Capítulo IV – Nunca Diga Nunca

Bela linda criatura

Bonita

Nem menina nem mulher

Tem espelho no seu rosto

De neve

Nem menina nem mulher

- Mione?

Ouvi uma voz me chamando ao longe e senti alguns beijos molhados sendo distribuídos pelo meu corpo, enquanto acordava lentamente com uma dor de cabeça latejante que não queria nem pensar.

Vir-me-ei para ver as horas no relógio e quase gemi de frustração. Seis e quinze da manhã de um sábado. Não tinha dormido nem quatro horas. Eu não merecia aquilo. E não devia ter bebido aquela vodka toda. Olhei para meu marido já vestido ao meu lado, apenas me observando com um sorriso.

- Que foi? – perguntei, afofando o travesseiro e quase caindo no sono novamente.

Ele riu e passou os dedos languidamente pelo meu corpo ainda nu.

- Draco... – Foi a única palavra que eu consegui pronunciar antes de ele sobrepor meus lábios com os seus e se afastar.

- Estou indo para o Ministério.

- Num sábado? – esforcei-me para abrir os olhos e encará-lo.

- Algumas pessoas trabalham, como você deve saber – ele sorriu.

- Parece que sim.

Draco beijou-me uma última vez e antes mesmo da porta do quarto ser fechada, eu já estava dormindo.

.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

Eve abriu a porta da luxuosa mansão onde ela morava com Dimitri, e que secretamente eu o ajudara a escolher, e me encarou com descrença. Ela nem se surpreendia mais quando eu ia parar lá aos sábados de manhã. Era a minha fuga já que não tinha mais Tonks aqui em Jacksonville, ou quando meu marido não estava em casa.

- Dimitri está aí?

- Não. Reunião com Dave e o ministro. – E me concedeu a passagem. – Achei que você sabia, uma vez que seu marido também deve estar lá.

- Draco?

Ela revirou os olhos enquanto seguíamos para a cozinha.

- Você, por um acaso, é casada com mais alguém? A não ser que já considere seu caso extraconjugal com Andrew um casamento.

- Cale a boca, Eve! Que bicho te mordeu essa noite? Ou melhor, que bicho não te mordeu essa noite? – observei a expressão dela enquanto dizia isso, e foi impossível não rir. – Sinto que a noite não foi boa para você, não é?

- E você, que pílula da felicidade tomou hoje?

- Ao contrário de algumas pessoas, eu tive uma noite ótima com o meu marido.

- Quer dizer que a sua diversão com Andrew acabou? – perguntou-me enquanto terminava de fazer o café e tentava não parecer mais descontente do que estava.

- Eu disse isso em algum momento? – peguei a xícara que ela me estendia, e bebi de bom grado a primeira xícara de café do dia. – Além disso...

Mordi minha língua para segurar a resposta mordaz que eu lhe concederia. Dimitri sabia demais sobre mim e eu sobre ele, para entregar um segredo desses de bandeja.

- Além disso, o quê, Hermione?

- Além disso, meu marido está em casa agora. Não preciso de brincadeirinhas e diversões fora de casa.

- Entre aspas, não é? Fiquei sabendo que você se divertiu muito ontem à noite.

Argh! Por que raios eu fora ali antes mesmo de ver minhas filhas? Eu sabia perfeitamente como ela soubera daquilo. Vicktória Wright, que estava conosco, era amiga dela e deveria ter contado. Não era grande surpresa, mas não esperava que Eve soubesse tão rápido disso.

- Wright é uma fofoqueira.

- Não foi ela quem me contou.

Senti na pausa dramática que uma bomba estava por vir. E eu descobriria logo que não estava errada.

- Foi Andrew. Ele me mandou uma foto, ontem à noite, de você agarrada a Draco.

Engasguei com o café. Eu não vira Andrew em lugar algum da boate. Não que tivesse tido tempo, obviamente. Quando não estava dançando ou, como ela mesma dissera, agarrada ao meu marido, estava bebendo com Nate, Jackeline e William. Realmente não sobrara muito tempo para olhar para os lados e verificar algo que achava meramente impossível acontecer.

Eve mostrou-me a foto e se não tivesse pousado a xícara sobre a mesa antes, teria deixado-a cair. A foto nitidamente mostrava-me aos beijos com Draco enquanto Jackeline, William, Nate e Vicktória riam ao nosso redor. Não que fosse algo incomum, mas não era o tipo de foto que alguém teria orgulho de mostrar a outras pessoas. E não que nós já não tivéssemos nos beijado inúmeras vezes em público, mas saber que Andrew vira aquilo era, para dizer o mínimo, chocante.

Servi-me de mais uma xícara de café, e apesar de já ter entregado o celular de volta à Eve, a imagem continuava clara como água em minha mente.

- Falando em Andrew... – ela sorveu mais um pouco de café, tentando parecer despreocupada. Eu sabia que aquilo também não seria uma coisa boa. – Você tem bebido a poção?

- Que poção, Gwyneth?

- Que poção? – ela explodiu, começando a gritar. – Que poção, Hermione? Que poção que eu tenho lhe preparado há cinco anos? Você está mesmo a fim de arriscar seu casamento tendo um filho bastardo? Você não pensou em Draco em nenhum instante, não é?

Senti meus olhos se arregalarem enquanto engasgava mais uma vez com o café. Ah, Deus! A poção! E agora já era tarde demais.

- Eu... Eve tente entender que...

- Vocês são loucos, isso sim. Uma trai o marido e ele sabe disso, o outro leva um pé na bunda e vem curtir um porre onde sabe que você está.

- O que você está dizendo, Gwyneth? – perguntei com uma voz fria, arqueando as sobrancelhas. – Eu disse em algum momento que meu marido sabia, por um acaso?

- Não, mas... Droga! Esqueça o que eu disse, mas não faça mais isso em minha casa, por favor. Apesar de saber que Andrew vai repetir a dose de propósito só pra me contrariar – e suspirou, pegando a xícara vazia das minhas mãos. – É isso o que você quer?

- Eu não vou ficar grávida, Eve.

Ela sorriu ironicamente.

- Com a sua sorte, eu aposto cinquenta galeões como vai ficar sim. Já aconteceu antes, por que não agora, de novo?

- Aposto o mesmo valor que não.

Naturalmente, eu sabia que ela ia ganhar, mas já estava quase rezando para que estivesse errada.

- Apostado, então. Agora...

- Agora, Sra. Freestone, que história é essa de você saber que Draco sabia sobre Andrew? Pode ir me contando direitinho.

Eu, mais do que ninguém, sabia que Eve tinha uma queda gigante pelo meu marido, e adoraria dançar uma rumba na horizontal com ele, só não esperava que tivesse coragem. Draco sabia disso, mas nunca dera a corda necessária para acontecer. E eu sinceramente não fizera nada para impedir, isso deveria admitir. Mas aquilo era realmente irônico e tive que me segurar para não rir. Não era como se Dimitri e eu nunca tivéssemos agitado os lençóis enquanto dançávamos uma rumba na horizontal, já tínhamos feito isso muitas vezes, mas pensar em Eve com aquele jeito todo certinho traindo o marido, era impagável.

Eu tinha contado a Draco sobre a queda dela, há alguns meses, mas não imaginava que eles tivessem se tornado amigos íntimos tão rapidamente. Olhei para Eve uma última vez, e não consegui controlar o riso. A expressão de culpa dela era melhor do que a ideia de que tivesse traído Dimitri.

- Que foi? – ela me encarou, assustada.

- Eu... – e respirei fundo, tentando me controlar. – Eu já sabia. – Obviamente não deu certo, e comecei a rir novamente. – Ele me contou esta noite, assim que conseguiu parar de tentar brincar comigo, depois da festinha na boate.

Os olhos de Eve se arregalaram ao ouvir aquilo, e eu já estava chorando de rir àquela altura.

- Malfoy te contou? – perguntou perplexa.

- Ora, não precisa tratá-lo com tanta formalidade na minha frente, você já agitou os lençóis com ele, de qualquer forma. E sim, Draco me contou. Nós contamos quase tudo um ao outro. Mesmo que não tivesse me falado, porém, eu teria descoberto. Ele nunca chega em casa no final da tarde, depois de uma viagem. É sempre de manhã, para ter tempo de almoçar comigo e... Você sabe, matar a saudade.

- E você não vai gritar comigo, nem nada?

- Oras, fui eu quem o informei que você tinha uma queda por ele. Por que lamentar o que eu esperava que acontecesse? Sem contar que Draco é uma pessoa generosa... – mordi meus lábios para não ter outra crise de riso na frente dela. – Mas e aí? Como foi a primeira experiência extraconjugal dele? Ainda não tive tempo de perguntar.

- Vocês são loucos – murmurou.

Abri a boca para conceder uma resposta ácida e irônica, mas decidi me calar. Eu não estava a fim de perder alguns momentos secretos de diversão ocasional e extraconjugal, somente para ela contar para Draco e me fazer brigar com ele. Não, eu poderia manter aquilo para mim mesma ainda. De qualquer forma, Eve não deveria saber mesmo.

.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

Três meses depois

Eu estava deitada em minha cama, as três da manha, tentando dormir, enquanto a luz da lua entrava pela janela.

Já tentara a TV, ler o jornal ou algum livro qualquer, e deixara o telefone ao meu lado por algum motivo desconhecido. De nada adiantara. Eu continuava a me sentir sozinha.

O gato de Lisbeth, que possuía o nome infantil de Kite Guy, estava dormindo tranquilamente ao meu lado enquanto eu o acariciava. Meu marido estivera do outro lado da cama ainda a pouco, mas mesmo assim não o acordara antes de William ligar e avisá-lo de algo que o fez sair correndo. Mas mesmo assim, mesmo quando eu pudera chamá-lo, parecia que apenas o fato de ter conhecido Andrew Witherspoon abrira um buraco desconhecido e profundo em mim. Algo que nem Draco conseguira fazer ainda.

Recordei-me com saudade das noites em Hogwarts. Das festas inconsequentes, das madrugadas de diversão e bebida, e os dias de ressaca, mas que eu podia aproveitar ao máximo. Eu sentia falta disso. Lamentava ter perdido aquelas noites de diversão inconsequente. A falta que não fazia os meus dezoito anos que a muito já haviam se passado.

Mas a realidade mudara. Eu estava casada há mais de dez anos e tinha três filhas lindas. Elisabeth, Mary-Kate e Blair. Todos queriam que se eu tivesse mais um filho, se houvesse mais algum em um futuro próximo, fosse garoto. E, no entanto, havia uma única frase sob a voz de Eve que se repetia inúmeras vezes na minha cabeça e me tirava o sono, 'Positivo, Hermione. O exame deu positivo. E agora você sabe as consequências de seus atos inconsequentes e impulsivos, não sabe?'. Havia também a dor de não querer outro garoto. Eu já passara por isso, e não queria perder tudo outra vez. Eu não queria que nada disso acontecesse novamente. Não queria passar pelos riscos que isso trazia para essa criança mais do que para mim. Mas eu não tiraria a vida que se formava em meu corpo. Acontecera, não acontecera? Era minha culpa, entretanto, eu nunca controlava meus atos impulsivos. Eu... eu simplesmente não poderia matar mais uma vida apenas por puro capricho.

Deixei minha mão deslizar para o baixo-ventre e pensei nas alternativas que aquilo me trazia. Só existiam duas respostas, e aquilo não me dava escolha alguma.

Ponderei sobre com quem eu poderia contar neste exato instante, mas também não era como se tivesse grandes opções.

Gina... Não. Ela seria capaz de me matar se soubesse.

Eve e Dimitri... Não. Eles já faziam muito por mim.

Minha mãe ou minhas irmãs... Não. Todas tinham seus próprios problemas para resolver.

Andrew... Absolutamente não.

Tonks... Era alguém a se considerar.

Calculei as horas mentalmente dali até a Bulgária, peguei o telefone antes de sair da cama sem fazer o menor ruído e tranquei-me no banheiro. Disquei o número e esperei.

Blair acordara minutos depois que Draco saíra e eu tivera que levá-la para a minha cama, então não era como se eu pudesse fazer muito barulho.

- Hermione? Ainda não é de madrugada aí?

- Sim. Tonks, eu estou grávida – e apesar de ter me apoiado na porta, escorreguei até o chão já que meus joelhos fraquejaram e não conseguiam mais me equilibrar.

- Que bom. Você nunca se contentou com pouco, não é?

- Tonks, por favor, me escute.

- Vítor, termine de dar banho em Lia, por favor.

Eu podia imaginá-la revirando os olhos, mas estava muito abalada para me divertir com aquela situação.

- Ok, o que foi agora? Conte-me os seus problemas.

- Eu estou grávida.

- Eu sei, você já me disse. E qual é o problema disso?

- Esse é o problema. Eu não poderia estar.

- Por quê? Você jamais trairia Draco.

- Nunca diga nunca – murmurei.

- Céus! Hermione, você ficou louca? Pirou de vez? Bateu a cabeça, ou o quê?

Eu não poderia negar nada daquilo, e esse mero fato me fazia querer chorar.

- Tonks, por favor. Eu preciso de você aqui.

- Eu não posso ir até aí agora. Teria que...

- Aparate. Por favor, Tonks. É a única coisa que eu lhe peço.

- Você sempre diz isso. Só porque chantagem emocional funciona comigo. Estarei aí em cinco minutos, está bem?

- Ok. Eu... – e respirei fundo. – Aparate direto no meu quarto.

- Certo – e desligou enquanto eu me encolhia como uma bola.

All that I'm living for

(Tudo pelo que eu estou vivendo)

All that I'm dying for

(Tudo pelo que estou morrendo)

All that I can't ignore alone at night

(Tudo o que eu não posso ignorar sozinha à noite)

All that I'm wanted for

(Tudo o que eu quis)

Should I feel like I do?

(Eu deveria me sentir como eu me sinto?)

Should I lock the last open door?

(Eu deveria ter fechado a última porta aberta?)

Narração por Ninfadora T. Krum

Após largar marido e filha na Bulgária para ver o que acontecia na América, eu a encontrei encolhida como uma bola, sentada ao lado da porta com o telefone ao seu lado.

Não era algo que se pudesse ver todos os dias. Hermione Granger-Malfoy não era mais aquela garotinha que chorava pelos cantos como em Hogwarts. Ela crescera muito, mas mesmo assim era eu quem tinha que acudi-la em momento como esse.

Sem dizer uma palavra sequer, abracei-a. Hermione estava tremendo. Parecia que...

- Mione, pelo amor de Merlin, não chore. Já não basta a pirralha que Vítor insiste em dizer que é minha filha? – sorri enquanto afagava seus cabelos calmamente. – Você também tem que fazer tal papel?

- Todo mundo diz que você me trata como se fosse uma filha, de qualquer forma. – Ela deu de ombros, e apesar de seu tom estar um pouco menos desesperado do que ao telefone, ainda não era exatamente animador.

- Você sabe o motivo disso. Nós sempre confiamos extremamente uma na outra. Você pode contar comigo sempre que desejar, não sabe disso?

- Se não soubesse, não teria ligado.

Eu não consegui conter o riso com aquela resposta. Hermione não confiava em mais ninguém tão profundamente quanto confiava em mim. Nem mesmo em Draco ela depositava essa confiança, e isso porque eles dormiam juntos há mais de quinze anos.

Mas eu sabia por que isso começara e quando. Mesmo que distante, Hermione fazia parte dos Black, e nós só descobrimos isso muito, muito tempo depois. Antes de tudo, porém, antes de um parentesco distante ser revelado, tudo começara no primeiro ano em Hogwarts.

Era o primeiro dia de aula, um ano antes de Gina ir para o colégio. Nossa primeira aula de Transfiguração. Harry e Rony haviam chegado atrasados, então ficaram com os lugares que lhe sobraram; mas Minerva parecia ter escolhido a dedo cada um dos lugares em que devíamos nos sentar, como era do feitio dela. E eu saíra com uma garota da minha casa, Hermione Granger.

Naquela época seus cabelos eram cheios, ondulados e viviam soltos. Era razoavelmente alta, e magra. Eu a vira lendo no dormitório na noite anterior. E da mesma forma, ela chegara com um livro nos braços.

Não sabia ainda que Hermione era uma 'irritante sabe-tudo', como Rony não se cansava de chamá-la, e não sabia que nos daríamos tão bem logo de cara.

Ouvi o risinho de escárnio de Draco Malfoy, ao ver os garotos chegarem atrasados. Ele poderia ser meu primo, mas aos onze anos era chato e irritante como o diabo. Vi a garota revirar os olhos ao meu lado e continuar a fazer a tarefa proposta por Minerva. Porém, aquilo me fez pegar uma ponta do papel onde eu estava escrevendo, de modo impensado, e rabiscar um bilhete curto e com letra quase legível para ela.

Um sorriso discreto aparecera em seus lábios antes de rabiscar uma resposta de volta, e desde então, éramos amigas.

Voltei ao momento presente e ela tremia, com menos intensidade, mas ainda tremia enquanto me abraçava. Hermione era a irmã que eu não tivera. E apesar de ela ser alguns meses mais velha, era eu quem a superprotegia.

- Você ligou para Gina?

Eu sabia mais do que bem a resposta para aquilo. E a resposta era não. Existiam duas Ginas em uma, e exatamente por existirem duas, Hermione não conseguia contar tudo para ela. Havia uma Gina responsável e uma Gina quase tão inconsequente quanto Mione, mas, no mundo real fora de Hogwarts, era a Gina responsável quem dominava. E não era como se não soubéssemos o que ela diria se ao menos cogitasse qualquer daqueles segredos obscuros que eu e Hermione trocávamos constantemente.

- Não, e nem pretendo. Ela já tem problemas demais e...

- Eu sei. Mas parece que sou eu que tenho problemas de menos aqui, não é? – sorri mais uma vez, mas durou pouco. A torrente de lágrimas começara novamente. Soltei-a por um momento para encará-la.

- Eu... Droga, ele me ama!

- Quem, Mione?

- Draco.

- Você o ama?

- Sim, mas... eu não sei. Ele está mudando e nós não passamos mais todo aquele tempo juntos.

- Nem tudo é como a gente deseja, e você, mais do que ninguém, sabe muito bem disso.

- Eu... Eu não sei como pude fazer tudo isso com ele! Oh, Deus! Eu estou tão confusa.

Abracei-a novamente.

- Ah, Tonks!

- Você já havia feito isso antes, e dessa vez ele sabia. Não sabia?

- Ele sabia, mas essa não é a questão, Tonks. A questão é que...

- Quanto tempo?

- Onze semanas. Eve me contou hoje.

- Eu não vou lhe falar o que você poderia fazer, apesar de ser contra, porque você já sabe. Você não teria coragem de matar algo que vive dentro de si só para Draco não descobrir. Ainda me lembro da época de Hogwarts, de Los Angeles e quando Vance...

Fechei os olhos e suspirei ao sentir Hermione se afastar ligeiramente de mim. Gina não estava ali para me socorrer dessa vez. E eu tinha a maldita tendência de me esquecer do quanto falar de Vance era doloroso para ela. Ainda podia me lembrar da angústia quando Mione engravidara de Blair há quatro anos. Não era algo que alguém pudesse esquecer facilmente. Mas, mesmo assim, ela estava um pouco menos desesperada do que agora.

- Você tem certeza absoluta que esse bebê não é mesmo de Draco? Porque se não for...

Desisti de terminar a frase ao ver que ela mordia os lábios. O silêncio continuaria e eu sabia disso. Não adiantaria insistir.

Agora que as lágrimas haviam cessado, a fadiga parecia tomar conta dela e a próxima frase dita por Mione provaria isso.

- Preciso dormir. Eu tenho que ir trabalhar mais tarde.

- Vai voltar para o seu quarto?

- Sim. Draco saiu mais cedo.

Hermione nem ao mesmo se dignou a levantar, abrir a porta e encarar seu próprio quarto. Ela apenas pegou minha mão e aparatamos no espaço vazio da cama dela. Kite Guy me encarou ferozmente e pulou para fora da cama, mas Blair continuou em seu sono profundo.

Mione apenas pegou um travesseiro e deitou a cabeça em meu colo enquanto abraçava fortemente um sapo grande e verde de pelúcia que eu jurava ser de Mary-Kate ou Elisabeth.

- Você vai ficar aqui, Ninfa? – perguntou enquanto eu afagava mais uma vez seus cabelos louros.

- Até você dormir. Tenho que voltar, como você sabe. Leah está me esperando para levá-la à casa de Kalina Svetlana.

Ela viu a minha careta involuntária e riu.

- Continua amando sua sogra?

- Sempre – revirei os olhos e vi o sorriso que dominava o rosto da minha melhor amiga. – Você não espera que eu cante uma música de ninar como tenho que fazer com Lia todas as noites, não é?

- Se você quiser. Não é como se eu fosse te obrigar a fazer uma coisa dessas.

- Cínica.

Hermione riu uma última vez, e antes mesmo de eu ter acabado a primeira música, ela já adormecera. Embrulhei-a e beijei-lhe a testa antes de aparatar de volta para a Bulgária.

Eu tinha de admitir, ela era quase como uma filha para mim.

Fim do Capítulo IV.

N/A: Hi people! Agora eu sinceramente não sei mais o que escrever depois dessa. E olha que tem trocentos rascunhos de possibilidade aqui. Enfim, é isso. A música lá do início é Táxi Lunar do Zé Ramalho, e a outra é All That I'm Living For do Evanescence.