4 - Problemas
Melina esperava por Draco havia uma hora, estava furiosa e certamente já havia tomado pelo menos cinco doses de uísque. De repente Scorpius apareceu no fim do comprido corredor escuro do Ministério, sorrindo e logo atrás dele, Draco.
- Olá querido, bom dia Draco. Você não pretende levá-lo junto, pretende?
- Oi moça, não eu vou ficar com Alicia.
- Bom dia Melina, desculpe a demora, é difícil fazer ele sair da cama depois de ir dormir tarde.
- Tudo bem. E você mocinho, tem que ir cedo pra cama! – ela sorriu. Teria sido ela uma boa mãe? O sorriso desapareceu do rosto. – E o nosso sorvete, marcamos para quando?
- Quando meu pai deixar, eu vou! Pai?
- Em breve. Então Melina, vamos?
- Vamos. Tenha um bom dia querido.
- Obrigado, eu terei. – disse Scorpius sorrindo. Ele lembrava muito o pai, cabelos loiro platinados, sorriso branco, mesmo com aquela idade era charmoso. Mas algo chamava a atenção de Melina e a deixava insegura, Scorpius tinha olhos cor de mel, olhos idênticos aos seus, olhos idênticos ao de seu filho. Scorpius desviou a atenção dela e berrou: - Alicia gatinha, está se escondendo de novo?
Alicia Longbottom apareceu sorrindo. Alicia era baixa, magrinha, tinha cabelos castanhos, olhos verdes e um sorriso tímido que a deixava uma graça, era a segunda família de Scorpius, como uma irmã mais velha ou o mais próximo que ele tinha de uma mãe. Sempre que podia ele ia trabalhar com o pai, sentia falta dele, mas também sentia falta de Alicia. Conversava com ela, dava conselhos sobre seus namorados, passeavam, riam, brincavam...
- Scorpius, estou aqui! – disse ela. – Vamos, nós teremos um longo dia hoje sem seu pai e Melina por aqui.
Melina mordeu o lábio inferior aflita, olhou para Draco que estava distante, perdido em pensamentos.
- Vamos? – pediu ela.
- Vamos, também teremos um longo dia longe do Ministério.
Draco e Melina caminhavam em direção ao elevador, ele a observava. Por debaixo da capa, ela estava usando uma calça preta, botas sem salto pretas e um casaco verde-musgo acinturado que ia até os joelhos. Pelo canto do olho, Melina fazia o mesmo. Draco usava seu habitual terno preto, as vestes de bruxo não lhe agradavam. O silêncio incomodava Melina, então ela falou quando entraram no elevador:
- Observei que Scorpius tem olhos cor de mel...
- Mais puxado pro azul de Luna.
- Não, é cor de mel mesmo. Sabe, meu filho tinha olhos dessa cor. – ela hesitou, teria falado demais?
- Nosso filho, você quer dizer.
- Que seja. Mas onde você estava quando ele nasceu? Ah, com Luna.
- O filho dela também estava nascendo.
- Você o viu nascer? – dessa vez era uma pergunta realmente inocente, por mera curiosidade.
- Vi. Mas se você acha que só me importo com isso, não, eu lamento muito nosso filho ter morrido. – Draco falava, mas não parecia estar exatamente ali, ele não olhava nos olhos dela.
A porta do elevador abriu, indicando que eles estavam no térreo. Draco fez sinal para que Melina descesse primeiro, ela agradeceu e passou.
- Como vamos?
- A rede de flú está bloqueada, não vamos liberar porque isso poderia causar visitantes indesejados. Então, só nos resta aparatar em Hogsmead.
Draco girou e desaparatou sem dizer nada, Melina fez o mesmo.
Hogsmead continuava a mesma, parada, parecendo inabitada, com o velho Três Vassouras parecendo sempre caloroso e receptivo (embora não fosse exatamente isso) e a Dedos-demel com seu calor cheirando a caramelo líquido.
- Continua igual – disse Melina, legendando o que Draco via. -, mesmo depois de tantos anos.
- É não há muito que se fazer aqui.
- Ou melhor, há sim. Temos trabalho a fazer Draco, vamos.
- E o que você pretende fazer?
- Eu não sou o Ministro da Magia.
- E eu não sou a melhor auror do mundo.
Eles sorriram, olhos cinza brilharam, olhos cor de mel se fecharam.
- Você sabe que poderia ser uma boa mãe para ele.
- Não fui capaz nem de criar um filho na barriga, imagina fora dela.
- Você sabe que isso não é verdade. – murmurou ele.
- Ah não? Meu filho não morreu?
Draco respirou fundo, desviou os olhos frios dos olhos muito vivos de Melina e nada disse.
- Por que você faz isso? – perguntou ela, virando o rosto dele de frente para o seu.
- Porque eu te amo. – disse ele pegando Melina de baixa guarda, o que raramente acontecia. Draco colou os lábios trêmulos nos lábios carnudos de Melina. Por uma fração de segundo pareceu que ela ia retribuir o beijo, mas então ela o empurrou.
– Eu realmente te odeio. – disse ela sem olhar nos olhos de Draco.
- Melina, por favor. Pare de mentir para si mesma!
- Mentir? O único mentiroso aqui é você, falsas promessas de amor pra depois terminar com a Dilua Lovegood!
- Não chame Luna assim! Você nem ao menos a conhecia!
- Então não seja idiota, repugnante, ridículo, patético e estúpido Draco Malfoy!
- Só me responda uma coisa, com sinceridade: você me amou? – perguntou ele rapidamente, fingindo não ouvir Melina.
- Mais do que deveria.
- Você me ama?
- Era só uma coisa Malfoy.
- Ok, desculpe. Mais uma então, por favor.
- Amo.
Não houve tempo para mais nada, nem protestos, gritos ou muito menos reações. Draco a puxou pela cintura e a beijou, dessa vez Melina retribuiu o beijo, colocando seus braços em volta do pescoço de Draco e entrelaçando seus dedos nos cabelos loiros platinados dele.
- Nós temos um problema para resolver. – lembrou ela, separando os lábios dos dele.
- Na verdade dois já que o principal acaba de se resolver. Eu te amo.
Ela riu sem desgrudar os olhos cor de mel dos cinza.
- Peraí! Você disse dois?
- É, mas isso pode esperar.
- Esperar. – ela bufou, empurrando Draco para longe dela delicadamente. – Vamos, vamos resolver um desses problemas então.
Eles andaram lado a lado, até chegar ao castelo. Filch esperava na porta.
- Por Merlin! Vocês demoraram!
- Demoraram. – bufou Melina, empurrando o bruxo abortado e entrando no castelo. Draco riu, como podia alguém tão absurdamente linda ser tão irritada?
