N/A: Estava com algumas ideias sobre as férias de verão, então resolvi escrever um capítulo bônus enquanto finalizo as aventuras de um conturbado terceiro ano.

O VERÃO DE 1973

[1 de julho de 1973]

Marlene Mckinnon era conhecida por ser a garota mais durona do segundo – agora terceiro – ano de Hogwarts. Ela não aceitava injustiças e não se calava frente a uma, não aceitava ser tratada como inferior a qualquer um, principalmente um garoto, não gostava dos privilégios que a família recebia por serem "importantes" no mundo mágico, era firme em querer que todos fossem tratados de maneira igualitária e seu principal desejo era construir uma carreira por mérito próprio, sem o peso do sobrenome Mckinnon.

O que muitos não sabem é que isso foi algo que ela desenvolveu com o tempo, a medida que seus irmãos mais novos foram nascendo e ela foi descobrindo que para ter moral entre três meninos de 7, 9 e 11 anos ela precisava se impor. Precisava impor que vassouras e artigos de Quadribol eram coisas de menina sim, que ela não era frágil e poderia derrotar os três juntos em quase qualquer coisa, que poderia brigar com eles todos os dias e ainda assim defende-los de garotos mais velhos no parquinho, que ela poderia estar ao lado deles nas coisas mais idiotas e infantis e ainda ser a garota responsável por cuidar deles na ausência dos pais. Por que essa era Marlene, em um dia ela poderia estar com os irmãos caçando duendes nos jardins e os confortar durante as noites em que os pais demoravam sem qualquer aviso.

O Sr. e Sra. Mckinnon eram aurores muito importantes para o Ministro da Magia, por isso nunca estavam em casa. Seus quatro filhos já haviam enlouquecido a maior parte das babás bruxas do Reino Unido e a quarta babá irlandesa estava por fio, já haviam passado pela casa dos Mckinnons francesas, portuguesas, italianas e a próxima da lista era uma senhora russa que até os aurores estavam preocupados que fosse rígida demais e esperavam não ter que chegar a esse ponto. Porém, naquela manhã de domingo, Marlene acordou com uma grande explosão no andar de baixo e a Sra. Rotschild invadindo seu quarto completamente verde, gritando coisas em irlandês antigo que a garota imaginou que fosse "Para mim já chega, eu me demito".

Um dia normal na Mansão Mckinnon.

- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – gritou Marlene, ao entrar na cozinha, em sua melhor imitação do olhar severo de Minerva Mcgonagall. Os três estavam debruçados sobre um caldeirão de brinquedo, procurando por ingredientes no estoque de poções novos que a garota comprara para o ano escolar, estavam tão imundos quanto três garotos poderiam estar e o estado das paredes, do piso e do teto era ainda pior – POR MERLIN! É assim que vocês querem que os nossos pais nos levem à praia esse verão? Depois de eu ter barganhado por semanas, vocês aprontam essa no dia da viagem?

- Esquece, Lene, nós não vamos. Eles deixaram um bilhete no quadro de avisos, dessa vez não teve nem presente de consolo – falou o mais velho, recém-admitido em Hogwarts, com um quê para a rebeldia, Carter Mckinnon.

- Oh, então é disso que se trata? Chamar atenção? Você deveria saber que não funciona, tentamos isso por anos, Cart – disse ela já acostumada com esse tipo de situação.

- Não é justo, você e Carter vão para Hogwarts e nós continuaremos presos aqui, você deveria nos deixar pelo menos tentar um pouco de poções... – argumentou Connor, o filho do meio e mais inteligente.

- O Livro Irado de Poções Explosivas da Zonko's que eu te dei no natal não é o que eu chamaria de adequado para estudar poções, espertinho – disse ela bagunçando o cabelo dele só por que sabia que iria irritá-lo.

- Queria poder ir para Hogwarts com vocês – lamentou o mais novo, bebê da casa - apesar de já estar velho para isso – Chester.

- Daqui a 4 anos, Chesty. Agora, eu sei o que podemos fazer para ter um pouco do gostinho de Hogwarts e extravasar a raiva do jeito certo – disse ela recebendo olhares de animação e compreensão dos outros.

Na Copa do Mundo de Quadribol de 1970, o Sr. Mckinnon havia prometido assistir a final com os quatro filhos, porém, de última hora, teve que trabalhar na guarda direta de segurança do Ministro da Magia e os garotos não puderam ir. Todos estavam muito frustrados, então Marlene inventara um jogo para extravasar a raiva. Eles chamavam de "Quebra-balaço" e consistia nos quatro equipados com um taco, capacete, protetores e um casaco bem fofo, rebatendo balaços em objetos nos jardins. Havia uma tabela de pontos bem elaborada para cada objeto quebrado, mas no final, acabavam querendo acertar uns nos outros.

E foi assim que Marlene Mckinnon se tornou uma ótima batedora.

[7 de julho de 1973]

Era um sábado de verão, James Potter estava na casa de campo de sua família em Grodic's Hollow, pois era costume de sua mãe passar o mês de julho na casa, tomando chá com a sua velha – sim, bastante velha – amiga, Batilda Bagshot. Todos os anos James só conseguia pensar em como um dia os ossos dela iriam se desintegrar e ele nunca mais teria que ouvir a voz rouca dela contando histórias do Mundo Mágico.

"A Evans com certeza venderia um rim para estar no meu lugar"

"Hey, por que você está pensando na Evans? Você está indo visitar sua namorada".

Sim. Depois do beijo na festa da vitória, James escrevera uma carta – estava mais para bilhete – perguntando se Emmeline Vance queria ser sua namorada, seguindo os conselhos de seu pai sobre como ele deveria ser um cavalheiro e não deixar a moça ficar "falada". A garota respondeu com um sim em um pergaminho repleto de corações e agora James estava indo visitar a casa de campo dela em um vilarejo próximo.

Os Vance eram quase tão ricos e famosos quanto os Potter. James e Emmeline tomavam chá em uma salinha no jardim de inverno do casarão, luxuoso e bem decorado, mas é claro que um garoto de treze anos não repararia na decoração elegante do local. James mal estava escutando o que a garota contava sobre a sua semana em Paris, ele só conseguia pensar em tudo o que Sirius havia contado sobre namoros, que ele iria beijar de novo e iria ficar melhor e gostar mais disso, mas que teria que fazer um pouco das vontades da garota para ela achar que estar no comando e fazer tudo o que ele quisesse. Fontes: revista trouxa americana que Sirius comprara para irritar a sua mãe.

Segundo a revista, garotas gostavam de receber flores, chocolates, andar em carros conversíveis e, assim, James conseguiria uns amassos no branco de trás durante filmes em cinemas Drive-in quando ele tivesse conquistado a confiança dos pais dela para levá-la em um. Como a maioria dos itens da lista eram meio impossíveis, James trouxera flores e chocolates para Emmeline e se esforçara para que os pais da garota gostassem dele, o que não fora um problema, por que James tinha experiência em encantar senhoras mais velhas. Porém, no final, tudo o que James ganhara fora um selinho de despedida quando Emmeline o deixara na porta.

Para um garoto de treze anos já era grande coisa, e, para os outros três garotos de treze anos para quem ele iria contar, também.

[15 de julho de 1973]

Sirius Black estava sentado na sala de estar da Mansão Black, ostentando seu manual de carros e motocicletas trouxas enquanto seu irmão mais novo, Regulus Black, experimentava seu uniforme de Hogwarts pela milésima vez.

- Não acredito que meu garotinho já está indo para Hogwarts, você está tão fino, tão imponente nesse uniforme, vai levar honras para o nome da Família Black novamente, voltaremos a ser uma família tradicional da Sonserina e todos esquecerão do fiasco que foi o seu irmão.

- Obrigada pela parte que me toca – disse Sirius sem tirar os olhos das imagens do manual e a Sra. Black fingira nem ter escutado.

- Procure o menino dos Mulciber quando chegar, ele vai te mostrar os caminhos... – pelas costas da mãe, Sirius debochava de suas palavras, encenando diferentes formas de tortura com o discurso, Regulus fingia ignorar, mas se segurava para não rir do irmão.

Assim era a relação deles, Sirius rebelde, sempre contestando a doutrinação da mãe e Regulus andando na linha, mas muitas vezes desejando a diversão que era o seu irmão. Houve um tempo que não era assim, Regulus ficava do lado de Sirius, os dois eram parceiros e queriam ser livres daquelas regras, porém, quando Sirius fora para Hogwarts e Regulus ficara a sós na casa, a doutrinação da Sra. Black passara a surtir mais efeito. Sirius fingia que gostava de ser a única ovelha negra na família, que dava um tom mais rebelde a coisa toda, mas, no fundo, agora que os dois passariam o ano em Hogwarts, longe da mãe, o garoto tinha esperanças de se reaproximar do irmão de novo.

Seria um recomeço para os irmãos Black?

[22 de julho de 1973]

Era mais um dia quente de verão, Lily e Severus estavam deitados no gramado a beira do riacho, perto da casa dos Snape.

- O que você pensa em fazer depois de Hogwarts? Quando formos maiores de idade – perguntou Lily.

- Você já sabe o que.

- Sair de casa, eu sei, eu sei, mas e depois? Como profissão que eu estou perguntando.

- Eu não sei. O que você pensa em fazer?

- Eu poderia ser escritora. Redatora do Profeta Diário, talvez? Mas eu queria fazer algo que pudesse ajudar as pessoas...

- Você é boa em poções, poderia ser MedBruxa...

- Você é melhor do que eu, poderia ser um também – disse ela recebendo uma carranca do amigo.

- Não. Eu quero fazer algo de sucesso, ser o melhor em alguma coisa de verdade, ter muita fama e provar para todo mundo que estavam errados sobre mim!

- Você não precisa provar nada para mim – e as palavras dela suavizaram as expressões de firmeza de Severus.

- Poderíamos morar juntos, sabe. Em um lugar legal, com um jardim para você cuidar, como uma velhinha.

- EI! Jardinagem não é coisa de velho!

Severus sorriu. Lily sempre o fazia sorrir. Ela era a única que conseguia ter o melhor possível dele.

[01 de agosto de 1973]

Remus Lupin acordava mais uma vez na Casa dos Gritos, em mais uma manhã de férias, após mais uma noite de Lua Cheia. Estava no seu local secreto de novo, pois sua versão lupina já estava madura demais para ser controlada por seus pais em casa, então Dumbledore o autorizara a passar as noites de transformação no local.

Sentia cheiro de sangue, seu corpo doía e a cabeça latejava deixando a visão turva, mas a vista do castelo no horizonte o dava forças para caminhar até o ponto de encontro que marcara com o pai para aparatarem para casa. Essa noite não havia sido tão ruim, se sentia em casa, ou o mais próximo que podia estar.

Um mês. Ele estava contando. Mais um mês e voltaria para casa. Mais um mês e estaria com os amigos de novo. Mais um mês e estas noites seriam apenas uma breve pausa entre as aventuras noturnas com os marotos.

Um mês.

E tudo estaria em seu lugar novamente.

N/A: Queria agradecer, especialmente, o apoio de Mylle Malfoy, obrigada pelas Reviews 3