Capítulo Quatro
Sunday Lunch
(Almoço de Domingo)
- Certo, vamos ver se eu sei quem é quem. – Scorpius disse para Lily. – Sua avó e seu avô. Tio Bill e tia Fleur, que são os pais de Victoire, Madeline, Alexander e Nicholas. Tio Charlie e tia Bronwyn, que sãos os pais da Isabella, Aidan e Owen. Tio Percy e tia Penny, pais de Parker, Payton e Patrick. Tio George e tia Katie, pais de Jacob, Fred e Sophia. Tio Ron e tia Hermione, pais de Rosie e Hugo. E aí há sua mãe e seu pai, você, James e Al. E o afilhado do seu pai, Teddy, e a avó dele, Andromeda. São todos? Ou eu me esqueci de alguém?
- Não, essa é a galera. – Lily disse distraidamente. Brigou para vestir o agasalho. Uma das mangas tinha ficado do avesso quando o tirara na noite passada.
- Aqui, espere um minuto. – Lily sentiu uma mão puxar a manga do agasalho para a posição correta, e ajudá-la a vesti-lo. Lily se virou para ver Scorpius parado atrás dela, as mãos ajeitando a gola do agasalho.
- Obrigada. – disse. Ele corou e abaixou a cabeça.
- Vocês fazem isso todos os domingos? – Scorpius se inclinou para mais perto de Lily, murmurando em seu ouvido.
- Sim. Normalmente somos todos nós. Bem, só quando todos não estão na escola. – Lily olhou para as cabeças de cabelos negros quase idênticas de Al e James, próximas a sua frente. Eles pareciam estar discutindo algo intensamente. – Eu tenho a sensação de que algo vai acontecer. Normalmente, eles não são tão... – Lily parou de falar, procurando a palavra certa. – Amigáveis. – terminou.
- Lily? Scorpius? – Ginny ofereceu o vaso com o pó de flu para que cada um deles pudesse pegar um punhado. Ginny colocou o vaso no patamar da lareira e observou cada uma das crianças sumir nas chamas esmeraldas. Segurou a manga do agasalho de Harry quando ele estava prestes a jogar o punhado de pó de flu nas chamas. – Você acha que um de nós deveria ter ido na frente? Sabe, para avisar os outros?
Harry bufou.
- Você acha que ainda há membros da nossa família que não sabem que o único filho de Draco Malfoy está passando as festas conosco?
- É, tem razão. – Ginny sorriu. – Somos horríveis em esconder as coisas.
- Pois é. – Harry murmurou, sumindo nas chamas.
Ginny jogou o pó de flu na lareira e foi para A Toca, incapaz de se livrar da sensação de que um deles deveria ter ido primeiro, apenas para acalmar as coisas.
Quando Lily cambaleou para fora da lareira, logo atrás de Scorpius, foi recebida por silêncio surpreso.
Scorpius estava parado no tapete, olhando para Arthur, Bill, Charlie, Percy e George, que o olhavam de volta com a boca aberta em choque.
- Santo Merlin, é a doninha! – George ofegou.
- Tio George, do que está falando? – Lily quis saber. – Esse é o Scorpius. Ele está no ano de Al na Grifinória. – explicou. – Ele não é uma doninha...
- É claro. – Arthur se ergueu para cumprimentar o garoto. – Onde estão as minhas maneiras? – ofereceu uma mão. – Arthur Weasley. Seja bem vindo.
Scorpius olhou para o alto homem quase careca, cujo cabelo, outrora vermelho, estava grisalho com a idade.
- Scorpius Malfoy. – aceitou a mão de Arthur cautelosamente.
- Você está na Grifinória? – Arthur perguntou gentilmente.
- Sim, senhor. – Scorpius olhou para todos os homens na sala. – Tenho jogado Quadribol com Victoire, Madeline, Isabella, Fred, Jacob, Parker, James e Al. – ofereceu pateticamente, procurando por algo para dizer nessa sala cheia de estranhos. Scorpius particularmente não gostava de estranhos.
- Bom, bom. – Arthur aceitou a mão de Scorpius. – Deixe-me lhe apresentar o resto da família, então.
A cabeça de Scorpius estava girando. Uma senhora gordinha, usando um avental, lhe oferecera um punhado de biscoitos de chocolate e Scorpius estava tentando se lembrar dos nomes e rostos dos inúmeros tios e tias, para não mencionar os oito primos que não conhecia. Lily os tinha seguindo, adicionando informações aleatórias, sempre que alguém era apresentado.
Terminada as apresentações, Scorpius se acomodou em uma cadeira, comendo seus biscoitos. Lily ergueu uma mão e roubou um dos biscoitos.
- Quer ir lá fora e participar da nossa guerra de bola de neve? – ela perguntou entre uma mordida e outra. Scorpius estudou as pessoas na cozinha aquecida, e assentiu com alarde.
Do lado de fora, um homem jovem estava organizando as crianças em dois times, colocando um número igual de primos mais velhos com os primos mais novos.
- Quem é aquele? – Scorpius perguntou, apontando.
- Esse é o Teddy. O afilhado do papai. Ele está saindo com a Victoire. – Lily fez sons de beijos e riu.
Teddy estava listando as regras.
- Sem magia! Nada de feitiços impermeáveis, ou amortecedores, nem de convocar ou banir! E nada de bolas de neve encantadas ou fortes. Não coloquem pedras nas bolas de neve, a não ser que queira que Molly grite com você. – ele pausou, considerando. – Ou a mãe de qualquer um vocês, para falar a verdade. Vocês têm trinta minutos para fazer quantas bolas de neve conseguirem e o forte de neve. Alguma pergunta? – depois de um coro de "não", Teddy disse: - Certo. Seu tempo começa... Agora!
Scorpius e Lily freneticamente fizeram uma pilha de bolas de neve para juntar as que Alex, Sophie, Patrick e Rose estavam fazendo. Parker, Madeline, Fred e Teddy estavam montando o forte. Scorpius teve a impressão de os trinta minutos passaram em dez.
- Pronto? – Teddy murmurou, seu cabelo tão loiro quando o de Scorpius. – Agora! – ele gritou, e o ar se encheu de bolas de neve.
Rose tinha uma mira mortalmente certeira, e acertou o rosto de James com uma bola de neve. Al começou a rir dele até que Lily, cuja mira era quase tão boa, o acertou na lateral da cabeça. Lily e Rose sorriram uma para a outra, bateram as mãos enluvadas nas da outra, e continuaram a jogar várias bolas de neve bem miradas.
O estoque de bolas de neve terminou e Teddy liderou um ataque ao forte do outro time. Patrick e Sophie se esgueiraram até o fundo e pegaram a bandeira, que naquele dia era o cachecol vermelho de James. Victoire deu um tapinha no ombro de Teddy e afundou duas mãos cheias de neve no rosto dele. A organizada guerra de bolas de neve se transformou em mera neve voando de um lado para o outro. Nem mesmo Scorpius estava seguro. Rose gritou quando Hugo jogou um punhado de neve do lado de dentro de sua blusa. Como nos jogos de Quadribol na escola, certamente foi intenso, mas ninguém se machucou seriamente. Nada que um rápido Episkey não desse conta.
A guerra só terminou quando Bill gritara, irritado, que o almoço estava pronto. Eles voltaram para dentro, sendo recebidos por uma parede de pais resignados, que secaram as roupas dos mais novos com um feitiço.
O almoço foi anormalmente quieto naquele dia. Normalmente, a conversa acontecia em pequenos grupos ao longo da mesa, mas os adultos estavam arrastando suas comidas pelos pratos pensativamente, algo que não passou despercebido pelas crianças mais velhas.
Finalmente, o almoço comido, e sobremesa servida, Bill afastou seu prato em um sinal silencioso para os outros.
- Certo. Sabemos que vocês gostariam de algumas informações...
- Pai. – Victoire disse da sua ponta da mesa. – Na verdade, temos uma lista de perguntas que gostaríamos de fazer. Queremos respostas de verdade, não coisas evasivas como sempre fazem. – as sobrancelhas de Bill se ergueram ao ver Victoire tomar a liderança. Victoire ergueu uma mão. – Rosie? – Rose pegou um pergaminho em seu bolso e o passou para Victoire.
Teddy se ergueu e cutucou Scorpius.
- Vamos lá, cara. Vamos dar uma volta. – Scorpius assentiu e Teddy pegou os agasalhos dos dois e saiu pela porta dos fundos. Victoire tinha avisado a Teddy sobre a conversa que queriam ter com seus pais, e depois de crescer presenciando o temperamento Weasley, achou que uma retirada estratégica era necessária.
Victoire estudou o pergaminho e olhou para Harry de uma maneira que devia ter herdado de Molly.
- Tio Harry, como você sobreviveu à maldição da morte?
- Bem sutil, Victoire. – George murmurou.
Harry correu uma mão pelo cabelo.
- Hm. Vamos ver... Quantas foram? Quatro? Cinco vezes?
- Quando você era bebê; a vez no cemitério; quando você saiu dos Dursleys; a da Floresta e a da batalha? - Hermione se aventurou, marcando cada evento com um dedo. – São cinco.
- Você sobreviveu à maldição da morte cinco vezes? – James guinchou.
- Uh, sim. – Harry parecia desconfortável. – A primeira eu sobrevivi por que minha mãe morreu me protegendo. Ela teve uma chance de se salvar e não o fez. Magia muito, muito antiga. Foi como consegui isso. – Harry esfregou a cicatriz em sua testa. – As outras, em sua maioria, foram pura sorte, exceto a da Floresta, e essa foi bem mais complicada. – Harry esfregou uma área em seu peito, próximo ao coração. – As outras três... – Harry deu de ombros. – Foram as maldições sendo desviadas com algum feitiço meu. Vê? Pura sorte.
- Mas, tio Harry, isso é maneiro! – Fred exclamou.
- Não tão maneiro quando as pessoas te olham o tempo todo. – Katie informou seu filho acidamente. Fred se encolheu perante o tom de voz de sua mãe.
- Só consegui fazer metade do que fiz, por que eu tive ajuda. – Harry disse cansadamente. – Eu não teria chegado aos dezessete anos sem Fred, George, Ron, Hermione, Ginny, Dobby...
- Quem é Dobby? – Lily interrompeu.
- Um Elfo Doméstico. Ele quebrou o braço de Harry, no segundo ano. – Ron sorriu. – Enfeitiçou um Balaço para seguir Harry pelo campo de Quadribol.
- É, foi uma explosão de risadas. – Harry retorquiu.
- Mas você lhe deu a liberdade. – Hermione o lembrou.
- Eu tive que dar. Ele não merecia a família a que estava preso. – Harry protestou.
- Certo, próxima pergunta... Por que você e o tio Ron ganharam uma premiação da escola no seu segundo ano? – Victoire perguntou tranquilamente.
- Por minha causa. – Ginny disse de repente. – Alguém colocou um artefato de Voldemort no meu material da escola quando fomos comprá-los, antes do meu primeiro ano. Era um diário. Eu achei que era um diário normal. Escrevi nele e ele, bem, me usou por meio do diário. – ela sentiu a mão de Harry se fechar ao redor da sua sob a mesa. Apertou-a com gratidão. – Ele foi capaz de me usar para abrir algo chamado Câmara Secreta, para que ele pudesse aterrorizar os alunos e professores de Hogwarts com um Basilisco. – Ginny pausou para respirar fundo. – Ele me levou para morrer na Câmara. Harry e Ron foram me buscar. – Ginny deu um sorriso pequeno e triste para Harry, seus olhos brilhando com as lágrimas não derrubadas. – Harry matou o Basilisco e a parte de Voldemort que vivia no diário.
- Mas isso ainda foi sorte. – Harry interrompeu. – Se a fênix de Dumbledore, Fawkes, não houvesse me entregado o Chapéu Seletor e a espada de Grifinória não houvesse surgido... – balançou a cabeça. – Eu mesmo quase morri. A presa do Basilisco atravessou meu braço. Se Fawkes não estivesse lá... As lágrimas de fênix podem curar quase tudo. Até mesmo o veneno de um Basilisco.
- Onde você estava, pai? – Hugo perguntou pensativamente.
- Tentando derrubar uma parede de entulho que caiu; o idiota do professor de Defesa, que tinham mandado buscar Ginny, tentou apagar a memória de Harry e a minha, com a minha varinha danificada, depois de descobrirmos que ele era inútil. O tiro saiu pela culatra e ele apagou a própria memória. Ele ainda está em St. Mungus. – Ron riu um pouco.
- Chamar Lockhart de professor é um pouco demais, não acha? – Percy perguntou.
- Ele era bastante inútil. – Katie concordou.
- Era uma posição amaldiçoada. – Charlie explicou. – Até Voldemort ser derrotado, ninguém durava mais que um ano.
- Mesmo? – Madeline perguntou. – Eu achei que era algum tipo de lenda urbana.
- Não. É verdade. Nós tivemos dois professores realmente bons. O pai de Teddy, Remus, e Olho Tonto Moody. Bem, alguém se passando por Olho Tonto. – George refletiu.
- Por que eles só duraram um ano se eram tão bons? – James perguntou. Defesa era uma de suas aulas favoritas.
- Remus era um lobisomem, então ele foi forçado a sair. – Harry disse. – É por causa dele que Hermione trabalha tanto pelos direitos dos lobisomens. E já Olho Tonto... Não era realmente Olho Tonto. Era um Comensal da Morte, usando uma poção polissuco, para se passar por Olho Tonto.
- Mas aprendemos demais com ele. – Hermione disse a contra gosto.
- O que é um Comensal da Morte? – Rose perguntou.
- Alguém que seguia Voldemort. – Arthur disse. – A maioria deles se foi. Mortos na última batalha. Há poucos que ainda estão vivos. Mas não estão mais ativos.
- O que é o Torneio Tribruxo? – Isabella perguntou.
- É uma competição entre Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. – Fleur disse. – Cada escola tem um campeão, escolhido pelo Cálice de Fogo. Você tem que completar três tarefas. Era... Perigoso. – ela disse, balançando a cabeça. – Harry e eu competimos.
- Sim, tio Harry. Aquele livro que a Rosie achou diz que você ganhou. – Jacob disse.
- Que maldito livro é esse? – Harry perguntou perplexo.
- Bruxos e Bruxas Famosos do Século Vinte. – Rose respondeu prontamente.
- É claro que é. – Harry murmurou rancorosamente.
- E então? – James perguntou. – Você ganhou?
- Sim. – Harry suspirou.
- Mas a Taça Tribruxo era uma Chave de Portal. O falso Olho Tonto a transformou em uma, e basicamente se garantiu de que Harry chegasse ao centro do labirinto, que era a terceira tarefa, para que o levasse até o cemitério. – Hermione disse, sabendo que Harry não gostava de falar sobre isso. – Exceto que outro aluno estava com Harry, e ele foi assassinado. – terminou quietamente.
Harry engoliu em seco.
- Quando a maldição da morte de Riddle ricocheteou em mim quando eu era um bebê, ele meio que desapareceu. Ele precisava do meu sangue para voltar e parte dos restos mortais de seu pai. O cemitério era onde seu pai estava enterrado. Então, ele pegou um pouco do meu sangue, recuperou seu corpo e duelamos.
- Quem é Riddle? – Owen perguntou. Ele parecia um pouco confuso.
- Esse é o verdadeiro nome de Voldemort. – Ginny disse. – Tom Riddle. Ele o odiava. O pai dele era Trouxa, e Riddle odiava qualquer coisa relacionada aos Trouxas, então ele mudou de nome.
- Por que ele odiava Trouxas se o pai dele era um? – Alexander perguntou.
- Essa é uma longa história, e eu não tenho a energia de contá-la agora. – Harry disse.
- A Armada de Dumbledore? – Al perguntou.
- Ah, a Armada de Dumbledore. – George sorriu. – Nosso grupo estudantil ilícito.
- Por que era ilícito? – Madeline perguntou.
- Nós tínhamos uma funcionária do Ministério como professora de Defesa naquele ano. Umbridge. Ela baniu todos os grupos estudantis e nós nos encontrávamos em segredo. – Ginny explicou.
- Foi o ano que o Ministério tentou assumir Hogwarts. – Percy disse. – Em retrospecto, foi uma coisa estúpida de se tentar. – adicionou
- Duelamos com um grupo de Comensais da Morte no Departamento de Mistério, no Ministério, no meu quarto ano. – Ginny disse. – Harry, Ron, Hermione, Neville, Luna e eu.
- Por que vocês fariam algo tão idiota? – Parker exclamou, embasbacado.
- Oh, bem... – Harry equilibrou a cadeira nas duas pernas traseiras. – Quando eu estava em meu quinto ano, Riddle descobriu que nó tínhamos essa... Ligação. Podíamos ver o que o outro estava pensando, se uma forte emoção estivesse conectada a isso. Ele me fez pensar que meu padrinho estava sendo torturado no Departamento de Mistérios. Então, nós seis fomos resgatá-lo.
"Mas foi um erro horrível. Ele me fez ver algo que não era real, e meu padrinho morreu por causa disso." Harry tirou os óculos e esfregou o rosto. "Essa ligação me deu pesadelos pela maior parte de quatro anos." Harry disse para Al, que assentiu, o comentário que Harry fizera aquela manhã finalmente fazendo sentido.
O cômodo ficou em silêncio por um momento. Então, timidamente, Rose perguntou:
- O que foi a Batalha de Hogwarts?
- Qual delas, Rosie? – Ron perguntou.
- A primeira.
- Comensais da Morte atacaram o castelo enquanto Dumbledore e Harry estavam fora, tentando achar um jeito de derrotar Riddle. – Ginny disse.
- Foi quando Dumbledore morreu. – Harry disse.
- E a segunda? – James perguntou.
- Foi quando Fred morreu. – Molly disse hesitantemente.
- Foi um ano depois da primeira batalha. – George disse suavemente.
- Nós, Harry, Hermione e eu, passamos oito ou nove meses tentando encontrar maneiras de destruir Voldemort. Normalmente tentando fugir dos Comensais da Morte que estavam nos procurando. – Ron parecia mais interessado nas migalhas na mesa.
- O que quer dizer, "maneiras"? – Victoire perguntou, os olhos cerrados.
- Riddle partiu sua alma em sete pedaços e os colocou dentro de objetos. Para que ele pudesse morrer, nós tínhamos que destruir essas coisas. – Hermione disse.
- Mas uma delas era eu. – Harry olhou para seus filhos, e viu as expressões de medo e terror em seus rostos. Era exatamente isso que queria evitar. – Eu tinha que morrer. – terminou quietamente.
- Mas, pai, você não está morto. – Al apontou como se Harry estivesse sendo irracional.
- Não, não estou. – cegamente, Harry procurou pela mão de Ginny. Ele precisava tocá-la para passar por isso. – Mas parte do acordo era que eu precisava me sacrificar por vontade própria para salvar todos os outros. Eu tive uma escolha, entretanto, depois de a Maldição da Morte me atingir. Voltar ou não. – Harry deu de ombros. – De qualquer jeito, a parte de Riddle que estava em mim estava morta.
- E você o matou. – James sussurrou, os olhos arregalados.
- Não. – Harry respondeu automaticamente. – Ele se matou. Ele teve a chance de mostrar qualquer tipo de remorso por todas as merdas que fez, mas ele não demonstrou. Sua maldição da morte ricocheteou no meu feitiço de desarmar. Além do mais, ele estava usando uma varinha que não o tinha escolhido.
- Então, toda aquela besteira que o Ollivander vive falando de a varinha escolher o bruxo é verdade? – Rose perguntou ceticamente.
- Sim.
- Então, é por isso que as pessoas olhando para você? – Al o olhou, o rosto enrugado em confusão.
- Não fui apenas eu. Somos todos nós. Eu não fiz nada sozinho. Se não estivesse com Ron e Hermione, no ano que passamos fugindo dos Comensais da Morte, eu não teria conseguido suceder. Se Bill, Fleur, Charlie, Fred, George, Percy, Ginny, Katie, Penny, Molly ou Arthur ou a Ordem ou a AD não estivessem estado na batalha... – Harry parou de falar.
- Por que vocês não se deram ao trabalho de nos contar isso tudo antes? – Victoire perguntou.
- Só queríamos deixar isso tudo para trás e viver sem medo pela primeira vez em anos. – Arthur disse gentilmente. – Todos nós sabíamos que teríamos de contar a vocês em algum momento ou outro. Só não sabíamos quando.
- É apenas muito difícil para nós falarmos sobre isso. – George adicionou.
- Falar sobre isso torna real. De novo. – Ginny falou, olhando para Harry.
- Nós todos tivemos pesadelos sobre isso. Por semanas e meses. – Ron murmurou.
- Então, vocês podem entender por que isso não era algo que queríamos discutir com vocês. – Charlie disse pesadamente. – Nós realmente não estávamos tentando esconder nada.
Os primos trocaram olhares entre eles.
- Obrigada. – Victoire murmurou. Ela se levantou e gesticulou para os outros irem para o antigo quarto de Fred e George.
- Bem, podia ter sido pior. – Harry disse cansadamente, quando a porta da cozinha se fechou atrás das crianças.
-x-
Enquanto a conversar acontecia na cozinha, Scorpius e Teddy caminharam pela trilha que levava até Stoatshead Hill.
- Então, você é o filho de Draco. – Teddy disse.
Scorpius assentiu.
- Como você conhece meu pai?
- Você não sabe?
- O quê?
- Sua avó Narcissa é a irmã da minha avó. Então, isso nos torna primos.
- Você estava na Sonserina, então? – Scorpius olhou para Teddy pelo canto do olho.
- Merlin, não! Grifinória, como meu pai.
- E sua avó não se importou?
- Não. Ela ficou orgulhosa. E desde que a família dela a deserdou por se casar com um nascido trouxa, eles não podiam me deserdar mais do que eu já estava deserdado. – Teddy deu ombros. – Não importava. Eu tinha Harry e Ginny. E Molly e Arthur. E todos os outros. – Teddy examinou o garoto de aparência séria que caminhava ao seu lado na neve. – Assumo que sua família não aceitou bem você estar na Grifinória?
- Minha mãe parece não se incomodar com isso.
- Mas não seu pai? – Scorpius balançou a cabeça em negativa. – Ah.
- Não importa. – Scorpius disse, repetindo Teddy.
Andaram em silêncio por alguns minutos, antes de Scorpius perguntar:
- Sobre o que eles estão conversando?
- A guerra. A participação deles. – Teddy deu de ombros.
- Oh. – Scorpius ficou em silêncio novamente. – Teddy?
- Sim?
- Como você faz isso? – Scorpius dedilhou uma mecha de cabelo loiro que aparecia sob a touca. – Seu cabelo?
Teddy riu.
- Eu sou um metamorfomago. Posso mudar minha aparência à vontade. Minha mãe também era uma.
- Oh. Foi o que Al disse, mas ele não me disse o que metamorfomago significava. – Scorpius disse a nova palavra cuidadosamente. Olhou para Teddy. – Qual é sua verdadeira aparência?
Teddy olhou para Scorpius com surpresa.
- Bem, essa... – seus olhos ficaram um pouco desfocados e seu cabelo turquesa ficou castanho. A maior parte do tempo, Teddy não mudava sua aparência drasticamente. Tinha os olhos cinzentos de seu pai no rosto em formato de coração de sua mãe, mas eram ecos de seu pai que lhe encaravam no espelho, mais e mais com o passar dos anos.
- Obrigado.
- De nada.
Scorpius parou subitamente.
- Ficou feliz que você seja família. – deixou escapar.
- Obrigado. – Teddy estava surpreso pela honestidade de Scorpius. Andromeda o tinha avisado que o garoto podia ser esnobe e indiferente, dada a influência de seu pai. Mas Scorpius não era nada do que ele tinha esperado. – Você também é legal.
- Acha que eles terminaram? – Scorpius estava começando a ficar com frio.
- Podem ter terminado quando chegarmos.
Viraram e caminharam de volta para A Toca.
Continua...
