CAPÍTULO
4:
COMBATENDO A MORTE
John Constantine dirigia sua picape azul já bem velha com sua mão esquerda, com a direita utilizava um pingente em mais um dos seus feitiços. Com um mapa de Londres no colo, ele espera que o pingente aponte a localização de Raphah, após uma série de movimentos involuntários, o pingente fica endurecido no ar, tinha localizado o seu alvo.
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A Morte andava pelas ruas de Londres e uma neblina negra circulava ao redor dela, todas as pessoas que respiravam esse ar caiam mortas no chão, menos Raphah que a encarava desafiadoramente.
-Por que você não morre como as outras pessoas? – Perguntava a Morte.
-Fui abençoado de todas as formas possíveis pelo meu povo antes de vir para cá, não é qualquer diabrura que irá me matar.
A Morte desfez a neblina com um gesto de sua mão direita, tinha uma forma melhor de eliminar o egípcio em mente. Com as mãos estendidas, a Morte começou a entoar um cântico incompreensível, as pessoas mortas que tombaram ao seu redor despertaram e, feito zumbis, andavam em direção de Raphah.
-O que diabos esta fazendo?
-Eu sou a própria morte, tenho o dom de controlar os corpos dos que não tem mais vida, eles só irão parar de persegui-lo quando estiverem devorando o seu corpo.
Dezenas de zumbis se encontravam naquela rua, Raphah não tinha para onde correr e um deles já estava praticamente encostado nele. Foi quando algo inesperado aconteceu, um dos zumbis teve sua cabeça explodida, a Morte e Raphah só entenderam o que aconteceu quando olharam para o final da rua, John Constantine estava vindo a toda velocidade com sua picape e empunhando uma espingarda dourada em forma de cruz.
-Engole essa!
Constantine estacionou a picape ao lado de Raphah, saiu do automóvel, apontou a espingarda para a Morte e disparou a arma. Acertou bem na cabeça da danada que voou seis metros para trás, mesmo assim não foi suficiente, ela ficou em pé em poucos segundos.
-Poucas vezes foi dito algo tão absurdo, esperam mesmo matar a Morte?
-Não se pode matar algo que não esta vivo. – Disse Constantine. – Mas encarcerar uma criatura espiritual no inferno é algo mais do que plausível.
Constantine jogou sua arma na caçamba da sua picape e se preparou mentalmente para lançar um feitiço.
-ESPIRITUS EXUMAI!
Uma luz saiu de dentro de John e alcançou toda a rua derrubando todos os zumbis que estavam a sua volta. Poucos segundos depois a luz cessou e John e Raphah esperavam encontrar a rua vazia, mas não foi bem isso o que aconteceu, a Morte ainda estava de pé bem diante deles.
-Somente um milagre faria um ser humano derrotar a Morte, vocês não tem a mínima chance contra mim!
A Morte voltou a estender os braços, estava preparando mais um ataque, a neblina negra que ela havia dissipado antes estava de volta, só que dessa vez bem mais concentrada. Ela ignorou Raphah e jogou toda a neblina em cima de Constantine, com isso ela esperava mandá-lo para o inferno de uma só vez, mas não foi bem isso que aconteceu.
-Você ainda esta de pé! Como isso é possível?
Raphah havia se posicionado na frente de John antes que a neblina o tocasse e empunhando a adaga de ouro, conseguiu proteger a ambos.
-Faz muitos anos que nenhum humano me desafia assim, vocês não tem noção do que os espera no além vida.
A Morte apontou o dedo para cima, foi nessa posição que ela abriu um portal atrás dela que começou bem pequeno, mas aos poucos foi se abrindo até chegar a ter um metro e meio de altura. Uma forte força de sucção vinha de dentro do buraco dimensional e sugava tudo o que estava a sua volta, esse era o golpe derradeiro da Morte, sugar todas as formas de vida para o além.
John e Raphah se seguravam como podiam na picape, mas como ela não estava fincada ao chão, em poucos minutos ela também seria sugada, sem ter muita esperança John foi falar com Raphah.
-Egípcio, você não é o bambambam? Encontre alguma maneira para nos livrar dessa situação.
-Somos só pessoas comuns, é impossível derrotar uma entidade como a Morte.
-Já derrotei inúmeras entidades em minha vida, ela é só mais uma!
Constantine estava se concentrando para ver se encontrava alguma saída para essa situação, ele pensava muito rápido para sair das suas encrencas sobrenaturais que se metia constantemente, mas essa parecia não ter saída, até que um estalo lhe veio à mente. John foi até a caçamba de sua picape e pegou sua espingarda dourada, apontou para a Morte e atirou novamente.
-Desista, John, você já tentou fazer isso. – Dizia Raphah.
A Morte se protegeu do tiro de John colocando sua foice na frente, por isso não recebeu o maior impacto do golpe. A foice foi toda despedaçada, assim como a parte da armadura que protegia o braço direito da Morte (braço que ela usou para segurar a foice). Como conseqüência disso, o portal criado pela Morte foi desfeito, assim como a sua força de sucção.
-HAHAHAHA. – Gargalha a Morte.
John e Raphah se entre olharam sem entenderem o porquê dessa reação inesperada. Pela lógica eles esperavam que ela ficasse muito irritada, mas não foi isso que aconteceu, ela parecia até feliz em certo ponto.
-Faz vários anos que não encontro algum humano capaz de deflagrar tanto estrago assim em mim. Vocês merecem o meu respeito, e por isso irão viver hoje. Mas não se enganem, pois voltarei. E quando isso acontecer será o fim dos seus dias.
O corpo da Morte foi envolvido por uma neblina negra, em poucos segundos ela não estaria mais ali.
-Como conseguiu fazer aquilo? Nunca vi alguém enfrentar a Morte assim antes!
-Foi fácil, Raphah. Mesclei o meu espiritus exumai a potência da minha espingarda. Para afetar uma entidade que possui corpo físico deve-se acertá-la no plano espiritual e no plano material.
-Mesmo assim, eu desaprovo o uso de feitiçaria!
-Vá se fuder, ainda acha que eu estou te ajudando.
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Stonehenge é um monumento de pedra muito antigo, é muito famoso e bem visitado, fica na Inglaterra, localizado próximo a Amesbury, no condado de Wiltshire. Ninguem sabe como foi feito, nem por quem e há várias teorias existentes para descrever o objetivo desse monumento. Esses segredos estarão para ser revelados agora, que Lúcifer (possuindo o corpo de Chas Kramer) esta no centro desse circulo de pedras. O diabo esta sentado em pose meditativa com olhos fechados, esta em profunda concentração, que só é abalada com a chegada da Morte, que se materializa em sua tradicional neblina negra.
-Não mandei você erradicar toda a Londres, ainda faltam muitos humanos vivos lá.
-Eu sei, mestre. Mas é que encontrei dois humanos que me desafiaram e provaram ser de grande valor.
Lúcifer se levantou e olhou para a Morte, ficou impressionado ao vê-la com sua armadura quebrada (o braço direito) e sem sua foice.
-O que houve?
-Dois humanos, um negro com uma adaga de ouro e um inglês com paletó e cabelos loiros, conseguiram me derrotar. Jurei que voltaria para pega-los mais tarde.
-Você deve estar falando de Raphah e John Constantine, já os vi antes, o último inclusive possui uma alma sombria, por causa disso está fardado a me encontrar quando chegar a sua hora.
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Nos Estados Unidos, a notícia de que o Pentágono foi destruído por um ataque terrorista fez com que a população entrasse em pânico, muitas pessoas de origem muçulmana foram acusados e sofreram vários ataques, a discórdia foi implantada naquele país e a confusão só estava começando.
No deserto de Nevada há várias ogivas nucleares sendo guardadas pelos militares americanos em uma base de difícil acesso, mesmo assim um homem que não pertence a ela, esta adentrando a base. Seu nome é Said, um muçulmano filho de mãe americana e pai árabe, ele nasceu branco, por isso sua origem não é muito obvia. Ele utiliza vários códigos que lhe foram passados pelos seus superiores e fica de encontro a uma das armas de destruição em massa. Era um míssil muito grande para ser carregado, mas isso não foi problema, ele já estava pronto para ser lançado, só aguardava que alguém digitasse as coordenadas do ponto de impacto.
-Que Alá me abençoe!
O míssil com a ogiva nuclear foi lançado, em poucos minutos atingiria o seu alvo.
-O que esta fazendo?
Um dos soldados americanos viu o que Said tinha acabado de fazer, por isso ele foi preso, mas isso não importava mais, a sua vida já podia ser descartada agora que sua missão foi cumprida. Exatos 45 minutos e 33 segundos depois de ser lançado, o míssil atingi o seu objetivo, Nova York acaba de ter uma grande cratera que engoliu um pouco mais da metade dela.
