Título: Ensina-me a Viver
Autora: Mary Spn
Beta: Eu mesma! Os erros são todos meus.
Gênero: Padackles / AU
Sinopse: Ao conhecer um jovem de apenas dezoito anos, Jensen não podia imaginar o quanto ele mudaria a sua vida.
Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, nesta história Jensen tem 26 anos, enquanto Jared tem 18, ou seja, 8 anos de diferença, ao invés de 4. Contém cenas de relações homossexuais entre homens.
Ensina-me a Viver
Capítulo 4
No final do dia, Jensen saiu apressado do hospital. Não tinha nenhum compromisso, deveria ser apenas um dia comum, uma quarta-feira como todas as outras. Mas não era isso o que o loiro sentia; estava eufórico e ansioso, podia sentir suas mãos suadas enquanto dirigia. E o único culpado por fazê-lo sentir-se deste jeito, feito um adolescente indo ao primeiro encontro, era ele: Jared.
Aquele garoto alto, com olhos pidões e o sorriso mais lindo que Jensen havia visto em sua vida, era quem habitava boa parte dos seus pensamentos nos últimos dias. Não. Não estava apaixonado. Era apenas algo carnal e enquanto não o tivesse em seus braços, enquanto ele não satisfizesse todas as suas vontades, não iria sossegar.
Se parasse para pensar, se sentiria sujo e odiaria a si mesmo pelo que estava fazendo. Jared era jovem demais e inexperiente, mas isso só tornava tudo ainda mais tentador. Não sabia o que exatamente, talvez fosse o jeito de olhar, o sorriso tímido, a empolgação e o jeito como ele gesticulava ao falar, mas tudo naquele garoto era adorável.
Sentia vontade de desvendar todos os seus segredos, de saber tudo sobre ele, de tocá-lo, de sentir a maciez e o calor da sua pele, de tomar o seu corpo para si e fazê-lo gemer o seu nome.
Era insano, era errado... Mas era tudo o que mais queria. Talvez isso trouxesse um pouco de felicidade para a sua vida medíocre e monótona. Talvez isso o fizesse sentir-se vivo novamente.
Ao estacionar o carro diante da vídeo locadora, seu coração passou a bater mais forte. Pegou os filmes que nem sequer tinha assistido e entrou, olhando ao redor para tentar encontrar Jared.
Sua alegria se desfez quando não encontrou o garoto por lá. Dirigiu-se até o balcão, onde foi atendido por uma garota loira.
- Boa tarde! – Alona o recebeu com um sorriso.
- Oi! É... O Jared não trabalha hoje?
- Ah, não, ele tirou o dia de folga. Acho que foi resolver algumas coisas da faculdade. Você é amigo dele?
- Eu... Não, só que é sempre ele quem vem me atender, então... Estranhei quando não o vi por aqui.
- Aham... Veio só devolver? – Alona olhou para os DVDs que Jensen tinha nas mãos.
- Sim. Só devolver – Jensen desviou o olhar, constrangido.
- Certinho então – Alona registrou os filmes no computador, segurando a vontade de rir ao ver que Jensen tinha corado.
- Ok. Até mais! – Jensen saiu rapidamente.
Jensen voltou para casa sentindo-se ainda mais frustrado. Queria tanto ter visto Jared, e fora uma decepção não encontrá-lo por lá. Não sabia quando poderia vê-lo novamente, afinal de contas, não podia ir todos os dias àquela vídeo locadora, que nem sequer ficava a caminho da sua casa.
Quando chegou em casa, para sua surpresa, Danneel tinha preparado o jantar e o esperava, usando um vestido vermelho rodado que a deixava linda e sensual.
- Uau! – Jensen exclamou quando a viu e então olhou para a mesa posta com velas – Estamos comemorando alguma coisa? Você sabe, eu sou péssimo com esse negócio de datas – Jensen falou sem graça.
- Não, não se preocupe. Eu só quis fazer uma surpresa. Faz tanto tempo que nós... Bom, você está com fome?
- Claro. Eu só preciso de um minuto – Jensen foi tomar um banho rápido, tentando aliviar a tensão do corpo.
Conversaram bastante durante o jantar, coisa que há muito tempo não faziam, geralmente só trocavam uma e outra palavra, quando necessário.
Danneel parecia bem animada, falando sobre seus novos projetos e Jensen apenas ouvia, sentindo-se a pior das criaturas. Era casado com uma mulher linda, inteligente, uma pessoa incrível, e há algumas horas estivera correndo atrás de um garoto de dezoito anos, à procura de novas emoções.
Às vezes não conseguia entender a si mesmo. Não sabia pelo que procurava, talvez algo que preenchesse aquele vazio enorme que tinha dentro de si.
Mesmo depois de fazer amor com sua esposa, aquele sentimento continuava ali, como uma ferida aberta dentro do peito, que não queria cicatrizar.
No dia seguinte, as coisas voltaram ao normal. Danneel saiu sem sequer se despedir, deixando apenas um bilhete avisando para onde viajaria e que voltaria dentro de dois dias.
Era quase um alívio saber que não precisaria olhar em seus olhos e tentar compreender o que havia acontecido na noite anterior. Eram problemas e mais problemas que agora martelavam na cabeça de Jensen, e o loiro só conseguia pensar em fugir de tudo.
Queria esquecer que tinha uma família, pai, mãe, esposa... Queria esquecer o seu trabalho, seus pacientes, o hospital... Precisava sentir algo novo, algo que o fizesse esquecer pelo menos por alguns minutos todas as suas tentativas frustradas de encontrar a felicidade. Seu casamento fracassado, sua família que jamais conseguiria entender, seu trabalho que já não o realizava... Sentia-se em um beco sem saída, sentia-se um velho, com apenas vinte e seis anos de idade.
Olhou para o relógio e a realidade lhe caiu como uma bomba. Tinha um trabalho, tinha responsabilidades a cumprir. Ficar se lamentando e se afogando em mágoas não ajudaria em nada. Precisava seguir em frente...
- x -
Jared ficou desanimado quando viu que Jensen estivera na locadora no dia anterior, e percebeu que ele não levara nenhum filme desta vez. Isso queria dizer que o loiro não voltaria tão cedo, ou quem sabe nunca mais...
A tarde estava sendo monótona, quase nenhum cliente para atender, já tinha feito todo o serviço de guardar os DVDs nas prateleiras, e agora só conseguia ouvir Alona cantarolando em voz baixa, com os fones no ouvido.
Pegou seu caderno na gaveta e começou a desenhar, era o único jeito de fazer o tempo passar e se distrair um pouco.
- Posso ver o que você tanto desenha? - Alona se aproximou pelas costas de Jared, fazendo-o se assustar e fechar o caderno rapidamente.
- Não é nada. Apenas... Desenhos - O moreno tentou disfarçar.
- Desenhos de um certo cliente loiro de olhos verdes, por acaso? – Alona levantou as sobrancelhas e sorriu.
- Não. Claro que não!
- Ele esteve aqui ontem. Perguntou por você.
- Perguntou? - Jared tentou não demonstrar muita empolgação.
- Sim. E pelos filmes que ele veio devolver, eu posso presumir que...
- Não é nada do que você está pensando!
- E o que eu estou pensando? - Alona deu risadas - Vocês já...?
- Ele é só um cliente, Alona! Eu só conversei com ele aqui. Me deixa em paz! - Jared foi até as prateleiras de filmes, fingindo procurar alguma coisa, mas Alona o seguiu.
- Você o desenhou pelo menos umas cinco vezes, e isso só hoje - Jared a olhou torto - Sim, eu vi.
- Eu não gosto que você mexa nas minhas coisas.
- Ele é muito bonito, não é? Mais velho que você, experiente... Meu deus! Eu super posso imaginar vocês dois juntos.
- Alona!
- Você já esteve com um homem antes, Jared? Eu digo...
- Não! Mas eu dispenso toda e qualquer informação sua. Agora deixa eu trabalhar - Jared deu graças por ter entrado um cliente neste momento e foi rapidamente atender.
À noite, enquanto caminhava de volta para casa, depois do expediente, Jared não conseguia deixar de pensar em Jensen. A vontade de vê-lo novamente era muito grande. Mas por outro lado, se Alona havia percebido, outras pessoas também poderiam perceber. E se o seu pai sequer desconfiasse que estava tendo este tipo de pensamentos sobre um homem, estaria perdido.
Não que ligasse para o que pensavam ao seu respeito, mas se fosse expulso de casa, não teria como se sustentar com o salário que ganhava na vídeo locadora. Também era o seu pai quem pagaria por sua faculdade, então, enquanto não tivesse sua independência financeira, teria que seguir as regras, por mais que odiasse tudo isso.
Quando chegou em casa, suspirou aliviado ao ver que somente Meg estava acordada.
- Hey! Ainda acordada? Você não tem aula amanhã?
- Oi! - Meg o abraçou e beijou sua bochecha, o que Jared estranhou de imediato - Vem, eu preparei sanduíches pra nós, você quer? - Meg levou Jared até a cozinha e colocou os pratos com os sanduíches e um copo de suco para cada um sobre a mesa.
- Por que esta gentileza toda? Você está aprontando alguma coisa?
- Claro que não, Jay! Credo! Eu não posso tentar fazer um agrado que você já fica desconfiado!
- Desculpe - Jared ainda a olhou sem acreditar muito - E obrigado, eu estava mesmo morrendo de fome.
Começaram a comer em silêncio, e Jared notou que Meg o olhava de vez em quando, como quem quer dizer alguma coisa, mas não tem coragem.
- Ok. Sejá lá o que for, desembucha, Meg! Isso já está me irritando.
- Jay...
- Eu sei muito bem que quando você fica de rodeios e me olha desse jeito, ou está querendo alguma coisa, ou tem algo de errado acontecendo.
- Eu... Eu não sei nem como começar.
- Eu não tenho a noite inteira, Meg! - Jared rolou os olhos.
- Certo, então... Você é gay? - Meg praticamente sussurrou.
- O quê? - Jared engasgou com o suco e começou a tossir.
- Ontem pela manhã o seu celular estava tocando, enquanto você estava no banho. Eu abri sua mochila para atender, e...
- E?
- Eu encontrei um DVD.
- Que inferno, Meg! Quantas vezes eu tenho que repetir que não quero que você mexa nas minhas coisas?
- Foi... Por acaso, Jay! Eu não estava xeretando, só fui pegar o seu celular, eu juro!
- E por que tinha que atender meu celular? Que deixasse tocando!
- Claro, aí quem sabe o papai podia ter ido atender, ao invés de mim!
- Cuide da sua vida, está bem? - Jared falou com raiva, percebendo que suas mãos tremiam. Tinha sido pego de surpresa, não sabia o que dizer.
- Eu não me importo!
- O quê?
- Se você for gay... Pra mim não faz diferença. Eu ainda te amo do mesmo jeito.
Jared engoliu em seco, sem saber o que dizer.
- Termine o seu sanduíche, eu já vou me deitar – Meg levantou, levando seu prato para a pia.
- Meg, eu... Me desculpe!
- Não precisa se desculpar. Você tem razão, eu não deveria me meter na sua vida.
- Aquele DVD... Foi só curiosidade, ok? Eu não... Eu ainda não sei, eu... Talvez eu só esteja um pouco confuso. Isso não quer dizer que eu seja gay, certo?
- Mas você já... Você tem um namorado?
- Não! Claro que não.
- E você me conta se um dia tiver?
- Você não é curiosa demais pra sua idade, não?
- Só um pouquinho – Meg deu risadas.
- Você lava a louça, eu vou dormir – Jared deu o assunto por encerrado.
- Folgado!
Continua...
