Disclaimer: Gundam Wing não me pertence, assim como seus personagens.

Casal: 1x2

Gênero: Yaoi, Angst, Romance.

Obrigado a Blanxe por fazer a revisão desse capitulo. \o/

Porta Aberta

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Você, que tanto tempo faz
Você,que eu não conheço mais
Você, que um dia eu amei demais

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Parte 3

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Acordou com uma enorme e latejante dor de cabeça, olhou ao seu redor e a primeira vista não reconheceu o lugar onde estava, mas logo suas narinas foram invadidas pelo cheiro bom de notas amadeiradas. Imediatamente reconheceu esse cheiro, que já estava gravado em sua mente. Era o cheiro do perfume de Duo. Como desejou, por longos seis anos, sentir esse cheiro novamente.

Reconheceu imediatamente o quarto onde estava. Era o quarto que há seis anos a trás, dividira com Duo. Aquele cômodo guardava algumas das lembranças mais felizes da vida do japonês. Heero ainda se lembrava de quando havia comprado esta mesma casa para dividir com o americano.

Duo odiava morar em lugares apertados como um apartamento, sempre dizia que gostaria de morar em uma casa com um imenso quintal, onde pudesse fazer uma pequena quadra de basquete.

Foi uma surpresa quando Heero decidiu fazer sua vontade. Procurou uma casa em um bairro calmo e com boa vizinhança, escolheu a melhor que seu dinheiro pode comprar. Era um presente para o americano.

Flash-Back

-Ainda vai demorar muito pra chegar, Heero? – a voz ruidosa de Duo soou, parecendo uma criança que fazia birra para não comer verduras.

-Não seja tão impaciente, Duo. Nós já estamos quase chegando.

Duo estava no banco do carona, com os olhos vendados por uma faixa preta, enquanto Heero guiava o carro. O japonês tinha prometido uma surpresa para o ex-piloto do Deathscythe e, por isso, vendou seus olhos.

Duo, com toda a sua impaciência, perguntava de minuto em minuto se já haviam chegado. Essa impaciência toda ao invés de deixar Heero irritado o fazia rir por dentro, a felicidade de Duo era a sua própria felicidade e ver Duo se comportar como uma criança prestes a ganhar um presente de natal, era sinal que o americano estava feliz.

-Já chegamos? – Duo perguntou fazendo beicinho.

-... – Heero não se deu ao trabalho de responder.

-E agora? – Duo insistiu. –E agora?

-Já chegamos, Duo. – Heero estacionou o carro. –Satisfeito?

-Posso tirar a venda agora? – Duo perguntou impaciente.

-Não, espere. – Heero desceu do carro e foi abrir a porta para que Duo também pudesse sair. Heero o conduziu até onde estava sua surpresa. –Venha.

Ele levou o americano até a entrada de uma casa de aparência aconchegante e familiar. Ela não possuía uma arquitetura imponente nem nada, não tinha nada muito sofisticado, parecia uma casa típica de famílias americanas.

-Cuidado com o degrau. – Heero alertou Duo ao conduzi-lo para dentro. A varanda da frente era um pouco elevada do nível da calçada e possuía três degraus na entrada. Quando já estavam dentro da casa, o japonês tirou a venda dos olhos de Duo. –Surpresa!

A primeira vista Duo não entendeu o que Heero queria lhe dizer mostrando o hall de entrada de uma casa branca muito ampla com enormes vidraças. Ao ver a expressão de confusão nos olhos de Duo, o japonês se alarmou. Será que o americano não havia gostado de sua surpresa? Será que devia ter consultado-o antes?

-O que foi? Não gostou? – Heero perguntou um pouco decepcionado.

-Não gostei do quê? – Duo perguntou, sem entender onde Heero queria chegar.

-Da casa.

-Da casa? Como assim? Você não ta querendo dizer que... – Duo abriu um largo sorriso e rodopiou em felicidade. –Não me diga que essa casa...

-Sim, eu a comprei para você.

Duo pulou em cima de Heero, que não esperava tal reação do americano e os dois acabaram por cair no chão, Duo por cima de Heero o beijando feito um louco. Não sabia como agradecer ao japonês por aquela surpresa, estava imensamente feliz. Heero quase nunca demonstrava seus sentimentos ou fazia surpresas, ainda mais como aquelas, e Duo não sabia como demonstrar sua satisfação. Mas o que ele não sabia é que essa sua reação já era mais do que suficiente para deixar Heero satisfeito e feliz.

Fim do Flash-Back

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Você, que ontem me sufocou
De amor e de felicidade
Hoje,me sufoca,de saudade

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Quando se separaram, o japonês foi embora e deixou aquela casa para Duo. O americano insistiu em lhe devolver, já que fora Heero quem a comprara, mas este se recusou veementemente dizendo que presentes não deveriam ser devolvidos. Ficou feliz por saber que Duo ainda morava naquela casa, que não tinha se desfeito dela. Mas seu sorriso logo se esvaiu quando as lembranças voltaram com força total a sua mente.

Lembrou-se vagamente do que acontecera noite passada. Havia ligado para Duo, mas quem atendera ao telefone fora Hilde. Sim, Hilde... Será que Duo estava namorando com ela? Ou pior, casado?

Heero tinha ido à casa de Duo para vê-lo, mas o que viu lá foi bem pior do que ouvir a voz de Hilde atendendo ao telefone. Duo estava com ela, estavam felizes... Juntos.

Duo estava sorrindo para Hilde, aquele sorriso que Heero sabia ser verdadeiro, não o sorriso falso da máscara de felicidade do americano. Era o sorriso puro, doce, meigo. Heero nem ao menos se lembrara quando fora a última vez que Duo sorrira assim pra ele. Os últimos meses que passaram juntos, Duo só sorria o sorriso mascarado, o sorriso falso.

Só de lembrar da voz da garota atendendo ao telefone, fazia que uma dor imensa invadisse o seu peito, e ele sabia bem que dor era essa, a dor da perda. Ele havia perdido Duo. Depois de ter visto o americano com Hilde, a mente de Heero ficou divagando entre o que poderia ter feito e as coisas que ele fez. Afundou-se no arrependimento e o resultado disso foi um ato totalmente impensado de se embebedar no primeiro bar que viu pela frente.

E agora estava ali na casa de Duo, no quarto que há seis anos atrás dormiam juntos. Mas como? Lembrava-se vagamente dos fatos ocorridos na noite passada. Duo havia ido buscá-lo no bar, tinha dado banho nele e agora estava usando a roupa do americano. Sim, era desse pijama azul marinho que estava vindo aquele perfume tão agradável que a mente de Heero havia gravado como uma de suas melhores lembranças.

Olhou para o quarto ao seu redor. Pouca coisa havia mudado, ainda possuía quase a mesma decoração de há seis anos atrás. Notou que na mesinha de cabeceira havia um copo com água, um comprimido e um bilhete. Heero pegou o bilhete, que certamente deveria ser para ele, o abriu e leu.

"Imagino que você está com uma enorme ressaca, deixei um remédio para você tomar. Como as suas roupas estavam cheirando mal e as lavei. Elas estão um pouco amassadas, pois não tive tempo de passá-las. Tem café da manhã na cozinha, não são as coisas naturais que você está acostumado a comer, mas fiz o melhor que eu pude. Eu não sei quais os documentos que você esta procurando, mas todos estão no escritório. Nunca joguei nenhum fora. Pode procurar o que você precisa lá, sinta-se a vontade, afinal... essa casa é sua."

Uma sombra de tristeza passou pelos olhos de Heero ao terminar de ler o bilhete de Duo. Onde estava todo o carinho? Aquele bilhete nem parecia ter sido escrito pelo americano. Estava formal demais. Onde estavam todos os gracejos que Duo tinha mania de fazer? Realmente Heero não o reconhecia mais, aquele americano que ficava saltitando pelos cantos e lhe chamando de Hee-chan tinha ficado apenas no passado… em suas lembranças.

Tomou o comprimido e se levantou ainda meio zonzo por causa da ressaca, trocou de roupa e desceu as escadas. Parecia que toda aquela casa tinha o cheiro de Duo. Passou pela sala e se prendeu em uma estante cheia de porta retratos, na maioria das fotos, Duo estava sorrindo.

Tinha imagens de todos os pilotos gundam. O japonês passou os olhos por uma foto cheia de sorrisos de Duo e Quatre, parecia ter sido tirada em uma das festas que o loiro oferecia em sua mansão. Viu outra foto de Duo com Trowa onde só o americano sorria e Trowa apenas dava aquele seu famoso olhar misterioso, a foto parecia ter sido tirada na mesma festa que a foto com Quatre. Tinha uma foto do americano até mesmo com Wufei, Duo tinha conseguido fazer algo quase impossível, fazer aquele chinês tirar uma foto.

Em outra, Duo estava com um monte de crianças uniformizadas, em um lugar que parecia ser uma escola. Provavelmente era onde o americano trabalhava, já que um de seus sonhos era trabalhar com crianças, e parecia que ele tinha conseguido realizar isso.

O olhar de Heero se prendeu na foto em que Duo estava com Hilde. Ele parecia tão feliz… Foi ai que o japonês notou que não havia fotos dele, havia fotos de todos menos dele. Riu de si mesmo, afinal o que ele esperava? Que Duo espalhasse fotos dele por toda a casa? Depois de seis anos completos, Duo ainda se lembrava dele? Será que Duo ainda pensava nele?

Foi ate a cozinha comer alguma coisa, afinal não havia comido nada desde à tarde do dia anterior. Riu quando viu a mesa que Duo preparou. Não tinha a maioria das coisas que estava acostumado a comer, mas parecia que a mesa tinha sido cuidadosamente arrumada. Tinha algumas frutas, pão francês, manteiga, suco e leite. Parecia que finalmente Duo havia aprendido a comer melhor. Lembrou-se de quando comprava comidas naturais como verduras e legumes, Duo se recusava a comer fazendo birra e torcendo o bico.

Novamente uma sombra passou pelos olhos de Heero, Duo era a melhor coisa que já havia acontecido em sua vida e ele havia deixado isso escapar de suas mãos. Sentia-se tão distante e tão excluído da vida de Duo neste momento. Sempre reclamava que o americano era escandaloso, tinha manias irritantes e era inconveniente, mas agora sua vida era tão vazia sem todas essas coisas que no passado o irritavam, que se arrependeu amargamente por todas as coisas que nunca tinha feito.

Aquela fora a única época de sua vida em que fora verdadeiramente feliz. Pena que havia percebido isso tarde demais… Seis longos anos o separavam agora de suas lembranças mais felizes.

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Você, que já não diz pra mim
As coisas,que preciso ouvir
Você que até hoje eu,não esqueci

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Foi até o escritório onde Duo dissera estariam todos os documentos de que precisasse. Ao abrir a porta se surpreendeu com a arrumação, estava tudo organizado demais, aquilo não era típico do americano.

-É... Pelo visto ele realmente mudou muito... – Heero falou para si mesmo com um pesar em seu tom de voz.

Foi fácil encontrar os documentos, já que tudo estava perfeitamente em ordem. Admirou-se com a quantidade de coisas que havia deixado para trás, não imaginava que fossem tantas. Viu em um canto da escrivaninha uma pasta com a inscrição "plano de aula" pegou-a e começou a folhear.

Eram os planos que Duo tinha para cada aula sua, o americano já tinha agendado tudo que iria fazer até as férias de verão, Duo nunca fora tão organizado como agora.

Estava tão distraído bisbilhotando as coisas de Duo, que ao ouvir o telefone tocar teve um ato involuntário e atendeu a extensão do telefone que ficava no escritório.

-Alô? – Heero atendeu ao telefone ainda lendo as coisas de Duo.

-Duo?

A voz de Quatre foi ouvida do outro lado da linha, provavelmente ele estava surpreso por ouvir uma voz masculina totalmente diferente da voz do americano atender ao telefone. Só então Heero se deu conta do tamanho da burrada que tinha feito.

-O Duo não está aqui agora. – Heero respondeu com a voz rouca, provavelmente o loiro já o reconhecera e não tinha como ele disfarçar agora e nem desligar na cara do árabe.

-Heero? É você? – a voz espantada do outro lado da linha fez Heero se contorcer de raiva de si mesmo.

-Sim Quatre, sou eu.

-Que sorte a minha! Eu estava justamente querendo falar com você. – Quatre disse em um tom animado.

-E para isso ligou para a casa do Duo? – Heero estava meio desconfiado.

-Bom, na verdade eu liguei para ele para saber se tinha o número do seu celular, pois eu liguei no seu hotel e me disseram que você não tinha passado a noite lá. Onde você estava? – Quatre nem ao menos percebeu que sua pergunta tinha sido inconveniente.

-Eu dormi aqui. – Heero respondeu sem perceber a reação que sua resposta causou em Quatre, o loiro começou a criar mil hipóteses em sua cabecinha sonhadora.

-Ah... – foi à única coisa que Quatre comentou, achou melhor não encher o japonês de pergunta já que corria o risco de este desligar em sua cara.

-Então, o que queria comigo? – o japonês perguntou, já que o loiro ficara mudo do outro lado da linha.

-Ah é... Bem, é que como você está na cidade, eu queria convidá-lo para ir à festa de boas-vindas dos meus filhos. Será esta noite às sete da noite. Tive medo de não conseguir te avisar a tempo.

-Está certo.

-Você vem?

-Eu não faltaria.

-Então vou ficar te esperando.

-Hai.

-Então até logo. – Quatre desligou o telefone com um monte de perguntas passando por sua mente, não iria conseguir esperar, tinha que ligar para o americano.

Heero sorriu por dentro com a notícia. Então Quatre e Trowa finalmente tinham conseguido? Estavam a mais de um ano tentando adotar um casal de gêmeos que o loiro havia conhecido em uma de suas viajem beneficentes. Os gêmeos não tinham família e viviam de favor em um abrigo da região mais pobre da África, abrigo que era mantido pela Corporação Winner.

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Era hora da recreação e Duo brincava com uma das crianças do instituto. Era uma criança especial, o garoto possuía síndrome de down, e Duo sempre tentava fazê-lo não se sentir excluído das outras crianças.

-Muito bem. – Duo bateu palmas ao ver que o garoto havia encaixado todas as peças do quebra cabeça corretamente.

Seu celular tocava insistentemente e Duo tinha ímpetos de se esganar por não ter desligado o aparelho. Foi para um lugar isolado para poder atendê-lo com mais privacidade. Quando viu o número de Quatre no identificador, revirou os olhos.

-Fala, Q.

-Oi, Duo. Por que você não me contou? – Quatre disse todo animado.

-Contei? O quê? – Duo não estava entendo o loiro.

-Que você e o Heero se acertaram?

-Eu e o Heero o quê? De onde você tirou isso, loiro? Bateu a cabeça ou sua tinta afetou o cérebro? – Duo estava realmente confuso.

-Ahhh... Mas ele dormiu na sua casa. – a empolgação de Quatre diminuiu.

-Ah então é isso? Ele dormiu lá em casa, mas não dormimos juntos... Quer dizer dormimos na mesma cama, mas... Não juntos entende? Ele estava bêbado e aí... – Duo havia evitado pensar sobre o assunto a manhã inteira, mas agora que o árabe tocara no assunto, tudo voltara com força total em sua mente.

"-Nunca... Eu nunca deixei de te amar." – a voz do japonês ecoou em sua mente.

-Me explica isso direito. O Heero estava bêbado? – Quatre estava muito confuso, já que o japonês nunca fora de beber, ainda mais até ficar bêbado.

-É, Q. Estava… Eu não sei por que, mas hoje a noite na festa de boas-vindas da minha afilhada eu te explico melhor isso ok? Tenho que trabalhar agora, loiro.

-Está bem... Vê se não se atrasa.

-Ok. – Duo desligou o telefone deixando o loiro confuso.

Não tinha parado para pensar nos últimos acontecimentos e depois que Quatre tocara no assunto, não pode evitar se lembrar da declaração de Heero. Seria mesmo verdade? Duo sacudiu a cabeça tentando afastar suas tolas esperanças. Não reviveria isso de novo. Não agora que estava se recuperando.

-Eu não sou bom o bastante para competir com o trabalho dele...

Sussurrou para si mesmo.

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A festa que Quatre preparara para recepcionar os gêmeos estava impecável, como qualquer outra festa organizada pelo árabe. Quase todos os convidados já tinham chegado e a grande maioria delas trouxeram presentes para os gêmeos embora não fosse necessário.

Wufei e Sally tinham sido convidados para serem padrinhos do garoto e Duo e Relena para serem padrinhos da menina, ambos aceitaram o convite de bom grado.

As crianças eram bajuladas por todos, eles não se pareciam em nada com Trowa e Quatre, mas todos ali presentes tinham certeza de que aquelas crianças teriam os melhores pais do mundo.

Duo já tinha bajulado muito sua afilhada e havia lhe trazido uma boneca enorme de presente, bem maior que a própria garota que tinha apenas dois anos. Agora o americano se encontrava conversando com Zechs e Noin sobre os filhos do casal. Os dois tinham duas filhas que Duo adorava bajular também. Não podiam negar que o americano tinha um talento enorme para lidar com crianças.

-A Sofia está cobrando até hoje aquele passeio que você prometeu fazer com ela Duo. – Noin comentou fingindo-se de magoada.

-E eu vou cumprir essa promessa. – Duo se fez displicente.

Duo percorreu os olhos pelo salão e sorriu ao ver os gêmeos brincando com as filhas de Zechs e Noin. Viu todos ali reunidos e seu olhar se prendeu em uma figura que acabava de entrar no salão e olhava diretamente para ele. Os olhos violetas de Duo se fixaram no azul dos olhos de Heero em uma surpresa muda. Era a primeira vez que se encaram depois de tantos anos.

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Você,que eu tento me enganar,
Dizendo...que tudo passou

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O coração de Duo começou a bater descompassado, se sentia um tolo por ainda ficar tão fragilizado com a presença do japonês. Agora que Heero estava sóbrio, pôde notar que este não mudara muito, estava um pouco mais alto, mais magro, mas os cabelos continuavam os mesmos, castanhos e desgrenhados.

Não podia negar que ainda amava aquele maldito japonês. Ficaram assim se encarando de longe por longos minutos, até que o japones deu o primeiro passo em sua direção. Duo quis correr dali, fingir que não o tinha visto, mas suas pernas não o obedeciam. Ficou apenas parado esperando Heero se aproximar.

-Oi. – Heero falou com uma voz meio insegura e sem saber o que dizer.

-Oi. – Duo respondeu forçando sua voz a não sair trêmula. –Está melhor agora?

-Sim. Obrigado pelo que você fez por mim. – Heero estava sem saber realmente o que dizer. As palavras fugiam de sua boca e só sabia responder a perguntas sem verdadeiramente começar uma conversa.

-Não foi nada, Heero. Só fiz o que qualquer um teria feito. – a voz de Duo tomou um tom impassível e sem muita emoção. Já havia se decidido e não iria se derreter todo a simples presença de Heero.

-Claro. – Heero ficou sem palavras para reagir a rispidez de Duo.

-Bem... eu vou ver se Quatre precisa de algo. – Duo tentou dar uma desculpa para poder sair a presença do japonês. Não queria mais ouvir aquela voz que tanto o enlouquecia, sabia que jamais ouviria da boca do dele as palavras que tanto precisava ouvir.

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Na realidade aqui,em mim,
Você ficou

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-Heero? Que bom que você veio! – tarde demais, Quatre tinha visto o japonês e vinha em sua direção com os braços abertos e um lago sorriso no rosto.

Heero sorriu ao ver o amigo. Como pode ser tão idiota a ponto de se afastar tanto das únicas pessoas que se importavam com ele? De seus amigos… Mal falava com Quatre por telefone e se sentia em falta com ele. Mas a muito tempo havia percebido que o laço que mantinham os cinco ex-pilotos gundams unidos, além da amizade, também era uma pessoa irritantemente adorável, chamada Duo Maxwell. Quando se afastou de Duo, se afastou dos outros.

-Eu disse que viria. – o japonês abraçou o amigo.

-Eu até cheguei a duvidar! – o loiro fez uma cara de magoado. –E você Duo? Como está?

-Bem. – Duo sorriu abertamente para Quatre e Heero notou que Duo sorria para todos menos para ele.

-Ué... – Quatre olhou atrás de Duo como se procurasse alguém. –A Hilde não veio com você, Duo?

Nenhum dos dois percebeu, mas os olhos de Heero ao ouvir o nome de Hilde ser pronunciado se tornaram vazios e sem vida, enquanto seu corpo ficou tenso e um pouco trêmulo.

-Ela não veio, teve que viajar a trabalho, mas pediu pra eu lhe dar os parabéns por ela, depois ela e noivo virão te visitar.

-Noivo? – as palavras saíram da boca de Heero sem que ele percebesse. Em sua cabeça passava mil possibilidades. Se Hilde tinha um noivo que não era Duo, então Duo estaria sozinho?

-Você não sabia que ela ia se casar? – Quatre percebeu a excitação do japonês ao se dar conta de que Duo provavelmente estava sozinho, e de fato ele estava. Depois do rompimento com Heero, Duo havia namorado alguns pessoas mas nada muito sério. Seus namoros nunca duravam mais que alguns meses. –Ah... Duo tenho que falar sobre o dia da profissão.

-Não me diga que você não vai poder ir? – Duo fez um muxoxo. O dia da profissão, era o dia em que Duo ia apresentar alguns profissionais de certas áreas para seus alunos, no caso ele ia apresentar um empresário, que seria Quatre e um policial que seria Trowa.

-Não é isso, eu vou estar muito ocupado no dia mais dou um pulo lá. O problema é o Trowa, ele vai estar numa investigação muito importante e não vai poder ir. – o loiro odiava mentir mais havia acabado de bolar um plano para que Duo e Heero fossem forçados a pelo menos conversarem, já que esses dois pareciam dois cabeças duras.

-Ah... então vou ter que cancelar a aula com um policial. As crianças tinham adorado a ideia de um agente especial ir lá... Será que o Wufei não pode ir?

-Não, eu acho que não. Ele vai viajar pra Pequim amanhã. – o loiro se adiantou. –Escuta Heero, amanhã você ainda vai estar aqui não?

-Sim. – Heero respondeu.

-Eu tive uma idéia, o Heero tem a mesma profissão de Trowa e Wufei então ele pode ir lá fazer essa palestra no lugar do Trowa, não? Você vai estar ocupado, Heero? – Quatre estava sorrindo, enquanto maquinava seus planos.

-Por mim não há problemas.

-E você, Duo? – Quatre disse todo animado.

-Acho que também não há problemas. – Duo lançou um olhar desconfiado para Quatre, conhecia muito bem esse sorriso de quem estava aprontando alguma.

-Então amanhã nos vemos lá. Venha Heero, venha conhecer meus filhos.

O loiro pediu licença a Duo e acompanhou Heero até onde estavam os gêmeos. Duo apenas os observou sumirem na multidão, não podia evitar, a presença de Heero ainda o incomodava, seu coraçao ainda balançava pelo japonês. Depois de tantos anos tinha a certeza de que não sentia mais nada por Heero, mas agora toda sua convicçao tinha ido por água abaixo. Heero ainda mexia com seus sentimentos.

-Isso não vai dar certo... – Duo sussurou para si mesmo.

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Você que eu não encontro mais
Os beijos,que já não lhe dou
Fui tanto pra você,e hoje nada sou.

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Durante todo o tempo em que Duo permaneceu na festa, Heero apenas o observava de longe. Via como Duo era caloroso e amigável com todos menos com ele. E pensar que há alguns anos atrás Duo não podia vê-lo que logo pulava em seu pescoço dizendo coisas idiotas e fazendo gracinhas. Agora sua presença parecia nem fazer cócegas no americano, era como se Heero nem ao menos existisse, não estivesse ali, Duo nem ao menos olhava para ele.

E pensar que Heero um dia tinha sido o mundo para Duo, hoje não passava de um estranho. Era assim que o japonês se sentia, um estranho para Duo.

Eu não existo mais para o Duo... O que eu esperava? Que ele pulasse em cima de mim? Acho que alimentei esperanças demais...

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Notas da Autora:

Bem eu quero muito agradecer a todos que me deixaram review... Valeu demais pessoal \o/

Bem me desculpem pela demora para atualizar a fic, mas é que eu estava com problemas de saúde e tive que fazer uma cirurgia, mas agora já estou boazinha... Estou meu atarefada aqui com a aproximação da data do meu casamento... mas enfim, vou tentar atualizar todas as minhas fics! Mas a má noticia é que minhas aulas já começaram e minha faculdade é integral então toma todo o meu tempo... mas prometo tentar \o/

Espero que gostem desse capitulo... cometem!

Beijos da Asu-chan

Até a proxima!