Capítulo 04: The Guy Without Feeling
-
Kouyou apressou o passo, sabendo o quanto estava atrasado para a reunião do grêmio, mas não conseguia conter a vontade de ver aquele maldito moreno que vinha perturbando seus pensamentos nos últimos três meses.
Akira costumava dizer que Yuu era um idiota e que só estava usando-o. Kouyou concordava plenamente com o amigo, mas era completamente apaixonado por Yuu pra refrear a vontade de ficar algumas horas com ele, mesmo que aquilo prejudicasse seus compromissos.
Encostou-se em uma coluna ao canto do pátio que dava para a entrada do colégio, desviando os olhos para o visor do celular, lendo pela quinta vez a mensagem que havia recebido há alguns minutos atrás. Guardou o celular no bolso, cruzando os braços impacientemente, se perguntando por que simplesmente não ignorava o pedido de Shiroyama de encontrá-lo e ia logo de uma vez para a sala do grêmio?
Mas não demorou muito para que visse um carro preto sendo estacionado do outro lado da rua e logo em seguida saía Yuu, fechando a porta antes de atravessar a rua despreocupadamente.
Kouyou conteve um suspiro ao sentir um arrepio gostoso percorrer sua pele só com a visão perfeita que era Yuu. Akira não podia culpá-lo tanto assim por ser tão apaixonado pelo moreno. Quase podia se sentir derreter quando sua pele era tocada pelas mãos dele, fossem os toques suaves ou os mais intensos.
Mesmo assim ele se manteve com a expressão impassível, não dando idéia sobre o que pensava. E já tinha o típico olhar de indiferença dirigido ao moreno, quando este se aproximou, um sorriso malicioso adornado por um piercing negro em um dos cantos do lábio inferior.
- Que cara é essa, Kou-chan? Não me diga que ainda está chateado comigo? – Yuu perguntou há apenas dois passos de distância do mais novo.
- Eu preciso ir para o grêmio, então é melhor você me falar logo o porquê de ter pedido pra me encontrar aqui.
- Estava com saudades, Uruha – murmurou, quase encostando o corpo ao dele e o loiro não conteve o novo arrepio ao escutar o apelido que havia ganhado do moreno um pouco depois que se conheceram.
- Faz quase duas semanas que você não liga pra mim, Yuu. Esse tempo todo sem dar notícias, sem responder aos meus telefonemas, minhas mensagens. E agora você aparece dizendo que está com saudades...?
Shiroyama passou uma mão pelos cabelos e o mais novo já sabia que aquilo significava que ele estava sem paciência para questionamento.
- Eu estive muito ocupado com o trabalho... – respondeu como se aquilo fosse o suficiente para aplacar o mau-humor do estudante.
Uruha o olhou claramente frustrado com a resposta e sem dizer nada, se desencostou da coluna em que estava apoiado, com intenção de ir de uma vez para a sala do grêmio.
Mas antes mesmo que se afastasse, Yuu o puxou pelo pulso, fazendo com que ele batesse as costas com violência na coluna, o corpo do outro colado ao seu. Quando percebeu já estava com os lábios do moreno pressionados aos seus com força, a língua pedindo passagem, sendo prontamente atendido.
E ele se sentia um idiota por ceder daquela forma, por ao invés de afastar o moreno, suas mãos o puxarem para mais perto, abraçando-o e demonstrando com o ato o quanto tinha sentido falta dele aqueles dias.
Mas sabia que Yuu sequer percebia isso, que ele estava mais preocupado em beijá-lo de forma intensa, sem se preocupar com suas vontades, sem querer conversar ou aprofundar aquele relacionamento.
Kouyou tentou parar o beijo, afastando o mais velho pelos ombros e ao partir os lábios e abrir os olhos, o fitou de forma magoada, questionando-o mudamente o porquê de ser daquele jeito, de ser sempre deixado em segundo plano.
O moreno afastou a franja da testa do loiro, querendo amenizar o clima pesado e roçou os lábios carinhosamente no canto da boca dele, sabendo que o mais novo nunca resistia a aquele gesto.
Yuu adorava o perfume de Uruha, a pele macia dele, o olhar sempre tão distante e a sagacidade por trás de cada gesto. Mas ele só queria aproveitar alguns momentos com o estudante. Não era dado a relacionamentos sérios e tinha coisas mais importantes com o que se preocupar. Fosse o trabalho na empresa de publicidade do avô, a faculdade ou quando preferia simplesmente ficar trancafiado sozinho em seu apartamento.
Ele costumava dizer que não tinha nascido para conviver socialmente.
Talvez por isso gostasse tanto da companhia de Uruha. O loiro não falava muito, apreciava o silêncio até mais que Yuu e parecia também ter a mesma dificuldade em conviver com as pessoas.
Mas nas últimas semanas ele vinha exigindo mais atenção, querendo conversar mais, buscando algo que Yuu sabia que não poderia dar.
E se fosse um pouco mais sensato, teria simplesmente não aparecido mais, como tinha feito com os relacionamentos anteriores. Mas ele era quase viciado nos toques e carinhos de Kouyou. E talvez ter dito há alguns instante que estava com saudades fosse a coisa mais sincera que havia falado ao outro durante aqueles três meses.
- Uru-chan... – chamou, arrastando os lábios até o pescoço dele e encaixando-os ali. – Eu estou de folga o resto da tarde. Você não quer ir lá para o meu apartamento e...
- Eu já disse que tenho a reunião do grêmio estudantil, Yuu – o mais novo respondeu de forma firme, as mãos espalmadas no abdômen de Shiroyama pronto para afastá-lo de si.
Mas desistiu quando os lábios insistentes dele beijaram seu pescoço, podendo sentir o toque gelado do piercing. E era sempre assim. Ele acabava se rendendo a Yuu, esquecendo-se de suas obrigações, ignorando qualquer outra coisa ao seu redor quando o moreno estava por perto ou em seus pensamentos.
Ele teve a vaga consciência de suas mãos indo até a cintura do outro, puxando-o mais para perto ao ter a pele do pescoço sugada, o toque quente da língua do mais velho fazendo-o com que sua nuca arrepiasse.
Tentou falar que não podia ficar daquele jeito ali, que realmente precisava ir embora, mas perdeu qualquer linha de raciocínio quando sua pele foi mordida sem muita força, as mãos presas frouxamente na camisa de Yuu e os lábios sendo comprimidos para conter um gemido.
Ele nem havia notado os três garotos que se aproximavam, muito menos Akira que havia presenciado a cena quase do início.
- Yuu... – sussurrou, os olhos cerrados com força e o corpo completamente apoiado na coluna que enfeitava o pátio. – Pare...
E mesmo que houvesse pedido para ele parar, foi com surpresa que sentiu o mais velho se afastando, abrindo os olhos meio assustado. Mas compreendeu imediatamente o que tinha acontecido quando viu Akira segurando o ombro de Shiroyama e afastando-o, se colocando no meio e puxando o loiro pelo pulso.
- Kou, você não tinha que estar no grêmio desde o final da aula? – Akira perguntou, o tom de voz ameno contrastando com o olhar reprovador e ignorando solenemente o fato de Yuu estar ali também, atrás de si.
Yuu por sua vez, achou melhor não dizer nada, sabendo o quanto Akira podia ser temperamental quando se tratava de defender Uruha de pessoas mal intencionadas.
Kouyou assentiu para o amigo, abaixando os olhos, as bochechas coradas e deixou-se ser puxado por ele.
- Eu espero você – Yuu disse, antes que se afastasse, indicando que ficaria ali até o loiro sair do colégio.
E Uruha já sabia que se apressaria em terminar a reunião o mais rápido possível, só pra poder aproveitar o tempo que o moreno disponibilizava a ele naquele dia, mesmo que se sentisse um tolo por agir daquele modo.
Ruki levantou cedo, coçando os olhos e já praguejando em um mau-humor extremo. Havia ido dormir antes da hora do jantar, sem comer nada desde que chegou do colégio e estava morto de fome. Ainda por cima não tinha feito o dever de casa e com toda certeza levaria uma bronca do sensei na frente de sua turma.
Preguiçosamente ele se levantou, jogando as cobertas de qualquer jeito antes de ir até o banheiro e tomar um banho rápido. Se arrumou sem muito cuidado, vestindo o uniforme do colégio e colocando as lentes de contato. Como nem tinha tocado na mochila desde que voltou para casa no dia anterior, seu material já estava pronto e ele só teve que descer e tomar o café da manhã com calma.
Se despediu dos pais e ficou sentado do lado de fora da casa esperando Kai e Nao chegarem. Não demorou muito para que os amigos aparecessem e o pequeno os cumprimentou sem muito animo, murmurando que não estava a fim de conversas, por isso percorreram todo o caminho até o colégio em silêncio.
E assim que chegaram, Ruki já ia correr para a sala de aula, evitando assim encontrar Suzuki, mas como tudo nunca acontecia como ele desejava, lá estava o sempai na entrada do pátio, os braços cruzados, com a feição tão ou mais mal-humorada que Ruki.
Mas foi só ver o mais novo que ele sorriu, acenando com uma das mãos.
Takanori pensou em fingir que não tinha visto, mas mudou de idéia quando Suzuki levou a mão que acenava até a boca, bocejando, fazendo com que Ruki lembrasse de si mesmo e das varias vezes em que chegava cedo só para ver Takashima.
Se permitiu dar um fraco sorriso, uma sensação de familiaridade com a cena e disse aos amigos que fossem na frente que ele iria falar com Suzuki antes.
- Ohayo, Suzuki-sempai – cumprimentou, vendo o sorriso do mais velho se alargar.
- Ohayo, Taka-chan! Eu estava esperando você chegar – Akira já não tinha rastro de mau-humor em suas feições, apesar de claramente sonolento, o tom de voz alegre. – Etto... eu estive pensando e... – ele colocou as mãos no bolso da calça, abaixando um pouco o rosto, sem fitar o garoto a sua frente. – Você... É-é que eu... queria saber se você não quer ir ao cinema no domingo e...
Ruki conteve o riso diante da timidez do outro, o fato de estar sendo chamado para sair pela primeira vez acabando por passar despercebido. Ele nunca imaginaria que alguém como Suzuki seria tão tímido daquele jeito.
Já Akira tinha levantado os olhos, encarando o menor em expectativa, esperando uma resposta. E ao se dar conta disso o mais novo corou, só então percebendo que o estavam convidando para um encontro.
De imediato ele pensou em recusar, não complicar mais ainda a situação, mas não conseguiu dizer não ao encarar Akira nos olhos, tendo certeza que ele estava corado por debaixo da faixa no rosto.
Takanori melhor do que ninguém sabia o quanto era ruim ansiar por algo que nunca conseguiria e se Akira estava passando por tudo aquilo era por culpa da poção que bebera. Estava sendo tão egoísta em só ver o seu lado da história, lamentando o tempo inteiro por não ter um segundo sequer de atenção de Takashima e de ter que fugir de Suzuki, que sequer se preocupava em pensar no que se passava com Akira.
Então por que não assumir logo parte da responsabilidade em relação aos sentimentos de Akira que só durariam duas semanas?
- Ah... s-sempai... – murmurou, sorrindo meio tímido. – Acho que podemos ir ao cinema sim – respondeu falando tudo muito rápido, as bochechas queimando e desviando os olhos do mais alto.
Akira sorriu, inconscientemente se aproximando mais e afagando os cabelos dele carinhosamente, fazendo o mais novo encolher surpreso com o gesto.
- Domo, Taka-chan! Eu te encontro às duas da tarde em frente ao cinema do centro, pode ser?
- Hai! – assentiu sorrindo e sem dizer mais nada se afastou, deixando um Akira radiante de felicidade sozinho.
Mas quando já estava longe o suficiente desfez o sorriso, se perguntando se aquele era mesmo o certo.
Porque estava começando a achar que talvez o mais correto fosse contar a verdade ao sempai antes que aquelas duas semanas fugissem por completo do seu controle.
Continua...
N.A: Mal teve Reituki, então vocês podem jogar jujubas em mim a vontade. Mas no próximo a coisa dá uma melhorada ^^
E quanto a AoixUruha, quando comecei a escrever a fic eu realmente ia colocar eles como um casal que aparecia com uma freqüência razoável nessa fic, mas depois desse capítulo eu tive idéia pra fazer uma side story só com eles. Então toda a história do relacionamento deles vai ficar praticamente só na outra fic. Mas eu não sei quando vou publicar porque ainda não terminei de escrever, o que não deve demorar muito já que provavelmente serão apenas quatro capítulos. Quando eu publicar eu aviso, tudo bem?
Obrigada por continuar comentando aqui Aislyn Matsumoto!
