Ao perceber que o homem estava nocauteado, a mais velha correu em direção a mais nova, reirando toda a dureza e o sarcasmo que tinha trazido a tona, e sinceramente ela nem sabia que tinha isso dentro de si. Ela ainda estava surpresa com seu desempenho, pois nunca havia dominado tão bem assim o seu dom. sim, agora podia chama-lo sem problema de dom, se isso ajudou a salvar a vida de uma criança não haveria nome mais adequado pra isso.

-você está bem? – ela perguntou se ajoelhando, pois a menina havia escorregado pela parede durante a batalha.

Sem dizer nenhuma palavra, a menina simplesmente a abraçou.

-obrigada! Obrigada!

A loira sorriu, desde que sua avó morreu ela não sabia o que era abraçar alguém.

-qual é o seu nome? – a loira perguntou.

-Alice – a menor responder

-agora me diga Alice, isso é hora de criança estar na escola. Por que você não está?

A menina a olhou com um sorriso "foi sem querer" que só as crianças sabem dar.

-eu saí porque minhas amigas e eu íamos comprar doces. Na verdade nem chegamos a entrar lá...

-você não devia matar aula pra simplesmente comprar doces! Olha o que aconteceu! Aliás, como você foi parar nas mãos desse maluco? Suas amigas estão bem?

-sim, elas estão... Eu acho. Viemos até o centro pra comprar os doces, tem uma loja onde vende chocolates maravilhosos, nenhum ligar da cidade vende igual.

A loira sorriu.

-acho que você está falando da sweet dreams, não é mesmo?

A mais nova fez que sim

-como você sabe?

A loira riu alto.

-eu sempre gostei dos chocolates de lá também. Mas por favor, continue a sua historia.

Uma menina de aproximadamente doze anos, um tanto magra e de cabelos loiros acobreados separados em duas tranças olhava distraidamente uma vitrine onde havia um buquê de rosas, então ela olhou ao redor e se viu sozinha, ela não havia visto em qual direção suas amigas haviam ido, então saiu andando e gritando pelas amigas.

-GISELLE? MARINA? ONDE VOCÊS ESTÃO

Ela estava começando a ficar realmente desesperada, quando se chocou contra um homem. Ele devia ter no mínimo trinta anos e tinha cabelos e olhos castanhos escuros. Ele sorriu, era um homem bonito, mas aquele sorriso lhe deu um arrepio. Embora ela pudesse afirmar que nunca o tinha visto na sua curta vida, algo lhe dizia que ela o conhecia de algum lugar, e essa voz interna dizia para manter-se afastada dele.

-se perdeu das suas amigas? Está sozinha?

Alice fez que sim.

-e que tal se eu a ajudasse a encontra-las? - Alice sorriu agradecida, a onda de desconfiança indo embora, então ele continuou – e senos a procurássemos enquanto você saboreia um delicioso chocolate da sweet dreams?

Os olhos da menina se iluminaram totalmente, então ela começou a dar pequenos pulinhos e gritinhos animados, atraindo a atenção de algumas pessoas ao redor. O homem então pediu pra ela se acalmar, um tanto nervoso, mas a menina não percebeu.

-você poderia me dar o doce, por favor? – ela falou enquanto estendia a mão. O homem então começou a tatear os bolsos e fez uma expressão exagerada de quem havia esquecido algo, mas novamente ela não percebeu.

-ele deve ter ficado em minha casa. Você poderia busca-lo comigo? – ele falou com um sorriso genuíno no rosto, enquanto estendia a mão para a menina, se curvando levemente. A pose dele era digna de um príncipe de contos de fadas. A menina sorriu de volta e pegou a mão do homem, enquanto ele a guiou por algumas quadras até chegar a um beco escuro.

...

-sério que você o seguiu, Alice? Seus pais não te ensinaram a não falar com estranhos?

-sim, eles ensinaram, eles vivem repetindo, alias, mas eles dizem que eu sou muito bobinha, muito inocente, e que tinham medo que eu aprendesse que nem sempre isso é uma coisa boa da pior forma. E foi o que aconteceu...

-mas você está viva e é isso que importa – a mais velha falou, puxando a menina para outro abraço.

-eu ainda não sei seu nome... – a mais nova falou. A mais velha então sorriu.

-meu nome é...

Foi tudo muito rápido e ao mesmo tempo parecia passar tudo em câmera lenta. Primeiro a expressão de puro terror no rosto de Alice, depois o maníaco no reflexo dos olhos da mesma, e antes que pudesse reagir sentiu uma dor aguda em suas costas, tal qual uma facada.

(N/A: eu sei que vocês devem estar pensando "por que raios elas ficaram batendo papo lá, correndo risco?" bem... quem esperaria que o cara ainda sobreviveria depois que ficou completamente frio a ponto de ficar roxo? Só um espírito de vingança muito forte seria capaz disso, e quem sabe quem esse cara é, sabe que isso ele tem, porem as garotas não iriam adivinhar isso, não é mesmo?