Glee não me pertence. Se fosse o caso, haveria muito mais duetos entre Artie e Mercedes.
Capítulo IV:
- Pode ir pegando essa mala e saindo daqui, você é a última coisa que eu quero ver nesse momento! – ela apontava a porta, fazendo menção de que eu saísse. Aproximando-me dela, agarrei-a pelo braço.
- Tão pouco tempo e já ficou mal acostumada desse jeito, Rach? – perguntei com hostilidade. – Escuta aqui, presta atenção. Você não me dê ordens, que eu não sou igual ao seu namoradinho que você pode ficar mandando e desmandando!
- Está me machucando... por favor, me solta...
- Eu solto quando achar que devo soltar.
- Se te virem aqui, sabe o que pode acontecer com você, não sabe?
- Ah, então agora a história mudou de repente? Não se preocupe com isso, aquele sujeito nunca se preocupou com o que eu fiz ou deixei de fazer.
- Não tem problema, juro que não vou me encontrar com ele...
- Sei que não vai – soltei o braço e voltei-me para a porta. – Eu mesmo vou me certificar disso.
- O quê? - ela me alcançou e me agarrou a manga da camisa, com desespero. – Espera um minuto, o que vai fazer com ele? Responde, o que você vai fazer?
Já segurando a maçaneta, virei-me para a garota e, com a expressão inalterada, respondi:
- Aquilo que não consegui da última vez.
Tranquei a porta depois de passar, deixando a pobre continuar com as súplicas desesperadas.
- Não, por favor... espere! Por favor, não faça! Harry!
- E CORTA! – anunciou o diretor, atraindo-me porta adentro outra vez. – Muito bem, não pensei que conseguiriam fazer a cena de primeira. Cinco minutos! Depois, Rachel, voltamos para essa cena, para você tentar ligar para o Sean. Kurt, você é uma gracinha, sério, mas vou te dispensar até a uma e meia da tarde. Sua próxima cena é com o Jesse, e ele só chega depois do almoço.
- Tá certo...
- Senhor diretor – minha colega resolveu se pronunciar. – Se importa se eu for até o banheiro? Volto logo.
Ele suspirou, e assentiu.
- Claro, Rachel. Não demore.
Mal ele completou a frase, ela já saíra. Que urgência, cinco minutos nem era tão pouco tempo... consultei o horário do celular, quase nove e meia. Já que minha próxima cena seria só depois do almoço, resolvi que não teria problema sair um pouquinho. Conhecendo bem o diretor, ele nem iria perceber.
O motivo pelo qual me deixavam entrar no teatro durante um dia de ensaio era porque eu era primo da Catherine. Eu realmente queria muito vê-la (se bem que, confesso, não seria ruim encontrar Noah por ali), para pedir a opinião dela. Por que dela? Pelo simples fato de minha prima, solteira, dois anos mais nova, conseguir ser mais cara-de-pau do que eu e minha esposa juntos. A companhia dela era boa para a auto-estima.
Cheguei ao auditório a tempo de encontrar Tina cantando com ela. Pelo que eu conhecia da peça, parecia que Tina conseguira o papel de Demeter.
(parte da Tina; parte da Kat; parte das duas)
You may seek him in the basement
You may look up in the air
But I tell you once and once again
Macavity's not there!
.
Macavity's a ginger cat,
He's very tall and thin
You would know him if you saw him for his eyes are sunken in
His brow is deeply lined in thought,
His head is highly domed
His coat is dusty from neglect,
His whiskers are uncombed
He sways his head from side to side,
With movements like a snake
And when you think he's half asleep,
He's always wide awake!
.
Macavity, Macavity, there's no one like Macavity
For he's a fiend in feline shape
A monster of depravity
You may meet him in a by-street
You may see him in the square
But when a crime's discovered then Macavity's not there!
.
He's outwardly respectable
I know he cheats at cards
And his footprints are not found in any files of Scotland Yard's
.
And when the larder's looted
Or the jewel cases rifled
Or when the milk is missing
Or another Peke's been stifled
Or the greenhouse glass is broken
And the trellis past repair
There's the wonder of the thing:
Macavity's not there!
.
Macavity, Macavity, there's no one like Macavity
There never was a cat of such deceitfulness and suavity
He always has an alibi and one or two to spare
Whatever time the deed took place, Macavity wasn't there!
.
And they say that all the cats whose wicked deeds are widely known
(I might mention Mungojerrie, Rumpelteazer, Griddlebone)
Are nothing more than agents for the cat who all the time
Just controls the operations
The Napoleon of Crime!
.
Macavity, Macavity, there's no one like Macavity
He's a fiend in feline shape
A monster of depravity
You may meet him in a by-street
You may see him in the square
But when a crime's discovered then Macavity…
Macavity…
Macavity…
Macavity…
When a crime's discovered then Macavity's not there!
^.^
- Kurtie! – minha prima correu para me abraçar, tão logo as duas ganharam dez minutos. – Como vai meu primo preferido?
- Normal... bem, eu acho.
- Veio me ver, ou...?
- É, eu queria pedir a sua opinião sobre uma coisa, pode ser?
- Lógico, mas é rápido? Porque eu só tenho dez minutos...
- É rápido. Bem, você sabe sobre mim e o Noah.
- Sei – ela assentiu.
- Bom, acontece que esses dias... eu meio que flagrei a Rachel fazendo o que não devia com um colega nosso. E eu já andava querendo me separar dela faz um tempo, mas ela anda meio estranha ultimamente...
- Quer saber se deveria aproveitar a deixa para ir cada um para o seu lado – ela sintetizou.
- O que acha que eu devo fazer?
- Deixe-me contextualizar isso, Kurt – ela me encarava como se me faltasse um detalhe óbvio. – Eu sou solteira, mais nova, não namoro faz algum tempo, o único cara com quem eu durmo é casado... e você vem me pedir conselho sobre a sua vida amorosa – ela sorriu, arrancando-me um risinho discreto.
Dito isso, ela resolveu falar sério e pedir mais detalhes.
- Quando foi que aconteceu?
- Dois dias atrás.
- E há quanto tempo mais ou menos ela anda estranha?
- Uns dois meses e meio, quase três, eu acho.
- E, como assim, "estranha"?
- Ela anda meio bipolar, grita demais, chora demais... de uns tempos para cá, aqueles momentos que ela começava a falar e não parava mais também diminuíram muito. Às vezes, ela passa vários minutos quieta. Que mais? Ela tem se vestido um pouco melhor, sem precisar tanto da minha ajuda, e... – parei e pensei numa coisa que não percebera antes. – ...Kat. Ela parece ter emagrecido um pouco.
Kat pensou mais um pouco, antes de falar.
- Olha, Kurt... esse problema é meio difícil. Sabe, não só por você, mas pelo Puck também. A situação da mulher dele também é muito delicada, ela está com uma depressão séria. Eu acho que vocês deviam ir com calma.
Ela tinha razão. Eu não era o único que tinha que dar passos curtos ali.
- Sabe, acho que eu tenho medo de... deixar a Rach sozinha, ela fazer alguma besteira, e não ter ninguém para consertar depois. Mas pensando nisso, acho que a probabilidade de a Cedes fazer alguma coisa é... bom, é um pouquinho maior.
- Olha, tenho que ir, daqui a pouco seu namorado volta para a gente ensaiar a parte do Rum Tum Tugger – ao ver minha expressão de confusão, ela perguntou: – Puck não te contou que conseguiu o papel do Tugger?
Não. Eu sei, nós não havíamos conversado muito ontem, também... só um pouco durante o almoço, antes de voltar para a casa dele, e... não acho que precise nem completar a frase. Mas mesmo assim. Isso era importante, ele conseguira o papel do Rum Tum Tugger, afinal (que, devo dizer, era a cara dele). Fiz uma anotação mental, para me lembrar de perguntar ao Noah por quê não havia me contado.
Rachel PoV:
A cena era um pouco desgastante. O desespero tinha que ser profundo, mas não forçado. Todo o pouco entusiasmo do diretor parecia estar sendo empregado no esforço de encontrar pequenas imperfeições na minha atuação. O que me lembrava, eu tinha um assunto pendente com o roteirista... Droga, nem com o Kurt eu ainda não havia falado...
Por falar em Kurt, quase não reparei na ausência dele quando voltei do banheiro. Só ao fim da cena, depois de várias tentativas, quando ele já estava voltando. A próxima cena era... bom, tanto faz, não era minha. Onde será que meu marido tinha ido¿ Não, não importa...
- Onde você foi? - não me contive, ao me sentar perto dele. Ele pareceu surpreso.
- Percebeu? - riu. Não entendi a graça. – Eu só... fui tratar de um assunto que estava meio... pendente.
- Olha, Kurt. Eu sei que existem alguns assuntos que você ache irrelevante, ou até melhor não me contar. Tudo o que eu quero é poder ser honesta com você, mas quer saber? Isso fica meio difícil se você não é totalmente honesto comigo.
Ele me encarou, cogitando a idéia, antes de resolver parar de enrolar.
- Eu só fui perguntar uma coisa para a Kat. Como eu sei que você não vai muito com a cara dela, resolvi que era melhor não comentar.
Sejamos justos, melhor aquilo do que nada. Sorri, inclinando-me na direção dele e depositando um beijinho em uma das bochechas avermelhadas. Ele era fofo mesmo.
Durante o resto do dia, não saiu da minha cabeça aquela conversa que eu precisava ter com meu companheiro já fazia algum tempo, especialmente depois de ontem. Ele andava evitando um pouco o diálogo desde... bem, anteontem. No entanto, como esse diálogo não podia mais esperar, fomos direto para casa ao fim do dia, ao invés de ir comer com o elenco.
- Rachel... – ele começou, logo que fechou a porta. – Precisamos conversar.
- É, eu sei.
- Eu tenho que falar uma coisa...
- Eu também.
- Sério? Pode falar, então.
- Não, não... pode começar, você.
Ele respirou fundo, como que tentando se preparar mentalmente para o que quer que fosse dizer.
- Bom, eu... já fazia um tempo que eu queria dizer isso, mas...
- Sim?
- ... eu quero me separar de você.
Aquela frase me atingiu em cheio, como uma raspadinha gelada. Kurt, meu marido, meu antigo colega de colégio e coral, com quem dividira meu maior sonho desde o segundo ano, queria se divorciar?
- Não.
- O quê?
- Olha, se for por causa daquilo com o Jesse, aquilo não foi nada...
- Não tem nada a ver com o Jesse. Tem a ver comigo, eu percebi que não agüento mais.
- Não, não pode ser, eu não vou deixar! Não agora, e não desse jeito!
- Rachel, qual é o seu problema?
- Isso não pode acontecer! Você não pode me deixar assim!
- Por que não? O que você tem?
- Eu estou grávida.
Continua...
^.^
N/A: muito diálogo, eu sei.
resolvi dividir entre os dois, mesmo. A parte do Kurt parece bem maior do que a da Rachel, não? Bom, para falar a verdade, é maior, mas não tanto quanto parece. A diferença aumenta um pouco por causa da música. O nome é "Macavity, the mystery cat", evidentemente do musical Cats.
acho que é só isso... como será que o Kurtie vai reagir à notícia?
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