Ela é tão linda,
Eu sou tão bobo.
Ela é certinha,
Eu sou um sapo.
Mas, olha só,
Quem é que diria,
O mundo dá voltas.
Ela é gostosa,
Mas eu sou um geek.


THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO


Episódio 03 – A Engenheira Espacial e o Playboy

Eu havia dormido como um anjo. Acho que depois de duas semanas eu me acostumei a dormir enquanto Sesshoumaru trabalhava de madrugada. Falando no desgraçado, achei estranho acordar antes dele. Geralmente era o contrário. Até por que eu nunca vi uma pessoa com um relógio biológico tão demoníaco como o dele.

Engatinhei na cama até poder olhá-lo adormecido no tapete. Ele estava deitado de bruços, as costas descobertas e parecia estar dormindo profundamente. Eu senti uma vontade fortíssima de me deitar no chão com ele (até por que estava um frio danado).

Dei alguns tapas no meu rosto. O que diabos eu estava pensando? Deitar no chão com aquele filho do demônio?! Eu só podia estar mesmo perdendo a cabeça, mas até loucura tem limite. Corri para o banheiro, antes que qualquer outro pensamento surgisse.

Agora, eu meio que entendia os homens, no que diz respeito àquela expressão "ducha de água fria". Embora estivesse tão frio que eu não me atrevesse a diminuir a temperatura do termostato do chuveiro.

– Droga. – disse Sesshoumaru da porta do banheiro.

Espera! Sesshoumaru... porta... banheiro? Fiquei encarando-o sem acreditar. Ele olhou-me da cabeça aos pés, o que me fez ficar consciente de que estava nua, embaixo do chuveiro.

Mesmo debaixo da água, eu sentia o calor do rubor que subia pelo meu rosto. Foi quando ele colocou a mão na frente da boca e começou a pigarrear. Espera um segundo aí! O que havia de tão engraçado no meu corpo que o fazia rir?!

– Do que você está rindo? – perguntei, indignada.

– Nada. – ele respondeu, saindo.

A minha raiva foi tanta que eu apenas peguei uma toalha e saí do banheiro enquanto a enrolava no corpo.

– Pode esperar aí... Do que você estava rindo?

– Já disse que nada. – Ele pegou uma calça jeans e começou a vesti-la, fazendo-me perceber que ele próprio estava apenas de cueca. Quer dizer que durante esses dezesseis dias ele andou dormindo seminu?! Toda santa noite? – Você não vai se vestir não? – ele perguntou, vendo-me apenas de toalha.

Apertei mais a toalha conta meu corpo e ergui o rosto com valentia.

– Está incomodado?

Ele me olhou dos pés a cabeça e respondeu, com um sorriso misterioso:

– Nem um pouco, e você?

– Pare de se fazer de espertinho. Por que você estava rindo? É tão difícil responder?

Ele me encarou por alguns segundos e começou a rir. Dessa vez não aquele riso estranho em forma de pigarro, mas um riso rápido que ele não conseguiu refrear. Logo ele colocou a mão na frente da boca, tentando parar.

– Você... Você está rindo de novo! – senti que ruborizava mais uma vez. Eu estava me sentindo horrível por causa daquilo.

– Eu estou rindo... – ele disse, depois de respirar fundo – Por que nunca tinha visto uma mulher ruborizar em partes tão... interessantes. – Ele comentou, olhando para a região dos meus seios.

Sabe aquele momento em que você sente o sangue bombear nos ouvidos, de tanta adrenalina? Foi isso que aconteceu comigo. No segundo seguinte eu voei em cima dele, dando murros em seu peito.

– Idiota! Estúpido! Imbecil! Nojento! Isso é coisa que se fale?! – Ele tentou segurar minhas mãos e foi nesse momento degradante que a porta do quarto foi aberta e Bankotsu irrompeu, sorrindo. Ele viu aquela cena e arregalou os olhos, provavelmente tentando entender por que eu estava só de toalha enquanto tentava bater em Sesshoumaru, que travaja apenas uma calça jeans.

Bankotsu se tocou a tempo de dizer para o cameramen esperar do lado de fora e fechar a porta. Nesse meio tempo, Sesshoumaru pegou os óculos e os colocou no rosto.

Foi quando vi meu amigo vir apressado em minha direção com cara de assassino que eu percebi que a coisa ia ficar feia.

– O que diabos está acontecendo aqui? – Bankotsu perguntou, empurrando-me para trás dele.

– Calma, Ban... É apenas... um percalço. – expliquei, vendo Sesshoumaru cruzar os braços na frente do peito.

– Não é o que parece. O que esse cara estava fazendo? – Bankotsu andou na direção de Sesshoumaru, mas eu me meti no meio dos dois. Eu não sabia se Sesshoumaru era do tipo esquentado, mas Bankotsu com certeza era, apesar de fingir o contrário.

– Está tudo bem, Ban. – Afirmei – Pelo amor de Deus, dá para deixar de bancar o irmão?

– Não dá. Se quer que eu me acalme, então me explique o que estava acontecendo. Eu te conheço desde seus treze anos, Higurashi Kagome, e só vi você com tanta raiva assim quando Kisame passou a mão nos seus peitos na oitava série. – Olhei para Sesshoumaru, morta de vergonha, e vi que o maldito parecia até interessado na conversa. Isso até Bankotsu se virar novamente para ele, perguntando – Você não passou a mão nos peitos dela, né? Senão eu juro que arranco as suas...

– Bankotsu!

Meu amigo se calou, mas continuou encarando Sesshoumaru. Quando não recebeu resposta, ele virou-se para mim, esperando uma explicação.

– Não sei se você percebeu, Bankotsu Shinji, mas sou maior de idade e em plena gozo das minhas faculdades mentais, então pare de bancar o protetor neste exato segundo. – Bankotsu franziu o cenho, quando me viu falando tão sério.

Meu amigo respirou fundo algumas vezes.

– Está bem, você está certa. Mas não gostei do que vi aqui. – Ele lançou um olhar para Sesshoumaru – Sangô vai ficar te devendo muito depois disso. – Ele seguiu para a porta e a abriu de supetão – E desçam logo, eu tenho que falar qual é a porcaria da prova.

Depois que ele fechou a porta, eu lancei um olhar para Sesshoumaru. Ele tirou os óculos do rosto e me encarou, com uma sobrancelha erguida.

– Acho que você precisa me explicar algumas coisas depois disso. – ele começou. Eu recuei um passo ou dois. – Primeiro: Sangô não é a produtora? Por que ela ficaria te devendo algo?

– É... É complicado.

– Sei... Que conjunto interessante de palavras você usou há pouco... "Gozo das faculdades mentais"... Onde você decorou isso, mesmo?

– Eu não decorei!

– Sério?

– É complicado também.

– É claro. – Sesshoumaru estreitou os olhos – Em terceiro: esse seu amigo por acaso é bipolar?

Dessa vez eu não agüentei e caí na risada. Céus, se ele soubesse que não era a primeira pessoa que me perguntava isso!

._.

Como diabos Bankotsu conseguia sorrir angelicalmente depois do estouro que tinha acontecido no meu quarto era um mistério, mas ainda assim ele o estava fazendo naquele momento.

– Bom dia, pessoas. Vim falar da prova de amanhã, que será feita pelas beauties. Dessa vez, falaremos de astronomia. A prova é surpresa e será revelada amanhã pela tarde. Espero que se divirtam com os volumes de estudos.

Ele foi obviamente mais sucinto que das outras vezes, mas ninguém percebeu que havia algo de errado. Tirando eu e Sesshoumaru quando Bankotsu lançou um olhar sério em nossa direção. Eu temi seriamente que ele fizesse algum gesto obsceno para Sesshoumaru, e fiquei agradecida quando o vi indo embora com a equipe de filmagem.

Eu não me surpreendi nada quando vi Kirito e Ryo se aproximando, embora a presença inusitada de Aspergius Kito fosse inquietante. O mais engraçado, no entanto, era que eles não queriam falar apenas comigo, mas com Sesshoumaru também.

– Ei, nós resolvemos fazer um RPG live action¹ situado na lua. – Explicou Kirito – Vai ser legal para estudar. A Sajia e a Yuki disseram que iriam se vocês dois fossem. Vamos? Precisamos de muita gente. O Kito-san vai ser o narrador.

– Eu estou pensando em batalhas. Eu estou pensando em Star Trek. Eu estou pensando em Apollo 17. – começou a dizer Kito. O que apenas me levou a ter certeza de que aquele mangaká era definitivamente estranho.

– Eu nunca participei de um live action. – Eu disse, soando animada. Foi quando me lembrei da condição das garotas: só iriam se Sesshoumaru fosse também. Malditas, haviam dito isso para se livrar da tarefa. Virei-me para ele. – Por favor, Sesshoumaru-san, vamos participar?

– Acho engraçado como esse san sempre brota nas horas mais oportunas. – Ele disse, irritado – É lógico que não vou participar disso.

– Que tipo de Geek é você que não se sente tentado a participar de um RPG live action situado na lua com um mangaká famoso sendo o narrador? – Eu perguntei, nem ligando para a platéia de três outros geeks.

– Do tipo que gosta de silêncio e solidão.

Emburrei e fiz biquinho, mas sabia que isso não adiantaria. Ao ver que ele estava irredutível, eu suspirei e me virei para os outros três.

– Desculpem, garotos, mas acho que seremos só nós quatro mesmo. Até por que o Sesshoumaru não é lá o que chamamos de pessoa criativa, então vamos dar um desconto para ele.

– Sua... – rosnou Sesshoumaru ao meu lado – O.k., muito bem, você venceu. Espero que isso não demore tempo demais.

Nada que um pouco de psicologia reversa não fizesse, não é mesmo?

– Nada como ciúme para convencer as pessoas. – comentou Kito.

Espera... Ciúmes? Isso agora era sinônimo para psicologia reversa?

– Acho que estar casado é mais ou menos como isso, não é mesmo? – Kirito deu o tapa com luva de pelica! O pior foi que Ryo concordou e os três saíram andando na maior animação.

Como assim?! Vermelha, olhei para Sesshoumaru, que não parecia afetado com os comentários.

– Vamos logo. – ele resmungou, seguindo os outros três patetas. Insensível de uma figa.

._.

– Admita que você se divertiu. – Eu disse ao entrar no quarto com Sesshoumaru. Eu estava suada, com a camisa cinzenta grudada ao corpo e muito, muito cansada. Mas nunca tinha me divertido tanto na minha vida.

– Você foi a única que se divertiu. Não entendo como alguém pode achar engraçado passar duas horas correndo em slow motion. – Sesshoumaru tirou a camisa e enxugou o rosto com ela. Agora ela nem se importava mais comigo! Antes ele só andava vestido e trocava de roupa no banheiro... Agora arrancava a camisa na minha frente na maior tranqüilidade. Canalha.

– E eu não entendo como você não pode ter se divertido. Você venceu a porcaria do jogo! Não há nada mais divertido que vencer! – Vi ele se sentando à mesa e protestei imediatamente – Nem pense em estudar antes de tomar o banho. O quarto vai ficar cheirando a cachorro sujo.

– Você acabou de me chamar de cachorro?

– Pare de se ater a detalhes e vá logo tomar banho. – Quando vi a expressão indignada dele, eu comecei a rir. Puxei-o pelo braço até ele se levantar da cadeira. – Vá logo, homem.

– Você deveria seguir meu exemplo e ir estudar para a prova de amanhã.

– Você me ajuda? – perguntei, fazendo beicinho. Ele revirou os olhos e foi para o banheiro sem dizer mais nada.

Eu estava rabiscando o livro de estudo quando Sesshoumaru saiu do banheiro apenas com uma toalha em volta do quadril.

Acho que estou com hemorragia nasal.

– Feche a boca. – ele aconselhou, pegando roupas no armário.

– E você tenha mais vergonha nesse seu focinho. Não saia do banheiro praticamente pelado!

– Da próxima vez que você se referir a mim fazendo alusão a animais, eu vou ter que tomar medidas drásticas. – Ele colocou a roupa sobre o ombro e voltou para o banheiro, mas antes tinha que soltar a última piada – Eu já vi você pelada, mesmo, achei que seria um consolo retribuir o favor.

A porta já tinha se fechado quando eu joguei o travesseiro na direção dele.

._.

Quando eu saí do banheiro depois de tomar banho, encontrei Sesshoumaru folheando meu livro de estudo.

– Eu queria entender... – ele começou – Algo que tenho percebido já há algum tempo... Por que você faz desenhos em todas as folhas dos livros, desde a primeira prova? – Ele me mostrou uma página onde eu havia desenhado um coração cortado por duas linhas paralelas. – Acho que você está grandinha demais para isso.

Na verdade, havia uma explicação bastante lógica para isso, mas resolvi não contar para ele. Apenas tirei o livro das mãos daquele maldito.

– Se não vai me ajudar, então não atrapalhe.

Ele deu de ombros.

._.

Nós fomos levados para uma área deserta, usada para lançamentos de foguetes caseiros. Isso nem me preocupou! (Notou a ironia?)

Paramos na frente de quatro mesas de madeira, cada uma apinhada de coisas que eu tinha até medo de descobrir.

Foi quando Bankotsu apareceu, sorrindo para nós.

– Olá beauties e geeks. Vocês já têm alguma ideia de qual será a tortura de hoje? – Vendo as expressões curiosas, Bankotsu riu – Vocês montarão foguetes caseiros! Aqui temos todas as peças para montar o corpo e a base, assim como os materiais para fazer a propulsão necessária para ele alçar vôo. Vocês terão quatro minutos para ler o manual e descobrir qual proporção das substâncias deve ser usada.

Kokuzi Kalin
Modelo
– Um foguete?! Passei a tarde inteira de ontem estudando sobre marte, o sol, a lua e os planetas... Não para fazer um... – Kalin parou de falar, enquanto observava com concentração algo atrás da câmera.

Kagome se virou para Sesshoumaru, parecendo exasperada.

– Céus... Se eu quase destruí a cozinha apenas por tentar cozinhar... Imagine o que vou fazer com isso aqui...

Sesshoumaru colocou a mão na cabeça dela, como se faz com uma criança.

– Vê se tem calma.

Aspergius Kito
Mangaká

– Ah... A Higurashi e o Taisho têm uma relação complicada... Você sabe "Love is all/
utagatterun deshou, ne?..."

(N/a: "o amor é tudo... mas sou suspeito para falar, não é?". Excerto da música Love is All da Yuki).

Kokuzi Kallen
Modelo

– Marte é um planeta? Você tem certeza absoluta?

._.

Eu respirei fundo e folheei as dez páginas do manual, parando apenas dez segundos em cada uma delas.

Faltava ainda três minutos para finalizar o tempo de leitura, mas eu não precisava de nenhum segundo a mais.

Sesshoumaru estava ao meu lado (para aquela prova, a produção deixara que os geeks nos dessem instruções), e me olhou com cenho franzido quando deixei o livro de lado. Bankotsu se aproximou e pegou o manual de mim, quando eu sinalizei que tinha terminado.

– Você já leu? – perguntou Sesshoumaru, meio surpreso – Eu acho que...

– Já vi tudo o que era necessário. – resmunguei para ele – Eu tenho que me concentrar em me acalmar para a montagem... Você deve ter notado que não sou uma pessoa exímia em coordenação motora.

– Sim, percebi, mas ainda acho que você deveria ter lido o manual com mais cuidado... Não deu tempo de...

– "Foguete Alpha. Base tripé com 120° entre cada aleta. Espessura de 25mm. Comprimento de 400mm. Anéis de fixação na parte inferior. Anel de fixação de elástico a 200mm da base. Pára-quedas na parte superior. Tubo interno para mistura de propulsão e ogiva. Proporção de propalente: 63% de nitrato de potássio, 32% de açúcar ou polissacarídeo similar e 5% de óxido de ferro." – recitei mecânicamente. Devagar, virei o rosto para ele, bastante séria.

Bankotsu ainda estava perto de nós e soltou uma risadinha irônica. Amigo maldito.

– Pois bem... – disse Sesshoumaru, ainda com o cenho franzido – Acho que você não precisa ler de novo.

._.

– Então... A primeira beauty que lançar o foguete vence a prova... Podem começar!

Kalin e Kagome iniciaram a montagem dos foguetes imediatamente. A diferença era a forma com a qual tratavam o processo. Kalin parecia estar montando mais rápido, mas também demonstrava nervosismo, excitação em demasia e falta de jeito. Kagome estava indo bem mais devagar, com mais frieza.

Yuki e Sajia iniciaram um pouco depois, tateando as coisas nas mesas para entender o que tinham a disposição. Sajia tentou fazer a mistura de propalente antes de terminar a montagem, o que resultou em o foguete explodir nas mãos dela por causa da pressão. Por sorte, ela não se machucou, mas estava fora do páreo.

._.

Olhei para o lado. Yuki e Kalin pareciam afobadas enquanto tentavam montar os foguetes. Eu estava indo devagar por dois motivos: se fizesse rápido, provavelmente faria mal-feito, e antes perder mais tempo que ter que refazer tudo; o segundo motivo era mais simples, eu não tinha coordenação suficiente para fazer aquilo rápido!

Tateei o foguete e vi que a estrutura estava firme. Imediatamente, peguei o açúcar e o coloquei no béquer para saber a quantidade exata.

– Faça o cálculo antes de manejar as substâncias. – disse Sesshoumaru ao meu lado.

– Já fiz de cabeça. 92 gramas de açúcar, 15 gramas de óxido de ferro e 193 de nitrato de potássio. – Enquanto dizia isso, joguei as quantidades indicadas de açúcar e óxido de ferro no tubo da ogiva. Peguei outro béquer (para impedir que o nitrato reagisse com resquícios do óxido) e coloquei o nitrato, pesando na balança para ter a quantidade exata. Para confirmar, ainda pesei o béquer vazio para assegurar que o valor da tara estava correto.

Respirei fundo. Eu deveria colocar o nitrato lentamente, para que a reação fosse mais lenta (ainda que eu devesse levar em conta que haveria mais superfície para reação). Se eu colocasse rápido demais, não teria tempo para fechar o tubo e colocar o foguete na posição certa para o lançamento.

Foi durante esse processo delicado que algo aconteceu.

O foguete de Yuuki, que estava ao lado de Kagome, explodiu e lançou destroços de plástico em todas as direções. Kagome se assustou quando foi atingida e, sem querer, derramou muito rapidamente o nitrato no tubo.

Surpresa, tentou fechar o tubo antes que a mistura reagisse, mas a propulsão iniciou antes que ela tivesse tempo de colocar o foguete na posição exata. Ao invés de subir, o foguete apenas fez um longo e baixo arco para a direita.

Ela estava fora do páreo. A única que restou foi Kalin, que pode terminar o foguete com calma, e venceu a prova.

._.

Sesshoumaru se aproximou de mim, virando-me até que pudesse olhar meu braço avermelhado, por causa do pedaço de plástico que me acertara.

– Ai! Está doendo, viu? – eu reclamei, fazendo careta.

– Essa droga de prova foi perigosa. – Sesshoumaru disse entredentes – Você se machucou em algum outro lugar?

– Não. Eu estou bem. – Tentei puxar o braço de volta, mas ele segurou com mais força – Eu estou bem, Sesshoumaru! A única coisa ferida aqui é meu orgulho.

– Pois se recomponha rápido. Não há motivo algum para bancar a mártir. – Fiz uma careta de desgosto para ele. Esse era o jeito sesshoumaruriano de dizer "não foi culpa sua", mas doía ouvir algo tão grosseiro.

._.

– Parabéns, Kokuzi Kalin, você venceu a prova. – Bankotsu acenou para Kalin que sorriu de volta, presunçosa – Você e Hakane Kirito estão salvos. Agora, vamos falar da prova dos cuecas. Lembrando que, se outra dupla que não da Kalin e Kirito vencer esta prova, as outras duas duplas estarão automaticamente na eliminação. – Bankotsu fez uma pausa – Pois bem, vou explicar a prova. Dessa vez, a missão de vocês é seduzir. Daqui a dois dias vocês serão levados para uma festa realizada pela TV Tokyo, e a missão de vocês é conseguir a maior quantidade de telefone de garotas. Quem conseguir mais... Vencerá. Dessa vez, sem volumes de estudo. Aúnica fonte de informação que terão serão suas companheiras.

ESTAMOS APRESENTANDO

THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO

Bankotsu se aproximou de mim, preocupado.

– Kagome, você está bem? Droga, o projétil foi bem em cima de você. Você sempre foi imã para tragédia. Eu não sei como você conseguiu ficar viva até agora.

– Mui amigo, você. – resmunguei, cobrindo o hematoma com a mão. Se Bankotsu visse como meu braço estava, provavelmente ia fazer um escândalo para me levarem para o hospital. Eu não queria isso. Hospitais nunca foram convidativos para mim.

Para evitar que meu amigo insistisse até ver o machucado, eu segurei a blusa de Sesshoumaru e o puxei, dizendo:

– Vamos logo, Sesshoumaru. A gente se vê depois, Ban.

._.

Eu estava deitada, cochilando, quando senti alguém sentando na cama. Abri os olhos devagar e dei de cara com Sesshoumaru (por sorte, sem os malditos óculos).

– Ei, estou tentando dormir aqui. – resmunguei.

– Vê se deixa de ser mimada e me passa esse braço. – ele disse, apontando para o hematoma que eu cobria com o lençol.

– Desculpe, senhor, mas estou sem o cutelo... Assim fica difícil romper as articulações e lhe dar o braço que você... – Antes que eu pudesse terminar, ele puxou meu braço para ele – Ai! Isso é carne humana, sabia?

– Sério? Lá se vai minha teoria sobre você descender de lagartos. – Ele revirou os olhos e ergueu a manga da minha camisa. – Olha só isso. Está roxo. Até quando ia esconder?

– Você acabou de fazer uma piada ou foi impressão minha?

Ele me encarou e deu um suspiro cansado. Acho que ele não gostou muito do fato de eu tentar mudar de assunto quando ele estava tentando ser gentil (amham, um poço de amabilidade, ele). Ele abriu uma maleta de primeiro socorros (que eu só tinha visto naquele momento) e tirou uma pomada e bandagens.

– Eba! – eu disse, animada – Adoro pomada à base de diclofenaco! Tem um cheiro bom. - E estava falando a verdade.

– Você é obviamente estranha. Mas esse é apenas um comentário retórico. – Ele passou a pomada no hematoma e massageou em círculos. Com isso, comecei a acreditar que era ele mesmo o autor da massagem milagrosa na prova da semana passada. Eu apoiei minha cabeça no travesseiro e fechei os olhos.

Quando boa parte da pomada já tinha sido absorvida pela pele, Sesshoumaru passou as bandagens em volta do hematoma.

Ainda de olhos fechados, sorri para ele.

– Obrigada. – sussurrei.

– Disponha.

._.

Quando acordei já era noite. Não vendo sinal de Sesshoumaru, desci de moletom para a cozinha para ver se descolava um rango. Encontrei uma vasilha na geladeira com um recado colado na tampa.

"Kagome-san,

É só esquentar. Espero que goste.

Sajia"

Ô, menina abençoada. Coloquei a vasilha no microondas e comecei a pegar os talheres e o prato. Quando me virei, quase joguei tudo pro alto quando dei de cara com Ryo. Ele estava sem óculos e com cabelo bagunçado. Estava tão lindo que meu vontade de mordê-lo. O que esses óculos do inferno têm que conseguem fazer esses homens parecer feios?

– Desculpe, Kagome-san, não queria assustá-la.

– Está tudo bem. O que aconteceu com os óculos?

– Yuki-san está tentando um novo visual... Eu não me sinto muito confortável, mas ela disse que eu tenho que estar apresentável para a festa. – Ele riu – O que você acha?

– Está muito bom. Você é um homem bem bonito. – Sorri para ele e segui para o microondas quando ele berrou avisando que tinha terminado seu serviço.

– Ehr... – Ryo foi atacado pela timidez mórbida mais uma vez e passou a mão pelos cabelos castanhos. Agora sem óculos, percebi que os olhos dele estavam mais para verdes que para marrons.

– Não fique envergonhado, Ryo. Estou sendo sincera. Uma coisa que faço raramente, se quer saber.

Ele riu.

– Eu entendo... É só que... Eu também acho você muito bonita, Kagome. Mas eu não estou apenas falando de aparência externa... Você... É uma mulher incrível.

Sorri para ele, tentando disfarçar minha reação real: a de surpresa e um pouco de cautela. Maldito Asperger, por causa dessa maldita síndrome eu só vim perceber agorao interesse dele. Idiota! Fiquei alimentando um sentimento que não poderia retribuir e talvez entrasse numa enrascada enorme.

– Bem... – sorri para ele – Ao menos você acha isso. O Sesshoumaru pensa que eu sou apenas uma lesma sem cérebro.

– Acha mesmo.

Eu e Ryo nos viramos para Kalin parada no vão da porta. Ela estava na penumbra, então poderia estar ali a um bom tempo ouvindo nossa conversa. Eu sabia que ela estava interessada no Ryo, então isso com certeza ia dar em merda.

– Aliás, não sei como você agüenta aquele tal de Taisho. Ele parece um idiota com aqueles óculos o tempo todo. – Ela continuou, entrando na cozinha – Mas você parece que gosta bastante dele, não é, Kagome-san? Uma pena... Eu mesma ouvi ele falando essa tarde para o Kito que o azar dele foi ter saído numa dupla com você. Faz sentido, a duas provas que você perde por ser boba. Você tem que prestar mais atenção no que faz, Kagome-san...

Eu me levantei devagar, fechei a vasilha de comida e a coloquei na geladeira, intocada (perdi a fome depois disso). Virei para Kalin e disse:

– Olha, Kalin, eu acho que estou velha demais para levar a sério conselhos de gente tola... Ainda assim, obrigada pelo comentário muitoconstrutivo. Só queria deixar uma coisa bem clara: tome cuidado com as mentiras que você inventa. Sesshoumaru pode ter muitos defeitos, mas culpar outra pessoa por ela não ter conseguido algo que não estava sob seu controle não é um deles. – Provavelmente por não ter expectativa nenhuma em mim... Mas ela não precisava saber disso. – E mais... Se você tivesse prestado atenção em alguém mais além de você mesma, teria percebido que ele é do tipo que fala o que pensa, pouco se importando para quem. Se ele tivesse algo a reclamar, teria dito para mim. – Virei-me para Ryo, que observava tudo com constrangimento – Boa-noite, Ryo.

Ao sair da cozinha, dei de cara com Sesshoumaru no corredor. Ele ergueu as sobrancelhas ao me ver.

– Você... ouviu? – perguntei, nervosa.

Ele me encarou, parecendo muito concentrado.

– Sim. Cada palavra.

Soltei um resmungo de desespero e saí andando na direção da escada. Ótimo, agora Sesshoumaru tinha mais um motivo para não gostar de mim.

Embora agora eu não saiba o porquê de eu querer algo do tipo. Eu, hem... É cada coisa.

._.

A noite estava quente, então vesti um pijama tipo babydoll, com short curto de tecido e decote decorado com renda preta. Sesshoumaru não se importava de andar seminu por aí, então eu também não me importaria! Até por que ele tinha visto muito mais do que o revelado pelo pijama.

No entanto, quando entrou no quarto e me viu, ele parou por alguns segundos. Acho que ele não gostou muito do que viu, pois apenas suspirou e foi tomar banho. Ao sair, vestindo apenas uma calça de pijama, comentou:

– Acho melhor não sair do quarto vestindo isso.

– Por quê?

– Nada. – Ótimo, lá vinha ele com as respostas curtas. Sesshoumaru sentou-se na cadeira, virado para mim. Com vergonha, peguei o travesseiro e coloquei em cima das minhas pernas. – Como está o machucado? – ele perguntou

– Está melhor. Vai sarar logo.

– Hum... Você vai me explicar como conseguiu decorar aquele manual tão rápido daquele jeito?

– Memória seletiva. – eu disse, omitindo grande parte da verdade.

– Quer dizer que você conseguiu... Por que é estúpida?

– Você continua um doce de pessoa, como sempre. – Dei língua para ele. Sesshoumaru cruzou os braços como se dissesse "ora, que atitude mais adulta". – Vamos deixar isso de lado. Nós precisamos conversar sobre a prova. Você entendeu que vai ter que dar em cima das mulheres, não é? – perguntei com desgosto, ciente de que daria uma trabalho danado fazer Sesshoumaru parecer ter um caráter agradável.

– Não vou fazer isso.

Arregalei os olhos.

– Como não?! Você vai perder a prova se não fizer isso.

– Então que assim seja. Eu não vou dar em cima de uma mulher sem querer ter nada com ela. – ele disse, enfático.

– Você pode se interessar por alguma. – Ele apenas me encarou, e eu tive que aquiescer: – O.k., está bem... O que vamos fazer então? Você ao menos tem que se vestir melhor.

– Não.

– Você tem certeza absoluta disso?

– Sim.

Idiota! Como ele quer conseguir o dinheiro para o laboratório dele desse jeito?

VOLTAMOS A APRESENTAR

THE BEAUTY AND THE GEEK JAPÃO

Eu e as outras fomos levadas para uma sala por onde acompanharíamos o desenvolvimento dos rapazes por uma televisão. Kirito-san, tímido e envergonhado, apenas ficou parado num canto, observando a movimentação. Kito-san, no entanto, falou com muitas mulheres, e até conseguiu um bom par de números (apesar de boa parte das mulheres se assustarem com a aproximação agressiva).

Cada vez que eles faziam algo errado, nós conversávamos entre nós. Mas quando começou a passar as cenas de Sesshoumaru, eu me calei. Eu não sabia se queria ver aquele desastre.

Uma garota se aproximou de Sesshoumaru, sorrindo.

– Oi, vi você andando por aí e resolvi ver se eu poderia ajudá-lo a achar o que voce está procurando.

Eu arregalei os olhos. Alguém estava dando em cima de Sesshoumaru apesar da aparência desleixada dele? Para variar, sorrindo daquele jeito, toda coquete. A vadia não tinha ninguém mais para escolher, não? Ninguém mais atraente? Alguém mais que não fosse o Sesshoumaru?

Percebendo que se algo do tipo realmente acontecesse, então realmente não havia chance alguma de ele ganhar a prova, eu refreei o pensamento.

– Eu pareço estar precisando de ajuda? – Sesshoumaru perguntou grosseiramente.

– Não... Mas quem sabe... Não quer beber alguma coisa?

– Não.

A garota ergueu uma sobrancelha e suspirou. Então tirou a agenda da mão dele e escreveu algo.

– Se você mudar de ideia...

Como assim?! Havia funcionado? Uma garota tinha dado o número para ele, apesar de ele ter sido o grosso, estúpido e sexy de sempre?

Enfim, a parte do sexy explicava alguma coisa, mas, ainda assim, fazia com que eu me sentisse envergonhada com meu próprio gênero por se sentir atraído por cretinice.

Pelo resto da noite, Ryo é que foi motivo de orgulho. Ele tentou vencer a timidez e conversou com muitas mulheres, que logo se encantavam pelo rosto bonito, pela inteligência, pela calma e pela timidez dele. Ele conseguiu muitos números... Muitos mesmo! Estava mais que óbvio quem venceria a disputa.

– Vamos fazer a contagem, então... Futari Ryo: 39 números. – Bankotsu arregalou os olhos, surpreso – 39? Pois bem, acho que alguém não vai ficar solteiro por um bom tempo. Hakane Kirito: 1. – Banktosu imediatamente prosseguiu com a contagem – Aspergius Kito: 12. Foi uma boa quantidade, Kito-san. Taisho Sesshoumaru: 28. Uau.

Como é que é?! A única coisa que Sesshoumaru tinha feito era ficar andando pelo salão, sendo cretino com qualquer um que se aproximava, e ele ainda havia conseguido 28 números?! Eu não entendo as mulheres! Elas gostam mesmo de sofrer, só pode!

– Com isso, nosso vencedor é Futari Ryo. Você e sua companheira, Nanamura Yuki estão livres da eliminação. Infelizmente, amanhã de manhã nos encontraremos para o paredão, Sesshoumaru Taisho, Kagome Higurashi, Aspergius Kito e Basset Sajia.

._.

– Semana passada estava frio como o Everest e agora tá esse calor de estágio no inferno – reclamei. – Maldito aquecimento global!

– Necessariamente, o aquecimento global é um fenômeno comum e superestimado pela mídia. – Sesshoumaru comentou casualmente, mais uma vez enfiado em um livro. Eu tinha perdido as contas de quantos eu já vira na mão dele (mentira, eu sabia perfeitamente: foram 47 livros diferentes, em menos de três semanas).

– Oh, como é ótimo dormir com um nerd. – resmunguei, irônica. Foi quando Sesshoumaru ergueu os olhos e me encarou, meio surpreso, que eu percebi o que tinha dito. Senti que tinha ficado roxa de vergonha, mas não tentei me explicar. Isso pioraria as coisas em velocidade vertiginosa. – Tá um calor.

– Tenho que concordar. – Sesshoumaru resmungou... Mas por algum motivo pareceu que ele não estava falando da mesma coisa que eu.

– Isso me lembra que temos uma piscina aqui. – Sentei na cama – Vamos?

– Lógico que não.

– Vamos, por favor.

– Por que diabos você está me chamando? – ele perguntou, virando-se para mim.

– Por que está escuro lá fora e eu tenho medo. – Ele fez uma careta de "amham" – Vamos logo... Ninguém vai ver o seu tanquinho, prometo. – Caralho. Tenho que botar a porra de um filtro entre meu cérebro e a boca urgentemente!

Ele colocou a mão na frente da boca e começou a pigarrear. Que ótimo. Quero enfiar minha cabeça no chão, que nem um avestruz (só que não).

– Você vai ou não? Responda logo, por que se não for eu vou ter que ir atrás da Sajia ou do Ryo.

Ele revirou os olhos e eu soube que ele iria.

._.

– Bala de canhão! – gritei, pulando e abraçando minhas próprias pernas antes de cair na água. Emergi a tempo de ver ele mergulhando com graça de um nadador experiente. Maldito, até nisso era incrível.

– Você não é capaz nem mesmo de mergulhar numa piscina como uma pessoa normal? – ele perguntou, aproximando-se de mim.

– E você faz tudo certinho. – comentei – O senhor perfeito. Você deveria sair um pouquinho mais da margem, Sesshoumaru. Você se veste com roupas folgadas e usa óculos para não chamar atenção. Afasta as pessoas de si mesmo com grosseria. Sabe... Esse reality é meio ridículo, é verdade, mas é uma experiência social interessante... Você deveria aproveitar para aprender algumas coisas.

– Novamente uma escolha de palavras interessante. Às vezes acho que você tem dupla personalidade: uma retardada e uma não-tão-retardada.

– Vê só? Lá vem a grosseria mais uma vez. – Joguei água no rosto dele.

– Desgraçada. – ele rosnou, jogando água de volta, fazendo com que um pouco entrasse nos meus olhos.

– Sesshoumaru-sama... Você é tão violento! – falei teatralmente, coçando meus olhos – Não vou mais dividir essa piscina gigantesca com você! – Eu não sei o que tinha dado em mim para brincar desse jeito, acho que foi em grande parte por que ele havia entrado na brincadeira de guerra de água. Nadei em direção da escada e saí da água, desfilando com meu biquíni preto na direção da casa.

– Você me forçou a vir para cá e agora inventa de ir embora? – Cremdeuspai! Quando esse ninja havia saído da piscina? Eu ainda tentei correr, mas ele foi mais rápido e me pegou no colo, pulando na piscina comigo nos braços. Acho que engoli meio litro de água por causa disso.

Comecei a tossir quando emergimos, ainda no colo dele.

– Filho-de-uma... – antes que eu pudesse completar o impropério ouvi um grito fora da piscina e alguém cair na água. Quando olhei, era Kito. Sajia estava do lado de fora da piscina, encarando Sesshoumaru e a mim.

– Desculpe, gente. Vimos vocês da janela do nosso quarto e achamos uma boa ideia nos juntarmos a vocês. Não queríamos atrapalhar. – Ela desviou o olhar, ruborizada, e foi quando percebi que ainda estava no colo de Sesshoumaru.

Soltei-me rapidamente dele, ficando de pé. Sesshoumaru começou a pigarrear, mas acho que dessa vez era só constrangimento, mesmo.

Kito esbarrou em mim. Virei para ele, que estava sorrindo.

– Fico feliz de vê-la nesse biquíni, Kagome-san. – ele disse – Você é tão pálida... Fica linda num biquíni preto. Não acha, Sesshoumaru? – Kito desviou os olhos de mim para Sesshoumaru, e se calou. Provavelmente olhando pela primeira vez para ele e percebendo que ele estava sem os óculos.

Sesshoumaru pegou minha mão e me puxou para fora da piscina. Ele com certeza queria sair dali o mais rápido possível.

Sajia olhou Sesshoumaru dos pés a cabeça e arregalou os olhos. Antes de estarmos longe demais, ouvi ela perguntar para Kito:

– Aquele era mesmo o Taisho-san?

._.

– Aqui. – Ele jogou o volume de estudo no meu colo – Pode estudar que amanhã temos que eliminar aqueles dois antes que eles contem sobre a minha aparência...

Arregalei os olhos. O que ele diria se soubesse que eu não precisava abrir o livro para ter acesso às páginas? Que todas as informações estavam aqui, no meu cérebro?

– Não. – eu disse, deitando na cama – Lamento, mas vou dormir. Cansei. Já são duas da manhã... Você deveria fazer o mesmo.

– Você só faz o que quer, não é?

– Não, mas dessa vez vou fazer. – Entrei debaixo do cobertor – Boa-noite.

._.

– Bom-dia. – disse Bankotsu. À frente dele, estavam as duas duplas que disputariam para não saírem do reality. – Infelizmente, hoje dois de vocês vão deixar a disputa. Para não serem eliminados, vocês têm que conseguir o maior número de pontos possível. Para tal, teremos duas fases. Na primeira, os homens responderão três perguntas, cada uma valendo um ponto. Depois, virão as mulheres, e responderão mais três. A dupla que fizer menos pontos, perde. Alguma dúvida? – Ninguém se pronunciou – Pois bem, senhoritas, por favor, esperem na outra sala.

._.

Eu e Sajia saímos para a ante-sala, onde havia uma televisão por onde assistiríamos tudo o que acontecesse.

– Kagome-san... Boa sorte. – sorriu Sajia – Ficando ou saindo, vou realmente sentir sua falta.

Sorri para ela também.

– Eu também. Nunca comi tão bem quanto nessas três semanas, eu juro. – o sorriso dela alargou com isso. Vimos de relance na televisão a imagem de Kito e de Sesshoumaru. Foi quando ela se pronunciou:

– O Sesshoumaru não parece ele mesmo.

Arregalei os olhos, surpresa. Ela continuou:

– Por que ele se veste assim?

– Não sei dizer. Provavelmente para não chamar atenção. Você e Kito-san... Contaram para alguém sobre ele?

– Não! Não, prometo. Achamos que se ele quisesse que todo mundo soubesse, teria se mostrado.

Suspirei, de alívio. Eu não sabia o motivo de Sesshoumaru não querer que os outros soubessem a verdade sobre a aparência dele, mas sabia que era algo importante.

– Obrigada. – eu disse, e ela acenou afirmativamente.

Começamos a prestar atenção na televisão... As perguntas começavam.

._.

– Você começa, Kito-san... – anunciou Bankotsu, apontando para seis envelopes numerados – Escolha um número.

– 1, por favor.

Bankotsu pegou o envelope e começou a ler a pergunta.

– Se você estiver em um encontro com uma garota e soltar gases, o que é que não se deve fazer? – Bankotsu tentava não rir enquanto lia.

Kito riu.

– Não sei... Colocar a culpa nela? – Kito chutou.

– Não. – Disse Bankotsu – A resposta certa seria "rir". Sua vez, Sesshoumaru-san.

– 2.

– Pois bem... – Bankotsu abriu o envelope – Falando de linguagem corporal, ao colocar a mão nas costas de uma mulher que lhe interessa, qual a altura mais adequada?

Falando em linguagem corporal, a de Sesshoumaru deixava bem claro que achava que aquilo era pura baboseira.

– Na altura dos ombros, indicaria amizade, na base da coluna, um relacionamento passageiro... Então a resposta seria o meio-termo: o meio das costas.

– Está correto. Você tem um ponto. – Bankotsu virou-se para Kito – Sua vez, escolha um número.

Eu fiquei assistindo aquilo tudo meio surpresa. Era idiota demais para ser verdade. Quem é que saberia a resposta para aquele tipo de coisa? As perguntas seguintes de "sete a cada dez mulheres gostam de que tipo de passeio romântico?" ou "qual seria a forma adequada de se aproximar de uma mulher sem intimidá-la?" eram abrangentes demais.

Mais surpreendente foi que Sesshoumaru não errou nenhuma pergunta, e Kito conseguiu responder duas. Esses demônios! Eu era um arquivo humano, era verdade, mas eu só saberia uma informação se a lesse. Eu não buscava "todo tipo de informação" como esses nerds malditos.

Logo, Bankotsu chamou para que eu e Sajia seguíssemos para a sala.

._.

Kagome e Sajia entraram na sala. Sajia agradeceu o esforço de Kito, enquanto Sesshoumaru e Kagome nem mesmo olharam um pro outro.

– Agora é a vez das nossas beauties... Esperem lá fora por favor.

Antes de sair, Sesshoumaru tocou a cabeça de Kagome, que apenas lançou um olhar irritado para ele.

– Ok. Comecemos. Sajia-san... Escolha um número.

– 6.

– Muito bem. "Qual é a medida de distância usada para definir a distância entre corpos no espaço?"

– Ehr... Anos-luz, acredito.

– A resposta está correta. Você agora está com 3 pontos, contando com os 2 feitos por Kito-san. – Bankotsu colocou o envelope de lado – Kagome-san, sua vez.

– Número 1, por favor.

– "Quem descobriu o planeta Urano?"

– O astrônomo inglês William Herschell, em 13 de maio de 1781.

Bankotsu tentou esconder um sorrisinho, mas não foi bem-sucedido.

– Está correto. Sajia-san?

– Número 2.

– "Qual a estrela mais brilhante da constelação de leão?"

._.

Kito sorriu, ao ouvir Bankotsu fazendo essa pergunta.

– Ela sabe essa. – arfou.

._.

– A estrela Regulus, senhor.

– Está correto. Com isso, 4 pontos. Kagome-san, você é a próxima. – Bankotsu sorriu para ela.

Kagome massageou o pescoço.

– 3.

._.

Merda, merda, merda. Agora fico pensando... Se eu responder tudo corretamente, Kito e Sajia vão ter que sair. Mas caso eu não responda, o grosso idiota que está naquela sala não vai conseguir o dinheiro pro maldito laboratório.

É uma porcaria essa indecisão.

._.

– "Defina matéria escura".

._.

– Como assim? – exclamou Kito – Essa pergunta não está no mesmo nível que as outras!

Kito e Sesshoumaru observaram enquanto Kagome coçou o meio entre as sobrancelhas. Definitivamente, não parecia saber a resposta.

._.

Kagome começou, hesitante:

– Essa é uma pergunta muito abrangente... Mas vou tentar responder de uma forma sucinta. O que podemos ver é matéria visível, isso, no entanto, é apenas uma pequena parcela do que é composto o universo. De fato, sempre acreditamos que além da atmosfera de qualquer planeta haveria apenas vácuo, ou seja, a inexistência de qualquer matéria, além da visível. A questão é que "algo" interage gravitacionalmente com os astros, o que seria impossível em um verdadeiro vácuo. Esse seria então o conceito de matéria escura: a matéria fria que interage gravitacionalmente com a matéria visível.

Dessa vez Bankotsu riu abertamente.

– Acho que isso responde a pergunta, obrigado. Você está com cinco pontos. Sajia-san...

– 5.

– "Por quê a lua não tem atmosfera?"

Sajia arregalou os olhos, atordoada.

– Eu vi isso, mas... Eu não sei dizer... É por que... é pequena?

– Por que sua massa é seis vezes inferior à necessária para se ter uma atmosfera. Então, sim, por que é pequena. Vamos aceitar sua resposta. Você tem cinco pontos. Se Kagome-san responder a próxima pergunta corretamente, ela vence. Portanto, temos aqui apenas o número 4. Pois bem: "Que planeta recebeu o nome de um deus mitológico romano equivalente ao deus Marduk, da mitologia babilônica?".

._.

Bendita memória fotográfica. Isso não havia nos volumes de estudo. O próprio Sesshoumaru havia comentado a ausência de analogias a mitologias no livro. Mas isso não fazia diferença para mim. Imediatamente fiz o paralelo da imagem do deus Marduk (vista em um livro de história na minha terceira série) ao seu deus equivalente na mitologia romana.

._.

– Júpiter.

– A resposta está correta. Sesshoumaru-san e Kito-san, por favor, venham para a sala. – Os dois logo entraram surgiram. – A dupla Taisho Sesshoumaru e Higurashi Kagome venceu a disputa com seis pontos. Portanto, infelizmente, Kito-san e Sajia-san, vocês estão eliminados.

._.

Quando a filmagem acabou, eu me despedi de Sajia e Kito, e dei meu número de telefone a ela para que nos encontrássemos quando eu saísse da casa. Até Sesshoumaru foi amável o suficiente para dizer "a gente se vê por aí".

Quando eu e Sesshoumaru estávamos para sair, veio a surpresa:

– Ei, vocês dois, antes de saírem, é para vocês irem a um lugar. – Bankotsu chamou.

– Que lugar? – perguntei.

– Na sala de produção. Um carro vai levá-los até lá.

._.

Entrei na sala de produção com Sesshoumaru atrás de mim. Antes que eu conseguisse dar um passo adentro, uma pessoa se chocou contra mim, abraçando-me pelo pescoço.

– Ka-chan! – Era Sangô – Eu tentei impedir... Mas esse seu advogado é um demônio. Ele ameaçou nos processar por alieanação contratual se ele não pudesse falar com você.

– Calma, Sangô... – falei, olhando de esguelha para Sesshoumaru – Do que diabos você está falando?

– De mim, obviamente. – falou uma voz grave ao meu lado. Senti um arrepio se estender pela minha espinha. Droga, Sangô! Por que você não conseguiu ao menos isso!

Virei-me lentamente para o moreno alto de olhos verdes sentado no sofá. Ele se levantou, alisando o terno caro, e veio em minha direção.

– Hayato. – falei lentamente, tentada a me afastar.

– Ora, ainda lembra meu nome? Engraçado, queria que você tivesse se lembrado que eu existia quatro semanas atrás, para me avisar que sumiria da face da Terra! – Ele disse, com expressão séria. Droga... Ele estava usando a expressão de advogado mal comigo. Acho que vou chorar.

– Você estava viajando...

– Para que serve telefone? – Ele perguntou, erguendo as sobrancelhas – Se eu não tivesse ligado a televisão há uma semana, nunca teria descoberto onde você estava. A única informação que sua secretária tinha era a de que você passaria um mês e meio fora!

– A Sangô me obrigou. – choraminguei. Quase chorei de alívio quando ele lançou aquela careta "sexy and very evil" para ela.

– Ela me devia favores. – Sangô tentou explicar – Eu precisava dela.

– Eu preciso bem mais. – Hayato afirmou – Nessas três semanas, a estúpida da Yume perdeu prazo para interpor recurso, não conseguiu fazer a carga e ainda esqueceu certidão; saiu a sentença do caso Yamata com decisão indeferindo o pedido e condenando a pagar honorários; e o seu cliente, o Higashi, se meteu em encrenca de novo... E onde você estava? Brincando de modelo.

– Está bem, Hayato, entendi... Entendi. – Respirei fundo – Em quê que o Higashi se meteu?

– Tentou furtar um isqueiro de uma loja de presentes em um shopping center. Sei, sei... Você sabe que não adianta alegar cleptomania. A promotoria já conseguiu laudos dizendo o contrário antes, e vão conseguir agora também.

– Tudo bem, isso é tranqüilo. Alegamos princípio da insignificância. – comecei.

– O isqueiro custava mil yenes.

Táquepariu... Ele estava sendo monitorado pelas câmeras?

– Sim.

– Então alegamos crime impossível. Ele está preso?

– Não, já impetrei habeas corpus. – Hayato suspirou – Você tem que voltar logo, Kagome. Temos audiências importantes no próximo mês e...

– Vocês podem conversar sobre isso depois. – Sangô interrompeu – A Kagome não pode sair do reality agora, Hayato. Esses dois estão fazendo milagres pela audiência.

"Esses dois..." Quem seriam? Ah, eu e...

Lentamente, voltei-me para a porta, lembrando tarde demais que Sesshoumaru estava assistindo aquela cena toda de camarote. Ele olhava para mim, de cenho franzido, como se não houvesse explicação plausível para o que ele via.

– Olha, eis o que tenho para ofertar, Hayato... – começou Sangô – Permito que diariamente o escritório de vocês mandem processos para ela. Mas só. Ela não sai do reality a menos que seja eliminada.

– Eu não vou aceitar isso. – afirmou Hayato.

– A Kagome é quem decide.

Os dois viraram para mim e eu tive que desviar meu olhar de Sesshoumaru. Massageei as têmporas. Se eu saísse agora, Sesshoumaru sairia prejudicado. Em compensação, se eu ficasse, meu escritório ia passar por alguns apertos.

Realmente, não havia outra escolha.

– Desculpe, Hayato, você vai ter que segurar as pontas sem mim.

Hayato pareceu consternado, mas não falou nada. Sangô sorriu vitoriosa para ele.

– Muito bem, agora você tem que sair, que eu tenho que conversar com eles.

Hayato suspirou e deu um beijo na minha testa antes de sair.

– Bem... Taisho, eu chamei vocês aqui... – começou Sangô, mas foi interrompida por Sesshoumaru:

– Só um segundo. – Ele tirou os óculos (o que causou um arfar em Sangô) e me encarou – O que diabos tudo isso significa?

– Ehr... Eu... – gaguejei.

– Eu vou dizer o que está acontecendo aqui. – disse outra voz masculina, de um homem que eu só percebera agora. Era Kouga, o diretor do reality – Aqui, Taisho, isso vai fazer você entender. – Ele entregou um maço de folhas para Sesshoumaru – Esse é o currículo dela.

Gemi baixinho. Sabia muito bem quais eram as informações que estavam ali. Graduada com mérito em Direito na Universidade de Tóquio. Especialização em Direito Público pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha. MBA em Gestão de Recursos Humanos pela School of Lund, na Suécia. Fluência em seis idiomas. Dezenove premiações em eventos científicos.

Era um currículo realmente assustador para alguém da minha idade. Era motivo de orgulho, na maior parte do tempo. Mas não agora, enquanto era lido por Sesshoumaru.

– Foi por isso que chamamos vocês aqui. – disse Kouga – Se a audiência descobrir quem ela realmente é, então teríamos alguns problemas, incluindo alegações de fraude. Eu tinha conhecimento de que ela era advogada, mas não que ela era uma das melhores da cidade. Isso muda completamente as coisas.

Sesshoumaru ergueu o rosto, mas não me encarou, apenas devolveu o currículo para Kouga.

– Por isso, queríamos pedir a você, Kagome, que, a partir de hoje, mesmo que você tenha conhecimento sobre o assunto, você usasse nas provas apenas as informações disponibilizadas pela produção. Tudo bem?

Respirei fundo e acenei afirmativamente.

– E quanto a você, Sesshoumaru, eu o chamei aqui por que acreditei que você estava envolvido demais na situação para ficar alienado por mais tempo. – Kouga bateu no ombro de Sesshoumaru, mas recebeu um breve olhar de repúdio em troca, o que fez o diretor se afastar. – Bem... O carro vai levar vocês para a mansão.

Eu mordia nervosamente meus lábios. Antes de sairmos, Sesshoumaru me encarou como se dissesse "Você realmente tem muita coisa para me explicar".

Que ótimo. Agora ele me odiava.

Beauty and The Geek © TV Tokyo


Notas:

¹Um RPG live action é um em que você não imagina o cenário narrado pelo Mestre (ou Narrador), mas utiliza o espaço à sua volta como o cenário de jogo. Em uma sessão de RPG comum, cada jogador pega a sua ficha e senta-se à mesa, como em um jogo qualquer, representando ali o seu papel sem nenhuma interação real com outros jogadores; Jjá o live action é o estilo de RPG que mais se aproximaria de um teatro de verdade. Você representa o seu personagem exatamente como um ator representaria.

É exatamente como uma peça de teatro, onde cada jogador representa um personagem: As diferenças são que esses personagens foram construídos antes com ajuda do mestre, e que estes personagens não seguem um 'script' (guião) pré-definido. [Fonte: Wikipedia]


Oi, gente!

Esse capítulo gigantesco! São 25 páginas escritas. ENORME.

Enfim, digam o que acharam. E não esqueçam de acompanhar as fanfics da Fkake, que são as Sesshomes mais divas do século.

Enfim, vamos lá:

H

Só para dizer que te amo por deixar uma review. *_*

Amy-0

OMG! ELE ACABOU DE DESCOBRIR.

A reação dele só no capítulo que vem.

"como ele consegue ser tao perfeito? inteligente, atraente um verdadeiro deus grego, ótimo massageador e cozinheiro? o q ele não sabe fazer? XD"

Nada! UHAUAHUAHA O Sesshy é divo. Deus grego maravilhoso.

neherenia

Risada silenciosa. Oo QUERO LER O SOMBRA.

UHAUAHUHA Vou procurar imediatameente para ler.

O Sesshy ciumnto é a coisa mais linda que existe.

Eles são um par perfeito, mesmo. UHAUHA Espere até o proximo capitulo.

Jooh Chan

Sim, o reality é divo. Um pouco bobo, mas bem divo.

E sim, todas as provas dessa fanfic aconteceram no reality, o que deixa tudo mais divo ainda.

Pitty Souza

Você gosta de capitulos grandes?!

Esse capitulo tem 25 páginas. *_*

UHAUHAUHUAHUA

Até a próxima, pessoas.