Título: Amsterdam

Autora: Clara dos Anjos

Classificação: PG-13

Gênero: Acction/Adventure/Romance

Spoilers: Harry Potter e o Enigma do Príncipe


Amsterdam (a fanfiction) © Clara dos Anjos

Amsterdam (a canção) © Coldplay


CAPÍTULO QUATRO

De gritos, sorrisos e surpresas


And it's you I see,
But you don't see me
And its you, I hear,
So loud and so clear
I sing it loud and clear
And I'll always be waiting for you
E é você quem vejo
Mas você não me vê
E é você quem eu ouço,
Tão alto e tão claro
Eu canto isso alto e claro
e eu sempre estarei esperando por você

Shiver, Coldplay


Potter...

Não era o tal amiguinho de infância do bastardo do Sirius?

Sim... é claro que era... Há maravilhosos anos que eu não vejo meu primo, mas muitas coisas ainda estavam frescas na minha memória...

Potter!

O arqui-rival de Snape! Haha, eu queria que ele estivesse aqui agora...

Esquadrinhei Potter mais uma vez, dos pés a cabeça, tentando me lembrar... Mas eu não tinha mais dúvidas... Eram justamente aquele rosto magro, aquele cabelo desgrenhado e o brilho daqueles óculos em meio a sombras que eu tinha avistado no momento de minha queda... Ah, estafermo! Eu tinha que me vingar! Ora, ele estava a minha mercê agora! Literalmente, aos meus pés!

Olhei para Rodolphus novamente.

– Ele era um dos amiguinhos do meu primo, Sirius. – expliquei. – Viviam agarrados, pelo que ouvi falar... – acrescentei, com um rápido sorriso. – Pena que ele não está aqui pra te ajudar, não é Potterzinho?

Eu ri, meus colegas também, embora eu percebi que meio forçadamente e sem o meu entusiasmo.

Meu olhar recaiu em Potter: seu rosto estava lívido, apático, sem expressões, o olhar cansado e indiferente a tudo ao redor, principalmente a nós. Confesso que estranhei um pouco... Afinal, ele me encarava com uma intensidade tão absurda há minutos atrás...

– Bem, comecemos então. – disse Avery, esfregando as mãos e apanhando a varinha. – Por qual deles primeiro? O Potter ou a outra que também está acordada?

– É bom que déssemos um jeito de reanimar os outros dois. – opinou Rodolphus. – Seria mais vantajoso fazermos quatro falar ao invés de dois.

– Sim, mas creio que não seja possível. – argumentei.

– Por quê?

– Você sabe o feitiço que os deixou assim? Eu não.

– Mas foi você mesma que torturou essa mulher! – contrapôs o meu marido, referindo-se a ruiva ao lado de Potter.

– É, mas o Cruciatus não deixa ninguém desacordado, que eu lembre... – disse eu, enrugando a testa, tentando ser coerente. – Muito provavelmente alguém a acertou com alguma coisa depois de mim.

– Como assim alguma coisa? – perguntou Avery.

– Outro feitiço. – respondi, impaciente.

– Bom... – suspirou Rodolphus, com as mãos nos bolsos e dando uma boa olhada nos quatro prisioneiros. – Quem sabe eles acordem, não é? – disse, do outro lado da pilastra.

– Podemos tentar uns feitiços mais tarde – arrisquei.

– É, também acho. – disse Avery.

Potter ainda permanecia igualmente cabisbaixo, uma aura de fraqueza... juntamente com tédio o rodeava. Eu não tinha muita certeza, mas aquele bruxo estava começando a me intrigar... Não sei... Talvez seja... cisma? Continuei fitando-o, e estreitei meus olhos.

– Deixem-me com Potter, rapazes. – sibilei, enfim. No mesmo momento, Rodolphus, Avery e o próprio Potter olharam em minha direção. – Fiquem com a outra bruxa... Deste aqui eu faço questão.

Os três homens continuaram me encarando, cada um com diferentes graus de estupefação. Eu me sentia rindo por dentro.

– Bella... – começou o Sr. Lestrange. – tem certeza?

– Absoluta. – respondi prontamente. – E Avery podia tentar reanimar os outros enquanto eu tort... digo, enquanto eu você trabalhamos com esses dois, Rodolphus.

Avery me encarou com os lábios entreabertos.

– Ahh... concorda? – Rodolphus se dirigiu ao nosso colega, após longos segundos.

– Que seja, ora essa!

Os dois homens trocaram um olhar significativo. Mirei-os desconfiada, mas logo ouvi Rodolphus começar a trabalhar na tal bruxa, e despertei.

Avery se encaminhou para o outro lado da pilastra e começou a cantar uns feitiços estranhos para o bruxo desacordado.

E então... sobramos! Eu, Potter, e sua namoradinha desacordada... O espaço parecia infinitamente mais amplo de repente.

Encarei a minha vítima – pela milésima vez? – e umedeci meus lábios. Devia estar parecendo obscena, mas para mim é inevitável quando se trata de torturas... Ainda mais aquela... Os planos do Lorde das Trevas giravam em segundo plano na minha cabeça. Eu queria apenas vingança.

Não costumava concordar com coisa alguma que Severus Snape dizia – porque éramos como água e óleo –, mas apesar disso, ele merece o meu reconhecimento por algo excepcionalmente perfeito que disse um dia:

A vingança é muito doce.

Sim...

No meu caso, açucarada com quilos e quilos do mais puro mel de abelha.

Vislumbrei o olhar de James Potter novamente em mim, mas ele logo o desviou quando eu o encarei. Parecia mais carregado de animosidade do que nunca...

Agora.

A vingança é muito doce.

Crucio!

O feitiço o sacudiu ligeiramente quando o penetrou, como se eu tivesse disparado algo metálico... Ele berrou. Seus sapatos arranharam o piso quando sacudiu as pernas...

Eu ria baixinho.

Finalizei, enfim, mas devia ter deixado mais tempo.

Potter sorveu o ar, a cabeça pendida molemente. Manchas avermelhadas se espalhavam por suas faces e pescoço. Lentamente, ele ergueu a cabeça, e seus cabelos estavam ainda mais espalhados pela testa.

­­­– Doeu muito? – sorri.

Ele torceu o lábio inferior, me encarando com tanto desprezo quanto quando falou, roucamente, pela primeira vez desde que o vi preso:

Morra, desgraçada.

Ah... Eu gargalhei.

A raiva de Potter era tudo o que eu precisava naquele momento.

Sorrindo jubilosamente, eu disse:

– Humm... Qual será o seu limite, James Potter? – avancei uns passos contra ele. Era possível ouvir sua forte respiração à minha distância. – Será que você é páreo para uma vingativa Sra. Lestrange? – sorri de novo. – Sabe, meu querido, experimente o doce sabor da vingança qualquer dia desses... Garanto que você não vai se arrepender... – minha voz não passava de um sussurro. Umedeci meus lábios. – Se é que você terá tempo, não é mesmo?

Mas nossos olhos se encontraram de novo, e o meu sorriso morreu rapidamente. O olhar assassino de Potter me perfurou quase que dolorosamente... Ele entortou os lábios num meio sorriso de desdém.

É isso mesmo, o desgraçado sorriu.

– Vai me matar, é?

Eu não sei o que me irritou mais, se foi o tom propositalmente baixo e debochado que ele usou, ou se foi o pequeno – eu disse pequeno! – arrepio que senti com o som daquela voz fragilmente rouca...

– O que acha?

– O que eu acho? – replicou, ainda (aparentemente) fraco e rouco. – Que vocês nunca perderam tanto o tempo de vocês com essa palhaçada toda, e pior, achando que vão obter alguma vantagem mantendo a gente preso aqui... O que eu acho, Lestrange? – ele ergueu uma das sobrancelhas. – Que vocês não passam de uma corja de estúpidos que seguem esse babaca que é mais estúpido ainda, e eu pouco me importo com o que você vai fazer comigo. – Não sei porque, mas eu não conseguia interrompê-lo como sei que devia fazer... eu queria ver... queria ouvi-lo para ver até onde iria chegar... eu estava bebendo cada palavra que ele dizia. – Pode se vingar o quanto quiser, Lestrange... Não vai ser menos ridícula se não fizer isso.

– Ora, CALE ESSA BOCA! – explodi na mesma hora. Preciso dizer que eu estava espumando? – O que pretende hein, seu amante de sangues-ruins? Antecipar sua morte?

– Ho ho! – ele sorriu, desta vez abertamente (diabos, porque eu estremeci de novo?). – Não ia fazer isso de qualquer jeito?

– Não tenha dúvidas de que sim! – repliquei, meu peito arfava rapidamente. – Mas não pense que vou lhe dar esse gostinho tão rápido... Não! Você vai engolir essa sua arrogância primeiro antes de conhecer o inferno.

– Pensei que eu já conhecia. – retrucou, inabalável.

Fiquei em silêncio por poucos e longos segundos, meus olhos pregados aos dele. Sorri.

– Então seja bem-vindo, querido. Crucio!

Mantive um bom tempo desta vez. Eu o via se contorcer, aquele brado rouco e grave, os óculos que escorregaram para a ponta de seu nariz. A vingança é muito doce.

Muito.

Parei. Mas não deixei tempo para que ele resfolegasse pela segunda vez...

Crucio!

Eu ri. Um riso meio vazio... logo perdeu a graça.

Quebrei o feitiço.

Potter estava com a cabeça jogada para trás, seu pomo de adão subindo e descendo...

Não era como das outras vezes.

Não estava sendo como das outras vezes.

Aquela sessão de tortura estava sendo diferente.

Eu me sentia diferente.

Por quê?

Eu também gostaria de saber...

Eu gostaria de saber por que eu não despregava os olhos de Potter. Por que... por que eu perdia tempo "dialogando" com ele... por que eu tinha aquele desejo interno de prolongar aquilo tudo o máximo possível, quando normalmente costumo ser ansiosa e rápida para arrasar uma pessoa com dor... Por que a maneira como eu encarava seu sofrimento era diferente da que era nas outras vítimas...

E, acreditem, ele nem fazia o meu tipo.

Pelo menos era o que eu achava...

Antes de pensar duas vezes, ouvindo-o arquejar e vislumbrando de relance seus óculos caídos no colo, aproximei-me.

Ele não percebeu, a cabeça pendida como se estivesse desmaiado. Continuou assim quando me agachei em sua frente.

– Ora ora, você não sabe limpar esses óculos, Potter? – eu disse, em tom assustadoramente casual; digo assim porque na mesma hora, quase ri quando eu o vi erguer a cabeça surpreso. – Está mais sujo que o chão, pois é.

Disto isto, peguei-o e com um toque de varinha em cada lente, aquelas coisas totalmente embaçadas ficaram transparentes.

Tudo bem. Não tentem entender Bellatrix. Eu mesma fui a primeira a desistir...

Depois, toquei o queixo de Potter com a ponta dos dedos, como se fosse analisar seu rosto. Ele se esquivou de mim na mesma hora, mas eu virei a cabeça dele para a minha direção de novo e sem hesitar, meio rispidamente (meio?).

– Veja só... – murmurei, segurando o queixo dele com força. – Você parece outra pessoa... mas... humm... acho que não. – Ele abriu a boca para falar alguma coisa que eu nunca soube o que seria, porque quando ele viu minhas mãos segurando os óculos dele e encaixando-o em seu rosto, pareceu perder a voz. – Eu gosto assim...

Ele crispou as sobrancelhas, e abriu um sorriso pequeno e meio sem forças.

– Você é louca! – cuspiu ele, incrédulo e debochado.

Um grande estrondo fez todos os conscientes daquela sala virarem a cabeça em direção à única porta que havia. Estava escancarada. Emoldurado pelo batente, Walden Macnair parecia afoito e mais pálido que um Inferi.

– OS AURORES ESTÃO AQUI! RÁPIDO, PRECISAMOS DETÊ-LOS!

– Demônios! – Avery xingou alto. – Vamos, vamos!

Saiu correndo. Rodolphus xingou também e foi ao seu encalço.

Meu coração palpitava rápido. Muitas coisas giravam na minha cabeça, mas não havia tempo para respostas.

Meu olhar esbarrou no de Potter, e eu rapidamente me levantei, segurei firmemente minha varinha e avancei correndo para a porta, sem olhar para trás.

Ela fez um grande ruído seco quando passei correndo e tranquei-a com magia.


Continua...


N/A: Ah, POV da Bellinha é tão divertido! Haha ri que nem uma retardada escrevendo... Ai ai... (suspiro) meus dedos estão se coçando para começar a escrever as acctions! (perva) (risos) -Bem bem... euquero é que AGRADECER a Ayami-chan e Victoria Black-Lupin pelos rewiews incentivadores! Desculpem a demora, mas como já disse, até eu gostar do que frustradamente eu estava escrevendo... o tempo passava... Obrigada mesmo, e não sumam! (risos de novo)

E que venha o 5º! xD