Autora: Blanxe

Revisora: Andréia Kennen

Casal Principal: Sasuke + Naruto

Gênero: Yaoi, Angst, Romance, Drama

Aviso 1: As partes em negrito e itálico indicam conversas internas entre Naruto e Kyuubi.

Aviso 2: A história desvirtua completamente a partir daqui.

Aviso 3: Queria divulgar também o amv trailer que a Karura Shinigami fez pra Essência e este pode ser em acessado pelo link na página do meu perfil aqui no fanfiction, ok? Espero que gostem!


Meu amor, aquela pessoa serena que plantou flores
para mostrar o quão feliz estava por tê-lo conhecido
não existe mais…

(Kakan – Tsukiko Amano)

oOo

Itachi morrera…

Naruto quase não acreditou no dia em que ouviu. Não queria crer que Sasuke realmente havia ido tão longe e cumprido sua vingança. Mas, acima de tudo, precisava negar sua falha em não ser capaz de evitar que aquilo ocorresse.

O perdera mais uma vez, mas, enquanto seus companheiros retornaram para Konoha, ele pediu para continuar a busca por mais um tempo.

Decisões precisavam ser tomadas, porém, necessitava encontrar Sasuke, nem que fosse uma última vez, e assim, ver com seus próprios olhos que a pessoa por quem estava perdidamente apaixonado, optaria por seguir por outro caminho; um caminho o qual não cruzaria mais com o seu por um bom tempo, ou quem sabe, nunca mais.

As palavras de Kyuubi repetiam-se em sua mente. Naruto já fora um menino irresponsável, tivera sua parcela de erros, mas agora era diferente. Levou a mão ao ventre, em meio à corrida e pode sentir, mesmo que infimamente, a energia que emanava do ser que fora gerado dentro de si.

Fora egoísta aquele tempo todo, pensando em seus sentimentos, obcecado por trazer Sasuke de volta à Konoha. No fundo, gostaria de continuar com aquela meta, mas Kyuubi tinha razão: Não estava mais sozinho, tinha que considerar os riscos de sua nova situação.

Estaria mentindo se dissesse que, acostumara-se com a ideia de estar carregando uma vida dentro de si. Era difícil de acreditar, mesmo que houvesse pedido ao demônio por aquele milagre. Contudo, havia um indício que fazia se tornar real: aquela pontinha de energia que seu corpo acolhia e que pouco a pouco se engrandeceria.

Um filho…

Onde estava com a cabeça quando desejara algo assim?

Só tinha dezesseis anos, era um garoto, vivia para ser ninja, lutar e defender sua vila. Como pudera deixar de ponderar tudo isso quando Kyuubi lhe oferecera ajuda?

Internamente riu. Sabia exatamente onde estava com a cabeça: Sasuke. Sempre Sasuke. Fora um pedido egoísta, pois na verdade, esse era o sonho dele e não seu. Queria fazê-lo feliz e sequer pensou em sua própria felicidade. Entretanto, sabia que a alegria dele era o que o deixaria contente.

Mas agora, refletindo mais racionalmente, percebia que nada dera certo. Não foi como Naruto imaginara. Gostaria de ter sido aceito primeiro, que seus sentimentos fossem correspondidos, para só então propor a Sasuke a possibilidade de refazer o clã que tanto queria ver reerguido.

Queria ter tido tempo.

Primeiro trazer Sasuke de volta, acostumar-se com sua nova condição…

Mas nada em sua vida fora mesmo gradativo. Tinha que encarar a realidade.

Uma realidade que ele ainda não sabia como iria lidar, mas encontraria um jeito de sobrepor qualquer que fosse a dificuldade, porque dentro de si crescia um pequeno Uchiha.

A floresta onde se encontrava terminaria em breve, mas foi obrigado a parar por um tempo e descansar, pois não queria exaurir seu corpo. Sentou-se ao pé de uma árvore e comeu uma fruta para assentar a revolta em seu estômago, enquanto sentia o vento gelado bater em seu rosto. Naruto não se importava com o tempo que mudava para um clima mais frio. Estava na pista certa, segundo um dos cães rastreadores que o acompanhava, e pretendia achar Sasuke. Entretanto, deprimia-se ao recordar-se do que havia passado; como fora envolvido por aquilo que Kyuubi chamou de cio, de como perdeu o controle e agora…

- Por que está tão amargurado, humano? – Kyuubi quis saber, sentindo o seu hospedeiro abatido.

- Eu não quero falar com você, 'ttebayo… - foi respondido, secamente.

O demônio vinha incomodando-se cada vez mais com as aflições de seu Jinchuuriki que também o atingiam. Continuava tentando ignorar o quanto este sentimento vinha crescendo, mas havia momentos - como aquele -, que não conseguia ficar calado.

- Só por que eu fiz o que você queria? – insistiu em perguntar, com o tom desdenhoso.

- Não era pra ter sido assim. – Naruto resmungou, abocanhando um pedaço da fruta em suas mãos, com vontade. - Você sabe muito bem o que eu queria.

Kyuubi gargalhou. Naruto era ingênuo, mesmo tentando aparentar o contrário, continuava um garoto inocente.

- Romance, palavras bonitinhas sussurradas ao pé do ouvido… - debochou, sentindo o estresse que impunha ao humano. - Tome jeito, fedelho, você não é uma fêmea!

- Não é isso, idiota! – o loiro esbravejou, e, mesmo negando, corou vergonhosamente, indicando que as palavras de Kyuubi eram verdade. - Como eu vou prosseguir com minha promessa agora?

- Pelo menos, vai deixar de se arriscar. – a raposa replicou, contundente.

Naruto ficou quieto, pensando, para depois de um instante, acusar:

- Você parece ter feito isso de propósito.

- Talvez eu tenha feito. – Kyuubi respondeu-lhe, displicente.

Naruto conscientizou-se, enfim, que poderia ter caído em um novo truque do demônio. Estava possesso há muitos dias por ele tê-lo feito entrar naquele cio, sem ao menos alertá-lo de que poderia ocorrer. Pensava que, de alguma forma, Kyuubi queria defender o corpo onde estava selado, temendo perecer junto consigo. Porém, essa auto-preservação não era desculpa para brincar com seu organismo e, principalmente, seus sentimentos.

- Se eu pudesse o mataria agora mesmo, Kyuu. – grunhiu, plenamente sincero em sua ameaça.

O demônio tomou uma postura mais agressiva dentro de si e mostrou-se tão impiedoso quanto Naruto em suas palavras:

- Eu também adoraria cortar sua garganta com minhas garras, mas estamos presos um ao outro, então, tenho que me conformar em bagunçar a sua vida.

- Pois, sinta-se orgulhoso, você conseguiu! – explodiu, jogando a maçã que comia para longe, tamanho era o ódio que sentia por estar preso a uma condição inesperada.

Kyuubi percebia o inconformismo que fluía em Naruto, bem como a raiva que era direcionada intensamente para si. Tomando uma postura mais sarcástica, querendo amenizar a raiva de seu hospedeiro, ele ralhou:

- Não seja tão melodramático. Não é tão ruim quanto parece.

Ficando emburrado e buscando controlar a sua ira, Naruto indagou:

- Quanto tempo vai demorar?

- Felizes e calmos nove meses, garoto. – respondeu sabendo que Naruto ponderava sobre o período que teria que esperar para poder voltar sua perseguição ao melhor amigo. Por isso, aconselhou: - Esqueça o Uchiha.

- Eu não posso! – Naruto exclamou, frustrado.

Inconformado com a persistência do loiro, Kyuubi fez questão de repetir o que o humano sabia muito bem e frisar qual deveria ser sua prioridade.

- Se não quiser colocar em risco a vida do filhote, vai ter que abdicar dessa sua doença por esse Uchiha. Você não é uma fêmea, seu corpo vai sentir as modificações agressivas ao ter outro ser crescendo dentro de você e pode não se adaptar; existem riscos, até mesmo com você afastado do campo de batalhas.

- Por que não me avisou disso tudo antes? – Naruto questionou, consternado.

Kyuubi fez pouco caso ao expor a verdade:

- Não era de meu interesse.

Naruto arregalou os olhos perante a confirmação de que o demônio omitira muitas coisas em prol de algo que queria alcançar. Temeu a resposta para a pergunta que direcionaria ao nove caudas, mesmo assim, o inquiriu:

- Qual o seu interesse nisso tudo, Kyuubi?

Uma risada ecoou em sua mente e o silêncio foi toda a resposta que recebeu.

oOo

Havia vencido.

Realmente vencido.

Seu irmão estava morto.

Mas o que restava para si, depois disso?

Sua meta de vida havia sido cumprida, mas o que ficara no lugar daquele sentimento intenso de ódio e desgosto, fora um rombo. Não havia mais a raiva para preencher aquele vácuo, não existia mais a fúria para motivá-lo a continuar o que quer que fosse.

Enquanto a chuva caia, um sorriso leve surgiu em seu semblante enquanto deixava o corpo cair de encontro ao chão.

Não havia mais nada vivo dentro de si. Nada além daquele sorriso aberto: a única expressão que continuava a aparecer toda vez que fechava os olhos, como naquele momento.

Mas a beleza daquele sorriso foi ofuscada mais uma vez, quando novamente o ódio ressurgiu dentro de si.

O que mais poderia sentir ao ter a verdade sobre seu clã e os reais motivos de seu irmão ter feito tudo o que fez, desvendados repentinamente por aquele homem: Madara Uchiha.

Quem Madara fora, ou era, não importava para si. O que havia sido feito a Itachi era mais do que imperdoável e os únicos culpados estavam em Konoha.

Em sua mente, o seu objetivo se reacendera: punir.

Mas, o destino continuava lhe pregar peças e querer confundi-lo, desviá-lo de seu caminho, por isso, o empecilho – sua fraqueza – precisava ser eliminado sem mais delongas.

Ele o encontrara. Não havia interesse de Sasuke, saber como ou de que forma descobrira seu paradeiro, só importava que estavam frente à frente. Ele era o último obstáculo para acabar com resto de humanidade que existia em si.

O resto de seu time não estava por perto e agradecia por isso. Aquela luta – aquele momento – era somente deles.

Depois que eliminasse Naruto, Konoha viria abaixo.

- Eu não quero lutar com você, teme. – escutou-o dizer com a voz rouca, que continuava aguçando seus sentidos.

- Que azar eu não pensar o mesmo, Naruto. – Sasuke retorquiu.

Estavam no centro de um desfiladeiro e ante a sua primeira investida, o loiro desviou e, por um instante, achou ter visto um misto de resguardo e medo nos olhos azuis. Aquilo o agradou, mostrava uma vantagem, pois, visivelmente, Naruto hesitava.

Tornou pleno seus ataques, fechando os ouvidos ante a voz que lhe gritava, internamente, para parar antes que fosse tarde demais. Ainda tinha uma consciência, mas ignorava veementemente suas súplicas.

Naruto sentia-se impelido a contra-atacar, mas temia por seu estado. Queria somente tentar convencer o moreno a retornar para Konoha, sem brigas, quem sabe, conversar e saber o porquê dele não ter retornado ao país do fogo após ter cumprido sua vingança, ou simplesmente colocar algum senso na cabeça de Sasuke. Qualquer coisa, precisava daquela chance.

Mas a agressividade do melhor amigo o chocara. Ele parecia realmente disposto a executá-lo e a simples noção de que não significava nada para o moreno, o feria mais do que qualquer machucado físico.

Tinha poucas opções nas mãos e enquanto buscava evadir os ataques do companheiro, desesperava-se na escolha de uma delas. Poderia continuar se esquivando e buscar trazer algum senso a mente de Sasuke; ou simplesmente, abandonar tudo e fugir…

- Lute com ele! – Kyuubi esbravejou em sua mente.

A distração fez com que vacilasse por um segundo e a lâmina da espada de Sasuke resvalasse seu braço, fazendo um corte profundo.

Deu um salto para trás, segurando o braço ferido e encarou firmemente o moreno.

- Lute. – insistiu o demônio. - Eu protejo o filhote.

Esperava que Kyuubi estivesse certo sobre poder proteger seu filho, pois fugir com o rabo entre as pernas, decerto, não era uma opção e Sasuke parecia possuído demais para escutar a razão de suas palavras.

Uma última luta, uma última tentativa… Só mais aquela vez.

- Obrigado, Kyuu.

Agradecendo a raposa, Naruto tomou a postura que tanto lhe fazia bem: a de não recuar, não desistir. Com um grito de pura frustração, que ecoou pelas paredes do desfiladeiro, o loiro avançou contra o outro adolescente.

Sasuke se defendeu, admirado com a mudança de atitude de seu rival. A desconfiança aflorou mais uma vez: algo parecia fora de contexto. Porém, revidou. Todos os golpes atirados em sua direção, foram rebatidos sem piedade. No entanto, havia um poder distinto emanando de Naruto: a determinação que via nos olhos azuis carregava mais força do que o normal. Por algum motivo, sentia-se intimidado por aquele olhar e, ao mesmo tempo, ainda mais furioso.

Suas técnicas, mesmo com as adições que Itachi lhe dera, pareciam ser facilmente combatidas pelo Jinchuuriki, e, ainda que batalhasse com decisão, sua obsessão pregava-lhe peças. A toda ofensiva que Naruto o atingia, seu desejo crescia fazendo-o pensar que poderia estar acariciando a pele bronzeada, invés de machucando-a; tocando os bagunçados fios loiros, tomando aquelas boca que, estranhamente, se mantinha calada durante a luta que travavam.

Amaldiçoava sua inoportuna e inútil obsessão por aquele garoto. Era esta, o motivo de estar se tornando fraco, de estar sucumbindo, de sentir sua dedicação - a cada instante que este chegava perto de si - decair um pouco mais. Pois, ele… ele quebrava qualquer resistência sua. A proximidade dos ataques fazia seu âmago se contrair e sua pele se arrepiar e isso, o levava a falhas, erros e mais erros.

No fim, Naruto parecia movido por uma força sobre-humana, muito mais poderosa que Sasuke poderia conceber. Sentia o chakra da raposa ativo, intensificado pela garra do Jinchuuriki, mas não vira, em momento algum, o loiro utilizar-se deste para atacar.

Para sua vergonha maior e frustração, ele o derrotou. Talvez, não tanto no sentido físico da palavra, mas internamente. Enquanto permitia que seu corpo permanecesse largado, recostado a uma das paredes do desfiladeiro, refletiu. Naruto era extremamente mais forte do que ele, não fisicamente - nunca fisicamente - mas Sasuke não era páreo para os sentimentos que ele despertava em si. Tentara combatê-lo, por anos vinha buscando uma cura para aquele mal, e pateticamente, afundava-se mais e mais na doença que se espalhara por todo seu ser.

- Não acha que já foi longe demais. – escutou o loiro perguntar e usou de toda sua força de vontade para não estremecer perante o seu timbre de voz.

Sasuke queria sorrir pela ironia da situação, mas manteve-se indiferente, buscando manter o pouco de dignidade que ainda lhe restava. Nunca iria longe demais, não enquanto não liberasse o ódio que nutria pela vila que lhe tirara tudo de importante em sua vida. Mas acreditava que Naruto jamais compreenderia isso, pois vivia perdido em seus próprios idealismos, para enxergar as coisas como ele.

- O que você tem a provar?

O moreno percebeu um resquício de desespero na voz do ex-companheiro de time. De certo modo, o fazia sentir-se bem notar que Naruto sofria pelo menos para encontrar um motivo para quebrar suas convicções e levá-lo de volta a Konoha. Sim, queria muito retornar a Konoha, mas para mostrar toda a sua ira.

- Fui prepotente achando que poderia ir contra a sua vontade. – Naruto confessou, consternado – Daqui volto para Konoha, mas… se um dia precisar, realmente precisar, de um amigo… é só vir até mim. – escutou o movimento e foi quando Sasuke levantou o rosto, encarando as costas do loiro voltadas para si. - Eu estarei sempre te esperando.

As palavras o afetaram. Naruto estava desistindo? Finalmente, desistindo de si? A ideia, apesar de ser adequada, causou um impacto forte em seu peito, uma negação repentina o dominou e, sem deixar que isso se refletisse em sua voz, questionou indiferente, mas intimamente desesperado para que Naruto não partisse, ainda:

- Por quê?

- Acabou. – o Jinchuuriki constatou. - Eu assumo que perdi para sua teimosia.

Havia uma decisão feita tanto nas palavras, quanto na postura do loiro que só serviram para angustiar mais Sasuke e isso o fez cuspir a acusação:

- Fraco.

Na verdade, a palavra servia impecavelmente para si, pois ele era quem estava sendo fraco. Seria perfeito permitir que Naruto se fosse, que não tentasse atrapalhar seus objetivos, mas Sasuke sempre se acalentou na certeza que Naruto o procurava, que de alguma forma, o queria por perto.

Por isso, mesmo com o ego massacrado, juntou forças e se ergueu do chão. Naruto permaneceu silencioso enquanto se aproximou. Odiava submeter-se aos seus sentimentos, mas a intensidade deles o guiava e fazia que com coisas tolas deixassem sua boca, sem que realmente pudesse controlar.

- Ainda não acabou.

Abraçou-o por trás e sentiu o corpo de Naruto ficar tenso. Logicamente, o loiro temia que viesse a usar de um ataque traiçoeiro e feri-lo, mas naquele momento não queria isso. O que Sasuke queria, somente, era iludir-se com o contato com o corpo macio do outro adolescente, enganar-se por um momento e fingir que ele era seu, que não existiam conflitos e que nada mais no mundo importava.

Talvez, até quisesse fazer disso realidade, pois sabia que ele era sua perdição.

As dúvidas se esvaiam quando o tinha em seus braços, como naquele instante. Ousou tocar os lábios, gentilmente, pela curva do pescoço, ansiando por mais que mera delicadeza, mas, quem sabe, dessa vez, quisesse realmente mostrar que havia sentimentos sinceros. A intensidade de seu desejo, porém, o cegava e uma de suas mãos encontrou caminho por debaixo da jaqueta alaranjada. Acariciou o tórax levemente definido e o coração bateu mais rápido ao notar o leve relaxamento que Naruto demonstrou.

Era como se dominasse o Jinchuuriki quando, na verdade, o dominado era ele.

Todavia, ao descer a palma para a região mais baixa do abdômen do menor, Sasuke franziu o cenho ao sentir o pulso de energia que se instalava ali.

- O que é isso?

Imediatamente, Naruto voltou a ficar tenso e tentou rapidamente livrar-se de seu abraço, mas Sasuke estava intrigado demais para permitir que se afastasse tão facilmente. Com o braço livre, envolveu o loiro pelo pescoço e o manteve preso, enquanto vagava por seu ventre, tentando definir o que era aquela energia que ele guardava.

- Que… Mas que diabos é isso? – indagou em demanda, frustrado por não conseguir identificar o que seria aquilo. – Que chakra é esse?

- Me larga! – Naruto gritou e ante ao desespero que fluiu por sua voz, Sasuke assim o fez, empurrando o garoto para longe de si.

Enervado por ser incapaz de definir o que existia dentro de Naruto, assim que este se virou para si, Sasuke olhou-o de um jeito desgostoso. Aquele chakra não pertencia à raposa de nove caudas, não era grande, mas mesmo pequeno, era forte.

- Tem algo aí dentro, além da raposa. – Sasuke apontou, pensando ironicamente em como poderia ter sido tolo ao fraquejar perante a um trapaça. – Que monstruosidade está abrigando agora? Foi por isso que conseguiu me derrotar?

Lá no fundo, sabia que não era bem assim, mas irritava-se por ver nos olhos de Naruto que este queria mesmo esconder algo de si. Viu, indiferente, o misto de emoções que percorreram o semblante do Jinchuuriki: mágoa, tristeza, raiva, rancor e, por fim, a explosão.

- Não ouse insultar o meu filho!

Por mais que, até então, mantivesse a compostura, Sasuke foi surpreendido por aquela revelação. A incompreensão instalou-se em suas feições, pairando na incredulidade.

- Filho? – repetiu, vendo Naruto retrair-se por perceber que falara demais, mas isso só trouxe mais inconformismo para Sasuke. – Você finalmente enlouqueceu?

- Estou falando a verdade, teme! – Naruto rebateu, exasperado. - Era o que você queria, não era? Você disse que queria reconstruir seu clã e eu… - perdeu as palavras quando se deu conta da imposição que gerara para o moreno e lentamente se acalmou a ponto de se desculpar: - Sinto muito, 'ttebayo. Acho que você não esperava por isso, muito menos gostaria de algo assim vindo de mim. Mas eu…

Sasuke esforçava-se para processar tudo o que Naruto dizia, mas para juntar as peças e acreditar que possivelmente o outro estava… grávido… tornava-se difícil. Em meio ao aturdimento, vinha a esperança de que seus sentimentos pudessem ser correspondidos, ou a decepção do Jinchuuriki ter feito isso como um pretexto para obrigá-lo a desistir de sua vingança e voltar domesticado para Konoha.

No entanto, necessitava entender.

- Como isso é possível? – perguntou, mirando Naruto e negando a cabeça negativamente com desgosto. - Você é um garoto!

- Kyuubi. – foi tudo que o hospedeiro precisou dizer para que Sasuke fechasse a expressão com raiva e no segundo seguinte ativasse seu Sharingan e invadisse a mente do jovem a sua frente.

Surgindo em frente à jaula, encarou a besta com o semblante endurecido.

- O que você fez com ele? – indagou, impassível, mas em um timbre de demanda.

Kyuubi escancarou a mandíbula e, debochado, falou:

- A possibilidade de satisfazer aos seus anseios.

- Mentira! – Sasuke rebateu, irritado.

- Você está duvidando da minha palavra, Uchiha? – Kyuubi rechaçou e vendo que o humano não se dava por satisfeito, ofereceu, mostrando o pequeno ponto de energia que fluía no interior de Naruto: - Tire a prova por si mesmo. Não sente as ondas de chakra que o filhote emite? Não as reconhece?

Sasuke olhou para aquele fluxo, mínimo, mas constante, que era envolvido por uma vertente intensa azulada e uma menos forte da cor do sol. A inspeção que fez foi o suficiente para que, internamente, se assustasse. Era impossível não identificar aquele padrão de energia. Havia o chakra de Naruto que protegia, que dava apoio para que crescesse, porém, a dominância azulada que determinava a fonte de seu poder era distinta e mais do que familiar.

Era impossível, só que a verdade estava bem diante de si e ela o incomodava ao mesmo tempo em que trazia ao seu peito uma euforia nunca antes sentida. Contudo, precisava se manter racional e foi como agiu.

- Por que fez isso? – perguntou, incisivo.

- O porquê, você me pergunta? – o bijuu retorquiu com escárnio. - Porque eu podia e o meu hospedeiro queria.

- Você não iria dar isso a ele se não buscasse algo em troca. – Sasuke, prontamente, rebateu.

- Perspicaz, Uchiha, sempre perspicaz. – disse após uma risada abafada. – Mas você tem que ponderar o que está em jogo aqui: findar esse ciclo de vingança interminável, ou se livrar dessas correntes que vem carregando e voltar para Konoha.

O moreno franziu o cenho, tomado pela certeza de que realmente a trapaça existia: uma forma de tentar convencê-lo a voltar para casa, isso era o que significava aquela gravidez para Naruto e, ainda assim, podia ver que havia um motivo secreto para Kyuubi ter dado ao loiro aquela condição.

- Eu vou destruir Konoha. – reafirmou, mesmo que sua convicção já não tivesse tanta força dentro de si.

- Então vai destruir seu filho também? – uma terceira voz, apática, mas não menos acusadora, se fez ouvida. - Pois é lá que ele vai estar… otouto.

oOo

Continua...


Notas da Blanxe:

Resposta dos reviews sem login:

Gab! – Fico feliz que vc tenha gostado da fic e do lemon! Obrigada por comentar e por estar acompanhando! Espero que tenha curtido essa atualização tb! Hugs, dear!

oOo

Vou usar um pouco desse espaço para explicar algumas coisas.

Primeira explicação – Títulos das Fics...

Algumas pessoas ficaram confusas sobre o significado dos nomes que dei às fics e até me questionaram o que estes queriam dizer...

Reminiscência
sf (lat reminiscentia) 1 A capacidade de reter (coisas) na memória. 2 Lembrança quase apagada; vaga recordação. 3 Impressão que fica de uma coisa que se leu. 4 Aquilo que fica de memória.

*Bem, acho que o primeiro arco se baseou todo nisso: o passado que significou tanto e que só vivia na memória de todos, e que foi trazido à tona para que Hoshi pudesse tomar ciência dele também. No final, com a morte do Naruto, foi exatamente o que ficou. Apenas a reminiscência do que foi e o que viveu Naruto.

Essência
sf (lat essentia) 1 Natureza íntima das coisas; aquilo que faz que uma coisa seja o que é, ou que lhe dá a aparência dominante; aquilo que constitui a natureza de um objeto. 2 Existência no que ela tem de mais constitucional. 3 Significação especial. 4 Idéia principal.

*Acho que a definição fala por si própria. Esse arco que está sendo desenvolvido é a essência da reminiscência. É tudo o que formou a reminiscência. Sem a Essência - a origem, a causa principal – a Reminiscência não existiria.

oOo

Em relação a quem fez sexo com Naruto no capítulo anterior.

Eu realmente deixei no capítulo anterior – no lemon - muitas indicações de quem era, mas vou listar aqui algumas delas que justificam o que quis passar e que foram organizadas com a ajuda da minha amiga Karura Shinigami:

1 – Naruto versus Naruto-kun - Itachi tem por costume usar o sufixo kun para se referir a Naruto e não o nome puro, que seria uma forma utilizada para quem tem mais intimidade com a pessoa, no caso, Sasuke;

2 – Cabelo – No início do lemon, Naruto lambe a nuca do seme, Itachi tem cabelos longos, logo a tarefa de passar a língua na nuca do outro, se tornaria impossível se não fosse explicitado que Naruto afastou os cabelos, no caso, se o seme se tratasse de Itachi;

3 – Altura – Em relação ao adjetivo 'o maior'. Este foi usado por mim somente no intuito de evitar repetições da palavra 'moreno', afinal, Sasuke é mais alto que Naruto uns bons centímetros, logo, ele se torna 'maior' que Naruto (Sasuke tem 1.71 – Naruto tem 1.66 – Itachi tem 1.78);

4 – A roupa – Naruto lá pelo início da pornografia, passa a mão pelo tórax do moreno. Itachi usa roupa demais, enquanto Sasuke prefere o estilo 'mamãe sou forte' com aquele torso a mostra, logo, outra indicação de que não poderia ser o Itachi;

5 – Personalidade – Itachi é um cara apático e suas reações são elegantes e sutis, o que o diferenciaria completamente desse seme que se apresentou afoito e cheio de desejo pelo Naruto a ponto de machucá-lo tamanha a intensidade de sua libido. Relembrando o pequeno incidente no capítulo onde Sasuke criou uma ilusão para ter Naruto, creio que é notável a similaridade do instinto do Sasuke com o do moreno que possuiu o Naruto na concepção do Hoshi. Itachi e Sasuke têm personalidades e reações bem diferentes um do outro: enquanto Itachi se mostra discreto, Sasuke é mais agressivo;

6 – Alvo – Naruto quando sente a presença da pessoa, vai direto atrás desta, se referindo a mesma como alvo, presa, aquilo que ele queria alcançar. A única coisa que Naruto almejava como alvo era Sasuke e ele o identifica ao vê-lo e, sendo assim, se aproxima. Logo, se fosse o Itachi, ao vê-lo, Naruto não faria o mesmo;

Bem, se ainda houver qualquer dúvida a esse respeito ou algo que não concordem só comentar que esclareço, ok?

Agradecimentos à amiga Karura que deu um help na construção dessa listagem! Thanks, K!