naquele momento. Os efeitos que ela produzia dentro dele, sim, importavam. Sem dizer uma palavra sequer, desligou o celular. Sentindo-se uma imbecil por ter se vestido daquela forma para irritá-lo, sem qualquer sucesso, Sakura apelou:

— Gostou do modelito?

Che meraviglia... De onde tirou essa idéia? — Ele então desceu os olhos para o umbigo sexy dela e descobriu que havia algo escrito sobre a pele.

— Isso é uma tatuagem?

— Não é seu estilo? — perguntou com ironia. Chegou mais perto para ler o que estava escrito e, para sua surpresa, viu seu nome estampado abaixo do umbigo de Sakura.

— Gostei da ideia. O problema é que ter meu nome escrito nessa pele tão macia, como se fosse uma marca de propriedade, reavivou meu lado primitivo e possessivo — ele disse, com uma voz que dava a entender que estava se divertindo com aquilo tudo.

Sakura não podia acreditar no que ouvia.

— Como assim? Estou vestida como uma prostituta!

— Já ouviu o ditado que diz que mais importante que a roupa é o manequim que a veste? Além disso, como a maioria dos homens, gosto de ver uma mulher de minissaia e salto alto, especialmente se ela for minha. — Ele deu uma risada preguiçosa. — Sei que é machismo e piegas, mas pelo menos estou sendo sincero com você.

— Não quero mais ouvir nada! — respondeu com raiva.

— Mas quero que saiba que, apesar de gostar de ver você vestida assim dentro de casa, prefiro que use algo mais apropriado em público.

— Por quê? Está preocupado com o que os outros vão pensar?

— Não. Apenas não quero mais ninguém desfrutando dessa paisagem.

— Falando assim, vou pensar que sente ciúme de mim. — Ela queria irritá-lo a todo custo.

— Só tenho medo de que você deixe que outra pessoa aproveite mais do que apenas a visão disso tudo. Da última vez, você não perdeu tempo em bancar a vadia com Orochimaru!

Sem pensar, ela ergueu o braço, mas ele alcançou seu pulso antes que ela tivesse tempo de esbofeteá-lo. Agarrou-a com força, ignorando os apelos dela para que a soltasse.

— Me larga!

— Só depois que você se acalmar. Posso ter exagerado, mas você merecia. Parabéns! Fazia tempo que uma mulher não me fazia perder a cabeça!

Sakura parou de se debater. O suposto caso com Orochimaru era o ponto fraco de Sasuke. Não tinha culpa de achar que ela era uma vadia. Afinal, foi ela mesma quem tornou público o fim do efêmero namoro, de forma proposital e consciente, com o único objetivo de humilhar Sasuke. No entanto, ele havia feito por merecer. Um homem que fora capaz de usá-la para ganhar uma aposta com amigos tão machistas e sem caráter como ele não

merecia sua consideração, pensou com indignação.

— Desculpe-me — disse Sasuke, finalmente.

Sakura continuou olhando para o chão de mármore. Não era suficiente. Talvez fosse a primeira vez que ele pedia desculpas a alguém, mas, mesmo assim, queria vê-lo de joelhos, implorando perdão.

— Da próxima vez, deixo você me dar um tapa na cara.

Não aguentou e riu timidamente. A raiva se dissipava aos poucos.

— Teria gostado disso. Tem vezes que você me deixa com tanta raiva que tenho vontade de gritar. Só você consegue me deixar desse jeito.

Continuaram andando pelo hall, ornamentado espelhos e estátuas de mármores.

— Não sabia que era uma fera — disse ele, enquanto a guiava pelo palácio. Afinal, quando estavam juntos, ela era só alegria e paz.

— Que tal renovar seu guarda-roupa? — ele perguntou, de repente.

— Como?

Entraram num salão suntuoso e Sasuke a sentou no sofá.

— É o que você vai fazer agora.

Uma das portas do salão se abriu e de lá saiu uma modelo. Ela tirou a jaqueta de couro que usava assim que se aproximou deles, para mostrar o vestido de seda.

— Gostei... — opinou ele.

— Muito fechado, vai me deixar com falta de ar. — ela disse com o nariz retorcido. — Às vezes entretenho pessoas fechadas e vou a lugares fechados.— Sakura suspirou. — É uma pena que nunca deram uma boneca para você brincar quando criança.

— Que tipo de resposta é essa? Especialmente vinda de uma mulher que tem o meu nome tatuado na barriga? — ele brincou.

— Deveria saber que você usaria isso contra mim!

Um lindo sorriso iluminou o rosto másculo dele, e o coração de Sakura pareceu saltar no peito, pela surpresa e emoção que sentiu ao vê-lo sorrir. Outras modelos foram entrando e, nesse meio-tempo, ele retirou o terno e a gravata e apoiou a mão sobre as costas de Sakura e a puxou para ele. No início, ela ficou tensa, mas depois cedeu e aproveitou aquele toque aconchegante, decidida a não pensar muito. Foram servidas duas xícaras de cappuccino e uma vasilha com biscoitinhos amanteigados, enquanto o desfile continuava.

— Você tem que experimentar esse, cara mia — exclamou Sasuke ao ver um vestido de noite azul que era deslumbrante. Disse o mesmo ao ver os quatro modelos seguintes.

A determinação dele de comprar uma coleção de vestidos de costureiros famosos que custava milhares de libras a deixava extremamente desconfortável.

— Não me sinto à vontade com você comprando roupas para mim. — ela finalmente tomou coragem e admitiu. — Desisti desse estilo de vida quando decidi largar a carreira de modelo.

— Por quê?

— Tudo parecia tão fútil e sem sentido. Eu era somente um cabide para roupas. Doei todos os meus vestidos de festas para bazares de caridade.

— Muito nobre e desapegado da sua parte. E me pergunto por que sentiu necessidade de abrir mão dos acessórios de sua antiga vida de forma tão completa.

Sasuke sussurrou e Sakura enrubesceu, sabendo que ele deveria estar pensando com escárnio sobre o dinheiro que ela, supostamente, teria roubado.

— Então, você colocou um par de botinas e inscreveu-se num curso de paisagismo. Não consigo entender o que a atraiu nisso...

— Gosto de saber que estou criando algo. Adoro trabalhar ao ar livre.

Atraindo-a ainda mais para si, Sasuke murmurou, em tom definitivo.

— Mas agora você está comigo.

— Talvez não por muito tempo. — Sakura provocou.

— Não tenha tantas esperanças, gioia mia. Quanto mais você me desafia, mais eu a quero.

Os dois ficaram em silêncio, enquanto o desfile de modelos continuava. Quando a exibição das roupas terminou, Sasuke virou Sakura, fazendo-a olhá-lo de frente e inclinou-se para clamar os lábios dela num ardente beijo, inflamando-a por completo.

— Vá até ali e experimente algumas roupas. — disse Sasuke, com voz rouca. — Ou acabaremos fazendo amor aqui mesmo.

Sakura olhava-o, enfeitiçada pela carga de sensualidade que o envolvia. Finalmente, num movimento um pouco desajeitado, afastou-se dele e deixou a sala. O que acontecia com ela quando Sasuke a tocava? Todo o rancor e ódio desapareciam e ela sentia como se estivesse fora de órbita.

Duas elegantes mulheres estavam esperando para que ela escolhesse uma as roupas em exposição e, então, ajuda-la a se vestir. A expressão no rosto de Sakura refletia a arrogante indiferença de uma modelo, e ela voltou para junto de Sasuke usando um conjunto avermelhado. Em absoluto silêncio, ele observava cada movimento dela, deixando-a irritada. Quando girou, para passar por ele, Sakura estava consciente do ardente arrepio que passou por seu corpo ao sentir o penetrante olhar dele. Sentia-se impressionada que o desejo dele pudesse deixá-la tão excitada. Como poderia gostar e, ao mesmo tempo, reclamar da atenção que recebia? Mesmo assim, enquanto desfilava roupa após roupa, Sakura sentia-se cada vez mais sexy, e isso a deixava confiante e ousada. Era como se os dois estivessem num instigante e particular jogo.

Quando ela apareceu usando um vestido de organza, Sasuke levantou-se rápido e caminhou até ela.

— O show acabou, cara mia. — ele sussurrou, envolvendo a mão dela com a sua.