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Capítulo 4
As próximas duas semanas são uma variação do mesmo. Eu acordo depois que Edward já saiu para trabalhar e tento preencher meus dias com qualquer atividade que faça o tempo passar mais rápido, enquanto as aulas não retornam. Eu procuro me trancar em meu quarto antes que ele volte pra casa à noite.
Em alguns dias, quando ele chega e eu já estou no quarto, ele bate na minha porta e chama meu nome, mas eu não respondo. Ele desiste. Quando eu volto pra casa depois dele, ele tenta conversar comigo, mas eu não dou nenhuma chance e corro para meu quarto. Dois dias atrás foi isso o que aconteceu, eu cheguei tarde e ele já estava lá.
Eu passei pela sala pra subir ao quarto quando Edward chamou meu nome da cozinha.
"Bella", ele chamou de novo da porta da cozinha. Eu o encarei e meu peito doeu. Havia mais de dois dias que não via seu rosto. Eu percebo que ele está abatido. Independente de toda a minha mágoa ele ainda é o homem que eu amo.
"Bella, eu trouxe comida chinesa, eu sei que você gosta". Ele tenta puxar conversa, mas depois vai direto ao ponto. "Eu pensei que a gente poderia conversar, por favor". Ele me olha com expectativa.
Meu coração aperta, querendo ceder. Eu finalmente respondo. "Eu já jantei. Vou dormir". Não dando chance para ele responder, eu subo as escadas apressadamente.
Ontem eu não o vi, mas ele bateu em minha porta. Mais uma vez eu não respondi. Essa situação está me deixando desesperada, mas eu não consigo decidir o que e pior: continuar ignorando Edward ou tentar conversar civilmente, como se nada tivesse acontecido. Mas eu sei que eu olhar pra ele, falar com ele, não somente a dor no meu peito vai aumentar como a saudade que eu sinto de nossas conversas também irá me dominar. E eu não quero correr este risco, por mais que sinto falta dele.
Nós sempre fomos muito unidos. Eu tenho outros tios por parte da família do meu pai, mas nunca foi o mesmo. Eles nunca foram muito próximos nem mesmo do meu pai. Com Edward eu sempre me senti bem, me senti amada e protegida, desde criança. À medida que fui crescendo isso só aumentou. Ele sempre foi carinhoso comigo e nunca me tratou como alguém frágil ou incapaz. Por isso mesmo é que as atitudes dele desde aquele dia me magoaram tanto.
Hoje passei a tarde toda na biblioteca matando o tempo e pegando alguns materiais para as aulas, que recomeçam na próxima semana. Mais três dias e então eu terei alguma coisa pra me ocupar, pelo menos. E Ângela volta de viagem amanhã à noite. Senti muita falta dela nessas semanas, mas agora já não sei se quero contar tudo o que aconteceu. Ela sabe o que sempre senti por Edward e, embora ela nunca tenha sido contra, acho que ela nunca viu um futuro pra nós dois.
Chegando em casa da biblioteca eu vejo o carro dele na garagem. Respiro fundo e entro. Ao fechar a porta, a alça da minha bolsa se prende na maçaneta enquanto eu caminho, o que me puxa pra trás e me faz bater com as costas na porta e deixar os livros caírem no chão.
"Ai!", eu reclamo ao bater contra a porta.
"Bella?", Edward chama enquanto vem em minha direção. "Você está bem? O que aconteceu? Você se machucou?", ele pergunta ao me ver abaixada com os livros no chão. Ele se abaixa próximo a mim e coloca as mãos em meus ombros. Eu olho pra ele e por um momento eu me permito apreciar o seu toque.
"Bella, você está bem?"
"Sim", eu respondo. "minha bolsa ficou presa na porta e deixei os livros caírem". Eu me afasto de suas mãos e começo a juntar os livros. Edward segue meu exemplo, pegando os livros no chão, enquanto fala novamente.
"Você se machucou? Por que você gritou?" ele pergunta preocupado.
"Não. Eu só esbarrei as costas na maçaneta quando aconteceu. Não foi nada", eu respondo já me levantando e querendo sair dali. Mas Edward segura meu braço suavemente. Sua mão vai para meus cabelos, mais curtos agora.
"Tem certeza que está bem? Quer que olhe suas costas?", assim que ele termina de perguntar, ele se dá conta do que isso implica, pois seu rosto fica pálido de repente. Eu teria que tirar ou levantar a blusa para você olhar, Edward, eu penso.
"Eu quero dizer, eu só quero ter certeza que você não se machucou", ele acrescenta.
"Eu estou bem". Ficamos em silencio por um momento e em seguida ele me pergunta se eu já jantei. Não pensando eu respondo negativamente. Ele sorri ligeiramente e diz que ele está terminando de preparar uma pizza caseira.
"No máximo em uns 20 minutos estará tudo pronto na sala de jantar te esperando", ele afirma e volta para a cozinha, me deixando sem a possibilidade de recusar.
Subo para meu quarto e sinto minhas costas doloridas. Merda! Terei que tomar um analgésico. Enquanto entro no banho, eu penso na possibilidade de me trancar no quarto para não ter que descer, mas tenho certeza que Edward vai bater na minha porta neste caso. Resmungo baixinho.
E só de pensar na pizza caseira que Edward faz...Humm...eu fico com água na boca porque é foda deliciosa! Ele sabia que eu não iria resistir. O pensamento dele realmente querer que eu jante com ele mexe comigo. Agora que já se passaram vários dias a raiva tinha diminuído, mas eu ainda estava magoada. E eu não sei se eu quero ouvir as desculpas dele novamente. Serão as mesmas. E eu tenho quase certeza que ele tentará se desculpar hoje, caso eu desça, e acabará me incomodando de novo.
Saindo do banho, eu decido arriscar e descer. Na hora de escolher o que vestir, eu fico angustiada. Ele me acusou de usar roupas provocantes pra chamar atenção dele. Tudo bem, eu admito que era verdade! E ainda disse que só olhou porque é um homem e, portanto, olharia para qualquer mulher. Argh! Idiota! Minha raiva começa a voltar. Decido não deixar nada interferir em como eu quero me vestir, coloco um short jeans que vai até o meio das minhas coxas e uma regata branca simples. Nada indecente. Certo?
Quando eu finamente desço, Edward já está sentado e com tudo pronto na mesa. Ele se vira ao me ouvir descer e sorri.
"Eu estava esperando você", ele diz.
Eu não respondo e me sento no meu lugar habitual, sem olhar diretamente pra ele. Ele suspira e começa a nos servir.
"Eu fiz a sua preferida. Marguerita", ele afirma enquanto coloca uma fatia em meu prato.
"Obrigada". Eu digo e ele sorri novamente.
Começamos a comer e ele se oferece para me servir vinho. Eu sorrio sarcasticamente enquanto respondo. "Eu acho que você esqueceu o quão jovem eu sou. Eu não posso beber". Eu digo, embora ele já tenha me servido bebida em casa antes.
Ele fica imóvel e empalidece ao perceber que eu abordei a questão da minha idade de propósito. Eu não deveria, mas em seguida eu alivio um pouco o mal estar.
"Além disso, eu tomei um analgésico agora mesmo. Não posso misturar com bebida". Ele me olha com a expressão mais suave agora. Depois franze a testa.
"Você disse que não tinha se machucado. Tem certeza que não quer...", ele fala, mas eu o interrompo.
"Não. Eu disse que não foi nada de mais. Só um mau jeito que o remédio já aliviou". Eu digo e me concentro em meu prato.
Ele suspira e responde muito baixinho: "Garota teimosa". Meus lábios de contraem um pouco.
Acabo de comer minha fatia e pego outra. Eu nunca consigo resistir! Ele sorri ao me ver comer com vontade a pizza que ele fez, como sempre faço.
"Humm", eu gemo colocando outro pedaço em minha boca. Viro o rosto e movo a mão para pegar meu copo quando percebo Edward olhando pra mim, pra minha boca. Oh!
"Você não vai comer mais, Edward?", eu pergunto enquanto me delicio com minha pizza.
"Han? Eu...sim. Vou comer", ele responde meio desconcertado e tira os olhos de mim. Terminamos de comer em silencio. Quando me levanto da mesa eu o agradeço pelo jantar e pego meu prato pra levar pra cozinha, mas ele me interrompe.
"Bella, espere. Deixa que eu cuido dos pratos, mas antes eu quero falar com você".
Eu suspiro, já sabendo que ele faria isso. "Nós não temos mais nada o que conversar sobre o que aconteceu. Eu acredito que você já fez sua opinião muito clara sobre mim".
"Não. Por favor, me dê um minuto", ele implora. Eu fico quieta, esperando ele continuar.
"É só que...eu quero pedir desculpas pela forma como eu me comportei com você. Você está certa. Eu pensei muito essas semanas sobre o que você me falou, sobre como eu fui injusto com você, te comparando com uma criança mimada", ele geme agarrando seus cabelos. Eu continuo quieta e tento segurar as lágrimas que começa a se formar em meus olhos.
"Eu não sei...eu não sabia como lidar com o que aconteceu e eu não deveria ter atacado você como eu fiz, independente de achar que você ainda vai perceber que...", ele para de falar quando eu aperto meus olhos fechados.
"Droga, Bella! Eu sinto sua falta. Essas semanas sem conversar com você, como fazíamos todos os dias, estão me deixando louco. Por favor, eu quero..." ele para de falar novamente e eu olho pra ele.
"O que você quer, Edward? Hein?", eu pergunto e não dou tempo para ele pensar em responder. "Você quer que eu esqueça tudo e que volte a ser como era antes? Você quer que eu prepare o jantar pra você todas as noites como uma boa mulher e que a gente assista filmes agarradinhos todas as noites como um casal de namorados?". Ele me olha franzindo a testa em confusão.
"Porque é isso o que era, Edward. É assim como eu me sentia. Você pode negar, mas você sabe que era desse jeito. E me desculpe, mas eu não posso voltar pra como era antes".
"Eu sei que a nossa relação é diferente da que você tem com seus outros tios, Bella. Nós temos essa...ligação, eu não sei como chamar. Mas é só isso. A gente não pode confundir com outra coisa". Eu bufo em sua negação.
"Olha, Edward, você continua pensando do mesmo jeito e acho que a gente não vai...". Eu balanço a cabeça, exausta, de repente. "Eu estou cansada. Boa noite". Não espero pela resposta dele e subo para o quarto.
