CAPÍTULO IV
UM DIA ANTES – NOITE
Florência Smithers tomou um longo banho frio e voltou ao salão comunal da Grifinória. Estava nervosa pelo que poderia ter acontecido... Aquele era Snape! Por Merlin!
Enquanto passava um tempinho com as amigas, pensou sinceramente em confessar o que ocorrera naquela tarde... em contar daquele clima quase erótico que inebriou os seus sentidos e a deixou com gosto de quero mais... Mas não teve coragem. Florência teve medo do julgamento.
- Eu tenho que ir...
Louise, a melhor amiga, torceu o nariz.
- Passar mais um tempo enfurnada nas masmorras com Snape?
Florência suspirou e fez uma expressão aborrecida – apesar de o seu coração estar pulando em antecipação de ver aqueles olhos negros...
Controle-se!
- Tenho que ir. É bem interessante, essa poção...
- Claro... Boa sorte, amiga.
Florência apenas assentiu e foi, convencendo-se que nada mais aconteceria... E sem perceber que estava usando um dos seus melhores vestidos, bem perfumada, de cabelos arrumados e usando maquiagem.
XxXxXxX
Aquela era Florência, por Merlin!
Isso era tudo que Snape conseguia pensar, ao voltar de um longo banho. Banho quente. Onde ele pôde... relaxar. Pensando nela!
Snape não conseguia entender... Se estivesse pensando em Lílian ou em qualquer outra das nerds gostosinhas de Hogwarts, seria normal. Mas Florência? Patricinha sem absolutamente nada na cabeça? Por quê? Seus gostos, até ele onde sabia, eram melhores...
Maldita poção!
Ele abriu a porta e a garota, sobressaltada, logo se virou.
Severo suspirou, engoliu seco e fez o melhor para se manter inalterado.
- Fui tomar um banho.
- Que bom que você faz isso... – Ele ergueu uma sobrancelha. Florência imediatamente corou. – Quer dizer! Não que eu pensasse que você não tomava banho... Eu não pensava... É que, você sabe, todos diziam e... E a sua cueca...
Snape abriu a boca suavemente.
- Você estava pensando em minha cueca?
- Isso! – Ela corou mais, enquanto Snape dava um risinho de canto de boca. – Quer dizer, Não! Claro que não! Por que eu pensaria em sua cueca? – Florência respirou fundo, buscando controle. – O que eu quero dizer é: como todos dizem que você não toma banho e desde que as suas cuecas, tão amplamente exibidas ano passado, eram encardidas, eu só posso ficar feliz de saber que você toma banho.
Snape deu um passo em direção a ela.
- E isso lhe deixa feliz porque...?
Ela molhou os lábios, vendo-o aproximar-se. Os cabelos ainda pingavam do banho recém-tomado e um maravilhoso cheiro amadeirado vinha dele. A camisa branca tinha dois botões abertos e... e um comecinho de pelos ralos contrastavam com a pele pálida... e ela só podia começar a imaginar-se abrindo lentamente aqueles botões e...
Florência mordeu o lábio inferior, gemeu baixinho e se virou, olhando para a poção que fumegava.
Maldita poção!
- Nós temos que fazer algo agora, ou podemos deixar descansar?
Snape crispou os lábios e se aproximou também do caldeirão. No que ele estava pensando? Tentar seduzi-la? Por quê? O que ele esperava? Envergonhá-la até ela pular em seu pescoço, arrancar a sua roupa e...
Snape deu graças por ter se aliviado há pouco no chuveiro, ou estaria numa situação constrangedora...
- Em dez minutos temos que adicionar as maçãs de Eva. Você pode começar a cortá-las em oito pedaços iguais?
Ela suspirou, sentando-se e pegando as frutinhas vermelhas.
- Claro...
- Eu vou olhar esse livro aqui, aprender algumas propriedades das maçãs... Bastam três, ok?
- Ok...
Snape sentou-se do outro lado da sala e começou a folhear um livro, vendo o capítulo sobre as maçãs de Eva.
Enquanto isso, Florência cortava-as...
As frutas eram incrivelmente apetitosas... tão vermelhas e pequenas que chegavam a parecer cerejas... E, quando cortava, eram tão suculentas que a faca e a mesa ficavam molhadas... a polpa era rosada e o cheiro inebriava, deixando-a com água na boca...
E só precisavam de três! E lá havia cinco!
- Essa é a única vez que precisamos delas na poção?
- Isso.
- Mas têm cinco, aqui.
- Duas extras, caso ocorra algum imprevisto.
E o imprevisto certamente ocorreria. Como Florência não estivera exatamente atenta à aula que Slughorn dera no Clube do Slugue, não lembrava que as maçãs eram as responsáveis pela má sorte que a poção trazia... e, logo após cortá-las, pegou uma e...
- Isso é interessante... – Severo falou baixinho, do outro lado da sala.
- Hm?
- A maçã não dá má-sorte propriamente dita. São apenas pequenos azares, como pegar a pessoa no flagra, ou cair em público ou...
- Snape?
- Sim?
- Como assim, má sorte?
Snape ergueu o rosto, para ver Florência com uma maçã na mão e um pequeno pedaço sendo mastigado.
- Cuspa isso!
Ela imediatamente e bastante preocupada, cuspiu.
- Quanto... quanto você comeu?
- Foi só esse pedaço, juro!
Snape folheou o livro.
- Você chegou a engolir a polpa?
- Não... um pouco do sumo...
Florência se levantou lentamente.
- Não se mexa! – Ela parou, alarmada. – Sente-se lentamente e de forma alguma chegue perto da poção.
Ela franziu o cenho, obedecendo.
- Snape, por... por quanto tempo? Por quanto tempo eu não poderei me mexer?
Ele suspirou.
- Pelas próximas horas! Não vamos arriscar. Eu farei tudo, você fica sentada ai, sem tocar nos ingredientes ou sequer respirar perto da poção.
- Ok... ok...
Logo Severo começava a adicionar as maçãs de Eva na poção, que passava a exalar um agradável cheiro doce pela sua espiralada fumaça cor-de-rosa.
- Então... – Florência começou. – Será que agora, que eu estou de castigo aqui, nós podemos conversar como pessoas normais? E não vale ser hostil: eu estou com azar e provavelmente perderia toda e qualquer discussão.
Severo deixou escapar pelos seus lábios fechados uma risada rouca. Como, pela milésima vez, a poção tinha de descansar, ele se acomodou de frente a ela – no entanto um pouco distante, por questões de segurança – e disse:
- Tudo bem, Smithers. – Ele ergueu uma sobrancelha. – Para começar, respondendo à sua pergunta, eu não sou um bruxo das trevas.
O sorriso de Florência se iluminou.
- Oh... Então você realmente consegue ser amigável, Snape!
- Não me faça mudar de idéia, Smithers. E pode me chamar pelo primeiro nome.
- Nesse caso, Severo, meu nome é Florência.
- Eu sei, Smithers.
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Inexplicavelmente, as horas em que Florência teve de passar sentada na companhia de Severo não foram, nem de longe, tediosas. Talvez não soubessem que uma amizade entre eles era possível simplesmente por nunca antes terem se encontrado numa situação onde os dois estivessem dispostos a manter uma conversa amigável...
- Eu, na verdade, deveria ter me matriculado na Beauxbatons – Florência riu-se. – Mas mamãe achou que eu acabaria ficando metida demais se estudasse lá!
- Parece que não adiantou muito te mandar para Hogwarts.
- Exatamente! Eu acabei ficando igualmente metida. Mas, de verdade, Snape: eu sou metida ao ponto de ser insuportável?
Snape franziu o cenho pensativo – se essa pergunta fosse feita há algumas horas, ele saberia a resposta de imediato...
- Sim, quando você está no meio das metidas.
Florência engoliu seco e um sorriso meio tímido, meio amargurado, formou-se em seus lábios.
- E quando eu sou eu mesma?
- Você estava sendo autêntica nas últimas horas?
- Sim. Sem máscaras, sem fingimento.
Sinceramente, Snape respondeu:
- Não.
- O que?
- A resposta. Não. Nem um pouco.
Florência suspirou, deixando-se sorrir sinceramente. As suas mãos ficaram um pouco frias e trêmulas e, quando ela olhou nos olhos de Severo, viu um irresistível brilho passar por eles. Sem conseguir controlar os seus lábios, disse:
- Você também é muito mais do que eu poderia imaginar...
- Como?
- Você é... real. Sabe, não é como os garotos com quem eu estou acostumada a conviver... Eles são tão iguais, tão... fabricados. E você é real.
Ela estava vendo direito? Aquilo era um sorriso se delineando nos lábios de Snape? Era tímido, era discreto e quase imperceptível... mas estava lá! Seria efeito da poção?
Os olhares se cruzaram, ligados por uma energia quase palpável. E por um longo minuto, assim ficaram... sem uma só palavra, sem um só gesto... apenas com os olhares e os coração martelando em seus peitos...
...até que batidas na porta os trouxeram de volta para o mundo real.
Florência sobressaltou-se e corou, enquanto Severo apenas abaixou a cabeça e respirou fundo.
- Erm... Eu acho que já é seguro. Eu já posso sair daqui e ir dormir, certo?
Snape, sem olhá-la, limitou-se a responder.
- Claro. Sim.
Ela lentamente e com bastante cuidado se levantou e tentou se afastar da mesa e da poção... Mas inexplicavelmente conseguiu tropeçar em suas próprias pernas. Cairia sobre o caldeirão e derramaria tudo, caso Snape não tivesse corrido em sua direção e segurado-a.
Os dois se olharam.
O cheiro de jasmim nunca foi tão fortemente exalado por ela e Severo logo se perdeu na imensidão daquele olhar. A vermelhidão que ainda afogueava as suas faces a deixava com um aspecto adorável de timidez, deixando-a mais bela que nunca. Os lábios de Florência se partiram num suspiro e ela fechou os olhos. Severo molhou os lábios.
O seu corpo reagia, empurrando-o para mais perto...
E ele obedeceu aos seus instintos.
Os seus lábios se partiram e, lentamente, dirigiram-se para tomar os lábios dela.
Quase se tocando... tão próximo... era possível sentir a sua respiração...
E a porta se escancarou.
Imediatamente, Severo a soltou e Florência caiu no chão. Por impulso, ele usou a varinha para impedir que o caldeirão fosse derrubado... E, mesmo sem desejar, virou-se par ver quem interrompera aquele momento.
Era Louise, amiga de Florência, que olhava para os dois com uma óbvia expressão de choque.
- Florência Smithers, o que você estava fazendo?
Florência fechou os olhos pesadamente, ficando mais vermelha.
Maldita maçã!
Justamente a pessoa que ela não queria que visse qualquer interação mais íntima entre ela e Snape, tinha os visto quase se beijando.
- Amiga – Ela disse, se levantando –, não conte a ninguém!
- E quem acreditaria em mim? – Ela guinchou, chocada.
- Por favor... – Florência implorou. – Escute, eu ia cair, e derrubar o caldeirão, e ele me segurou! Só isso!
- Claaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaro... acredito...
- É sério!! – Ela desesperada, aproximou-se da amiga. – Acredite em mim! Ele não faz o meu tipo!
Snape bufou.
- Smithers, é melhor você ir se deitar e eu cuidarei da poção pelo resto da noite. Quero ganhar a competição e a última coisa que eu preciso é de uma pessoa azarada aqui.
- Concordo... Eu vou dormir e... até amanhã!
- Amanhã nos encontramos nas estufas.
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Reviews, por favor!
Bjus para a Shey, minha mana adorada do coração, que betou mais esse cap para mim! E, logicamente, para as lindas que revisaram: LPM3, Tina Granger1, Luci, Nandinha, Natii, Olivia Lupin, nathsnape e teH Weasley
