Oie ninna-san! Antes de vos deixar ler em paz tenho que avisar que o capitulo tem duas lindas canções se as ouvirem mesmo, mesmo, entram no espirito: a primeira é do Anime no.6 tem o nome "Buna no mori de" que é o Nezumi que canta. E a segunda é "Suigintou No Yoru" de Sugiyama Noriaki. Coloquem no Youtube se nao tiverem as músicas, elas estão lá. Até já.
One Step at a Time
Capítulo 4 – Canção de embalar
O circo de feras chegara no dia anterior a uma nova cidade. Estava na manhã do segundo dia de montagem. A grande tenda azul já ocupava o grande ressinto alugado, onde o circo em peso se tinha instalado e onde ficaria nos próximos dias. Naquele momento ainda havia muita coisa para fazer, até poderem abrir o espectáculo ao público, mas a tenda principal, pelo menos, já estava montada.
Era possível encontrar Sasuke onde deixava muita gente com vertigens, mas ele sentia-se bem ali, sentado lá no alto num fino trapézio. Como é que ele fora ali parar? Nem ele sabia muito bem, mas a verdade é que saltava alto de mais e tinha um equilíbrio invejável. Balançava-se no trapézio, como uma criança num baloiço. Na sua cara estava uma expressão sonhadora. Então com uma mão sobre o ventre saliente resolveu abrir a boca e cantar.
– Tooku no yama no itadaki de, Yoki ga toke nagare to nari, Buna no mori de midori ni somaru, Sato wa ima… hana ni umare… Hana yori utusukushii otomega, Buna no… mori de… ai wo chikau, Waka mono yo, Midori ni mizu ni ashi wo nurashi, Chika noyoni dake de oite , Hana ga chiru mae ni , Otome no kami ni kuchizuke wo shite!
(Tradução: Na distância até ao cimo da montanha, A neve derretida cria riachos, Torna verde a densa floresta, Agora a aldeia está coberta de flores, Jovens donzelas, mais bonitas que flores, Lançam o seu amor na densa floresta. Oh, jovem, Ensopa os teus pés em água verde, Corre como um veado, E antes das flores murcharem, Beija os cabelos da tua donzela.)
Emiko tinha-lhe dado vários livros sobre gravidez e bebés. Ele não fizera outra coisa na última semana a não ser ler continuamente tudo de forma quase compulsiva. Ele aprendera então que a partir do quarto mês de gravidez os bebés desenvolviam a audição e que começavam a memorizar as vozes dos familiares mais próximos. Primeiramente a voz da mãe, depois do pai, e depois de possíveis irmãos. E em todos livros aconselhavam que cantar para o bebé que estava dentro da barriga era uma forma de o acalmar, de o fazer relaxar e, mais importante, de criar laços entre pais e filhos.
Então, Sasuke achara aí um entrave enorme. Ele poderia cantar para o filho, mas não sabia nenhuma música para crianças e estupidamente tinha vergonha de perguntar às mulheres se sabiam de alguma música de embalar. Até que, na sua jornada para a nova cidade, o circo tinha passado junto a um campo de cultivo onde mulheres cantavam juntas, em alto e bom som uma bonita melodia que lhe tinha chamado a atenção. Sem saber muito bem como, aprendeu cada palavra da musica apenas por a escutar uma vez, como se a tivesse copiado e colocado na memória do cérebro. E agora, quando estava sozinho, cantava para o bebé dentro de si.
Punha-se a imaginar o futuro. Uma vida completamente nova. Talvez juntamente com aquele circo, ou sozinho numa pequena casa, onde podia ser feliz com a futura criança. Apenas queria sossego. O seu coração falava que ele já tinha vivido demasiadas situações e que agora precisava de uma pausa. A sua alma clamava por tranquilidade. Mas havia uma coisa que não o deixava descansar. A imagem do Hokage. Agora cada vez que fechava os olhos, tinha a sua imagem para o assombrar. Juntamente com uma tonelada de sentimentos. Um turbilhão de coisas. Via Naruto a rir. Via Naruto enraivecido. Via Naruto irritado achando-lhe graça. Via Naruto a sofrer tanto e a culpa era sempre dele. Via Naruto a chorar. Mas ele não sabia o que tinha feito. Não sabia.
Cá em baixo um grupo de mulheres e raparigas olhava para ele em adoração. Nenhuma delas compreendia o que lhe ia na mente. Todas elas o achavam um mistério em forma de gente, mas acima de tudo, já o viam como parte daquele circo.
– Eu acho que ele podia cantar para o nosso circo. Nós ainda não temos nenhum cantor. – Propôs Hana, a mulher culturista, que estava rodeada com cinco cães que davam altos pulos tentando tirar da sua mão os biscoitos que ela trazia.
– Eu acho uma ideia maravilhosa. – Concordou Cho remexendo na sua mão uma cartola e uma varinha de condão. – O que achas Emiko?
– Não sei. Acho que ele não deve trabalhar enquanto estiver grávido. – No entanto pensava na hipótese de Sasuke trabalhar, pois ele constantemente lhe perguntava o que podia fazer. Ultimamente, apenas por causa da insistência do rapaz, ela colocara-o encarregue de fazer as refeições.
– Mas ele quer trabalhar. Só demonstra bom carácter da parte dele. – Comentou Kaori, todas suspeitavam que ela talvez, apenas talvez, tivesse acabado por ter um pequeno e profundo sentimento por Sasuke. Ninguém a podia censurar, ele era realmente muito bonito. Além de que, ao que podiam apurar, Sasuke, ou Kenta como elas o conheciam, não engravidara por que quisera. Como escravo, ele devia ter feito "favores" ao seu amo. E essa situação tinha gerado aquela situação.
Por momentos, depois de terem percebido que aquela gravidez não fora desejada, elas tinham tido medo de que Sasuke se quisesse desfazer da criança mal ela nascesse, o que era completamente compreensível uma vez que era fruto de um acto violento, mas depressa compreenderam que ele não queria se separar do bebé. Na realidade, percebiam sem esforço que ele nutria um amor profundo pelo filho que estava por nascer. Percebiam que ele era como um raio de sol na sua solidão.
– Dêem-lhe uma oportunidade para ele trabalhar, senão ele vai-se sentir um inútil. – Pediu Mai, que estivera a ouvir a pequena conversa das outras circenses enquanto praticava alguns passos de dança.
Mai e Sasuke tinham-se aproximado muito nesses poucos dias. Tinham partilhado as suas histórias criando um elo de amizade automaticamente. Mas já não falavam do passado, apenas do futuro. As suas personalidades eram parecidas. Não tinham medo de dizer o que pensavam, sabiam-se orgulhosos e tinham um passado idêntico, pelo menos, até há parte em que Sasuke se recordava. A bailarina acalentava no coração pelo dia em que se vingaria do pai e da mãe. Ele por lhe fazer o que fazia, e a mãe por consentir com isso. Já Sasuke, não pensava em vingança, não sabia, mas quando era o Hokage os seus sentimentos ficavam muito confusos. Era como se, quando se tratava de Naruto, o seu interior não o deixasse ser rancoroso. No entanto, quando pensava na aldeia de Konoha, ele se pudesse destruí-la-ia.
– Tudo bem, cantar não cansa nem mata ninguém. E como canta bem, vai ajudar a termos mais público. – Aceitou, por fim, Emiko. – Mas quando a gravidez já lhe pesar, eu não quero que ele trabalhe, e vocês vão ter que se comprometer a ajudá-lo em tudo, compreenderam?
– Sim. – Responderam juntas.
– Kenta chega aqui! – Gritou Mai abanando os braços para o moreno que ainda se baloiçava lá em cima no trapézio.
– Hai! – Sasuke mexeu-se rápido colocando-se em pé no trapézio em movimento, e depois, como se não fosse nada, saltou para a plataforma mais alta e dai desceu pelas escadas, como se elas fossem um escorrega, na maior das tranquilidades.
Enquanto isso, as meninas sustinham as respirações para ver se ele não caía. Como é que ele se conseguia mover daquela maneira? Ainda por cima grávido? Será que não era Humano? Então chegou ao chão e foi até perto das mulheres sobre o olhar de assombro das mesmas.
– O que se passa?
– Tu não devias de fazer movimentos tão bruscos como os que fizeste agora. Podes provocar um aborto. – Ralhou Emiko com os seus olhos azulados mostrando preocupação, mas a sua voz mostrando censura.
– Mas os livros dizem que a partir do quarto mês o risco de aborto já acabou. – Defendeu-se Sasuke.
– O risco desapareceu, não quer dizer que não aconteça. – Retorquiu a directora do circo. Sasuke estremeceu. Colocara a vida do filho em risco estupidamente, sentiu-se deprimido com isso.
– Kenta anima-te! – Sorriu-lhe Kaori. – A Emiko finalmente arranjou trabalho para ti.
– O quê? A sério? E o que vai ser? – Entusiasmou-se. As suas mudanças de humor, ultimamente, andavam bastante bruscas.
– Vais ser cantor! – Respondeu-lhe Mai.
– Can… cantor?! – Espantou-se.
– Sim. Nós ouvimos-te a cantar e achamos que tens uma lindíssima voz. E como não temos nenhum cantor no circo, o papel fica-te belissimamente. Além de que cantar não atrapalha a tua gravidez. Então o que achas?
– Acho… acho… acho bom, claro. Vou dar o meu melhor. – E deu um pequeno sorriso de gratidão por aquelas raparigas. Saberiam o quanto elas o estavam a ajudar? Sobreviver no mundo sozinho não era fácil, no ultimo mês ele soubera isso, só esperava poder ficar entre elas durante muito mais tempo. Pois ali, incrivelmente, sentia-se bem e feliz.
oOo
– As roupas não te ficam nada bem. – Refilou Kaori a olhar Sasuke dentro de umas calças jardineiras para mulheres grávidas. Além de ficar com um aspecto ridículo, ele ainda odiava mais aquilo por causa do ursinho carinhoso estampado à frente.
– Eu não tenho roupas. Nada me serve a não ser esta roupa que a Emiko me arranjou nos voluntários. – Explicou o moreno. Mai e Kaori encontravam-se com o moreno dentro da tenda que ele e Mai partilhavam como um quarto. A um canto estava algumas roupas que entretanto tinham deixado de servir a Sasuke. Apenas a sua capa negra, a mesma que trouxera de Konoha é que continuava a servir-lhe por ser grande e larga. Quando a tinha vestida nem sequer se reparava que estava grávido. As meninas gozavam de que quando ele a vestia parecia uma tenda com pernas.
Tinham passado alguns dias desde que tinham chegado àquela cidade. Dias que Sasuke passara a ter aulas de canto. E aquela noite, depois dos treinos, e depois das letras decoradas, seria a sua grande estreia na arena do Circo de Feras. E o grande problema era: ele não tinha roupa decente para se apresentar diante o público. Tudo lhe ficava terrivelmente apertado.
– Tive uma ideia! – Decidiu Mai levantando-se de onde estava e agarrando na capa negra de Sasuke passando-a para a sua mão. – Veste-a.
– Mas agora estou cheio de calor, estamos a meio do verão. – Queixou-se.
– Queres roupa ou não queres roupa?
– Quero.
– Então vais ter que vestir isso porque vamos para o meio da cidade. A não ser que queiras que te vejam vestido com jardineiras de mulher. – As bochechas pálidas de Sasuke ruborizaram um pouco, uma coisa pouco nítida, no entanto, adorável. Pelo menos aos olhos das duas raparigas.
Com a capa sobre o seu corpo, Sasuke, e as tuas raparigas percorreram as ruas da cidade. O moreno transpirava horrivelmente, cheio de calor. Não sabia aonde ia, só queria lá chegar depressa. E se pudesse precisava de água, muita água.
– É aqui! – Anunciou Kaori parando em frente a uma loja com uma montra cheia de fatos de alta-costura. Os olhos de Sasuke abriram-se em espanto. Foi puxando por Mai para entrarem no ateliê de costura. Um sino na porta fez o alfaiate reparar que tinha clientes.
– Olá Sr. Natsumo. – Falou Mai, cumprimentando um velhote magro, calvo e com um barba muito bem aparada.
– Oh, jovens Feras, que bom vê-las por aqui. Que me trazem? Algum dos vossos fatos para remendar? – "Feras" era claramente um apelido carinhoso que o Sr. Natsumo dera às circenses.
– Hoje temos uma encomenda especial Sr. Natsumo. – Puseram Sasuke em frente do velho alfaiate, que piscou os olhos em surpresa ao ver a cara do moreno. Ficou momentos paralisado como se tivesse sido petrificado pelas sombras de Nara Shikamaru. – Passa-se alguma coisa, Sr. Natsumo?
– Não, nada. – Respondeu o alfaiate abanando a cabeça e ganhando um sorriso na cara.
– Este é o Kenta, a nova aquisição do circo. É o nosso cantor. - Apresentou Kaori, sempre com o seu tom enérgico e entusiástico. – Precisamos urgentemente de roupa para ele. Mas é uma roupa especial, porque ele está grávido.
– Grávido? – Espantou-se o senhor encarando Sasuke de tal maneira que este baixou a cara de forma embaraçada. – Bem, já tinha ouvido falar que alguns homens podiam engravidar, mas nunca pensei que iria conhecer um. E então, do que é que o Sr. Kenta precisa?
– De um guarda-roupa completo, já a contar para os próximos meses claro. – Pediu Mai.
– Mas um guarda-roupa completo vai sair caro. – Advertiu-a o alfaiate.
– Não se preocupe com os custos monetários, Sr. Natsumo. O Kenta precisa de roupa feita, porque toda a roupa que arranjamos para pessoas grávidas é para mulher.
– Mas ele precisa urgentemente de um fato para a apresentação de hoje. Ele vai estrear-se hoje como nosso cantor. – Lembrou Kaori.
– Sim, será que consegue improvisar alguma coisa, Sr. Natsumo?
– Bem… – Natsumo analisou Sasuke. – Acho que posso fazer alguns ornamentos na capa negra. Talvez uns bordados prateados e brancos para o fazer mais artista.
– Sim, isso seria óptimo.
– Mas o resto da roupa terá que ficar para o fim da semana. – Apontou.
– Não faz mal, senhor Natsumo. Se fizer a capa isso já ajuda muito. – Agradeceu Mai.
– Muito bem, senhor Kenta vou ter que lhe tirar as medidas, e vou precisar da sua capa. – Sasuke maneou a cabeça em compreensão, começando a desapertar a capa.
– A Kaori e eu vamos ver umas coisas, enquanto estás aqui está bem, Kenta?
– Sim, claro.
– Queres que te traga alguma coisa?
– Água, se puder ser.
– Claro. Voltamos já. – E as duas raparigas saíram pela porta da loja desaparecendo da vista.
– Entre aqui, senhor Kenta. – Chamou o alfaiate levando o moreno a uma divisão mais confortável nas costas da loja.
Esta divisão estava repleta de tecidos de várias cores, caixas de linhas e caixas de botões e fechos eclairs. Tinha um pequeno banquinho no chão, umas grandes cadeiras aconchegáveis e dois grandes espelhos e uma pequena divisória de madeira, que serviria para as pessoas se despirem. Mas o que espantou e assustou Sasuke, foi ver marionetas ninjas, tal como um dos amigos do Hokage tinha. Duas marionetas muito idênticas a humanos.
– A sua capa, por favor. – Sasuke retirou a capa totalmente e entregou-a a Natsumo.
– Então o senhor está realmente grávido. – Constatou, não comentando sobre a roupa feminina que Sasuke vestia e que o fazia sentir-se ridículo, mas era aquilo ou andar nu. Mas certamente que na rua não andaria sem a capa. Por isso, teria que ficar ali até a capa estar pronta.
– Sim, estou grávido.
– Se quiser, pode sentar-se enquanto eu trabalho na cama.
– Obrigado. – Aceitou a oferta e sentou-se numa das cadeiras. Por seu lado o alfaiate mexeu uma das mãos e uma das marionetas moveu-se, fazendo Sasuke sobressaltar-se discretamente. Aquele homem era um ninja, percebeu aterrorizado. Estava farto de ninjas, queria tudo menos estar perto de um.
– Sim, eu já fui um ninja. Um ninja de Suna. – Confirmou o Senhor Natsumo, percebendo a careta que Sasuke fizera, enquanto a marioneta andava até ele. Metendo-se depois muito quieta perto dele. O alfaiate colocou a capa sobre os ombros da marioneta e então, ao seu comando, várias agulhas saíram da marioneta. A única coisa que o alfaiate tinha que fazer era manusear a marioneta e ir colocando as decorações brancas e prateadas junto ao pano preto da capa, que as agulhas cosiam tudo. – Antes estas agulhas matavam pessoas. Agora cosem roupas. Estão melhor agora.
– Deixou de ser ninja?
– Sim. Reformei-me e resolvi assentar aqui nesta cidade pacífica. A Quarta Guerra Ninja deu-me cabo do espírito. Á quatro anos que sou alfaiate, e digo-te nunca foi tão feliz na minha vida. Á quem diga que uma vida de dias iguais, sempre com o mesmo trabalho, sem aventura, é entediante, no entanto, eu penso completamente o contrário. – Contou o velho, com os olhos sobre a sua marioneta, mas desviando-os de vez em quando para ver a reacção de Sasuke. Mas este mantinha-se tranquilo, agora que sabia que aquele ninja estava fora de serviço. - Diz-me rapaz, tu também já foste um ninja, não foste?
– Co… como?
– Como é que sei? Muito simples, pelos cordões prateados nos braços que significam que te apagaram a memória, e pelos selos nos teus braços que te impedem de fazer jutsus. – Esclareceu Natsumo.
– Sim, é possível que já tenha sido um ninja. – Certeza, não tinha. Apenas suspeitas, e não eram as melhores.
– Não és nenhum fugitivo, pois não?
– Não. – Mentiu, mas não mostrando isso na sua face.
– Não deves ser mesmo. – Até porque estás grávido. Como se esse facto explicasse que ele não podia ter fugido. Foi incompreensível para Sasuke, mas ele não o desmentiu. – Para teres apagado a memória é porque não gostas do passado?!
– Não, não devo gostar.
– Não gostavas de voltar a recordar? – Sasuke ficou uns momentos a olhar para o trabalho do senhor Natsumo de maneira pensativa.
– Não, eu não quero recordar o passado. Quero uma vida completamente nova para mim e para o meu filho. – Declarou com confiança na voz, afagando a sua barriga, num gesto claro de determinação. Não queria saber do passado, porque na realidade tinha medo do que viesse a saber dele.
– Isso é muito corajoso da tua parte. – Congratulou-o Natsumo. – A capa já está. Agora vem aqui e coloca-te em cima desse banco, isto se conseguires.
– Sim consigo, posso parecer gordo, mas ainda me mexo bem. Afinal ainda só vou a meio da gestação. – Falou, levantou-se da cadeira e subiu para o banquinho que vira antes ao entrar na divisão. O alfaiate aproximou-se de Sasuke e começou a tirar as medidas para mais tarde poder fazer roupas.
– Sabe, eu podia fazer alguma coisa a estas jardineiras, para elas deixarem de ser femininas.
– Podia? – Aquela era a melhor das hipóteses. Assim podia andar com as jardineiras sem ter que levar a capa, pois esta fazia-lhe muito calor.
– Claro. Dispa-se que eu rapidamente trato do assunto. – Sasuke livrou-se rapidamente das jardineiras. - Tire também a t-shirt, pois parece estar realmente apertada.
– Era a mais larga que tinha arranjado. – Lamentou-se, mas retirou a t-shirt azul e entregou-a ao homem à sua frente.
– Isto vai ser muito rápido. – Garantiu o alfaiate.
Enquanto o velho ninja reformado trabalhava nos ajustes das jardineiras e da t-shirt, Sasuke mirava-se ao espelho, vendo as marcas que a gravidez estava a provocar-lhe na pele, ficando de costas para Natsumo, que então reparou na enorme e feia cicatriz que Sasuke tinha nas costas. Parecia que remoinho o tinha atingido deixando a sua marca nas costas do moreno.
Então, o homem, recordou-se de algo, que o fez paralisar. Recordou, uma dura e sangrenta batalha anos atrás. Travada pelo o louro da luz, e o moreno das trevas. Uzumaki Naruto e Uchiha Sasuke. Os opostos. O sol e a lua. O dia e a noite. O Yin e o Yang. O bom e o mau.
Mas era impossível. Não, era mais que isso. Era completamente impossível. Uchiha Sasuke estava morto e enterrado, todos sabiam disso.
– Sr. Natsumo? Sente-se bem? – Questionou Sasuke de maneira tão suave que fez Natsumo tirar todas as suas dúvidas. Já não se lembrava ao certo da aparência de Uchiha Sasuke, sabia que aquele rapaz era parecido, mas não queria dizer que fosse o mesmo. Lembrava-se da voz louca em trovão, da aura maléfica que rodeava o último Uchiha, e definitivamente, não tinha nada a ver com aquele rapaz.
– Sim, sinto-me lindamente.
Alguns minutos mais dando os ajustes necessários e as jardineiras ganharam outra forma, assim como a t-shirt ficou mais larga. Ouviram o sino da porta da loja e logo tinham Mai e Kaori de volta com algumas compras na mão e uma garrafa de água para Sasuke, que ficou infinitamente agradecido. Depois de pagarem a conta, despediram-se do velho alfaiate, combinaram vir buscar as outras roupas no final da semana, e seguiram novamente para de volta ao circo, onde tinham que se preparar para o espectáculo dessa noite.
oOo
– E agora com vocês, em absoluta estreia no vosso Circo de Feras, Kenta o Encantador de Donzelas. – Anunciou Emiko através de um microfone, falando para toda a tenda de circo, que estava completamente cheia. As pessoas vibravam contentes, em expectativa. Era sempre bom ver um número novo.
As apagaram. Um foco ao centro da arena acendeu-se. Apenas estava lá o microfone. A música começou a tocar. Às escuras Sasuke avançou até ao foco da luz. A sua capa negra estava agora repleta de entalhes brancos e prateados que brilhavam sobre a luz. Ouve um enorme som de exclamações vindas da plateia fizeram o moreno arrepiar-se. Não podia negar, os nervos quase que o levavam ao pânico e ele queria fugir. Mas ele prometera que ia fazer o seu melhor. Então ele faria. Mesmo que não se lembrasse do passado, havia uma coisa que ele sempre soubera de si mesmo, fazia as coisas num só caminho, sem volta atrás.
Aproximou-se do microfone e então cantou:
Yomichi ni ukanda suigintou no hikari
Namida mo nai no ni nazeka nijimitatsu yoYomichi ni hisonda boku no kuroi kage
Nasake mo nai no ni nazeka ashibaya ni
(A luz de mercúrio que emerge da noite nas ruas
De alguma forma, mancha mesmo sem lágrimas
A minha sombra negra pela estrada à noite
De alguma forma, acelera sem compaixão)
Era fim de tarde, um dos clones de Naruto encontrava-se a fazer a tarefa que lhe era confiada a si e aos seus semelhantes. Encontrar o bastardo de nome Uchiha Sasuke. Depois de encontrado só tinham que rebentar para darem a informação ao Naruto original. Era quase de noite e ele já percorrera parte da cidade em que estava a tentar, ver se alguém tinha visto o moreno. Mas era realmente muito difícil encontrar alguém sem uma fotografia.
Decidiu entrar em mais uma loja, não perdia nada, o máximo que o homem lhe podia dizer era que não, que não tinha visto ninguém com a descrição da pessoa que ele procurava. Também não podia reproduzir uma imagem de Sasuke com o seu chakra por que era perigoso. Alguém, que ele não quisesse, podia reconhecer a forma de Sasuke e ai levantar questões. E se viesse a descobrir que Sasuke estava vivo, Konoha estava em mãos lençóis. Naruto ficava numa posição horrível. Era, por isso, preciso achá-lo e eliminá-lo.
Senaka ni mou hitotsu knamida no nioi
Tsuitekuru, tsuitekuru
Tsuitekuru, tsuitekuru
(Atrás de mim, um caminho de lágrimas
Aproxima-se, Aproxima-se
Aproxima-se, Aproxima-se)
A loja em que entrara era um ateliê de costura. Quando abrira a porta o sino tinha tocado e aí um velho senhor tinha aparecido.
– Um shinobi? – Espantou-se o senhor Natsumo. – Em que o posso ajudar?
– Eu procuro uma pessoa.
– Uma pessoa? – O senhor Natsumo ficou uns momentos a olhar para o clone de Naruto, não percebendo que era um clone. Mas aquilo que estava a verificar era que conhecia aquela cara. Será que era? Os seus olhos arregalaram-se. Não havia dúvidas. Aquele era o Hokage de Konoha, Uzumaki Naruto. – Que pessoa, Hokage-sama?
– Não me chame isso. – Pediu o louro de certa forma arrogante, não queria ser reconhecido, mas aquele homem reconhecera-o. Como?
– Desculpe, eu reconheci-o porque já fui um ninja noutros tempos. Mas então diga-me, em que posso ajudá-lo. – Dispôs-se o alfaiate.
– Eu procuro um rapaz com a mesma idade que eu, de cabelos negros um pouco arrepiados da parte de trás da cabeça, pele pálida e olhos ónix. – Descreveu Sasuke tal qual como sabia e conhecia, e era capaz de dar muitos mais pormenores se fossem necessários.
– O Kenta? – Questionou o alfaiate sem sequer pensar.
– Sim, ele mesmo, o Kenta. – Confirmou Naruto, não escondendo um sorriso de vitória que lhe saiu terrivelmente sombrio, que fez arrepiar o senhor Natsumo, que pensou agora se teria feito bem em mencionar o nome do rapaz. Mesmo fugitivo, o rapaz com as linhas de chakra seladas não representava uma ameaça, e além de tudo isso, estava grávido e com o desejo de reconstruir a vida. Será que fazia bem em contar ao Hokage onde estava?
– Ele está mentido em sarilhos?
– Não. – Mentiu Naruto dando uma resposta demasiado rápida. – Apenas quero falar com ele. Onde é que ele está?
Apesar do coração de Natsumo ser muito humano, o seu passado ninja, ainda falava mais alto. Ele não podia mentir a um líder. A um Hokage.
– No Circo de Feras mesmo à saída da cidade no grande descampado da feira.
– Obrigado. – E sem esperar ouvir mais o louro saiu pela porta fazendo o sino da mesma tocar.
– Espere! – Gritou o alfaiate correndo até à porta. Saiu para a rua, mas o shinobi loiro já tinha desaparecido. Mordeu os lábios. Devia ter-lhe dito que Kenta estava grávido. Se Kenta fosse um fugitivo, e se Naruto o quisesse apanhar, pelo menos Naruto sabendo que ele estava grávido não lhe faria mal, mesmo que depois o levasse preso. Agora, sem saber, o que faria o Hokage ao jovem Kenta?
Senaka ni mou hitotsu kokoro no mayoi
Nigeteyuku oikakeru
Nigeteyuku oikosareteku
(Atrás de mim, a incerteza de um coração
Que me escapa, eu vou atrás
Quem me escapa, passa por mim)
Sasuke sentia-se relaxado, mas cheio de calor. O espectáculo tinha sido um sucesso. As pessoas tinham gostado da sua música, apesar de ser uma letra triste, mas tinham dito que tinham sido tocadas pelas suas palavras. E esse sentimento despertara nele um sentimento quente. Mas não era por causa do sentimento quente que estava com calor, era mesmo porque dentro da sua tenda, que dividia com Mai, estava um calor infernal. Era uma noite muito quente de verão. Não havia aragem que arrefecesse o clima e dentro da tenda, parecia que estava uma estufa, por isso, decidiu ir para o lado de fora. Onde o ar, pelo menos, era mais respirável.
As meninas tinham montado uma rede baloiçante atada entre os ferros das tendas. Foi lá que se foi deitar mirando as estrelas. O baloiçar da rede fazia um certo vento que lhe era agradável. Ali deitado, com um banho tomado, com o jantar comido, com serenidade no coração, ele não pedia mais nada a não ser descanso.
A lua estava redonda e bonita. Era lua cheia, o que trazia ao ambiente um certo mistério acinzentado. As tochas, entre as tendas, que iluminavam o acampamento do circo davam também o seu toque alaranjado. E aquelas cores misturavam-se criando um ambiente quente e frio. Como se as forças do bem e do mal lutassem entre si. Quem iria ganhar, questionava-se Sasuke.
Embalado pela rede, e pela pouca frescura da noite, esquecendo-se um pouco de tudo e do seu mundo, Sasuke adormeceu.
Nitotsu futatsu kage kasanari
Gusari to mune hitotsuki
Futatsu no kage tokeru suigintou no yoru ni
(Uma, duas sombras que se cruzam
E me acertam no coração
As duas sombras que se fundem na lâmpada de mercúrio à noite)
(Música: Suigintou No Yoru cantor/actor: Sugiyama Noriaki)
Ouvia alguém angustiado a chamar por si. Não sabia qual era o seu nome, mas sabia que chamava por si. Então viu a cara de Naruto à sua frente, mas era uma cara diferente daquela que conhecia do Hokage. Era a cara de Naruto sim, mas muito mais novo, como se tivesse acabado de sair da infância. Um adolescente. Talvez tivesse treze anos. Os olhos azuis estavam repletos de lágrimas angustiantes. Essas lágrimas iam caindo no chão enchendo tudo de água, tanto que a água ia-se acumulando criando lago, que ia envolvendo o louro até o afundar, matando-o. Sasuke tentava mover-se, tentando fazer alguma coisa, mas era inútil. Viu-se a sorrir perante a perspectiva da morte do Hokage. Era horrível. Porquê? Porque desejava a morte do louro? O seu coração estava apertado, tão apertado que magoava.
Acordou sobressaltado. Tocou-se sem abrir os olhos, apenas para sentir que ainda tinha carne no corpo, e se ainda comandava os próprios movimentos. Sentiu o bebé mexer-se e afagou a barriga, mesmo sem falar, para o tranquilizar. Tinha sido apenas um pesadelo. Uma respiração forte, quase como se alguém não conseguisse respirar, vê-lo abrir os olhos e olhar para cima. Assustou-se.
O Hokage. Ali. Mesmo sobre sim, com aqueles olhos azuis cheios de… incompreensão.
– Tu estás… - Tentava o clone falar. – Estás…
Percebendo o choque do outro, Sasuke puxou da faca de comer que trouxera de Konoha, da qual nunca se separara, e com toda a sua força mandou-a contra o clone ao mesmo tempo que gritava de tal maneira, de uma forma mais ou menos enraivecida, que fez as circenses acordarem. A faca cravou-se directamente no peito do clone, que pouco depois, ainda com o mesmo ar de choque se evaporou no ar com uma nuvem branca.
– Kenta? O que se passa que aconteceu? – Mai aproximou-se de Sasuke no momento em que a faca atingia o chão. O moreno manteve a olhar para a faca.
Não podia ser. Ele não queria. O Hokage. Sentiu a garganta seca. Tinha uma necessidade horripilante de gritar, de chorar, mas com todas as suas forças se negava a fazer isso. E agora o que aconteceria?
Continua…
Primeiro tenho que agradecer as vossas reviews. Muito obrigada meus amores! Depois tenho q dizer que adorei escrever este capitulo e espero que vocês tenham gostado também. E agr o Naruto já sabe a questão é: como será a sua reação? Coisas do próximo episódio kkkkkkk
Beijos abraços e muitos palhaços
