Capítulo IV – "Quiet company"

Isso é loucura. Loucura não do tipo Dumbledore, que era uma loucura legal e bonitinha; loucura do tipo vamos-tatuar-a-Marca-Negra!

Mas é uma loucura muito mais gostosa.

- É, eu acho que prefiro. – sim, essa foi a minha premiada resposta. Pelo menos não foi tão estúpida.

Eu olhei para ele e Oliver me deu um sorriso, – sim, um dos sorrisos quentes dele -, antes de beijar minha bochecha levemente. Ele tirou as mãos dos meus pulsos e as colocou na minha cintura, me fazendo reparar que eu estava sentada no colo dele agora. Eu coloquei um dos meus braços ao redor do pescoço dele, enquanto com o outro levava minha mão até seus cabelos.

Oliver encostou nossas bocas devagar, tentando cobrir cada milímetro dos meus lábios com os dele. Meus olhos já tinham se fechado bem antes disso, então eu estava refém de todos os outros sentidos que percebiam melhor o perfume dele, e o calor corporal que parecia aumentar de temperatura a cada instante, e a sensação da pele dele com a minha. Ele aprofundou o beijo sem desmanchá-lo, abrindo a boca devagar. O sabor era inexplicável, me lembrava algo doce, mas nada relacionado com biscoitos da senhora Weasley. Quer dizer, os lábios dele são quentes e macios, mas não tem o mesmo gosto.

Ele me empurrou de costas para cama, de modo que ficamos deitados. Oliver passou a marcar minha linha da mandíbula com beijos suaves até chegar ao lóbulo da minha orelha, mordiscando-o levemente. Passei a minha mão do pescoço dele para as costas, puxando-lhe a camiseta. Ainda estava tentando tirá-la quando o senti beijando meu pescoço, pressionando a língua rapidamente em minha pele quando sua boca a encontrava. Uma de suas mãos já há muito passeava pela minha coxa, enquanto a outra servia de apoio para minhas costas.

E a coisa entrou no nível selvagem depois disso. De alguma forma eu consegui arrancar a camiseta dele, e agora partira para leves arranhões em suas costas e pescoço. A mão que antes me servia de apoio viajava por baixo da minha camisola – que eu queria muito ver no chão.

-... cala a boca, George! Katie? Katie, você está b... AH! Katie! Desculpa, eu achava que… Merlin, Isso é embaraçoso! Olha só, a gente já vai... OLIVER?

Claro que Angelina Johnson-Weasley tinha que aparecer!

- É O OLIVER! – George, sempre tão discreto! – KATIE, OLIVER!

Legal, agora ele fica apontando o Oliver como se eu não o tivesse visto antes.

- É, eu sei que é o Oliver! – eu podia ter falado outra coisa, sei lá. EU ESTOU EM CHOQUE!

- E, você sabe que tem um cara no seu sofá? Claro que você sabe! Mas, o que ele está fazendo lá? E ele está bêbado. Vocês iam fazer um ménage?

- GEORGE! – eu gritei, junto com a Angelina. Pelo menos ela deu um tapa nele! – Não, calma. Esta é uma boa pergunta. Vocês iam fazer um ménage?

Tá legal, ninguém tem bom senso.

Peraí, como foi que eles entraram aqui? E por quê vieram até o meu apartamento no meio da noite?

- O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI? – eu gritei, puxando minha coberta até o pescoço e quase jogando o Oliver da cama. Não que ele tenha se importado, porque agora ele só faz ficar vermelho. – COMO FOI QUE VOCÊS ENTRARAM?

É uma boa pergunta, porque ninguém pode aparatar dentro da minha casa.

Angelina revirou os olhos e jogou as tranças – é, ela ainda tem isso – para trás dos ombros com um movimento rápido de cabeça. E isso significa o mesmo que 'idiota', no idioma gestual dela.

- A Marly disse que escutou uns barulhos no corredor e viu um cara tirando a varinha da sua mão, com outro caído no chão. – ah, claro! Marly. – Ela nos avisou. E você deu a chave pra gente, lembra?

Ah, é. Que idéia mais inútil.

- Você deu uma chave reserva para eles? – Oliver perguntou, entre o incrédulo e o divertido.

- Hey! Eu precisava de alguém pra ficar com as chaves, e eles moram aqui perto! E eles pareciam as pessoas certas!

- Eles pareciam as pessoas certas? – Oliver arregalou os olhos.

- HEY! – Angelina gritou, sendo seguida por George.

- Sem querer ofender, mas vocês não são lá o que eu chamaria de melhores pessoas para fazer este trabalho, já que isto não era uma emergência. – ótimo, o Oliver se recuperou!

Mas, é a mais pura verdade! Se eles não estivessem aqui agora, quem sabe em que ponto eu e o Oliver não estaríamos? E eu queria tanto estar nesse ponto...

- A culpa foi da nossa informante! – George exclamou, cruzando os braços indignado.

- É, nós achamos que você estava sendo atacada!

- Angie, quando foi que, na minha vida, eu fui atacada? – e então eu sei que ela ia me lembrar daquela coisa do colar quando eu estava no último ano, porque ela recomeçou a puxar as tranças com os dedos. – Fique quieta!

E ela bufou. O que é meio estranho, porque eu realmente achava que ela ia revirar os olhos. É o que Angelina geralmente faz. Mas, quando ela bufou parecia que estava quase... Feliz. Pra falar a verdade, ela e o George estão olhando pra mim e para o Oliver como se nós fossemos uma cesta de Natal da Dedosdemel. Tá, sem todo aquele desejo! Só com os olhinhos brilhantes.

- Quem é aquele cara jogado no seu sofá? – os olhos dela estão brilhando demais. Isso é esquisito!

- Weyler. Companheiro de time do Oliver. – eu respondi, pressentindo que ia ter que explicar toda a história daquela noite já completamente classificada como bizarra.

Especialmente devido às sobrancelhas arqueadas da Angie.

- AQUELE É O WEYLER? – George gritou, os olhos cada vez mais brilhantes. – O mesmo Weyler que ferrou com todo o campeonato daquela vez, com aquelas galinhas e tudo o mais? – há, eu tinha me esquecido disso! Então o Weyler foi o culpado? – E ele está bêbado? – e agora os olhos dele também estão com aquele brilho malévolo.

Isso não é bom! Eu lembro desse olhar em Hogwarts e, mais importante, lembro do que ele significava! Eles têm que ir embora.

- É. Ele ficou bêbado, nós íamos levá-lo para a casa dele, esquecemos o endereço, viemos parar na minha casa, o colocamos no sofá e foi isso, podem ir. – eu disse, me levantando.

George me olhou enquanto dava risadinhas, e Angelina me encarava com o cenho franzido.

- Como é, Bell? – claro que isto veio da minha querida e compreensiva amiga.

- Não tem nenhuma emergência, vocês mesmos viram, então podem ir embora! – e eu realmente devia ter algum tipo de súplica implícita nos meus olhos, ou na minha voz, porque no segundo seguinte eu vi Angelina puxar George pelo braço.

- Mas, Angie!- George parou no meio do meu quarto.

Sabe, ele ainda é muito forte. Mas o que a gente devia esperar de um cara que foi batedor no time da escola, que atualmente tem um time amador junto com os colegas e a família?

- Nem tente, Weasley! – e agora a Angelina lançou os cabelos para trás de novo, mas de forma rápida, como quanto ela ia de encontro com um artilheiro da Sonserina.

- Você sabe que agora também é uma Weasley? Eu poderia te chamar de Weasley se quisesse.

- Não tente me confundir, ruivo! Nós estamos indo. – ela caminhou até a porta, arrastando um George muito emburrado.

Mas não saiu até que, óbvio, tivesse murmurado "Minha casa. Amanhã de tarde. Detalhes". E, óbvio, o Oliver viu. E, óbvio, eu corei muito. Então eu escutei a porta fechar e, depois de uns segundos, a porta da frente fechar também e a chave reserva que eu tinha dado a George e Angelina trancá-la.

E agora eu estou sozinha com o Oliver. De novo. Perpassei o meu olhar pelo quarto, vendo que ele estava vindo na minha direção.

Tomara que ele não diga algo como: "Vamos continuar de onde paramos?". Porque eu odeio caras que fazem isso. É tão irritante, e tão... Nojento! Seria como se a única coisa em que ele estava interessado fosse em dormir comigo.

Quando estávamos cara a cara ele passou uma das mãos pelo meu cabelo, antes de rir e me puxar para um abraço. O que é muito mais digno e bonito, se quer saber minha opinião.

- Nós vamos estar ferrados com esses dois, sabe? – ele me perguntou, ainda sorrindo.

- Sei. – eu respondi. É meio impossível não sorrir para ele.

Só agora aquela sensação de felicidade apareceu. Acho que eu ainda estava meio zonza, com tanta coisa em um só dia, e só agora, depois daquela invasão meio bizarra, eu consegui perceber isto.

- Acho... – ele tossiu levemente, me abraçando mais forte. – Acho que a gente devia ir mais devagar.

E eu fiquei surpresa. Porque ir mais devagar do que a gente já foi nos últimos anos é quase... É uma proposta indecente!

Mas, também...

Eu não quero ir rápido demais. Não posso estragar tudo, não com o Oliver.

- É, eu concordo. – respondi, com uma convicção que não é nada real. Não sei como eu consigo isso.

- Ótimo. – o sorriso quente, de novo não! Se bem que agora eu posso me deixar levar. – O que acha de dormirmos, e só dormirmos?

- Hummm...

Só dormir. Eu tenho um cara com músculos fortes e definidos, que tem um ótimo perfume, uma boca quente, ombros largos – e a única coisa que eu vou fazer é deitar ao lado dele numa cama de CASAL e dormir.

Oh, caramba. Eu continuo sendo meio que um fracasso ainda que com um possível namorado. Porque relacionamento sério não precisa ser exatamente namoro. Pode ser só isso e... sei lá. Nem sei mais o que eu to pensando.

- Katie?

- Tudo bem. – eu sorri. Devo estar parecendo meio débil, mas tá. – Só dormir é ótimo!

Então lá fomos nós nos deitarmos de novo. Isso não deve ser um bom sinal.

Ele me enlaçou, me puxando pra mais perto. Dormir abraçadinhos, então? Só eu acho ridículo? Mas, não sei. Ele é tão confortável. E a camiseta dele é tão macia. Talvez eu só faça drama demais. E, afinal, é o Oliver. O cara que sempre esteve comigo, de certa forma, mesmo nos anos em que a gente não se viu.

A respiração dele foi chegando mais lentamente ao meu pescoço, até quase desaparecer. O abraço também afrouxou, mas não importa. Porque, bem, não tem outro lugar em que eu gostaria de estar agora.


É, eu decidi acabar por aí. Não sei, não é o que eu queria, mas é como saiu e é como vai ficar por enquanto. Sei que é menor do que os outros, mas pelo menos não saiu angst – o que, sinceramente, era uma grande chance. Sempre preferi histórias mais... Depressivas, apesar de achar que não tenho dom nenhum pra elas. Não me saio tão mal escrevendo fics como TD, só que elas me torram a paciência depois de um tempo, e não, eu não sei por quê.

Enfim, desculpa pela demora. Também sou leitora e sei como é frustrante não ter capítulos novos, ou qualquer notícia por um período longo. Isso não me impediu de sumir, e simplesmente porque eu queria fazê-lo. Existem poucas coisas que saem ao meu gosto, e eu quero que ao menos aquilo que eu escrevo seja assim. Durante esse tempo eu não parei de escrever, apenas não dei continuidade a Turbo Dating ou a qualquer outra história do mundo potteriano. Se alguém ainda ler isso, obrigada. Se for uma das leitoras mais antigas, obrigada por ter esperado – e desculpas novamente por entregar algo meio medíocre. Talvez eu reescreva, mas não prometo.