Capítulo 4
Máscara da Morte tinha acabado de colocar uma roupa decente para subir até a casa de Peixes quando sentiu o cosmo de Virgem se aproximar. Saindo do quarto, encontrou o loiro já na porta, como pedindo para passar.
- Tá descendo? – a pergunta era idiota, e o canceriano bem o sabia. Mas a intenção era sagaz e certeira. Não havia nada para fazer da sua casa para baixo, a não ser que a intenção do virginiano fosse a casa de Áries.
- Afrodite me pediu para chamar o Mu. – Naquele jogo, Shaka também sabia jogar. Era pura provocação. Máscara de um lado, insinuando. E o loiro do outro, citando o nome de Afrodite no meio de uma conversa, como quem não quer nada, apenas para ver a ruga de indagação se formar na testa do italiano.
E lá estava ela. Ponto para o virgem.
- Afrodite pediu? – Como em um estalo, surgiu uma preocupação que o canceriano não entendeu. Por que, afinal, ele iria se preocupar se Afrodite tinha chamado Mu? Talvez nem fosse para assistir o filme junto com ele, como ele estava pensando. Talvez fosse um assunto rápido.
- É – disse Virgem – Ele convidou à mim e ao Mu para assistir um filme na casa de Peixes.
Cheque-Mate.
- Ah – foi tudo que Câncer conseguiu articular.
- Você já está subindo?
- Ah...já.
- Ótimo – disse o indiano – Olha, avisa o Dite que eu fui chamar o Mu, e que vou tentar convencê-lo a ir.
"Oh, por favor, não" – Máscara se viu pensando, mas obrigou-se a concordar.
E depois que Virgem saiu de seu templo, ele se estapeou. Mentalmente, é claro. E tentou achar uma justificativa que o ajudasse a compreender porque não queria Mu e Shaka compartilhando sua sessão de cinema com o pisciano. Acabou encontrando uma que serviu bem.
Ora, todo mundo sabia que Áries e Virgem estavam num relacionamento. Ou melhor, tinham uma "tensão sexual mal resolvida da porra". E com tudo isso, o ambiente ia ficar pesado. Ele e Afrodite ia ficar no meio de um campo de batalha sexual, e isso talvez desse idéias erradas para o pisciano.
Começou a subir até Peixes com esses pensamentos, e de nada adiantou encontrar Milo e Camus, em Escorpião, dizendo que logo iriam subir também.
- Questo frocio maledetto! – rosnou, enquanto terminava de subir, e entrava em Peixes. – Cheguei, bicha! – gritou ele.
A voz de Afrodite veio do quarto – Tá, senta ai que eu estou terminando de me arrumar. – disse ele – Vai escolhendo o filme.
Mas Máscara não podia se mexer naquele instante. Aquela voz, tão melodiosa. Aquele jeito tão doce. " Estou terminando de me arrumar". A frase rolava pela mente do cavaleiro de Câncer como se fosse um anestesiante. Fechou os olhos.
A imagem de um Afrodite seminu apareceu em sua frente, e o italiano abriu os olhos de repente, sentindo a respiração faltar.
- Está tudo bem, Máscara? – o pisciano o encarava intrigado.
- Tá...tá tudo bem.
O canceriano pensou que encontraria Afrodite completamente bem arrumado, como sempre. Mas se surpreendeu ao vez que o pisciano usava apenas uma calça de moletom, cinza.
Pensou melhor. Ele não estava mal arrumado, só não estava usando roupas de marca. Com toda beleza exótica que tinha, uma tolha enrolada na cintura já lhe seria suficiente.
Mas que droga! Ele não queria pensar nisso.
- Senta. – disse Peixes, visivelmente preocupado – Eu vou colocar uma blusa. Já volto.
O canceriano sentou-se. Do quarto, Afrodite continuava a falar com ele. – Eu...chamei Camus, Milo e Shaka para virem também. Você não se importa, não é?
- Não. Não me importo. – respondeu. Queria gritar que se importava sim, que não queria que aquelas bichas atrapalhassem uma noite divertida de filmes. Depois se arrependeu de pensar isto dos amigos. Afrodite também era gay, e era ele mesmo seu melhor amigo. Não era só porque agora o programa ia ser pra mais gente, que ia deixar de ser divertido.
- Mas como eu ia dizendo...ai eu dormi com o Aldebaran e, nossa, como ele é grande...
- AFRODITE! – gritou o italiano, horrorizado – DO QUE É QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO, BICHA MALDITA?
Mas o pisciano já estava gargalhando, apertando o estomago com os braços – Você devia ter visto a sua cara! – exclamou ele – Foi hilária!
- Não tem graça, frocio maledetto!
- Desculpe! Eu não resisti! – disse então, enxugando uma lágrima do olho direito – Mas você fica ai, com essa cara de paisagem, sem escutar o que eu estou falando.
- Tá...foi mal, pesce!
Antes que qualquer um dos dois tivesse tempo para falar mais alguma coisa, Milo surgiu com um balde de pipoca na mão. – Então, cambada, vamos assistir o que?
Discretamente, o italiano rolou os olhos. Afrodite sorriu – Pergunte ao Carcamano aqui – apontou para o amigo – Afinal, é ele quem escolhe o filme hoje!
- Tá bom! Escolhe logo essa merda, Máscara, e bota o filme para rodar! – Escorpião sentou-se relaxado sobre o sofá macio de Peixes. – Nossa, eu devia comprar um sofá assim para minha casa!
- Pois é – disse o sueco – Aproveita e, quando comprar, coloque seus pezinhos sujos sobre o seu próprio sofá. No meu não!
- Ai, Dite, as vezes você é tão "dona de casa". – reclamou o rapaz.
- Anda, Milo, tira os pés do sofá do Dite – reclamou Aquario, ao que o namorado aquiesceu, sentando-se comportadamente.
Não levou nem dez minutos para Milo voltar a colocar os pés sobre o sofá, e Afrodite achou melhor fingir que não estava vendo, para não se estressar.
- E esse filme que não começa?
- Deixa de ser imediatista, Escorpião! Ainda ta faltando o Shaka!
- E o Mu – completou Máscara. Afrodite o olhou de soslaio, consciente de que não tinha dito ao canceriano que Mu viria. – Shaka passou na minha casa, descendo, e disse que iria convencê-lo a vir.
- Ah, nem adianta esperar! – disse Camus, ao que todos olharam para ele – Não me olhem desse jeito, é obvio que eles não virão. Ora essa! Tendo Shaka em seu templo, sozinho com ele, vocês acham que o Mu vai mesmo perder a chance?
Ninguém quis admitir, mas todos sabiam que o francês estava certo.
Shaka desceu até a casa de Áries com pressa, mas assim que pisou ali, suas pernas fraquejaram e ele desejou não ter decido.
Estava com receio. Medo.
Mu estava lendo quando sentiu o cosmo de Virgem, e de inicio, pensou estar delirando. " Onde já se viu? Ando pensando tanto nele que agora dei pra imaginar cosmos".
Mas então percebeu que de fato era o cosmo de Shaka, e largando o livro de qualquer modo sobre o sofá, foi ao encontro do loiro.
Cumprimentou o amigo, e o convidou para entrar.
"Dessa vez, Shaka, você não em escapa!" – pensou Mu.
Na casa de Peixes, eles ainda esperaram por meia hora, ao som, é claro, dos calorosos protestos do cavaleiro de Aquario, que estavam insuportáveis até que Afrodite finalmente anunciou que não ira esperar mais. Então o francês cruzou os braços em uma expressão irritante de superioridade. "Eu disse", parecia estar escrito em sua testa.
Milo o cutucou discretamente quando Peixes e Câncer não estavam olhando – Não faça essa cara, Camuyu...
O francês fez um cômica e pueril carinha de "tanto faz", revirando os olhos e tudo, e fazendo o namorado sorrir.
Ele estava prestes a beijar-lo quando a voz de Máscara preencheu o silêncio – Pode parando com a viadagem aí!
- AH, não seja estraga prazeres, canceriano de uma figa! – brincou Milo, tacando em Máscara uma das almofadas enfeitadas de Afrodite.
- Se estragar a porra da almofada, vai ter que me comprar uma nova! - disse Afrodite. Como ele e Máscara estavam agachados perto da estante, escolhendo o filme, Milo e Camus tinham o sofá so para eles dois, e em um piscar de olhos, já estavam aos beijos.
Quando Máscara voltou-se para olha-los, não acreditou – Porra! Custa fazer isso dentro do quarto?
Afrodite gargalhava, e fingia reclamar – Ai, tão acabando com a minha inocência, porra!
Ai foi demais para todo mundo, e ninguém se agüentou sem rir. Inocência? Afrodite?
- Põe logo esse filme, Dite. Antes que o casal vinte aqui resolva incrementar a performance.
O filme era de terror, como todos os outros que Máscara adorava e fazia Afrodite assistir.
- Eu odeio você – Afrodite disse ao canceriano, logo depois da primeira morte do filme.
- Calma, Di. O filme mal começou. Você pode me odiar quando terminar.- e rindo, ele aproximou-se mais do pisciano e sussurrando disse – Não se preocupe, não vou deixar o Maníaco da Serra elétrica pegar você!
Ao sentir a proximidade entre os dois o coração do pisciano acelerou e ele fechou os olhos para acalmar-se. Concentrou-se no cheiro da pele do italiano.
Adormeceu.
Quando o filme terminou e Camus tinha levando um Milo quase adormecido para seu templo, Máscara resolveu acordar Afrodite para se despedir. Ele bem sabia que se o pisciano acordasse sozinho, iria começar a pensar que todos tinham sido pegos pelo tal assassino da serra elétrica.
Foi cautelosamente, cheio de cuidados, e tocou o ombro do cavaleiro.
A próxima coisa que se lembrava era do baque de seu rosto contra o chão, o braço estendido para trás e do peso de Afrodite sobre suas costas!
- Ai, me desculpa! – disse o sueco, soltando o amigo e pulando das costas dele para o chão, ao seu lado. – Eu me assustei. Pensei que fosse o assassino!
Máscara, já sentando, massageava o ombro direito – Porra, Di! Essa sua imaginação ainda me mata!
- Vou pegar gelo pra você! – disse, correndo para a cozinha.
Câncer pensou em dizer que não precisava, mas descartou a idéia. Se Dite queria pegar gele, que pegasse.
Logo o rapaz estava de volta. Trazia um pano com algumas pedras de gelo envoltas. Ele ajoelhou-se atrás de Máscara e pousou o embrulho congelado sobre o ombro – Está doendo?
- Não, Dite. Foi só o susto.
- Desculpe – disse o pisciano, baixinho. Ele pousou uma das mãos sobre o braço de Máscara. – Mas pelo menos eu sou magro, né? – riu-se – Imagina se eu fosse do tamanho do Aldebaran?
O canceriano também sorriu, e virando-se um pouco para ficar de lado para o amigo, olhou para Afrodite.
Ver aqueles olhos tão intensamente azuis, naquele rosto tão belo, emoldurado pela cascata de cabelos, também azuis, era como ver a perfeição.
Afrodite lhe sorria com doçura, e no momento seguinte, a mão do italiano enroscava-se com alguns fios de cabelo da sua nuca e a aquela boca quente e tão desejada pelo pisciano estava colada na sua.
N/A: Oi gente, aí está o capítulo 4, para comemorar um novo ano. Espero que tenham gostado desse capítulo, porque eu realmente curti escreve-lo. Tá certo que o final eu escrevi ontem, depois de tomar uns ices...e ainda por cima revisei hoje, de ressaca. xD
Tadinho do Camus, ficou parecendo um chato, mas ele é legal gente. ^^. E o Mu, safadinho, tá lá com o Shaka só para ele. hehe...
O próximo capítulo ja tá no forno, logo logo eu subo ele também.
Bem, espero que a passagem do ano de vocês tenha sido ótima! A minha foi divertida, bebi bastante, conversei, ouvi the gazettE até cansar...mas a dor de estomago que eu to agora, tirou a graça todinha. xD.
Beijos a todos,
Até o próximo capítulo.
Lika Nightmare.
Ps: Então...reviews gente! Façam essa pobre menininha tarada por Yaoi feliz e mandem reviews! ^^
Ps2: Se quiserem me mandar o Afrodite de presente também...tá valendo! ^^
Máscara da Morte: ¬¬
Eu: Haha, brincadeirinha, ALOKA! xD
Máscara: ¬¬
Eu: E não me vem com essa cara, que eu escrevo um lemon teu com o ALdebaran! E ainda te transformo em UKE!
Máscara: O.O
Leitores: *desconsiderando a pseudo-gracinha de fim de fic*
