Acho que esse será o último, e preciso pedir desculpas por sempre terminar de um jeito complicado ou triste demais, que não agrada a maioria das pessoas. Mas, considerando o que eu acredito, é assim que seria, se realmente acontecesse. Amo esses personagens demais, e vocês que acompanharam a fic também. Obrigada :3


Inevitável

Era inevitável, nós sabíamos. Tentamos conversar sobre aquilo, relevamos o assunto, juramos que aquele tormento não duraria para sempre. Por um momento, cheguei a acreditar que acabaria morto antes que tivesse que tomar uma posição, mas (felizmente?) isso não aconteceu. E Rony, com aqueles cabelos rubros como o pôr do sol, voltou. E nós nos afastamos, receosos de olhar nos olhos um do outro e entregar que havíamos nos amado (muitas, muitas vezes) enquanto ele estava fora. Fui covarde, eu sei, mas Hermione também foi. Ela, sempre tão corajosa, tão mulher, não soube o que fazer. E vê-la abraçar Rony com tanto sofrimento naquele coração maravilhoso me fez odiá-la, porque eu a amava demais para deixa-la presa, e não amava o suficiente para deixa-la ir.

- Não consigo continuar assim, Hermione. Por favor, fale comigo. – Segurei seu braço com força quando ela saiu para buscar madeira, e meu tom a assustou.

- Não sei o que dizer. Não podemos... fazer aquilo de novo. – O rosto dela enrubesceu com as lembranças, e eu parecia um turbilhão de emoções conflitantes. Abri a boca para responder, mas as palavras não saíram.

- Me desculpe, Harry. – Ela se desvencilhou do meu aperto e procurou se afastar. Hesitei.

- Você me ama? – A menina dos cabelos castanhos parou, e seus ombros rijos deixaram sua silhueta perigosa. Era uma pergunta injusta, eu sabia. Eu soubera de muita coisa desde que ficamos sozinhos.

- Não faça isso, por favor. – Os olhos castanhos estavam molhados. Empurrei-a contra uma árvore de tronco grosso o suficiente, e não senti resistência naquele corpo. Eu só queria abraça-la para sempre, ali mesmo. Queria, mais que tudo, amá-la.

- Você me ama? – Perguntei de novo, segurando seus ombros. Havia certa derrota transparecendo no rosto de Hermione, e eu achei por bem pressioná-la. Precisava da resposta, embora já soubesse.

- Eu faria tudo por você, Harry Potter. Inclusive morrer. – Um ranger de dentes e os ombros um pouco mais firmes, e finalmente consegui que ela olhasse nos meus olhos. Nunca que duvidaria daquela determinação grifinória, tão encrustada nela quanto em mim.

- Inclusive desistir? – Ela franziu o cenho, e sem perceber suas mãos estavam no meu peito. Não entendi se seu toque era para me afastar ou para me sentir. – De Rony? – Completei a pergunta, e ela finalmente entendeu. Suas unhas curtas riscaram meu peito sob o suéter e ela franziu os lábios. As lágrimas não existiam mais, havia apenas a convicção.

- Eu amo você, Harry. Desde o primeiro dia. – Respirei fundo. Ela mordeu os lábios. – Mas eu o amo também. – Ela respirou fundo. Eu fechei os olhos. – Não sei se sobreviveremos a essa guerra, mas precisamos ficar juntos. Não suportaria outro rompimento agora. –

Os lábios secos do frio tremeram, e eu puxei Hermione para meu peito e a abracei. Não sei por quanto tempo ficamos daquele jeito, mas naquele instante seu coração batia junto ao meu, e eu entendi. Eu entendi que estávamos fadados ao insucesso assim que toquei nos lábios dela pela primeira vez, apesar de tudo parecer certo. Ainda parecia certo, enfim. Mas não agora.

- Você ficará comigo? – Ela se afastou do meu abraço, mas o sorriso em seu rosto era simples. Tão simples.

- Sempre. –

No fim, sempre foi simples demais.


se amem e me amem, beijos