Capítulo 3
Primeiro encontro
Edward parecia ainda pior do que no dia anterior. Entrando no café de Alice, ele simplesmente escolheu uma mesa afastada de qualquer movimento, que naquele dia era quase nulo, e esperou que sua amiga viesse lhe dar uma bronca novamente. Porém, ele não estava ligando muito para qualquer sermão que ela tivesse para ele. Sua mente estava totalmente focada no fato de que sua filha tinha sido decepcionada por uma escritora qualquer que acha que pode destruir o sonho de milhares de meninas como a dele.
Uma xícara apareceu na sua frente enquanto Alice o encarava. Ela estava tão abatida quanto ele, ainda mais que ontem. Era a vez dele se preocupar com o que estava acontecendo com sua amiga.
— Você está bem? — Edward perguntou, alcançando a mão de Alice antes da xícara. Foi um grande esforço não engolir todo o líquido de uma vez só e não ser um idiota.
— Yeah. Apenas, isso está tão vazio hoje.
Alice sofria com a falta de clientes que foi gradativa nos últimos meses. Pixie Caffe era o único estabelecimento da região que vendia café de boa qualidade. Era um ponto ótimo, e Alice amava o que fazia, o que atraia não somente pessoas de perto, mas também curiosos que ouviam falar da hospitalidade e tranquilidade do lugar em meio à cidade tão barulhenta.
Porém, há poucos meses, uma loja do Starbucks abriu no quarteirão ao lado. Impulsionados pela curiosidade e pela popularidade da franquia, os clientes foram aos poucos se distanciando do ambiente calmo e indo com a maré para o mais prático e comum. Algumas poucas pessoas eram fieis à Alice e se recusavam a deixar suas deliciosas combinações, mas o que gerava mesmo lucro eram os turistas e pessoas que ali estavam apenas de passagem.
Com isso, os números do caixa de Alice diminuíram drasticamente. Ela não sofreu no começo, mas agora o peso das dívidas começava a pesar. Passava por sua mente mudar de ponto, para um lugar mais calmo e com uma nova clientela, mas aquele pequeno prédio trazia uma carga emocional muito grande para se livrar dele tão facilmente.
Então, ela apenas rezava para que conseguisse manter seu amado negócio.
— Os negócios vão melhorar, Alice. Você é genial, vai ter uma ideia que trará os idiotas que migraram pro Starbucks de volta para você.
Ela esboçou um sorriso sincero.
— Obrigada por ter fé em mim. É por isso que ainda te aturo, senão eu já tinha te dado um pé na bunda.
Edward colocou as mãos teatralmente em seu coração, fingindo estar magoado, arrancando uma tímida risada de sua amiga.
— Mas agora, falando sobre você, por que sua cara está pior que ontem?
— Lizzie perdeu um estúpido concurso.
— Ok, adolescentes participam de milhares de concursos todos os dias. Por que esse é tão importante?
— Porque ele daria a ela uma festa de debutante.
Alice se lembrou de sua afilhada lhe pedindo ajuda logo que esse concurso foi lançado. Ela queria saber o que deveria escrever na carta, e Alice apenas disse que ela precisava ser o mais sincera e verdadeira possível, que isso traria para ela sucesso. Lizzie não quis mostrar a carta para a madrinha, mas Alice sabia que só poderia ter sido escrito algo especial naquelas linhas, pois a garota sabia como emocionar com apenas palavras.
— Seria de grande ajuda se ela tivesse ganhado, você sabe disso. — Edward continuou. — Eu não consigo tirar da minha mente o rosto dela quando ela descobriu que não era a ganhadora. Eu sei que deveriam ter milhares de meninas competindo, mas minha menina merece, Alice. Por que ela não poderia ter isso como recompensa por ser uma pessoa tão maravilhosa?
Falar com Alice sempre fazia com que Edward despejasse todas as suas frustrações e pensamentos de forma livre e rápida. Ela era como uma válvula de escape, e sempre tinha a coisa certa na ponta da língua para dizer.
— Eu não descartei a nossa festa para ela. Eu sei que ela vai ficar muito feliz, Edward. Só vamos fazer do nosso jeito.
— O nosso jeito não é o suficiente! Ela merece mais! — Os olhos de Edward estavam à beira das lágrimas, mas ele nunca se deixaria levar tanto. Ele tinha que manter o controle para não sucumbir totalmente ao fracasso. — E você não pode gastar mais, Alice. Qualquer dinheiro que você tiver, você deve guardar. Você não está em condições de esbanjar.
— E se eu quiser, Edward? Eu faço o que eu quiser com meu dinheiro, e eu quero dar essa festa à minha afilhada, e não vai ser você que vai me impedir disso.
Edward colocou o rosto sobre as mãos e respirou fundo. Ele era orgulhoso e não queria ceder assim, mas sabia que com Alice seria uma luta inútil. Ela era tão teimosa ao nível de convencer qualquer indivíduo que uma nota de três dólares existe.
O sino do café tocou, mas ele não levantou os olhos para ver quem havia entrado. Edward apenas torcia para que a cada badalada do sonoro sino uma pessoa trouxesse mais outra para apreciar o ambiente que Alice criou com tanta dedicação.
Às vezes, ele se pegou pensando em como a vida era cruel com pessoas que não mereciam. Indivíduos como Jane e todos os seus familiares eram cruéis e aproveitadores, mas tinham o mundo aos seus pés. Basta um estalar de dedos, e provavelmente sua chefe teria todos os tipos de salões, buffets, vestidos e acessórios ao seu dispor. Ela com certeza reclamaria de todos eles, dizendo não estar satisfeita.
Mas, pessoas como Alice, que dedicavam sua vida somente a fazer bem ao próximo, mesmo que esse próximo seja ignorante, ingrato e exigente, recebia apenas mais e mais dívidas sobre a sua mesa de cabeceira.
Às vezes, Edward se perguntava se existia mesmo um Deus que olhava por sobre todos os homens.
— Nós vamos conseguir, ok? — Alice disse de repente, fazendo Edward ter um sobressalto. — Apenas, tire essa cara de derrotado de seu rosto, Cullen.
Edward encarou Alice, com uma tentativa de sorriso nos lábios.
De repente, um suspiro muito alto retirou a atenção de ambos. Olhando para cima, Alice e Edward encararam a pessoa que estava sentada numa mesa também afastada, mas próxima o suficiente da deles para se ouvir uma conversa num tom mais alto de voz.
A moça que estava sentada na outra mesa encarou os dois sem nenhum pudor, com o olhar assustado, como se pedisse desculpa pela interrupção.
Edward estagnou quando olhou fixamente para ela.
Ele reconheceria aquele rosto em qualquer lugar. Mesmo estando bem sonolento quando a viu anunciar que Lizzie não era a vencedora de seu concurso estúpido, ele gravou os traços delicados de seu rosto, seus longos cachos e seus olhos profundamente castanhos. Em qualquer outra situação, ele teria ficado feliz em observá-la e ter sua atenção. Mas agora a única coisa que Edward conseguia enxergar era o fato de que ela havia acabado com o sonho de sua filha.
— Foi você! Por sua culpa minha filha não vai ter uma estúpida festa!
Todas as conversas se cessaram no café e os olhos se voltaram para um Edward muito alterado. Ele estava em pé, apontando o dedo indicador para a morena que estava com os olhos arregalados de medo. Alice agarrou o braço dele e o fez recuar, mas seu movimento não teve dos melhores resultados. Edward se soltou e caminhou até a mesa de Isabella Swan.
— Tenho certeza de que você não tem nem noção de quantos corações quebrou com essa história de concurso, não é? Você imagina a quantidade de meninas que devem estar chorando agora porque não conseguiram a maldita festa de debutante? Você tem noção de que uma dessas meninas é a minha filha?
Edward só via vermelho. Todas as palavras que ele queria jogar na cara de pessoas que ele não podia nem ao menos olhar nos olhos foram sendo despejadas sobre Bella, que ainda estava com os olhos assustados, encarando as mesmas orbes verdes que ela viu naquela tão doce menina da foto mais cedo.
Naquele momento, ela entendeu cada linha daquela carta que Elizabeth havia mandado para ela. Seu pai realmente faria qualquer coisa para vê-la feliz.
Até mesmo atacar uma mulher no meio de um pacato café.
— Você é uma pessoa sem coração! Não seria mais simples fingir uma festa com uma menina qualquer? Você precisava envolver pessoas que necessitam e depois arrancar toda a esperança delas de uma vez só?
— Edward, cale essa boca!
O grito de Alice ecoou por todo o lugar, fazendo com que os únicos sons que ecoaram pelo espaço fossem a respiração descompassada de Edward e os soluços silenciosos de uma Bella devastada.
Ela sabia que provavelmente havia quebrado o coração de muitas de suas fãs, porém, ela não tinha ideia da proporção que isso iria tomar. A única coisa que ela queria era fazer as pessoas felizes com seus livros e agora, encarando o fracasso e as decepções que suas ideias causavam às pessoas, a única coisa que ela poderia fazer era chorar.
— Eu não sabia, ok? Eu não tinha a mínima noção de que aquele resultado iria ser rodado ontem! — Bella disse, de repente se sentindo mais forte e mais destemida do que nunca. Toda a sua frustração começou a se derramar em palavras. — Eu também fui enganada! A única coisa que aqueles sanguessugas querem de mim é meu dinheiro! Eles não ligam para as milhares de meninas que pagam o salário deles! Eles apenas querem que elas dêem lucro!
Bella se levantou e encarou Edward da forma que podia, pois ele era um bocado mais alto que ela. Seus olhos verdes ainda pareciam fumegar com raiva a frustração, e algo mais que ela não se preocupou em identificar.
— Pra sua informação, eu não sou nenhuma destruidora de corações! Eu li cada carta e e-mail que essas meninas me mandaram, passei horas dos meus dias e das minhas noites me dedicando para cada uma delas!
Sua voz também ecoava pelo lugar, poderosa. Como Edward não se moveu, ela se sentiu corajosa para continuar.
— E sabe de uma coisa Sr. Cullen? Eu li a carta da sua filha hoje. E eu teria dado a maldita festa a ela se não tivessem me enganado! Elizabeth Cullen era a garota que mais merecia esse único dia de glamour e fama!
O choque no rosto de Edward chegou a ser cômico. Agora ele estava recuando, uh? Pensou Bella, com toda a raiva ainda pulsando por seu corpo, lhe dando o incentivo para que seu discurso continuasse a se derramar no ouvido de todos ali presentes.
— E, Sr. Cullen, sua filha é uma pessoa maravilhosa. Eu pude ver nas poucas linhas que ela me escreveu que ela é a garota mais altruísta e amorosa que eu conheço, sem nem ao menos ter encarado seus olhos pessoalmente alguma vez. Pena que ela tem um pai tão ignorante, que prefere gastar suas energias jogando toda a sua frustração em pessoas que apenas queriam fazer o bem!
Bella estava ofegante. Edward não conseguia dizer mais nenhuma palavra, nem mesmo aos insultos que recebeu da morena à sua frente.
Desviando o olhar, Bella pegou uma nota de 20 dólares de sua bolsa, a jogou sobre a mesa e saiu do café num rompante. Ela não sabia qual seria seu paradeiro, apenas queria um lugar onde pudesse liberar todas as lágrimas que estavam presas em sua garganta e que imploravam para sair.
Vários segundos se passaram antes que qualquer um no café se mexesse. O ar parecia pesado e Alice sabia que logo aquela briga seria divulgada para o resto do mundo e seu café estaria arruinado de vez.
Mas o café não seria a coisa mais quebrada por ali.
Com um baque, Edward caiu de volta na cadeira em que estivera sentado e esfregou as mãos sobre seu rosto. Ele queira chorar, queria gritar, queria quebrar algo. Ele queria fazer alguma coisa, qualquer coisa.
Ele só conseguia balançar sua cabeça.
— Merda, eu estraguei tudo, não foi?
Nota da Autora:
Olá meninas! Primeiramente queria dizer boas vindas a todas as minhas leitoras novas! Fiquei muito feliz com as reviews e com a presença de vcs, espero estar fazendo um bom trabalho ;)
E bem, o que acharam do primeiro encontro? Meio intenso? haha Tenho que dizer que gosto muito desse capítulo pq eu fiz ele de uma vez, sem pausa, e ficou exatamente do jeito que eu queria haha
Então, o que me dizem? Bellinha e Ed vão se atracar mais? Quais serão as consequencias desse bate boca? Me mandem suas teorias!
Beijos, e até quarta que vem s2
Ps. Guardem saliva para xingar o James e a Victoria mais tarde minha gente. Eles ainda tem um papel cativo nessa fic *corre pras colinas*
