Capítulo 4
"Veja você, quando tece um cobertor, uma mulher índia deixa uma falha na tecelagem daquele cobertor para deixar a alma sair."
Martha Graham
"Bella? Você ainda está acordada?" Alice enfia a cabeça pela porta do seu quarto de hóspedes.
Ela fecha seu laptop, "Sim, entre. Acabei de sair do banho. Como estava o bar hoje à noite?"
Alice entra e senta ao lado dela na cama. "Cheio como de costume. As garotas estiveram espalhando a notícia sobre a nova dançarina que começa amanhã à noite, então espere uma multidão para a sua primeira noite. Você está nervosa?"
"Oh, sério? Meu, uh, sim. Não, hum... talvez?" Ela ri e cai de volta na cama. "Eu estou pronta e animada e ansiosa. Eu não posso esperar, na verdade." Ela se apoia sobre os cotovelos.
"Você será ótima, Bella. Eu acho que você já tem um quinhão de fãs." Alice mexe as sobrancelhas.
Ela revira os olhos, pensando em Jake, um dos colegas dançarinos. Ele é um cara de boa aparência, pele escura, cabelo bonito, corpo sexy, mas ele a segue como um cachorrinho perdido. Ela tenta não ser muito agradável e incentivá-lo, mas ele está sempre lá no ensaio, bem nos seus calcanhares, voluntariando-se para ajudar Bella com quaisquer que sejam os passos de dança, abrindo portas, buscando garrafas de água... qualquer coisa.
"Ugh! Você está falando de Jake, certo? Eu juro, Alice, ele é um cara legal, mas não há nada lá. Sem faísca entre nós... ou não para mim, de qualquer maneira." Ela ri.
"Jake tem apenas 18 anos, mas ele é um dançarino incrível. Se ele ficar muito fresco com você, deixe-me saber, eu direi para ele se afastar. Eu acho que ele é inofensivo, porém." Alice dá de ombros.
Ela suspira, "Eu direi, Alice, a última coisa que eu preciso agora é mais problemas com caras".
Alice não pressiona por mais, ainda não, mas ela não dispensa o 'mais' na confissão parcial e acidental de Bella.
~ O ~
Na manhã seguinte, ela se estende e geme em sua cama. Seus músculos doem. Seus tendões protestando seus movimentos. Ela não tem trabalhado seu corpo tão forte assim em um longo tempo, em anos, na verdade.
Ela olha para as suas pernas, o joelho esquerdo está inchado. Lágrimas imediatamente picam seus olhos enquanto ela passa os dedos sobre a longa cicatriz prateada no interior do seu joelho.
Ela a evitou tanto quanto pode. Hoje, ela terá que usar seu protetor de joelho para reduzir o inchaço e, talvez até esta noite, ela será capaz de dançar sem ele.
Ela tenta não pensar sobre as repercussões de não contar aos seus novos empregadores sobre sua condição pré-existente. Ela sabia que teria que dizer a eles mais cedo ou mais tarde. Ela só esperava que a dor e o inchaço aguentassem até a tarde.
Então, novamente, ela não tem tanta sorte.
~ O ~
Assim que ela termina de subir os degraus para o loft de ensaios no andar de cima, ela percebe que a porta do escritório dele está aberta. Esta manhã, ele está no clube, e, como um interruptor, seu mal humor desaparece. Ela está em êxtase que ele esteja aqui. Talvez algo de bom saia hoje.
Ele a observa chegar - uma caminhada lenta e fácil - olhando-a da cabeça aos pés. Ele não a viu em três dias e está ciente de que suas memórias não fazem justiça a ela. Ela brilha intensamente e ilumina a sala. Seu cabelo está puxado frouxo para cima e ela não esconde seu rosto por trás de qualquer maquiagem. Ele é lembrado de por que um visual totalmente natural é o seu look preferido.
Ele permanece sentado atrás da sua mesa, não fazendo uma aparição ainda e apreciando a vista perfeita dela. Ele questiona se ele poderia ou não ter tido isso todas as manhãs? Ele silenciosamente se amaldiçoa por não ter vindo.
Alice começa a fazer anúncios sobre quais danças eles ensaiarão hoje e que eles aprenderão uma nova dança nos próximos dias. Alguns dos dançarinos gemem de frustração, enquanto outros gritam e aplaudem.
Ele apenas observa enquanto ela tediosamente junta sua camisa em suas mãos e a esmo a puxa delicadamente sobre sua cabeça, revelando seu top azul. Sua pele nua se revela como um nascer do sol sobre um oceano - meticulosamente e lentamente, mas de tirar o fôlego e deslumbrante. Ela se inclina para um lado e depois para o outro para tirar seus sapatos. Ela mexe os dedos dos pés e estica o pé e, em seguida, sua panturrilha. Ela enfia seus dedos polegares em sua cintura, balançando os quadris, e desliza para baixo suas calças de ginástica pelas suas curvas. É o strip mais inocente que ele já testemunhou e ele já anseia por vê-lo novamente.
Seus olhos estão colados em seu short curto, que poderia muito bem ser roupa íntima. Ela se abaixa para pegar o resto das suas roupas e suas nádegas rechonchudas o convidam a morder.
Seus olhos atiram para a figura logo atrás dela e, primitivamente, sua pele se arrepia com raiva. Jake está lá, observando-a, seus olhos a bebendo, assim como Edward tinha acabado de fazer. Uma pequena protuberância se tornando evidentes no short de Jake.
Ele está fixado em sua cadeira de escritório enquanto observa Jake se aproximar dela. Os dedos de Jake se esticam para roçar e descansar no braço dela. Edward observa como ela se recolhe para longe dele. É leve, mas notável o suficiente, e toda a confirmação que Edward precisa. Jake se inclina para baixo, seu rosto ficando muito perto das partes privadas dela, sua mão estendendo novamente. Ela dá um pequeno passo para trás e, instantaneamente, ele está fora da sua cadeira - perseguindo com intenção.
Não tirando os olhos dos dois, ele percebe que Jake estende a mão e toca a grande cinta preta no joelho esquerdo dela e seu estômago despenca. Seus passos diminuem. De onde veio isso? O que aconteceu com ela?
Ela está balançando a cabeça para Jake, colocando seu cabelo atrás da orelha, seus olhos levantam e ela vê Edward vindo em sua direção. Ela está assustada e emocionada ao mesmo tempo, mas seus olhos, seu rosto e sua postura, tudo instantaneamente relaxa.
Jake o vê também e rapidamente se levanta. Jake não se afasta dela - imaturo, indevidamente, apostando sua reivindicação. Edward zomba dele, dando-lhe tanta atenção quando daria para um mosquito. Com um aceno de mão de Edward, Jake dolorosamente se retira e se afasta, o aguilhão da derrota presente e pesado.
Ela observa com reverência e estupor enquanto Edward se aproxima dela e Jake. Ela está imóvel e cautelosa. Jake parece querer colar os pés no chão ao seu lado, mas com um movimento do pulso de Edward, ele sutilmente se afasta.
Ela se pergunta se deveria agradecer Edward agora ou mais tarde.
A mão de Edward sai para tocar seu braço, mas, em vez da faísca que ela espera sentir, ela não sente nada. Ela olha para baixo enquanto sua mão se retrai no ar e desaparece nos bolsos do seu jeans.
"Posso vê-la em meu escritório, por favor?" Ele pergunta de forma confidencial. Um par de dançarinos parado nas proximidades vaia e assobia. Seu nariz dilata e ele dá a Alice um olhar de desaprovação. Ele deseja que Alice pudesse ler sua mente agora. Alice deveria saber por que Bella está usando uma proteção de joelho e ela deveria dizer a Jake para se afastar e parar de dar em cima dela. O que Alice esteve fazendo, afinal?
"Tudo bem." Ela responde a ele, estendendo a mão para suavemente enrolar os dedos em torno do braço dele. Ela sabe que está assumindo um risco, ele parece irritado, e quem sabe se ele quer mesmo que ela o toque, mas ela não pode evitar. Ela precisa tocá-lo.
Ele a leva para o seu escritório, de repente pára e fecha a porta. Isso não é algo que ele normalmente faria com qualquer um dos outros dançarinos, mas, novamente, ela não é apenas qualquer outra dançarina.
A respiração dela começa a falhar, o cheiro dele a engolfa enquanto eles andam lado a lado. O calor da pele do seu braço contra a mão dela irradia, aquecendo seu corpo por todo o caminho até os dedos dos pés. Quando ele fecha a porta do seu escritório, ela sente como se fosse derreter em uma poça no chão. Essa paixão, essa intensidade que ela sente perto dele, a cada momento, é viciante. Ela nunca conseguirá seu preenchimento.
Ela anda ao redor dele depois que ele fecha a porta e, sem cuidado, o dedo do seu pé bate no pé de uma mesa. Ela tropeça e amaldiçoa, segurando-se na parte de trás da cadeira, mas não antes de uma dor aguda disparar através do seu joelho enquanto ele torce, fazendo-a estremecer e seus olhos lacrimejarem.
Ela desliza para baixo no assento, com as mãos estendendo para segurar seu joelho. Ela fecha os olhos e sua cabeça cai para trás no assento. Ela está envergonhada e enojada consigo mesma. Por que nada pode ser simples?
Em seguida, ela sente mãos quentes, mãos familiares, sobre a dela em seu joelho. Sua cabeça atira para cima e lá está ele, agachado aos seus pés. Ele está olhando para ela, com os olhos pulando do seu joelho para o seu rosto e depois de volta novamente.
Ela inclina a cabeça para o lado, pronta para pedir desculpas e implorar para não ser demitida.
Mas ele não dá a ela a chance. Seus dedos estão estendendo ao redor para soltar o velcro e liberar seu joelho dos seus limites elásticos. Seus olhos examinam a perna dela, em busca de respostas, em busca de pistas. Ele não hesita em empurrar e sentir e tocar a pele, o músculo, a carne do seu joelho e sua perna, com cautela e cuidado. Ele traça a cicatriz com a ponta do dedo, para cima e para baixo. Seu coração está acelerado, seu sangue está correndo através do seu corpo, ele não ignora a seda da pele dela sob seus dedos, e a maneira como o corpo dela reage ao seu toque. Mas ela está machucada, ferida, talvez um pouco quebrada, e isso faz com que ondas de choque de angústia pulsem através dele.
Ele quer tornar isso melhor.
Arrepios aparecem e cobrem a carne dela. Ele olha para o rosto dela novamente e observa como uma lágrima desliza pela sua bochecha e cai para desaparecer em seu colo.
Ele engole em seco, lutando contra o desejo de beijar seu machucado, sua pele, seus lábios. Em vez disso, ele continua a delinear o enrugamento da pele no interior do seu joelho com a ponta do polegar.
"O que aconteceu?" Sua voz, baixa e suave, acalma-a um pouco, mas não o suficiente.
Ela não quer que soe pior do que é, mas ela quer que ele saiba. "Foi um acidente de carro, há alguns anos. Totalmente destruiu meu joelho. Eu estou bem agora, no entanto. É só que eu não me pressionei tanto em um tempo. Estava um pouco inchado esta manhã." Ela divaga e aperta a borda do seu assento até que os nós dos seus dedos estejam brancos enquanto ela observa o polegar dele balançar uma e outra vez sobre o feio lembrete daquela noite.
"E você já foi liberada pelo seu médico para dançar?" Sua mente de negócio momentaneamente assume para descobrir.
Ela balança a cabeça, "Sim, há um ano".
Ele ouve e seu coração dói. Como uma pessoa pode estar tão triste e sombria por dentro quando se move como ela faz? Como o vento e os anjos e vida e luz do sol.
"Mas você não dançou muito no último ano?" Ele não pode parar de tocá-la. Ele simplesmente... não consegue. Tudo parece muito bem quando ele faz isso.
Ela balança a cabeça, sem saber o quanto derramar, revelar, e deixar ir.
"Diga-me." Ele fala duas palavras, suaves e doces.
Ela se curva e balança, não querendo esconder nada dele - incluindo seu passado. Ela não se move um centímetro, muito em transe, muito fascinada pelo seu toque de carinho e seus olhos ternos. "Havia um cara, no meu aniversário de 21 anos, nós estávamos em uma festa. Eu não sabia que ele tinha bebido tanto. Nós saímos e ele bateu em uma árvore".
Sua voz é quase mais alta do que um sussurro. Ela não contou essa história em um longo tempo. Ela prefere apenas esquecer.
"Ele era seu namorado?" Ele pergunta, lutando com ciúmes e simpatia e não sabendo o que sentir mais.
"Eu queria que ele fosse, mas nós não éramos sérios ainda." Ela não olha para ele. Ela não quer ver a piedade em seus olhos. Ela odeia piedade. Ela escolhe se concentrar na sensação dos dedos dele em sua pele, em vez disso.
"Como ele está agora?"
"Ele morreu na hora." Sua voz treme e ela luta contra a avalanche de emoções. Mesmo após os pesadelos, a terapia e os medicamentos que ela ainda toma, as memórias ainda nunca deixam de sacudi-la e perturbá-la. "Então, eu muito bem não posso reclamar de um joelho danificado, quando ele perdeu a vida, posso?"
Ele engole em seco. Ele sabe que todos temos esqueletos e demônios do nosso passado, alguns mais voláteis do que os outros.
"Eu não a ouvi reclamando." Ele nunca lutou contra a vontade de consolar alguém como ele faz neste momento.
"Eu tive que fazer cirurgia, duas vezes. Eu perdi minha bolsa de estudos depois que tive que deixar a equipe de dança. Minhas notas caíram e eu acabei desistindo da faculdade. Eu estava deprimida. Depois que recebi a liberação para começar a dançar de novo, eu tentei preencher o vazio de diferentes maneiras. Eu tentei ensinar dança, fazer alguns musicais locais, e eu perdi um monte de noites em clubes e bares, mas... nada funcionou".
Os ombros dele caem. A confissão dela pesa em seu coração.
"Minha mãe sugeriu que eu mudasse para cá. Ela ouviu sobre os testes no Amanhecer e," ela ri em meio às lágrimas, "mesmo que eu não tivesse muita experiência com linha de dança, eu adoro isso. Por favor, não me faça desistir. Eu tenho medicamentos prescritos que posso tomar para a dor e eu prometo não exagerar. Por favor, Edward." As mãos dela cobrem as dele enquanto ainda circulam seu joelho e ela aperta, "Eu finalmente estou começando a me sentir como eu mesma outra vez. Não tire isso. Eu não tenho mais nada".
Ele quer cair de joelhos e fazer promessas a ela que ele não pode fazer. Que ele nunca a fará parar de dançar, ou a fará chorar novamente, mas, ele simplesmente não pode prometer isso.
"Você não pode se forçar demais, Bella. Eu nunca me perdoaria - ou Alice - se você fizesse mais dano a si mesma. Você trouxe uma cópia dos seus registros médicos com você para o Tennessee?"
Ele está tentando permanecer profissional e fazer o que sua mente diz para fazer, não o que seu coração grita.
"Sim, eu os tenho na casa da minha mãe em Pleasant View." Ela solta as mãos dele e enxuga as faixas de lágrimas do seu rosto.
"Podemos ir até lá pegá-los? Em seguida, eu a levarei para ver o nosso médico residente, ele é um velho amigo da família, e o deixarei dar uma olhada. Ok?"
Ela quer argumentar que está bem e que ele realmente não precisa passar por tais problemas, mas ela fará tudo o que ele diz neste momento.
"Claro. E quanto ao ensaio?" Ela aponta o dedo para a porta e o lugar além, onde ela sente como se pertencesse.
Ele levanta e reúne seus itens pessoais da sua mesa. "Você não ensaiará hoje. Nós veremos sobre hoje à noite mais tarde. Vá em frente e se troque, e então nós iremos. Eu direi a Alice o que está acontecendo".
Ela faz o que ele diz. Ele a observa sair do seu escritório e pegar suas coisas da parede distante. Ele não pode chacoalhar o medo, a dor, a ansiedade que sente, ou por que ele se sente assim.
Ela sorri para os dançarinos quando eles a observam cruzar a sala e arrumar sua mochila. Rosalie pergunta se ela ainda vai dançar hoje à noite.
Edward pode ver o medo nos olhos de Bella quando ela responde, "É claro que eu vou".
Ele chama Alice para entrar em seu escritório e lhe dá um resumo básico dos eventos. Alice o avisa para pegar leve com Bella.
"Você não tem ideia do que você está falando, Alice. Simplesmente pare." Ele bufa, afastando-se para pegar Bella e sair.
Alice sabe que o está irritando, mas ele tem uma tendência a ser infeliz e desanimador, e isso, misturado com a ligação que ele já sente em relação a Bella, só vai ampliar suas falhas.
Alice só pode esperar que Bella possa, eventualmente, olhar através de tudo isso e gostar dele pelo cara maravilhoso que ele é.
Nota:
Os dois finalmente se "tocaram", embora não tenha sido na melhor das circunstâncias, mas pelo menos aconteceu.
Espero que estejam gostando dessa história.
Obrigada a todas as pessoas que têm acompanhado e comentado.
bjs,
Ju
