Rufus, Tseng, Reno, Rude. As peças de um quebra-cabeças embaralhadas para montar uma história. Yaoi. Lemon.

[TsengxRufus][RenoxRufus].

Drama. Humor.


Beta-reader: Ryeko-Dono


Fragmentos da Companhia

Por Vovô (gosto de comer e dormir, não necessariamente nessa mesma ordem)


Capítulo 4

As visitas do jovem à sede da empresa estavam se tornando mais freqüentes. Ele estava à par de boa parte do que acontecia na ShinRa, comparecia a algumas reuniões, mas nunca lhe era permitido interferir. Ainda que fizesse algum tipo de comentário, esse sempre era repreendido pelo seu pai.

Os funcionários da empresa já estavam acostumados à presença do filho do presidente, mas sua passagem nunca era despercebida. Era só ele entrar no edifício com sua roupa feita sob medida, moldando seu corpo com perfeição, que olhares famintos se voltavam para o jovem.

Cumprimentos e sorrisos interesseiros era o que ele mais via em suas visitas.

Apesar de se concentrar nos negócios da empresa, a sua atenção não se resumia apenas a eles. Uma das suas poucas distrações era quando algum Turk passava em seu caminho. Talvez fosse algo com o uniforme, que despertava a imaginação do jovem, ou provavelmente o que se escondia por baixo das roupas. Quem sabe seria a idéia de força que era como se fosse uma aura emanada das figuras de ternos escuros. O pensamento de poder estar no comando de pessoas tão perigosas provocava algo dentro dele.

Quando um Turk sorria para ele, era uma das poucas vezes que ele abria um pequeno sorriso de volta.

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O céu estava decorado com as cores do pôr-do-sol, quase sem nuvens. Rude queria admirar a vista, sentir-se liberto de suas preocupações enquanto estava nas alturas, no entanto, algo o perturbava. Era o helicóptero se aproximando de maneira perigosa aos altos edifícios da cidade.

- Reno...

- Já sei, tá tudo sob controle!

- Não tá, não.

- Confia em mim?

- Não.

- Relaxa, eu não vou matar a gente antes da nossa... missão secreta. – Reno desviou o olhar para fitar seu amigo.

Rude queria que o ruivo não se distraísse com suas conversas e se concentrasse, mas ele não resistiu em perguntar.

- Mas que missão?

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O Turks foram ao prédio da ShinRa e levaram o filho do presidente até o carro.

- Vocês demoraram.

- Imprevistos em nossas missões – disse Reno enquanto dirigia loucamente pelas ruas de Midgar, fazendo ultrapassagens perigosas e alarmando as velhinhas que atravessavam as ruas.

- Se prestasse atenção nas aulas, não teria dificuldade em pousar – disse Rude.

- Aulas? Pra que preciso de aula? Eu aprendo as coisas naturalmente! Foi assim que aprendi a dirigir! – disse o ruivo ao ultrapassar o farol fechado e quase bater em um carro.

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- Fase 1 da missão concluída. Chegamos ao bar com sucesso. Melhor que isso só nos slums! – disse Reno ao entrar na espelunca de paredes desbotadas.

Rufus olhou para o local com estranheza e curiosidade. Nunca em sua vida ele esteve em lugar daqueles. Ele não estava acostumado a ver pessoas que não estivessem de terno ou roupa social. A confusão de estilos, cores de roupas, acessórios e penteados o fizeram ficar tonto por um momento. No meio deles Reno parecia até... mais um na multidão.

O ruivo colocou um braço sobre os ombros de Rufus e o levou até o balcão. O loiro podia sentir os olhares de espanto voltados para si, ele não podia evitar de se sentir deslocado... Mas havia sido ele quem quisera sair daquela sua prisão de luxo. Raramente teve oportunidade de conhecer outros lugares e ansiava por qualquer contato com o mundo de fora. O ar tinha um cheiro que ele nunca havia sentido antes... Uma porção de aromas confusos misturados.

Rude sentou-se ao lado de Rufus e observou a expressão sempre tão neutra ganhar ares de surpresa. Ele não achava boa idéia levar o garoto para um lugar como aqueles, mas quando soube, já era tarde demais... E ele precisava estar junto de Reno para que tudo desse certo... ou para ser esfolado vivo e terminar numa cova junto com ele...

- Fase 2 da missão pronta para entrar em ação! Você vai se sentir melhor quando a bebida chegar – disse Reno.

- Eu não bebo – falou Rufus.

- E por que quis vir a um bar?

Rufus olhava as fileiras de garrafas coloridas. – Por que você falava tanto e eu... quis ver como era.

- Não quer mesmo? – O ruivo ofereceu a bebida a Rufus, que negou com a cabeça. – Rude?

- Nunca acaba bem quando eu bebo.

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Algumas horas depois Rude ora olhava para duas amigas de saias curtas que cochichavam algo ao ouvido da outra, ora filosofava sobre alguma teoria confusa sobre a mente do ser humano. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo. Ele nem ligava mais com as tossidas de Rufus com o cigarro que Reno lhe oferecera. Rude olhou para o ruivo passar uma das mãos sobre a coxa do garoto como se fosse uma imagem distante, irreal. Tempos depois as mãos de Reno estavam dentro das roupas de Rufus e sua cabeça encostada no ombro do mais novo. Rude olhou para o lado... Não era para ele estar vendo aquilo. Ele tentou se convencer que era apenas o álcool em seu sangue. O Turk olhou para o outro lado e viu que a alguns bancos de distância havia uma moça com saia de colegial. Aquilo o fazia lembrar dos animes que via... Seu coração se acelerou. Enquanto ele reparava em mais detalhes com uma certa segurança sob seus óculos escuros, Reno abraçava Rufus e beijava seu pescoço. Quando Rude olhou mais uma vez para o outro lado, os dois haviam desaparecido.

Reno puxava Rufus para ver a banda que começara a tocar. O ruivo se esgueirou no meio da multidão e chegou quase perto do palco. O loiro estranhava o contato corporal que teve com dezenas de pessoas. Alguns esbarravam no garoto e ele era jogado para o outro lado com facilidade, devido a sua falta de equilíbrio provocada pela bebida. Rufus não bebia... até algumas horas atrás. Ele não entendia uma palavra do que o vocalista cantava e achava que o que estava tocando não passava de uma porção de barulhos desafinados.

- Reno.

O Turk nem tinha escutado com o volume da música.

- Reno! – gritou Rufus antes de puxar os cabelos do rapaz.

- Quê?!

As imagens rodavam sem parar na mente de Rufus. – Vamos para outro lugar.

- Ahhhh!! – Sorriu Reno ao entender a frase de um jeito malicioso, mas de qualquer forma, o garoto conseguiu o que queria ao sair da multidão.

Rude olhava para o lado, mas nada da moça voltar seu olhar para ele.

- Vai lá, eu iria, mas preciso acompanhar sua alteza. - Rude foi desperto do seu mundo de fantasia ao ouvir o outro Turk dar um tapa em seu ombro. Depois ele viu os dois irem para algum lugar que ele achava que era o banheiro.

Rufus foi empurrado para dentro de um cubículo e escutou uma porta se fechar. Ele sentiu os lábios de Reno sobre os seus e abriu-os para conceder acesso. A língua esbarrava contra a sua languidamente. Depois ele sentiu uma mordida no seu queixo e outras no seu pescoço.

Rude precisava beber mais para criar coragem. Ele não sabia por que se sentia tão nervoso naquelas horas... Talvez porque sempre que ele tentava, algo dava errado, como se ele atraísse o azar. Ele se perguntava por que os dois ainda não haviam voltado, já fazia um bom tempo... Só se... Rude não queria nem pensar.

- Yo...

- O que aconteceu?! – perguntou o Turk assustado ao ver o corpo de Rufus jogado contra o de Reno, os braços do ruivo suportando o peso.

- Ele se foi.

- O quê?!

- Ele apagou, dormiu... espero que não tenha desmaiado...

Rude levantou-se depressa do banco e checou o garoto.

- Vamos embora.

- Leva ele que eu vou ficar aqui no bar.

Inclinando a cabeça de maneira reprovadora, Rude lançou um olhar ameaçador por baixo dos óculos escuros. Ele teria assustado qualquer um, menos Reno, que sorriu.

- Não era sério! É claro que eu vou levar o peso morto pra casa!

Rude resolveu assumir a direção, porque se Reno já era daquele jeito sem beber...

Era madrugada... Como eles explicariam... o pequeno atraso em levar Rufus? Reno que arrumasse uma desculpa.

O ruivo estava deitado na parte de trás do veiculo, com a cabeça encostada à janela. Seu olhar passeando pela cidade silenciosa e iluminada. Rufus estava sobre ele, sua cabeça encostada em seu peito. Parecia uma posição incômoda a que ele estava, mas ele dormia tranqüilamente. Reno terminou seu cigarro e fechou os olhos enquanto acariciava os cabelos de Rufus. Depois ele se ajeitou no banco e puxou o loiro mais para cima. Ele virou o rosto do garoto e beijou seus lábios. As pálpebras se abriram para revelar um par de olhos azuis. Reno o encarava sem seu sorriso costumeiro. Ele olhava atentamente.

Rude não via aquela cena com bons olhos. Não que ele se incomodasse, Reno era seu melhor amigo desde a infância e ele não podia arriscar todos os anos de companheirismo por causa de uma opção sexual... Que ele já conhecia há muito tempo. Mas havia algo errado na história... Ele não confiava no garoto. Ele acreditava em Rufus, mas sentia que ele seria capaz de qualquer coisa... Que a verdade era que ele havia detectado um ponto fraco em Reno e se aproveitou disso para conseguir o que queria. Talvez fosse uma inocente ida a um bar... Mas o que seria depois?

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Após um dia de trabalho fazendo um relatório sobre alguns Turks que foram afastados definitivamente, Reno se dirigiu ao local em que Rufus morava.

- Por favor, pára com isso, faz mal – disse o ruivo ao vê-lo acender um cigarro.

O loiro olhou para o Turk como se não estivesse ouvindo direito. Já não bastava o que havia acontecido antes naquele dia, até Reno tentava controlar sua vida??

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De manhã, Rufus estava na sacada olhando a cidade, escolhendo a próxima localidade para uma aventura noturna longe do castelo das câmeras. Ele pegou um maço que obrigou Reno a entregar e tirou um cigarro. Logo após acendê-lo ele se surpreendeu ao vê-lo desaparecer de sua boca, cair e queimar sua mão antes de ir para o chão.

Tseng estava ao seu lado, olhando-o de uma maneira que significava que o garoto teria de se esforçar para ter sexo com o Turk.

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Reno estava sentado em sua cadeira no escritório, quando viu Tseng se aproximar, colocar um braço em sua cadeira e girá-la para que o ruivo o encarasse.

- Da próxima vez que eu vir um cigarro com o Rufus eu vou acendê-lo e apagar no seu olho.

Depois Tseng sentou-se em seu lugar e pediu um relatório sobre alguns Turks que foram obrigados a se retirarem mais cedo do mundo.

Reno engoliu em seco e pensou em ter uma conversa mais tarde quando fosse ver Rufus.

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As luzes do quarto estavam apagadas, mas o local era bem iluminado pelas luzes da cidade.

Rude mandou um e-mail para a sua família. Escreveu como seu trabalho estava indo bem. Que ele conheceu alguns outros lugares fora de Midgar e que mandaria lembranças para casa. Perguntou se os mais novos estavam indo à escola e se os mais velhos conseguiram emprego. Depois de desligar o computador, ele deu uma olhada no helicóptero que ganhou de Rufus. Um dia ele sairia outra vez para aqueles locais reservados da ShinRa e levaria o helicóptero para passear pelos ares sobre o gramado. Quem sabe ele estaria com aquela moça do bar ou aquela do supermercado... Se ele tivesse coragem para chamar alguma delas. Se ele pudesse, até levaria elas para passear num helicóptero da companhia.

As duas?

Por que não?

Mas era apenas um sonho. Ele não saberia quando teria a oportunidade de voltar àquele lugar... Muito menos com as duas. No entanto, sua mente gostava de imaginar...

Rude tirou os óculos e os colocou em um local especial do quarto, só para a sua coleção. Ele deitou em sua cama e viu que Reno ainda estava acordado, sentado em sua cama, olhando pela janela.

- Não tá conseguindo dormir?

Reno grunhiu uma resposta e continuou com a mente perdida em algum lugar.

Rude se ajeitou e tentou pegar no sono. Embora estivesse cansado, ele não conseguia dormir. Sua mente trabalhava... Meia hora depois ele abriu os olhos e viu Reno na mesma posição de antes.

- Preocupado? – Rude quase riu com o que falou... Se algum dia seu amigo estivesse preocupado com alguma coisa, seria realmente motivo para se desesperar. Provavelmente algum meteoro em direção ao planeta, no mínimo.

- Não.

Reno sorriu. Então ele deu risada. Não um riso debochado, apenas um riso.

- Que plano obsceno está planejando?

- Não sei... – O ruivo se deitou. – Talvez algemar um loiro e prender na cama. Ou encher com champagne aquela banheira enorme que eu sei que existe em algum lugar. Nunca fiz sexo mergulhado em bebida.

Os olhos de Rude se reviraram. Reno estava bem.

- Faz tempo que não vejo aquele loiro arrogante.

Ao longo dos anos, seus encontros ficaram bem mais escassos. Às vezes, quando Reno comia algum hambúrguer por aí, ele lembrava de quando levava algumas coisas da rua para as refeições secretas de Rufus. Por vezes, Reno até se esquecia de comer seu lanche enquanto lembrava de como derramava refrigerante de propósito no loiro. E depois ele recebia uma bronca e precisava compensar o estrago de alguma forma. E ele gostava de compensar. Muito.

Naquela noite, Reno não dormiu direito. Quando o sono tomava conta da sua consciência, ele sonhava que corria por corredores brilhantes e decorados. Ou então ele andava por alguns becos em uma noite fria de Midgar. Antes de acordar e ver que ainda era noite, ele imaginava que alcançava um amontoado de roupas brancas. Ao chegar mais perto, ele sentia o cheiro de um perfume caro, contrastando com seu cheiro de colônia barata e cigarros.

Os olhos esverdeados viram o sol encher o quarto com sua luminosidade matinal.

As brincadeiras haviam acabado.

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Os Turks corriam apressados, precisavam chegar rapidamente no reator Corel. Reno ainda estava anestesiado pela noite mal dormida. A viagem parecia ter durado uma eternidade, mas ao final, parecia ter sido rápida demais.

E Rufus estava dentro do reator. Não era mais o garoto que costumava ter em seus braços.

- Capturem o vice-presidente!

Veld, o líder dos Turks havia ordenado.

- Isso explica as coisas – constatou Reno.

- De como informações secretas vazavam – disse Tseng.

Os Turks estavam prontos para prender Rufus, quando vários terroristas os cercaram.

- Mate-os – disse o vice-presidente.

A ordem não foi uma surpresa para Reno. Era comum que sua vida estivesse sempre em risco. Mas engolir a ordem de Rufus para que os Turks fossem mortos, ainda era difícil. Se Reno não estivesse acostumado a apanhar da vida, ele cairia com aquele golpe.

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Estava chovendo. A água escorria pelas construções e pelas ruas, mas ele não podia ver de perto. 17 dias e 17 horas, foi o tempo em que esteve confinado até o momento. Seu pai nunca esteve tão enganado se pensava que prendê-lo o faria mudar de idéia. Era apenas uma questão de tempo, um dia ele sairia de lá e finalmente veria o velho pela última vez. Em um túmulo. Ele faria questão de comparecer ao enterro. Encheria o local de flores para disfarçar a podridão do cadáver.

E por que ele estaria errado? Fora o próprio presidente que havia dado ordens para instruí-lo para assumir o cargo. Rufus estava apenas cumprindo o que aprendeu por toda a sua vida. Havia erros no trabalho do presidente. Ele não só os corrigiria, como faria melhor.

Rufus não odiava seu pai. Apenas o via como um empecilho nos seus planos. E o que está em seu caminho deve ser retirado. Assim como os Turks. Ele sentiria mais pelas mortes deles do que a de seu pai. Também não os odiava. Eles tiveram sua serventia por um bom tempo, mas chegou uma hora em que apenas o atrapalhavam.

Não era como se ele nunca tivesse sentido nada por nenhum deles, mas para governar, ele não podia se abalar por sentimentos. Para ter o mundo em suas mãos, ele precisava ficar acima das pessoas.

Ele estava em um local secreto, sob a vigilância dos Turks. Aqueles a quem ordenou a execução e que o salvaram da morte. Tseng estava à porta do quarto escuro, muito menor do que o Rufus costumava ficar em sua casa.

O vice-presidente olhou para o Turk. Ele não pediria desculpas, não havia espaço para arrependimentos. Tseng também não as cobraria. Eles estavam entendidos sem ao menos trocar uma palavra sobre o assunto.

Rufus se lembrou da primeira vez que viu o Turk após os acontecimentos no reator e o seu confinamento. Ele estava checando se as acomodações do quarto estavam de acordo. Por um momento, o loiro havia desviado o olhar, mas logo encarou o par de olhos escuros.

Todos os dias ele o visitava para saber se o vice-presidente estava bem, se não precisava de algo.

Preciso que o velho morra para eu sair daqui. Foi o que Rufus pensou em responder um dia.

Tseng não ousava se aproximar, apenas olhava o rosto do loiro iluminado pelas luzes da cidade e as sombras das cortinas fazendo desenhos sobre a roupa branca.

Rufus abriu a janela e sentiu as gotas da chuva molharem seu rosto. Elas tocavam sua pele delicadamente. Ele queria que a água corresse pelo seu corpo, encharcasse suas roupas e sentir um frio que não pudesse ser controlado pelo ar-condicionado. Por que ele não podia sentir nada?

Alguns instantes depois, uma sombra se esgueirou sobre a figura perto da janela. Sem ao menos seu corpo ser tocado, ele entrou em contato com o calor que emanava da outra pessoa. Seus olhos se fecharam.

Depois de um longo silêncio, o vice-presidente se virou e olhares se cruzaram.

Tseng passou as mãos pelos braços de Rufus e os segurou firme. Alguns passos à frente e o loiro foi obrigado a ir para trás, até sentir a parede fria contra suas costas. Logo os braços do Turk envolveram sua cintura e o vice-presidente sentiu a parede fria se afastar quando seu corpo foi levado a encontrar o outro, porém ele entrou em contato novamente com o concreto quando foi prensado contra a superfície. Rufus passou seus braços em volta de Tseng e o segurou firme, em um abraço quase doloroso. E o Turk respondeu ao abraço com a mesma intensidade. O moreno respirou fundo e abafou um suspiro ao encostar sua boca nos cabelos loiros.

Rufus sentia quase uma tontura, seu corpo tremia pela maneira que o sangue pulsava em suas veias. Ele mordeu o colarinho da camisa de Tseng e sentiu o cheiro do Turk impregnado no tecido. Uma porção de palavras desejava ser pronunciada, mas o vice-presidente não as deixaria escapar.

As mãos de Tseng se afastaram das costas de Rufus, puseram-se sobre o colarinho da camisa do loiro e puxaram o tecido para cima. O loiro precisou seguir o movimento para que sua roupa não se rasgasse e se viu tentando suspender seu corpo em um ângulo pouco confortável. Os lábios do moreno esbarraram nos seus, para depois se fecharem sobre ele em um beijo que apenas os provocou, longe de satisfazer o que eles realmente queriam.

Quando Rufus abriu seus lábios os de Tseng se afastaram. O loiro estava quase protestando quando foi surpreendido pelo Turk, que empurrou seu corpo para a cama. O vice-presidente desabou sobre ela de uma forma não muito graciosa, e Rufus estaria prestes a reclamar... Se ele conseguisse pensar em algo com Tseng sobre ele. Seu rosto estava pressionado contra o colchão e sua camisa estava sendo tirada... O Turk nem se preocupou em abrir os botões e poupar uma entre as dezenas de camisas caras de Rufus.

Tseng terminou de despir o rapaz, jogou as roupas sobre a cama e passou as mãos pelas costas do vice-presidente. Rufus sentia sua respiração se acelerar ao sentir as unhas arranharem suas costas devagar. O loiro tirou o resto de suas próprias roupas e eles se afastaram para que elas fossem retiradas do caminho.

O moreno admirou o corpo de Rufus enquanto passava suas mãos por ele. Tseng virou um pouco o rosto de loiro para que ele pudesse finalmente beijá-lo. Sua língua esbarrava na outra com volúpia, enquanto sua mão buscava o órgão de Rufus. O vice-presidente gemeu com o beijo, sentindo sua boca ser invadida continuamente, no mesmo ritmo em que a mão se movia sobre ele. Rufus estava em uma posição desconfortável, sentindo o torso de Tseng contra suas costas, precisando virar seus ombros, pescoço e rosto para ser beijado. Ele sentiu o órgão coberto de Tseng encostado e Rufus se moveu contra ele, esfregando-o. O Turk fez ainda mais pressão, movendo-se contra o corpo. Rufus esticou sua mão e encontrou o membro de Tseng, acariciando-o sobre a calça. O moreno libertou seu órgão e deixou Rufus manuseá-lo. Ele colocou seus dedos dentro da boca do loiro e os sentiu sugados. Quando ele os retirou e inseriu um de cada vez na abertura de Rufus, ele escutou uma série de gemidos abafados. Os dedos estavam sendo apertados com firmeza dentro do corpo e ele sabia que sentiria ainda mais pressão quando ele o penetrasse. Ele imaginou a cena enquanto, quase que impacientemente, tentava preparar o vice-presidente.

Quando Tseng terminou, ele olhou para o corpo exposto pela posição do loiro e encostou-se. Rufus ficou um pouco tenso pelo contato e o moreno sentiu a pressão. Ele tentou abrir passagem, mas sentiu os músculos resistindo.

Rufus fechou os olhos, tentando relaxar. Ele respirou fundo algumas vezes e deu a Tseng o comando para continuar. O membro o preencheu profundamente. A cada investida, o órgão entrava mais até que chegou a ir tudo o que podia. Rufus sentiu Tseng mover-se com intensidade, rápido demais. A dor viajou pelos músculos do loiro, abraçando seus sentidos. Ele se perguntou se o Turk estava fazendo aquilo com o propósito de puni-lo de alguma forma, mas ele duvidou que fosse o caso. Rufus sabia o desespero pelo qual o outro deveria estar passando.

Quanto mais Rufus tentava esquecer o que estava sentindo, mais seu corpo respondia contra a ação e ele pressionava o órgão com força dentro dele. Tseng liberou um gemido rouco e Rufus se contorceu. O moreno massageou os ombros e as costas do loiro, inspirou e parou brevemente. Sua mão segurou o órgão do vice-presidente e se moveu sobre ele. Quando sentiu a resistência diminuir, ele voltou a penetrá-lo devagar.

Rufus segurou os lençóis com firmeza, sentindo seus olhos se umedecerem mais à medida que o ritmo aumentava. Ele gemeu alto quando o órgão foi introduzido com força e ao mesmo tempo encontrando um ponto que o fez gemer ainda mais.

Era tudo muito intenso, o prazer e a dor que era tão grande que de uma maneira se transformava em mais prazer.

Quando Tseng diminuiu o ritmo outra vez, Rufus quis reclamar. O Turk ainda queria que o momento durasse mais e se concentrou em esfregar o órgão do loiro. Ele sentia tanta falta dos gemidos do vice-presidente quando ele estava prestes ao clímax, o sêmen cobrindo sua mão e tocando a pele do loiro, os músculos apertando seu órgão, fazendo seu gozo preenchê-lo, escapar do seu interior e escorrer. O pensamento quase fez Tseng perder o controle, então ele voltou a se concentrar em proporcionar prazer a Rufus. Apenas quando ele percebeu que o loiro estava quase se perdendo, ele se permitiu voltar a penetrá-lo com intensidade, fazendo o prazer circular pelo seu corpo e o de Rufus.

E tudo aconteceu como costumava ser. Gemidos desesperados. Corpos se encontrando. Calor intenso. E tudo combinado com um prazer que tomava conta de tudo.

Tseng continuou até não poder mais. Por um instante, ele quis permanecer para sempre naquele momento.

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O corpo de Rufus ainda estava tremendo. Suas forças esgotadas. Ele ouviu a janela do quarto se fechar. Com esforço, o loiro abriu seus olhos. Tseng havia se recomposto e estava para sair. Como sempre. Mas desde o primeiro dia do confinamento, era a primeira vez que Tseng deixava um vice-presidente exausto.

O Turk se aproximou da cama e afastou fios loiros da testa de Rufus. Ele o beijou como se sua vida dependesse daquilo, roçando seus lábios calorosamente contra os outros, lambendo, mordendo e procurando desesperadamente a oura língua. Tseng sugou os lábios duas vezes mais antes de se separar relutantemente.

- Quando estiver pronto, seu banho estará preparado. Eu preciso ir.

E então o Turk saiu para uma missão. Como sempre.

Rufus estava sozinho, mas como ele desejou que tudo voltasse a ser como antes.

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Continua...

Agradeço a quem está lendo!

Bianca, obrigado por deixar review! E sobre a pergunta do Tseng... acho que deu para responder pelo final desse capítulo. Sempre missões ocupando ele... ou será que tem algum motivo inexplicável que faz um ser humano tomar certas atitudes...? Acho que agora mais confundi do que expliquei... Eu gosto de deixar algumas coisas livres para o leitor imaginar o porquê. O autor acha que há duas explicações: a racional, que um Turk tem muito trabalho em horas desagradáveis; e a que ele não pode dizer, que tem medo de se entregar demais sabendo que tudo é incerto pelo papel que ambos desempenham.

Desculpe o atraso...