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-Quer um pouco? - Dean entregou-lhe um frasco prateado.

Elisa deu gole. Um líquido amargo e quente escorreu pela garganta. Desacostumada ao gosto, prendeu a respiração ao engolir.

- É horrível!

- Uísque. Vai deixar mais relaxada.

Retirou o casaco e a colt do cós da calça. Entregou ao irmão.

- Qual o seu nome?

- Elisa- bebeu mais um pouco.

O caçador desligou o interruptor a seu lado esquerdo.

No escuro, aproximou-se devagar. Tomou o frasco. Depositou-o no chão.

Carinhoso, quase fraternal, retirou os cabelos do rosto de Elisa. Beijou a testa. Com o rosto colado ao dela, pousou uma das mãos próxima ao pescoço.

- Posso te chamar de El?- murmurou

Ergueu o rosto da garota devagar. Beijava a face avermelhada. Sem forçar, gradativamente, aproximou-se da boca.

Pressionou-a levemente.

A princípio rígida, não tardou a ceder as caricias mesmo ainda tensa. Mãos fortemente contraídas sobre as pernas.

Ele puxava os lábios.

Ela endireitava o corpo. Seguia o movimento.

Do colo da garota, Dean pegou uma das mãos. Guiou os dedos até sua cintura que, delicados, comprimiram-se sobre a blusa.

Quando Elisa quase se desprendia do baú, o caçador recuou os lábios. Há apenas alguns centímetros da boca, observou-a com ternura.

O rosto voltado para cima. Ela mantinha os olhos fechados. Escorava apenas alguns dedos sobre a tampa.

Pedia por mais.

O Winchester afastou os cabelos ondulados do ombro colocando ambas as mãos logo abaixo do rosto. Beijou o canto da boca. Esgueirou-os lábios até o pescoço.

Sentia o leve perfume do sabonete.

A barba, ainda a ser feita, pinicava.

Desconfortável, a garota abriu os olhos. Moveu os lábios. Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, arfou.

Em respostas aos beijos tombou a cabeça.

Fechou as pálpebras mais uma vez.