A sensação de amargor em minha boca não foi pior que ficar ao lado de Mr. Uchiha. Fiquei esperando minha mãe falar com os pais de Karin, enquanto encaro Fugaku.

— Sei que não é o melhor momento Sakura, mas convidei a Mebuki para o noivado da minha ex-esposa, e gostaria que você fosse também. — Fugaku diz, quebrando o silêncio.

— Noivado da sua ex? — Questiono. Era sério que ele esperava que eu participasse do evento? E como minha mãe pode aceitar?

— Sim, nós temos uma relação muito amigável, ela é mãe dos meus dois filhos. Eu quero que a Mebuki se sinta parte da família. E você também — ele insiste.

Parte da família... De certa forma isso me fazia sentir um frio na espinha.

— Não a pressione, pai. Ela acabou de saber do seu relacionamento com a mãe dela. — O filho dele interviu, e de certa forma me senti aliviada.

— Tudo bem, não queria ser inconveniente. Mas, Sakura, sinta-se a vontade para acompanhar sua mãe. Ficarei muito feliz se vier — Fugaku articulou.

— Está certo, vou pensar nisso. — digo. E tomo mais um gole do café.

Vejo que minha mãe volta para o jardim.

— Vamos ter que ir embora Fugaku, preciso falar pessoalmente com os pais da Karin e ajuda-los no que for preciso — minha mãe diz. Fico aliviada de sair daquela situação. Mas ainda muito preocupada com Karin.

Fugaku e Sasuke nos acompanharam até a saída. Por uns segundos constrangedores, vejo minha mãe beijar Fugaku.

— Foi um prazer conhece-lo Sasuke — minha mãe diz.

— Igualmente, Mebuki. Vemos-nos no noivado — ele diz. Eu murmuro uma palavra, eu quis dizer "tchau", mas acho que saiu outra palavra qualquer.

Assim que entramos no carro, me preparo para a bronca que vou levar.

— Sakura, comece a explicar direitinho o que aconteceu com a Karin ontem — minha mãe me olha furiosa. — Suas amigas sempre foram em casa, e os pais delas sempre confiaram em nós. Agora a Karin desaparece, como vou me explicar para os pais dela?

— Mãe, eu não sabia de muita coisa, a Karin estava saindo com um homem, um homem mais velho. Até ela chegar em casa ontem, eu não sabia que ela ia sair. Olha, eu não sei nem o nome dele! — despejo as palavras.

— Homem mais velho? Isso está ficando cada vez pior! — Minha mãe dá partida no carro. — O que mais você sabe?

— Eu não sei muita coisa, entende? Ele queria manter segredo, até mesmo das melhores amigas.

— Vamos rezar para que ela volte logo para casa, e que nada de mais grave tenha acontecido, e bom, não consigo nem te colocar de castigo por ter acobertado a sua amiga. Afinal, você nem sai de casa. Mas, vou reforçar, escola, trabalho e casa, ok? — minha mãe diz. Até me sinto um pouco ofendida. Contudo, tinha que concordar, eu nem saia de casa.

— Ok... — murmuro.

Os minutos depois foram angustiantes. Quando encontramos os pais de Karin, mal consegui falar tamanho o desespero que eles transpareciam. O primo de Karin, Naruto, era da policia. Por isso, uma viatura já estava parada em frente à casa de Karin.

Tentei falar o máximo que eu sabia sobre o homem que Karin saia Contudo, dizer que ele gostava de Cappuccino não era uma boa pista. Era o ridículo o quanto que eu sabia.

1. Ele um homem mais velho.

2. Cabelos grisalhos

pedia Cappuccino

o Vanilli

(embora a informação não fosse 100% confiável).

Não era muito que eu sabia, e existiam milhares de pessoas que se encaixariam nesse perfil. Acabei dizendo tudo que eu sabia, e tentei me desculpar por ter encoberto Karin, contudo os pais dela estavam muito apavorados para dar atenção.

Minha mãe e eu fomos embora pra casa.

— Eu acho que a Karin só esta assustada, talvez tenha passado a noite fora e ficou com medo do julgamento — minha mãe levantou a hipótese.

— Eu não sei. Ela me deu a certeza de que iria voltar pra cá ontem. — falo. Pego meu celular e mando mensagem pra Ino contando sobre Karin.

— Lembra o que Naruto falou? Às 72 horas de desaparecimento são muito importantes. Ela vai voltar.

— Eu espero mãe — a abraço. Eu estava com medo. Queria muito que Karin aparecesse, mas a angustia que eu sentia me dizia que algo havia acontecido.

|... |

No dia seguinte eu fui pra escola e me encontrei com Ino na entrada do colégio. Até o momento não tivemos mais nenhum sinal de Karin.

— O que acha que aconteceu com ela? — Questiono. Enquanto tomava um café expresso.

— Eu pensei que ela tivesse dormindo com o Cappuccino, mas depois da mensagem que ela te mandou, acho que ela fugiu — Ino disse.

— Ino, a Karin não iria fugir, ainda mais sem se despedir de nós.

— Será? Ela estava tão louca por esse cara. Dizendo estar apaixonada. Acho que ela fugiu para não ser mais julgada por nós, e pela sociedade né. Afinal esse cara era vinte anos mais velho que ela. — diz enquanto pega o livro em seu armário.

— O que? O Cappuccino têm 37 anos? Como você sabe — Indago abismada.

— Sim, Karin deixou escapar na aula de Biologia que ele era vinte anos mais velho que ela.

— Ok, e ela disse algo a mais?

— Não. Sei tanto sobre ele, quanto você.

— Bom saber a idade já é alguma coisa.

— Calma Sakura, ela está bem. Temos algo pra nos preocupar agora, você fez o dever de literatura? — Ino questiona. E sinto um peso de quinhentos quilos em minhas costas.

Estou arrasada! Nunca na minha vida eu deixei de fazer um dever. Justamente o dever de literatura? Será que eu deveria fingir uma dor de barriga e voltar pra casa?

— Eu esqueci... — murmuro aborrecida.

— Você esqueceu? Você nunca esquece um dever!

— Eu estou com muita coisa na cabeça. E agora, o que vou fazer?

— Explica a situação professor. Vocês são quase parentes agora, não é? — Ino debocha. Eu havia contado pra ela na noite anterior sobre a situação constrangedora, e é claro, era adorou.

— Não tenho alternativa — digo. Entramos na sala e sento na frente, como de costume.

Meu celular apita, penso que pode ser Karin.

"São precisos dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar."

Chacoalho a cabeça, mal acreditando no que havia lido.

Meu coração dispara, não era uma mensagem de Karin, mas sim, de um número desconhecido. Fiquei em choque, mil teorias se passaram em minha cabeça. Eu tinha certeza que Karin estava correndo perigo, e tinha certeza que essa mensagem era uma ameaça.

Então engulo em seco, em uma luta particular para conter as lágrimas.

Quando Mr. Uchiha entra na sala, tento pensar em alguma desculpa para não ter feito o dever. Eu podia ter feito qualquer outro dia na semana, era algo simples. Contudo, eu passei a semana toda distraída, completamente dispersa. Não havia desculpas, e eu teria que encarar isso.

— Bom dia pessoal! Vocês fizeram a lição de casa? É a primeira nota do semestre. Vou avaliar o texto e a interpretação de vocês — Mrs. Uchiha já chega recolhendo os deveres. E quando ele aparece para recolher o meu, tenho vontade de desaparecer.

— Eu... Eu não fiz — digo. Mr. Uchiha me olha. Seu rosto está indecifrável.

— Que decepção Sakura. Sinto muito, mas você não vai poder participar da dinâmica— ele diz. O que me faz afundar mais ainda em minha carteira.

Ele segue a aula. E sorteia as redações.

— Como eu havia dito, hoje não vou avaliar a escrita de vocês. Somente irei avaliar a interpretação, por isso, pedi para que não colocassem nome nas redações. Mas, era óbvio que todos deveriam entregar, embora alguns não tenham feito isso. — senti a indireta.— Aos que não entregaram, vou dar uma chance na próxima semana. — Me sinto aliviada por um momento. — Para ser justo a nota será menor.

Prosseguindo a aula, boa parte da sala havia feito o texto e a interpretação. É claro que rolou uns pré-julgamentos. E brincadeiras. Quando o sinal tocou, peguei minha mochila e decidi sair correndo, assim como fiz na semana passada, contudo, não foi possível sair sorrateiramente.

— Senhorita Haruno, pode ficar mais um minuto? — Mr. Uchiha pergunta.

Meu coração vai parar na garganta.

— Posso — respondo, sem ter alternativa. — Nos vemos mais tarde — me despeço de Ino.

Assim que os alunos saem Mr. Uchiha fala:

— Queria que ficassem claro algumas coisas... Foi você que deixou esse café em minha mesa? — ele questiona apontando o copo de café.

— Não.

Vejo que está escrito "Café Caramelo na embalagem".

— Eu não gosto de Café com caramelo.

— Hum... Entendo. Bom, quero deixar claro que, mesmo que nossos pais estejam namorando, em sala de aula, somos somente aluna e professor, não posso te ajudar ou relevar deveres não feitos. — ele diz. Fico brava por ele pensar que eu queira me aproveitar do relacionamento de nossos pais. — Espero que não confunda mais. — finaliza.

— Em nenhum momento eu pensei que você me ajudaria por nossos pais estarem junto. Além do fato de que não sou eu que estou confundido o nosso relacionamento. Somos aluna e professor. Correto, Mrs. Uchiha? — Inquiro. Ele não me responde. — Vou me atrasar para minha próxima aula. — falo e saio da sala.

Tenho a sensação de ter falado demais. Contudo, o fato dele pensar que eu queria tirar vantagem do relacionamento dos nossos pais me deixava possessa de raiva.

|...|

No final da semana tenho a sensação que Karin não iria voltar. A policia estava procurando-a e todos da vizinhança já sabiam. Os Uzumaki queriam abafar a situação, contudo após uma semana o caos começou. A Sra. Uzumaki não queria falar comigo, pois acreditava que eu era condizente com Karin, então eu tive que acompanhar o caso do desaparecimento de longe.

O primo de Karin, Naruto, era muito legal. Era mais velho que nós, tinha 26 anos. E ele era como um irmão mais velho para nós. Dava-nos conselho e brincava junto quando éramos criança; Apesar de ter se afastado quando fez dezoito anos. Pensei em dizer pra ele sobre a mensagem que recebi. Mas preferi ficar calada, pois não queria alarmar ninguém. Afinal, podia ser apenas uma brincadeira maliciosa.

No café Vanilli fico muito atenta a cada cliente que entra, contudo, não consegui descobrir nada. Quando chega o final de semana o meu único compromisso é dormir. Até que minha mãe aparece no meu quarto segurando um vestido azul turquesa.

— Hora de se arrumar — ela diz.

— O que? Me arrumar pra dormir?

— Engraçadinha... Hoje é o noivado da Mikoto... ex do Fugaku. Fomos convidadas... Lembra?

— Eu não vou nesse noivado. E você também não deveria ir. Que coisa maluca!

— Olha, eu não queria ir. Mas o Fugaku insistiu muito. E não quero ir sozinha.

— Você não vai estar sozinha, seu namorado vai te levar.

— Mas eu não conheço ninguém. Você é minha filha, tem que me apoiar. — Começou a chantagem emocional.

— Mãe, eu não quero ir.

— Por favor, eu te tiro do castigo...

— Estou bem de castigo. — replico.

— E se eu te der aquela coleção de livros que você pediu? — Minha mãe me pegou em um ponto fraco.

— O que mais? — Vejo se consigo tirar mais alguma coisa.

— Deixo você dirigir o carro... — ela diz quase que se arrependendo. Minha mãe nunca me deixava dirigir.

— Ok, eu vou. — digo, vencida.

— E vai por esse vestido? — questiona. O vestido era horrível. Sinceramente o gosto da minha mãe por moda, era pior que o meu. O vestido não tinha forma, era quadrado e, veludo estava fora de moda.

— Esse vestido é horrível, mãe.

— Isso faz parte do acordo, você vai à festa com o vestido, eu te dou a coleção de livros e deixo pegar o carro. Se não, nada feito.

— Ok. — aceito bufando.

Minha mãe vibra e vai para o seu quarto se arrumar. Deixo para me arrumar trinta minutos antes de sairmos. Às seis e meia tomo um banho e coloco o vestido. Seco meu cabelo e como de costumo passo protetor labial. Calço uma sapatilha e por fim estou pronta. Minha mãe aparece no quarto completamente embonecada. A noção de estilo da minha mãe era duvidosa. Vestido turquesa na altura dos joelhos e um decote bem generoso. Maquiagem exagerada — Batom vermelho, blush um pouco rosado demais e sombra verde nos olhos, acho que ela queria destacar os olhos. E para fechar o look uma sandália de salto prateada — O que não era tão ruim.

— Sua maquiagem está um pouco exagerada — digo.

— Eu gosto assim — ela diz. — Você vai de salto — diz e me entrega um sapato de salto de tamanho médio na cor preta.

— Eu estou confortável.

— Sakura, ninguém usa sapatilha com um vestido de festa. Por favor, coloca. — Minha mãe me olha tão furiosa que não vejo alternativa, se não, trocar o sapato.

As sete e quinze Fugaku chega para nos buscar. Ele trajava uma roupa casual, camisa polo azul marinha e calça de sarja preta. O local do noivado era a antiga casa de Fugaku, a qual ele deixou para a ex-esposa.

Ao tocar a campainha, logo a porta se abre. Somos guiados até o jardim, onde seria a festa. Logo que chegamos, tenho um choque visual. Ninguém estava usando vestidos como eu e minha mãe. Sinceramente, nós estávamos ridículas.

Todas as mulheres trajavam vestidos clássicos, e quase que em sua maioria, pretos ou beges. Novamente, tenho vontade de sumir. Percebo que minha mãe também fica sem graça. Mas a vergonha só iria aumentar dali em diante.

— Olá, que bom que vieram — Uma mulher nos cumprimenta. Sua pele era clara com o cabelo longo, preto, com franja penduradas em cada lado de seu rosto e seus olhos eram negros. Ela vestia um vestido de modelo evasê bege, com recortes em renda. Minha mãe a olhou de cima a baixo, é claro que percebi a mulher fazendo o mesmo. — Sou Mikoto, prazer em conhece-las — ela nos cumprimenta. — Fico feliz que tenham vindo.

E alguns minutos constrangedores se passaram, Mikoto apresentou o seu noivo Takashi, e logo percebi que ela não era tão apaixonada por ele, pois ficou um bom tempo de olho em Fugaku. Minha mãe também percebeu e não ficou muito feliz.

Sentamos em uma mesa e decidi que iria ficar lá o resto da noite. Era constrangedor demais estar vestindo aquele vestido. Minha mãe pareceu um pouco triste e tentei anima-la, dizendo que estava bonita. Logo uma figura masculina surge em nossa mesa, rapidamente percebo a semelhança dele com Fugaku.

— Itachi Uchiha, filho mais velho — ele se apresenta rapidamente. Itachi possuía olhos de ônix e cabelos negros que eram puxados para um curto rabo de cavalo. Ele também tinha franjas que emolduravam o centro do rosto que se separavam e se estendiam até o queixo. A característica mais marcante dele eram suas longas rugas sob os olhos.

Novamente as apresentações. Cumprimento-o e minha mãe faz o mesmo. Itachi senta conosco e logo após outro Uchiha chega. Parecia que Mr. Uchiha veio preparado para dar aula, pois, estava vestindo com uma camisa social branca em conjunto de uma calça social na cor cinza.

Festas eram o meu martírio. Eu não era tão antissocial, mas cumprimentar pessoas o tempo todo não era uma grande alegria. Eu só queria ficar no cantinho, comendo. O Uchiha mais novo cumprimenta a toda e senta-se ao lado do pai na mesa. Itachi não fica muito tempo na mesa, pois logo se levanta para conversar com uma garota.

Depois de algum tempo, Fugaku se ausenta da mesa e permanece um bom tempo desaparecido. O que faz com que minha mãe também se levante da mesa e vá procura-lo. E então, lá estou eu, sentada de frente para Mr. Uchiha, sem a menor vontade de dialogar com ele.

— Sua amiga apareceu? — ele questiona.

— Ainda não... — respondo.

E a conversa parou por ai. Pego a bebida que minha mãe estava tomando, acreditando que era água, contudo, ao tomar constato que era uma bebida alcoólica. Disfarço a cara feia e engulo. Aquilo iria me ajudar a aguentar a festa.

— Eu acho que vou procurar minha mãe — falo.

— Vou com você, afinal, você não conhece a casa — Mr. Uchiha diz, e sem opção, aceito.

Entramos na casa e subimos a escada.

— Será que eles estão em um momento intimo? — questiono. E logo depois me arrependo de ter dito, minhas bochechas queimam.

Mr. Uchiha ri.

— Acho que não. Eles não fariam coisas aqui — ele responde. Ouvimos alguns murmúrios e uma porta está entreaberta. De soslaio olho dentro. Vejo Fugaku dentro do quarto beijando uma mulher. Isso era constrangedor, mas o pior era que aquela mulher não era minha mãe e sim, Mikoto.

Fiquei chocada.

— Temos que sair daqui — puxo Mr. Uchiha. A tensão era tanta que não tive tempo pra pensar. E antes que eu percebesse estava segurando a mão do meu professor.