Olá, muito boa noite, para começar, gostaria de pedir desculpas a todos que se ofenderam ou ficaram magoados comigo nas notas do último capítulo. Sinceramente, peço desculpas e até posso imaginar que metade das pessoas não estão mais lendo minhas notas, mas eu sinto-me no dever de pedir desculpas. Para encurtar a história e não tonar meus comentários um lugar pra reclamações eternas, eu estava em uma semana difícil, coisa de mulher principalmente, hormônios, faculdade, trabalho e minha sobrinha. Eu descontei onde não devia e usei os pressupostos errados para expor minha opinião e sentimentos.

Sim, eu fico chateada quando não deixam comentários, qualquer um fica, mas não é só aqui no , eu também publico em outros sites então foi uma coisa meio... argh, estupida e constrangedora.

Mas, bem, deixando o lero lero de lado, este capítulo, na minha opinião, é meio curto e de suma importância porque, ele explica um pouco das coisas que irão acontecer no futuro, Peter meio que me assumiu um papel de tutor, mais um pai para a matilha, alguém com quem eu possa usar como um "expert" nos assuntos. Então, bem, vocês vão vê-lo bastante, além de eu achar esse filha da puta muito sexy. Sério gente! Que olhos são aqueles?!

Por fim, como eu havia comentado com alguns e prometido para todos, eu tenho um presente a todos vocês que me deixaram comentários. Eu passarei a fazer isso a cada capítulo que eu ver que está tendo sucessos, isso é, comentários, uma sugestão muito bem vinda e aceita por uma das escritoras que eu mais admiro em Teen Wolf.

Então, agradecimentos e homenagens especiais para Nanda037.

Um beijo e boa leitura.


Capítulo quatro.

Peter Hale não era um homem mau. Não, as pessoas quem não sabiam como interpretar suas boas ações, ao ver delas, suas ações tinham sempre um duplo sentido e achavam que Peter fazia de tudo para sair ganhando na história. Ok, isso não era de toda mentira, mas, também não era pura verdade.

A verdade era que Peter não era um cara mau, não pra valer. Ele sabia como torturar alguém, qual é, todos deveriam saber fazer isso algum dia, vai saber quando se necessita tirar uma informação de alguém ou... quando você precisa de uns servicinhos como furar os quatro pneus do jipe de um certo adolescente com problemas hormonais sem que pegasse pro lado de Peter. Novamente, alguém acharia que Peter estava tentando prejudicar o pobre adolescente humano. O que seria uma completa calunia! Peter não ganharia nada em prejudicar seu pequeno presente do destino, não quando seu sobrinho tinha algo a ver com isso.

Derek era... sua família, depois que todos de sua família foram mortos eles meio que... precisaram serem mais unidos do que antes. Bem, ele sempre gostara mais de seu sobrinho, agora, ele não podia mais viver sem ele. E digamos que... Derek não era a pessoa mais fácil de viver, apesar de ter sido forçado a crescer o mais cedo do que qualquer pessoa desejaria, pelo ao menos comparados aos motivos que fizeram seu filhote amadurecer, Derek ainda era... um menino. Um menino assustado e desconfiado, um menino triste e sozinho.

E isso não podia ficar assim!

Sua nova matilha ficaria muito exposta com os anseios infantis e ataques mesquinhos de seu sobrinho. Oh, não leve a mal, não é culpa do menino, ele só... é complicado. Mesmo depois da maior idade ele ainda agia e pensava como um menino ingênuo e sem propósitos maiores.

Bufou com o pensamento de seu sobrinho treinando os outros filhotes apenas para sobreviverem. Não, Peter tinha ideias maiores e bem melhores, eles podiam fazer tantas coisas divertidas juntos, todos eles! Igual aos velhos tempos, quando ele ainda era alfa da matilha e sua família era... sua.

Suspirou audivelmente, aprumando seus sentidos para além do recinto pequeno e moderno que ele se encontrava. Um quarto de adolescente "normal" com fotos e objetos de gente "normal". O quarto de Stiles.

Era algo tão simples na opinião do Peter. Ele imaginava um quarto parecido para o menino, mas talvez com mais tranqueira e talvez brinquedos. Riu. Conseguia muito bem imaginar o adolescente brincando ou admirando seus objetos do quarto, talvez alguns bonecos de ação de super-heróis, quem sabe, ou uma tela plana com vários CDs de jogos pelo chão. Talvez ele consiga a data de aniversário do menino com o garoto Mccall.

Olhou pela janela do quarto, sorrindo presunçoso para a paisagem lá fora. Era noite, no outro dia seria lua cheia. Tão bonita e grande, tão poderosa e mística. Amava a lua cheia, amava ser poderoso sob ela, amava-a com toda a sua força.

Seus olhos se voltaram novamente para o menino na cama, sorrindo um tanto tolo para as ideias que vinham em sua cabeça para o menino. Ele era tão frágil, tão manipulável, mesmo que tão inteligente, aparentemente o cio veio bem a calhar em um momento tão propício, agora Stiles estava instável e precisava de um pilar para se manter. – Não se preocupe meu pequeno precioso, estou aqui para você... – sussurrou, tirando uma mecha do cabelo escuro que crescera admiravelmente nos últimos meses que Peter vira o desenrolar da 'puberdade' lupina do humano. – Pobrezinho, meu precioso, nenhum de seus companheiros soube cuidar de você, não é?

Lembrava-se das histórias de quando criança, lembrava-se dos contos de companheiros que se encontraram e de como a natureza praticamente os obrigara a se aceitarem. Algumas histórias eram românticas, como de sua amada irmã e seus pais, outras eram engraçadas e outras... eram tristes demais, mas Peter gostava de lembrar delas para nunca cometer os mesmos erros dos passados. Lembrava-se sempre do que lhes diziam sobre como tratar de seus companheiros, como ligações de sangue, carne e alma são importantes para os companheiros serem fortes, de como era importante eles estarem em sintonia para que nada os machuque... ou eles mesmos...

- Você é um tolo, meu sobrinho. Mas eu o entendo, anos sem uma matilha e sem um ponto fixo para o seu lobo o deixaram mais selvagem, não é? – disse ao vento, sorrindo de lado para as paredes do quarto do menino. Sentou-se na cama do mesmo, sem encostar muito seu corpo ao dele, apenas uma mão em seus cabelos fazendo um carinho quase possessivo.

Stiles era arisco demais para um garoto tão esperto. Ao menos, era o que Peter achava, alguém tão inteligente e frágil como Stiles não podia ser hiperativo ou nem mesmo... rebelde, ele próprio deveria saber que não era saudável para ele ou qualquer um ser tão hiperativo quando se tem uma mente tão superior como a dele. E não era tantas pessoas que podiam ter esse conceito de Peter.

Não. Peter sabia muito bem guardar suas mais verdadeiras opiniões para as pessoas e horas certas.

Desperdiçar palavras bonitas com surdos era um pecado. O mesmo que fazer a mais bela arte para alguém tão cego.

Seu sobrinho era cego. Tão diferente de Peter. Ele sim sabia como admirar uma obra de arte. Sabia por onde olhar, por qual gastar dinheiro e no que tocar.

Sorriu malicioso.

– Você deveria ter sido mais cauteloso, não devia ter despertado a libido do menino em um momento tão inoportuno, agora ambos estão sofrendo por algo que poderia ser resolvido de maneira tão simples... – sim, era tão simples, porque ninguém via como eles se mereciam? Por que eles não podiam entender que sem o outro eram fracos? Por que Derek não aceitava ter um companheiro humano?

Suspirou audivelmente, olhando novamente para a janela, observando a lua quase cheia, sorrindo para si. Sorriu de volta. Olhou para Stiles adormecido tão profundamente, tão entregue, tão... puro. Seu sorriso ficou predatório. – É melhor tomar muito cuidado, sobrinho. Amanhã já é lua cheia. Eu cuidarei dele nesta semana, mas não posso ficar sempre na sombra... você sabe muito bem quais são os efeitos sobre longa exposição aos encantos de um companheiro alfa... principalmente, para alfas. – Sorriu predatório para a janela, sabendo muito bem que Derek, mesmo distante, podia ouvi-lo.

Podia muito bem sentir a presença de seu sobrinho, salivando, selvagem, forte e vingativo há menos de 30 metros de distancia dali. Imaginava seu rosnado possessivo avisando Peter para não tentar nada com se companheiro. Que tolo. E divertido!

E perigoso.

Peter amava o perigo.

Seguiu com dois dedos pela testa do menino, deslizando lentamente pelas sobrancelhas e em volta dos olhos fechados, o nariz de feições – ironicamente – caninas, os lábios finos e rosados.

- Ele ainda não é seu companheiro, Derek. E sabe qual é a parte mais divertida? – sussurrou malicioso, sua mão voltando a desenhar o rosto de Stiles superficialmente, tomando muito cuidado para não acordá-lo. – Ele não quer ser seu companheiro, melhor, ele não entende toda essa história de companheiro. Mesmo que o digam o que seja, desenhem, mostrem, mesmo que a natureza faça-o seu companheiro, ele próprio não vai aceitar isso e ele vai ser infeliz... e nós dois sabemos que isso arruinará todo o bando, Derek. – seus dedos circularam os lábios de Stiles. Entreabrindo-os levemente, leves baforadas sendo libertas pela fresta do mesmo.

– Você enlouquecerá por não fazer seu companheiro feliz, seu bando não terá um bom líder o que os matará ou os dispersará... – lábios finos e apetitosos, tão rosadinhos e ressecados... – E então, só então, Stiles perderá seu completo propósito e o vínculo quebrará e...

Seus olhos piscaram lentamente sobre o rosto de Stiles, era impressão sua... ou Stiles estava ficando mais vermelho?

Vermelho quente.

O bastante para vê-lo suar.

Stiles se encolhia embaixo dos lençóis e Peter começava a pensar se era porque sua mão agora estava no pescoço do menino, brincando com a ponta dos dedos na pulsação alterada ali ou pelo cio. Ele pressionou um pouco mais os dedos nas vias respiratórias do humano indefeso, sentindo a respiração dele falhar.

- E nós dois sabemos o que isso significa, não é?

Sua mão fechou-se levemente, suas garras expostas sobre o pescoço de Stiles, bem na jugular. – Por que não acabamos com isso logo agora?! – fincou uma garra bem abaixo a orelha de Stiles, entre as mechas escuras. O cheiro de sangue fresco inundou o quarto, juntamente com o som inconfundível de um rosnado alto o bastante para acordar toda a nação.

Raivoso.

Bruto.

Animalesco.

Retirou a mão rapidamente do pescoço do garoto e saltou para trás, para o outro lado do quarto, olhando o corpo adormecido. Ou semiadormecido. Stiles se remexia levemente, tremulo, seus dedos se prendendo nos lençóis da cama, puxando o tecido amassado com força conforme o garoto balbuciava palavras irreconhecíveis e doces gemidos saiam de sua boca. O cobertor escorregava pelas costas do menino, deixando amostra a pele branca e repleta por cicatrizes tão familiares para Peter quanto qualquer outra coisa naquele quarto...

Ele conhecia a dor nelas, ele conseguia entender o menino, o porquê de seu transtorno, de sua confusão. Peter conseguia entender o porquê de Stiles fugir com tamanha necessidade dos lobisomens... ele sabia muito bem o que aconteceria quando eles o pegarem.

Olhou para a janela preocupado. Mordeu o lábio inferior por um flash de nervosismo, logo se recuperando.

Peter Hale não era homem de fracassos.

Ele não era fraco.

Ele nem ao menos era humano!

Peter Hale não dava pra trás quando o assunto era sua família e, querendo ou não, por sua vontade ou não, Stiles Stilinski era parte de sua família agora. A natureza já fizera a sua escolha e Peter não era tolo em contrariá-la.

Só esperava que ela não encarasse sua audácia e virtude como uma ofensa.

- Acalme-se, meu sobrinho. – sussurrou, forçando um sorriso burlesco. – Ele está a salvo comigo. Não deixarei ninguém chegar perto dele, mas claro... eu não faria isso de graça – sorriu presunçoso, aos poucos o som do rosnado ia sumindo, mas ainda era existente. – Você é muito corajoso para ficar longe dele em um momento tão inoportuno. Logo agora que é lua cheia de novo e ele está no cio. Ou você é muito confiante da ligação de vocês...

O que, na opinião de Peter, era inútil. Tendo em vista que para ter uma ligação entre alfa e companheiro era algo muito além de sexo ou simplesmente morder e pegar o que era seu. Não, a alma estava envolvida.

E a alma daqueles dois estavam em sintonia mesmo antes de se conhecerem.

- Ou você é muito estupido e não aprendeu nada comigo. – riu presunçoso, sentindo uma inquietação logo atrás de sua coluna. O quarto estava em um silencio mortal sendo interferido apenas pelo ressonar alto de Stiles. – Ele está mudando, Derek, quanto mais tempo você demorar a marca-lo, mais tempo a natureza irá fazer o Stiles tornar-se o companheiro perfeito para você... pergunto-me como seria um companheiro perfeito para você... – ele fingiu pensar, depois riu – esquece, não consigo nem mesmo vê-lo acasalado, imagine arranjar uma companheira para você. Eu vou ter muita pena desse menino...

Não, era mentira e se Derek fosse esperto o bastante, ele já teria tapado os ouvidos ou simplesmente ido embora. Ok, ido embora não, mas com certeza teria parado de ouví-lo.

O que era estranho, porque Peter ainda continuava a falar. Mesmo que seu sobrinho não o ouvisse.

Será que ele estava perdendo a sanidade de novo?

- Talvez eu devesse pegá-lo para mim – um rosnado se sobressaiu entre o ressonar agitado do garoto. Oh, ele ainda o ouvia. Sorriu mais abertamente. – Vou perguntar do Jackson como ele deve ser, porque, aparentemente, até um lobo selvagem e recém-nascido tem mais coragem de fazer o que você não fez ainda. – o rosnado estava ficando mais alto. O coração de Peter batia mais forte também – Será que ele geme bem, você o ouviu gritar quando Jackson possuiu-o? Será que ele gostou? Não, talvez não seja pra tanto, mas será que ele te deixaria tentar? – Seu corpo suava, sua vista presa na paisagem longe da janela. Seus instintos mandavam-no parar, suas garras saltando para fora. – Será que ele me deixaria tentar? Talvez seja isso, ele queira alguém com mais experiência, Derek? E eu posso fazer isso sem transformá-lo em lobisomem, coisa que você nunca vai conseguir.

A noite estava mais gélida, a luz da lua invadindo o quarto, formando sombras tenebrosas pelo ambiente. Mas Peter não tinha medo, não, ao menos não dos mortos, ou da morte.

Ele tinha medo dos vivos.

Ele tinha medo. Muito medo.

Fechou os olhos reticente, sentindo o ar do quarto ficar abafado e abriu os olhos com calma quando a mão de Stiles tocou suas costas, tremula.

- Olá, precioso. Desculpe tê-lo acordado. – sussurrou malicioso, pegando a mão do menino entre as suas.

Stiles estava mais pálido que o normal, ele olhava da janela para Peter, então baixava os olhos e voltava a encarar a noite lá fora. Ele puxou sua mão de volta e tentou se sentar na cama, mas desistiu, caindo meio de lado na mesma e, com a ajuda de Peter, voltou a deitar de barriga para cima. Peter logo tomou seu lado na cama, deitando-se na beira, com uma perna pendendo para fora e a outra bem alinhada ao corpo de Stiles.

O menino olhava para o teto, piscando lentamente poucas vezes, sua vista embaçada e levemente marejada não ajudava na situação. Ele abriu a boca duas vezes, mas nenhum som saiu, até que ele se apoiou nos braços, usando o que parecia ser a pouca força que tinha e se sentou recostado na cabeceira da cama.

Ele olhou Peter e o mesmo retribuiu o olhar, esperando.

- O que vai acontecer comigo? – soltou de uma vez, um suspiro profundo e cheio de dor. Peter piscou algumas vezes, desligado do mundo por um momento. Stiles se aprumou na cama, gemendo dolorido. – Você disse que a natureza está me transformando... o que isso quer dizer? O que vai acontecer comigo?

Preocupação.

Medo.

Emoções tão humanas e simples, mas tão cheias de poder para quem sabia usar.

E Peter era um mestre nessa arte.

- Você vai se transformar aos poucos, talvez não perceba, talvez sim, em um companheiro de alfa perfeito. Submisso, quieto, delicado – a cada palavra pontuada, Peter deslizava um dedo pelo corpo de Stiles, até que sua mão, completamente aberta segurou firme a bochecha do menino humano. – Passivo de qualquer opinião ou motivação própria.

- Serei um boneco.

- Se quiser pensar desse jeito, eu acho que preferiria pensar que estão me livrando das preocupações mundanas-

- Tirando sua liberdade! A Minha liberdade! – ouviu um semi-soluço escapar da garganta do rapaz, ao qual forçou a penas engolir o mesmo, soltando-se do agarre de Peter. – Por que fez isto comigo?!

Peter sabia que não era com ele quem Stiles estava falando. Mesmo que ele olhasse fixamente para os lençóis amassados sob seus dedos bem fechados, mesmo que seu corpo tenso estivesse voltado para a parede de livros. Peter sabia que Stiles tinha em mente seu sobrinho do lado de fora da janela, há poucos metros dali.

E Peter sabia que Derek estava ouvindo tudo.

Um soluço agudo saiu da garganta do menino encolhido no canto da cama. Ele tinha os braços sobre a cabeça, uma concha protegendo sua sanidade ou talvez... sua solidão. O corpo virado para o lado oposto ao da janela e, consequentemente, de costas para Peter, as pernas encolhidas ao peito e levemente pendendo para fora da cama. O corpo tremia levemente pela respiração entrecortada, soluços pequenos e engasgados fugindo de sua garganta.

Passou uma mão pelos cabelos, exasperado, transtornado até. As coisas estavam perdendo o rumo do que deveria ocorrer. Derek estava perdendo muito por teimosia e altruísmo simplórios.

E ele ia perder muito mais.

E Peter não podia se dar a esse luxo. Não agora.

Com um suspiro alto, Peter deitou-se confortavelmente na cama de Stiles, de lado, seu peito a poucos centímetros das costas do humano. Suas pernas levemente tocavam-se, seu cotovelo logo a cima da cabeleira revoltada, usando o braço de travesseiro.

- Sabe, você não precisa ser assim... – jogou no ar, levando uma das mãos até os cabelos revoltos do rapaz, brincando com algumas mechas com a ponta dos dedos. – Ser um companheiro de alfa não é tão ruim assim. – um riso morto, debochado, saiu da garganta de Stiles, fazendo seu corpo tremer.

Não pelo frio, não, Stiles não estava sentindo frio. Mesmo que seu corpo não estivesse completamente coberto, mesmo que o ventinho da noite fresca acariciasse sua pele desnuda, ele não estava com frio. Ele não sentia mais o frio há... nossa, tanto tempo.

Ele conseguia sentir o vento na pele, a brisa gostosa e como isso lhe dava prazer quando tocado pelo ar, mas... ele não se lembrava a ultima vez que sentira frio e, droga! Eles estavam no começo do outono! E o outono em Beacon Hill era... gelado, no mínimo.

Ele segurava o lençol sobre o corpo com força, querendo se proteger do olhar e dos toques de Peter. Escondia as marcas ofensivas e tão assustadoras dele.

Escondia com sua vida o seu medo.

Sua dor.

A fraqueza.

Ele mantinha para si o resquício de humanidade que ainda possuía nele. O pouco que ainda o ligava a vida humana comum, aos sentidos de um adolescente normal. Ele trancava a vários cadeados o seu coração fraco e rasgado, seus pedacinhos destroçados eram bem protegidos por sua frieza, enquanto sua pele fervia a cada retumbada dolorosa que seu pobre coração fazia.

Deus, esse calor que não passava!

Havia horas que ele simplesmente não podia aguentar. Ele já tomav banhos por dia e, nessa época do ano, dois já era um sacrifício! No entanto, ele não conseguia ficar por muitas horas com a roupa no corpo, saindo de casa com casacos leves e de tecidos claros, poucas blusas e nem mesmo as luvas ele calçava. Demorou algum tempo para entender o que estava acontecendo.

Mas então... veio Peter.

Ele se virou na cama em um quase pulo. Seu rosto vermelho e suado, assim como seu peito desnudo, a respiração em ofegos e o coração, seu pobre coração, batalhando para acompanhar e ritmo acelerado de suas veias.

- Esse calor... – ofegou, engolindo em seco. Ele passou a mão pelo rosto, arrumando-se na cama. Ele lutava para não chutar os lençóis para longe de si... seu instinto de sobrevivência mandava-o não fazê-lo. – Esse maldito calor! É culpa de vocês, não é?! É culpa desse negócio de companheiros! – Peter parecia cético, olhando-o com as sobrancelhas erguidas, seus olhos descendo presunçosos pelo peito desnudo de Stiles. Arrepiou-se. – Responda! Você me mordeu, isso implica que você me deve!

- Não, na verdade não.

- Eu pesquisei! Essas histórias nunca, nunca acabam bem! E sempre começa com esse maldito calor! Eu não senti calor antes, nem mesmo... – tossiu, desviando o olhar pela primeira vez. – Nem mesmo quando De-Dere-...

- Quando Derek veio reivindicá-lo? Era isso que queria dizer? – oh, como Stiles odiava aquele sorriso presunçoso! E como Peter amava a carinha emburrada do menino. – Bem, isso normalmente acontece quando você está no cio E, principalmente, quando ocorre a lua cheia.

- Típico! – bufou Stiles.

- Deixe de ser ranzinza, não faz bem para a pele nem para a autoestima, precioso.

- Eu NÃO sou o seu precioso! Pare de me chamar assim! Eu não vou cair nessa enrascada!

- Mas o que há de errado? Eu já disse que ser um companheiro de alfa não é de todo ruim.

- Não é de todo ruim, não é de todo RUIM?! – sobressaltou Stiles, de repente seu corpo sendo puxado por uma adrenalina impressionante quando a raiva o possuiu. Peter só podia estar brincando!

Quase caiu da cama, enrolado em seus lençóis, mas conseguiu manter-se de pé. Infelizmente, sua dignidade ficou debaixo dos lençóis quando o tecido amassado abandonou-o, revelando sua cueca short de zebra. Corou. Mas ele já estava vermelho antes então não se importou. Nem mesmo quando os olhos de Peter caíram sobre o pequeno pedaço de tecido apertado e pôde ver claramente o mais velho engolir em seco.

Duh. Zebras eram iguais as presas.

- Primeiro vem esse calor infernal que atiça meus sentidos e, me corrija se eu estiver errado, vem acompanhado desse... desse formigamento horrível que... que me provoca e me machuca em lugares que antes eu NEM SABIA que podia sentir! – cuspiu no ar, agitando os braços sem parar, fazendo Peter rir baixinho de sua atuação desesperada. Ele bufou, Peter riu mais ainda. – Então vem estes sonhos horríveis que só me fazem ter mais medo ainda de vocês e essa sensação terrível de que... de que algo está me esmagando e me empurrando contra o precipício da minha vida a cada dia que se passa e eu tomo consciência disso! Eu não durmo direito com medo de que vocês – apontou um dedo acusatório para um Peter muito sério e de pé ao lado de sua cama – invadam o meu quarto e abusem de mim, eu não quero saber como, mas mantenham Jackson longe de mim e seu amado sobrinho também! – Ele bateu o dedo no peito de Peter, por algum motivo, ele não estava com medo agora. Mas ele tinha raiva, muita raiva. – Então a natureza vai me tornar em uma marionete, um brinquedo sexual de um animal, vai obrigar-me a fazer coisas que não quero e pensar como não quero! Vai tomar minha liberdade! Eu seria apagado para algo que eu odeio! E isso vai se repetir, sempre, todo mês, toda lua cheia até que não tenha mais volta e um lobisomem venha me pegar e... e...

Ele tinha raiva de Derek ter começado isso, porque se Derek tivesse lhe perguntado antes, talvez, só talvez Stiles pudesse pensar no que fazer e não ficar dependendo das carícias e atiradas que Peter jogava sobre ele com o intuito de feri-lo e manipular.

Ele tinha raiva de Jackson por ser um lobisomem burro e fraco que perdia o controle a cada lua cheia e não podia manter a porra do pau dentro das calças!

Ele tinha raiva de Peter por ser um fodido homem maduro e experiente, completamente sexy e poderoso que podia facilmente domá-lo igual a um bichinho fracote.

E ele tinha muita raiva ele por ser fraco.

Ele se odiava por deixar que os outros o machucassem. Ele não podia suportar ser fraco mais, ele tinha de ser forte ou então... ou então ele não poderia lutar contra os braços fortes que o prendiam, nem mesmo contra as lágrimas que teimavam em manchar sua pele rosada e os soluços que feriam sua garganta ao tentar impedi-los de passar. – Eu odeio vocês...

Ele não sabia como, mas Peter o pegara nos braços em algum momento em que ele estava brigando com o mais velho. Talvez fosse quando ele estava atirando pragas nos lobisomens e Peter prendera seus braços para que ele não esperneasse e se machucasse.

- Eu odeio vocês... eu quero que sumam da minha vida... – soluçou, esfregando o rosto no peito de Peter com força, ferindo-se mais do que machucando o outro. – Por favor, eu quero ficar sozinho.

- Mas você não quer isso Stiles. – sussurrou Peter, no ouvido do garoto, sentindo como o outro estava transtornado, como aquela história toda de companheiros e de acasalamento o estavam tirando do sério. Ele estava perdendo o menino de uma maneira que ele nunca pensou que poderia perder. – Você não quer esta solidão do seu quarto. Você quer escapar dela, não é?

Ele negou. Ele negou veemente tudo o que Peter sussurrava.

Aquela voz sussurrada em um carinho falso, aquele tom baixo e manso.

Tudo mentira.

- Eu posso lhe dar isso, Stiles. Posso fazer com que nunca mais fique sozinho.

Aquele aperto no peito do outro, aquele carinho em seus cabelos. Tudo armação.

Tudo mentira para que Stiles pudesse cair em sua armadilha.

- Eu posso fazer você muito feliz, Stiles. – Não era verdade. Stiles sabia disso.

Aquele coração batendo rápido contra a sua bochecha, aquele calor gostoso e acolhedor. Tão diferente do formigamento que o assolava à noite antes de dormir.

Era aconchegante.

Talvez por isso ele não tenha tentado se afastar, talvez por isso ele tenha se fechado mais no abraço de Peter e talvez... somente talvez, por isso, e apenas por isso ele tenha abraçado Peter de volta. – Como...?

- Aceite ser companheiro de Derek. E tudo isso acaba, Stiles. Apenas, dê-lhe uma chance. E se ele o fizer infeliz... nós daremos um jeito.

- Por quê...? – soluçou, procurando os olhos do mais velho com desespero. Seu rosto estava retorcido em angustia, seus olhos avermelhados e inchados pelo derramamento de lágrimas, as bochechas coradas e molhadas.

- Porque, meu querido precioso. Ser companheiro de alfa é muito mais do que um nome ou uma imposição. É poder e união. Ser companheiro de alguém, principalmente de um lobisomem, é para sempre. – Peter ajudou o menino a deitar na cama, sentando-se ao seu lado, sem nem mesmo desgrudar o seu corpo do dele. – Ser companheiro é compartilhar, isso inclui os benefícios da licantropia, é zelar pelo outro. O jeito mais nobre e honroso de dizer que você pertence e possui a alguém. – Fazia carinhos nos cabelos compridos do menino, remexendo vez ou outra em sua orelha, puxando-a. Os olhos marejados pesando com mais frequência, enquanto Stiles fazia o possível para manter-se acordado e prestando atenção no que Peter lhe contava. – Não é somente o calor ou os sentimentos, é algo ancestral, espiritual, precioso.

Ele viu como o garoto, já adormecido, se encolhia em seus braços, buscando o calor do corpo mais velho.

Velando seu sono.

Protegendo-o de seu próprio destino.

Ao menos esta noite.


Caras, merdas, sinto muito mesmo. Primeiro pelas notas anteriores, novamente.

Segundo porque eu disse que ia lhes dar um presente e, porra, o deviant não tá colaborando comigo então eu vou improvisar e entregar para vocês este link do instagram que tem o meu presente para vocês. Eu vou tentar me antecipar nos próximos capítulos porque eu já tenho os futuros presentes e surpresas desenhadas e tentarei postar aqui na história.

um beijo a todos. Obrigada pelos comentários anteriores, principalmente, porra, claro que eu NUNCA NUNCA NUNCA NUNCA vou me esquecer! Uma pessoa, um leitor veio na minha caixa do tumblr e me deixou uma mensagem, LINDA, infelizmente eu não me lembrava que, ao responder a mensagem, o tumblr exclui a mensagem e eu perdi tanto o tumblr que me respondeu tanto a mensagem, mas, sério, foi lindo o que a pessoa fez para mim, nem sei se é homem ou mulher (não se ofenda, eu simplesmente mal consegui entrar no seu tumblr uma unica vez eu acho) e se você ler essa mensagem, mesmo que eu já tenha respondido pelo tumblr, eu agradeço do fundo do meu coração pelo seu comentário, você fez uma coisa por mim que eu nunca pensei que alguém faria, mesmo que pareça bobo, pra mim foi um exemplo muito bonito de valores e carinho!

Então, um presente para quem me deixou os comentários.

/p/XQeZL8TP3y/