Capitulo 4 – Preciso de você
- Você entendeu errado.
- Ah claro, agora não sei mais ler. Poupe-me Nathan.
- Você bem que poderia me deixar explicar.
- Explicar? Não tem o que explicar. Não somos nada. Você não é meu namorado, amante, ou seja, lá o que.
- É isso? Não somos nada? – Ele falou um pouco baixo.
Stana engoliu em seco e respondeu.
- O tempo que éramos alguma coisa você destruiu com uma traição.
Ela abriu a porta do carro e correu. Não queria que ele visse as lágrimas que escorriam de seus olhos. Lágrimas que durante o dia todo ela tentou evitar. Lágrimas que a anos ela não derramava. Dentro do apartamento largou a bolsa no chão e se jogou no sofá. Não sabia o que fazer, só conseguia chorar e chorar.
Nathan ainda não tinha ido embora. Não conseguia se mover. Suas mãos estavam fracas e seus pés pareciam grudados no chão do carro. Sua mente estava um furacão. Ela não o tinha perdoado. E ele nem sabia se merecia o perdão. O erro tinha sido dele, não dela.
- Se ela pelo menos soubesse o que aconteceu de verdade ontem. – Nathan falava sozinho no carro. Ele sabia que não ia conseguir dormir naquela noite. Sabia que não iria trabalhar no outro dia. Então resolveu fazer o que qualquer homem faria para esquecer os problemas. Beber.
-#-
Todas as vezes que Nathan pensava nela e sentia saudades, ele bebia. E ajudava. Ajudava isso mesmo, passado. Naquela noite todos os erros que ele cometeu, todas as feridas que ele abriu no coração dela, todas as mágoas cometidas pelos dois. Cada mínimo detalhe perdido que poderia ter sido o melhor momento. Tudo veio à tona naquela noite e ele não sabia o que fazer para parar as lembranças dolorosas.
Ligou o rádio para tentar se acalmar, mas parecia que tudo conspirava contra ele. A música que tocava lembrava ela. Trocou de estação, música lembrava ela. Trocou de estação, ela de novo. E de novo. E de novo.
- Que merda! – Exclamou ele jogando o aparelho na parede.
Com uma folha de papel e uma caneta, começou a escrever. Não sabia de onde estava vindo as palavras. Ele apenas escrevia.
Pegou a chave do carro e saiu pela porta. Sem nem saber para onde estava indo arrancava com o carro pelas ruas. Nathan estava lucido apesar de todas as doses de uísque.
Quando parou em um sinal percebeu que o papel estava no seu bolso e teve uma ideia.
Dobrou direita, esquerda, direita, direita e parou. Ele sabia o que estava fazendo. Ele tinha certeza do que estava fazendo.
Stana estava deitada na cama, já não chorava, apenas encarava o teto do quarto e pensava.
Ela já havia ligado a Tv e o rádio tentando esquecer o que aconteceu. Mas tudo lembrava ele.
Stana ainda não conseguia acreditar no que ele havia feito. No que ele havia feito de novo. Na primeira quando eles estavam juntos, doeu, doeu e muito. Na segunda, mesmo separados, doeu mais. Ela não sabia o por que e nem queria descobrir.
- Como eu queria que tudo fosse um sonho, ou apenas um pesadelo e eu fosse acordar a qualquer momento.
O pior de tudo. De tudo mesmo. Era que ela ainda queria ele. Ele poderia magoar ela quantas vezes fosse, ela iria ficar com raiva com certeza, mas depois...
O barulho da campainha fez Stana ter que levantar da cama. Ela ainda não se sentia bem, estava com uma cara péssima. Olhou pelo olho mágico e quando viu quem era se arrependeu de ter gritado que já estava indo. Queria sumir. Desaparecer.
- Stana, eu sei que você está aí. Fala comigo, por favor.
Ela já podia sentir as lágrimas descendo pelo seu rosto novamente, não queria chorar, mas não conseguia controlar.
- Se você não falar comigo, eu vou fazer um escândalo aqui mesmo. Na sua porta
-O que você quer?
- Conversar.
- Outro dia, por favor.
- Mas eu quero conversar agora. – Ela podia ouvir o tom triste na voz dele.
- Eu não quero. – Ele não podia ver ela agora, não no estado que ela estava.
- Stana, por...
- Vai embora, Nate – Stana o interrompeu.
- Não vou.
- VAI EMBORA – Ela bateu com a mão na porta, já estava perdendo o controle. – Não quero você aqui. Não agora. Não depois de tudo que aconteceu hoje. Amanha a gente conversar.
Um papel foi empurrado por debaixo da porta. Stana olhou incrédula para aquela dobra de papel a sua frente.
- O que é isso?
- Amanhã eu volto. Por favor, não me odeie por muito tempo.
Stana ficou um tempo olhando para o papel dobrado na sua mão. Leu, releu e abriu a porta com a esperança de encontra-lo. Infelizmente nem o carro dele estava lá. Amanhã eles conversariam, não é mesmo? Sim, amanhã eles conversariam.
Stana sentiu uma vontade enorme de ir atrás dele. Não podia, mas queria. Chegou ate pegar a chave do carro. Olhou para o papel jogado no sofá e desistiu, foi ate ele, abriu e começou a ler de novo.
Choro toda vez que entro em meu quarto. Choro toda vez que olho no espelho. Toda vez que vejo a sua foto. Eu sinto sua falta, não estou legal. Agora estou sem ideias. Mas pior que nada que eu faça vai fazer você me desculpar. Eu reconheço os seus motivos. Está coberta de razão. Pra você, caso de traição não tem perdão. Mas eu sinto falta dos anos que foram apagados. Eu sinto falta do jeito que o brilho do sol iluminava seu rosto. Sinto falta de todas essas coisas pequenas. Nunca imaginei que elas significariam tudo pra mim. Sim, eu sinto falta de acordar com você. E eu queria que você estivesse aqui para me ajudar a rimar isso que deve esta horrível. Eu normalmente consigo fazer tudo sozinho como te expulsar do meu coração, mas estou muito cansado para lutar. Sei que é tarde pra me arrepender, mas sinto falta de ouvir as batidas do seu coração. Tolo, fraco, burro, eu traí você. E eu sei o quanto você sofre, não sinto, mas vejo. Apesar de tudo eu espero que você me perdoe, não aguento mais te olhar e não poder te tocar. Sinto sua falta. Frases desconectas, mas com sentidos. E tudo que você leu na revista é verdade. Bom, pelo menos uma parte. Não aconteceu nada. E com nada, eu quero dizer NADA mesmo. Nunca que te trairia novamente. Acredite nisso. Eu te amo, Stana. E nada vai mudar isso. Faço suas palavras as minhas "Eu te amo. E não importa quantas vezes vamos nos separar. Ou quantas vezes vamos dizer que é a última vez. Eu vou continuar te amando" Sim, eu estava acordado e amei cada palavra. Elas foram como música para meus ouvidos.
Eu preciso de você.
Nathan
Stana também precisava dele. Mas não sabia como dizer isso. Nathan já tinha escolhido a forma mais fácil.
Ela estava magoada?
Muito.
As palavras dele tinham tocado nela?
Tinham era a feito chorar.
Ela precisava dele?
Como nunca antes.
Conseguiria dormir?
Só se ele estivesse ali.
O que ela iria dizer a Nathan no outro dia? Ela não sabia. Ela não sabia de mais nada. Mas ela não ia consegui se não falasse com ele.
- Pelo menos uma mensagem né Stana.
Oh sim, quando se tratava de Nathan Fillion, Stana parecia esquecer ate o próprio nome.
Hey...-STANA
Segundos depois a resposta.
Hey... –NATHAN
Só queria dizer que perdoei, apenas ainda não esqueci. –STANA
Esta noite sua memória queima como fogo
Á cada palavra ele cresce mais e mais
E eu consigo superar isso
Eu só não consigo esquecer esse amor
Eu sento nessas chamas e rezo para que você volte
Fecho bem meus olhos, aguento firme e espero que esteja sonhando
Venha me acordar
(Come wake me up-Rascal Flatts)
