She doesn't want the world...

- Lily olha o buraco! - alguém lá do fiofó do ser insignificante parasitário do parasitário da ameba da formiga, me avisou.

Tarde demais.

- Dava pra ter falado antes! - reclamei com o tornozelo dolorido e não conseguindo ficar de pé.

- Não era minha culpa se você gravitava em torno do planeta James Potter – retrucou Alice ofendida e Samara olhava de uma para outra (dentre nós duas), com um grande ponto de interrogação na testa.

Eu sempre ignorei a existência de meu adorável priminho na presença delas. E agora eu me pergunto: por que trazer à superfície a identidade de um ser quase morto, huh? Viram pelo meu ângulo?

As duas tentaram me carregar e foi quando Aline pulou em nossas atrapalhadas e doloridas vidas.

Com um sorriso muito amedrontador no rosto.

Entendam-me, nada contra a alegria alheia. Mas, e esse mas tem que ser maior: MAAAAS!!!!, quando a Aline aparece com um sorriso desses no rosto, é encrenca.

Fato.

- Isso é tarefa para um cavalheiro, meninas – e gesticulando para as duas me largarem, não importando quão assustada a doente (que sou eu, deixemos claro isso) estivesse.

E fui arrancada do chão por dois braços fortes.

Foi quase um estupro.

Okay, meeeenos. Mas foi um susto, não importando se os braços eram bem modelados, malhados, torneados, bronzeados, másculos, sexy e...

- AH NÃO! - encarei o dono dos ditos cujos perfeitos.

- Se Potter descobre que torceste o pé na minha presença, eu perco o emprego – Edgar sentenciou gravemente, me fazendo esquecer o que eu deveria dizer, ou fazer em seguida.

Maldita vida.

Maldito Potter.


Amigo: indivíduo ligado a outra pessoa por laços de amizade; defensor; aliado.

Amizade: afeição; simpatia; amor; dedicação; benevolência.

Minhas amigas não são isso comigo. Então, ou os conceitos de amizade e amigo mudaram, ou as estou denominando erroneamente.

Por que tudo isso Lily? Por que todo esse drama? Você foi salva do buraco pelo capanga do seu primo, está vendo como ele é bondoso e estava certo ao contratar um cara tdmbee (tudo de muito bom e estupendamente excelente) pra ficar na sua cola!

Agora elas estão flertando com o Edgar.

Eu tô tendo um treco.

Inimigo: adversário; desafeto; nocivo.

Inimizade: malquerença; desafeição; hostilidade.

Ahhh, agora sim! Eu estava chamando aquelas coisas de amigas com mil parafusos a menos na caixola, já achei o tratamento adequado que devo dirigir a elas.

- Quer sorvete de que senhorita Gaiardoni? - ele se lembrou que eu existo.

- Nenhum, tô voltando pra casa – redargüi com o máximo de dignidade que meu tornozelo torcido me permitia.

O que não me levou muito longe.

- Eu a levo – determinou e minhas inimigas acenaram positivamente para mim.

É, como se eu estivesse nos braços do Brad Pitt.


- Quanto aquele traste lhe paga? - já me acomodara confortavelmente nos braços dele.

Que não eram de um Brad Pitt, mas também não eram o do Osama Bin Laden. Então eu não estava tão ferrada assim.

- Não discuto salário a não ser com o meu empregador – nossa...!, quanto profissionalismo e ética.

Tinha que ser a escolha do Potter.

- O que você é exatamente? Babá, puxa-saco, guarda-costas, segurança ou gigolô? - tá, eu tava tentando aborrecê-lo, eu precisava apelar!

Edgar nem piscou.

Realmente, Potter é um gênio. O cara não é nem amigo (levemos em consideração as amigas que eu tenho...)dele e é mais fiel e correto que o papa.

- Chegamos – anunciou desnecessariamente.

- Você não devia ter me levado ao hospital? - resolvi abordar de outra forma – Sabe, uma vez eu torci o tornozelo e não foi uma simples concussão, meus ossinhos foram esmigalhados e tive que fazer uma cirurgia para colocar um pé mecânico e o doutor disse que era para eu ter cuidado porque o outro pé estava suscetível a...

É, ele me ignorou e estava enfaixando o meu pé.

Outro plano.

O que mais irritaria o Potter? Ele contratou um cara incorruptível e eu teria que engolir o meu orgulho para fazê-lo engolir o dele.

Ahá!

Não, não dá. Eu estou desesperada, mas nem tanto.

- Tenha um bom dia senhorita – e dizendo isso, se foi.

Até o meu ego foi mirado pela bazooka do meu primo. Ele contratou um baba-ovo para me perseguir somente por meio expediente?!

Eu esperava mais!

Despedaçada e aos pulos cheguei à geladeira, até meu apetite se evaporara. Eu sabia!, aquele coiso estava querendo economizar na comida, atingindo meu ego, atingiria a minha fome! Mas eu não iria dar esse gostinho a ele.

Como um canguru, esparramei tudo que era comestível na minha frente e misturando molhos, temperos e massas, resultou numa gororoba que era mais que uma gororoba melequenta e gosmenta.

Era a minha vingança, literalmente fria, porque acabara de sair da geladeira.


A última coisa que eu gostaria de ver era comida.

Mas eu estava enganada, redondamente enganada.

Quase dopada e com uma embalagem de hershey's grudada no cotovelo, eu rumei para o meu quarto, até andar era doloroso quando você tem um alienígena prestes a nascer estraçalhando a sua barriga assim como o filho do coisa ruim (que não é o Potter) ia sair da Rachel Weiss em Constantine.

Encarei um Potter-demo invisível, traguei meu canudinho de chocolate e semicerrei um dos olhos ao entortar a boca numa cara maléfica e predadora:

- I'm Constantine, Lily Constantine, asshole...

- Ahhh! – meus pulinhos de excitação estragaram a cena, mas eu podia fazer de novo e estava me concentrando para isso...

Quando ouvi risadinhas advindas da sala interrompendo meu moment Constantine.

As risadas me lembravam as de diabretes, de um nível inferior, querendo se materializar na terra e era meu dever impedi-los.

Lily Constantine.

- I'm Constantine, Lily Constantine, asshole...

Mastiguei meu cigarro de chocolate e rumei cautelosamente para a fonte do ruído demoníaco.

Seria mais fácil eu ter ido rolando como a pedra que persegue Indiana Jones (ai ai ai...) em caçadores da arca perdida...

...

James estava se atracando com Narcisa-quenga no sofá!!!

Minuto de silêncio.

...

QUE MERDA É ESSA?!

Meu estômago fez um glum e começou a se manifestar incomodado com a quantidade de comida em seu interior e a quantidade de emoções que iniciaram a tortura usual com o meu órgão mais amado, quando eu ficava nervosa.

Nunca misture mostarda com leite. Ou geléia de morango com feijão. Ou pasta de amendoim com ketchup. Ou... Fim da sessão nojenta.

Eu fui descoberta.

- Controle-se Jay, temos menores em casa – deu um tapinha fingindo ofensa, enquanto o sorriso antes pintado com o gloss mais caro despontava malicioso e vitorioso na minha direção.

Eu estava descabelada, gorda, com reações químicas perigosas ocorrendo na minha pança e uma embalagem de hershey's grudada no meu cotovelo.

Deplorável.

- Edgar me trouxe – consegui dizer diante do olhar estranho que James me lançava.

Acho que ele estava se arrependendo de ter me acolhido na sua casa.

O que era que eu tinha em mente mesmo? Ah... A vingança.

Eu precisava ter aulas de vingança com Uma Thurman em Kill Bill. No meu caso, Kill Bisca.

- O Matiazzi?! - interrompeu aquela que me abstenho de dizer o nome ou qualquer outra denominação que combine com sua anencefalia e cabeleira adquirida com tintura de farmácia.

- Me aguarde no carro Narcisa – ele disse e a beijou.

Ieeeew!

Não posso me esquecer de sempre lavar com desinfetante e água fervente os pratos da cozinha. E eu pensava que não existia coisa mais "iew!" do que homem coçando o saco em cadeia nacional.

- Adeusinho Lily – ela ainda fala comigo... Nhaê, desisto.

Cadê minha Lulinha?! Eu vou entrar em choque depressivo, se é que isso existe. Cadê o pôster do Rick Martin com aquela piscadinha sexy pra eu beijar?

- O que você fez com a cozinha?! - ele estava possesso.

Uhhhh... Que medá!

- E o que esse macarrão tá fazendo pendurado na sua bunda?

Dignidade: valores negativos.

- Precisava usar a palavra bunda? Eu sou de menor, olha a linguagem! - bradei revoltada e ofendida – Coloque dinheiro no cofrinho – exigi.

Eu não sou de menor, mas... Quem se importa?

- Que cofrinho? - no meu seu anta!, okay, essa foi longe demais, agora ele acha que eu pirei de vez.

Hahaha! Eu sempre fui pirada. Alô-ôu!

- O de nomes feios, cada palavrão dito: um euro e dependendo da gravidade, a multa pode chegar a mais, beeeem mais – expliquei.

Agora ele me interna.

- Lily, venha aqui – acenou para que eu me aproximasse, mas eu não cairia nessa não.

Continuei escorada na parede, minha muleta infalível e segura.

Então James se aproximou, reforçando quão ridícula e horrorosa eu era perto dele, e me mostrando o quão perfeita Narcisa era para ser a namorada dele.

- Você merece umas palmadas – ele disse muito sério e o crédito demorou a cair na conta, levou dias na transação até que o plim plim soou agudo no meu cérebro.

- Ahm?

Para quem não estava nem aí para a indigestão no que aquela combinação louca alimentícia resultaria, para quem não se importava em ser comida viva pelas bactérias e insetos por andar com carboidrato e açúcar colados a partes do corpo, esse mesmo ser entenderia o que outro ser estaria a lhe expor?

Nem preciso responder, era uma pergunta retórica.

- Tenho que ir, mas quando voltar, teremos uma conversa muito séria mocinha – ele apontou para a minha testa, única porção de mim que estava limpa (?).

E soltei o ar com o máximo de força que consegui, mas algo queria sair junto com ar e garanto dizer que não era simplesmente mais ar...


Se eu não estivesse tão ruim, eu poderia ter iniciado a sessão de Prison Break, altamente recomendada pela minha mãe que é taradamente fã do carequinha, tão obcecada que meu pai resolveu pelar a cabeça também (o que o amor faz...), mas o resultado não foi muito empolgante, parecia que ele tinha vários chifres nascendo desordenadamente pela cabeça e eu acredito que o que vale é a intenção, pois que tipo de cara iria querer se tornar parecido com o Brad Pitt somente porque eu acho o homem gato? Por isso sinto muita inveja da Alice, ela tem uma queda por urubus e toda vez que ela e o Frank vão ahm... esquentar as coisas, ele se veste de urubu para tornar as coisas mais er... legais pra Alice. E nenhum cara iria se vestir de tomates pra mim, eu tenho certeza disso, ou pronunciar: I'm John Constantine na hora H, com a voz rouca, tragar um cigarrinho e me exorcizar...

Bem, eu não consegui ir para aula e no horário do almoço, minhas amigas vieram me visitar.

Alice preparava um chá, Aline arrumava a bagunça que estava a cozinha (sim, James não voltara e prefiro ignorar abertamente a razão, porque meu estômago ainda está muito sensível) e Samara era mantida longe do fogão pelas duas primeiras.

Espero que o apartamento tenha seguro.

- Ele não tem uma fotinho por toda a casa?? - indagou Samy assustada.

Bem, eu não era a única, ainda existem pessoas valorosas e normais nessa sociedade doente.

Assenti temerosa que meu organismo se inflamasse com o chacoalhar, mas continuei na mesma poça então, sorri aliviada.

- Você tá um lixo - comentou Samy muito sincera, sincera de doer.

- Obrigada – retorqui sarcástica.

- Cadê o Edgar? - falou já toda íntima Aline, que se sentava no sofá em que James e a baranga fizeram coisas impróprias.

Eu avisaria? Pra quê causar comoção? A ignorância é uma dádiva e ela não iria morrer mesmo.

- Me abandonou aqui, assim como Potter. Ainda não fui ao hospital – resmunguei e sem delicadeza cuspi o chá – Pelo amor dos Santos Agricultores, o que você colocou aqui Lice?!

Aline me olhava babada e com os olhos estreitados. Pelo menos não caiu no olho dela, devido aos óculos e nossa...!, que combinação mais ousada: o sofá além de fluidos, advindos de um lugar cujo nome foi censurado pela minha mente pudica, tinha chá. O que esses casais de hoje em dia não fazem para ter algo a mais no sexo...

Preciso me confessar.

- Você precisa é de uma festa – disse Samy, como se tivesse lido meus pensamentos, juntando um fio loirérrimo do piso.

Macumba, preciso de uma das brabas pra pegar essa biscate platinada.

- De um psicólogo – corrigiu Aline que seguia para o banheiro.

- De um namorado – opinou Alice.

Nada contra as três alternativas, posso ir à festa e encontrar lá um namorado psicólogo macumbeiro e arrastá-lo para um confessionário (ahm?).

- Oh, é a campainha – murmurou debilmente Alice e após a frase uma maratona entre as três se iniciou.

Elas quebraram um abajur, um cinzeiro e lascaram a parede ao derrubar uma poltrona.

- Eu não vi isso, não vi... - sussurrei espantada e incrédula.

- Que. Ho. Mem...! - Samara mal respirava e eu abanei as mãos indicando mudamente para as paredes (muitíssimo interessadas em ouvir o que eu tinha para dizer) que me retiraria para o meu quarto.

- Quem abre a porta? - se virou para as duas que também se espremiam para vê-lo pelo olho mágico.

- Quem é ele? O primo da Lily? - Aline perguntou meio zonza.

Cansei.

De. Fi. Ni. Ti. Va. Men. Te.

Não sou empregada do Potter pra ele não levar a chave, fazer farra e eu ter que me abalar da minha amada poça pra abrir a porta pra ele.

- Se vira seu trasgo! - gritei para a porta e elas nem me ouviram.

Lily igual a zero esquerdo com sinal negativo.

- Lily abre a porta! - era ele (o desgraçado do Potter e se dependesse de mim, viraria um eunuco) e as três seguraram risadinhas ao constatarem que era mesmo o meu primo.

Quando eu grito, os caras sempre se afastam e me encaram com uma vontade radical de me fazer pular Bunge jump sem a corda no meu pé.

- Sua gorda burra! - exclamou Samara me cutucando sem dó – Ele é o seu primo e você reclamando e se atolando em comida fria!

Nunca a minha vida me pareceu tão miserável e horrível e pobre e infeliz e... Deixa pra lá. Ainda existem esperanças, o Jonathan Knight não se casou até agora e é porque está esperando por mim.

- A gente vai sair por trás e você agarra ele Lily! - Aline falou despudoradamente e eu concordei para ser deixada em paz.

Só se eu fosse retardada para deixar o Jon e ficar com o nada do meu primo. A gente já tava até noivos! Qual a probabilidade de você abandonar um Jon no altar?

Isso non ecziste!, gritou padre Quevedo com uma única asa de anjo meio encardida, na minha mente.

Apertei a mão dele, agradecida padre, falei e ele se foi gritando que o diabo estava entre nós (?).

...

Er... Voltando a parte do "abandonar o Jon no altar"... É fazer isso e se suicidar de arrependimento mortal!

A campainha tocou freneticamente e observei a porta tremer.

Nuss... Alguém anda muito estressadinho... O sexo não foi bom Potter? Quanta tensão sexual, priminho...

Em marcha zumbizóide abri a porta e da mesma forma caminhei para o banheiro.

- Quem estava aqui?

- Meu noivo.

- Seu o quê?!

- Meu noivo – repeti como quem tenta convencer uma criança de que o céu tem nuvens e não o chão - O Jon... Você sabe, o cantor? – elucidei e ele me olhou mais perdido ainda – Famoso? Celebridade? Lindo? Do New Kids?

James gargalhou.

- Pode rir, ele é um partido infinitamente melhor que aquela lombriga ictérica sua. Morra de inveja seu gay! - estirei minha língua e lhe dei as costas, andando mais animada para o banheiro.

- Ela é real, o nosso relacionamento é real e o seu... - ele não completou a frase e estourou em risadas, ele não me deixaria partir vencedora para o meu banho.

- Você não acredita, pois amanhã você verá com seus próprios olhos! - bradei e me tranquei no banheiro.

Olhei para o meu reflexo e não vi um motivo para o Jon querer ficar comigo.

Um motivo para qualquer cara querer ficar comigo.

Eu era um lixo que não servia nem para reciclar.

Oh Deus...!


N/A: Um merchan' pesado de filmes... Mas v6 gostam do Keanu Reeves em Constantine? Eu queria mt saber, do fundo do coração i.i

Mudando de assunto, o q v6 acham de começar a narração das memórias da infância de JL?

R&R