Disclaimer: Saint Seiya não pertence, mas sim à Masami Kurumada, Toei e Cia.
Baseado em fatos que me aconteceram recentemente (e em parte, ainda têm acontecido, infelizmente). Esse leva o nome de Together, de um pianista chamado Joe Bongiorno.
Nocturnal Storm
Together
Acho... creio que dias tão felizes nunca mais virão... aqueles foram únicos, especiais... os mais importantes de minha vida... completamente inesquecíveis em um turbilhão de momentos que nunca, jamais se repetirá, e muitos outros que ainda virão, no meio da eternidade.
Victorius e eu passamos maravilhosos momentos juntos.
Uma noite, não muito tempo depois que ele havia me levado para a casa dele, eu estava sentada a sua espera em uma saleta, cujas paredes em tom creme brilhavam douradas sob a luz das numerosas velas do lustre luxuoso que pendia do teto, feito de cristal. Eu estava acomodada em uma poltrona forrada de um tecido semelhante a cetim, lendo um livro, em frente a mesa que ficava diante de uma janela, junto de mais uma poltrona igual a minha, que estava do outro lado da mesa virada para mim. A mesa era feita de uma madeira escura, nobre. Era lustrada e a luz refletia em seu tampo brilhante. Normalmente, em casa, eu vestia algo mais simples, confortável. Naquela noite eu usava um vestido preto, mais leve, embora seguisse os padrões da época.
Victorius chegou, e logo veio ao meu encontro, trazendo o meu jantar, como sempre fazia. Trazia nas mãos uma grande taça de cristal, com diversos detalhes, cujo conteúdo rubro e espesso, eu já conhecia agora.
- O que você trouxe hoje? – indaguei, repousando o livro sobre a mesa, mas cuidando de deixar marcada a página onde havia parado de ler.
- Hum... assassino... traidor... – ele respondeu descuidadamente, enquanto me passava a taça com uma das mãos e a outra atrás, pousando em suas costas. Sua cabeça baixou um pouco.
- Hum... você sabe que é dos meus favoritos... – eu sorri, pronta para sorver um gole.
- Eu sei... por isso trouxe... gosto de agradá-la, e trazer seus favoritos... Pode ser que já tenha esfriado um bocado. Não consegui mantê-lo muito quente, nessa noite.
- Não importa. – sorvi um gole. – Está bom do mesmo jeito.
Ele rolou os olhos.
- Somente você para achar que mesmo já meio frio, ainda está bom... quente é melhor.
- Bem... eu gosto. – respondi, deixando a taça vazia sobre a mesa. Ele se sentou a minha frente.
- Acho que teremos de fazer algo a respeito de sua mãe.
- Minha mãe? – perguntei incrédula. – Você a viu?
- Acalme-se. Não quis dizer isso. Ela tem estado aflita, com essa questão de você estar morando aqui, comigo, já há algum tempo. Pouco mais de um mês, na verdade. E sem tomarmos nenhuma medida.
- Ah sim... para ela nada mais complicado do que ver uma filha morando na casa de um homem solteiro... ela ainda pensa muito no que os outros dirão a respeito.
- Com certeza. E por isso, acho que teremos de fazer algo em relação a isso.
- E o que pretende fazer?
- Bem... – ele pareceu ponderar. – Não sei o que você dirá... mas acho que já deve saber... o que sinto por você.
- Ou seja... você quer dizer...?
- Eu pretendia me casar com você.
A resposta dele me pegou de surpresa.
- Você aceitaria casar-se comigo?
- Mas... eu imaginei que casamentos só fossem possíveis entre humanos...
- Oh, não... também é possível entre os vampiros... é claro que há algumas diferenças, normalmente. Em cerimônias, inclusive. Principalmente... mas creio também que não seria, digamos, possível fazer uma cerimônia assim...
- Porque não? Envolve algum ritual macabro...? Ou seria... algo que não seja possível para humanos verem?
- Apenas digamos que aqui seria um pouco incomum, e até poderia haver alguma desconfiança de nós, embora nada demais.
- Não entendo. Se for melhor, poderíamos fazer a moda vampira. Não precisaríamos convidar ninguém.
- E o que sua família dirá? Não seria muito estranho para eles, que sua filha se casasse, e eles mesmos não poderiam participar da cerimônia e da celebração?
- Bom...
- Não se preocupe. Se sua preocupação é com relação a cerimônia comum, não há nenhum problema, para nós.
- E o branco não nos faria mal?
- Não. Porque deveria?
- O branco representa a pureza...
Ele sorriu.
- Não se preocupe. Não há nada a ver.
E assim passaram os dias. Costumávamos sempre sair juntos, para ir ao teatro, a ópera, passearmos pelas ruas da cidade, fazer os programas comuns que os casais faziam. Normalmente a noite, embora as vezes, também de dia. Victorius era algo como um vampiro primordial, então recebemos um poder magnífico. Algo diferente, fora do comum. Por ter sido transformada por um vampiro primordial, eu podia caminhar a luz do dia, era muito poderosa, muito mais poderosa que vampiros comuns. Tinha força sobrenatural até mesmo entre vampiros, era mais hábil, mais perigosa.
No meio social éramos bem conhecidos, as pessoas costumavam falar de nós, embora não chamássemos tanto a atenção para nós. Ao menos não com relação a sermos vampiros. Podíamos passar quase despercebidos pela sociedade. Nossa pele era pálida, os olhos tinham uma cor sobrenatural, mas nada que pudesse denunciar-nos como nossa natureza.
Chamávamos a atenção pela nossa beleza, elegância e postura. Pelo refinamento e a riqueza. O que era comum na época com os casais ricos e de prestígio. E não foi à toa que em nosso casamento grande parte da sociedade estivesse presente. Fizemos uma cerimônia comum, nada que pudesse chamar a atenção para indicar que não éramos humanos. Mas a celebração foi um tanto quanto diferente. Embora houvesse estranhamento, as pessoas pareceram aceitar bem nossa proposta de fazer uma celebração digamos temática, que deveria ser somente "Black". As pessoas convidadas deveriam ir de negro. Inteiramente.
Minha mãe exultou com a notícia de que nos casaríamos, Victorius e eu.
A festa foi no célebre casarão de Victorius. Para a festa, o salão foi inteiramente arrumado e decorado. A nossa sala estava cheia de convidados. Quando eu desci da escadaria, vestida totalmente em negro, os olhares se voltaram para mim, e percebi que várias senhoras cochichavam comentando sobre nossa escolha pela cor temática.
- O negro deveria ser uma cor de luto – murmuravam.
Mas também, a proposta foi complementada pela obrigatoriedade de usarem máscaras, por sua vez, preferencialmente negras. Não sei explicar nossa preferência pela cor, pelo negro, mas acho que representava muito melhor a nossa natureza.
E então, eu deveria dançar a valsa com Victorius. A casa também estava cheia de vampiros.
Eu pus minha mão sobre o ombro de Victorius e postei-me diante dele, me posicionando para a dança. Ele tomou minha outra mão, delicadamente na sua.
E começamos a dançar.
Nós deslizávamos pelo salão. Meu rosto coberto por uma máscara negra, brilhante e com algumas penas no topo, deixava a parte de baixo do meu rosto, a boca, descoberta. Meu vestido preto, com uma longa saia rodada, e pesada, tinha um decote quadrado, deixando parte do colo a vista, com mangas altas, levemente bufantes, nos ombros, e depois justas aos meus braços. Uma gola, mais parecida com apenas um colar, de tecido negro brilhante drapeado, cobrindo todo o pescoço. Minha saia do vestido balançava conforme nós dançávamos a valsa.
Victorius vestia uma casaca, como uma espécie de capa marrom, sobre o colete e a camisa pretos, a calça, dessa mesma cor, assim como os sapatos e a máscara. Seu cabelo loiro, também sedoso, caía sobre a máscara, os fios leves e suaves, cobriam somente a parte de cima de seus olhos cor de âmbar. Victorius era um homem tão lindo. Alto, tinha um ar charmoso e uma graça incomum, presente em tudo, sua forma de andar, de falar, de se mover, de olhar. Os cabelos eram curtos, mas não tanto. O suficiente para tocar-lhe nos olhos, e levemente arrepiados. Seu rosto tinha um formato ligeiramente quadrado, com a mandíbula reta, os maxilares um pouco mais sobressalentes. Talvez um rosto um pouco duro, para alguns, mas não para mim. Tinha um olhar intenso. Especialmente quando olhava para mim.
Aquela valsa pareceu durar toda uma eternidade.
E pareceu, na minha memória. Mas foi tão bom. Era tão bom. Eu me sentia leve de novo. Me sentia tão leve quanto uma pluma, dançando nos braços de Victorius, deslizando por aquele salão.
Um homem escondido por trás da máscara, e ainda por trás de algumas colunas, nos balcões. Por detrás da escada e das pessoas. Escondido de tudo. Observando tudo. Me observando. Observando Victorius, e nossa felicidade.
Ele estava lá. Mas eu não notei.
Ele estava lá.
-x-x-x-
No coments. Apenas que algumas coisas vão ter de ser adaptadas. Mas não já do que escrevi.
E que recomendo que a parte da descrição de Victorius seja lida ouvindo The Music Box do Tom Van Dorn, acho que combina mais... (site pra baixar as duas músicas (Together e essa): http : // freesolopiano . com / free-solo – piano - mp3 – downloads – 4 . html (Tom Van Dorn – The Music Box) e http : // freesolopiano . com / free – solo – piano - mp3 – downloads – 1 . html (Joe Bongiorno – Together).
Basta tirar os espaços entre os caracteres nos links.
