CAPITULO 3

— Não, não é evidente. — Edward desviou o olhar da cama para a feiticeira que tinha diante de si.

Um montão de pensamentos se amontoaram na mente do demônio, várias teorias que desprezou imediatamente. Uma cama com correntes. Bella não tinha podido seduzi-lo por bem, e agora pretendia fazê-lo por mal?

Ao notar que a ideia lhe resultava surpreendentemente erótica, deu por seguro que a feiticeira o tinha enfeitiçado. Tinha que ser isso. Tinha visto desaparecer a estrada ante seus olhos, tinha visto como se movia o contraforte da ponte. Aquela mulher tinha um poder inimaginável e, por algum motivo, tinha decidido ir atrás dele.

Edward estudou a mal iluminada estadia. Tratava-se de uma cela bastante grande. Uma que conhecia a perfeição, pois ele mesmo havia feito prender ali a seus detentos quando ocupava o trono do castelo de Tornin.

Prendeu-me em minha maldita prisão.

Voltou a olhá-la e lhe sustentou o olhar. Tinha uns olhos estranhos, íris cor chocolate rodeadas por um círculo café escuro. Sentia-se incapaz de deixar de olhá-los.

— Trouxe-me para Tornin, assim suponho que está com Caius.

— Assim é. — Ronronou.

Estou em meu próprio cárcere, prisioneiro de meu pior inimigo.

— E quando poderei vê-lo? — Perguntou entre dentes.

— Não o verá. Não precisa. A única que tem que ver é a mim.

— Explique-me exatamente no que consiste seu plano. — Exigiu, amaldiçoando-se por reagir daquele modo ante ela.

Ele jamais havia sentido uma atração tão forte para nenhuma fêmea de nenhuma espécie. Ao beijá-la, ficou absorto de prazer, e inclusive tinha chegado a pensar que ela poderia ser sua rainha.

A Edward tinha preocupado o que semelhante beldade pudesse pensar de sua cicatriz, como ser muito mais alto e forte que ela. Tinha tentado, portanto, ser doce e delicado na hora de beijá-la. E, enquanto isso, a feiticeira lhe tinha estado preparando uma armadilha.

— Meu plano, — Começou Bella como quem recita uma lição. — consiste em ficar grávida de seu herdeiro.

Edward ficou boquiaberto. Só de ouvir essas palavras se excitou por completo, e seu instinto demoníaco começou a despertar. Aquela mulher de seios túrgidos e doces lábios desejava ter um filho dele, queria ter relações sexuais com ele.

Enfeitiçou-me. Tem que ser isso.

O demônio tinha passado muito tempo estudando a família de Caius, tinha lido centenas de livros sobre os meios irmãos do bruxo. Este os tinha matado a quase todos depois de lhes roubar seus poderes. Mas a uns poucos os tinha levado a viver com ele.

O que tenho lido sobre esta feiticeira? A conhecia com o acertado nome de Rainha das Miragens. Edward tinha caído vítima de um truque muito utilizado. Apesar de que aparentava ter vinte e poucos anos, em realidade devia ter vários séculos.

Dizia-se que era inclusive mais malvada que Caius.

— Bella, — Disse, jogando mão de toda sua paciência. — falemos disto como seres razoáveis. — Razoável era do único modo em que não se sentia. — O que pretende conseguir com tudo isto?

— Se tiver seu herdeiro, sossegarei até ao último dos rebeldes demônios da ira.

A ideia de que ditos rebeldes significassem uma ameaça para o poderoso Caius era alentadora. Até então, Edward estava convencido de que o sádico regime do bruxo tinha acabado com eles.

— Seu plano tem duas falhas.

— Explique-se, demônio.

— Hmm, meu corpo não... Gera sêmen. — Um demônio da ira podia sentir prazer durante as relações sexuais, mas não ejaculava até que fazia amor com sua companheira. — Só o fará quando me deitar com aquela que o destino...

— Sou eu. — O interrompeu ela olhando-o aos olhos, e Edward se deu conta de que falava convencida disso.

Caius tinha oráculos, mais ou menos similares a Nïx, a seu serviço. Possivelmente Bella saiba mais que eu...

Negou com a cabeça com força, mas tinha a boca seca. Ao longo de mil e quinhentos anos jamais se havia sentido tão atraído por uma fêmea. E se fosse ela? E se por fim tinha encontrado à rainha que tinha estado esperando durante tanto tempo? E se resultava ser a irmã de Caius?

— O destino não pode ser tão cruel.

— Ao destino tudo lhe parece o mesmo.— Respondeu ela arqueando uma sobrancelha.

— Que possibilidades têm que minha companheira esteja aparentada com meu pior inimigo?

— O pai de Caius viveu durante mais de mil anos, e gerou centenas de filhas. —Aproximou-se dele com cautela. — Faz quinhentos anos, uma oráculo disse a Caius que uma de suas meio irmãs, a Rainha das Miragens, seria sua mulher, e que teria seu herdeiro em tempos de guerra. Depois de escutar a profecia, ele me procurou porque sabia o que no futuro ia significar para você. E eu me limitei a ficar em Tornin esperando o momento.

— Por que agora? Por que está fazendo isso agora?

— Pensava seduzi-lo pouco a pouco. — Explicou-lhe, inclinando a cabeça. — Mas nos inteiramos do plano que você e Aro tinham tramado, e tinha que evitar que conseguisse se reunir com seu irmão, Emmett, o Fazedor de Reis.

Bella conhecia os detalhes específicos de seu plano? Aquela mesma noite, ele havia dito a seu irmão que, se Caius soubesse do que estavam tramando, não se deteria ante nada para impedi-lo. Edward não tinha nem ideia de que seu inimigo tinha àquela feiticeira tão poderosa de sua parte.

— O que sabe de meu plano?

— Mais do que acredita. — Respondeu ela. — Eu sempre sei mais do que alguém acredita que sei.

Sabia que por fim tinham dado com uma arma capaz de matar Caius? Que Edward tinha pisado a fundo o acelerador por causa de quão impaciente estava por reunir-se com Emmett e poder ir juntos a negociar com o psicopata do Aro? Com certeza que sim.

A essas horas, Emmett devia estar já no ponto de encontro, perguntando-se onde diabos teria se metido seu irmão mais velho. O irmão que nunca chegava tarde, que nunca faltava a seus deveres.

— Até no caso de que seja minha companheira, Bella, jamais farei amor com você.

— Oh, sim que o fará. — Seus lábios esboçaram um sensual sorriso e ao Edward lhe acelerou o coração. — Uma e outra vez, até que me dê o que te pedi.

Uma e outra vez. Acariciar aquele corpo tão suave, descobrir sua pálida pele... Não! Resiste!

— Qual é a segunda falha? — Bella se aproximou da cama e, com delicadeza, sentou-se em um extremo. Sua juba castanha caiu para frente e seu aroma envolveu o demônio. — Você conseguiu despertar minha curiosidade.

Edward repreendeu a si mesmo por esses últimos pensamentos.

— Para que meu herdeiro seja legítimo, teríamos que estar casados.

— Sei. — Passou uma de suas delicadas mãos pelo lençol. — Nos casaremos.

Bella falava do matrimônio como se fosse uma trivialidade, enquanto que a ele ainda lhe dava voltas à cabeça.

Porque nunca antes havia se sentido tão atraído por ninguém. E havia só uma maneira de assegurar-se de se ela era ou não realmente sua rainha.

— Preste-me juramento, demônio. E eu o aceitarei.

O juramento, as palavras que ligariam o rei dos demônios da ira com sua rainha. Não precisava de nenhuma cerimônia, nem testemunhas, bastava com aquele pacto entre os dois para converter-se em um somente. Ele teria que reclamá-la como dele e, se ela aceitava a legitimidade de seu direito, então se converteria para sempre em sua rainha.

— Meu povo jamais reconhecerá um matrimônio pela força, nem nenhuma união que seja fruto de feitiços ou poções.

— Edward, sejamos francos. Considerando como reage somente ao me ver, — assinalou-lhe com dissimulação a ereção. — de verdade acredita que eu precisarei recorrer a um feitiço?

Ele apertou a mandíbula, incapaz de negar o óbvio.

— Suponho que quando nosso filho tiver nascido me matará.

Nosso filho. Ele jamais havia dito essas palavras em toda sua vida. Inclusive Bella inclinou a cabeça ao ouvi-las.

A feiticeira sorriu com lentidão, e seu sorriso iluminou a cela e Edward ficou sem fôlego. Ela teria se dado conta?

— Bom, não seria uma feiticeira muito malvada se não o fizesse, não te parece?

— Então, há uma coisa que sim posso te assegurar: jamais conseguirá que preste juramento a você.

— Então, não me deitarei com você até que o faça.

Ao ouvir isso, Edward por fim compreendeu tudo. Isabella o atormentaria sexualmente até conseguir que dissesse as palavras. Por que todo o sangue do seu corpo se concentrava entre suas pernas só de pensar nisso?

Aquela criatura estava levando-o a borda do prazer uma e outra vez.

Imaginou a luta de vontades que se cercaria entre os dois, as consequências... Um montão de fantasias se amontoaram em sua mente, pensamentos que em geral Edward estava acostumado a sossegar. Segredos que fazia tempo que ocultava e que tinha negado toda a eternidade.

— Tudo isto é uma perda de tempo. — Disse ele, mas não pôde evitar que a voz lhe soasse rouca.

— Por que está tão seguro de que não posso fazê-lo fazer o que quiser em troca de recebê-lo em meu corpo?

Porque há muito em jogo. Edward jamais tinha estado tão perto de seu objetivo como naqueles momentos.

Tinha que escapar dali e encontrar seu irmão antes que este "fizesse algo monumentalmente equivocado". Emmett era um mercenário que acabava de encontrar o que tinha estado procurando durante toda a vida.

— Antes não conseguiu me afastar de meu dever, e então nem sequer sabia quem era.

Faça-se de duro, Edward.

Bella ficou em pé e jogou os ombros para trás.

— Ainda não viu todas as armas com as quais posso tentá-lo. — Disse, puxando a alça de seu sutiã.

O vestido se abriu e caiu por cima de seus seios para deslizar-se logo para sua cintura e cair junto a seus pés.

Quão único ficava no delicioso corpo da feiticeira era um muito fino tecido de seda branca que lhe cobria os seios, e as menores calcinhas que o demônio jamais havia visto.

Edward entreabriu os lábios e teve a sensação de que sua ereção ia rasgar suas calças. Com os olhos resplandecentes, Bella ergueu o queixo, consciente do efeito que estava tendo nele.

Se aquela mulher não fosse tão malvada, seria gloriosa.

Quando conseguir escapar daqui, a levarei como botim de guerra, decidiu ele naquele preciso instante.

E não teria nenhum peso na consciência em utilizá-la para sair daquela masmorra.

NOTAS FINAIS

O negocio ta esquentando hein...

deixem reviews dizendo o que vcs estao achando

BJKS!