Capítulo 4
Apenas bons amigos
A viagem para a montanha estava sendo muito divertida, mas do que Ana-Lucia imaginou que seria. Da janela do jatinho particular de Sawyer ela podia ver paisagens montanhescas maravilhosas, carneiros pastando nos imensos gramados verdes, ruínas de castelos medievais e picos cobertos de neve, que os faziam parecer bolos cobertos de açúcar.
- È tudo tão lindo, Sr. Eko.- Ana-Lucia comentou com o piloto. – Deve ser emocionante pilotar um jatinho como esse.
Sr. Eko, o piloto, deu um sorriso assentindo. Sawyer sorriu também e disse a Ana-Lucia: - Gostaria de tentar pilotar?
- Posso mesmo?- os olhos de Ana brilharam como os de uma criança prestes a ganhar um brinquedo novo.
- James, você enlouqueceu?- indagou Isabelle sentada em sua cadeira, presa até o pescoço com o cinto de segurança enquanto Charlie ao seu lado, com o rosto muito pálido e muitos saquinhos de papel depois tentava s recuperar do constante enjôo provocado pelos vôos rasantes do piloto sobre as montanhas.
- Qual é o problema, tia Belle? Eko é o melhor piloto que conheço e tenho certeza que ele não se importará se a Srta. Cortez pilotar um pouco, não é?
- Claro que não.- respondeu ele. – Venha aqui Srta. Cortez para que eu lhe explique tudo.
Ana foi até ele, e Eko começou a lhe explicar tudo sobre os botões de controle e outras coisas. Isabelle balançou a cabeça negativamente.
- Sobrinho, você é mesmo louco! Já achei um absurdo nós viajarmos para cá sem a presença de um co-piloto.
- Eu sou o co-piloto tia Belle, não se preocupe!- ele cochichou no ouvido dela.
Nesse momento, Ana-Lucia já tinha sentado ao lado do piloto e segurava o manche do avião, empolgada seguindo as instruções rígidas do Sr. Eko. Isabelle fechou os olhos quando Ana-Lucia deu um rasante e Charlie vomitou de novo.
- Primo, acho bom você melhorar.- comentou Sawyer rindo. – Estão quase acabando os saquinhos de papel.
Quarenta minutos depois eles pousavam na montanha. Charlie desceu quase carregado pela sua mãe e o piloto. Ana se aproximou, demonstrando preocupação pelo "noivo".
- Meu amor, o que você está sentindo?
Charlie não respondeu, apenas deu um gemido de angústia e dor.
- Você não está vendo que ele está enjoado por causa daquela sua loucura em querer pilotar o avião?- disse Isabelle, com rispidez.
Ana-Lucia engoliu o sapo, nada disse. A mãe de Charlie Cooper era extremamente irritante, mas ela não perderia a cabeça em seu primeiro dia de viagem, tinha que agüentar tudo com muita paciência até que recebesse seu pagamento e pudesse voltar para os Estados Unidos.
Concentrou-se no belo cenário que se descortinava a sua frente. O enorme castelo medieval da família Cooper, incrustado na montanha gelada. Era um dos lugares mais lindos que ela já tinha visto. O cenário de um conto de fadas. As duas torres gêmeas imponentes e cobertas de neve a faziam se lembrar das histórias que sua mãe costumava contar para ela quando criança.
O interior do castelo então, era surpreendente. Quando atravessou o salão principal ricamente decorado, com muitos quadros nas paredes e armaduras de cavaleiros medievais aos pés da escada de pedra de mármore, Ana-Lucia foi tomada por um sentimento estranho, como se já tivesse estado ali naquele lugar. Balançou a cabeça, concluindo que essa sensação se devia ao fato de ter lido muitos contos de fada e novelas de cavalaria durante sua vida.
- Impressionada?- indagou Sawyer entrando um pouco atrás dela no salão, acompanhado de alguns empregados que carregavam as malas para dentro. – Apesar de freqüentar este lugar desde que nasci sempre me impressiono.
- È maravilhoso, é como uma viagem no tempo.- disse Ana.
- Vai começar a pensar isso ainda mais se conhecer a vila ao pé da montanha. A maior parte dos moradores é descendente da época em que esse castelo foi construído.
- Nossa!- exclamou Ana-Lucia. – Seria muito bom passear na vila.
- Pois pode esquecer, queridinha!- disse Isabelle, interrompendo a conversa dela e Sawyer. – Em hipótese alguma eu e meu filhinho vamos sair nesse frio, esse vôo não fez nada bem ao Charlie. Estou começando a me arrepender de ter vindo para as montanhas com a saúde tão frágil do meu filho.
- Eu acho que sua tia tem razão, Sr. Cooper.- respondeu Ana-Lucia formalmente. È melhor deixarmos para passear quando a saúde de Charlie melhorar.
Isabelle ergueu uma sobrancelha:
- Ah não ser que James queira levá-la.
- Ah não, eu prefiro ir com o Charlie.- respondeu Ana-Lucia.
- Certo.- concordou Sawyer. – Gostaria de conhecer seu quarto agora, Srta. Cortez?
xxxxxxxxxxxxx
Alguns minutos depois, Ana-Lucia caminhava por um imenso corredor com um dos empregados do castelo rumo ao seu quarto. O corredor era tão estreito que causava-lhe um efeito claustrofóbico, paredes de pedra que iam se fechando à sua frente. Ana sentiu vertigem e se escorou à parede fria.
- Está bem, señorita?- perguntou o empregado, com seu acentuado sotaque hispânico.
- Sim, eu estou. Só preciso descansar.
- Já estamos quase chegando ao seu quarto.
Ana voltou a acompanhá-lo.
- Vocês não se perdem neste castelo? È tão grande.
- A Sra. Soarez, a governanta, diz que tudo funcionaria mais rápido e melhor se o patrão mandasse colocar elevadores no castelo, mas o Sr. Cooper é totalmente contra, diz que a modernidade tirará o brilho do lugar.
- Eu concordo com ele.- disse Ana. – Como é seu nome?
- Ramón, señorita. Tudo o que precisar é só me pedir.
- Obrigada Ramón. Sabe onde fica o quarto do meu noivo.
- No corredor leste, longe daqui, junto ao quarto de Doña Isabelle.
- Neste corredor estou hospedada apenas eu?- indagou Ana, impressionada com a quantidade de quartos e salas no amplo corredor.
- Não señorita. O quarto do Sr. Cooper fica quase ao lado do seu, separado apenas pela antiga sala de costura.
Ana-Lucia achou estranho ter sido colocada tão longe de seu noivo e tão perto do primo dele. Teria sido idéia de Sawyer? Afinal o que ele pretendia?
Chegaram ao quarto e Ramón informou a ela.
- O quarto tem aquecimento, Srta. Cortez e um interfone também caso precise de alguma coisa. O Sr. Cooper mandou que colocassem um lanche para a señorita no quarto, espero que o aprecie.
Ana agradeceu e entrou no quarto. Era enorme, quase do tamanho do apartamento que ela dividia com Kate e Libby. A janela com amplas vidraças dava para um jardim de inverno entre o quarto dela, a antiga sala de costura e o quarto do Sr. Cooper. Os móveis eram antigos, confeccionados em madeira de cedro. A cama de dossel com cortinado branco parecia o leito de uma princesa. E como Ramón havia dito, sobre uma mesinha com ricos entalhes dourados havia chá, leite, biscoitos, pãezinhos, queijo e algumas frutas.
Ela se deliciou com as iguarias e depois sentiu uma vontade irresistível de dar um cochilo. Trocou de roupa e deitou-se embaixo das cobertas aquecidas.
xxxxxxxxxxxxxx
O vento batia em seus longos cabelos enquanto ela galopava a toda velocidade. O chapéu havia ficado para trás e ele o havia apanhado com destreza, perseguindo a égua branca dela montado em seu corcel negro.
- Nunca irás me alcançar!- ela gritou rindo.
E ele aumentou o trote do cavalo, emparelhando o corcel ao lado da égua antes que ela pudesse impedir.
- Te peguei!- exclamou ele, rindo muito.
xxxxxxxxxxxxxx
Ana-Lucia despertou com batidas na porta. Meio desnorteada, checou o relógio, tinham se passado duas horas desde que tinham desembarcado na montanha. Levantou-se da cama e colocou o hobby por cima do pijama.
Era Ramón do outro lado da porta, sorridente.
- Desculpe acordá-la, Srta. Cortez, mas o Sr. Cooper deseja vê-la na biblioteca.
Ana trocou de roupa rapidamente colocando um vestido estampado e quente, botas de cano alto marrons, um cachecol e um casaco de lã, prendendo os cabelos lisos num coque. Ramón a levou por outro corredor, que era idêntico ao primeiro onde se localizava seu quarto. Certamente não aprenderia a caminhar sozinha naquele castelo nos poucos dias em que passaria lá.
Antes que adentrassem a enorme e secular porta de duas partes que levava à biblioteca do castelo, Ana-Lucia viu uma porta com entalhes de flores e fechadura dourada. Mais uma vez sentiu uma inquietação estranha. Perguntou a Ramón o que era aquele lugar.
- È a escada que vai para a torre Srta. Cortez, ninguém nunca vai lá, é mal-assombrada.
E sem dizer mais nada a respeito, Ramón abriu as pesadas portas de madeira da biblioteca e os olhos de Ana-Lucia se encheram de admiração. Centenas de estantes repletas de livros e pergaminhos compunham a biblioteca gigante.
Ela caminhou encantada por entre as estantes antes de perceber a figura do Sr. Cooper, sentado à uma mesa de pernas de leão, degustando uma xícara de chá. Ana sorriu para ele. Estava ainda mais belo, se é que isso era possível. Os cabelos loiros presos à metade, usando um pulôver verde-musgo com uma camisa branca por dentro e calça preta de veludo.
- Boa tarde, Srta. Cortez.
- Boa tarde, Sr. Cooper.
- Já disse para me chamar de Sawyer.
- Então me chame de Ana.
- Eu não poderia, uma dama deve ser tratada com cortesia.- respondeu ele, sorrindo charmosamente. – Gostou de seu quarto?
- Sim, é adorável. Obrigada por ter enviando o lanche, eu estava faminta.
- Imaginei que sim. Seu noivo não devia negligenciá-la desse jeito.
- Oh, meu pobre Charlie está doente. Não está me negligenciando. Aliás, gostaria de pedir ao senhor... digo você, que me levasse ao quarto dele depois para eu saber como ele está.
- Sinto não poder conseguir isso hoje para a señorita. Tia Bell está como um cão de guarda no quarto dele, zelando por sua saúde, mas acredito que amanhã cedo poderá vê-lo. Pobre Charlie, sempre sofrendo dos pulmões.
O tom dele foi de deboche, mas Ana-Lucia fingiu não notar.
- Então, ainda gostaria de dar aquele passeio à vila?
- Sim, mas você acabou de dizer-me que Charlie piorou.
- Piorou, mas ele disse à tia Belle que não acha justo você ficar presa no castelo esta tarde só porque ele está doente. Eu posso acompanhá-la no passeio e ser seu guia turístico.
- Oh não, não quero incomodar.
- De maneira nenhuma será um incômodo, Srta. Cortez. Será um prazer pra mim, levá-la até a Vila.- respondeu ele, tomando-lhe a mão e beijando.
Ana estremeceu, mas tratou de se afastar.
- Certo, obrigada por fazer isso.
- Tenho certeza que a señorita irá gostar do passeio e da minha companhia.
- Certamente que sim.- respondeu ela, e esse era o problema, apreciava e muito a companhia do Sr. Cooper.
xxxxxxxxxxxxxx
Se a paisagem das montanhas vista de cima era linda, Ana-Lucia surpreendeu-se mais ainda vendo tudo de perto. Estava muito frio, mas valia a pena enfrentá-lo para poder ver de perto toda a beleza daquele lugar.
- Nós iremos descer a montanha a pé?- ela inquiriu vendo que seria impossível que um veículo pudesse transitar pelos caminhos estreitos parcialmente cobertos de neve.
Nesse exato momento, antes que ele pudesse responder as perguntas dela, um empregado trouxe um lindo garanhão negro, perfeitamente equipado para descer a montanha.
- Já cavalgou antes?- Sawyer indagou.
- Não.- respondeu Ana hesitante e deslumbrada ao mesmo tempo, olhando para o belo cavalo à sua frente.
- Eu imaginei.- respondeu ele subindo no cavalo e estendendo a mão para que ela montasse com ele.
Ana-Lucia se apoiou na cela e Sawyer a levantou com facilidade pela cintura, ajustando-a a frente dele no cavalo. Ele saiu galopando a toda e Ana-Lucia fechou os olhos com medo, sentindo o vento frio das montanhas bater em seu rosto.
- Hey, abra os olhos!- disse ele. – Você está segura comigo, não vamos cair.
Aos poucos ela foi criando coragem e logo estava de olhos bem abertos, aproveitando o passeio. Ao chegarem à Vila, Sawyer guardou o cavalo em um estábulo público e depois saiu caminhando com Ana-Lucia pelas ruelas estreitas. Segurou a mão dela na sua e Ana não objetou, o contato da mão dele, mesmo que enluvada era muito prazeroso.
Ela estava encantada com tudo o que viam, era realmente uma viagem no tempo, como no livro de H.G Wells. Parecendo adivinhar os pensamentos dela, Sawyer comentou:
- Essa Vila antigamente costumava ser um feudo. Foi construída no século XIV. O castelo do senhor feudal é o castelo onde estamos. A construção antiga foi destruída em uma guerra contra os bárbaros, mas a partir das ruínas foi possível reerguer o castelo. Minha família é descendente da antiga dinastia espanhola que governava o feudo, os De la Vega. Mas com o passar dos anos o sangue misturou-se ao de ingleses e franceses e agora fica difícil sabermos quando a linhagem se perdeu.
- Que interessante!- comentou Ana-Lucia.
- Sabia que os empregados que moram lá acreditam que o castelo é mal-assombrado.
Ana-Lucia riu.
- Ramón me falou algo sobre uma porta que não deve ser aberta porque a torre é mal-assombrada. Você acredita nessas coisas?
- Bom, não costumo ficar muito tempo nas montanhas para ser abordado pelos fantasmas dos meus antepassados, mas até que gostaria de tomar um café com algum deles, quem sabe com o rei Antonio De La Vega.- respondeu ele, bem-humorado. - Quer conhecer a fonte dos desejos?- indagou apontando na direção da construção mais alta da Vila, a Igreja de Nossa Senhora dos Passos.
Ela assentiu e ele a levou até um poço de pedra defronte para a Igreja.
- Muita gente faz peregrinações até aqui, dizem que alcançaram milagres fazendo promessas nessa igreja para Nossa Senhora dos Passos, a padroeira do lugar. Os soldados do feudo quando saíam em batalha sempre vinham beber água nesse poço, esperando serem abençoados pela santa e vencerem a guerra. Com o tempo, o poço virou a fonte dos desejos.
Ana sorriu olhando para a fonte, a água dentro do poço estava congelada.
- Quer fazer um pedido?- perguntou ele estendendo uma moeda de cunho espanhol para ela.
Ela pegou a moeda das mãos dele, fechou os olhos e atirou a moeda para dentro.
- Muito bem. O que você pediu?
- Se eu te contar, não vai se realizar. E quanto a você? Não vai fazer nenhum pedido?
- Não, só tem uma coisa que eu desejo agora e acho que vou conseguir em breve.- disse ele, se aproximando dela com o olhar sedutor.
Ana-Lucia tremeu, mas não era de frio.
- Eu estou enregelada, será que poderíamos ir a algum lugar tomar algo quente?
Sawyer se afastou dela concordando. Eles entraram em uma taverna estilo medieval. Era muito antiga segundo Sawyer e ainda era regida pela mesma família há muitas gerações.
- Já provou cerveja amanteigada?
- E existe isso?- perguntou ela, divertida. – Pensei que fosse coisa dos livros de Harry Potter.
Ele riu e pediu duas cervejas amanteigadas e biscoitinhos de aveia. Ana sorveu o líquido morno e espumante, soltou um suspiro que fez a virilha de Sawyer dar uma pontada, porque sem querer acabou imaginando se o som que ela fazia na hora do prazer era do mesmo jeito.
- Isso é uma delícia!- exclamou ela com um bigode de espuma. Sawyer pegou um lenço e limpou os lábios dela delicadamente.
Olhou para fora, a nevasca estava aumentando, precisavam voltar para o chalé ou então ficariam presos pelo caminho Ele pagou a conta, despediu-se do dono da taverna e voltaram para pegar o cavalo no estábulo público. Subiram à montanha ainda mais rápido do que quando tinham descido, estava cada vez mais frio. Sem perceber Ana estava se encolhendo junto ao corpo de Sawyer buscando calor. Esse gesto o encheu de ternura inexplicável e ele se viu compelido a protegê-la.
Quando finalmente chegaram a casa, Ramón os recebeu. Já era tarde da noite. Ana perguntou por Charlie, mas o empregado disse que Doña Isabelle mandou dizer que não desceria para jantar pois Charlie estava com terríveis crises de tosse.
Ana-Lucia e Sawyer jantaram juntos. Ela ficou impressionada com o tanto de pratos diferentes que foram servidos para apenas duas pessoas. Estava preocupada se Sawyer faria alguma coisa para tirá-la do sério já que estavam sozinhos, mas ele se manteve apenas cortês durante todo o jantar. Em nenhum momento conversaram a respeito do beijo que tinham trocado em Nova York.
Terminado o jantar, Sawyer a acompanhou escadas acima pelo extenso corredor até o seu quarto. Ela se despediu à porta:
- Foi um passeio muito agradável, gostei muito. Obrigada por ter me levado à Vila hoje.
- De nada.- ele respondeu, não estava com vontade de deixá-la, mas não podia ir com muita sede ao pote, senão ela fugiria como um coelhinho assustado, e ele queria que ela viesse aos braços dele por vontade própria. Por isso se comportara como um gentleman durante o jantar.
Ana entrou em seu quarto, relaxada e feliz como a muito não se sentia, lembrando-se de como fora bom passear de mãos dadas com Sawyer e ser abraçada por ele enquanto cavalgavam. Trocou de roupa e jogou-se na cama aconchegante.
Sem querer, começou a fantasiar com Sawyer. Fechou os olhos e o imaginou entrando sorrateiro em seu quarto, despindo suas roupas e passando as mãos em seus seios, beijando-os, deitando-se sobre ela e a possuindo com seu membro vigoroso, deslizando macio na umidade dela.
- Hummmm...- gemeu com tal pensamento e rolou na cama.
De repente, ouviu um barulho atrás de si. Sentou-se de imediato em estado de alerta. Será que seu devaneio havia se tornado realidade?
- Quem está aí?- indagou.
Recebeu como resposta apenas o silêncio. Deitou na cama de novo, mas o barulho voltou e ela sentiu a espinha arrepiar. Um vulto passou rasteiro a ela na cama. O coração de Ana disparou.
- Me ajude, por favor, me ajude por favor, ele me prendeu aqui...- disse uma voz feminina aguda e amedrontada, mas Ana não via ninguém.
Assustada, ligou o interruptor do quarto, mas a luz não acendeu. O ambiente estava iluminado apenas pela luz da lareira.
- Me ajude...me ajude...- insistiu a voz.
Nervosa, Ana-Lucia abriu a porta do quarto e saiu correndo pelo corredor escuro, mas parou ao sentir que algo lhe sufocava. Engasgou, não conseguia respirar. Fechou os olhos e começou a rezar mentalmente: "Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome..."
Quando achou que ia desfalecer sentiu braços fortes em volta de sua cintura. Abriu os olhos e se deparou com os olhos azuis vívidos de Sawyer fitando-a.
- Você está bem?
- Eu...eu...
- Calma, eu estou aqui, vai ficar tudo bem, tudo bem.- ele a pegou no colo e a levou para o seu quarto. Ana-Lucia não fez nenhuma objeção, apenas se aninhou no peito dele ainda assustada.
Continua...
