Cap. 4- Tomando o controle
Hermione estava em um estado de plena fúria, totalmente irracional, em sua mente só havia duas coisas: Sangue e combate. Alice, Jasper e Emmet tentavam contê-la ao mesmo tempo em que a levavam cada vez mais adentro da floresta, longe de onde a trilha de Bella e Harry estava.
No momento, Emmet trocava socos com Hermione, seus olhos negros com um brilho rubi davam calafrios mesmo em Jasper. Alice havia dito a ele por gestos que Hermione iria para o rio a frente em instantes, portanto eles poderiam atacar, então Jasper se dirigiu para dois metros a frente, no instante seguinte, Emmet voava atracado com Hermione, Alice saltou e iria atingi-la lateralmente, o suficiente para imobilizá-la por um tempo, mas então tudo mudou rapidamente.
Hermione sentiu um cheiro diferente, algo que atiçara seus sentidos e que a fez liberar magia para lançar Alice e Emmet cerca de oito metros de distância, Jasper tentou pegá-la antes que ela tocasse o chão, mas Hermione o atropelara, usando sua força superior para acertá-lo mesmo por cima de sua defesa e usou novamente magia para lançá-lo à frente, fazendo-o destruir as árvores no caminho. Mas o que ela queria estava bem a sua frente, um grande lobo de pelo castanho com garras e dentes afiados.
Emmet e Alice já haviam alcançado os dois e Alice já pegava o celular para chamar reforço. Como se houvessem combinado, Seth e Jasper avançaram ao mesmo tempo, então em uma fração de segundos, cravaram as garras nos ombros e costas de Hermione, que os afastou criando uma onda de chamas ao seu redor. O lobisomem rolou no chão e rapidamente apagou o fogo, já Jasper teve que arrancar a camisa para se livrar das chamas.
-Hermione! Aqui! –Era uma tática um tanto infantil, mas para alguém tomado por instintos básicos, funcionava. Hermione olhou para Alice, que havia atirado um enorme pedaço de tronco em Hermione, acertando-a na face.
-Boa, mas é melhor correr! –Emmet avisa em sons sibilantes e muito rápidos, mas não tanto quanto o feitiço, que explodiu a árvore sobre a qual Alice estava, fazendo-a se chocar com outra árvore que estava bem perto.
No momento em que Hermione alcançara Alice, o lobisomem agarrou-a por trás e prendeu-se ao corpo da vampira, que tentava romper-lhe o aperto com sua força superior, mas o ângulo inclinado não ajudava. Sem dar-lhe tempo para usar magia, Emmet e Jasper fizeram-lhe um sanduíche acertando seu rosto com potentes socos cada um a um lado, enquanto Alice destruía seu sapato contra o corpo rijo de Hermione.
A floresta, que já estava silenciosa, calou-se e paralisou-se ao ouvir o som estrondoso dos golpes simultâneos, que ecoou abafando o som da explosão que Hermione provocara, atirando seus agressores a uma longa distância. Logo depois ergue as mãos, erguendo também os estilhaços de árvores e atirando-os contra os inimigos, mas descuidando-se de sua defesa. Por cima, Edward a abraça e crava suas presas em seu ombro, enquanto Carlisle lhe quebrava as pernas.
-Harry já não está mais aqui! Ele acaba de voltar para casa, longe de você. –A intimidada e aprisionada consciência viu naquilo força para tentar se rebelar e retomar de volta seu corpo.
Seguiram-se dois segundos de paralisia e então Hermione urrou, algo que até se assemelhava a um uivo de um lobo. Olhando ao redor, viu os Cullen e o pobre lobisomem caídos, feridos e sentiu nojo de si mesma. Sem olhar para trás, correu, saltou e decidiu ir para algum lugar bem longe de qualquer humano, vampiro ou lobisomem.
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Havia sido pior do que Harry imaginara, na verdade nem seus piores pesadelos poderiam lhe dizer que algo como aquilo aconteceria. Graças a esses pensamentos, passou o vôo desperto, preso em seu próprio mundo e ignorando totalmente a presença de Esme ao seu lado.
Chegaram a Londres de noite, seguindo de noitebus para a Mansão Black, que havia sido restaurada como sede da Ordem da Fênix e provavelmente onde Rony estaria com seus pais. Torcendo para que não houvesse muita gente lá, entrou seguido de Esme e foi em direção a cozinha.
-Olá, boa noite. –Não se deu ao trabalho de forçar um sorriso, ignorou os olhares surpresos e interrompeu a bronca que a Sra. Weasley iria lhe dar. –Eu vou subir e já volto, Esme lhes contará o que aconteceu. –Sem mais, deixa a vampira com os sete Weasley, Lupin e Tonks.
Não tinha coragem de relatar o que havia deixado acontecer, sentia-se culpado e já estava furioso demais consigo mesmo para ver os olhos assustados e decepcionados que o encarariam, sem falar na dor de repetir o estado atual de Hermione. Entrou no quarto que ela costumava dividir com Gina, se dirigiu a um malão fechado ao canto, que sabia ser da amiga, e tirou a lista de coisas que Hermione pedira. Fora rápido achar tudo o que ela queria, já pegar os livros na biblioteca demorou um pouco mais, já que teve que procurá-los, porém logo já estava novamente na cozinha, onde o jantar havia sido prontamente deixado de lado.
Tonks, Gina e a Sra. Weasley tinham lágrimas nos olhos, o Sr. Weasley parecia paralisado, Lupin estava profundamente pensativo, talvez imerso em suas próprias lembranças, os demais encontravam-se pálidos e incrédulos.
-Isso que ela contou é verdade? –Rony pergunta em tom vacilante, os olhos imploravam por um "não".
-Sim. Já separei as coisas dela, Esme irá levar para que Hermione possa se manter por uns dias, até que eles venham para Inglaterra, combinei de ficarmos em Hogwarts, não há outro lugar mais seguro para Hermione ou para a resistência da guerra. –Harry não estava consultando-os, alguém precisava liderar e ele faria isso.
-Minerva não é mais diretora interina, Harry. Snape foi empossado diretor, o ministério parece estar corrompido, sob o controle de Voldemort. A Inglaterra já não é mais segura. –Lupin fala de modo sério, mas firme.
-Nesse caso, vamos invadir e tomar Hogwarts. –Expressões de surpresa foram ouvidas, mas Harry ignora e continua. –Ninguém conhece mais aquela escola que os gêmeos, Rony e eu, também ainda possuo o mapa do maroto, que nos dará a localização exata de todos no castelo. Podemos entrar e tomar tudo sem que haja muita resistência, os professores ficarão do nosso lado, aqueles que forem contra serão presos ou mortos, o importante é retomar aquele posto e levantar as proteções máximas do castelo.
-Faz sentido. Pode parecer loucura, mas não deve ter tanta vigilância por lá e rapidamente bruxos de toda a ordem poderão se unir a nós para formar um verdadeiro forte. –Rony parecia visualizar as jogadas dez rodadas a frente, o que provocou um momento de reflexão em todos.
-Eu preciso ir, tenho que pegar o próximo vôo. –Esme quebra a concentração do grupo, que mantêm olhares desconfiados para ela.
-Eu a acompanho até a porta. –Harry se propõe para deixar o grupo discutir com privacidade e também para agradecer Esme por ter vindo consigo pegar as coisas de Hermione e por cuidar dela.
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Demorou mais que nas outras vezes, mas agora Hermione sentia total controle sobre si novamente. Quando se lembrava do que havia feito a Alice, Jasper e Emmet, sentia vontade de sumir, correr para bem longe, mas aquilo não ajudaria nada, pois sem os Cullen não poderia manter o controle e nem aprender o suficiente para ajudar na guerra.
Assim que voltou tomou um banho e se trocou, nada que demorasse mais que quatro minutos. Ia para sala procurar por notícias de todos, mas então sentiu o cheiro do sangue fétido e ouviu batidas fracas de um coração, o que indicava que o lobisomem que atacara também estava ali.
-Papai e Edward estão tentando ajudá-lo, mas alguns ferimentos foram bem feios. –Alice diz com um tom impaciente, apostava que isso se devia ao fato de não poder ver o futuro do lobisomem para dizer como ele ficaria.
-Eu vou tentar ajudar, já estou no controle e um pouco de magia pode vir bem a calhar. –Alice ergue uma sobrancelha, parecendo curiosa para ver até onde a magia poderia superar o poder do veneno de um vampiro.
-Você conhece quanto de magia curativa? –Alice pergunta enquanto entrava na sala onde estavam Carlisle e Edward.
-Minha magia está se comportando de modo mais fluído desde que me tornei vampira, talvez isso possa significar algo. –Hermione responde observando a cena bizarra, onde Carlisle e Edward quebravam ossos e os encaixavam no lugar correto, sob urros e protestos do lobisomem.
-Se você conseguir anestesiar ele, já será uma grande ajuda. –Carlisle fala se afastando para que Hermione agisse, Edward fizera o mesmo.
Dando um passo a frente, ergueu as mãos e as repousou no peito peludo e úmido do lobisomem. Fechando os olhos, concentra-se por um segundo e deixa sua magia fluir e penetrar nele, mapeando sua estrutura interna, como se fosse uma luz que ao se espalhar por um quarto escuro revelasse seus "mistérios". A realidade é que desde que se tornara vampira, sua magia se manifestava de modo diferente ou talvez só agora realmente podia entender como ela se manifestava em si e no mundo a sua volta, talvez este fosse seu talento especial. Um minuto depois e já podia precisar exatamente o que precisava fazer, seriam pequenas aplicações mágicas, feitiços para reparar e restaurar ossos e órgãos danificados.
-Isso foi fascinante. Crê que será o suficiente para curá-lo? –Edward pergunta assim que ela se afasta.
-Acho que sim. Ele ficará inconsciente até que esteja terminado e provavelmente voltará à forma humana quando a atividade metabólica se acalmar um pouco. –Carlisle parecia entre admirado e curioso, talvez um pouco desconfiado, mas não queria começar uma discussão profunda sobre o assunto.
Em seguida Hermione sai e vai à direção da sala, onde Emmet e Jasper jogavam xadrez, acompanhada de Alice que a seguia em silêncio, parecendo tentar ver algo no futuro que indicasse que tudo ficaria bem.
-É bom que todos vocês estejam aqui, eu gostaria de pedir desculpas pelo meu comportamento de hoje, não posso dizer o que aconteceu, mas vou me esforçar para que não se repita. –De todas as reações que poderia imaginar, o riso de Emmet não fazia parte de nenhuma delas.
-Não diga isso, hoje eu me diverti como há muito tempo não me divertia! Lutar contra um bando de recém-nascidos em maior número foi legal, mas apanhar estando em vantagem de três pra um foi um máximo! –Emmet era estranho, mas aquilo estava muito além do que as palavras "estranho" ou "excêntrico" poderiam definir.
-Realmente, havia muito, mas muito tempo mesmo que eu não sentia dor física. –Alice fala de modo calmo, como se aquela experiência realmente houvesse sido interessante.
-Sei que pode parecer um pouco estranho para você ouvir isso, mas para nós vampiros, que somos tão poderosos e inatingíveis, é bom nos sentirmos frágeis de vez em quando. Afinal são os grandes desafios que conseguem nos tirar um pouco da rotina. –Jasper era um grande estrategista e realmente parecera achar interessante lutar com alguém tão diferente de tudo o que ele costumava enfrentar.
-Além disto, duelar constantemente com você está nos preparando para as batalhas que enfrentaremos na guerra. –Alice não costumava falar muito da guerra, pelo menos não perto de si, mas sempre que o fazia parecia bastante segura e confiante.
-Agora prometa que teremos uma luta de verdade, com você consciente e usando magia pesada? –Emmet, de uma forma bizarra, lembrava um menino pedindo um presente de Natal aos pais.
-Tudo bem, mas só em Hogwarts. Um combate destes aqui, poderia ser destrutivo demais. –Depois de um rápido aceno, todos se voltaram para o tabuleiro, onde Jasper parecia encurralar a rainha de Emmet.
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-Então, você acredita que ela está bem? –Bella pergunta a Edward, que como de costume fora passar a noite ao seu lado.
-Sim. Depois de ter se descontrolado tanto hoje e ferido Alice, Jasper, Emmet e Seth, ela percebeu que muito importante manter o controle e, se focar nisto, está fazendo-a não pensar tanto em seus conflitos emocionais. –Ficara preocupada quando Edward lhe contara de Seth, mas estava tranqüila ao saber que ele se recuperava bem. Por isso resolveu deixar estes assuntos de lado e aproveitar um pouco a presença do noivo.
-O dia está chegando... você fica nervoso com isso? –Aquela pergunta era apenas um espelho do quanto ficava ansiosa a cada amanhecer, como se fosse uma contagem regressiva até seu casamento.
-Claro. Ainda mais com a Alice se recusando a pensar nele perto de mim! Me dá a impressão de que ela está tentando me esconder um futuro onde você me deixa plantado no altar te esperando. –Apesar da expressão forçadamente séria, Bella sabia que existia um pouquinho de verdade naquilo.
-Bom, não posso dizer que nunca fico tentada, mas quando penso que depois disso você será eternamente meu, tenho mais certeza de que estarei lá.
-Adoro quando diz isso. –Murmura beijando-a levemente.
-Que vou estar lá? –Brinca fazendo-o rir.
-Não, que quer que eu seja seu. –A voz rouca sussurrando tão perto de sua boca a fez sentir-se tonta. Adora e odiava quando ele fazia isso, mas em breve ela realmente o teria para si e essa "tortura" terminaria. Mas pouco pensou nisso, já que após provocá-la, Edward resolvera encerrar a conversa e a beijava profundamente.
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Uma das coisas que mais estranhara ao se tornar vampira, fora a não necessidade de dormir. Nunca antes havia pensado nisto, mas as pessoas passavam muito tempo dormindo ou sonolentas antes ou depois de dormir, eram horas que poderiam ser muito melhor gastas fazendo coisas mais produtivas, como agora que encontrava-se lendo um livro que Carlisle escrevera comparando organismos humanos, vampiros e acrescentado um módulo lobisomem recentemente. Porém deixa o livro de lado ao ouvir um som constante e pulsante se aproximar.
-Não precisa ter medo, eu estou totalmente sob controle. –Fala de modo calmo e sorrindo de modo simpático, não queria que ele se sentisse sobressaltado.
-Onde estão todos? –Aquela pergunta a deixou um pouco constrangida, mas felizmente já não podia mais corar.
-Cada um com seus pares. Parece que a noite aqui não é muito movimentado. –Apesar de saber que poderia parecer uma estátua de mármore, preferiu disfarçar deixando o livro de lado e pegando um prato cuidadosamente coberto na mesa ao seu lado. –Eu pedi ao Edward que fosse a um restaurante comprar comida para você. Sabia que estaria com fome quando acordasse.
-Mas já deve estar fria, não é? –Aquilo parecia mais uma desculpa para ele não se manter perto de si, por isso Hermione deixou o prato na mesinha da frente e depois lançou um feitiço para esquentar.
-Agora está quente. Tem refrigerante também, se você quiser posso ir buscar. –Tomava tanto cuidado ao falar que parecia quase cantar, algo que, invariavelmente, lhe lembrava o canto de uma sereia.
-Eu gostaria. Obrigado. –Com um pouco de esforço escondeu o sorriso e rapidamente foi à cozinha e voltou, não dera nem tempo dele comer a primeira garfada.
-Eu gostaria de te pedir desculpas por hoje... –Pára ao ver que ele se engasgara e parecia muito surpreso.
-Vampiros não costumam pedir desculpas. Acho que é a primeira vez que ouço um pedindo desculpas para um lobisomem. –Além da voz, a expressão do rosto dele mostrava o quanto aquela atitude o surpreendera e o deixara desconfiado.
-Bom, eu não sou uma vampira que odeia lobisomens. Na verdade eu tenho um amigo que é lobisomem, apesar de ser diferente de vocês, Quileute. –Pensar em Lupin lhe fez sentir-se mal, mas tentou afastar isso de sua mente por hora.
-E qual seu dom? Digo, você solta raios coloridos que fazem coisas incríveis! –Aquela definição de feitiço fez Hermione rir, algo raro de se acontecer ultimamente.
-Me desculpe por rir, mas é que esta é uma definição bem interessante de feitiços... Sim, eu sou uma bruxa. Meu nome é Hermione Granger e, como já deve ter notado pelo sotaque, sou inglesa. –Vendo que Seth parecia interessado em ouvi-la e curioso o suficiente para nem olhar o que comia, resolveu continuar e contar um pouco de sua história.
Hermione e Seth continuaram conversando por mais duas horas, parando ao ouvirem um uivo longo e alto, que Seth imediatamente identificou como sendo de Sam, líder do bando. Os dois então se despediram e Seth fora se juntar ao bando, prometendo voltar depois para ver Hermione fazer uma demonstração de magia.
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Eram cinco horas da manhã e as ruas de Hogsmeade ainda estavam desertas, as lojas fechadas e a própria luz da manhã ainda era muito tímida. Contudo, havia uma grande movimentação na Dedos de Mel, onde algumas pessoas de negro entravam rapidamente e sem fazer qualquer som.
Fred e Jorge, que muitas vezes já haviam usado aquela passagem, foram incumbidos de ir à frente, guiando o grupo até o alçapão que cobria o túnel que dava acesso a Hogwarts. Chegando lá, Harry toma a frente, seguido por Rony, Lupin, Fred, Jorge e Tonks. Arthur, Carlinhos, Gui, Fleur, Molly e Gina estavam próximos a estrada que dava acesso a Hogwarts, ocultos pelas árvores e portando vassouras. O combinado era que eles formariam o grupo de apoio, que seria avisado através de um aviso luminoso no céu, vermelho para emergência e verde para cobertura.
O caminho foi silencioso e ao chegar à saída, Harry pegou o mapa do maroto em seu bolso, murmurou as palavras de ativação e verificou os pontos vermelhos que havia no castelo. Snape estava em um lugar acima do escritório, talvez o quarto do diretor ficasse no andar acima e com acesso somente pela escada o que dificultaria as coisas; No demais, havia cinco professores que deviam estar dormindo em seus quartos, os únicos pontos que se moviam eram de quatro homens, cujos nomes não conhecia. Abriu a passagem com cautela, ainda verificando o corredor e então novamente o mapa, enquanto os outros se posicionavam no corredor.
-Há quatro vigias. –Harry murmura, enquanto chama Tonks com um gesto. –Reconhece? –Tonks apenas diz que não com um aceno. –O plano é o seguinte: Lupin, Fred e Jorge vão aos quartos dos professores e os imobilizam. Tonks, Rony e eu vamos pegar esses quatro. Quando terminarem, sigam para frente da gárgula, quando nós terminarmos daremos o sinal verde.
Todos acenaram positivamente, depois seguiram em silêncio seus caminhos. O grupo de Harry foi para o quarto andar, onde estava o primeiro a ser pego. Era um rapaz de vinte e poucos anos, andava sonolento pelos corredores, então bastou a Tonks se aproximar silenciosamente por trás e dar-lhe uma gravata enquanto o fazia aspirar um pó que rapidamente o colocou para dormir. Prenderam-no com correntes e colocaram-lhe a capa por cima, de modo que se algum fantasma intrometido visse, pensasse que ele apenas tirava um cochilo.
Os próximos dois estavam no primeiro andar, um parecia voltar da cozinha e o outro havia parado no hall de entrada. Quando chegaram ao topo da escada, puderam ver que o homem, que devia com folga ter passado dos quarenta, cochilar sentado em uma cadeira de frente para a porta e com a varinha em mãos. Ao sinal, Rony usou o accio para pegar a varinha e Harry um feitiço estuporante para derrubar o comensal. O que vinha da cozinha correu ao ouvir o barulho, mas foi surpreendido por Tonks, escondida atrás de uma armadura, que soprou o pó na direção de seu rosto, fazendo-o apagar quase instantaneamente.
O último estava no jardim, patrulhava de vassoura em frente ao castelo e olhava na direção do portão. Com um feitiço, Rony fez um elmo de armadura flutuar e chamar atenção do comensal, que rapidamente desceu para verificar, sendo alvo fácil para Tonks e Harry, que o atingiram com um forte feitiço estuporante. A seguir, Harry lançou as faíscas verdes, que fariam com que o grupo de apoio tentasse entrar pela janela imediatamente acima da janela do escritório.
-Tonks, você reúne os comensais e os prende nas masmorras, nós iremos até o quinto andar nos encontrar com o grupo de Lupin. –Tonks assente e Harry segue com Rony para os andares superiores a passo apressado, mas vigilante.
Correndo e sem parar para nada, Harry e Rony rapidamente chegaram ao corredor que levaria a gárgula, que já estava aberta, o que indicava que algum professor havia sido fiel a ordem e dado a senha. Sem muita cautela, entraram com varinha em punho e passaram rapidamente pelo escritório, mas ao chegarem ao meio da escada viram um dos gêmeos descer e mandar eles fazerem o mesmo.
-Quando invadimos o quarto Snape já havia fugido. Acho que pegou alguma chave de portal. –Aquilo fez Harry rapidamente pegar o mapa do maroto e verificar os pontos em busca de Snape, que realmente não estava em ponto algum do mapa.
-Droga! Aquele desgraçado deve ter posto algum feitiço para denunciar a invocação de magia ofensiva. –Rony resmunga e Harry se segura para não rasgar o pergaminho que tinha em mãos.
-Bom, o importante é que o castelo é nosso. Dumbledore, o que precisamos fazer para ativar todas as proteções de Hogwarts? –Lupin primeiro os acalma e depois pergunta ao quadro do ex-diretor, que assim como os outros quadros, estava desperto e atento.
Algumas horas depois, Hogwarts era o lugar mais protegido de toda a Europa, as proteções mais antigas já estavam ativas e nenhum ser vivo poderia entrar ou sair dos terrenos livremente. Patronos avisando da tomada da escola haviam sido enviados, assim como cartas protegidas por código mágico e carregadas por corujas bem treinadas.
Harry estava na parte da frente do jardim, terminando de fazer manutenção em sua vassoura, apesar do olhar perdido no horizonte. Percebeu que alguém se aproximava, mas não olhou, então pelo modo da pessoa se largar no chão soube que era Rony, que provavelmente tentaria lhe consolar.
-Não fica assim, cara. Mais cedo ou mais tarde a gente pega aquele traidor. –Rony fala de modo confiante e dando tapinhas nas costas do amigo.
-Não perderia meu tempo pensando em Snape. –Fala verificando a vassoura e vendo se estava tudo ok.
-Então pensava em Hermione? –O nome foi pronunciado de uma forma diferente, certamente o amigo ainda tentava compreender o que aconteceria.
-Se você visse o que eu vi, entenderia. Não era nada parecido com Esme, pelo contrário... não tem como explicar. –Tentava usar um tom neutro, não queria expor o amigo a suas frustrações.
-Não fica assim. Sei que vai ser estranho só nós dois, mas eu estou aqui e nem pense em me afastar, porque eu ficarei ao seu lado aconteça o que acontecer. –Rony tinha um semblante sério, que Harry conhecia bem e que mostrava todo o lado maduro do amigo.
-Eu vou bater uns papinhos, quando voltar quero um mapa com a marcação dos locais onde somos fortes e onde somos fracos, assim como as devidas proporções e a relação daqueles com quem poderemos contar. Assim que madame Pomfrey e a professora McGonagall chegarem, informem sobre Hermione e inicie a pesquisa por algo que possa ajudá-la.
-Ok. Toma cuidado. –Harry acenou que sim e depois, com um movimento de varinha fez a caixa de manutenção desaparecer e logo depois partiu rapidamente com sua Firebolt.
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-Vamos, diga logo Mundungo! –Harry ordena enquanto atirava o bruxo por cima da mesa de jantar que havia no quartinho imundo onde Mundungo se escondia.
-Eu não posso! Eles vão me matar. Esse país não é mais seguro, eles estão em todas as partes. –Apesar de estar furioso e de já ter dado uns socos "amigos" no ex-aliado, este parecia não querer colaborar.
-Acontece que eu também não sou bonzinho. Portanto você tem duas opções: Número um: Você me conta a verdade e eu te dou abrigo. Número dois: Você não me conta nada e eu te deixo em um reduto de comensais bem perigosos. Então Mundungo, o que vai ser? –Harry agora o segurava pela gola e tinha seu punho direito fechado e apontado para o rosto do outro.
-Que abrigo? Eles sabem onde é a Ordem da Fênix... –Apesar da voz trêmula e da boca sangrando, Mundungo ainda conseguia ser irônico.
-Tomei Hogwarts. Agora aquele é o meu castelo e protege aqueles que não são meus inimigos. Você é meu inimigo? –Por mais que não pudesse ter certeza de que Harry falava a verdade quanto a Hogwarts, não queria mais apanhar e nem ser atirado em algum canto das fronteiras inimigas.
-Ok. Mas eu não vou com você até lá. –Harry o soltou e esperou pacientemente que ele relatasse tudo.
O centro de Londres, de um jeito quase inacreditável, parecia absolutamente normal. O s trouxas ainda não sabiam de nada, talvez uma tática para neutralizar as poderosas armas trouxas militares, afinal Voldemort podia não gostar de trouxas, mas não era burro e, sendo criado por trouxas, certamente sabia muito bem o poder de arsenais nucleares e armas automáticas.
Ignorando aquelas conclusões por hora, entrou em uma cabine telefônica, inseriu o cartão e digitou os números que havia anotado em seu braço a caneta. O telefone chamou uma, duas, três vezes e seu coração já batia completamente descompassado no peito. Até que alguém atendeu e uma voz doce e musical respondeu do outro lado.
-Alô. Quem é? –Por mais que o tom estivesse diferente, Harry poderia reconhecer aquela voz em qualquer lugar.
-Hermione, você está bem? –Sentiu-se tolo ao notar que sua voz tremia, assim como sua mão.
-Sim. Desculpe-me por ontem, não sei o que deu em mim... –Sua voz estava vacilante e foi impossível não pensar que se, ainda fosse humana, Hermione estaria chorando.
-Não precisa se desculpar, não foi culpa sua. Eu já estou em Hogwarts, nossos amigos estão fazendo de tudo para que quando você chegue, possa ficar entre nós, sob controle. Todos sentimos sua falta e aguardamos ansiosos que volte... Preciso que seja forte, que resista e domine a besta... Preciso de você... –Sem que desse tempo para ela falar, desliga o telefone. Se houvesse alguém monitorando as telefonias trouxas, por mais remota que a hipótese fosse, não podia deixar que a chamada fosse localizada.
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N/A: Olá, adorei ver várias pessoas comentando então resolvi postar logo! Um capítulo que dá bem o clima da fic, mostra como o HArry e a Hermione vão meio que seguir daqui para frente. Perguntinha básica: Vocês gostaram das cenas de ação até aqui? Eu costumo escrever bastante cenas de luta, apesar de não ter muitas nesses primeiros capítulos.
Ingrid Teixeira: Eu não sei se vou postar as outras, tenho um pouco de preguiça porque tem que revisar e concertar errinhos rsrsrsrs.
Marcia B. S.: Espero que tenha conseguido se inspirar rsrsrs Quanto a Hermione, digamos que os problemas dela estejam só começando.
Angel Cullen McFellou: Você acha mesmo que melhora? Eu não sei não.
ci: Quanto mais comentários, mais rápido eu vou atualizar.
Perseus Fire: Hermione além de ser uma recém-nascida ainda é bruxa, então segurar ela é complicado. Mas nesse cap já dá pra ver ela ficando mais no controle e a tendência é ir melhorando bastante.
Polly: Eu adoro essa fic, então quanto mais comentários ela tiver, mais rápido eu escrevo! Quanto ao título, eu pensei nele antes de sair o quarto livro nos EUA e acabou que o nome é a "tradução" do título em inglês, pena que a editora daqui preferiu por Amanhecer como título.
